Comunidade indígena no Amazonas recebe energia solar mais de 30 anos após chegada de primeiros moradores

Resumo

  • Segundo a FAS, a usina garante o fornecimento contínuo de energia às famílias da comunidade e deve reduzir o consumo de combustíveis fósseis, com economia estimada em mais de 35 mil litros de diesel por ano.
  • 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Agora no g1 Além da instalação da estrutura, o projeto incluiu a capacitação de moradores para acompanhar o funcionamento do sistema.
  • Ao menos três municípios do AM com terras indígenas estão sob alta vulnerabilidade ao crime organizado, diz estudoMPF aponta irregularidades e reforça pedido contra licenciamento do Projeto Potássio Autazes no Amazonas Indígena relata mudanças após chegada da energia Em entrevista ao g1, o tuxaua da comunidade, Waldemir Santana, afirmou que a implantação do sistema trouxe mudanças para o funcionamento da unidade de saúde local.
  • Rodolfo Pongelupe/FAS Projeto começou após visita de representante alemão A superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Valcléia Solidade, afirmou ao g1 que o projeto teve início em 2023, após a visita de um representante do governo alemão à comunidade.

Usina elétrica solar vai ajudar cerca de 120 pessoas que vivem na comunidade indígena. — Foto: Rodolfo Pongelupe/FAS

Mais de três décadas após a chegada dos primeiros moradores, em 1991, a Comunidade Indígena Três Unidos, no interior do Amazonas, passou a contar com energia elétrica contínua, gerada por placas solares. A usina fotovoltaica, inaugurada nesta sexta-feira (22), atende cerca de 45 famílias da comunidade, localizada na Área de Proteção Ambiental do Rio Negro.

O projeto recebeu apoio do Ministério Federal da Alemanha para o Meio Ambiente, por meio da International Climate Initiative (IKI) e da Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ), e foi implementado pela Fundação Amazônia Sustentável (FAS).

Segundo a FAS, a usina garante o fornecimento contínuo de energia às famílias da comunidade e deve reduzir o consumo de combustíveis fósseis, com economia estimada em mais de 35 mil litros de diesel por ano. A iniciativa também prevê a redução de aproximadamente 111 toneladas anuais de dióxido de carbono, gás associado ao efeito estufa.

Agora no g1

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Além da instalação da estrutura, o projeto incluiu a capacitação de moradores para acompanhar o funcionamento do sistema. Nove comunitários receberam treinamento para identificar possíveis falhas, auxiliar no monitoramento local e realizar cuidados, como a limpeza das placas solares, para manter a eficiência da geração de energia.

Ao todo, a usina atende 50 casas, seis infraestruturas sociais e seis empreendimentos comunitários.

A cerimônia de inauguração foi realizada no Centro Social da comunidade. Durante o evento, crianças indígenas, alunas da escola local, entoaram o Hino Nacional em língua indígena. A programação também contou com apresentações de danças tradicionais e pronunciamentos de representantes da comunidade, da Fundação Amazônia Sustentável (FAS) e da Alemanha.

Indígena relata mudanças após chegada da energia

Em entrevista ao g1, o tuxaua da comunidade, Waldemir Santana, afirmou que a implantação do sistema trouxe mudanças para o funcionamento da unidade de saúde local. Segundo ele, antes da instalação da usina, atendimentos realizados durante a noite eram prejudicados pela falta de energia elétrica.

“À noite não tinha. Chegava um paciente, e como fazer uma sutura? Um senhor de idade precisando tomar um soro. Era um sacrifício, uma luta e uma correria. Hoje não, a unidade de saúde está com energia de qualidade. Consultas on-line? Não tinha como fazer, mas hoje tem. Só tenho a agradecer pelo grande projeto”, disse.

A liderança indígena afirmou ainda que o sistema atualmente atende cerca de 70% da demanda da comunidade, enquanto aproximadamente 30% ainda permanecem sem cobertura. De acordo com ele, antes da operação definitiva, foram realizados dois meses de testes para avaliar o funcionamento da estrutura e a distribuição de energia na localidade.

Comunidade indígena Três Unidos, no Amazonas. — Foto: Rodolfo Pongelupe/FAS

Projeto começou após visita de representante alemão

A superintendente de Desenvolvimento Sustentável de Comunidades da Fundação Amazônia Sustentável (FAS), Valcléia Solidade, afirmou ao g1 que o projeto teve início em 2023, após a visita de um representante do governo alemão à comunidade.

Durante a agenda, os moradores relataram que a falta de energia elétrica era uma das principais demandas da localidade. Após a visita, a FAS foi acionada para desenvolver e implementar a iniciativa.

“Aqui é uma comunidade que trabalha com turismo. Tem pousada, restaurante, centro de artesanato, e eles recebem pessoas com frequência. E o tempo de energia gerada a partir de gerador era insuficiente para atender com qualidade. Então, o governo alemão atendeu à demanda e buscou uma organização que tivesse relação com a comunidade. Então, nós fomos acionados para participar do projeto, porque a gente já atende esse território”, afirmou.

O professor Raimundo Cruz, da etnia Kambeba, definiu a chegada da usina solar como “qualidade de vida”. Segundo ele, o acesso à energia ampliou as possibilidades de conexão da comunidade com outros lugares, além de fortalecer o acesso à internet e ao ensino on-line.

“Precisávamos de uma energia? Sim. Como disse o nosso tuxaua, não só para assistir à televisão, mas para ligar a internet, conservar a nossa alimentação, fazer faculdade on-line e mostrar para o mundo como é a nossa vivência e como estão os povos indígenas na Amazônia. Então, a gente tem ligação de saberes entre o Brasil e o mundo. Isso é qualidade de vida, porque diminui também a discriminação sobre os povos indígenas”, disse.

Indígenas da comunidade Três Unidos, localizada na margem esquerda do Rio Negro, durante inauguração de usina fotovoltaica. — Foto: Jadson Lima/g1 AM

Painéis solares vão ajudar a levar energia elétrica contínua para comunidade indígena no Amazonas. — Foto: Jadson Lima/g1 AM

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