Reintegração de posse no Monte Horebe completa 1 ano com projetos no local afetados pela pandemia

Reintegração de posse na invasão Monte Horebe, em Manaus, aconteceu em março de 2020. — Foto: Josney Benevenuto/Rede Amazônica

A reintegração de posse da ocupação do Monte Horebe, localizada na Zona Norte de Manaus, completa um ano nesta terça-feira (2). O cronograma para construção de uma escola de tempo integral e um complexo de segurança na área foi afetado por conta da pandemia de Covid-19.

De acordo com o governo, o Monte Horebe era uma das maiores ocupações irregulares de Manaus, e já avançava sobre áreas da Reserva Florestal Adolpho Ducke.

Em cerca de uma semana, 2.260 famílias que viviam no local foram retiradas de lá, e seus barracos foram derrubados. Conforme o governo, elas foram cadastradas, e 2.184 estavam aptas a receber o auxílio-moradia, no valor de R$ 600, que começou a ser pago no dia 11 de março de 2020.

Na área desocupada, o governo constrói um Centro de Educação de Tempo Integral (Ceti), com investimentos da ordem de R$ 18 milhões e que deve ser inaugurado neste ano de 2021.

Também há um planejamento para construção de um complexo de segurança pública. Porém, segundo o governo, os projetos nas áreas de educação, meio ambiente e segurança tiveram seus cronogramas estendidos devido à pandemia de Covid-19.

Após a desocupação, a Secretaria Estadual de Meio Ambiente (Sema), em conjunto com a Delegacia Especializada em Crimes contra o Meio Ambiente e o Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas iniciaram análise os danos ambientais na área, que compreende 140 hectares. A análise serviu para que o Estado iniciasse planejamento de ocupação da área, que fica localizada cerca de 260 metros em linha reta da Área de Proteção Ambiental (APA) Adolpho Ducke.

Polícia flagra demarcação de lotes na antiga invasão Monte Horebe em Manaus — Foto: SSP/Divulgação

Desocupação do Monte Horebe

No primeiro dia de desocupação, as equipes fizeram demolição de locais que não tinham moradores, ou seja, lotes que estavam sendo demarcados. Em seguida, foi feita uma triagem social nas casas dos moradores, que só seriam demolidas quando definida e acordada a solução de moradia.

A diarista Adriana Alves foi uma das moradoras da ocupação. Ela contou que resistiu às horas de tensão durante a ocupação, sem água e energia elétrica.

“Eu fui pra lá porque eu não tinha condições pra pagar uma moradia, casa própria, mas a energia elétrica era precária e também não tinha água encanada. Lá era bom, mas tinha os critérios. Espero, no futuro ter a minha casa própria e dar uma vida melhor para as minhas filhas”, disse.

Após o trabalho de triagem e análise de informações sociais, as famílias a receberem soluções de moradia assinaram um termo junto ao Governo do Amazonas, com anuência da Defensoria Pública. Forças de segurança montaram barreiras na área da invasão.

Homem é detido durante reintegração de posse na invasão Monte Horebe em Manaus. — Foto: Iranilson Valente/Rede Amazônica

O governo usou a estrutura de escolas do conjunto Viver Melhor, na Zona Norte de Manaus como base para equipes das forças de segurança, secretarias de estado de assistência social e de justiça e cidadania, defesa civil e defensoria pública, órgão que intermediou a ação.

Ao todo, 700 policiais atuam na operação no Monte Horebe, com barreiras em pontos estratégicos. Segundo o governo, a ocupação irregular Monte Horebe surgiu após a reintegração de posse de outra área: a da Cidade das Luzes na zona Oeste da capital, em 2015.

De acordo com a SSP, famílias eram obrigadas por traficantes a cumprirem regras para consumo de água e energia elétrica com ligações clandestinas, pagar taxas. Quem não cumprisse as ordens era julgado no ‘tribunal do crime’. A lei do silêncio imperava entre as famílias sem-teto.

*Com colaboração de Paulo Paixão, da Rede Amazônica.

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