Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus; VÍDEO

Resumo

  • Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus Quem passa pela Avenida Djalma Batista, uma das principais vias de Manaus, já começa a perceber uma mudança na paisagem.
  • 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp 1 de 6 Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus.
  • Para a arquiteta e urbanista Melissa Toledo, vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM), os ipês introduzem cor, sazonalidade e identidade em uma cidade marcada pelo concreto e pela impermeabilização.
  • William Duarte/Rede Amazônica Para Melissa, a presença de árvores floridas em uma avenida como a Djalma Batista também ajuda a transformar um espaço predominantemente voltado à circulação em um ambiente com maior qualidade ambiental e paisagística.

Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus

Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus

Quem passa pela Avenida Djalma Batista, uma das principais vias de Manaus, já começa a perceber uma mudança na paisagem. Os ipês plantados no canteiro central da avenida iniciaram mais um ciclo de floração e passaram a chamar atenção pelas flores que surgem entre os galhos. Assista acima.

O florescimento dos ipês na avenida já se tornou uma cena tradicional da cidade. As árvores foram plantadas em junho de 2012 e, desde então, a floração costuma transformar temporariamente o visual de uma das principais vias da capital amazonense.

Em informações divulgadas pela Prefeitura de Manaus na ocasião, o conjunto era formado por 315 ipês-brancos plantados no corredor viário.

Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus. — Foto: Patrick Marques/g1 AM

Por que os ipês florescem?

A floração acontece como parte do ciclo reprodutivo dos ipês. Antes de florescer, as árvores perdem as folhas e ficam com os galhos mais expostos. O processo é uma característica da espécie e está relacionado à adaptação às condições do ambiente.

Tradicionalmente, o surgimento das flores ocorre entre setembro e outubro, período que coincide com o pico da estação seca em Manaus e o Verão Amazônico.

Depois da floração, os ipês passam por um processo de renovação das folhagens. As flores e as vagens caem e, posteriormente, novas folhas começam a surgir nos galhos.

Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus. — Foto: Patrick Marques/g1 AM

O período também pode ser aproveitado para a coleta de sementes destinadas à produção de novas mudas. Nos ciclos, técnicos da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas) costumam realizar o monitoramento das árvores para identificar o momento adequado para a coleta.

Uma mudança na paisagem de Manaus

Além do ciclo natural da espécie, a floração acaba tendo um efeito direto sobre a paisagem urbana.

Para a arquiteta e urbanista Melissa Toledo, vice-presidente do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Amazonas (CAU/AM), os ipês introduzem cor, sazonalidade e identidade em uma cidade marcada pelo concreto e pela impermeabilização.

“Quando os ipês florescem, criam pontos de referência e alteram temporariamente a percepção de avenidas e canteiros. Trata-se de um evento paisagístico que ativa o olhar do cidadão”, afirmou.

Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus. — Foto: William Duarte/Rede Amazônica

Para Melissa, a presença de árvores floridas em uma avenida como a Djalma Batista também ajuda a transformar um espaço predominantemente voltado à circulação em um ambiente com maior qualidade ambiental e paisagística.

“Avenidas não são meros canais para circulação de veículos; são espaços vivos”, disse.

Arborização também ajuda no conforto térmico

Em uma cidade de clima quente como Manaus, a arborização tem funções que vão além da estética.

De acordo com Melissa, árvores planejadas podem oferecer sombra, reduzir a incidência direta da radiação solar e diminuir a temperatura das superfícies. Elas também podem contribuir para a retenção de poluentes e para a proteção do solo.

A arquiteta ressalta, porém, que o plantio precisa ser planejado de acordo com as características de cada local.

Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus. — Foto: William Duarte/Rede Amazônica

Entre os fatores que devem ser considerados estão o crescimento das raízes, a presença de redes subterrâneas, a largura das calçadas, a visibilidade e a segurança viária.

“O bom urbanismo reside justamente na integração harmônica entre natureza, infraestrutura e uso humano”, explicou.

Ipês e a relação dos moradores com a cidade

A mudança visual provocada pela floração também pode alterar a forma como os moradores se relacionam com os espaços públicos.

Segundo Melissa, uma avenida dominada por asfalto, muros e veículos tende a ser percebida apenas como um local de passagem. Já uma arborização marcante pode transformar aquele espaço em uma paisagem reconhecível e criar vínculos com quem circula pela região.

“A floração sazonal do ipê estabelece um calendário visual: a população antecipa esse período, reconhece os pontos floridos e constrói afetividade com o espaço público”, afirmou.

Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus. — Foto: Patrick Marques/g1 AM

Manutenção das árvores

Desde o plantio, os ipês da Djalma Batista recebem ações de manutenção da Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas).

Em informações divulgadas pela prefeitura, entre os serviços realizados estavam adubação complementar, reposição, tutoramento e podas de condução, quando necessárias para adequar o desenvolvimento das árvores às características do espaço urbano.

Para Melissa, o plantio de ipês em canteiros centrais pode fazer parte de uma estratégia de planejamento urbano, desde que não seja pensado apenas pelo aspecto visual.

A escolha das espécies, o espaçamento entre as árvores e a relação da vegetação com mobilidade, drenagem e acessibilidade precisam ser considerados no planejamento.

“O paisagismo é parte integrante do planejamento urbano”, afirmou.

Enquanto seguem o ciclo natural de floração e renovação das folhas, os ipês da Djalma Batista voltam a transformar temporariamente a paisagem da avenida e chamam a atenção de quem passa pelo local.

Ipês começam a florescer e mudam paisagem da Avenida Djalma Batista, em Manaus. — Foto: William Duarte/Rede Amazônica

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