Paciente denuncia infecção grave e perda de sensibilidade após cirurgia íntima em clínica em Manaus: ‘Fui ignorada’

Resumo

  • A paciente decidiu fazer o procedimento no local após ver fotos e vídeos de supostos resultados divulgados pela clínica em um aplicativo de mensagens.
  • Cirurgias eram feitas sem equipe médica De acordo com a investigação, as suspeitas anunciavam que a cirurgia íntima era feita a laser, sem cortes, classificando o procedimento como exclusivamente estético.
  • LEIA TAMBÉM Suspeita de se passar por biomédica é presa pela segunda vez em ManausSaiba quem é a falsa médica presa que atendia crianças com doenças graves e se dizia parente do prefeito de Manaus O que disse a EstetiClin A EstetiClin Muniz informa aos seus pacientes, clientes e parceiros que suas atividades encontram-se temporariamente suspensas em razão de um procedimento de fiscalização.
  • Estamos colaborando com as autoridades competentes e prestando todos os esclarecimentos solicitados, para que as providências necessárias sejam concluídas e os atendimentos possam ser retomados de forma regular e segura.

Clínica estética é alvo de operação em Manaus. — Foto: Jucélio Paiva/Rede Amazônica

Uma paciente que fez uma cirurgia íntima (ninfoplastia) em uma clínica de estética em Manaus relatou ter sofrido complicações graves e negligência no pós-operatório. O relato ocorre após a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM) deflagrar, nesta quarta-feira (22), uma operação contra procedimentos cirúrgicos irregulares na capital.

🔍A ação ocorreu em duas clínicas da rede EstetiClin, localizadas no bairro Adrianópolis, Zona Centro-Sul de Manaus, e na Zona Leste da capital. Uma cirurgiã-dentista, proprietária da rede de clínicas, foi intimida pela polícia para prestar esclarecimentos.

A paciente, que preferiu não se identificar, contou que buscou a Clínica Esteticlin Muniz para resolver um desconforto físico. A paciente decidiu fazer o procedimento no local após ver fotos e vídeos de supostos resultados divulgados pela clínica em um aplicativo de mensagens.

Segundo a paciente, os problemas começaram já na primeira consulta. Ela afirma que não passou por avaliação médica sobre histórico de patologias antes da cirurgia.

O g1 solicitou nota sobre o relato da Clínica sobre o procedimento, mas até a publicação desta reportagem não obteve retorno.

Pouco tempo após a intervenção cirúrgica, a paciente começou a apresentar forte inflamação e liberação de secreção no local. Ao buscar suporte com a profissional responsável pela cirurgia, a vítima relata que teve seus pedidos de ajuda ignorados.

“Mesmo seguindo rigorosamente todas as orientações, ao buscar ajuda, fui ignorada e informada de que ‘estava tudo bem’. O quadro evoluiu para febre, vômitos, dores de cabeça extremas e confusão mental”, relatou.

Diante do agravamento dos sintomas, a mulher buscou atendimento médico de emergência no Hospital da Mulher. Na unidade de saúde, a ginecologista cirurgiã de plantão constatou a gravidade da situação: a região estava dilacerada, altamente inflamada e com presença de pus.

Polícia deflagra operação contra clínicas de estética que realizavam cirurgias irregulares

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Sequelas permanentes

Após meses de tratamento com medicamentos, a paciente conseguiu controlar a infecção. No entanto, afirma ter ficado com sequelas.

“Após meses de tratamento com medicamentos fortes para conter a infecção, a região cicatrizou, mas perdi completamente a sensibilidade no clitóris”, desabafou.

Ela diz ter reunido provas, como receitas médicas, prontuários do Hospital da Mulher, registros visuais, conversas em aplicativo e um laudo pericial que confirma os danos.

Cirurgias eram feitas sem equipe médica

De acordo com a investigação, as suspeitas anunciavam que a cirurgia íntima era feita a laser, sem cortes, classificando o procedimento como exclusivamente estético. No entanto, conforme a Polícia Civil, o equipamento utilizado era um laser de CO₂, capaz de realizar incisões e provocar lesões nos tecidos, caracterizando um procedimento cirúrgico.

Ainda de acordo com o delegado, as cirurgias eram realizadas apenas pelas profissionais, sem equipe médica de apoio e em uma sala considerada inadequada para esse tipo de procedimento.

Durante a operação, os policiais apreenderam equipamentos estéticos, aparelhos eletrônicos, documentos e medicamentos que serão analisados no decorrer das investigações.

As duas suspeitas foram conduzidas ao 4º DIP, onde prestam depoimento. A Polícia Civil deve decidir se a prisão em flagrante será mantida e dará continuidade às investigações para apurar o caso e descobrir se há outras vítimas.

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O que disse a EstetiClin

A EstetiClin Muniz informa aos seus pacientes, clientes e parceiros que suas atividades encontram-se temporariamente suspensas em razão de um procedimento de fiscalização.

Estamos colaborando com as autoridades competentes e prestando todos os esclarecimentos solicitados, para que as providências necessárias sejam concluídas e os atendimentos possam ser retomados de forma regular e segura. Neste momento, ainda não temos uma data definida para o retorno das atividades.

Informamos que estamos temporariamente sem acesso aos telefones e aos canais de atendimento da clínica.

Por esse motivo, não temos como responder às mensagens, ligações ou solicitações dos pacientes. Reforçamos que nenhum paciente será prejudicado e que todos os atendimentos, procedimentos, pacotes e valores pagos serão preservados.

Assim que nossos meios de comunicação forem restabelecidos, nossa equipe entrará em contato com todos os pacientes para prestar as orientações necessárias e informar sobre remarcações.

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