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Julho Amarelo: saiba as diferenças entre os tipos de hepatites virais e como se prevenir da doença

A Organização Mundial da Saúde (OMS) instituiu 28 de julho como o Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais e, no Brasil, uma lei federal estabeleceu o “Julho Amarelo”, com o objetivo de promover ações relacionadas à luta contra as hepatites virais e alertar para a importância do diagnóstico precoce no combate a essas doenças.

No Amazonas, dados da Secretaria de Estado de  Saúde (Susam) apontam que em 2018 foram registrados 1.227 casos de hepatites virais. Em 2019 o número sobe para 1.460, um aumento de 233 casos em relação a 2018.

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Maria Paula Mourão-infectologista e pesquisadora da FMT-HVD

Para esclarecer as dúvidas sobre as Hepatites Virais, a equipe do Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon) conversou com infectologista e pesquisadora da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Maria Paula Mourão. Confira a entrevista!

 

1) Quais as semelhanças entre os diferentes vírus causadores da hepatite?

As hepatites virais podem ser causadas por diversos agentes patogênicos, mas principalmente pelos vírus A e E (de transmissão fecal-oral), B, C e D (de transmissão sexual, pelo sangue, pela gravidez ou pelo parto).

Em termos gerais, as hepatites de transmissão oral (A e E) costumam causar formas agudas e sintomáticas de infecção, mais comuns em crianças, adolescentes e, excepcionalmente em adultos jovens. O paciente se infecta ingerindo água ou alimento contaminado pelas fezes de uma pessoa infectada e desenvolve uma doença infecciosa com febre baixa, vômitos, dor abdominal, falta de apetite, fraqueza e, algumas vezes, icterícia (olhos, pele e urina bastante amarelados), geralmente de resolução espontânea e sem sequelas importantes. Em situações raras, pode ocorrer a forma fulminante, com destruição rápida do fígado e evolução para o óbito.

Nas hepatites de transmissão parenteral ou sexual (B, C e D), pode não ocorrer à apresentação aguda da doença. O vírus se instala no fígado de forma insidiosa e vai causando dano lento, ao longo de anos, sem que o paciente infectado perceba. Os sintomas mais evidentes costuma surgir na fase de doença crônica, muitas vezes com lesão já irreversível do fígado, como a cirrose ou o hepatocarcinoma. No processo de cronificação da hepatite, além do fígado, vários outros sistemas do organismo são afetados como os rins, os pulmões, o coração, o sistema hematológico e o sistema nervoso central, e os pacientes geralmente evoluem ao óbito por falência múltipla desses órgãos.

2) Todas as Hepatites Virais têm um tipo de tratamento específico?

 As hepatites de transmissão oral (A e E), por serem doenças auto-limitadas e sem complicações importantes, não demandam tratamento específico, apenas orientação dietética, repouso e sintomáticos para controle da febre e dos sintomas gastrointestinais.

 As hepatites de transmissão parenteral (B, C e D) demandam tratamento específico e regular com combinação de antivirais e outras medicações de suporte, podendo evoluir para a cura a depender do momento do diagnóstico, da resposta imunológica do paciente e da sensibilidade do vírus.

 Além disso, pacientes portadores de hepatites virais devem suspender o consumo de bebidas alcoólicas, medicamentos ou outras drogas (lícitas ou ilícitas, naturais ou sintéticas) com potencial tóxico para o fígado, a fim de minimizar a progressão da doença crônica.

 3) Além das vacinas existe outro método de prevenção dessas doenças?

 Existe vacina para os vírus A e E, que não pertencem ao esquema vacinal preconizado no Brasil, mas estão disponíveis nas clínicas privadas de vacina, administrada em dose única, a partir dos 12 meses de idade, podendo-se fazer uma dose de reforço. Existe também a vacina para o vírus B, incorporada ao calendário nacional de imunização, gratuita, administrada em 3 doses sequenciais , a partir dos 6 meses de idade. Esta vacina protege contra o vírus B e também contra o vírus D, uma vez que este último depende do primeiro para se instalar e multiplicar no homem.

Além das vacinas, para a prevenção das hepatites de transmissão oral, é fundamental o cuidado com a água potável e os alimentos, bem como com a higiene após uso do banheiro, compartilhamento de pratos, copos, talheres e brinquedos, entre outros, em ambiente domiciliar ou escolar. Para as hepatites de transmissão parenteral, se faz importante a prática do sexo com preservativo, o uso individual de seringas, agulhas e outros materiais pérfuro-cortantes, a realização adequada dos exames de pré-natal e o cuidado com as transfusões de sangue e demais derivados.

 4) Quem tem ou teve hepatite pode engravidar e amamentar?

Pode sim, desde que a doença esteja sob controle e com o devido acompanhamento médico.

 5)  O Brasil sancionou a Lei 13.802, de 2019,  que estabeleceu a campanha “Julho Amarelo” que faz referência ao Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, 28 de julho, como você avalia essa iniciativa?

Considerando que os vírus causadores de hepatite podem permanecer causando dano de forma silenciosa e, muitas vezes irreversível, as campanhas sensibilização e testagem em larga escala para hepatites virais são muito importantes e devem ser incentivadas para que a população seja conscientizada, e os portadores sejam dentificados, tratados, recuperados à medida do possível e se interrompa o ciclo de transmissão.

ATENÇÃO!

Devido a pandemia do novo coronavírus, este ano, a testagem pode ser agendada por meio do telefone (92) 2127-3559. Os testes serão realizados até  30 de julho, das 13h às 17h. Serão adotados protocolos de segurança diferenciados, para garantir a segurança da população durante as testagens. As pessoas deverão usar máscaras e respeitar o distanciamento social.

 

Por: Jessie Silva

Fotos: UEA

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