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Estudo avaliou as condições de vida de moradores de rua na cidade de Manaus

O que leva uma pessoa a morar nas ruas? Quais as condições de vida dessas pessoas? Estudo científico buscou avaliar e apresentar essas questões de forma sistematizada a partir de uma investigação qualitativa voltada às condições de vida e saúde de pessoas em situação de rua na cidade de Manaus.

A pesquisa finalizada em 2016 foi desenvolvida na época pela estudante do 5º período do curso Serviço Social, Nayara Campos,  teve uma parte de resultados descritos no livro “(Sobre) Vivências nas ruas de Manaus” que relata histórias, condições de vida e políticas públicas, a inciativa contou com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic). Dra. Roseane Pinheiro Palheta- Fotos Érico Xavier_-8

O projeto gerou continuidade no tema enfatizando a questão da adesão ao tratamento em HIV pela população de rua,  e atualmente está sendo desenvolvido pela aluna Lucélia Regina Araújo, do 5º período de Direito,  com a orientação da doutora em Serviço Social, Rosiane Pinheiro Palheta, da Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa).

Segundo Rosiane, os estudos sobre a chamada população de rua ainda são pouco conhecidos no Brasil devido a realidade de uma população itinerante que dificulta a contagem de maneira mais contundente, e a própria conceituação sobre o que seria o “morador” de rua. “A percepção da população em situação de rua ainda necessita de um olhar mais atento e de políticas públicas que sejam dirigidas a este público, de maneira a minimizar a exclusão de toda ordem de que são vítimas, sobretudo, de políticas de habitação e assistência social, que provenha abrigo e moradia àqueles que assim desejam sair das ruas”, contou.

Para a estudante Lucélia Regina Araújo,  que está em continuidade ao trabalho, focando agora na questão da adesão ao tratamento em HIV pela população de rua, ” Os projetos são a base para as mudanças de muitas realidades e, especialmente, este que abrange uma parte marginalizada da sociedade que também precisa de atenção e ajuda. “Trazer maior qualidade de vida para eles futuramente através da pesquisa é o maior objetivo visado”, relata Lucélia.

Aplicabilidade

O estudo foi aplicado com 144 pessoas no Centro de Manaus  por meio de pesquisa de campo nas ruas, com o  apoio do Centro de Referência Especializado para Pessoas em Situação de Rua (Centro POP ) da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Cidadania – (Semasc), que visa ofertar  trabalho técnico para a análise das demandas dos usuários, orientação individual e grupal e encaminhamentos a outros serviços socioassistenciais e das demais políticas públicas que possam contribuir na construção da autonomia, da inserção social e da proteção às situações de violência.

Segundo Rosiane Palheta, algumas características foram observadas conforme o mapeamento: retificou-se que os resultados quanto ao gênero, a população em situação de rua em sua maioria, é do sexo masculino e  que o maior percentual de pessoas em situação de rua é na  faixa etária é de  31 a 40 anos. Pessoas acima de 60 anos registraram o menor número durante o período pesquisa.

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A partir da análise dos dados foi possível compreender as inúmeras estratégias e dificuldades na qual as pessoas em situação de rua têm que enfrentar no seu dia a dia para sobreviver; são pessoas que se encontram expostas a condições de vida precárias, sem acesso aos direitos básicos, entretanto, muitas pessoas optam por estar na rua por considerá-la o lugar de maior representatividade da proteção e da liberdade.

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Rosiane explica que em muitos casos percebeu-se que a saída das ruas não é vista como  evento positivo ou não significa necessariamente melhoria de vida, pois a rua representa por si, fonte de sobrevivência, trabalho e, sobretudo, espaço profícuo de relações sociais e estabelecimento de vínculos afetivos representativos.

“Durante a pesquisa, conversando com os moradores, muitos deles se acostumam com a vida na rua e maioria não quer sair; quando se retira um indivíduo da rua, contra a sua vontade, há todo um processo, que muitas vezes não é o melhor caminho, quando a necessidade de reprodução de vida está vinculada à rua. São conhecidos alguns casos de moradores que foram retirados das ruas e não conseguiram se adaptar em outro estilo de vida, alguns até adoecem”, relata.

A questão das pessoas em situação de rua  na maioria das vezes está ligada à família, desemprego, conflitos familiares, dependência química, problemas psíquicos, abandono, rompimento de vínculos afetivos, dentre outros. “A situação de rua tem um vínculo muito presente com as questões familiares, geralmente, desencadeadas na infância. Em muitos depoimentos foram bem presentes situações de violência e estupro por algum membro da família, o que levou ao abandono do lar, como única forma de sair da situação de violência”,  relata a pesquisadora.

 

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Levantamento

De acordo com o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), uma fundação pública federal vinculada ao Ministério da Economia, com base nos últimos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de  2015, o Brasil tem 101 mil moradores de rua, a pesquisa aponta que a maior parte  esta concentrada nos municípios.  Conforme a Secretaria de Estado de Justiça, Direitos Humanos e Cidadania (Sejusc), em Manaus, a maior parte se concentra no centro da capital Amazonense  e não há dados sobre números oficiais dessa população.

Sobre o Paic

O programa apoia Instituições de Ciências e Tecnologias (ICT’S), de natureza pública ou privada, sem fins lucrativos, sediadas no Estado do Amazonas, por meio da concessão de bolsas de Iniciação Científica e Tecnológica, sob forma de cotas. A Fapeam tem como missão fomentar a pesquisa científica, o desenvolvimento tecnológico, a inovação e formação de recursos humanos.

 Por Jessie Silva

Fotos: Érico Xavier

Arte: Suellen Sousa

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Pesquisa buscou avaliar a qualidade de vida de pessoas com deficiência praticantes e não praticantes de atividade física

Avaliar a qualidade de vida de pessoas com deficiência física e visual, praticantes ou não de atividade física, com base na percepção do indivíduo. Esta foi a base de uma pesquisa fomentada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolvida pela educadora física Lionela da Silva Corrêa, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

 

O estudo buscou comprovar cientificamente a importância da atividade física na qualidade de vida da pessoa com deficiência. Segundo a pesquisadora, até então só havia dados a partir de relatos.

Educação Física UFAM - Fotos Érico Xavier-8

“Percebemos de forma empírica que as pessoas que praticavam atividade física regular relatavam melhoras em vários aspectos de vida. Inclusive houve um relato de um participante de dança em cadeira de rodas que disse ter preconceito em dançar, mas depois que começou, recomenda a todos os cadeirantes”, disse.

 

Segundo a coordenadora do Programa de Atividades Motores para Deficientes (Proamde), Minerva Leopoldina de Castro, a ideia do projeto da pesquisadora Lionela surgiu a partir da atuação do programa de extensão da Faculdade de Educação Física e Fisioterapia (FEFF) da Ufam, que visa oportunizar o desenvolvimento das potencialidades remanescentes de pessoas com deficiência através de atividades de Educação Física e esportes gratuitos.

Minerva Educação Física UFAM - Fotos Érico Xavier-4

coordenadora do Programa de Atividades Motores para Deficientes (Proamde)

“O  Proamde mudou as vidas das pessoas. Ele tem dois objetivos muito fortes. O primeiro é o de potencializar as pessoas com deficiência, trazer  e mostrar a funcionalidade ate melhorar a qualidade de vida delas. E o segundo é a capacitação de recursos humanos, que incentiva os acadêmicos a desenvolver outros projetos assim como o da Lionela, mostrando a sociedade que podemos  também sair de dentro dos nossos muros acadêmicos”, explica.

 

O estudo  foi aplicado a pessoas que participavam de projetos do  Proamde, e pessoas cadastradas na Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência (Seped) e associações.

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Lionela explica que, ao verificar a qualidade de vida dos participantes, todos apresentaram resultados acima da média, demonstrando uma autopercepção positiva da qualidade de vida.

 

“Quando comparados os resultados de atividade física e qualidade de vida, percebemos que pessoas com deficiência visual que praticam atividade física no trabalho são mais ativas e apresentam percepção mais positiva da qualidade de vida que aquelas não praticantes. Já os deficientes físicos que praticam atividade física (considerados ativos) apresentam qualidade de vida melhor, e também, quando observados por domínios de qualidade de vida – o domínio de qualidade de vida relacionada aos aspectos físicos (domínio físico) – apresentou melhor resultado de qualidade de vida, quando comparados aos insuficientemente ativos”, disse a pesquisadora.

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Lionela da Silva Corrêa, coord. projeto fomentado pela Fapeam

A pesquisadora relata que os deficientes visuais não tiveram atividades práticas. Com eles, foi realizada uma coleta de dados por meio do Questionário Internacional de Atividade Física (Ipaq), cujo objetivo é avaliar os hábitos da atividade física e analisar a percepção da qualidade de vida, além de ser aplicado um questionário sociodemográfico para caracterização dos indivíduos.

 

“No questionário Ipaq, eles responderam sobre as suas atividades, como, por exemplo, lazer, trabalho, transporte, dentre outros, com questionamentos sobre quantas vezes na semana a realizavam e o tempo que levavam com cada atividade por semana. Com o dado da quantidade de vezes que eles faziam, foram classificados como praticantes ou não praticantes (ativos e insuficientemente ativos). Além desse questionário, eles também responderam o de qualidade de vida, em que apontavam o grau de satisfação com cada domínio da qualidade de vida (por exemplo, parte física, psicológica, social e ambiental). A partir disso, comparamos a qualidade de vida dos praticantes e não praticantes”, disse.

 

O projeto finalizado teve seus relatórios finais apresentados no Seminário Amazonense de Atividades Motoras Adaptadas (Saama) em novembro de 2018, conseguindo atingir pessoas com deficiência e professores que atuam na Educação Física, e mais duas submissões  para publicação de artigo científico.

 

Fomento – O projeto recebeu apoio por meio do Programa Apoio à Pesquisa (Universal), edital nº 030/2013, cujo objetivo é conceder aporte financeiro para atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, em todas as áreas de conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento do Amazonas.

 

Neste ano, houve uma chamada para o universal que recebeu propostas até 15 de julho de 2019.

Por Jessie Silva

Fotos: Érico Xavier

Arte: Suelen Sousa

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