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Técnica de cultivo de cogumelos em toras de madeira pode ajudar a elevar a renda de pequenos proprietários rurais no Amazonas

O primeiro cultivo de cogumelo comestível da espécie Lentinula raphanica, em escala experimental, no mundo, foi realizado por pesquisadores no Amazonas, com o intuito de gerar um produto alimentício a partir da biodiversidade da floresta Amazônica.

Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), a pesquisa científica, pioneira, apontou que essa espécie de cogumelo pode ser uma alternativa economicamente viável, com grande potencial de uso na indústria alimentícia, e pode se tornar uma nova fonte de produção e renda aos futuros fungicultores do Estado.

O projeto “Produção de Lentinula raphanica, um cogumelo comestível da Amazônia, utilizando substratos regionais” foi desenvolvido no laboratório de Microbiologia de Alimentos, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), na Coordenação de Biodiversidade, por meio do Programa de Apoio à Fixação de Doutores no Amazonas (Fixam/AM), edital Nº022/2013.

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Coordenadora do projeto, Ruby Vargas-Isla.

 

A coordenadora do projeto, Ruby Vargas-Isla, explica que entre as diversas possibilidades de utilização dos fungos, o cultivo de cogumelos (fungicultura), tem sido considerada uma ótima alternativa alimentar de alto valor nutricional, gastronômico e econômico.

Método

Para o estudo, primeiro os pesquisadores coletaram, identificaram, selecionaram e isolaram o fungo da espécie Lentinula raphanica. O segundo passo foi produzir um substrato, utilizando uma formulação a partir de resíduos agroflorestais regionais (serragem de madeira) enriquecidos com farelo de arroz e cascas de frutos da região.

Em seguida, os pesquisadores retiraram um fragmento do interior do cogumelo (contexto) e adicionaram esse fragmento ao meio de cultura estéril, com o objetivo de acelerar o crescimento e avaliar as condições de crescimento.

O fungo necessita dessa matéria orgânica, que é o substrato a base de resíduos agroflorestais, para desenvolver-se. A partir da junção do substrato com o fungo isolado, dá-se a origem à produção da semente-inóculo, que é o primeiro passo para o cultivo de cogumelos comestíveis.

Cogumelo na madeira

O cultivo da espécie Lentinula raphanica baseado na inoculação da semente-inóculo do fungo em toras de madeiras.

 

A produção desse composto é inoculada (introduzida) em vários furos feitos previamente nas toras de madeira de reflorestamento de castanheira-do-brasil (Bertholletia excelsa), que servem como substrato ou matéria prima para o experimento.

Após a inoculação, impermeabilização e incubação, as frutificações de cogumelos ocorrem geralmente num período de colonização entre sete e oito meses.

A metodologia utilizada para o cultivo da espécie Lentinula raphanica baseado na inoculação da semente-inóculo do fungo em toras de madeiras é o mesmo método utilizado para cultivar outra espécie de fungo comestível como a Lentinula edodes (shiitake), espécie cultivada em escala industrial e em climas temperados.

Consumo

A comestibilidade dos cogumelos de algumas espécies de ocorrência natural da Amazônia foi registrada na década de 70 e 80 pelos botânicos Oswaldo Fidalgo e Guillean Prance, entretanto, a L. raphanica não havia sido registrada por estes pesquisadores.

Segundo a pesquisadora, apenas em 2016, na publicação do livro dos alimentos do povo indígena Yanomami (Sanöma) foi relatado o consumo de L. raphanica entre as 16 espécies de cogumelos comestíveis consumidos, e agora comercializados por comunidades da região do Awaris, no extremo noroeste de RoraimaEstes relatos indicam que L. raphanica apresenta potencial de uso como alimento da floresta dos trópicos.

Cogumelo na mão

O primeiro cultivo de cogumelo comestível da espécie Lentinula raphanica, em escala experimental, no mundo, foi realizado por pesquisadores no Amazonas.

 

Em Manaus, existe mercado para a produção desses cogumelos da espécie L. raphanica. A pesquisadora explica que a produção foi destinada a chefs de dois restaurantes da cidade para testes e estes receberam bem a novidade.

“A produção foi vendida aos estabelecimentos pelo proprietário do sítio onde parte do experimento foi realizado. A atividade é um dos primeiros passos para iniciar a prática da fungicultura no estado do Amazonas”, explicou. 

Importância do estudo

O projeto contribuiu para avançar nos estudos de implantação de uma nova atividade produtiva, a fungicultura da espécie L. raphanica de ocorrência natural no estado do Amazonas, utilizando toras de madeira de reflorestamento, bem como na divulgação da espécie comestível principalmente no campo da gastronomia na busca de novos sabores da Amazônia.

De acordo com a pesquisadora, integrante do Grupo de Pesquisas: Cogumelos da Amazônia, foi realizada também a implantação do Fungário no Museu da Amazônia (Musa) como parte da divulgação para a sociedade sobre a biodiversidade dos fungos e para mostrar algumas espécies comestíveis encontradas no Jardim Botânico Adolpho Ducke.

Cogumelo tora

O projeto contribuiu para avançar nos estudos de implantação de uma nova atividade produtiva, a fungicultura da espécie L. raphanica.

 

“No entanto, ainda há muitos pontos a serem melhorados para chegar em uma produção autossustentável pelo produtor rural e outros trabalhos devem ser realizados para dar continuidade à produção de cogumelos como, por exemplo, avaliar a produtividade em grande escala; realizar estudos sobre os danos causados por insetos “pragas” das madeiras e dos cogumelos frutificados; estudos de pós-colheita; análises bioquímicas do cogumelo e dos substratos, entre outros”, disse Ruby. 

Fixam

Estimular a fixação de recursos humanos com experiência em ciência, tecnologia e inovação e/ou reconhecida competência profissional em instituições de ensino superior e pesquisa, institutos de pesquisa, empresas públicas de pesquisa e desenvolvimento, empresas privadas e microempresas que atuem em investigação científica ou tecnológica. Propiciar o fortalecimento dos grupos de pesquisa existentes e a criação de novas linhas de pesquisa de interesse regional, mediante a contínua integração entre os setores acadêmico, científico e o Estado.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Fungos encontrados no rio Amazonas são analisados como possível fonte para composição de fármacos contra o câncer

Pesquisadores buscam identificar novas substâncias antitumorais que futuramente possam ser utilizadas na produção de fármacos contra o câncer

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O projeto é desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Metabolômica e Espectrometria de Massas da UEA

Pesquisa pretende descobrir se linhagens de fungos filamentosos encontradas no fundo do rio Amazonas produzem substâncias anticancerígenas contra os cânceres de fígado, mama, colo do útero e sangue (leucemia). O estudo tem a finalidade de investigar o potencial biológico desses microrganismos por meio de ensaios de atividade antioxidante, microbiológica e citotóxica. A descoberta de novos compostos bioativos é o primeiro passo para auxiliar no desenvolvimento de novos medicamentos capazes de combater a proliferação de células tumorais.

O projeto é desenvolvido pelo Grupo de Pesquisa em Metabolômica e Espectrometria de Massas da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), em parceria com o Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz – BA), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio Estratégico ao Desenvolvimento Econômico-Ambiental do Estado do Amazonas – Amazonas Estratégico.

O coordenador do projeto  pós-doutor em Química Orgânica e professor da UEA, Héctor Koolen, explica que os resultados alcançados por meio dos estudos com os fungos filamentosos devem fomentar a pesquisa de base na área de química e farmácia no estado do Amazonas, além de descobrir as potencialidades da biodiversidade Amazônica, bem como a necessidade da preservação do ecossistema.

“A pesquisa especificamente com esses fungos encontra-se na etapa microbiológica, ou seja, é a fase em que os fungos estão sendo propagados e em seguida preservados. Entretanto, os estudos laboratoriais identificaram moléculas com potencial biotecnológico em fungos endofíticos e em plantas da região”, informou.

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Coordenador do projeto pós-doutor em Química Orgânica e professor da UEA

Koolen busca identificar se é possível isolar essas substâncias e utilizá-las farmacologicamente contra o câncer, serão feitas a caracterização química de 110 linhagens de amostras desses novos microrganismos, e verificar se esses compostos são responsáveis pela atividade antitumoral.

“A produção de medicamentos será possível se ao longo do processo de estudos as substâncias forem aprovadas nos testes pré-clínicos (in vivo) com camundongos. Mas não basta que a molécula seja ativa, ela necessita não ser prejudicial ao restante do organismo. Isso será avaliado neste projeto de modo a fomentar o interesse de alguma indústria farmacêutica para as sínteses e estudos clínicos (ensaios em seres humanos). Vale ressaltar que o processo para que um candidato vire fármaco é custoso, e leva em média 15 anos para a aprovação final. Esse projeto visa fomentar possíveis estudos clínicos”, ressaltou.

Pesquisa

Desde 2015, o grupo de pesquisa estuda linhagens de fungos, com o trabalho de identificar, catalogar e preservar as estirpes.

Para Koolen, a principal meta do projeto é a descoberta de uma molécula orgânica com potencial anticâncer in vitro e in vivo que seja produzido por um fungo do Amazonas.

“Iniciativas na área, como a que esse projeto se propõe constituem o primeiro, e bastante importante, passo para o apoio estratégico ao desenvolvimento econômico-ambiental do estado do Amazonas”, disse

Segundo Héctor, a pesquisa se justifica pela necessidade de adquirir um amplo conhecimento em relação ao potencial do estado do Amazonas em gerar um novo candidato a insumo farmacêutico no combate ao câncer.

“O estado do Amazonas por toda sua riqueza de recursos naturais constitui um depósito de moléculas bioativas ainda por descobrir. Infindáveis espécies de fungos, muitas delas ainda nem descritas habitam o nosso Estado e podem fornecer novas moléculas com atividade anticâncer”, informou

Programa Amazonas Estratégico

É uma iniciativa da Fapeam destinada à coordenação das ações de investigação, fomento e seleção de projetos de pesquisa que contemplem atividades de prospecção, desenvolvimento, engenharia e/ou absorção tecnológica, produção e comercialização de produtos, processos e/ou serviços inovadores, estratégicos e demais ações necessárias para que esses sejam levados ao mercado de forma competitiva, visando ao desenvolvimento de empresas e tecnologias brasileiras nas cadeias produtivas.

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Micologia e diversidade dos fungos serão temas de congresso em Manaus

Estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores, e demais profissionais da área de saúde podem se preparar para importante evento que este ano será realizado em Manaus. Trata-se do IX Congresso Brasileiro de Micologia, que acontece no período de 24 a 27 de junho, no Centro de Convenções do Amazonas – Vasco Vasques, no bairro de Flores, zona centro-oeste da cidade.

O Congresso é promovido pela Sociedade Brasileira de Micologia, e é um importante evento científico que reúne programação extensa para abordar micologia e a diversidade dos fungos e dos ecossistemas amazônicos. abrangendo oito eixos temático

São parceiros da Sociedade Brasileira de Micologia neste evento, o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Universidade do Estado do Amazonas (UEA),  Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Embrapa-Amazônia Ocidental, Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), e Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

A Comissão organizadora do evento tem como presidente, Maria Aparecida de Jesus (Inpa), 1ª vice-presidente, Ani Beatriz Matsuura (ILMD/Fiocruz Amazônia), e 2 ª vice-presidente, Jânia Lilia Bentes (Ufam).

SUBMISSÃO DE TRABALHOS

A submissão de trabalhos será online, e os resumos devem ser enviados até o dia 25 de março, nas seguintes áreas temáticas: Micologia ambiental e aplicada; Micologia Biológica; Micologia Industrial; e Micologia Médica. Os resumos aceitos serão divulgados no dia 30 de abril.

Saiba mais sobre o formato dos resumos e elaboração de pôsteres aqui

PROGRAMAÇÃO DO EVENTO

Palestras, minicursos, mesas-redondas, apresentação de trabalhos e incursões a campo estão programadas para o evento. A conferência de abertura Severe fungal infection: this is often not a pathogen, será ministrada por Sybren de Hoog, do Westerdijk Fungal Biodiversity Institute, da Holanda.

Confira a programação completa.

Acesse o site do evento para mais informações sobre IX Congresso Brasileiro de Micologia.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Estudo científico pretende identificar a resistência de fungo causador de doenças em lavouras

Com apoio da Fapeam, pesquisa tem o intuito de mapear a ocorrência de resistência de fungos a fungicidas no Amazonas

Identificar a resistência do fungo fitopatogênico Corynespora cassiicola, causador da doença conhecida como mancha-alvo, a fungicidas disponíveis no mercado, e que são amplamente utilizados nas lavouras por produtores rurais de municípios do Amazonas, é base de um estudo científico realizado por pesquisadores da Faculdade de Ciências Agrárias (FCA), na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Segundo a coordenadora da pesquisa, a doutora em Fitopatologia Jania Lília da Silva Bentes, a mancha-alvo é uma doença que acomete várias espécies de cultivo suscetíveis a ação do fungo como, por exemplo, o tomate, o pepino, a berinjela, o mamão e a soja. É um fitopatógeno de parte aérea, ou seja, ele causa doença nas folhas, nos ramos e até nos frutos.

A presença da doença é caracterizada por lesões que se iniciam por pontuações pardas, com halo amarelado, evoluindo para grandes manchas circulares de coloração castanho-clara a castanho-escura, e provoca a queda de folhas, podendo levar a planta à morte.

A pesquisa é desenvolvida com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) por meio do Programa de Apoio à Pesquisa – Universal Amazonas.

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Pesquisa quer identificar a resistência do fungo fitopatogênico Corynespora cassiicola, causador da doença mancha-alvo

Pesquisa

Jania explicou que o objetivo do estudo é identificar a presença e distribuição de variantes do fungo resistentes aos principais grupos de fungicidas utilizados nas plantações para o controle de doenças nas lavouras do Amazonas.

“O intuito é avaliar a sensibilidade, in vitro e em campo, do fungo Corynespora cassiicola aos principais grupos químicos (fungicidas) usados para controle da doença no Brasil”, disse.

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Estudo é coordenado pela doutora em Fitopatologia Jania Lília da Silva Bentes, da Universidade Federal do Amazonas

A coordenadora pontua ainda que vários dispositivos podem ser responsáveis pela resistência dos fungos aos fungicidas, e o principal deles é a mutação, que é um mecanismo de geração de variabilidade genética que ocorre naturalmente nas populações de microrganismos.

“A resistência a fungicidas é favorecida principalmente pelo uso contínuo do mesmo produto, manejo, dose e intervalos de aplicação inadequados dos fungicidas, podendo auxiliar o surgimento desses variantes resistentes na população do patógeno no campo”, destacou.

Apesar da contribuição que os fungicidas proporcionam no controle de doenças, o uso intensivo pode ter como consequência a seleção isolados de fungos menos sensíveis ou resistentes a esses compostos químicos.

“Não existe um produto químico registrado no Ministério da Agricultura para controle desse patógeno em tomate. Então, é preciso aprender a manejar e a resolver um problema que também é da nossa região”, disse.

Para o estudo os pesquisadores vão avaliar a sensibilidade, in vitro, do fitopatógeno, na presença dos seguintes fungicidas, Tebuconazol, Clorotalonil, Carbendazim, Boscalida e Azoxistrobin, e em diferentes plantações localizadas em municípios do Amazonas, como, por exemplo, Manaus, Iranduba, Presidente Figueiredo, Itacoatiara, Rio Preto da Eva e Humaitá.

“Nessa fase da pesquisa pretendemos identificar a ocorrência em regiões produtoras do Estado e verificar a distribuição dessa ocorrência de fungicidas nas lavouras”, detalhou.

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Pesquisa é desenvolvida na Faculdade de Ciências Agrárias (FCA) da Universidade Federal do Amazonas

Início

Os pesquisadores começaram a investigar a resistência dos fungos aos fungicidas porque desconfiam que os produtores rurais utilizem produtos químicos no campo que não estão apresentando eficiência esperada no controle da mancha-alvo.

“Provavelmente os produtores estão usando produto químico que não está sendo eficiente no controle das doenças, e consequentemente gerando dano econômico e ambiental. Por isso a intenção com os estudos é apresentar para o produtor rural melhores estratégias de manejo da doença”, informou.

A pesquisa está em fase inicial com as coletas de amostras, em campo, para a análise e identificação molecular dos isolados.

Experimento

A pesquisadora explica que a primeira etapa do estudo será para testar, nas análises de laboratório, o crescimento e a reprodução de isolados de C.cassiicola resistentes na presença de diferentes fungicidas, e também avaliar a resistência por meio de inoculação em plantas de tomate.

“Escolhemos o tomate porque é o principal hospedeiro desse patógeno aqui na região”, informou a pesquisadora.

Os experimentos estão sendo feitos em parte no laboratório de Microbiologia e Fitopatologia da FCA/Ufam. Os testes em campo serão realizados no setor de produção vegetal da FCA, na Fazenda Experimental da Ufam e em possíveis áreas rurais que forem firmadas parcerias para experimentação científica.

Etapas da pesquisa

A coordenadora explica que a pesquisa começa com a coleta em campo, em diferentes municípios, das espécies vegetais hospedeiras do patógeno.

Esse material coletado são folhas apresentando sintomas típicos da doença. Nós trazemos para o laboratório, é feito o preparo das lâminas para a identificação morfológica da presença do patógeno nesse material, depois fazemos o isolamento, e em seguida a identificação molecular do fungo com base em marcadores genéticos para identificação da espécie Corynesposa cassiicola, e a partir daí são feitos os testes de inibição in vitro”, explicou a pesquisadora.

Testes com os fungicidas

A pesquisadora menciona que para os testes serão usados diferentes tipos de fungicidas, de diferentes grupos químicos para avaliar a inibição ou não do crescimento do fungo em placa de petri.

“Depois que nós identificamos a presença desses isolados sensíveis ou não sensíveis, partimos para os experimentos em casa de vegetação onde vamos cultivar as plantas de tomateiro, com a inoculação de fungos tanto sensível como não sensível ao fungicida e em seguida vamos aplicar o produto para verificar o comportamento do fungo também na planta, porque muitas vezes o comportamento desse  fitopatógeno pode variar nos testes de laboratório e na presença planta hospedeira”, explicou Jania.

A coordenadora explica que depois dessa avaliação dos fungicidas na presença das plantas, os pesquisadores irão correlacionar os resultados com a distribuição desses variantes resistentes nas diferentes áreas de coleta.

“Essa análise é para ter um entendimento dos locais que podem está ocorrendo ou não à presença desses variantes resistentes nas áreas produtoras do nosso Estado”, mencionou a pesquisadora.

Texto– Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)/ Fapeam

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Pesquisa desenvolve biossurfactantes a partir de fungos encontrados no solo da floresta amazônica

O surfactante, atualmente, é derivado do petróleo. O produto é usado, principalmente, em cosméticos e materiais de limpeza

Uma pesquisa desenvolvida com apoio do Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) analisou fungos encontrados no solo da floresta amazônica com potencial para produção de biossurfactantes.

O surfactante é um produto usado na indústria e consiste em substâncias químicas capazes de misturar moléculas não solúveis em água, como o óleo, no mesmo recipiente. No mercado ele está presente em produtos de limpeza/higiene, cosméticos e alimentos, por exemplo. Hoje a produção de um surfactante é derivada do petróleo.

Assista a reportagem produzida pela TV Fapeam

De acordo com o coordenador do estudo, João Vicente, durante a pesquisa já foi analisado mais de 100 microrganismos, desse número cinco apresentaram potencial na produção de biossurfactantes.

“Fizemos a seleção de fungos amazônicos e encontramos um capaz de produzir o biossurfactante por meio de resíduos regionais. Vamos continuar a segunda parte da pesquisa em que buscamos fazer isso em grande escala, ou seja, analisar e fazer com que os fungos tenham capacidade de se manter em produção para fins industriais”, disse o pesquisador.

Doutor em Biotecnologia Industrial, Vicente, explicou que a pesquisa busca encontrar um fungo capaz de produzir biossurfactantes mais baratos utilizando resíduos regionais. Ele espera que esse modelo seja aplicado nas indústrias, visando, principalmente, o mercado de cosméticos e farmacêuticos.

FOTO 05Durante a pesquisa foi analisado mais de 100 microrganismos e cinco apresentaram potencial na produção de biossurfactantes

“O gargalo na produção de biossurfactante é o preço. Nós precisamos diminuir o preço e as formas de como fazer isso. Por isso, buscamos microrganismos que sejam grandes produtores e que tenham custo de produção e meio de cultura que tenham valor menor. Pensando nisso, nós estudamos se a casca da pupunha, tucumã, cupuaçu servem como substratos para a produção. Já testamos vários substratos regionais com o fungo para saber se eles produzem biossurfactante utilizando esses resíduos regionais”, informou.

O pesquisador disse ainda que a indústria tem a necessidade de produtos naturais, que são obtidos por meio das plantas, fungos, microrganismos em geral, mas capazes de misturar a água e óleo, e assim substituir os surfactantes industriais antigos. Um surfactante natural, por exemplo, ele pode ser capaz de misturar água e óleo e ainda proporcionar atividade antimicrobiana, aroma e até antioxidante, detalhou Vicente.

“Tudo que o ser humano cria é incrível, no entanto a natureza não reconhece essa estrutura química que o ser humano criou: no caso os surfactantes. Por isso, os principais problemas que eles trazem são: tóxicos, acumulam na natureza, ou seja, não são biodegradáveis. Hoje a indústria busca por substâncias chamadas naturais, que podem ser obtidas por meio de plantas, fungos e microrganismos em geral, capazes de substituir os surfactantes químicos, além de outras propriedades e funções”, acrescentou.

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Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)

Fotos- Decon

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Fungos patogênicos no ambiente amazônico serão tema do Centro de Estudos de sexta, 21/7

Estudar a diversidade de microrganismos da Amazônia com importância para a saúde, tanto como causadores de doenças quanto como produtores de compostos bioativos e determinar o perfil epidemiológico de doenças causadas por microrganismos da Amazônia, assim como fazer a genotipagem e fenotipagem desses microrganismos são objetivos do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde (DMAIS) do Instituto Leônidas e & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

Para falar sobre os avanços alcançados pelo grupo da Micologia do Laboratório (DMAIS/ILMD) em estudos para determinar a presença de fungos patógenos no ambiente Amazônico e sua caracterização, a pesquisadora Ani Beatriz Jackisch Matsuura vai ministrar nesta sexta-feira, 21/7, a palestra Fungos Patogênicos no Ambiente Amazônico.

A apresentação faz parte da programação do Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia e acontecerá no Salão Canoas, às 9h, na sede do Instituto, à rua Teresina, 476, Adrianópolis.

A pesquisadora explica que os fungos estão presentes em diversos tipos de substratos naturais devido a sua grande capacidade de adaptação. A maioria dos fungos são sapróbios, ou seja, decompõem matéria orgânica para nutrirem-se, no entanto, existem vários fungos patógenos (capazes de causar doenças).  “A Amazônia apresenta condições especiais de clima e de vegetação para o desenvolvimento dos fungos nesse ambiente; determinando onde há maior presença de fungos patógenos e conhecendo quais são, poderemos desenvolver medidas protetoras para evitar as infecções fúngicas no homem”, adianta Ani Jackisch Matsuura.

SOBRE A PALESTRANTE

Ani Beatriz Jackisch Matsuura é graduada em Biologia pela Universidade de Santa Cruz do Sul, mestre em Biologia de Fungos pela Universidade Federal de Pernambuco e doutora em Ciência de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente, é pesquisadora do ILMD/Fiocruz Amazônia.

Atua na área de Microbiologia, com ênfase em Micologia, especialmente em micologia médica, taxonomia, genotipagem e ecologia de fungos patogênicos.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: arquivo pessoal da pesquisadora

Coleção biológica da Fiocruz Amazônia abriga diversidade de fungos e bactérias da região

Você sabe o que são coleções biológicas? são conjuntos de organismos, organizados para fornecer informações sobre a procedência, coleta e identificação de cada um de seus espécimes. As coleções biológicas podem ser divididas em categorias como: microbiológicas, zoológicas, histopatológicas e coleções de botânica.

De grande relevância para a conservação da biodiversidade e o desenvolvimento de novas pesquisas na área da saúde, as coleções microbiológicas são responsáveis por organizar, classificar e documentar amostras, tornando-as disponíveis para o acesso de pesquisadores, empresas privadas, instituições de pesquisa e outras coleções de cultura.

Pensando nisso, em 2001, com apoio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), o Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), à época Escritório Técnico da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) na região, inseriu em sua política institucional as Coleções Biológicas, como eixo agregador de suas pesquisas. Atualmente, o acervo conta com 600 exemplares de bactérias e 1.200 amostras de fungos de grande importância para pesquisas que beneficiam a saúde humana.

(Foto: Érico Xavier)

(Foto: Érico Xavier)

Na Coleção de Bactérias da Amazônia (CBAM), encontram-se amostras provenientes de doenças diarreicas, infecções hospitalares, entre outras, enquanto que na Coleção de Fungos da Amazônia (CFAM) agrupam-se algumas leveduras provenientes de candidíases, ou seja, infecção fúngica causada por qualquer tipo do fungo Candida, que apresentam-se sob a forma unicelular, invisíveis a olho nu. A doença pode ser provocada por mais de vinte tipos de fungos do género Candida, um tipo de levedura, dos quais a Candida albicans é o mais comum.

Entre os principais tipos de bactérias que podem ser encontrados na coleção estão: Salmonella spp, Escherichia coli, Shigella spp, Staphylococcus aureus e Bacillus cereus. Já os fungos estão representados por diferentes gêneros, como: Aspergillus spp, Penicillium spp, Trichoderma spp, Fusarium spp, leveduras e leveduras negras.

Foto: Eduardo Gomes

(Foto: Eduardo Gomes)

Segundo a Curadora das Coleções Biológicas e Pesquisadora do Instituto, Ormezinda Fernandes, “projetos de cunho biotecnológico estão sendo desenvolvidos, no intuito de apresentar protótipos de fármacos com potencialidades para atuar no combate de doenças como tuberculose e doenças diarreicas, além de estudos visando a produção de enzimas, corantes, biossulfactantes, antitumorais, antioxidantes e antimicrobianos com aplicabilidade na indústria da saúde”.

O escopo da Coleção é constituído por amostras provenientes do ambiente e de amostras clinicas, são microrganismos de risco biológico 2, ou seja, apresentam risco moderado para o manipulador e fraco para a comunidade e há sempre um tratamento preventivo. “A CFAM é constituída por amostras provenientes dos mais diversos substratos e ambientes, tais como ar, solo, vegetais, água, homem, animais silvestres e domésticos. A CBAM, possui suas linhagens provenientes de amostras clínicas como orofaringe e fezes humanas, e do meio ambiente como água dos rios, igarapés, plantas, solo e microbiota bucal de animais”, destacou Ormezinda Fernandes.

SERVIÇOS

As duas coleções realizam aquisição, depósito, distribuição, preservação de bactérias, fungos filamentosos, leveduras, caracterização de microrganismos, pesquisa e treinamentos. Além disso, a Coleção Biológica do ILMD/ Fiocruz Amazônia realiza cursos sobre sistemática em fungos filamentosos, presta serviço de consultoria, emitindo laudos técnicos, e realizando ainda orientação de teses de mestrado, doutorado e pessoal técnico especializado.

O material biológico é disponibilizado a pesquisadores, alunos de Iniciação Científica (IC), mestrandos, doutorandos, instituições públicas e privadas de pesquisa, indústrias, mediante formulário de solicitação. O primeiro contato deve ser feito através dos e-mails cbam@fiocruz.br e cfam@fiocruz.br, e caso a coleção detenha a amostra solicitada, um formulário será enviado ao requente.

As amostras contam com os seguintes dados de coleta: número de registro, nome da espécie, autor, variedade, observação taxonômica, anamorfo, teleomorfo, número da coleção, data de entrada, doador, data e local de isolamento, identificação segundo o doador, nome antigo, coleções onde está depositada, substrato, hospedeiro, categoria do tipo, sexualidade, modo de preservação, fotos e imagens macro e microscópicas, aplicações e outras informações.

(Foto: Érico Xavier)

(Foto: Érico Xavier)

CARACTERIZAÇÃO TAXONÔMICA

A CBAM identifica e autentica as culturas bacterianas utilizando testes bioquímicos e por métodos genotípicos. O serviço pode ser oferecido independente da solicitação de depósito, neste caso, as culturas identificadas não são depositadas na coleção. Toda caracterização é realizada mediante o preenchimento de fichas de solicitação e termo de compromisso de utilização da cultura.

CREDENCIAMENTO

As Coleções de fungos e bactérias do ILMD/ Fiocruz Amazônia são filiadas a World Federation for Culture Collection (WFCC), e credenciadas como fieis depositárias pelo Conselho de Gestão do Patrimônio Genético (CGEN) do Ministério do Meio Ambiente (MMA). Além disso, estão Integradas no Centro de Referência de Informação Ambiental (CRIA), Sistema de Informação de Coleções de Interesse Biotecnológico (SICoL), Sistema de Informação Distribuído para Coleções Biológicas (Rede Species Link) e Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr).

Ormezinda Fernandes, relatou também que pesquisadores do ILMD/ Fiocruz Amazônia, junto ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), estudam a criação de uma rede estadual de coleções biológicas. “Estamos juntamente com colegas do INPA, tentando criar uma rede de Coleções Biológicas do Amazonas, por entendermos o valor e a importância estratégica de mantermos nossas coleções, visto que são a base para consultas e pesquisas, sendo representativos da biodiversidade e do patrimônio genético do País”, enfatizou.

SOBRE O ILMD

O Instituto produz conhecimento científico, tecnológico e de inovação em saúde, integrados ao conhecimento cultural na Amazônia. Para isso, desenvolve projetos de caráter multidisciplinar e interinstitucional, gerando dados essenciais para a criação de políticas públicas que proporcionam a melhoria da qualidade de vida da sociedade em geral.

Acesse as Coleções Biológicas de Fungos e Bactérias da Fiocruz Amazônia.

Centro de Estudos vai abordar coleções biológicas como fonte de conhecimento

Você sabe o que são coleções biológicas? As coleções biológicas são responsáveis por documentar a biodiversidade, são registros da variação morfológica e genética, da distribuição geográfica, preservando informações de grande utilidade para o desenvolvimento de pesquisas no mundo inteiro.

Para falar sobre coleções biológicas como fontes de conhecimento, o Centro de Estudos do Instituto Maria e Leônidas Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) apresenta no dia (31/03), às 9h, a palestra “Coleções Biológicas: fonte dinâmica e permanente de conhecimento”, a ser ministrada pela Dra. Ormezinda Fernandes, pesquisadora e curadora da coleção biológica do ILMD.

(Foto: Erico Xavier)

(Foto: Erico Xavier)

SOBRE A PALESTRA

A apresentação vai abordar os tipos de coleções biológicas, e apresentar o histórico e atividades desenvolvidas na coleção biológica do Instituto, dividida em duas coleções: Coleção de Bactérias da Amazônia (CBAM) e Coleção de Fungos da Amazônia (CFAM).

Para Ormezinda Fernandes, a preservação das amostras pode colaborar com o desenvolvimento de outras pesquisas. “Através desse material armazenado, catalogado e preservado da maneira adequada, o pesquisador tem uma possibilidade maior de acessar a coleção para verificar se existe a amostra de interesse dele, sem precisar ir a campo”

(Foto: Erico Xavier)

(Foto: Erico Xavier)

FUNGOS E BACTÉRIAS

A coleção biológica conta com amostras de fungos filamentosos, leveduras e bactérias, identificados e conservados. Os gêneros de fungo de maior ocorrência são Penicillium, Aspergillus e Trichoderma, e foram isolados dos mais diversos substratos da região Amazônica. As bacterianas são provenientes de amostras clínicas (orofaringe e fezes humanas), meio ambiente (água dos rios, igarapés e vegetais e da microbiota bucal de animais).

As principais bactérias são: Salmonella spp, Eschericha coli, Shigella spp e Neiseria meningitidis. O acervo é de relevante importância uma vez que é composto por linhagens microbianas isoladas de diferentes substratos da Amazônia brasileira, região ainda pouco explorada quanto à sua riqueza microbiana.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde. Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.

SOBRE A PALESTRANTE

Ormezinda Fernandes é graduada em Ciências Biológicas pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam), mestre em Biotecnologia pela Universidade de São Paulo (USP) e doutora em Programa Multi-institucional de Pós-graduação em Biotecnologia pela Ufam. Tem experiência na área de Microbiologia, com ênfase em Biologia e Fisiologia dos Microorganismos.

A palestra ocorrerá no Salão Canoas, auditório do ILMD/Fiocruz Amazônia, situado na rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes