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Jogo online da Fiocruz ensina a lavar as mãos corretamente

Uma das principais estratégias para a prevenir a infecção pelo novo coronavírus é a lavagem correta das mãos. A medida simples e eficiente também contribui para o combate a diversas doenças provocadas por microrganismos, como gripe, diarreia e hepatite A.

Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) alertam que descuidar do hábito, que deveria ser instintivo, pode causar danos à saúde. A higienização adequada inclui, além do uso de água e sabão, uma série de movimentos que tem por objetivo cobrir todas as partes das mãos.

Os pesquisadores Tânia Zaverucha do Valle, do Laboratório de Imunomodulação e Protozoologia, e Gabriel Limaverde Sousa, do Laboratório de Esquistossomose Experimental do IOC, idealizaram um jogo que tem como objetivo promover a conscientização sobre a prática.

Chamada Hiji Sushi, a atividade simula o cenário de um restaurante de culinária japonesa. Para quem joga, o desafio é preparar refeições com rapidez e eficiência e, ao mesmo tempo, ter atenção à lavagem das mãos. O personagem só consegue avançar na pontuação quando segue corretamente o passo a passo da higienização adequada.

“Desenvolvemos um jogo eletrônico que reúne diversão e informação em saúde. A ideia é estimular não somente a lavagem correta das mãos, mas lembrar que o hábito de higienização deve ser regular”, explicou Tânia. “O jogo mostra que para preparar as refeições de maneira contínua e sem causar mal a ninguém é necessário higienizar bem as mãos, uma das consequências ao esquecer disso, por exemplo, é a intoxicação dos ‘clientes’ do restaurante”, complementou Gabriel. O jogo também contou com a colaboração de Thiago Santos Magalhães, responsável pelo design e programação, Rafael Augusto Ribeiro e Beatriz de Lima Furtado, responsáveis pela arte.

O material pode ser acessado online, na página do IOC/Fiocruz, e está disponível para download gratuito.

EDUCAÇÃO EM SAÚDE

O material educativo foi desenvolvido ao longo de 2019 com o apoio do edital para Recursos Comunicacionais e Educacionais Abertos (REA) da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz. Livros, jogos e produtos informativos abordam temas importantes para a saúde pública, como a conscientização sobre os impactos do uso de drogas, juventude e infecções sexualmente transmissíveis (ISTs). Os conteúdos estão disponíveis para download gratuito na plataforma Educare, um espaço para a educação aberta criado pela Fiocruz.

IOC/Fiocruz, por Lucas Rocha (IOC/Fiocruz
Imagem: Reprodução

 

Fiocruz lança Guia de Recursos Educacionais Abertos

O que é educação aberta? Para o que serve? Como utilizar recursos educacionais abertos? Como empregá-los na área de educação? Essas e muitas outras questões são abordadas e debatidas no Guia de Recursos Educacionais Abertos: Conceitos e Práticas, que acaba de ser lançado pelo Campus Virtual Fiocruz. No contexto da pandemia, está cada vez mais necessário e urgente a utilização de materiais didáticos digitais. O Guia tem como finalidade apresentar conceitos, princípios e práticas sobre REA, ou Open Educational Resources (OER, na sigla em inglês), e contou com a contribuição de parceiros da Rede REA/OER – um projeto da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas/OMS), do Campus Virtual de Saúde Pública/Opas e da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS).

O material é dividido em duas grandes partes. A primeira aborda os conceitos, princípios e práticas sobre REA, o cenário internacional dos Recursos Educacionais Abertos, seus formatos e padrões. A segunda seção trata de questões de criação, avaliação da qualidade dos REA, seus aspectos legais e um glossário com os principais termos utilizados.

O Guia conta com uma versão navegável online, mas também pode ser baixado em pfd para impressão na Plataforma Educare.

A coordenadora do Campus Virtual Fiocruz, Ana Furniel, ressalta que o Guia estabelece alguns padrões e formatos comuns, sendo um dos componentes da Plataforma Educare, cuja ideia é disseminar a importância do uso e o desenvolvimento dos recursos educacionais aberto em suas diferentes utilizações”. Ela aponta ainda que o conteúdo do guia integrará também, de forma diferenciada, o próximo módulo do Curso de Ciência Aberta da Fiocruz, específico sobre Educação Aberta e REA, com lançamento previsto para o mês de agosto.

A publicação adota o conceito de REA da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), que considera REA cursos completos, partes de cursos, módulos, livros didáticos, vídeos, testes, software, e qualquer outra ferramenta, material ou técnica que possa ampliar o acesso ao conhecimento e apoiar as atividades de ensino. A coordenadora adjunta do CVF, Rosane Mendes, salienta que o Guia traz informações importantes para o processo de desenvolvimento de um recurso do ponto de vista tecnológico. Segundo ela, “o uso de formatos técnicos abertos facilita o acesso e reuso potencial dos recursos publicados digitalmente”, detalha Rosane.

A coordenação do Guia, assim como seu conteúdo, foi elaborado por Ana Furniel, Ana Paula Mendonça e Rosane Mendes, do Campus Virtual Fiocruz, ligado à Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (Vpeic/Fiocruz).

RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS NA FIOCRUZ

Em 2014, a Fundação Oswaldo Cruz, instituiu sua Política de Acesso Aberto ao Conhecimento, visando garantir à sociedade o acesso gratuito, público e aberto ao conteúdo integral de toda sua obra intelectual. No mesmo ano, criou um Grupo de Trabalho para discutir e propor um conjunto de diretrizes para o desenvolvimento e a adoção de REA na Fiocruz, em conjunto com parceiros, como o Centro Latino-Americano e do Caribe de Informação em Ciências da Saúde (Bireme/Opas), o CVSP/Opas e a Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS/MS).

Nesse movimento de ampliação de cursos virtuais e adoção e construção de plataformas abertas que incentivem a construção colaborativa e o compartilhamento de conhecimentos, em 2016, criou o Campus Virtual Fiocruz, cujo objetivo é integrar as iniciativas da Fiocruz na área de Ensino, e disponibilizar Ferramentas Educacionais que colaborem com os princípios do acesso aberto, tais como o Ambiente Virtual de Aprendizagem Moodle, um ambiente para os seus cursos online aberto e massivo (Mooc – Massive Open Online Course, na sigla em inglês), e o Educare – Ecossistema de Recursos Educacionais.

Isabela Schincariol (Campus Virtual Fiocruz)
Imagem: Divulgação

Vice-presidente de Educação da Fiocruz fala sobre formação de profissionais de saúde na pandemia

Formar profissionais para o Sistema Único de Saúde (SUS) é missão da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) – e um dos pilares para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. Para marcar os 120 anos da instituição, celebrados neste 25 de maio, o Campus Virtual Fiocruz conversou com a vice-presidente de Educação, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Vieira Machado. Em entrevista, ela compartilha desafios, estratégias e ações para superar a crise sanitária.

Cristiani trata das ações voltadas à formação dos profissionais de saúde em todo o país, da integração entre as diversas unidades, de alternativas pensadas durante a pandemia e para depois da crise, além da importância do financiamento para as áreas sob sua gestão. “As ações na área de educação mostram que a comunidade acadêmico-científica está muito mobilizada, refletem nossa diversidade e o quanto a Fiocruz. Seus pesquisadores, professores e alunos estão interessados em desenvolver projetos para enfrentar essa crise sanitária e outras doenças infecciosas importantes em saúde pública para o Brasil”, afirma a vice-presidente. Leia a entrevista completa a seguir.

CVF: Como a área de educação está lidando com as urgentes mudanças impostas pela pandemia de Covid-19?

Cristiani Vieira Machado: As ações de educação frente à pandemia estão estruturadas em três grandes vertentes: formação profissional para o Sistema Único de Saúde (SUS), adaptação das atividades educacionais em face da suspensão das aulas presenciais e investimentos em novos cursos e recursos para a educação.

A primeira contempla o desenvolvimento de cursos, materiais didáticos, cartilhas, podcasts e uma série de protocolos, guias e informações para os profissionais de saúde, em especial os que estão na linha de frente de atendimento nos serviços de saúde.

A segunda vertente é de adaptação das atividades educacionais da Fiocruz, devido à suspensão das atividades presenciais. A Fundação está presente em 11 estados, e todos apresentaram transmissão comunitária do coronavírus e aumento progressivo de casos da doença. Enquanto esses números de casos e de óbitos continuarem a crescer, as atividades presenciais nas unidades não poderão ser retomadas. Destaco que, aliadas ao Plano de Contingência da Fiocruz, incorporamos Orientações complementares para pós-graduação, que se traduzem em 11 diretrizes.

A terceira dimensão diz respeito aos investimentos em disciplinas e cursos, principalmente e com utilização de material de base na modalidade à distância (EAD), sobre temas estratégicos e transversais, assim como em recursos educacionais. Com as ofertas, fortalecemos o SUS, o sistema de Ciência e Tecnologia (C&T) e a atuação de profissionais de saúde, pesquisadores e professores. Já temos trabalhado nessa lógica de disciplinas transversais sobre temas estratégicos para a formação de alunos de diferentes programas e cursos de pós-graduação da Fiocruz, como: divulgação científica, metodologia científica, ciência aberta, biossegurança. Outras disciplinas transversais já foram propostas e ainda serão desenvolvidas, como sobre integridade e ética em pesquisa, história da saúde públicae o SUS, entre outros temas.

Dessa forma, os materiais que elaboramos ganham abrangência, podendo ser apropriados pelos programas Stricto e Lato sensu. Por exemplo, a disciplina Introdução à Divulgação Científica, que faz parte do Programa de Pós-graduação em Divulgação da Ciência, Tecnologia e Saúde da Casa de Oswaldo Cruz, em 2019 foi cursada por mais de 100 alunos, de 14 programas stricto sensu da Fundação, em diferentes estados, com base em um material EAD, complementada por atividades interativas. Neste caso, é uma disciplina eletiva, desenvolvida num modelo híbrido, que permite interações dos alunos com o professor e o coordenador, ao incluir componentes como fóruns de debates ou oficinas presenciais e uma avaliação final. Essa mesma disciplina também está disponível sob a forma de curso online, autoinstrucional e aberto ao público externo, que teve 15.400 alunos.

CVF: Quais são as principais iniciativas na área de educação para formar, capacitar e informar profissionais de saúde neste contexto de crise?

Cristiani Vieira Machado: As unidades têm desenvolvido inúmeras iniciativas importantes nesse sentido, há também muitos alunos inseridos em ações de apoio ao enfrentamento da Covid-19, e desenvolvemos algumas propostas na vice-presidência.

A Escola Politécnica em Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) preparou cartilhas muito interessantes voltadas à capacitação de agentes comunitários de saúde, agentes de combate a endemias e cuidadores de idosos, profissionais que lidam com  grupos diretamente afetados pela Covid-19. Já a Fiocruz Brasília lançou o curso de atualização em Saúde Mental e Atenção Psicossocial na Covid-19, oferecido na modalidade à distância, que se integra à produção de uma série de materiais sobre este tema. Isso inclui a colaboração com pós-graduandos de outras unidades, como a Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca (Ensp/Fiocruz). A Fiocruz Brasília também organizou, junto à Universidade Aberta do Sistema Único de Saúde (UNA-SUS), um hotsite para profissionais de saúde e afins.

Uma iniciativa importante para alcançar milhares de profissionais de saúde é o curso Covid-19: manejo da infecção causada pelo novo coronavírus, desenvolvido pelo Campus Virtual Fiocruz. A formação à distância é aberta, mas especialmente voltada a trabalhadores de saúde da linha de frente. Em pouco mais de um mês chegamos a 34 mil pessoas em todo o Brasil e mais de 20 países. O curso mobilizou especialmente o Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) e a Ensp, mas contou com a colaboração de várias unidades da Fiocruz – Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict), por meio da VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz, Fiocruz Brasília e Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF).

O primeiro e o segundo módulos do curso – Introdução ao novo coronavírus e Manejo Clínico na Atenção Básica já foram lançados. Nesta semana do aniversário de 120 anos da Fiocruz, abriremos as inscrições para terceira parte da formação, que trata do manejo clínico na atenção especializada da Covid-19. O curso, que a princípio estava organizado em três módulos,  tem a previsão de ganhar ao menos mais duas disciplinas que serão eletivas para os já inscritos: uma, sobre saúde das populações indígenas; e outra, voltada à saúde nas prisões, temas de grande invisibilidade no contexto brasileiro, que são estratégicos no enfrentamento da doença. Além de ser elaborado por especialistas da Fiocruz, traz um conjunto de referências, protocolos e links para sites confiáveis sobre a Covid-19, que são fontes para os participantes se manterem sempre atualizados sobre o tema. Esse é um compromisso nosso: na medida em que novas informações forem descobertas, buscaremos atualizar os principais aspectos do curso. Ressalto que foi extremamente desafiador lidar com uma condição tão nova, sobre a qual ainda estamos aprendendo e existe uma série de incertezas, principalmente no que se refere ao manejo da doença. Tem sido uma experiência muito positiva.

CVF: Qual o papel dos residentes, da formação em serviços no cenário da pandemia? Por favor, comente as ações desenvolvidas para esses profissionais?

Cristiani Vieira Machado: Os residentes estão trabalhando intensamente no enfrentamento da crise, com uma contribuição absolutamente relevante e decisiva para os seus campos de prática, que muitas vezes são unidades assistenciais de Atenção Primária à Saúde, localizadas em territórios vulnerabilizados. É o caso de Manguinhos, no Rio de Janeiro, por meio do Projeto Teias, ou das unidades de saúde da rede no Mato Grosso do Sul, por exemplo. Atualmente, há 30 programas de residência nas unidades da Fiocruz, alguns começaram a funcionar neste ano. Temos também residências em hospitais, no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI) e no Instituto Nacional da Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF).

No que diz respeito a esse grupo, que envolve as residências médica, de enfermagem e multidisciplinar buscamos formular orientações complementares específicas para orientar o exercício de suas atividades nos campos de práticas.

Nossa principal preocupação é assegurar as condições mínimas de trabalho e segurança aos que estão atuando de forma tão dedicada. Esses pontos estão entre as nossas 11 orientações complementares ao Plano de Contingência da Fiocruz e visam salvaguardar as condições de trabalho dos residentes, o respeito à carga horária, o fornecimento e uso adequado de equipamentos de proteção individual (EPI) – que, vale ressaltar, deve ser garantido a todos os profissionais de saúde –, a compatibilidade entre atividades teóricas e práticas/assistenciais, de acordo com o momento da trajetória do residente, entre outras. Houve reuniões das equipes de coordenação com nossos residentes para verificar e assegurar as melhores condições de trabalho possíveis. Também atuamos no sentido de oferecer suporte psicológico e emocional a eles.

CVF: Conte-nos sobre as iniciativas da Vice-Presidência de Educação e Comunicação para dar continuidade às ações neste momento em que a recomendação é o distanciamento social?

Cristiani Vieira Machado: Como comentei, além de seguir as orientações gerais e elaborar orientações complementares, temos pensado um conjunto de medidas para incentivar que as unidades da Fiocruz, nossos programas e cursos continuem a desenvolvê-las, sempre respeitando a diversidade entre territórios, cursos, modalidades de ensino, grades curriculares, trajetórias formativas, itinerários de formação e também o perfil dos alunos.

Temos uma série de desafios pedagógicos, tecnológicos, culturais e de acesso que não são resolvidos da noite para o dia. Somente no Stricto sensu, temos 43 programas de pós-graduação em áreas de conhecimento que vão desde a pesquisa laboratorial básica até as ciências sociais e humanas em saúde, passando pela saúde pública e programas interdisciplinares. Os discentes dos cursos de saúde pública e de medicina muitas vezes estão inseridos no sistema de saúde, na ponta do serviço, e agora, por exemplo, estão trabalhando fortemente na pandemia, sem dedicação exclusiva aos cursos. Caso diferente dos alunos da área da pesquisa básica e das ciências sociais e humanas em saúde, que, em sua maioria, são alunos dedicados exclusivamente à pós-graduação.

Devemos respeitar essa diversidade. Na medida do possível, as unidades devem adotar atividades educacionais remotas, sempre considerando as especificidades já citadas, bem como as condições socioeconômicas dos alunos, pois é necessário também assegurar o acesso deles às tecnologias etc. É ponto pacífico de nossas discussões que não há como substituir atividade presencial por remota, automaticamente. Da mesma forma que atividade virtual não é sinônimo de educação à distância. Temos tradição em formações concebidas em EAD, principalmente voltadas à qualificação profissional — caso do novo curso sobre manejo da Covid-19. Mas os cursos online têm desenhos diferentes das formações presenciais. Adotar formas de atividade e interação virtual num curso originalmente presencial é uma mudança complexa, com processo de adaptação lento. Não basta o professor, de uma hora para outra, estar na frente do computador falando para vários alunos ao mesmo tempo.

Começamos a nos preparar e oferecer ferramentas de interação virtual para os cursos e programas de forma célere. O Campus Virtual Fiocruz preparou o Guia de Tecnologias Educacionais, com diversas soluções tecnológicas que pudessem ser incorporadas aos poucos pela comunidade acadêmica. Também oferecemos informações e tutoriais para o uso de ferramentas já disponíveis na Fiocruz: as salas virtuais da Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP) e o Microsoft Teams; além de adquirirmos licença para o uso da plataforma de videoconferências Zoom. Nossa ideia é ter, pelo menos neste primeiro momento, três diferentes possibilidades para as atividades educacionais.

Oferecemos treinamentos e elaboramos materiais, particularmente voltados às diretrizes para educação, dirigidos à comunidade de professores e às Secretarias Acadêmicas. E abrimos um processo de debate com as diferentes unidades da Fiocruz. Cerca de um mês depois da suspensão das atividades presenciais não essenciais, elaboramos um questionário para avaliar como cada unidade estava se adaptando e que atividades estão realizando. As respostas ao questionário têm ajudado a traçar um diagnóstico e analisar a situação como um todo.

Debatemos essa temática no Fórum de Stricto sensu e na Câmara Técnica de Educação (CTE). Em nosso mais recente encontro da Câmara (nos dias 20 e 21/5), realizado remotamente, tivemos mais de 130 participantes e foi muito rico. Houve relatos de experiências dos diferentes cursos, como cada um está lidando com as novas necessidades e que tipos de atividades estão desenvolvendo. Alguns programas passaram a oferecer disciplinas ou parte delas de forma virtual. Outros, estão organizando seminários em torno de temas relacionados à Covid-19. E, ainda, tem aqueles que estão desenvolvendo materiais educacionais para seus alunos e fazendo orientações virtuais. O interessante é observar que todos, de alguma forma, passaram por algum tipo de adaptação das atividades. Para o segundo semestre, já de forma mais planejada e organizada, tentaremos maior dinamização das nossas atividades. Mas isso ainda requer o diagnóstico mais detalhado sobre a situação dos alunos, preparação pedagógica, replanejamento dos cursos, enfim, requer muito diálogo e preparação interna. Além disso, há questões tecnológicas e de conectividade que precisam ser equacionadas para não ampliar as desigualdades.

CVF: Já estão sendo pensadas novas alternativas em relação à educação para o cenário pós-pandemia?

Cristiani Vieira Machado: Iniciamos durante a reunião da Câmara Técnica de Educação uma discussão de planejamento mais estruturado para o segundo semestre de 2020, cientes de que vai ser muito difícil retomar as aulas presenciais neste momento. Nosso foco é buscar condições para garantir a preparação dos docentes e alunos, garantindo acesso à conexão e outras condições para que possam realizar suas atividades, na medida do possível. Não podemos esquecer que não se trata de uma conversão automática do que já se tinha e vivia. É, na verdade, um processo de adaptação dos nossos cursos para uma nova realidade.  Pode ser inclusive necessário assegurar eventualmente a possibilidade de ida aos campi da Fiocruz, para quem precisar — como para atividades laboratoriais, uso de equipamentos de informática em caso dificuldades de acesso, entre outras situações específicas.

O cenário pós-pandemia ainda é incerto, a depender da evolução da doença no país, o que nos leva a um processo de revisão permanente do nosso planejamento. Trabalhando nessa perspectiva, estamos intensificando o diálogo com as unidades num movimento de preparação coletiva. Já agendamos as reuniões da CTE em junho e julho para avaliarmos a situação e avançarmos nessas questões. Para além disso, cada unidade fará uma oficina interna de planejamento, discutindo suas atividades educacionais. Na sequência, apoiaremos esse debate em diálogo com as unidades da Fiocruz. O objetivo é ajudá-las em seus planejamentos à luz das especificidades dos cursos de cada uma.

Sabemos que não teremos condições iguais às de antes. Falam em “novo normal” e isso implica diretamente reorganizar algumas nossas atividades e nossos ambientes educacionais para oferecer mais segurança a todos. Sem falar na aposta em novas formas de interação virtual, outros ambientes, outras adequações… Portanto, nós já começamos a traçar esse planejamento, que será construído em diálogo com as unidades nos próximos meses.

CVF: Qual a importância dos editais emergenciais que foram lançados recentemente?

Cristiani Vieira Machado: A Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) lançou recentemente o Programa Estratégico Emergencial de Combate a Surtos, Endemias, Epidemias e Pandemias, que tem o objetivo de apoiar projetos de pesquisa e formação de recursos humanos altamente qualificados, no âmbito dos programas de pós-graduação Stricto sensu, voltados ao enfrentamento da Covid-19 e em temas relacionados a endemias e epidemias típicas do país. São voltados a docentes e discentes com pesquisas relacionadas ao tema. Com isso, vários programas nossos das áreas de infectologia, saúde pública, pesquisa básica relacionada a doenças infecciosas e outros foram contemplados.

As Ações Estratégicas Emergenciais Imediatas consistem na concessão emergencial de bolsas de mestrado e doutorado para programas de pós-graduação Stricto sensu com notas 5, 6 e 7. Algumas unidades já tinham alunos estudando essas temáticas correlatas, outros abriram processos seletivos, como o curso de Medicina Tropical do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e os cursos da Ensp.

Outra iniciativa importante foi o edital para projetos em áreas específicas: Epidemias; Fármacos e Imunologia; e Telemedicina e Análise de Dados Médicos, para ao qual a Fiocruz submeteu oito projetos… As ações na área de educação mostram que a comunidade acadêmico-científica está muito mobilizada, refletem nossa diversidade e o quanto a Fiocruz, seus pesquisadores, professores e alunos estão interessados em desenvolver projetos para enfrentar essa crise sanitária e outros problemas de saúde relevantes no Brasil, fortalecendo o SUS.

Por: Isabela Schincariol (Campus Virtual Fiocruz) / Colaboração: Flávia Lobato
Fotos: Divugação (Foto 1) / Érico Xavier (Foto 2)

Oficinas Pedagógicas da Obsma começam em Porto Velho (RO)

Iniciaram nesta terça-feira (21/11) as Oficinas Pedagógicas da Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente (Obsma), em Porto Velho (RO). As oficinas acontecem até 23 de novembro, de 8h às 17h, no Rondon Palace Hotel, que fica no bairro Nossa Sra. das Graças.

A abertura do evento aconteceu na segunda-feira, 20/11, no mesmo local onde estão sendo realizadas as oficinas, e contou com a presença da coordenadora Estadual do Núcleo do Programa Saúde na Escola (PSE), Maria Inês Fernandes, da diretora Geral de Educação da Secretaria de Estado da Educação de Rondônia (Seduc-RO), Angélica Aires, da pesquisadora do Laboratório de Microbiologia e representante da Fiocruz Rondônia, Najla Benevides Matos, da coordenadora nacional da Obsma e pesquisadora da Fiocruz, Cristina Araripe, além da coordenadora Regional Norte da Obsma, Rita Bacuri, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) e de professores.

Segundo Maria Inês Fernandes, as Oficinas já estavam no planejamento do PSE desde o ano passado. Agora, o objetivo é que os professores que participam deste momento possam tornar-se multiplicadores e,  dessa forma, o Programa venha a alcançar um número maior de pessoas qualificadas para o desenvolvimento de projetos nas áreas de saúde e meio ambiente, e que se sintam aptos a concorrerem na Obsma.

 

Cristina Araripe lembrou que a Olimpíada trabalha na perspectiva de melhorar as condições de vida das populações, daí a importância do desenvolvimento de projetos com temas relacionados  à saúde e  ao meio ambiente nas escolas, de modo transversal, de acordo a  realidade local,  e com propostas e projetos pedagógicos construídos por professores e  alunos.

Em Porto Velho, participam das oficinas 80 professores, de 52 municípios de Rondônia. A maioria não conhecia a Obsma, mas em 2012, a professora  Carmem Silvia de Andrade Corrêa, de Cacoal (RO) foi premiada na 6ª. Obsma com um trabalho contra a dengue. Agora, ela participa das Oficinas Pedagógicas para se qualificar e receber mais estímulos para o desenvolvimento de novos projetos com seus alunos.

 O professor Rildo Nilo da Silva, do município Pimenta Bueno (RO), que trabalha com as disciplinas de Biologia, Ciências e Artes, também espera que as Oficinas lhe inspirem a desenvolver novos projetos na escola, e quer receber sugestões de plataformas e outros meios de capacitação profissional.

Para a coordenadora Regional Norte da Obsma, Rita Bacuri, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), o apoio do PSE e da Seduc de Rondônia para o desenvolvimento das Oficinas Pedagógicas, marcam o sucesso do evento. Ela lembra que as oficinas são destinadas a professores da educação básica, de escolas públicas e privadas. Os  interessados em participar da Olimpíada podem concorrer com projetos nas áreas de saúde e meio ambiente, desenvolvidos com os alunos, a partir de recursos relacionados a projeto de ciências, produção de texto e produção audiovisual, que são as três modalidades da Obsma.

No dia 22/11, a oficina será de produção audiovisual na educação básica, com o professor Wagner Nagib, da Fiocruz Paraná, que abordará a utilização da tecnologia como ferramenta potencializadora do ensino e aprendizado. Na parte da tarde, acontecerão atividades práticas.

No dia 23/11, a oficina será de produção textual, com a professora Alcione de Araújo, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e colaboradora da Obsma.

SOBRE A OBSMA

A Olimpíada Brasileira de Saúde e Meio Ambiente é um projeto educativo bienal promovido pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) para estimular o desenvolvimento de atividades interdisciplinares nas escolas públicas e privadas de todo o país. Dentre os principais objetivos da Obsma, destacam-se o reconhecimento do trabalho desenvolvido por professores e alunos nas escolas e a cooperação com a divulgação de ações governamentais, criadas em prol da educação, da saúde e do meio ambiente.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Marlúcia Seixas

Projeto de pesquisa ensina educação financeira em escola pública em Manaus

Estudo é realizado no âmbito do PCE da Fapeam que envolve turmas do 1º ano do Ensino Médio

Ser consumidor ou consumista? Esse é um dos diversos questionamentos realizados no projeto “Educação Financeira na Escola: Planejando a Vida”, realizado por estudantes do 1º ano do ensino médio da Escola Estadual Profª Adelaide Tavares de Macedo, situada no bairro Alvorada, na Zona Centro-Oeste de Manaus.

O projeto, que é coordenado pela professora de Artes e Sociologia Mariá de Nazaré Conceição Sena, é realizado no âmbito do Programa Ciência na Escola (PCE) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e conta com a participação das alunas Adria Cristina, Giovanna Galvão e Suzyane Oliveira. Além das bolsistas, as turmas de 1º ano do turno matutino participam das atividades do grupo de pesquisa.

Segundo a professora Mariá, o projeto tem a proposta de trabalhar a cultura da prevenção voltada à educação financeira. Ela conta que o estudo busca também orientar os alunos sobre o comportamento deles em sociedade e como ser um consumidor e não um consumista.

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Estudantes aprendem na prática, desde cedo, como planejar a mesada e a ajudar no orçamento familiar

 

“Eles (alunos) aprendem a se planejarem financeiramente desde cedo. O planejamento vai desde a redução do consumo de energia até questões sobre como fazer compras de forma sustentável. Será que devo comprar aos pouquinhos ou devo me planejar para ir ao supermercado e comprar tudo de uma vez?”, questiona.

Mariá destacou que além do conhecimento repassado durante as atividades do projeto, os alunos são incentivados a serem multiplicadores dos conceitos aprendidos. A ideia é que seus familiares, amigos e conhecidos também compreendam a importância da educação financeira.

“Vamos tornar os alunos multiplicadores de ações. Tudo o que eles aprendem na escola vão passar de alguma forma para família deles. Por exemplo, nós fizemos estudo dos 5R’s que vão desde repensar suas atitudes até reciclar. Os alunos também irão trazer de casa as contas de energia e criaremos uma dinâmica para fazer a redução desse gasto no imóvel”, contou.

Conforme a professora, a dinâmica será realizada em todas as turmas nas quais ela ministra aula. O desafio será avaliado como nota do terceiro bimestre. Os alunos irão listar todos os eletroeletrônicos que possuem em casa e a forma de interação das pessoas com esses objetos.

“Outra questão que a gente trabalha dentro do projeto é análise da fatura do cartão de crédito e como as pessoas se programam para comprar e pagar suas contas. Analisamos também à lista de compras de supermercado”, ressaltou Mariá.

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A ideia é que familiares, amigos e conhecidos também compreendam a importância da educação financeira

 

A proposta de fazer multiplicadores do conhecimento sobre educação financeira tem dado certo. A bolsista Adria Cristina conta que mudou seus hábitos de consumo e que seus familiares também têm se enquadrado nesse novo momento. Segundo a bolsista, a redução do valor da conta de energia é a prova de que o projeto tem alcançado seus objetivos.

“Consegui aprender várias coisas que eu fazia de errado e com dinheiro que gastava com besteiras posso usar em coisas melhores. Por exemplo, eu compro roupas novas e dou as antigas pra quem precisa. Outra coisa, quando todo mundo sai de casa eu tiro todos os objetos das tomadas. Hoje pagamos R$ 121 de energia, antes pagávamos muito mais. É um alívio. Quando saímos para fazer compras sempre pergunto para minha mãe se aquilo que estamos comprando é realmente preciso”, ressaltou.

Assim como Adria, a bolsista Giovana Galvão também tem repensado a maneira de consumir e planejar seu orçamento. “Estou gostando bastante do projeto porque agora consigo pensar melhor em como gastar o dinheiro que recebo dos meus pais e não gastar com besteiras. Penso sempre em investir em alguma coisa maior”, disse.

Para a bolsista Suzyane Oliveira, o estudo tem sido uma base que incentiva o estudante a pensar e planejar o futuro. “Quando estiver mais adulta já vou ter essa base e vou saber como investir ao invés de ficar gastando e não ter nada de volta, como muitos adultos fazem. Então, acho que se a gente economizar a partir de agora o nosso dinheiro, pra faculdade ou pra comprar nossa casa futuramente, é mais importante”, finalizou.

 O PCE

O programa incentiva a atração de alunos e professores ao mundo da pesquisa científica no ambiente escolar, envolvendo-os, a partir do 6º do ensino fundamental até a 3ª série do ensino médio, em projetos de cunho científico ou tecnológico. Ao todo, 396 propostas foram aprovadas pela Fapeam e contemplam Manaus e outros 35 municípios do Estado.

 

Texto e fotos:  Decon

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