Prefeito de Manaus defende ex-chefe de gabinete e contesta investigação sobre ‘núcleo político’ do CV no AM

Resumo

  • Anabela Cardoso Freitas, policial e ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, é presa O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante-AM), criticou nesta segunda-feira (23) a Operação Erga Omnes, que prendeu sua ex-chefe de gabinete, Anabela Cardoso Freitas.
  • Sobre Anabela, o prefeito disse acreditar na inocência dela e que a investigada, que atualmente integra a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus, continua sendo uma pessoa de confiança.
  • Questionado pela Rede Amazônica sobre o valor, David afirmou que a movimentação é compatível com a renda de Anabela nos últimos anos, considerando o salário como servidora pública e a pensão que recebe como viúva de um ex-deputado.
  • Rede Amazônica O que diz a defesa Em entrevista à Rede Amazônica nesta segunda (23), a defesa da ex-chefe de gabinete afirmou que a prisão foi precipitada e baseada em acusações que considera “equivocadas”.

Anabela Cardoso Freitas, policial e ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, é presa

Anabela Cardoso Freitas, policial e ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, é presa

O prefeito de Manaus, David Almeida (Avante-AM), criticou nesta segunda-feira (23) a Operação Erga Omnes, que prendeu sua ex-chefe de gabinete, Anabela Cardoso Freitas. Segundo a Polícia Civil, a ação investiga o “núcleo político” do Comando Vermelho (CV) no estado. A declaração ocorreu durante a coletiva em que Almeida anunciou a pré-candidatura ao Governo do Amazonas.

A Polícia Civil informou que o grupo contava com pessoas que ocupavam cargos ou tinham influência em órgãos públicos para facilitar a atuação da facção. Na sexta-feira (20), foram cumpridos 14 mandados de prisão, sendo oito no Amazonas.

Entre os presos estão Anabela, ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, função que exerceu entre 2021 e 2023.

“Que operação é essa que não prendeu um traficante, não apreendeu um carro, um quilo de droga?! Essa operação é tão autêntica quanto uma nota de 300”, afirmou.

Almeida disse que a operação tenta prejudicar sua imagem. “O que está em andamento é uma operação para me sujar. Não tem nada a ver com tráfico de drogas. Vou provar a minha inocência”, declarou. O prefeito não é alvo nem investigado na Operação Erga Omnes.

Sobre Anabela, o prefeito disse acreditar na inocência dela e que a investigada, que atualmente integra a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus, continua sendo uma pessoa de confiança.

“Ela é da minha confiança e vai continuar trabalhando comigo”, disse. O prefeito também declarou que, se for necessário, ajudará a custear a defesa da ex-assessora.

Segundo a investigação, Anabela teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão para a facção por meio de empresas de fachada. Questionado pela Rede Amazônica sobre o valor, David afirmou que a movimentação é compatível com a renda de Anabela nos últimos anos, considerando o salário como servidora pública e a pensão que recebe como viúva de um ex-deputado. “Tudo é mentira que nós vamos dissecar uma a uma”, afirmou.

Anabela, que também é servidora concursada da Polícia Civil desde 2011, segue presa no 19º Distrito Integrado de Polícia (DIP), em carceragem da Polícia Civil. O Estatuto do Policial Civil do Amazonas prevê que agentes da corporação tenham o direito de recolhimento em unidade privativa da instituição enquanto o processo não tiver sentença definitiva.

Prefeito de Manaus, David Almeida, durante coletiva de imprensa onde manifestou apoio à ex-chefe de gabinete presa. — Foto: Rede Amazônica

O que diz a defesa

Em entrevista à Rede Amazônica nesta segunda (23), a defesa da ex-chefe de gabinete afirmou que a prisão foi precipitada e baseada em acusações que considera “equivocadas”. O advogado negou qualquer envolvimento de Anabela com os investigados. E informou ainda que a cliente não conhece o suposto líder da organização criminosa e que não recebeu valores dele.

Segundo a defesa, até a publicação desta reportagem, não houve acesso ao inquérito policial, o que classificou como irregular. O advogado também afirmou que os valores citados na investigação podem ser comprovados e que o patrimônio de Anabela é compatível com a renda dela como servidora pública. Ele informou ainda que vai pedir acesso aos autos e solicitar a liberdade da cliente.

Polícia mira 'núcleo político' do Comando Vermelho no Amazonas

Polícia mira ‘núcleo político’ do Comando Vermelho no Amazonas

Presos na operação

Ao todo, oito pessoas foram presas no Amazonas e seis fora do estado. Confira quem são os detidos no AM:

  1. Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas. A polícia aponta que ele recebia pagamentos para fornecer informações sigilosas de processos em segredo de Justiça, o que teria beneficiado o grupo criminoso.
  2. Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas. Relatórios de inteligência financeira indicam transações milionárias ligadas ao esquema;
  3. Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil que integra a Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus e foi chefe de gabinete do prefeito David Almeida. A investigação diz que ela teria movimentado cerca de R$ 1,5 milhão em favor da facção por meio de empresas de fachada;
  4. Alcir Queiroga Teixeira Júnior – investigado por participação no esquema financeiro que movimentava valores suspeitos para a organização criminosa;
  5. Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar de vereador, apontado pela polícia como parte da rede de influência do grupo;
  6. Osimar Vieira Nascimento – policial militar preso sob suspeita de envolvimento com as atividades do núcleo político investigado;
  7. Bruno Renato Gatinho Araújo – preso no Amazonas e incluído na lista de investigados pela operação.
  8. Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara por suposta participação no esquema.

O g1 tenta contato com a defesa dos presos na operação, mas não obtivemos retorno até a última atualização desta reportagem.

Lucila Costa Meireles, presa fora do Amazonas, também é apontada como integrante do núcleo político. Ela já exerceu cargos de assessoria parlamentar, inclusive na Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas e na Câmara Municipal de Manaus.

Segundo a polícia, Lucila se apresentava como advogada sem ter registro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e atuava como lobista do grupo. Mensagens analisadas indicam que ela e outra suspeita teriam pago propina a um servidor do Judiciário para obter e repassar informações de processos que tramitavam em segredo de Justiça.

Como era o esquema

Segundo a polícia, a organização criminosa movimentou cerca de R$ 70 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018, e atuava em conjunto com traficantes do Amazonas e de outros estados.

As investigações apontam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística. Na prática, essas empresas seriam usadas para comprar drogas na Colômbia e enviá-las a Manaus. Da capital amazonense, os entorpecentes seriam distribuídos para outras unidades da federação.

Os investigados devem responder por organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro, ocultação de patrimônio e violação de sigilo funcional.

INFOGRÁFICO – Operação contra ‘núcleo político’ do CV no Amazonas — Foto: g1

Procurado, o Tribunal de Justiça do Amazonas informou que já adotou medidas administrativas em relação ao servidor citado na operação. A Corte afirmou que preza pela legalidade, pela transparência e pela integridade e que não compactua com condutas incompatíveis com os deveres funcionais.

Já a Universidade do Estado do Amazonas declarou que não se responsabiliza por atos praticados por servidores fora do âmbito institucional. Sobre Adriana Almeida Lima, a instituição esclareceu que eventuais ações realizadas fora das dependências da universidade e do exercício das atividades acadêmicas são de responsabilidade exclusiva da professora. A UEA reafirmou compromisso com a ética, a legalidade e as normas que regem o serviço público.

Em nota, a Polícia Militar do Amazonas informou que o cabo preso na operação da Polícia Civil do Amazonas vai responder aos procedimentos na Justiça e também a trâmites administrativos na corporação. Segundo a PM, foi instaurado procedimento na Diretoria de Justiça e Disciplina. A instituição afirmou ainda que colabora com as investigações e não compactua com desvios de conduta.

Já a Prefeitura de Manaus informou que não é alvo da operação realizada na sexta-feira (20). De acordo com a nota, nem o prefeito David Almeida nem a estrutura administrativa do município fazem parte da investigação.

A prefeitura declarou que mantém compromisso com a legalidade e a transparência e que eventuais servidores investigados responderão individualmente por seus atos, conforme a lei.

A Câmara Municipal de Manaus orientou que os questionamentos sejam direcionados aos gabinetes dos vereadores onde os investigados trabalharam.

A reportagem aguarda o retorno da Assembleia Legislativa do Amazonas.

LEIA TAMBÉM:

Deixe um comentário