Resumo
- ‘Gostava de ouvir música com o avô’ diz mãe de bebê que morreu em cirurgia em maternidade O laudo de exame necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) sobre a morte de Pedro Henrique Falcão Soares Lima, de 1 ano e 7 meses, aponta causa indeterminada para o óbito.
- 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Ao g1, a advogada Doracy Queiroz de Oliveira Neta, houve falhas graves na condução do caso e a omissão do hospital em comunicar o óbito à polícia comprometeu a coleta de provas.
- A advogada destacou que o laudo mostra que a traqueia da criança estava livre de obstruções, o que reforça a tese de que o problema não foi mecânico, mas sim relacionado às medicações aplicadas.
- “Somente após o acesso formal aos documentos será possível adotar, com segurança jurídica e transparência, as medidas cabíveis se necessárias”, diz um trecho da nota Em nota, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio da 37ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Presidente Figueiredo, informou que está aguardando a conclusão do laudo técnico para poder realizar o interrogatório do profissional de saúde.
‘Gostava de ouvir música com o avô’ diz mãe de bebê que morreu em cirurgia em maternidade
O laudo de exame necroscópico do Instituto Médico Legal (IML) sobre a morte de Pedro Henrique Falcão Soares Lima, de 1 ano e 7 meses, aponta causa indeterminada para o óbito. A criança morreu em 11 de dezembro, após procedimento cirúrgico de fimose no Hospital Municipal Maternidade Eraldo Neves Falcão, em Presidente Figueiredo, no interior do Amazonas.
➡️A mãe da criança, Stefany Falcão Lima, atribui que a morte foi causada por um erro na dose de anestesia aplicada pelo médico Orlando Calendo Ignacio Astampo. A Polícia Civil abriu um inquérito para investigar o caso. O g1 tenta contato com a defesa de Orlando.
De acordo com o laudo obtido com exclusividade pelo g1, Pedro recebeu atracúrio, ketamina e propofol antes do procedimento. Logo após a aplicação, os sinais vitais caíram e a criança morreu. O corpo foi exumado 30 dias depois, já em avançado estado de decomposição, o que impediu a coleta de amostras para exames toxicológicos e histopatológicos.
Ainda no laudo, o perito destacou que a traqueia estava livre de obstruções, afastando hipóteses de bloqueio mecânico.
Ao g1, a advogada Doracy Queiroz de Oliveira Neta, houve falhas graves na condução do caso e a omissão do hospital em comunicar o óbito à polícia comprometeu a coleta de provas.
“Nossa expectativa é que a oitiva do médico seja finalmente realizada e que o inquérito seja relatado. Não aceitaremos que a ‘causa indeterminada’ encerre o caso, pois essa conclusão é fruto direto do descaso do hospital municipal, que não comunicou o óbito à polícia e permitiu que a criança fosse enterrada sem os exames periciais necessários”, afirmou.
A advogada destacou que o laudo mostra que a traqueia da criança estava livre de obstruções, o que reforça a tese de que o problema não foi mecânico, mas sim relacionado às medicações aplicadas.
“O fato da traqueia estar livre levanta a certeza de que o problema não foi uma obstrução imprevisível, mas sim uma depressão respiratória severa causada pelos fármacos. Isso reforça que o risco era conhecido e foi negligenciado”, disse a advogada.
Por meio de nota, a prefeitura de Presidente Figueiredo informou que não teve acesso oficial ao laudo pericial até o presente momento. E, que desde o ocorrido, foi instituída uma comissão para acompanhar, com responsabilidade e rigor, todos os desdobramentos do caso.
“Somente após o acesso formal aos documentos será possível adotar, com segurança jurídica e transparência, as medidas cabíveis se necessárias”, diz um trecho da nota
Em nota, a Polícia Civil do Amazonas (PC-AM), por meio da 37ª Delegacia Interativa de Polícia (DIP) de Presidente Figueiredo, informou que está aguardando a conclusão do laudo técnico para poder realizar o interrogatório do profissional de saúde. Mais informações não podem ser repassadas para não atrapalhar o andamento das investigações.
Pedro Henrique Facão — Foto: Divulgação
Pedro Henrique Facão — Foto: Divulgação
O caso
A mãe relatou que a criança foi levada inicialmente à Unidade Básica de Saúde (UBS) com dores no ouvido. Durante os exames, o pediatra identificou que o bebê tinha fimose e iniciou tratamento. Dias depois, a criança retornou à UBS e foi encaminhada ao hospital, onde passou por avaliação e seguiu para cirurgia.
Stefany também afirma que o anestesiologista iniciou a intubação sem ventilação adequada e não pediu ajuda imediatamente.
“Ao notar que a saturação e os sinais vitais de meu filho estavam caindo progressivamente, e percebendo a inércia do anestesiologista em buscar ajuda adequada, eu mesma pedi para a enfermeira do centro cirúrgico chamar o pediatra da unidade. O anestesiologista não pediu ajuda de forma proativa”, disse.
Documentos obtidos com exclusividade pelo g1 apontam que o pediatra chegou à sala e iniciou manobras de reanimação. Durante o atendimento, questionou o anestesiologista sobre as medicações utilizadas, mas não obteve resposta imediata. O profissional também registrou que a sala não estava preparada para atender pacientes pediátricos.
Na época dos fatos, o diretor clínico da unidade, Daniel Mota, confirmou que o anestesiologista começou a atuar no hospital entre 2020 e 2021, após processo seletivo. Segundo ele, o médico pediu exoneração depois do caso.
“A nossa função é dar todos os esclarecimentos possíveis. Inclusive a mãe já tem acesso a prontuários, à documentação, a relatórios da equipe que participou do procedimento do paciente. Foi uma decisão dele em pedir exoneração. A gente já tem outro anestesista na unidade. Segundo ele, não tinha mais condições, até mesmo psicológicas, de continuar na unidade e ele mesmo pediu a exoneração”, explicou.
Família pede justiça por Pedro Henrique — Foto: Divulgação
Família pede justiça por Pedro Henrique — Foto: Divulgação