Resumo
- A renúncia do governador Wilson Lima (União Brasil) e do vice Tadeu de Souza (Progressistas) fez o Amazonas entrar em um modelo diferente de escolha do chefe do Executivo.
- Bruno Zanardo/Secom A Constituição do Amazonas determina que, quando governador e vice deixam os cargos nos dois últimos anos do mandato, a substituição não é feita pelo voto direto da população.
- Segundo a advogada e especialista em Direito Constitucional Luziane Figueiredo, o modelo segue a legislação vigente no estado e funciona como uma forma de garantir continuidade administrativa.
- A especialista destaca que o eleito fica no cargo somente pelo período restante, até o início de janeiro do próximo ciclo de governo.
Eleições 2026: quando os candidatos serão definidos?
A renúncia do governador Wilson Lima (União Brasil) e do vice Tadeu de Souza (Progressistas) fez o Amazonas entrar em um modelo diferente de escolha do chefe do Executivo: a eleição indireta. As saídas foram oficializadas no último sábado (4), dentro do prazo de desincompatibilização exigido pela legislação eleitoral para quem pretende disputar outros cargos em 2026.
Com isso, o estado ficou com os dois principais cargos vagos ao mesmo tempo, situação prevista na Constituição estadual.
O g1 preparou perguntas e respostas sobre a situação do Amazonas:
- Por que o Amazonas terá eleição indireta?
- Como funciona a eleição indireta?
- Quem pode votar?
- Quem pode se candidatar?
- Quando a eleição será realizada?
- Quanto tempo dura o mandato do eleito?
- Quem governa o estado neste momento?
- Quem renunciou pode voltar ao cargo?
- O que acontece agora?
Por que o Amazonas terá eleição indireta?
Sede do Governo do Amazonas — Foto: Bruno Zanardo/Secom
Sede do Governo do Amazonas — Foto: Bruno Zanardo/Secom
A Constituição do Amazonas determina que, quando governador e vice deixam os cargos nos dois últimos anos do mandato, a substituição não é feita pelo voto direto da população.
Nesse caso, a escolha passa a ser feita pela Assembleia Legislativa (Aleam), em até 30 dias.
Como funciona a eleição indireta?
A eleição não tem participação direta dos eleitores. O processo é conduzido pela Aleam, que publica um edital e define as regras da votação.
Segundo a advogada e especialista em Direito Constitucional Luziane Figueiredo, o modelo segue a legislação vigente no estado e funciona como uma forma de garantir continuidade administrativa.
Ela explica que a eleição deve ser organizada com base nas normas constitucionais e eleitorais, sem favorecer candidatos.
“Os deputados obviamente fazem esse edital atrelado as normas constitucionais e eleitorais. Não pode ter algo que beneficie um candidato em detrimento do outro e o vencedor dessa eleição assume pelo prazo restante, até início de janeiro” , explicou.
Quem pode votar?
Composição de deputados estaduais na Aleam para 2023. — Foto: Rede Amazônia
Composição de deputados estaduais na Aleam para 2023. — Foto: Rede Amazônia
Apenas os 24 deputados estaduais participam da votação.
De acordo com a especialista, Luziane Figueiredo, são eles os responsáveis por escolher a nova chapa de governador e vice.
“Quem vota são os deputados estaduais. Qualquer pessoa que atenda aos requisitos pode participar da eleição. A candidatura deve ser em chapa, com governador e vice. Entre os requisitos estão idade mínima, estar filiado a um partido político e ser brasileiro”, destacou.
Quando a eleição será realizada?
A votação deve ocorrer em até 30 dias após a vacância dos cargos.
Ainda segundo a advogada, o edital que será publicado pela Aleam vai definir detalhes como o formato da votação, que pode ser aberta ou secreta, conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).
Quanto tempo dura o mandato do eleito?
O candidato escolhido assume o governo apenas até o fim do mandato atual, funcionando como um “mandato-tampão”.
A especialista destaca que o eleito fica no cargo somente pelo período restante, até o início de janeiro do próximo ciclo de governo. Nesse caso, até 1º de janeiro de 2027, quando o novo governador toma posse.
Quem governa o estado neste momento?
Solenidade marca posse de Roberto Cidade como governador interino do Amazonas. — Foto: Reprodução/TV Aleam
Solenidade marca posse de Roberto Cidade como governador interino do Amazonas. — Foto: Reprodução/TV Aleam
Até a eleição indireta, o governo é comandado interinamente pelo presidente da Aleam, deputado Roberto Cidade (União Brasil), que assumiu o cargo no domingo (5).
Ele ocupa o cargo seguindo a linha sucessória prevista na Constituição estadual.
Quem renunciou pode voltar ao cargo?
Tadeu de Souza, o vice-governador, e Wilson Lima, governador do Amazonas — Foto: Diego Peres/Secom
Tadeu de Souza, o vice-governador, e Wilson Lima, governador do Amazonas — Foto: Diego Peres/Secom
Não. A renúncia é definitiva.
Quem deixou o cargo não pode reassumir, mesmo que não consiga se candidatar ou seja derrotado.
O que acontece agora?
A Assembleia Legislativa deve organizar a eleição indireta dentro do prazo previsto.
Segundo Luziane Figueiredo, todo o processo precisa seguir critérios legais e garantir igualdade entre os candidatos. Ao final, os deputados escolhem a nova chapa, que vai governar o Amazonas até o fim do mandato atual.
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