Empresas de fachada, apoio de servidores e acesso a informações sigilosas: como era a estrutura do CV voltada ao tráfico no AM

Resumo

  • Polícia Civil faz operação contra núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas Um esquema estruturado pelo Comando Vermelho (CV), que tinha a colaboração de agentes públicos, atuava de forma organizada para trazer drogas da Colômbia e distribuir a partir do Amazonas.
  • (veja a lista completa abaixo) 📲 Participe do canal do g1 AM no WhatsApp A investigação teve início após uma apreensão de 500 tabletes de skunk e a prisão de um homem em flagrante.
  • Os elementos reunidos apontam, ainda, indícios de tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas relacionadas a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais que atrapalhassem o tráfico.
  • Lucas Macedo/g1 AM Veja a lista dos presos pela polícia no AM Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas;Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus.

Polícia Civil faz operação contra núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas

Polícia Civil faz operação contra núcleo político do Comando Vermelho no Amazonas

Um esquema estruturado pelo Comando Vermelho (CV), que tinha a colaboração de agentes públicos, atuava de forma organizada para trazer drogas da Colômbia e distribuir a partir do Amazonas. A rede montada pela facção contava ainda com empresas de fachada e acesso a informações sigilosas sobre investigações da polícia.

As informações são da Polícia Civil do Amazonas, que deflagrou nesta sexta-feira, uma operação com 23 mandados de prisão em seis Estados. Catorze pessoas haviam sido presas até a última atualização desta reportagem, entre elas a ex-chefe de gabinete do prefeito de Manaus, três ex-assessores de vereadores e um servidor do Tribunal de Justiça. (veja a lista completa abaixo)

A investigação teve início após uma apreensão de 500 tabletes de skunk e a prisão de um homem em flagrante. Na ocorrência, a polícia identificou uma estrutura de transporte da droga que contava com um carro utilitário para o transporte da droga, duas embarcações e sete fuzis. Celulares também foram apreendidos na ocasião.

Durante o inquérito, a polícia descobriu uma cadeia de comando com operadores logísticos, financiadores e colaboradores que facilitavam o esquema criminoso. Eles eram divididos de maneira organizada, com tarefas delimitadas e núcleos operacionais.

💰A estimativa da polícia é que a quadrilha movimentou cerca de R$ 70 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018.

A facção tinha ainda rotas definidas para trazer a droga da Colômbia e distribuir os entorpecentes pelo país a partir do Amazonas. Para isso, empresas de fachada, nos ramos de transporte e locação, foram criadas. Elas eram usadas para ocultar a movimentação dos valores oriundos do tráfico, segundo a polícia – análises indicam incompatibilidade entre o volume financeiro movimentado e a capacidade econômica declarada pelos envolvidos.

Além disso, a cobertura logística dessas empresas ‘fantasma’ maquiava o transporte das drogas, dando suporte logístico ao Comando Vermelho. Carros também eram alugados em nome de terceiros para dificultar o rastreamento pelas autoridades.

Os elementos reunidos apontam, ainda, indícios de tentativas de obtenção indevida de informações sigilosas relacionadas a procedimentos criminais, com o objetivo de antecipar ações policiais e judiciais que atrapalhassem o tráfico.

Operação apura organização criminosa do Comando Vermelho com núcleo político no Amazonas — Foto: Lucas Macedo/g1 AM

Veja a lista dos presos pela polícia no AM

  • Izaldir Moreno Barros – servidor do Tribunal de Justiça do Amazonas;
  • Adriana Almeida Lima – ex-secretária de gabinete de liderança na Assembleia Legislativa do Amazonas;
  • Anabela Cardoso Freitas – investigadora da Polícia Civil e integrante da Comissão de Licitação da Prefeitura de Manaus. Foi chefe de gabinete do prefeito da capital até 2023;
  • Alcir Queiroga Teixeira Júnior – citado na investigação como ligado a movimentações financeiras suspeitas;
  • Josafá de Figueiredo Silva – ex-assessor parlamentar;
  • Osimar Vieira Nascimento – policial militar;
  • Bruno Renato Gatinho Araújo – investigado por participação no esquema.
  • Ronilson Xisto Jordão – preso em Itacoatiara

Até a última atualização desta reportagem a polícia não havia detalhado a participação de cada um dos alvos no esquema. O g1 procura a defesa dos presos na operação.

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