Caso Benício: registro de técnica de enfermagem segue ativo no Coren-AM após decisão judicial

Resumo

  • Polícia pede prisão de médica e técnica investigadas pela morte do menino O registro da técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia continua “ativo” no site do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM).
  • Em dezembro, o juiz Fábio Olintho de Souza determinou que o Conselho Regional de Medicina (CRM-AM), Coren-AM, além das secretarias estadual e municipal de saúde, sejam oficiados para garantir o cumprimento da suspensão.
  • Justiça revoga habeas corpus de médica investigada por prescrever adrenalinaCronologia do atendimento de Benício mostra sequência que levou à morte da criançaColega de trabalho diz em depoimento que alertou técnica para não aplicar adrenalina na veia O caso Caso Benício.
  • Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que uma médica e uma técnica de enfermagem foram afastadas de suas funções e realizou uma investigação interna pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente.

Caso Benício: Polícia pede prisão de médica e técnica investigadas pela morte do menino

Caso Benício: Polícia pede prisão de médica e técnica investigadas pela morte do menino

O registro da técnica de enfermagem Raiza Bentes Praia continua “ativo” no site do Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas (Coren-AM). A situação contraria decisão judicial de dezembro de 2025 que determinou a suspensão do exercício profissional por um ano. A medida foi determinada durante as investigações sobre a morte de Benício, em Manaus.

Em dezembro, o juiz Fábio Olintho de Souza determinou que o Conselho Regional de Medicina (CRM-AM), Coren-AM, além das secretarias estadual e municipal de saúde, sejam oficiados para garantir o cumprimento da suspensão.

Uma consulta recente aos sistemas dos conselhos mostrou divergências no cumprimento da decisão judicial:

  • O registro da Médica Juliana Brasil Santos aparece como suspenso, em conformidade com a ordem judicial.
  • Já o da Técnica Raiza Bentes Praia segue ativo, em aparente descumprimento da decisão.

A decisão judicial também impôs outras medidas às profissionais:

  • Comparecer mensalmente em juízo para justificar suas atividades;
  • Não sair da Região Metropolitana de Manaus sem autorização judicial;
  • Manter distância mínima de 200 metros da família da vítima e das testemunhas;
  • Cumprir a suspensão do exercício profissional por 12 meses, prorrogáveis.

O g1 pediu esclarecimentos ao Coren-AM sobre o motivo de o registro da técnica continuar ativo e aguarda resposta.

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O caso

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Segundo o pai, Bruno Freitas, o menino foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. Ele contou que a médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos.

A família disse ao g1 que chegou a questionar a técnica de enfermagem ao ver a prescrição. De acordo com Bruno, logo após a primeira aplicação, Benício apresentou piora súbita.

“Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ela ia fazer”, relatou o pai.

Após a reação, a equipe levou a criança para a sala vermelha, onde o quadro se agravou. A oxigenação caiu para cerca de 75%, e uma segunda médica foi acionada para iniciar o monitoramento cardíaco. Pouco depois, foi solicitado um leito de UTI, e Benício foi transferido no início da noite de sábado.

Na UTI, segundo o pai, o quadro piorou. A equipe informou que seria necessária a intubação, realizada por volta das 23h. Durante o procedimento, o menino sofreu as primeiras paradas cardíacas.

O pai relatou que o sangramento ocorreu porque a criança vomitou durante a intubação. Após as primeiras paradas, o estado de Benício continuou instável, com oscilações rápidas na oxigenação. Minutos depois, Benício apresentou nova piora e não respondeu às manobras de reanimação. Ele morreu às 2h55 do domingo.

“Queremos justiça pelo Benício e que nenhuma outra família passe pelo que estamos vivendo. O que a gente quer é que isso nunca mais aconteça. Não desejamos essa dor para ninguém”, disse o pai.

Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que uma médica e uma técnica de enfermagem foram afastadas de suas funções e realizou uma investigação interna pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente.

Infográfico – Caso Benício — Foto: Arte g1

Raiza Bentes Praia foi suspensa do exercício profissional pelo Conselho Regional de Enfermagem do Amazonas — Foto: Divulgação

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