Resumo
- Profissão Repórter mostra a lei do aborto no Brasil, Uruguai e na Argentina Entre janeiro de 2015 e agosto de 2025, o Amazonas registrou 53.
- 654 internações e 83 mortes O relatório aponta que os abortos são mais frequentes entre mulheres com menor escolaridade, renda de até um salário mínimo, e pretas, pardas e indígenas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste.
- LEIA TAMBÉM Câmara aprova projeto que pode dificultar aborto legal em crianças vítimas de estuproJustiça suspende aborto legal em casos de gravidez por retirada de preservativo sem consentimento em hospital 1 de 2 Manifestação em defesa do aborto na Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte — Foto.
- O Painel Panorama do Aborto no Brasil destaca que o aborto ocorre em todas as classes sociais, religiões e faixas etárias, e que a criminalização não reduz sua ocorrência.
Profissão Repórter mostra a lei do aborto no Brasil, Uruguai e na Argentina
Entre janeiro de 2015 e agosto de 2025, o Amazonas registrou 53.158 internações por procedimentos relacionados ao aborto no Sistema Único de Saúde (SUS), segundo o Sistema de Informações Hospitalares. O número representa 12,1% do total nacional, que ultrapassa 1,86 milhão de internações no mesmo período.
Na Região Norte, o Amazonas ocupa o segundo lugar, atrás apenas do Pará, que lidera com 95.684 casos e 51 mortes. No total, os estados nortistas somaram 225.654 internações e 83 óbitos, com gasto público estimado em R$ 4,7 milhões.
➡️ Comparativo nacional
- Sudeste: 643.026 internações e 163 mortes
- Nordeste: 623.405 internações e 159 mortes
- Norte: 225.654 internações e 83 mortes
O relatório aponta que os abortos são mais frequentes entre mulheres com menor escolaridade, renda de até um salário mínimo, e pretas, pardas e indígenas, especialmente nas regiões Norte e Nordeste. O primeiro aborto costuma ocorrer ainda na adolescência.
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Manifestação em defesa do aborto na Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte — Foto: Maíra Cabral/g1 Minas
Manifestação em defesa do aborto na Praça Sete, no Centro de Belo Horizonte — Foto: Maíra Cabral/g1 Minas
Impacto social
Especialistas alertam que o número real de abortos no país é muito maior. A criminalização fora das exceções legais faz com que muitas mulheres recorram a métodos clandestinos, que não são registrados pelo sistema público de saúde.
O Painel Panorama do Aborto no Brasil destaca que o aborto ocorre em todas as classes sociais, religiões e faixas etárias, e que a criminalização não reduz sua ocorrência. Estima-se que 1 em cada 7 mulheres brasileiras já tenha feito pelo menos um aborto até os 40 anos.
Aborto legal no Brasil
O procedimento é permitido no SUS em três situações:
- Gravidez resultante de estupro (sem necessidade de boletim de ocorrência);
- Risco de morte para a gestante;
- Anencefalia fetal (feto sem cérebro).
Após três meses, o risco de aborto espontâneo cai significativamente — Foto: BBC/COURTNEY HALE/GETTY IMAGES
Após três meses, o risco de aborto espontâneo cai significativamente — Foto: BBC/COURTNEY HALE/GETTY IMAGES