Diretora do CCZ de Manaus explica doença transmitida por fungos que afeta animais e humanos

Equipe do CCZ realiza testes em animais suspeitos em Manaus — Foto: Valdo Leão / Semcom

Manaus registrou o primeiro caso de “esporotricose animal”, uma doença transmitida por fungos e que afeta tanto pessoas quanto animais, especialmente os gatos. Pode assustar, mas é prevenida com cuidados simples e tem tratamento. Por isso, não abandone, maltrate ou sacrifique o animal com suspeita da doença.

A médica veterinária Patrícia de Paula Roberto, diretora do Centro de Controle de Zoonoses de Manaus, explicou ao G1 sobre os principais sintomas, os cuidados que devem ser tomados para evitar a contaminação e o que fazer em casos de suspeita da doença.

A esporotricose animal só atinge gatos?

Não. A doença pode atingir outros animais, como cachorros, e também pessoas. “É uma doença causada por um fungo que vive no ambiente, em terra, folhas secas, gravetos. Ela é mais comum em gatos, porque eles cavam mais o solo para enterrar as fezes. Cães não fazem isso”, explicou.

Ela afirma também que, em muitos casos, a contaminação começa na patas dos gatos. “O gato cava o solo e fica com esse fungo na pata. Quando ele arranha outro animal ou uma pessoa, acaba transmitindo pelas lesões que são provocadas”, disse.

Se o fungo estiver presente, a pessoa lesionada vai desenvolver a doença. Também pode se contaminar se tocar nas feridas do animal.

Gato é examinado em Manaus — Foto: Valdo Leão / Semcom

Quais são os principais sintomas?

Segundo Patrícia, a principal característica da doença é o aparecimento de feridas arredondadas, nas patas e na cabeça, que não se cicatrizam e ainda podem se espalhar para o resto do corpo. “Normalmente se inicia com um caroço, que estoura e vira uma ferida.”

Em pessoas, no local onde o fungo penetrou também surge uma ferida, que pode crescer e ser de difícil cicatrização.

Como prevenir a esporotricose?

A melhor maneira de prevenir a doença, segundo a médica veterinária, é evitar que o animal tenha contato com outro infectado. “Assim como com a Covid a melhor maneira é o isolamento, nesses casos também. É importante isolar o gato em casa para que ele não saia e, eventualmente, brigue e acabe se contaminando”, disse.

Segundo a médica veterinária, muitas vezes, o mais aconselhável é providenciar a castração dos machos para que ele fique em casa, pois eles brigam muito na rua.

Até os tutores de cães devem evitar passeios nesse momento, especialmente no bairro da Glória, onde o primeiro caso foi detectado, pelo menos enquanto a doença ainda não estiver controlada na cidade.

O que fazer em caso de suspeita da doença?

Há duas possibilidades:

  1. Caso o tutor de um bichinho de estimação note o surgimento de um caroço anormal, o ideal é levar a um médico veterinário para fazer um exame e detectar se há a presença da doença. O médico saberá identificar a doença e recomendar o tratamento. “Quem é leigo pode confundir a esporotricose com outras doenças, até com sarna”.
  2. Em casos mais graves, entrar em contato com o CCZ pelo número 0800-280-8280. “Se o animal possuir ferimentos, temos uma equipe que vai ao local para fazer o exame e verificar se é esporotricose. Nos casos em que se constata a doença, o tratamento já é iniciado”. A visita da equipe não tem custos.

Porém, é importante não levar o animal doente para o CCZ. Os animais mantidos no local são saudáveis e, caso algum esteja doente, poderia provocar uma contaminação.

Existe vacina?

Não existe vacina contra a esporotricose animal.

Quanto tempo dura o tratamento?

A duração de tratamento varia conforme cada caso. Quanto antes a doença for identificada, mais rápido acontece a cura.

Como essa doença chegou a Manaus?

A especialista disse que ainda não sabe precisar como a doença chegou a Manaus. Outros estados brasileiros possuem registros de casos, como Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Santa Catarina, São Paulo e Rio Grande do Norte.

“Esse fungo vive no ambiente, mas nosso verão é muito intenso. Não se sabe como chegou aqui e por que não havia casos registrados na cidade. Pode ter sido introduzido com algum animal trazido para cá de outros estados onde há registro da doença, mas não há certeza ainda”, afirma.

Funcionários fazem atendimentos a animais domésticos em domicílio, em Manaus — Foto: Valdo Leão / Semcom

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