Com ausência de David Almeida (Avante) no debate, Rede Amazônica entrevista Amazonino Mendes (Podemos)

Veja a íntegra da entrevista com o candidato à prefeitura de Manaus Amazonino Mendes

Veja a íntegra da entrevista com o candidato à prefeitura de Manaus Amazonino Mendes

O candidato à Prefeitura de Manaus Amazonino Mendes (Podemos) foi entrevistado na noite desta quinta-feira (27) na Rede Amazônica em Manaus. O debate que ocorreria foi substituído por perguntas em razão da desistência de David Almeida (Avante).

A desistência de David Almeida foi informada pela assessoria de comunicação. O candidato alegou que não participaria em razão do estado de saúde da mãe, que está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de uma hospital de Manaus com covid-19.

A substituição do debate pela entrevista, com 20 minutos de duração, estava prevista nas regras assinadas pelos representantes dos dois candidatos.

Durante 20 minutos, Amazonino respondeu a perguntas sobre assistência social, educação, segurança e enfrentamento da Covid-19

No primeiro turno, Amazonino Mendes teve 234.088 votos o que equivalente a 23,91% dos votos válidos. David Almeida teve 218.929 votos (22,36%). A votação em segundo turno será realizada no próximo dia 29.

Confira as perguntas feitas ao candidato

Entrevistador: Candidato, o senhor está anunciando no seu programa de governo um auxílio de R$ 300 para 137 mil famílias. Afinal, quem vai ter acesso a esse benefício e a partir de quando?

Amazonino: Veja bem, eu estou consciente de que a crise que se aproxima vai ser pior do que a que nós enfrentamos. Então, é preciso combatê-la com urgência e competência. Isso só se faz distribuindo recursos financeiros para as famílias desvalidas, as famílias pobres. Isso é importante não só no ponto de vista existencial, mas é fundamental porque ela derrama dinheiro na praça, sobretudo, pelos bairros. Erguer as pequenas vendas, as quitandas, os pequenos empresários. Eles vão poder manter os empregos que tem. A cidade encontra mais paz, mais tranquilidade, mais equilíbrio. Isso é um comportamento obrigatório de qualquer prefeito, hoje, no Brasil. Aqui, nós temos 137 mil famílias abaixo da linha da pobreza que recebem o Bolsa Família. O que eu pretendo é, simplesmente, repor os R$ 300 que eles vão deixar de receber do governo Bolsonaro.

Entrevistador: A partir de quando?

Amazonino: Isso, eu teria que mandar para a Câmara dos vereadores, a mensagem de lei. Teria que preparar tudo isso. Demanda algum tempo, mas o importante é que a gente vai salvar a questão social de Manaus com competência.

Entrevistador: Candidato, esse programa, com a configuração que o senhor divulga, vai exigir um gasto demais de R$ 40 milhões por mês. O senhor vai conseguir honrar esse compromisso de campanha durante quatro anos?

Amazonino: Ainda bem que são R$ 40 milhões. O ideal é que fossem 60, 80. A coisa mais importante que a gente pode fazer agora, nesse momento crítico, é exatamente distribuir recursos, renda para o povo mercê dessa situação grave que a gente vai enfrentar. Pode ter saque de supermercado, pode ter tudo. Aumento de tuberculose, raquitismo. As crianças crescerem com fome, endêmica. Então, a gente tem que começar a pensar em distribuir renda. Se quer saber da onde a gente vai tirar isso, claro que a gente vai tirar. Não é assim, em um estalar de dedos. É preciso ter competência, é preciso ter inteligência, experiência. A Prefeitura tem, por exemplo, cerca de R$ 6 bilhões de dívida ativa. Isso, para quem não entende, é uma espécie de crédito. Isso a gente pode processar corretamente, levar bolsa de valores e daí tirar o dinheiro. R$40 milhões por mês, você acha que é muito?! Não é muito. Muito é a decorrência do problema da falta de recursos elementares, básicos, simples, para uma família pobre.

Entrevistador: Candidato, segundo o CPRM, Manaus possui mais de 60 mil pessoas vivendo em áreas de risco. Caso eleito, que ação pretende implementar para essas pessoas?

Amazonino: Sabe qual o problema real? Não é bem área de risco. O grande problema é que Manaus é uma cidade horizontal. Tem muitas sub-habitações. Manaus é a segunda maior do Brasil. A primeira é nossa vizinha Belém, salvo engano, com 56%. Manaus chega a 53%. O que tem que fazer é criar condições habitacionais, mais civilizadas, melhores. Quando fui governador, lá atrás, fiz o maior conjunto habitacional daqui de Manaus. Fiz o Nova Cidade. Um detalhe: Tudo bem, muita gente fez, mas eu fiz, com recurso próprio, 10 mil casas no Nova Cidade. Então, eu acho que o aspecto social, e esse é fundamental, é o que a gente tem que fazer.

Entrevistador: O senhor faria também com recursos próprios da Prefeitura para fazer esse tipo de ajuda?

Amazonino: Não, de onde vier o recurso é bom. Eu, eleito, vou procurar o presidente Bolsonaro, vamos conversar bastante. Eu levo muitas ideias, muitos pensamentos. Não são essas formulações que ocorrem em candidaturas. Formular, todo mundo formula. Eu lembro que perdi as eleições para um candidato que resolvia tudo. Na hora H, ele tinha tudo. Foi o maior desastre. O que temos hoje no Amazonas é um chororô, desesperança, frustração. É uma dor enorme que o amazonense tem e se sente mal, porque votou mal. Essa é a realidade. O pessoal tem que tomar muito cuidado com essas formulações, essas propostas. Todo mundo faz propostas. Qualquer marqueteiro faz centenas de propostas. Executar e fazer, é outra diferença.

Entrevistador: O senhor tem falado muito de escola em tempo integral. Caso eleito, quantas escolas desse tipo serão construídas e a partir de quando?

Amazonino: Honestamente, eu não sei quantas. Tantas quanto possível. Eu estou convencido que um país pobre como o nosso, onde está incluído o nosso estado e a nossa cidade de Manaus, o único meio de se educar corretamente os nossos filhos e crianças é em escolas de tempo integral. Porque a criança chega cedo, ela toma café, um café reforçado feito por nutricionistas. Ela merenda e se alimenta dignamente. Ela passa a estudar também em uma situação mais aceitável, por estar alimentada. Coisa que não acontece. Além de ser bem alimentada, ela vai praticar espores. Ela vai ter o convívio na escola. Ela não vai sofrer complexo de inferioridade por estar com a camisa rasgada ou a calça rasgada ou o seu colega do lado, que é uma família mais abastada, está melhor vestido. Tudo será com fardamento padrão, tudo bem pensado, estudado, calculado. Em síntese, no fim do dia, ela cumpre todas as suas tarefas, cumpre o seu aprendizado e vai para casa, mas vai alimentada mentalmente e fisicamente. Essa é a escola para se ter um futuro melhor no Brasil, levando-se em conta que o futuro é exatamente a criança de hoje. Se a gente cuidar dela com esse zelo e com essa responsabilidade, nós teremos um melhor país e uma melhor cidade. Eu estou convencido e vou fazer.

Entrevistador: Na teoria, essa escola funciona muito bem, com todos os aparatos e com todos os profissionais. Como fazer essa escola funcionar nesse ritmo que o senhor está dando? Precisa de mais gente?

Amazonino: Não é questão de teoria, basta você regulamentar e exigir. Pronto, acabou. Simples. Prover, pagar corretamente os professores, levar em conta a qualidade do ensino, que é o fundamental. Você via dar condições sociais para que a criança tenha acesso a esta excelência no ensino, que é mental e fisicamente. Aí, é que está toda a chave e o segredo desse processo educacional que estou apaixonado por ele e é este processo que vou fazer.

Entrevistador: Em relação à pandemia do coronavírus, existe um planejamento, ação voltada para o controle da pandemia em Manaus?

Amazonino: Eu acho que é uma coisa simples e direta. Basta ser honesto e correto. É seguir as orientações da Organização Mundial de Saúde, não tem segredo. Isso é uma experiência mundial. Agora, há um pormenor que eu me apresso em querer discutir. Porque, de um lado, há uma preocupação da preservação da saúde com o distanciamento. Outro lado é a consequência danosa da economia. Nós estamos em uma situação muito crítica no ponto de vista econômico. Manaus tem o maior índice nacional de desemprego, 18,5%. A média nacional é 13,5%. É claro que, em uma hora dessa, você tem que dar prioridade ao emprego. Em qualquer circunstância. Então, como é que você vai fechar o comércio?! Principalmente os pequenos. Não se pode pensar mais nisso. Isso é um luxo, abusivo, errado. Você tem que ter personalidade, convicção, inteligência, segurança, certeza. No mais, segue toda orientação da OMS. E, fundamental, eu estou impressionado como que ninguém aqui fala em vacina. Se preparar para vacinar o nosso povo, a nossa gente. Eu vou cuidar disso. A coisa mais importante é a vacina. É procurar uma vacina segura, uma vacina que seja homologada e vacinar o povo, e não entrar nessa conversa de lockdown. É ir com calma. Nós temos exemplos internacionais, mesmo que sejam relativos, porque trata-se de países desenvolvidos, como a Suécia, mas, a gente não pode mais se dar o luxo. Então, é fundamental que a gente cuide de vacina, das outras exigências da OMS, mas preservar os empregos a qualquer custo para evitar esse dano social irreparável que está acontecendo já em alguns países de terceiro mundo e, com segurança, vai nos devorar se não tivermos competência e capacidade para enfrentar.

Entrevistador: Recentemente a cidade ganhou um novo complexo viário na Avenida Constantino Nery, que melhorou o trânsito nessa via, mas apresenta congestionamento de veículos na Rua Pará e vias próximas. Caso seja eleito, o senhor pretende construir algum novo viaduto na Avenida Djalma Batista, mais precisamente naquela região que é crítica, principalmente, durante o dia?

Amazonino: Eu acho que é importante dar continuidade. Ali observa-se, claramente, que há uma solução de continuidade. Começa o escoamento, mas para ali, porque é um vaso comunicante. É interessante continuar com a obra para que ela se complete e atinja seu objetivo de escoamento de trânsito. Aliás, Manaus está impraticável. Você demora um tempão para se deslocar. Isso reflete em tudo, até no transporte coletivo que está se movimentando a passos de tartaruga. Isso encarece, isso inviabiliza, isso enlouquece as pessoas, as pessoas perdem dinheiro com isso, perdem tranquilidade, irrita. Isso não é bom. Manaus precisa de um plano diretor novo, melhor, mais inteligente e precisa de estudo, incidências urbanas, que é exatamente para dar mais movimentação para facilitar a mobilidade, permitir que as pessoas vivam com mais tranquilidade na cidade quase que infernal que está se transformando Manaus.

Entrevistador: O senhor pretende mudar essa relação, sobretudo, com as empresas?

Amazonino: Eu entendo bem disso. Eu já discuti e conversei muito. O problema não é só de empresas não. O problema envolve até Ministério Público, Justiça. É roda uma cadeia. E certos vícios criados em um setor, é em todo lugar, não é só aqui não. É um negócio que exige toda uma especialidade, não é qualquer um que pode cuidar dessa questão. Da última vez que fui prefeito, trouxe mais de mil ônibus que estão ainda hoje rodando. Eu vou querer fazer, claro, a renovação da frota, mas o que quero fazer mesmo é um estudo aprofundado pela horizontalidade de Manaus e certos congestionamentos que têm em determinados locais. Há locais aqui que, ao meu ver, analisando superficialmente, acho que cabe até trem. E não se assustar com isso não, não é tão caro. Basta fazer um estudo sério, com pé no chão, levanto em conta dois aspectos. Primeiro é o custo de investimento da modalidade e o segundo é garantir o funcionamento desse sistema.

Entrevistador: O seu programa de Governo fala em criar o Programa Ronda Comunitária? Como o projeto vai funcionar?

Amazonino: Segurança é um problema mais especifico do estado e da União. A prefeitura pode colaborar e ajudar muito. Fazer uma guarda municipal mais rigorosa e aproveitar algumas brechas na lei.

Entrevistador: Armada?

Amazonino: Isso depende da legislação, do Congresso Nacional. Se permitir a guarda municipal ser armada, vai se armar, mas não é uma coisa simples. Eu queria aproveitar esse pouco tempo que eu tenho. A vontade imensa que eu tenho fazer um resgate. Um resgate moral, digno, decente, contra uma coisa que vem acontecendo lamentavelmente nessa campanha. Reduziram o velho, me insultaram e isso dói. Isso dói no neto, isso dói no filho, isso dói na consorte. Isso é de muito mal gosto, preconceituoso como se o velho fosse um fósforo queimado, um bagaço de laranja. Eu acho que o velho é um herói. Ele que é o teu guia, ele que ilumina teu mundo. Ele evita que a gente cometa mais erros. O velho é o parceiro do futuro, ele ilumina a caminhada do jovem, que ainda engatinha na caminhada da vida. O velho é sagrado não só pelo que ele vivenciou, mas pelo que pode te dar de vida, de sabedoria, de grandeza moral e intelectual para os seus. Meu abraço, meu respeito aos velhos e, é lógico, meu carinho, meu amor aos jovens. Eu estou feliz, satisfeito, muito obrigado. Só lamento, honestamente, pela ausência do adversário porque eu tinha tanta coisa para colocar, mas tudo bem.

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