Paiol da Cultura recebe instalação ‘Nem tudo que reluz é ouro’ da artista Simone Fontana Reis

Pautada na ancestralidade brasileira, intervenção trará Terra Preta e réplicas em bronze de cacos de cerâmica ancestrais em parede de vinte e quatro metros de cumprimento

 

Da Redação – Ascom Inpa

Foto: Acervo da Artista Simone Reis

 

SiteFotoAcervodaArtistaSimone Reis 

 

Provocar reflexão sobre tecnologias e conhecimentos pré-colombianos brasileiros, visando em especial o resgate de valores de etnias amazônicas, é o objetivo da instalação Nem tudo que reluz é ouro, da artista plástica paulista Simone Fontana Reis. A exposição poderá ser vista a partir desta quarta-feira (14) até o dia 20 de agosto, no Paiol da Cultura, dentro do Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), em Manaus (AM).

Na instalação, Simone incorporou a Terra Preta de Índio e gestos de sua feitura, no fazer artístico. Ela cobriu as paredes do espaço expositivo, que tem 24 metros, com um composto de Terra Preta e usa réplicas de cacos cerâmicos ancestrais nela encontrados, que transformados em bronze, brilham como o ouro do imaginário europeu.

Segundo Simone, os invasores europeus falharam em reconhecer a importância da Terra Preta e a enorme realização desses nativos. “Sedentos por achar ouro, não enxergaram o verdadeiro Eldorado: um método de cultura e estilo de vida totalmente adaptado aoambiente, à forma como transformavam a paisagem, enriquecendo o solo, nada desperdiçando, selecionando e domesticando espécies, usando a força das águas e seus ciclos, sem fome e sem doenças - bem diferente da realidade da Europa do séculoXVI”, diz a artista.

A escolha do local para a instalação não foi aleatória, já que o Paiol da Cultura, concebido pelo arquiteto Severiano Mario Porto, remete à escavação de um sítio arqueológico, por estar encravado na terra. E, ainda, como nos buracos de confecção de Terra Preta, o Paiol é um espaço arredondado e no meio de um fragmento florestal. Simone sinaliza que “o espaço nos clama a uma imersão reflexiva, a um momento de pausa e interação com o subsolo, como num útero, uma volta às raízes: que antigos preconceitos e comportamentos possam dar lugar ao surgimento de novas formas de enxergar a história”.

A instalação Nem tudo que reluz é ouro fala, sobretudo, da importância das civilizações nativas e o resgate da nossa cultura. A Terra Preta e os grafismos contidos nos cacos nela encontrados nos remetem ao papel da mulher na sociedade e à preservação da floresta. Segundo a curadora, Katia Canton, a artista defende que a tecnologia da Terra Preta indígena era passada de mãe para filha como uma herança silenciosa – informação encontrada no livro Terra Preta, da cientista política alemã Ute Scheub. A partir de resíduos, restos de alimentos, plantas, excrementos, carvão, cacos cerâmicos e outros componentes submetidos a uma queima filtrada de baixo teor de oxigênio, talvez sem querer ou talvez conscientemente, estas mulheres faziam com que o carbono e os nutrientes ficassem retidos na mistura ao invés de migrarem para a atmosfera, tornando esta terra fertilíssima.

Depositado em potes cerâmicos, esse preparo, ao ser queimado, exala fumaça e tem o poder de regenerar toda a terra ao redor. Eis um poder feminino: a criação de uma terra que nutre e se multiplica, a invenção de uma tecnologia singular, de temporalidade expandida e plena. Por ser um método de sequestro de carbono, esta tecnologia tem grande potencial para reverter o aquecimento global, segundo a artista. Dialoga com a antropologia, a agricultura, a ecologia e a sustentabilidade e com problemas crônicos como a pobreza, a fome e a falta de água. Ainda questiona noções arraigadas sobre o que é ser civilizado ou o que significa ser uma sociedade desenvolvida.

Como nasceu o projeto para a instalação ‘Nem tudo que reluz é ouro’

Foi durante sua imersão artística no programa Labverde (www.labverde.com), no qual a artista passou 15 dias na Reserva Florestal Adolpho Ducke na Amazônia, pertencente ao Inpa, e onde entrou em contato com os pesquisadores desse Instituto de pesquisa, que tudo começou. Naqueles dias, Simone teve contato com o pesquisador e seu orientador durante o processo artístico, Charles Clement, um dos defensores da teoria da domesticação da Amazônia.

“Sinto-me honrado que a Simone se inspirou em minha apresentação sobre como os povos nativos da Amazônia haviam domesticado plantas, um animal (o pato) e, sobretudo, as florestas de um bioma antes da conquista pelos europeus em 1.500 dC”, diz o pesquisador Clement. “Sua apresentação oferece uma crítica a nossa sociedade moderna, que não encontra um caminho de desenvolvimento na Amazônia, muito menos um caminho sustentável”, ressalta.

O Labverde é um programa voltado para criadores que desejam compreender e refletir sobre a natureza e a paisagem. Uma vivência intensiva, na área natural mais importante do planeta, para estreitar as relações entre a ciência, a arte e o meio ambiente.

Sobre a Terra Preta

O estudo da Terra Preta comprova que a Floresta Amazônica, que por séculos foi idealizada como uma paisagem intocada, inabitada, verde e virgem, é na verdade um imenso jardim cultivado - uma floresta antropogênica que revela valiosos conhecimentos sobre nossos antepassados, seus hábitos, crenças, comportamentos e organização social. Os povos nativos estavam terra-formando a Amazônia, quando Pedro Alvares Cabral apareceu e interrompeu o processo. Foi por meio da confecção da Terra Preta e o cultivo sustentável, fruto de observação, inspirações e experiências dos habitantes nativos, que se tornou possível a vida de diversas civilizações sofisticadas e densas na Amazônia nos milênios antes da conquista.

 

Sobre Simone Fontana Reis

 

Simone Fontana Reis nasceu em São Paulo, 1965. Fez mestrado em Londres, na Central Saint Martins College of Art and Design, graduou-se em 2014. Suas práticas e expressões artísticas navegam entre pinturas, esculturas, instalações e vídeo.

Por ser uma apaixonada por florestas, há 20 anos, a artista pesquisa plantas e orquídeas. O interesse pela floresta levou-a a descoberta da comunidade indígena Kadiueu no Brasil Central, povo que ela visita regularmente, deixando-se influenciar por seus desenhos. Participou de diversas exposições em Londres, São Paulo, Nova Iorque e Suécia, onde viveu por oito anos. No seu trabalho de colaboração com cientistas na London School of Tropical Medicine, teve seu trabalho premiado. Foi nominada para New Sensation - 2014 pela Saatchi Art e Hot-One-Hundred - Schwartz Gallery, Londres. Em 2016, participou da residência Labverde, onde entrou em contato com pesquisadores do Inpa. Participa neste momento do 66º Salão Paranaense no Museu Oscar Niemayer - Curitiba (PR).

 

Serviço

Instalação: Nem tudo que reluz é ouro

Visitação de 15 de junho a 20 de agosto

Local: Paiol da Cultura | Bosque da Ciência | INPA

Endereço: Av. Bem Te Vi (antiga Rua Otávio Cabral), s/n, 

Petrópolis – CEP: 69067-001m (anexo à Sede do INPA)

http://bosque.inpa.gov.br/bosque/

Horário de visitação: terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 16h30

Sábados e domingos das 9h às 16h30

Entrada franca no Paiol

Agendamento de visitas: 92 3643-3192/3643-3293    

E-mail: saav@inpa.gov.brbosque@inpa.gov.br

 

Paiol da Cultura do Inpa recebe instalação ‘Nem tudo que reluz é ouro’ da artista Simone Fontana Reis

Pautada na ancestralidade brasileira, intervenção trará Terra Preta e réplicas em bronze de cacos de cerâmica ancestrais em parede de vinte e quatro metros de cumprimento

Da Redação – Ascom Inpa

Foto: Acervo da Artista Simone Reis

SiteFotoAcervodaArtistaSimone Reis

 

Provocarreflexãosobre tecnologias e conhecimentos pré-colombianos brasileiros, visando em especial o resgate de valores de etnias amazônicas, é o objetivo da instalaçãoNemtudoquereluzéouro, da artista plástica paulista Simone Fontana Reis. A exposição poderá ser vista a partir desta quarta-feira (14) até o dia 20 de agosto, no Paiol da Cultura, dentro do Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), em Manaus, AM.

Na instalação, Simone incorporou a Terra Preta de Índio e gestos de sua feitura, no fazer artístico. Ela cobriu as paredes do espaço expositivo, que tem 24 metros, com um composto de Terra Preta e usa réplicas de cacos cerâmicos ancestrais nela encontrados, que transformados em bronze, brilham como o ouro do imaginário europeu.

Segundo Simone, os invasores europeus falharam em reconhecer a importância da Terra Preta e a enorme realização desses nativos. “Sedentos por achar ouro, não enxergaram o verdadeiro Eldorado: um método de cultura e estilo de vida totalmente adaptado aoambiente,à formacomotransformavamapaisagem,enriquecendoosolo,nada desperdiçando,selecionandoedomesticandoespécies,usandoaforçadaságuase seus ciclos, sem fome e sem doenças - bem diferente da realidade da Europa do séculoXVI”, diz a artista.

A escolha do local para a instalação não foi aleatória, já que o Paiol da Cultura, concebido pelo arquiteto Severiano Mario Porto, remete à escavação de um sítio arqueológico, por estar encravado na terra. E, ainda, como nos buracos de confecção de Terra Preta, o Paiol é um espaço arredondado e no meio de um fragmento florestal. Simone sinaliza que “o espaço nos clama a uma imersão reflexiva, a um momento de pausa e interação com o subsolo, como num útero, uma volta às raízes: que antigos preconceitos e comportamentos possam dar lugar ao surgimento de novas formas de enxergar a história”.

A instalação Nem tudo que reluz é ouro fala, sobretudo, da importância das civilizaçõesnativaseoresgatedanossacultura.ATerraPretaeosgrafismos contidos nos cacos nela encontrados nos remetem ao papel da mulher na sociedadeeàpreservaçãodafloresta. Segundo a curadora, Katia Canton, a artista defende que a tecnologia da Terra Preta indígena era passada de mãe para filha como uma herança silenciosa – informação encontrada no livro Terra Preta, da cientista política alemã Ute Scheub. A partir de resíduos, restos de alimentos, plantas, excrementos, carvão, cacos cerâmicos e outros componentes submetidos a uma queima filtrada de baixo teor de oxigênio, talvez sem querer ou talvez conscientemente, estas mulheres faziam com que o carbono e os nutrientes ficassem retidos namistura ao invés de migrarem para a atmosfera, tornando esta terra fertilíssima.

Depositado em potes cerâmicos, esse preparo, ao ser queimado, exala fumaça e tem o poder de regenerar toda a terra ao redor. Eis um poder feminino: a criação de uma terra que nutre e se multiplica, a invenção de uma tecnologia singular, de temporalidade expandida e plena. Porserummétododesequestrodecarbono, esta tecnologia tem grande potencial para reverter o aquecimento global. Dialoga comaantropologia,aagricultura,aecologiaeasustentabilidadeecomproblemas crônicos como a pobreza, a fome e a falta de água. Ainda questiona noções arraigadas sobre o que é ser civilizado ou o que significa ser uma sociedade desenvolvida.

Serviço

 

Instalação: Nemtudoquereluzéouro

Visitação de 15 de junho a 20 de agosto

Local: Paiol da Cultura | Bosque da Ciência | INPA

Endereço: Av. Bem Te Vi (antiga Rua Otávio Cabral), s/n,

Petrópolis – CEP: 69067-001 

(anexo à Sede do INPA)

http://bosque.inpa.gov.br/bosque/

Horário de visitação: terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 16h30

Sábados e domingos das 9h às 16h30

Entrada franca

Agendamento de visitas: 3643-3192/3643-3293    

E-mail: saav@inpa.gov.br; bosque@inpa.gov.br

Como nasceu o projeto para a instalação ‘Nem tudo que reluz é ouro’

Foi durante sua imersão artística no programa Labverde (www.labverde.com), no qual a artista passou 15 dias na Reserva Florestal Adolpho Ducke na Amazônia, pertencente ao Inpa, e onde entrou em contato com os pesquisadores desse instituto de pesquisa, que tudo começou. Naqueles dias, Simone teve contato com o pesquisador e seu orientador durante o processo artístico, Charles Clement, um dos defensores da teoria da domesticação da Amazônia.

“Sinto-me honrado que a Simone se inspirou em minha apresentação sobre como os povos nativos da Amazônia haviam domesticado plantas, um animal (o pato) e, sobretudo, as florestas de um bioma antes da conquista pelos europeus em 1500 dC”, diz o pesquisador Clement. “Sua apresentação oferece uma crítica a nossa sociedade moderna, que não encontra um caminho de desenvolvimento na Amazônia, muito menos um caminho sustentável”, ressalta.

O Labverde é um programa voltado para criadores que desejam compreender e refletir sobre a natureza e a paisagem. Uma vivência intensiva, na área natural mais importante do planeta, para estreitar as relações entre a ciência, a arte e o meio ambiente.

Sobre a Terra Preta

 

O estudo da Terra Preta comprova que a Floresta Amazônica, que por séculos foi idealizada como uma paisagem intocada, inabitada, verde e virgem, é na verdade um imenso jardim cultivado - uma floresta antropogênica que revela valiosos conhecimentos sobre nossos antepassados, seus hábitos, crenças, comportamentos e organização social. Os povos nativos estavam terra-formando a Amazônia, quando Pedro Alvares Cabral apareceu e interrompeu o processo. Foi por meio da confecção da Terra Preta e o cultivo sustentável, fruto de observação, inspirações e experiências dos habitantes nativos, que se tornou possível a vida de diversas civilizações sofisticadas e densas na Amazônia nos milênios antes da conquista.

 

Sobre Simone Fontana Reis

 

Simone Fontana Reis nasceu em São Paulo, 1965. Fez mestrado em Londres, na Central Saint Martins College of Art and Design, graduou-se em 2014. Suas práticas e expressões artísticas navegam entre pinturas, esculturas, instalações e vídeo.

Por ser uma apaixonada por florestas, há 20 anos, a artista pesquisa plantas e orquídeas. O interesse pela floresta levou-a a descoberta da comunidade indígena Kadiueu no Brasil Central, povo que ela visita regularmente, deixando-se influenciar por seus desenhos. Participou de diversas exposições em Londres, São Paulo, Nova Iorque e Suécia, onde viveu por oito anos. No seu trabalho de colaboração com cientistas na London School of Tropical Medicine, teve seu trabalho premiado. Foi nominada para New Sensation - 2014 pela Saatchi Art e Hot-One-Hundred - Schwartz Gallery, Londres. Em 2016, participou da residência Labverde, onde entrou em contato com pesquisadores do Inpa. Participa neste momento do 66º Salão Paranaense no Museu Oscar Niemayer - Curitiba (PR).

Informações para a imprensa:

Index Estratégias de Comunicação

(11) 3068-2000

Jucelini Vilela – juvilela@indexassessoria.com.br 

Leonardo Tolentino – leonardo@indexassessoria.com.br

 

Paiol da Cultura do Inpa recebe instalação ‘Nem tudo que reluz é ouro’ da artista Simone Fontana Reis

Pautada na ancestralidade brasileira, intervenção trará Terra Preta e réplicas em bronze de cacos de cerâmica ancestrais em parede de vinte e quatro metros de cumprimento

Da Redação – Ascom Inpa

Foto: Acervo da Artista Simone Reis

SiteFotoAcervodaArtistaSimone Reis

 

Provocarreflexãosobre tecnologias e conhecimentos pré-colombianos brasileiros, visando em especial o resgate de valores de etnias amazônicas, é o objetivo da instalaçãoNemtudoquereluzéouro, da artista plástica paulista Simone Fontana Reis. A exposição poderá ser vista a partir desta quarta-feira (14) até o dia 20 de agosto, no Paiol da Cultura, dentro do Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), em Manaus, AM.

Na instalação, Simone incorporou a Terra Preta de Índio e gestos de sua feitura, no fazer artístico. Ela cobriu as paredes do espaço expositivo, que tem 24 metros, com um composto de Terra Preta e usa réplicas de cacos cerâmicos ancestrais nela encontrados, que transformados em bronze, brilham como o ouro do imaginário europeu.

Segundo Simone, os invasores europeus falharam em reconhecer a importância da Terra Preta e a enorme realização desses nativos. “Sedentos por achar ouro, não enxergaram o verdadeiro Eldorado: um método de cultura e estilo de vida totalmente adaptado aoambiente,à formacomotransformavamapaisagem,enriquecendoosolo,nada desperdiçando,selecionandoedomesticandoespécies,usandoaforçadaságuase seus ciclos, sem fome e sem doenças - bem diferente da realidade da Europa do séculoXVI”, diz a artista.

A escolha do local para a instalação não foi aleatória, já que o Paiol da Cultura, concebido pelo arquiteto Severiano Mario Porto, remete à escavação de um sítio arqueológico, por estar encravado na terra. E, ainda, como nos buracos de confecção de Terra Preta, o Paiol é um espaço arredondado e no meio de um fragmento florestal. Simone sinaliza que “o espaço nos clama a uma imersão reflexiva, a um momento de pausa e interação com o subsolo, como num útero, uma volta às raízes: que antigos preconceitos e comportamentos possam dar lugar ao surgimento de novas formas de enxergar a história”.

A instalação Nem tudo que reluz é ouro fala, sobretudo, da importância das civilizaçõesnativaseoresgatedanossacultura.ATerraPretaeosgrafismos contidos nos cacos nela encontrados nos remetem ao papel da mulher na sociedadeeàpreservaçãodafloresta. Segundo a curadora, Katia Canton, a artista defende que a tecnologia da Terra Preta indígena era passada de mãe para filha como uma herança silenciosa – informação encontrada no livro Terra Preta, da cientista política alemã Ute Scheub. A partir de resíduos, restos de alimentos, plantas, excrementos, carvão, cacos cerâmicos e outros componentes submetidos a uma queima filtrada de baixo teor de oxigênio, talvez sem querer ou talvez conscientemente, estas mulheres faziam com que o carbono e os nutrientes ficassem retidos namistura ao invés de migrarem para a atmosfera, tornando esta terra fertilíssima.

Depositado em potes cerâmicos, esse preparo, ao ser queimado, exala fumaça e tem o poder de regenerar toda a terra ao redor. Eis um poder feminino: a criação de uma terra que nutre e se multiplica, a invenção de uma tecnologia singular, de temporalidade expandida e plena. Porserummétododesequestrodecarbono, esta tecnologia tem grande potencial para reverter o aquecimento global. Dialoga comaantropologia,aagricultura,aecologiaeasustentabilidadeecomproblemas crônicos como a pobreza, a fome e a falta de água. Ainda questiona noções arraigadas sobre o que é ser civilizado ou o que significa ser uma sociedade desenvolvida.

Serviço

 

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Visitação de 15 de junho a 20 de agosto

Local: Paiol da Cultura | Bosque da Ciência | INPA

Endereço: Av. Bem Te Vi (antiga Rua Otávio Cabral), s/n,

Petrópolis – CEP: 69067-001 

(anexo à Sede do INPA)

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Horário de visitação: terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 16h30

Sábados e domingos das 9h às 16h30

Entrada franca

Agendamento de visitas: 3643-3192/3643-3293    

E-mail: saav@inpa.gov.br; bosque@inpa.gov.br

Como nasceu o projeto para a instalação ‘Nem tudo que reluz é ouro’

Foi durante sua imersão artística no programa Labverde (www.labverde.com), no qual a artista passou 15 dias na Reserva Florestal Adolpho Ducke na Amazônia, pertencente ao Inpa, e onde entrou em contato com os pesquisadores desse instituto de pesquisa, que tudo começou. Naqueles dias, Simone teve contato com o pesquisador e seu orientador durante o processo artístico, Charles Clement, um dos defensores da teoria da domesticação da Amazônia.

“Sinto-me honrado que a Simone se inspirou em minha apresentação sobre como os povos nativos da Amazônia haviam domesticado plantas, um animal (o pato) e, sobretudo, as florestas de um bioma antes da conquista pelos europeus em 1500 dC”, diz o pesquisador Clement. “Sua apresentação oferece uma crítica a nossa sociedade moderna, que não encontra um caminho de desenvolvimento na Amazônia, muito menos um caminho sustentável”, ressalta.

O Labverde é um programa voltado para criadores que desejam compreender e refletir sobre a natureza e a paisagem. Uma vivência intensiva, na área natural mais importante do planeta, para estreitar as relações entre a ciência, a arte e o meio ambiente.

Sobre a Terra Preta

 

O estudo da Terra Preta comprova que a Floresta Amazônica, que por séculos foi idealizada como uma paisagem intocada, inabitada, verde e virgem, é na verdade um imenso jardim cultivado - uma floresta antropogênica que revela valiosos conhecimentos sobre nossos antepassados, seus hábitos, crenças, comportamentos e organização social. Os povos nativos estavam terra-formando a Amazônia, quando Pedro Alvares Cabral apareceu e interrompeu o processo. Foi por meio da confecção da Terra Preta e o cultivo sustentável, fruto de observação, inspirações e experiências dos habitantes nativos, que se tornou possível a vida de diversas civilizações sofisticadas e densas na Amazônia nos milênios antes da conquista.

 

Sobre Simone Fontana Reis

 

Simone Fontana Reis nasceu em São Paulo, 1965. Fez mestrado em Londres, na Central Saint Martins College of Art and Design, graduou-se em 2014. Suas práticas e expressões artísticas navegam entre pinturas, esculturas, instalações e vídeo.

Por ser uma apaixonada por florestas, há 20 anos, a artista pesquisa plantas e orquídeas. O interesse pela floresta levou-a a descoberta da comunidade indígena Kadiueu no Brasil Central, povo que ela visita regularmente, deixando-se influenciar por seus desenhos. Participou de diversas exposições em Londres, São Paulo, Nova Iorque e Suécia, onde viveu por oito anos. No seu trabalho de colaboração com cientistas na London School of Tropical Medicine, teve seu trabalho premiado. Foi nominada para New Sensation - 2014 pela Saatchi Art e Hot-One-Hundred - Schwartz Gallery, Londres. Em 2016, participou da residência Labverde, onde entrou em contato com pesquisadores do Inpa. Participa neste momento do 66º Salão Paranaense no Museu Oscar Niemayer - Curitiba (PR).

Informações para a imprensa:

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Jucelini Vilela – juvilela@indexassessoria.com.br 

Leonardo Tolentino – leonardo@indexassessoria.com.br

 

Pesquisador Carlos Nobre propõe Terceira Via de desenvolvimento sustentável para a Amazônia

“Saímos daqui com a ideia de que vale a pena desenvolver conceitualmente essa Terceira Via, que é uma via de desenvolvimento sustentável que se assenta, total e integralmente, no conhecimento científico e tecnológico”, diz o pesquisador

Por Luciete Pedrosa – Ascom Inpa

Sondar uma futura parceria e ouvir os pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) sobre a viabilidade de aplicação dos conceitos da chamada Terceira Via de desenvolvimentosustentável para a Amazônia. Este foi o objetivo da visita ao Instituto, nesta manhã, do pesquisador aposentado do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Carlos Nobre, um estudioso dedicado à ciência amazônica.  

SiteCarlosNobreepesquisadoresdoInpa

Para ele, a reunião com os pesquisadores e o diretor do Inpa, Luiz Renato de França, foi instrutiva e animadora para se colocar em prática a ideia do projeto da Terceira Via. “Saímos daqui bastante animados e fortalecidos com a ideia de que vale a pena desenvolver conceitualmente essa Terceira Via, que é uma via de desenvolvimento sustentável que se assenta, total e integralmente, no conhecimento científico e tecnológico”, destaca. “É uma Via que não existirá se não houver um forte engajamento das instituições de pesquisa da região amazônica,  em especial, do Inpa”.

Na opinião do diretor do Inpa, a proposta do pesquisador Carlos Nobre ainda está em construção, mas tem elementos interessantes para ser construída. “A vinda dele a Manaus foi positiva porque é uma iniciativa que vem de uma pessoa que tem larga experiência e ampla visão, e o Inpa tem muito a dialogar”, diz França.   

O pesquisador Nobre conta que durante a reunião com os cientistas do Inpa aprendeu sobre uma série de barreiras que existem para um melhor aproveitamento econômico da biodiversidade amazônica. “Aprendemos como o Inpa poderia desenvolver pesquisas de caráter mais aplicado, especialmente, em biotecnologia e que pudesse ter aplicabilidade na Amazônia como um todo para gerar o que chamamos de Terceira Via”, diz.

SiteReuniãocompesquisadores

Ele explica que a Terceira Via é uma via de desenvolvimento sustentável, que difere de uma política puramente de conservação ou de intocabilidade dos ecossistemas amazônicos, versus uma política de intensificação do uso da área Amazônia para a produção de proteína animal, de grãos, de carnes e de pecuária. “O que queremos propor com a Terceira Via é fugir desses paradigmas que estão em conflitos permanentemente e encontrar uma outra maneira de desenvolvimento econômico da Amazônia”, explica.

Carlos Nobre pretende voltar ao Inpa e ter uma nova reunião com as lideranças de pesquisas do Instituto, no segundo semestre desse ano, quando espera poder apresentar um artigo, onde serão colocados os conceitos da Terceira Via de desenvolvimento sustentável para a Amazônia, e submeter essas ideias às criticas dos pesquisadores para aperfeiçoar a proposta que está em fase de construção.

O pesquisador também revela que com esse modelo conceitual que está sendo construído da Terceira Via de desenvolvimento sustentável para a Amazônia espera alavancar o interesse, tanto de instituições de fomento à pesquisa, como também de instituições internacionais como o Banco Mundial para que possam financiar a próxima fase do projeto, em 2018, quando será a fase de desenvolvimento efetivo e prático do marco conceitual.

“A Terceira Via é um projeto pan-amazônico centrado e focado no Brasil, mas que envolverá, numa segunda fase, todas as outras Amazônias”, diz Nobre ao destacar que o Inpa precisa ser um protagonista neste processo da Terceira Via, que se assenta nas ferramentas da chamada Quarta Revolução Industrial, numa convergência das tecnologias revolucionárias digitais, biológicas e de nanomateriais.

“Esta revolução é como as outras revoluções, que se assentaram no conhecimento, gerando uma mudança de paradigma; mas ainda mais do que as anteriores, esta se assenta no conhecimento científico e na aplicação desse conhecimento em desenvolvimento inovador e de tecnologias”, ressalta.       

Na opinião de Nobre, essa via só pode prosperar se houver uma integração das aplicações econômicas e tecnológicas com o desenvolvimento contínuo da base de conhecimento. “E o Inpa é o líder em  conhecimento sobre a biologia da Amazônia”, destaca. “A grande riqueza da Amazônia não é proteína animal de gado, e não é proteína vegetal de soja. É a riqueza biológica contida na biodiversidade, por isso é importante que o Inpa tenha o papel central em colimaros interesses do desenvolvimento dessa Terceira Via liderando a geração de conhecimento”.    

Lançado livro paradidático que aborda temas fundamentais para a Amazônia

“Amazônias em tempos contemporâneos: entre diversidades e adversidades”, é título do livro lançado nesta segunda-feira, 12/6, organizado pelas pesquisadoras Jane Felipe Beltrão e Paula Mendes Lacerda. O lançamento ocorreu no Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em Manaus (AM), durante a cerimônia de recondução de Sérgio Luz, ao cargo de diretor do Instituto.

Segundo a organizadora, Jane Beltrão, a Associação Brasileira de Antropologia (ABA), vem há algum tempo tentando iniciar uma coleção de paradidáticos, pois a produção antropológica no Brasil, ainda fica muito restrita às universidades, especialmente pela necessidade de formação de novos antropólogos na graduação e de complementação em nível de pós-graduação.

“Esse foi o primeiro paradidático da ABA. A ideia era que a gente pudesse congregar pessoas de várias áreas: da saúde, da educação, do direito… para que pudéssemos discutir temas que são fundamentais para a Amazônia, como a consulta dos povos indígenas em função de grandes empreendimentos, o direito das mulheres indígenas em função das grandes obras e das dificuldades que elas enfrentam com a violência, assim como a possibilidade de discussão sobre o que é uma escola indígena na Amazônia, e também sobre a formação de pessoal para trabalhar na área da saúde”, destacou Beltrão.

A ABA reuniu autores que podem apresentar a Amazônia brasileira, a partir de seus trabalhos na Região, expondo as diversidades que integram politicamente o contexto. Os autores são de formação diversificada e têm em comum a luta por um Brasil plural e democrático. São eles: Ana Lúcia Pontes, Antonio Carlos de Souza Lima, Antonio Motta, Assis da Costa Oliveira, Bruno Pacheco de Oliveira, Camille Gouveia Castelo Branco Barata, Clarisse Callegari Jacques, Jane Felipe Beltrão, Katiane Silva, Laise Lopes Diniz, Luiza Garnelo, Mariah Torres Aleixo, Paula Mendes Lacerda, Rita de Cássia Melo Santos, Rodrigo de Magalhães Oliveira, Rosani de Fatima Fernandes, Rhuan Carlos dos Santos Lopes, Sully Sampaio, Thiago Lopes da Costa Oliveira, e William César Lopes Domingues.

“São temas importantíssimos para os povos indígenas, pela agenda do movimento indígena, com a possibilidade de que nós pudéssemos contribuir para isso, e como nós temos programas de políticas afirmativas na Amazônia que formam indígenas como mestres e doutores, vários desses indígenas estão escrevendo no livro também. Ele é uma obra conjunta de intelectuais indígenas e intelectuais não-indígenas”, explicou Beltrão.

A publicação foi viabilizada pelo projeto Patrimônio, Diversidade Sociocultural, Direitos Humanos e Políticas Públicas na Amazônia Contemporânea, realizado em cooperação entre o Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social (PPGAS) do Museu Nacional (MN), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e o Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Jane Beltrão salienta que o livro é uma forma de prestação de contas, sobre o que fazem os antropólogos em universidades, institutos de pesquisa e demais instituições públicas a respeito da necessidade de tornar o Brasil respeitoso com a diversidade, especialmente quando se trata de Amazônias.

O livro é composto por 16 capítulos e é um dos resultados do projeto aprovado na chamada pública MCTI/CNPq/MEC/Capes-Casadinho/PROCAD, coordenado por Jane Felipe Beltrão (PPGA/UFPA) e vice-coordenado por Antonio Carlos de Souza Lima (PPGAS/MN/UFRJ). Iniciado em 2012, o projeto teve como objetivo analisar situações de confronto, conflitos e emergência de grupos étnicos que se transformam, rearticulam ou se consolidam no cenário de mudanças aceleradas que atravessam a Amazônia.

PARTICIPAÇÃO DE PESQUISADORES DO ILMD

O capítulo escrito por Laise Lopes Diniz, antropóloga e especialista em educação escolar, e Luiza Garnelo, médica, antropóloga e pesquisadora do ILMD/Fiocruz Amazônia, Política indígena e política escolar: interfaces e negociações na implantação da Escola Indígena Pamáali – Alto Rio Negro, parte do caso concreto de uma escola indígena para apresentar os caminhos e os desafios em torno do qual uma escola indígena pode se constituir. As autoras descrevem o processo por meio do qual a escola conseguiu promover uma nova forma de organização, afastando-se do modelo ocidental, ao abrir espaço para que os mais velhos definam os parâmetros que devem orientar a formação dos estudantes.

Já o capítulo A experiência de formação de agentes comunitários indígenas de saúde, à luz das políticas públicas de saúde e da promoção da diversidade cultural, de autoria de Luiza Garnelo, do cientista social, fotógrafo e bolsista do ILMD/Fiocruz Amazônia, Sully Sampaio e Ana Lúcia Pontes, pesquisadora da Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca (ENSP/Fiocruz), traz o relato de experiência do curso técnico profissionalizante de Agentes Comunitários Indígenas de Saúde do Alto Rio Negro, no Amazonas, enfatizando as dificuldades vivenciadas durante o curso.

O livro pode ser acessado em formato digital. Clique

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

“Festança no Roçado” do Inpa acontece nesta quarta-feira com show da Marujada de Guerra

Para animar os brincantes, a festança contará com as seguintes atrações: Funk na Roça, Dança Nordestina Cabras de Lampião, Dança Internacional Punna, Ciranda da Visconde, Quadrilha Explosão Junina e da Marujada de Guerra do Boi-Bumbá Caprichoso

 

Da Redação - Ascom Inpa

Foto: Acervo Marujada e Ascom Inpa

 

Guloseimas, brincadeiras, danças, músicas e muita animação. Assim promete a “Festança no Roçado”, festa junina do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTIC), que acontece, nesta quarta-feira (14), véspera do feriado de Corpus Christi, a partir das 18h, na Quadra de Esportes do Instituto, no Campus I.

 

Para animar os brincantes, seis atrações confirmaram presença: Funk na Roça, Dança Nordestina Cabras de Lampião, Dança Internacional Punna, Ciranda da Visconde, Quadrilha Explosão Junina. A atração maior ficará por conta da apresentação show da Marujada de Guerra do Boi-Bumbá Caprichoso, prevista para as 23h.  Haverá também barracas para a venda de comidas e bebidas típicas.

 

 

SiteMarujadadeGuerradoCaprichoso

 

 

 

Segundo a presidente da Comissão de Eventos do Inpa, responsável pela organização da festa, Regina Costa, esta será uma oportunidade de reunir a comunidade do Inpa (servidores, alunos de pós-graduação, bolsistas, colaboradores e terceirizados) numa confraternização de muita alegria e descontração.

 

 

A “Festança no Roçado” é aberta ao público. Para os interessados que queiram prestigiar a tradicional festa junina do Inpa as mesas são vendidas na Biblioteca do Instituto (Campus I) ao preço de R$ 30 ou podem adquirir na hora da festa. Outras informações podem ser obtidas pelo número 3643-3031(falar com Soleni).

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