Inpa e ONG Wildlife Conservation Society (WCS) lançam guia sobre Quelônios da Amazônia

A publicação reúne informações relevantes e atuais de 18 espécies de quelônios da Amazônia, como tartaruga-da-amazônia, tracajá, irapuca e perema, para contribuir com o conhecimento do grupo e para o desenvolvimento de ações de conservação

 

Da Redação – Ascom Inpa

Foto: Camila Ferrara, Elis Perroni e Cimone Barros 

 

Nesta quinta-feira (3), o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTIC) e a Organização Não-Governamental Wildlife Conservation Society (WCS Brasil) lançam o livro "Quelônios Amazônicos: guia de identificação e distribuição”.  Na Amazônia são encontradas 18 espécies de quelônios, um dos grupos de vertebrados mais ameaçados do mundo por serem altamente vulneráveis a impactos humanos, principalmente pelo comércio em grande escala.

O lançamento acontecerá, as 17h, no Centro de Estudo de Quelônios da Amazônia (Cequa), que fica dentro do Bosque da Ciência do Inpa, localizado na rua Bem te Vi, s/nº, Petrópolis, zona Sul de Manaus. São autores da publicação: Camila Ferrara, Camila Fagundes, que fizeram doutorado no Inpa e hoje atuam na ONG; Thais Morcatty, mestranda em Ecologia do Inpa, e o pesquisador Richard Vogt, um dos maiores especialistas em conservação e ecologia de tartarugas de água doce.

De acordo com Camila Fagundes, que é coordenadora de análises espaciais da WCS Brasil, o guia é um importante instrumento que reúne as informações mais relevantes e atuais dos quelônios amazônicos para contribuir, principalmente, com ações de conservação a serem desenvolvidas por diferentes públicos. Entre eles estão pesquisadores e estudantes, gestores de áreas protegidas e tomadores de decisões.

 

Foto Camila Ferrara tartaruga da amazônia Podocnemis expansa

 

O livro compila informações atualizadas sobre taxonomia (identificação), biologia, ecologia, ameaças e distribuição das espécies de quelônios da Amazônia. Um dos diferenciais do livro é que é o primeiro sobre quelônios lançado no Brasil que contém mapas de distribuição e de áreas ambientais adequadas à ocorrência de cada uma das 18 espécies da Amazônia, chave taxonômica para auxiliar na identificação de indivíduos jovens e adultos e imagens em tamanho real dos ovos de cada espécie para contribuir no seu reconhecimento.

“A obra também procura informar sobre incertezas e divergências nas pesquisas sobre as espécies contempladas, como o questionamento da validade taxonômica de algumas espécies, e propõe estudos prioritários a serem desenvolvidos para o conhecimento e conservação do grupo”, contou Camila Fagundes, que é bióloga com doutorado em Biologia de Água Doce e Pesca Interior pelo Inpa.

De acordo com os autores, a obra vem suprir uma carência de uma fonte atualizada que reúna o conhecimento científico disponível sobre os quelônios, o que limita a capacidade de diferentes atores e instituições desenvolver ações conjuntas de conservação.

Cerca de 50% das espécies de quelônios do mundo estão listadas em alguma categoria de ameaça de extinção ou já foram extintas. Na Amazônia, as espécies de quelônios também são altamente vulneráveis, já que a cultura de consumo de ovos e carne dessas espécies, como da tartaruga e do tracajá, ainda é bastante presente. Além do consumo, os quelônios são ameaçados pela perda de habitat ocasionada pelo desmatamento, construção de hidrelétricas e mineração. 

 

Foto Elis Perroni ovos tracajá Podocnemis unifilis

 

“Para se ter ideia, a tartaruga da Amazônia viaja centenas de quilômetros pelos rios amazônicos e retorna para desovar em seus locais de origem, sendo muito vulneráveis a alterações no leito dos rios”, destacou o pesquisador do Inpa, Richard Vogt.

 

Estratégias de Conservação

Segundo Camila Fagundes, as estratégias de conservação adotadas na Amazônia abrangem principalmente a proteção dos sítios de reprodução das espécies que desovam em praias e o monitoramento de fêmeas reprodutivas, e envolvem com frequência os moradores locais nessas atividades.

“Entretanto, para garantir maior eficácia da conservação dos quelônios na Amazônia é imprescindível conhecer a dinâmica populacional das espécies – onde se estuda sobrevivência, crescimento e fecundidade, por exemplo - especialmente para as espécies da família Podocnemididae e Testudinidae, devido ao alto grau de exploração que sofrem para consumo”, assegurou Camila Fagundes.

Informações hoje ainda incipientes sobre a biologia das espécies e a estruturação genética das populações, segundo Camila Fagundes, também são fundamentais nesse trabalho, por ajudar na compreensão das consequências de atividades humanas, como perda de habitats, construção de barragens e mudanças climáticas sobre o grupo dos quelônios. “Esse conhecimento pode subsidiar e nortear o desenvolvimento de medidas de conservação e mitigação de impactos nas populações de quelônios ameaçados”, disse.

Saiba mais sobre o Guia

 

QueloniosamazonicosFotoCimoneBarrosINPA

 

Publicada pela Wildlife Conservation Society (WCS Brasil), por meio do financiamento da Fundação Betty & Gordon Moore, a obra de 180 folhas teve a tiragem inicial de 1000 exemplares. Os interessados em adquirir o livro poderão fazê-lo no lançamento e após a data na sede da WCS Brasil, que fica na Universidade Federal do Amazonas (Mini campus da Ufam, Bloco H) ou na Editora Inpa (Campus I).

Eleições para o CD/ ILMD: conheça as chapas

Neste ano, servidores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) elegem seus representantes no Conselho Deliberativo (CD) do Instituto.

A Comissão Eleitoral promoveu nesta terça-feira (1/8) encontros para a apresentação das chapas inscritas para o processo de escolha dos membros do conselho para o biênio 2017-2019.

A eleição será realizada na próxima sexta-feira (4/8), no período de 8h às 17h, a ocorrer na sala de reunião da Biblioteca. O servidor que não puder comparecer à urna no dia da eleição, poderá votar por e-mail:  comissaoeleitoral.ilmd@fiocruz.br .

A Comissão desta eleição foi instituída e homologada pelo Conselho Deliberativo do ILMD/ Fiocruz Amazônia, por meio da Portaria 018/2017, de 19/6/2017, para organizar e coordenar os trabalhos relativos às eleições.

A apuração dos votos será feita pela Comissão Eleitoral, imediatamente após o término da votação, nas dependências do ILMD.

Confira as chapas inscritas e cartas-compromisso

ENSINO

TITULAR: Aldemir Maquiné

SUPLENTE: Anízia Aguiar

 

GESTÃO

TITULAR: Helena Guedes Coutinho

SUPLENTE: Carlos Fabrício da Silva

 

PESQUISA

TITULAR: Priscila Aquino

SUPLENTE: Pritesh Lalwani

 

PESQUISA

TITULAR: Rodrigo Tobias Lima

SUPLENTE: Fernando Herkrath

 

PESQUISA

TITULAR: Stefanie Lopes

SUPLENTE: Amandia Souza

 

PESQUISA

TITULAR: Ani Beatriz Matsuura

SUPLENTE: Maria Jacirema Gonçalves

 

Virada Sustentável Manaus 2017 no Bosque da Ciência do Inpa atrai mais de 5 mil visitantes

Para quem veio ao Bosque da Ciência no sábado e domingo apreciou boa música, teatro, troca de livros e também pode deixar sua marca registrada, literalmente, no muro do bosque

 

Por: Karem Canto (texto e foto) – Ascom Inpa

A Virada Sustentável no Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), no último fim de semana, foi sucesso de público. Ao todo, o Bosque contou com 28 atividades espalhadas pelos 13 hectares de extensão (o equivalente a 13 campos de futebol) do espaço de visitação do Instituto. Estima-se que mais de 5 mil pessoas de todas as idades marcaram presença nos dois dias, no Bosque.  

Para quem veio ao Bosque participar das atividades de Virada, além de ter tido a oportunidade de apreciar boa música, teatro e troca de livros, também pode deixar sua marca registrada, literalmente, no muro do bosque do Instituto.

A novidade dessa edição e que fez sucesso entre crianças e adultos, permitiu ao público participante registrar o seu nome ao lado do grafite colaborativo. A atividade contou com a participação de sete artistas da região e serviu para revitalizar e "dar vida" ao muro do Bosque. É possível ver o grafite num mural de 35 metros pela entrada do Bosque, na Rua Bem Te Vi, s/nº (antiga Otávio Cabral), bairro Petrópolis.

O tema escolhido foi os Animais e o conhecimento científico. Os artistas e os participantes da atividade pintaram o peixe-boi da Amazônia, macaco da noite, gavião-real, preguiça-real, abelhas nativas, sapo garimpeiro, peixe-folha, peixes ornamentais e arara vermelha. Os artistas Raiz, Carolina Bertsch, Hulk, Emerson, Sprok, Hugo HMC e Denis L.D.O grafitaram a asa da arara vermelha com a intenção de elaborar um painel de fotos para os visitantes do Bosque.

Para uma das participantes da Virada Sustentável, a estudante Ana Clara, 11 anos, que veio com a família nos dois dias das atividades no Bosque conheceu e aprendeu coisas novas. "Eu sempre venho ao Bosque em passeios da escola ou com os meus pais, e sempre aprendo, de um jeito fácil e divertido, sobre os animais da floresta”, disse. “Aprendo também o quanto a gente deve ter cuidado com os bichinhos e com o meio ambiente”, acrescentou.  

Literatura de Cordel contada em versos, palestras sobre quelônios, exposição de fotografia, dança de rua e exposições sobre o meio ambiente também fizeram parte da programação.

O Bosque da Ciência do Inpa fica na rua Bem Te Vi, s/nº (antiga Otávio Cabral), bairro Petrópolis, zona Sul de Manaus (AM). O espaço está aberto para visitação de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 16h30. Sábados, domingos e feriados fica aberto das 9h às 16h. Segunda-feira é fechado para manutenção.

Rita Mesquita reforça no Conic necessidade de aliança do pesquisador com a sociedade

No decorrer da semana serão apresentados 176 resultados de pesquisas de iniciação científica, de várias áreas do conhecimento

 

Por Cimone Barros (texto e foto) – Ascom Inpa

 

Estabelecer pontes e alianças com a sociedade é uma tarefa que o cientista precisa desenvolver, e o jovem cientista deve compreender isso desde cedo. Esta é o recado da pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), Rita Mesquita, em palestra nesta segunda-feira (31) sobre “Turismo Científico como oportunidade para a Amazônia” na abertura do VI Congresso de Iniciação Científica (CONIC) da Instituição.

 

O Congresso segue até a próxima sexta-feira (04), com a apresentação de 176 trabalhos de pesquisas desenvolvidas longo de um ano por estudantes de graduação de várias universidades do Amazonas e seus orientadores. O Inpa desenvolve o programa de iniciação científica há 26 anos. O programa conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

 

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“Esse caminhar na iniciação científica faz uma diferença enorme na vida desses estudantes. Eles passaram pelos desafios da ciência, aprenderam questões financeiras e a serem criativos. Isso faz diferença, mesmo que não trabalhem com a ciência no futuro”, disse o diretor do Inpa Luiz Renato de França.

 

Rita Mesquita é coordenadora de Extensão do Inpa e vice-coordenadora do Museu na Floresta, projeto que visa a conservação da biodiversidade na Amazônia com base em um novo conceito de museu, voltado a vivências práticas de como é possível viver em harmonia com a floresta. Segundo a pesquisadora, existem várias maneiras como essa aliança pode acontecer e o turismo científico é uma delas, porque ele abre novas oportunidades para o desenvolvimento da pesquisa científica e de novas carreiras na ciência, estimulando jovens que talvez nunca ouviram falar de ciência antes.

 

“O turismo científico permite ainda que as instituições encontrem meios de manter estações, reservas e algumas atividades de pesquisas de interesse. Então, o turismo científico também acaba sendo uma oportunidade de pequena escala, não é uma atividade de massa, mas existe claramente esse nicho que nós que estamos ligados à ciência devemos ocupar”, destacou Rita Mesquita.

 

Esse turista, segundo a pesquisadora, é bem informado, formado, de bom poder aquisitivo e interessado em ampliar conhecimento. Ele também não está interessado em estruturas luxuosas, mas na qualidade da informação. “Esse turista acompanha o noticiário, sabe o que acontece no mundo, ouve falar sobre as grandes questões da sociedade moderna, e o turismo científico ajuda a colocar em melhor contexto algumas dessas questões, como mudança climática, sustentabilidade, poluição, consumo consciente”, explicou.

 

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Para a pesquisadora, as instituições ainda “não acordaram” para o interesse que a sociedade tem em relação à ciência, e por isso há uma tendência em se oferecer mais a parte de lazer e o turismo de aventura do que atividades que venham acompanhadas de conhecimento científico de boa qualidade. “Existe uma tendência disso melhorar na medida em que iniciativas, como as que temos aqui no Bosque da Ciência, no Museu na Floresta, na Torre de Observação e Pesquisa da ZF-2, começam a atrair o interesse e a disseminar esse tipo de proposta”.

 

Participaram da cerimônia de abertura além do diretor do Inpa, a coordenadora de Capacitação do Inpa, Beatriz Ronchi; a pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Selma Baçal; a vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Clima e Ambiente (Cliamb) representando a Universidade do Estado Amazonas, Rita Valéria Andreoli de Souza; e a diretora técnica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Aline Cristina Lauria.

 

“Nossa meta na Ufam é até o fim dessa gestão ter 2 mil bolsistas na Iniciação Científica, equivalente a 3% dos nossos alunos. Hoje temos pouco mais de 1 mil”, contou Baçal.

 

 

Apresentação

 

As apresentações do Conic acontecerão nos Auditório da Ciência e no Auditório da Biblioteca por áreas e subáreas do conhecimento do Inpa: Ciências Exatas, da Terra e Engenharias (Exatas e Engenharias, Clima e Ambiente, Química de Produtos Naturais); Ciências Biológicas (Botânica, Saúde, Ecologia, Genética, Zoologia I e II); Ciências Agrárias (Agronomia e Recursos Florestais); Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (Educação Ambiental, Ciências Humanas e Sociais); Multidisciplinar.

 

O encerramento na sexta-feira acontecerá, a partir das 15h, no Auditório da Ciência com a palestra da professora da Universidade do Estado do Amazonas, Suzy Simonetti, sobre Turismo e sustentabilidade: a Amazônia como destino. Às 16h30, acontecerá a premiação dos bolsistas que serão homenageados com a Menção Honrosa 2015/2016.  

 

Veja aqui programação do VI CONIC e a lista de trabalhos de que serão apresentados. 

Concluído o maior mapeamento da diversidade genética do vírus da hepatite B

O mais completo levantamento da diversidade genética dos vírus da hepatite B já realizado no Brasil mostra que a pluralidade de origens da população brasileira se reflete também nos microrganismos que circulam no país. Liderado por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o estudo é resultado da parceria entre onze laboratórios e instituições de pesquisa de todas as regiões, com apoio do Ministério da Saúde. Mais de mil amostras foram analisadas, referentes a casos crônicos de hepatite B registrados em mais de cem cidades de 24 estados e no Distrito Federal. Os resultados apontam que os casos brasileiros estão relacionados a sete dos dez genótipos do vírus da hepatite B identificados no mundo. A distribuição das variantes virais muda significativamente de uma região para outra e, até mesmo, de um estado para o outro. Os resultados foram publicados na revista científica Journal of General Virology.

Coordenadora do estudo, a chefe do Laboratório de Hepatites Virais do IOC, Elisabeth Lampe, explica que os vírus da hepatite B evoluíram junto com as populações humanas. Dessa forma, a distribuição geográfica das diferentes variantes genéticas – nomeadas por letras de A até J – está relacionada às origens das populações, sendo impactada pelas migrações e pelos deslocamentos populacionais. “O Brasil apresenta um cenário muito diferente dos outros países da América do Sul, onde o genótipo F do vírus da hepatite B – mais associado às populações americanas nativas – é predominante. No território brasileiro, vemos grande presença de genótipos associados com populações europeias e africanas, e chama atenção a ampla variação regional”, ressalta a pesquisadora.

Na literatura científica, apenas um trabalho, realizado no Canadá, apontou a presença de oito genótipos do vírus da hepatite B circulando em um mesmo país – um a mais do que o que acaba de ser verificado no Brasil. “Em comum, temos dois países continentais, com populações formadas por imigrantes de diferentes nacionalidades”, comenta Francisco Mello, pesquisador do Laboratório de Hepatites Virais do IOC e coautor do estudo. “No Brasil, conseguimos observar a presença de sete genótipos virais em um único estado: São Paulo, que além de ser o estado mais populoso da federação é formado por diversas comunidades de imigrantes e atrai um grande fluxo de visitantes internacionais”, completa.

O Laboratório de Hepatites Virais do IOC atua como referência nacional em Hepatites Virais junto ao Ministério da Saúde, e o esforço para traçar o mapa da diversidade genética do vírus da hepatite B no país foi realizado em resposta a uma demanda do Departamento de Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs), Aids e Hepatites Virais. Estudos anteriores traziam dados limitados a algumas regiões do país e o trabalho mais abrangente produzido até então continha amostras de apenas nove estados – agora apenas Piauí e Rio Grande do Norte não foram incluídos na pesquisa. Para realizar o levantamento, os cientistas estabeleceram uma rede chamada de Grupo Brasileiro de Pesquisa em Hepatite B, com a participação de nove laboratórios públicos, com representação das cinco regiões do Brasil. Com financiamento do Ministério da Saúde, as unidades foram equipadas e receberam treinamento para realizar os testes de genotipagem que permitiram construir o mapa nacional de circulação do vírus. Em sete estados, esta é a primeira vez que os genótipos do vírus da hepatite B passam a ser conhecidos: no Amapá, Roraima, Ceará, Paraíba, Sergipe e Espírito Santo este tipo de investigação nunca havia sido realizado.

“Com essa grande colaboração, conseguimos obter e analisar mais de mil amostras, não apenas das capitais, mas também de dezenas de cidades do interior. Em grande medida, a origem das amostras reflete a distribuição da população brasileira no território nacional. Por isso, obtivemos um mapeamento abrangente e representativo da distribuição geográfica dos vírus da hepatite B”, destaca Elisabeth.

GENÓTIPOS PREDOMINANTES

Identificado em quase 59% dos casos analisados, o genótipo A do vírus da hepatite B foi o mais frequente no Brasil. Com perfil de distribuição considerado global, essa variante viral é encontrada com mais frequência no Norte da Europa, América do Norte e África Subsaariana, e foi predominante na maioria dos estados do Sudeste, Nordeste, Norte e Centro-Oeste. Em segundo lugar, o genótipo D foi detectado em 23% dos casos no país. No entanto, essa variante viral – que também apresenta distribuição global, mas é associada principalmente com populações da Europa, Mediterrâneo e Oriente Médio – foi majoritária na região Sul, respondendo por cerca de 80% dos registros. Ligado às populações indígenas americanas, o genótipo F foi o terceiro mais frequente no levantamento nacional, com 11% dos casos. Porém, observando apenas o Nordeste, ficou em segundo lugar (cerca de 23% dos registros na região).

Com distribuição geográfica internacional conhecidamente mais restrita, os vírus B, C, E e G foram encontrados em baixo número de ocorrências. Associado à África Ocidental, o genótipo E respondeu por 1,8% das infecções, enquanto o genótipo G – identificado em alguns países das Américas e Europa – foi identificado em 1,3%. Ambos ligados a populações asiáticas, os genótipos B e C alcançaram apenas 1% dos casos analisados. “É interessante notar que, em São Paulo, esses genótipos raros no país responderam por 12% das amostras, refletindo o caráter cosmopolita do estado”, pontua Francisco. Um dos estados que tiveram o perfil genético dos vírus mapeados pela primeira vez, o Ceará apresentou um resultado surpreendente: foi o único do país a apresentar predominância do genótipo F, identificado em aproximadamente 53% das infecções. “Historicamente, moradores do Ceará se deslocam para áreas isoladas da região amazônica em busca de trabalho, o que pode explicar um contato mais frequente com populações indígenas e a maior presença dessa variante viral no estado”, acrescenta o pesquisador.

CONTRIBUIÇÃO PARA A VIGILÂNCIA

Segundo os cientistas, o mapeamento dos perfis genéticos dos vírus da hepatite B no Brasil deve contribuir para o controle da doença no país. “Esses dados são importantes para a chamada vigilância molecular, que é baseada na análise do genoma viral. Por exemplo, a detecção da introdução ou da maior disseminação de determinada variante viral em uma região pode indicar a necessidade de reforço nas medidas de prevenção da doença, especialmente a vacinação”, explica Elisabeth. Ela afirma também que a relação da variabilidade genética dos vírus com a progressão da doença tem sido investigada em diversos estudos. “Algumas pesquisas apontam que o genótipo viral pode influenciar no desenvolvimento de formas crônicas da hepatite B e na resposta ao tratamento. Até o momento, os dados não são suficientes para justificar alterações nas condutas terapêuticas, mas o conhecimento sobre a diversidade genética dos vírus no Brasil pode ter ainda mais aplicações no futuro”, completa.

O vírus da hepatite B é transmitido principalmente em relações sexuais. Além disso, o contágio pode ocorrer por via sanguínea, incluindo compartilhamento de seringas, agulhas, lâminas de barbear, alicates de unha e outros objetos que furam ou cortam. A infecção também pode ser passada da mãe para o filho, durante a gestação, o parto ou a amamentação. O vírus afeta principalmente o fígado e a maioria dos pacientes apresenta quadros agudos, que podem ser assintomáticos ou ter sintomas como enjôo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados. No entanto, 5% a 10% das pessoas infectadas evoluem para formas crônicas da doença, com duração maior do que seis meses e possibilidade de complicações como cirrose e câncer no fígado.

DIA MUNDIAL DE LUTA

A data de 28 de julho é declarada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais, com o objetivo de aumentar a conscientização entre a população e o engajamento dos países no enfrentamento destas doenças. Segundo o Ministério da Saúde, no ano passado, foram diagnosticados 42,8 mil novos casos de hepatites virais no Brasil, sendo aproximadamente 14 mil casos de hepatite B. Elisabeth destaca que o diagnóstico tardio é um dos desafios no enfrentamento do agravo. “Na maioria dos casos, a hepatite B é uma doença silenciosa, que não apresenta sintomas antes do desenvolvimento das complicações crônicas. Por isso, é fundamental realizar o teste, que é oferecido gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS)”, enfatiza Elisabeth.

Os cientistas ressaltam que a infectividade do vírus da hepatite B é maior que a do HIV, mas é possível evitar a doença com a vacinação e outras medidas de proteção. “Atualmente, a vacina contra hepatite B faz parte do calendário de imunização infantil e está disponível para toda a população até 49 anos nos postos de saúde. Portanto, é fundamental que todos procurem se vacinar”, afirma Francisco. Usar camisinha em todas as relações sexuais e não compartilhar objetos de uso pessoal, como lâminas de barbear e depilar, escovas de dente, material de manicure e pedicure, seringas e agulhas são outras ações importantes para prevenir o contágio. Os exames para detectar a infecção também devem ser realizados no pré-natal e, em caso positivo, há recomendações médicas especiais para o parto e a amamentação com objetivo de evitar a transmissão para o bebê.

Artigo: Lampe et al. Nationwide overview of the distribution of hepatitis B virus genotypes in Brazil: a 1000-sample multicentre study. Journal of General Virology 2017; 98: 1389-1398

 

 IOC/Fiocruz, por: Maíra Menezes

*Edição: Raquel Aguiar

Plataforma Zika apresenta seus primeiros resultados

A Plataforma Zika – Plataforma de vigilância de longo prazo para a Zika e suas consequências, no âmbito do SUS, projeto do Centro de Integração de Dados em Conhecimento para a Saúde (Cidacs/ Fiocruz), apresenta seus primeiros resultados com a realização das Feiras de Soluções para a Saúde – Zika, série de cinco – uma em cada região do País, a primeira será realizada em Salvador, entre os dias 8 e 10 de agosto de 2017.

O objetivo geral da plataforma é a integração de conhecimentos da coorte epidemiológica com diferentes bases de dados da saúde e de políticas de desenvolvimento social (CadÚnico/PBC), para acompanhamento de longo prazo das condições de vida de crianças nascidas entre 2001 e 2015, acometidas pelo vírus.

“A Plataforma foi proposta como uma contribuição da Fiocruz em resposta à emergência decorrente da epidemia de zika e da identificação das anomalias congênitas decorrentes da infecção na gestação, durante o primeiro semestre de 2016”, conta Wanderson Oliveira, membro da plataforma que conta com outros cerca de 50 pesquisadores, apoiadores e instituições participantes no Brasil e no exterior.

O estudo atuará em cinco eixos: Epidemiologia, Pesquisas, Redes, Segurança e Ciência aberta.  Cada eixo possui um responsável pela coordenação e gestão de projetos e subprojetos. Apesar de serem integrados, os mesmos possuem independência e agenda própria de atividades. A Feira de Soluções é um dos produtos esperados no desenvolvimento do Eixo 3.

O evento, promovido pela Fiocruz Brasília em parceria com o Centro, receberá centenas de expositores que apresentarão um importante conjunto de soluções para as arboviroses que acometem o Brasil.

Nos dois primeiros dias da Feira, a programação contempla também o Seminário Internacional da resposta brasileira ao zika vírus, organizado pelo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e parceiros.

Outro destaque será o Hackathon, maratona tecnológica em que os participantes serão desafiados a propor o desenvolvimento de softwares ou aplicativos que facilitem a prevenção e o combate às arboviroses como zika, dengue e chikungunya.

Ondas de infecções

Uma pesquisa sobre as duplas epidemias da infecção do vírus foi realizada por Wanderson Oliveira, resultado de sua tese de doutorado em epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em conjunto com estudiosos vinculados ao Ministério da Saúde e da UFGRS, o pesquisador utilizou dados obtidos através dos sistemas de informação de saúde, coordenados pelo Ministério da Saúde, de janeiro de 2015 até novembro de 2016, e analisou o agrupamento espacial da infecção durante a gravidez e da microcefalia no país, para obter a estimativa da densidade.

Os achados deste estudo foram publicados no periódico científico The Lancet, em 22 de junho, no artigo Infection-related microcephaly after the 2015 and 2016 Zika virus outbreaks in Brazil: a surveillance-based analysis. A pesquisa identificou duas ondas distintas de possíveis infecções pelo vírus zika que se estenderam em todas as regiões brasileiras no período analisado. Dados apontam que a distribuição da microcefalia relacionada à infecção após os surtos do vírus variou ao longo do tempo e nas regiões brasileiras. As razões para essas aparentes diferenças ainda não estão totalmente esclarecidas.

A maioria dos casos (70,4%) de microcefalia ocorreu na região nordeste após a primeira onda de infecções, com o pico de ocorrência mensal estimado em 49,9 casos por 10 000 nascimentos vivos. Após uma grande e bem documentada segunda onda de infecção pelo vírus em todas as regiões do Brasil, de setembro de 2015 a setembro de 2016, a ocorrência de microcefalia foi muito menor do que a primeira, atingindo níveis de epidemia em todas as regiões brasileiras, exceto no Sul, com picos mensais estimados variando de 3,2 a 15 casos por 10 000 nascimentos vivos.

Fonte: IGM/Fiocruz Bahia

Congresso de Iniciação Científica do Inpa apresenta resultados de 176 pesquisas

Em 26 anos, a iniciação cientifica do Inpa proporciona aprendizagem e aperfeiçoamento a jovens cientistas, gerando benefícios ao desenvolvimento científico da região amazônica

 

Da Redação – Ascom Inpa

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Nesta segunda-feira (31) tem início o VI Congresso de Iniciação Científica do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTIC) com a apresentação de 176 pesquisas de estudantes universitários. A palestra de abertura “Turismo Científico como oportunidade para a Amazônia” acontecerá às 10h, no Auditório da Ciência, no Bosque da Ciência, e será proferida pela coordenadora de Extensão do Inpa, a pesquisadora Rita Mesquita. O evento segue ate sexta-feira (04).

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica do Inpa é voltado para o desenvolvimento das ciências a estudantes de graduação. Em 26 anos, a iniciação cientifica proporciona aprendizagem e aperfeiçoamento a jovens cientistas, gerando benefícios ao desenvolvimento científico da região amazônica.

“A Iniciação Científica é um programa muito importante, porque como o nome diz inicia na ciência jovens talentos interessados em dar continuidade. Temos uma grande quantidade de bolsistas que entram logo após a graduação nos nossos mestrados e doutorados”, contou a coordenadora de Capacitação do Inpa, a pesquisadora Beatriz Ronchi.

Depois da palestra, a pesquisadora Rita Mesquita guiará os estudantes durante mais uma hora (10h30 às 11h30), em uma visita no Bosque da Ciência, espaço de visitação pública do Inpa. Por ano, o bosque recebe cerca de 120 mil visitantes e neste fim de semana será um ponto da Virada Sustentável Manaus, com cerca de 30 atividades educativas e culturais.

Os interessados em ter a experiência podem se inscrever para a Visita Guiada no Bosque da Ciência, que acontecerá das 14h30 às 17h, pelo email inscricaoviconic@gmail.com. Estão disponíveis 40 vagas. Veja a programação completa.

A partir de terça-feira, os bolsistas de iniciação científica apresentarão o resultado final dos resultados das pesquisas desenvolvidas juntamente com os coordenadores no decorrer de um ano. Elas acontecerão por subárea de conhecimento, nos auditórios do Bosque da Ciência e da Biblioteca.

Essas áreas e subáreas do conhecimento da instituição são: Ciências Exatas, da Terra e Engenharias (Exatas e Engenharias, Clima e Ambiente, Química de Produtos Naturais); Ciências Biológicas (Botânica, Saúde, Ecologia, Genética, Zoologia I e II); Ciências Agrárias (Agronomia e Recursos Florestais); Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (Educação Ambiental, Ciências Humanas e Sociais); Multidisciplinar.

O encerramento ocorrerá na sexta-feira (04), a partir das 15h, no Auditório da Ciência com a Palestra da professora da Universidade do Estado do Amazonas, Suzy Simonetti, sobre Turismo e sustentabilidade: a Amazônia como destino. Às 16h30, acontecerá a Premiação dos bolsistas que serão homenageados com a Menção Honrosa 2015/2016.   

O Conic é realizado em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), financiadores das bolsas de Pibic e Paic, respectivamente.

Fiocruz Amazônia promove oficina de sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente

A Comissão Institucional de Biossegurança do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) promove de 2 a 4 de agosto, no laboratório de informática da Unidade, a “Oficina de Sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente” (QBA-online). A atividade será ministrada pela Drª Mônica Jandira dos Santos, coordenadora do curso QBA-online, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz).

O evento segue orientações da política de biossegurança da Instituição e da Comissão Técnica de Biossegurança da Fiocruz (CTBio-Fiocruz).

Segundo Sônia Oliveira, coordenadora da Comissão Institucional de Biossegurança (CIBio), do ILMD/Fiocruz Amazônia, “essas ações visam melhor atender às recomendações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e otimizar um conjunto de ações para prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e o meio ambiente”, explicou.

No dia 2/8, às 14h, serão capacitados os novos alunos do Programa de Iniciação Científica 2017-2018 (PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia) e do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-INTERAÇÃO).

Nos dias 3 e 4/8, as atividades continuam pela manhã e pela tarde  para os alunos dos seguintes programas: Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (Pibic), Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA/2016), Programa de Doutorado em Ciências – Cooperação (IOC/ILMD), servidores e funcionários da Unidade. Serão capacitados inicialmente 80 usuários.

QBA/ON-LINE

O QBA/On-line é uma ferramenta de ensino que oferece orientações básicas sobre a condução de atividades de trabalho no que se refere à qualidade, biossegurança e gestão da qualidade. A sensibilização dos novos alunos será de fluxo contínuo e deverão ser realizadas através do envio de e-mails.

A COMISSÃO

A biossegurança é uma orientação prioritária no ILMD/Fiocruz Amazônia, uma vez que há o desenvolvimento de atividades de pesquisa, desenvolvimento tecnológico e inovação, realizadas no Laboratório Multiusuários e nas cinco Plataformas Tecnológicas.

Para orientar e incentivar as boas práticas e ações de biossegurança foi instituída por meio da Portaria N. 003/2016-GAB/ILMD, a Comissão Interna de Biossegurança do Instituto (CIBio/ILMD Fiocruz Amazônia), que é subordinada à Vice-Diretoria de Pesquisa e Inovação (VDPI-ILMD/Fiocruz Amazônia).

A CIBio promove cursos e treinamentos que capacitem os profissionais  da Unidade e disseminem os princípios da biossegurança no ILMD/Fiocruz Amazônia  e nas instituições parceiras.

SOBRE A PALESTRANTE

Mônica Jandira dos Santos é graduada em Pedagogia pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO-1999), Especialista em Desenvolvimento de Recursos Humanos para a Saúde, mestre e doutora em Ensino em Biociências e Saúde pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Atualmente, coordena o ‘QBA/On-line – Sensibilização em Gestão da Qualidade, Biossegurança e Ambiente”, do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Atua na área de Administração, com ênfase em Administração de Pessoal, trabalhando especialmente com os seguintes temas: Capacitação Profissional, Gestão e Ensino de Biossegurança.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fotos: Eduardo Gomes

Inpa participa da Virada Sustentável Manaus com cerca de 30 atividades no Bosque da Ciência

Uma novidade desta edição é o grafite colaborativo no muro do Bosque, onde grafiteiros e demais participantes poderão deixar “suas marcas”

Por: Karem Canto – Ascom Inpa

Foto: Acervo Inpa

Teatro, música, troca de livros e a elaboração de um grafite colaborativo no muro do Bosque da Ciência. Estas são algumas atividades que acontecerão, neste sábado e domingo (29 e 30), no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), na 3ª edição da Virada Sustentável Manaus. Ao todo, o Inpa realizará cerca de 30 atividades ao longo dos dois dias. Durante o evento, o Bosque estará de portas abertas para receber o público.

Palestras sobre quelônios, Causos do Sertão (literatura de Cordel contada em verso), exposição de fotografia, dança de rua, oficinas e exposições sobre o meio ambiente também fazem parte da programação.

O objetivo é chamar a atenção da população para a importância da sustentabilidade e da preservação do meio ambiente.

 

ViradaSustentavel Foto Luciete Pedrosa Cópia

 

Neste fim de semana, o Inpa segue com uma programação variada para todos os públicos e idades. Dentro da programação estão, por exemplo, a Reciclagem do Bem. Materiais como escova de dente e outros serão coletados e enviados para uma empresa de reciclagem. A atividade, além de estar ajudando o meio ambiente, se converterá em recursos para uma instituição de caridade.

Outra novidade dessa edição é a realização do grafite colaborativo. Sete grafiteiros e demais participantes da Virada poderão deixar “suas marcas”, no muro do Bosque da Ciência, espaço de visitação pública do Inpa que recebe anualmente cerca de 120 mil visitantes vindos de várias partes do Brasil e do mundo. 

Os grafiteiros e artistas Raiz, Carolina Bertsch, Hulk, Emerson, Sprok, Hugo HMC e Denis L.D.O, realizarão essa “aula prática” ao ar livre, que tem  com o tema “Animais e conhecimento científico”, para ajudar na revitalização do muro do Bosque. Antes da parte prática, será oferecido um Workshop sobre grafite para os interessados em aprender um pouco sobre a técnica e assim participar da pintura com os artistas.

Para a Coordenadora geral da Virada Sustentável no Bosque, Fernanda Reis, iniciativas como essas ajudam a aproximar e unir os cidadãos que procuram por atividades pró-ambientais que envolvam a melhoria da qualidade de vida de si e da sociedade como um todo. “É um evento em que as pessoas podem se envolver de diversas formas, como desenvolvedor de alguma atividade, como voluntário ou como público participante de uma programação super diversificada que tem como fio condutor a questão ambiental”, diz Reis.

Realizada pela Fundação Amazonas Sustentável (FAS), com a participação de diversas organizações parceiras, a abertura da Virada acontece hoje (27), a partir das 20 horas, no Teatro Amazonas.

Outras atividades do Inpa

Entre as atividades ambientais e culturais, que o Inpa desenvolverá no sábado e no domingo, em período integral, estão o Busque as casas no Bosque e a Armadilha Fotográfica. Na primeira atividade, o objetivo é encontrar e fotografar o maior número de “casas” de diferentes espécies animais. As três melhores fotos ganharão um brinde no final.

Já na segunda, serão dadas explicações e demonstrações de alguns métodos de pesquisa como a armadilha fotográfica e pegadas das espécies. Ao término da gincana, os participantes poderão ser filmados e fotografados por câmeras instaladas na floresta, e ter suas imagens disponibilizadas na internet com acesso privado (link).

No domingo, último dia da Virada Sustentável no Inpa, pela manhã, acontecerá a atividade teatral Conheça os Animais Amazônicos. Durante o evento, os participantes montarão máscaras pré-confeccionadas de animais da fauna amazônica. Em seguida, serão agrupados para encenação de um teatro em que a esquete indicará características dos animais. A idéia é aprender se divertindo.

“A Virada é sem duvida um importante evento na agenda ambiental da Cidade de Manaus, e é uma honra a participação do Bosque/Inpa no mesmo”, garante Reis.

O Bosque da Ciência do Inpa fica na rua Bem Te Vi, s/nº (antiga Otávio Cabral), bairro Petrópolis, zona Sul de Manaus (AM). O espaço está aberto para visitação de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 16h30. Sábados, domingos e feriados fica aberto das 9h às 16h. Segunda-feira é fechado para manutenção.

Inpa reinaugura no aniversário da Instituição torre de observação e pesquisa da ZF-2

Com mais de 40 metros de altura, a torre que passou por melhorias infraestruturais permite visão de 360 graus da floresta Amazônia. A partir de agora, a torre servirá às pesquisas e a observadores, como os de aves

 

Por Cimone Barros (texto e foto) – Ascom Inpa

 

Base para os primeiros registros no Brasil de várias espécies de aves no dossel da floresta amazônica, a Torre de Observação e Pesquisa da ZF-2 foi reinaugurada nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). A data marca o aniversário de 63 anos de implantação do Instituto, que é uma referência mundial em biologia tropical.

  

“Essa reinauguração da torre é cercada por simbolismo e felicidade, com um significado especial por ser no aniversário do Inpa, demonstrando um momento de renovação. Isso é bom não só para as coisas físicas, como também para nós e para as instituições”, disse França, destacando a importância da recuperação da torre em colaboração com o Japão.

 

A revitalização da mais antiga e robusta torre de pesquisa da Amazônia é a primeira obra de infraestrutura do Museu na Floresta, projeto que visa a conservação da biodiversidade na Amazônia com base em um novo conceito de museu, voltado a vivências práticas de como é possível viver em harmonia com a floresta. O projeto é uma parceria do Inpa com a Universidade de Kyoto, com o patrocínio da Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica).

 

Na reforma foram realizadas obras de pintura da estrutura, substituição de peças desgastadas e da escada antiga de 140 degraus que eram altos e pouco confortáveis por outra mais suave e acessível. Outra importante mudança foi a reconfiguração na plataforma superior para oferecer mais espaço livre com os equipamentos dispostos na parte externa da torre, para conciliar atividades de pesquisa e visitação, e ainda se abrigar em caso de chuva. Como bônus da obra, ainda ficou um abrigo usado para soldar o material antes da instalação. Ele servirá como acampamento para permitir ao pesquisador até “dormir aos pés da torre”.

 

“Por ser a primeira obra, as atividades do projeto começarão com a torre e faz todo o sentido por iniciar com o turismo científico e com as pesquisas com aves e flora ao redor. Esperamos que no próximo ano a gente consiga terminar a base do Cueiras, fazer a renovação no Bosque da Ciência e na exposição da Casa da Ciência para completar a rede que é o Museu na Floresta, projeto que será bem-sucedido”, disse o diretor da Wildlife Research Center (WRC) da Universidade de Kyoto e coordenador pelo lado japonês do Museu na Floresta.

 

Participaram ainda cerimônia, o cônsul geral do Japão no Amazonas, Shuji Goto,  pesquisadores e técnicos do Inpa e integrantes do Museu na Floresta. O projeto desenvolve outras atividades, como a soltura de peixe-boi. “Nosso próximo passo é a exposição da Casa da Ciência, no Bosque. Estamos muito animados com a modernização da exposição, que mostrará ao visitante a Amazônia e o trabalho que o Inpa faz”, contou a pesquisadora do Inpa Vera da Silva, que é a coordenadora do Museu na Floresta lado brasileiro do projeto.

 

A reinauguração da torre é parte da programação de aniversário do Inpa que conta ainda com edição especial do projeto de socialização do conhecimento Circuito da Ciência, na manhã desta sexta-feira (28), e Virada Sustentável Manaus com cerca de 30 atividades educativas e culturais no fim de semana. E como presente ao visitante, de quinta-feira a domingo (27 a 30) o Bosque da Ciência estará com entrada gratuita. O bosque fica na Rua Bem Te Vi, s/nº, Petrópolis, e funciona de terça-feira a domingo. Segunda-feira é fechado para manutenção.

 

Torre

 

Construída na década de 1970 para propiciar medições meteorológicas, a torre da ZF-2 já serviu de base de pesquisas para diversos projetos do Inpa, nas áreas de fenologia de árvores, ciclos químicos atmosféricos, mudanças climáticas e de várias teses e dissertações de pós-graduação.  Com seus 40 metros de altura e plataforma de 36 metros quadrados, cercado por 360 graus de floresta intacta até o alcançar da vista, também se tornou destino preferido para a observação e fotografia de aves e para cursos sobre a floresta amazônica.

 

As obras na torre duraram quatro meses e agora será possível que mais pesquisas sejam realizadas no dossel da floresta e que exista maior interação com o público, por meio do turismo científico e da vertente educacional. A torre está localizada no Km 14 do ramal ZF-2, com entrada na altura do Km 934 (antigo Km 50) da BR-174 (Manaus-Boa Vista).

 

“O primeiro registro para o Brasil de várias espécies de aves veio dessa torre, nos primeiros tempos. As pessoas começaram a explorar o dossel a partir daqui. Os primeiros estudos da avifauna foram feitos dessa torre”, revela o pesquisador do Inpa, o ornitólogo Mario Cohn-Haft, entusiasta da revitalização e dos novos usos da torre.

 

Para Cohn-Haft, agora será possível ter grupos regulares vendo e apreciando a floresta de cima para baixo. “E isso acontecerá não só como um modo de divulgar a floresta amazônica, de ampliar o alcance de nossas pesquisas, mas também de envolver visitantes com um turismo educativo que se for estruturado pode até virar uma fonte de arrecadação para manutenção da torre e estruturação das atividades”, conta.

 

Por se tratar de uma área de pesquisa, a princípio apenas pesquisadores e observadores de aves utilizarão a torre, com as devidas autorizações da Divisão de Suporte às Estações e Reservas (Diser) do Inpa. A política de visitação da torre ainda será regulamentada. Ainda este ano deve acontecer um evento de Observação de Pássaros no local.

 

“Nossa visão é que a visitação seja ilimitada, que qualquer pessoa interessada possa vir e conhecer a floresta daqui de cima. Uma das coisas mais maravilhosas é que não se vê um único sinal de presença humana fora da torre, só a mata 360 graus. Na direção oeste, por exemplo, você vai dois mil quilômetros sem encontrar nada de gente até bater no pé dos Andes, na Colômbia”, contou Cohn-Haft, que é integrante do Museu na Floresta.

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