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Fapeam recebe diretoria da Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ)

Pesquisadores da Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ) reuniram-se com a diretoria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) para apresentar projetos de pesquisa científica voltados para a melhoria da assistência à saúde da população.

O encontro teve como objetivo aproximar as duas instituições e prospectar parcerias futuras. Representando a FHAJ, estiveram o diretor de ensino e pesquisa, Diego Monteiro de Carvalho e a pesquisadora Isolda Prado.

A reunião ocorreu na sede da Fapeam nesta terça-feira (14/05) no bairro Flores, zona Centro-Sul de Manaus.

O diretor e a pesquisadora foram recebidos pela diretora-presidente, Márcia Perales, e pela diretora administrativo-financeira, Márcia Irene Andrade. Na ocasião eles apresentaram o trabalho que já vem sendo desenvolvido na FHAJ, bem como perspectiva para parcerias institucionais que possam fortalecer e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população do Estado.

De acordo com o diretor de ensino e pesquisa da FHAJ, Diego Monteiro de Carvalho, além da prevenção e tratamento de doenças, a Fundação atua na área de ensino e pesquisa científica.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Barbara Brito

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Encontro debate resultados preliminares de estudo de cooperação que busca entender origem da diversidade de anfíbios na Amazônia

Pesquisadores brasileiros e franceses discutiram os resultados preliminares do projeto científico intitulado “Biogeografia comparada de anfíbios amazônicos/Comparative Biogeography of Amazonian Amphibians (Combia)”, desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) no âmbito da cooperação internacional do programa Guyamazon.

O programa busca entender os processos responsáveis pela origem da diversidade de anfíbios da Amazônia, com o objetivo de fomentar a conservação das espécies na megadiversa Amazônia.

O encontro ocorreu no período de 7 a 10 de maio no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), localizado no bairro Petrópolis, zona Sul de Manaus, e na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), no bairro Coroado I, zona Leste da cidade.

Foto da turma

Pesquisadores brasileiros e franceses discutiram os resultados preliminares do projeto científico intitulado “Biogeografia comparada de anfíbios amazônicos/Comparative Biogeography of Amazonian Amphibians (Combia)”.

 

O projeto é realizado no âmbito do Programa Guyamazon da Fapeam edital Nº 002/2017 é desenvolvido no Inpa, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Centre National de la Recherche Scientifique-CNRS, Laboratoire Evolution & Diversité Biologique da Université Toulouse.

A pesquisa propõe a integração de uma equipe de especialistas brasileiros e franceses em anfíbios e diversificação Neotropical para realizar análises biogeográficas comparativas na ampla escala amazônica para entender as origens e processos que geraram e mantêm a diversidade amazônica de anfíbios, com base em abordagens analíticas integrativas e comparativas.

Werneck

Coordenadora do projeto, no Brasil, Dra. Fernanda Werneck.

 

Segundo a coordenadora do projeto, Dra. Fernanda Werneck, o conhecimento básico sobre a diversidade de anfíbios, particularmente, na região Amazônica, ainda é pouco desenvolvido. Os anfíbios são organismos extremamente diversos em todo planeta, sobretudo, na Amazônia.

Fernanda esclarece que o intuito da reunião foi aproximar os grupos de pesquisa (Brasil e França) e engajá-los no planejamento das atividades e produtos do projeto, na definição dos estudos preliminares e dos estudos comparativos aprofundados e na apresentação de resultados preliminares.

“Durante o encontro foram apresentados os resultados preliminares dos estudos de delimitação de espécies que vêm sendo desenvolvidos pelos grupos de pesquisa para os grupos taxonômicos focais do projeto, para então subsidiarmos o planejamento das atividades futuras da pesquisa”, disse.

Os anfíbios são animais sensíveis às variações ambientais. De acordo com as estimativas da International Union for Conservation of Nature (IUCN), cerca de 40% das espécies encontram-se sob elevado risco de extinção.

Fernanda explica ainda que o projeto está organizado em torno de dois objetivos principais. O primeiro é delimitar as espécies e as respectivas distribuições geográficas de oito grupos focais de anfíbios cuidadosamente selecionados com ampla distribuição na Amazônia (grupos pan-Amazônicos e endêmicos da região).

O segundo objetivo é investigar padrões de diversificação dentro de cada grupo e testar as hipóteses biogeográficas alternativas de diversificação para esses grupos na Amazônia através de análises comparativas entre eles.

Antoine

Coordenador do projeto, na França, Dr. Antoine Fouquet.

 

No estudo serão usados métodos rápidos de sequenciamento de DNA de próxima geração (Next Generation Sequencing – NGS) acessíveis para estudos de biodiversidade, em conjunto com novos métodos analíticos com rigor estatístico para a identificação de linhagens com base nas informações contidas no DNA e o teste da congruência (ou não) de eventos diversificação espacial e temporal.

Além disso, serão promovidas diversas atividades de treinamento e capacitação entre os grupos de pesquisa envolvidos, como reuniões de planejamento, visitas científicas de intercâmbio entre laboratórios, co-supervisão de estudantes, divulgação científica, entre outros.

Mobilidade científica

Para fomentar a coleta de dados e fazer o intercâmbio com o grupo de pesquisa francês, o bolsista da Fapeam, Leandro Moraes, viaja ainda esse mês para a França para fazer estágio de três meses na Université Toulouse.

“Na França vou contribuir com o levantamento de dados moleculares no laboratório de genética, trabalhando com as amostras de espécies amazônicas”, disse.

Dr. Leandro Moraes -- Fotos Érico Xavier._-3

Bolsista da Fapeam, Leandro Moraes, fará estágio de três meses na Université Toulouse.

 

O coordenador francês do projeto, Dr. Antoine Fouquet, explica que após a comparação de oito diferentes grupos de anfíbios distribuídos na Amazônia será possível entender a diversificação desses organismos na região.

Guyamazon

O Programa de Cooperação Internacional Guyamazon é resultado de uma cooperação internacional entre a Fapeam, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amapá (Fapeap), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Maranhão (Fapema), a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), a Embaixada da França, o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad), o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) e a Coletividade Territorial da Guiana (CTGA).

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

 

 

 

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Fapeam e Seplancti discutem estratégias de CT&I para o Estado

Discutir uma política de fomento à Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) que atenda às demandas prioritárias de desenvolvimento do Amazonas e beneficie a população do Estado foram os assuntos tratados em reunião, ocorrida na quarta-feira, 8/5, na sede da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), no bairro Flores, zona Centro-Sul de Manaus.

Segundo a diretora-presidente da Fapeam, Márcia Perales, na pauta da reunião estava o alinhamento de ações prioritárias, consideradas estratégicas para o Estado, e que devem ser observadas na elaboração de novos editais a serem lançados, ainda este ano, pela Fapeam.

Pela Fapeam participaram do encontro Márcia Perales, a diretora técnico-científica – Marne Vasconcellos, e a diretora administrativo-financeira – Márcia Irene Andrade. Pela Secretaria de Estado de Planejamento, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação (Seplancti), o titular da pasta Jório de Albuquerque Veiga Filho e a secretária executiva de CT&I, Tatiana Schor.

Reunião Seplancti Fapeam

Reunião entre Seplancti e Fapeam.

 

Márcia Perales destacou ainda a importância de ouvir o que as instituições de ensino e pesquisa do Amazonas têm a dizer, e por meio da convergência de ideias, buscar soluções para atender às demandas do cenário científico.

Conhecer as demandas das instituições do Estado que buscam apoio para ações de CT&I e pesquisa científica têm sido uma estratégia da Fapeam para viabilizar parcerias amparar o desenvolvimento econômico e social do Estado.

Para o titular da Seplancti,  Jório Veiga Filho, o encontro foi uma oportunidade de discutir ações estratégicas em conjunto entre Seplancti e Fapeam de forma a gerar benefícios para a população amazonense.

De acordo com Tatiana Schor a reunião serviu para delinear possíveis linhas temáticas para apoio ao desenvolvimento do Amazonas.

 

Por Helen de Melo

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Pesquisa avalia baixos níveis de antibióticos no sangue de pacientes sob tratamento da tuberculose em Manaus

Dependendo do alcance da concentração medicamentosa na corrente sanguínea de pessoas com tuberculose, ela pode evoluir para a cura ou para uma resistência, e consequentemente, falha terapêutica.

Pesquisa científica apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) buscou responder quais fatores estão relacionados aos diferentes níveis de medicamentos antituberculose encontrados no sangue de pacientes atendidos na Policlínica Cardoso Fontes, unidade de referência no diagnóstico e tratamento de pessoas acometidas por tuberculose, em Manaus.

De acordo com o coordenador do projeto, Igor Magalhães, no estudo foram abordados somente pacientes com tuberculose pulmonar considerados casos novos, ou seja, pacientes que nunca haviam tratado a doença.

Dr. Igor Magalhães - UFAM - Fotos Erico Xavier-43

Coordenador do projeto, Igor Magalhães.

 

O estudo foi desenvolvido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), unidades pertencentes à Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio do Programa de Pesquisa para o SUS: Gestão Compartilhada em Saúde (PPSUS), Chamada Pública Nº 001/2013.

Sobre a tuberculose

O pesquisador explica que a tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada principalmente pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, sendo o pulmão o principal alvo da ação desse microrganismo.

O quadro clínico clássico da tuberculose pulmonar inclui tosse persistente, com ou sem secreção, cansaço excessivo, falta de ar, febre baixa, mais comum à tarde, sudorese noturna, falta de apetite e perda de peso. 

Tratamento

O pesquisador explica que no Brasil o tratamento padrão para a tuberculose é medicamentoso, padronizado pelo Ministério da Saúde, e utiliza a combinação de quatro antibióticos: a isoniazida, a rifampicina, a pirazinamida e o etambutol, em uma terapia de, no mínimo, seis meses.

Segundo Igor Magalhães, apesar da grande eficácia do esquema terapêutico, determinados pacientes não respondem adequadamente ao tratamento e ocorre o desenvolvimento de linhagens de microrganismos resistentes aos fármacos utilizados para combater a infecção pulmonar.

Laboratório

Apesar da grande eficácia do esquema terapêutico, determinados pacientes não respondem adequadamente ao tratamento.

 

Durante o estudo foi observado que, apesar de alguns pacientes, por exemplo, tomarem um comprimido do mesmo medicamento, do mesmo lote, as concentrações desses fármacos no sangue podiam variar de uma pessoa para outra, o que compromete a eficiência da terapia.

“Neste contexto, diversos pesquisadores têm buscado entender os determinantes das baixas concentrações dos fármacos antituberculose, mesmo em pacientes submetidos ao tratamento supervisionado”, explicou.

Identificar o efeito das concentrações medicamentosas na corrente sanguínea pode ajudar a individualizar a posologia para adequá-la às necessidades de cada paciente.

Controle Terapêutico

Com o intuito de contribuir para o correto entendimento das possíveis falhas terapêuticas, verificadas na região Amazônica, foram realizadas análises bioquímicas, moleculares e as concentrações dos remédios antituberculose encontradas nas amostras biológicas (sangue) de 222 pacientes, com idades entre 18 e 87 anos, diagnosticados com tuberculose pulmonar.

Para o estudo foi relacionada uma série de fatores: genéticos, sociodemográficos, clínico-laboratoriais, sexo, idade, escolaridade, ocupação, pacientes com doenças crônicas e comorbidades (diabetes e pacientes que relataram o uso de álcool e tabaco durante o tratamento).

“Estudos recentes sugerem que há diferenças entre as concentrações de medicamentos alcançadas no sangue devido a diversas razões, incluindo a constituição genética de cada paciente”, disse o coordenador.

Foto material biológico

Foram realizadas análises bioquímicas, moleculares e as concentrações dos remédios antituberculose.

 

De acordo com ele, cada indivíduo absorve, metaboliza e elimina medicamentos com taxas diferentes que variam em função de idade, estado geral de saúde, e interferência de outros medicamentos que estejam utilizando.

A diabetes ocasiona uma série de alterações no funcionamento do organismo, por exemplo, no trato gastrointestinal. Também pode influenciar na absorção dos medicamentos antituberculose. Se absorver menos, a concentração do fármaco que alcança no sangue provavelmente será menor.

Para o pesquisador, conhecer melhor o que pode estar influenciando nessas concentrações de medicamentos no sangue desses pacientes, e dependendo do resultado, será possível estabelecer estratégias junto com as unidades de saúde para fazer ou não ajustes de doses dos antibióticos. 

Resultados

O estudo apontou baixas concentrações dos fármacos antituberculose no sangue dos pacientes. De acordo com o pesquisador o resultado é mais expressivo para os medicamentos isoniazida e rifampicina, em que aproximadamente 60% dos pacientes apresentaram níveis de medicamentos considerados reduzidos.

Dentre as variáveis empregadas no estudo para explicar os resultados, houve significância estatística entre o uso de álcool (etilistas) e metabolizadores rápidos da enzima N-acetiltransferase 2 (NAT-2) e concentrações reduzidas de isoniazida.

Equipamento

O estudou mostrou a alta prevalência de indivíduos que fazem uso de álcool, mesmo sob tratamento da tuberculose.

 

O estudou mostrou a alta prevalência de indivíduos que fazem uso de álcool, mesmo sob tratamento da tuberculose. Dentre eles, boa parcela apresentou baixos níveis de isoniazida, um dos principais fármacos elencados para o tratamento da doença. O que alerta para a necessidade de orientação correta e acompanhamento terapêutico adequado para esses pacientes.

As baixas concentrações dos fármacos de primeira linha também foram relatadas em outros estudos realizados no mundo, por exemplo, na Holanda, Turquia, Indonésia e África do Sul e podem sugerir a necessidade de reavaliação da faixa terapêutica tida como referência na literatura. No entanto, estudos adicionais devem ser realizados para avaliar o impacto da farmacogenética nestes resultados, bem como investigar a influência das baixas concentrações no desfecho do tratamento.

Casos no Amazonas 

O Amazonas possui a maior taxa de incidência de tuberculose no Brasil com 72,4 casos por 100 mil habitantes. Segundo o parâmetro do Ministério da Saúde, os números registrados são considerados altos. A taxa de incidência mede o risco de adoecimento na população, o que significa que o Amazonas é considerado o estado com maior risco de adoecimento por tuberculose no país e com a terceira maior taxa de mortalidade.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam), o Estado registrou em 2017, 3.060 novos casos de tuberculose. Em 2018, foram 3.163 casos registrados no Amazonas. Em 2019, até o momento foram registrados 563 casos novos.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Trypanosoma cruzi circulantes no Amazonas pode auxiliar no diagnóstico da Doença de Chagas Crônica

Pesquisa científica apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) tem o intuito de desenvolver em laboratório testes imunológicos, in house, para o diagnóstico sorológico da Doença de Chagas Crônica, utilizando linhagens de Trypanosoma cruzi, agente etiológico da enfermidade, circulantes no Estado.

A intenção é produzir um kit de teste imunológico in house, que significa em casa (no laboratório), considerando que a matéria-prima, ou seja, a linhagem do parasito circulante na região foi isolado, pelos pesquisadores, e conservado para os ensaios.

A pesquisa é desenvolvida nos laboratórios de entomologia da Fundação de Medicina Tropical, Dr.Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), por meio do Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas), edital N°002/2018, e envolve alunos de mestrado e doutorado em doenças tropicais e infecciosas, do programa de Pós-graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) que funciona em parceria com a FMT-HVD.

 

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A intenção é desenvolver em laboratório testes imunológicos, in house, para o diagnóstico sorológico da Doença de Chagas Crônica.

 

Sobre a Doença de Chagas

A coordenadora do projeto, Maria das Graças Vale Barbosa Guerra, explica que a Doença de Chagas é uma enfermidade infecto-parasitária, causada pelo protozoário T. cruzi, encontrado nas fezes de insetos conhecidos como barbeiros. A doença se manifesta em duas formas clínicas, uma fase aguda e uma fase crônica. Nas duas fases pode haver manifestação ou não de sintomas clínicos. Quando há manifestação na fase aguda os sintomas podem ser febre, miocardites, mialgia (dor muscular), e na fase crônica problemas cardíacos e digestivos são os mais frequentes.

“Se houver o surgimento de sintomas no início da doença, a pessoa pode ser diagnosticada e tratada. Porém, se não houver sintomas e passado o tempo que caracteriza a fase aguda da doença (oito semanas), a pessoa infectada pode se tornar portadora da doença crônica, sem saber, pois pode continuar assintomática, e ser diagnosticada eventualmente ou quando já estiver com comprometimentos sérios, principalmente, cardíacos”, explicou.

 

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Coordenadora do projeto Maria das Graças Vale Barbosa Guerra.

 

Por esse motivo, Maria das Graças explica que o diagnóstico precoce é altamente recomendado para que o tratamento seja realizado o quanto antes, visando a redução das graves consequências que a infecção pelo T. cruzi pode causar em longo prazo. A identificação deve basear-se em uma combinação de resultados, incluindo exames laboratoriais, o histórico clínico e epidemiológico, a detecção do parasito e/ou a realização de testes sorológicos.

Método

Para a pesquisadora, de maneira geral, há uma grande dificuldade no diagnóstico da Doença de Chagas Crônica, principalmente, porque os testes para o diagnóstico sorológicos disponíveis no mercado, não apresentam boa sensibilidade, particularmente para nossa região, em razão de diferentes fatores, entre eles, o fato de que os testes comerciais não utilizam em seus protocolos as mesmas linhagens de T. cruzi encontradas na Amazônia e particularmente no Estado.

“O nosso objetivo é obtermos antígenos de isolados de T. cruzi conservados em nosso laboratório para utilizá-los em testes imunológicos, buscando detectar maior sensibilidade no teste, com perspectivas de melhorar o diagnóstico da Doença de Chagas Crônica no Estado”, disse.

 

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O objetivo é obter antígenos de isolados de T. cruzi conservados em laboratório para utilizá-los em testes imunológicos, buscando detectar maior sensibilidade no teste.

 

Segundo Maria das Graças, o grupo de trabalho obteve 28 diferentes extratos de antígenos utilizando os isolados de T. cruzi encontrados no Amazonas. Essas substâncias já foram avaliadas pelo método de ELISA in house, e na próxima fase esses antígenos serão submetidos a testes mais específicos para avaliar as atividades e a sensibilidade desses testes.

Doença Negligenciada

A pesquisadora destaca a importância de validar o estudo sobre o tema porque a Doença de Chagas é uma doença negligenciada que afeta entre 6-7 milhões de pessoas no mundo, sendo 1.6 milhão no Brasil.

“Hoje a Amazônia é a região responsável pelo maior número de casos da doença na sua forma aguda principalmente em surtos associados ao consumo do açaí (nos casos em que o fruto esteja contaminado pelo T. cruzi a partir das fezes de barbeiros silvestres) um importante alimento que faz parte da dieta nutricional da população”, disse.

Transmissão

Existem diferentes formas de transmissão, ou contaminação do homem pelo T. cruzi. A forma de transmissão clássica é a vetorial, transmitida pelo contato com as fezes de insetos triatomíneos infectados, conhecidos também como barbeiros. No entanto, existem outras formas de transmissão, como a vertical (congênita – da mãe para o bebê), por transfusão de sangue ou transplantes de órgãos contaminados, acidentes laboratoriais e a forma oral, que tem sido reportada frequente na Amazônia associada ao consumo de frutos como o açaí e a bacaba contaminados.

 

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A Doença de Chagas é uma enfermidade infecto-parasitária, causada pelo protozoário T. cruzi, encontrado nas fezes de insetos conhecidos como barbeiros.

 

De acordo com Maria das Graças, atualmente os barbeiros estão sendo encontrados cada vez mais com frequência dentro de casas e apartamentos, construídos próximos a áreas de floresta fragmentadas, em diferentes áreas dentro de Manaus, sejam urbanas, periurbanas ou rurais, e isso vulnerabiliza a população porque possibilita o contato desses insetos com as pessoas, na medida em que não conhecendo a dinâmica de transmissão da doença, muitas vezes matam os barbeiros esmagando-os. Nesse caso, se o barbeiro estiver infectado, podem ter contado com as fezes do parasito e se infectar.

Doença de Chagas no Amazonas

De acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) em 2017 foram notificados nove (9) casos da Doença de Chagas no estado do Amazonas contra 32 em 2018. E entre anos de 2011 e 2018 foram notificados 96 casos da Doença de Chagas no Amazonas.

 

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Lançado o segundo vídeo da série Lugar de Mulher é Onde ela quer Estar

A Fundação de Amparo à  Pesquisa do Estado Amazonas (Fapeam), por meio do Departamento de Comunicação e Difusão do Conhecimento (Decon), lança nesta sexta-feira, 15/3, o segundo vídeo da série Lugar de Mulher é Onde ela quer Estar.

Neste segundo vídeo foi entrevistada a aluna de iniciação científica da Fiocruz Amazônia, Heliana Belchior, que fala de suas conquistas e como foi ingressar na pesquisa, bem como onde pretende chegar profissionalmente.

A série Lugar de Mulher é Onde ela quer Estar apresenta vídeos que contam a história de mulheres que atuam na produção do conhecimento científico no Amazonas. Os vídeos são publicados às sextas-feiras do mês de março nas redes sociais e no portal da Fapeam, em celebração ao mês da mulher.

O primeiro vídeo foi feito a médica Mônica Santos, dermatologista  da Fundação de Dermatologia Tropical e Venereologia Alfredo da Matta (Fuam).

Produção- Jessie Silva

Imagens e edição de vídeo- Érico Xavier e Esterffany Martins

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Fapeam participa de reuniões com CNPq, Capes e Confap, em Brasília

Agenda com presidentes do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e participação no Fórum do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) são compromissos desta quinta-feira e sexta-feira (14, 15/3) de Márcia Perales, diretora-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em Brasília.

As pautas com o CNPq e Capes incluem conversas para a formação de possíveis parcerias institucionais em ações de cooperação com a Fapeam. No Confap, participação no Fórum, que reúne presidentes e diretores das 26 Fundações de Amparo à Pesquisa (FAPs) dos Estados, além de representantes de agências federais de fomento, ministérios e de organismos internacionais, parceiros do Confap em atividades conjuntas de fomento à pesquisa científica, tecnológica e de inovação.

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As pautas com o CNPq e Capes incluem conversas para a formação de possíveis parcerias institucionais em ações de cooperação com a Fapeam

O Fórum aborda assuntos importantes para o desenvolvimento da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) no país e possibilita para o Estado do Amazonas, no campo científico e tecnológico, o fortalecimento de parcerias em níveis nacional e internacional.

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Durante o Fórum também será realizada a assinatura do Convênio entre a Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep) e Fundações de Amparo à Pesquisa para o início do Programa Tecnova 2, de fomento à inovação por meio de recursos de subvenção econômica.

O evento contará com mesas com parceiros nacionais incluindo CNPq, Finep, Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), Capes, Empresa Brasileira de Pesquisa e Inovação Industrial (Embrapii), Ministério da Saúde e o Centro de Gestão de Estudos Estratégicos (CGEE), de evento também participam representantes da Comissão Europeia e do Conselho Britânico.

Departamento de Comunicação e  Difusão do Conhecimento- Decon

 

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Novas alternativas para produção de laranja são desenvolvidas em pesquisa no Amazonas

O Amazonas produz cerca de 385 milhões de laranjas e exporta parte dessa produção para Roraima. Com o objetivo de oferecer possibilidades da produção de outras variedades de laranjeiras e adaptá-las ao processo de cultivo local,  pesquisa científica apoiada pela a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) é realizada pelo o agrônomo e doutor em botânica José Ferreira, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

O estudo pretende avaliar combinações de copas e porta-enxertos com alto potencial de adaptabilidade ao ambiente, resistência a pragas e doenças e oferecer variedades do fruto  ao citricultor.

Conforme o pesquisador, as combinações que apresentarem um bom desempenho no crescimento e no desenvolvimento serão  excelente opções para o produtor sair da tradicional combinação laranja-pera sobre limão cravo, que praticamente constitui os pomares de citros no Amazonas.

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O estudo pretende avaliar combinações de copas e porta-enxertos com alto potencial de adaptabilidade ao ambiente

“Atualmente o produtor local tem apenas uma opção de cultivo de laranja  que é a laranja- pera sobre limão cravo. No entanto, pragas e doenças de um pomar podem trazer certos prejuízos ao agricultor e destruir todo um plantio de citricultura e isso é muito arriscado. A ideia do projeto é essa, tentar oferecer novas opções de cultivo de laranja através de copa e porta-enxerto”, disse.

O pesquisador explica que porta-enxerto significa  parte de uma planta que recebe a copa de outra planta para formar uma só, como por exemplo: porta-enxerto de limão, vem da muda de limão que foi enxertada com um pedaço (gema) de uma laranja-pera, onde essa parte cresce  distribuindo  os  frutos.

O projeto vai além de contribuir com a economia do agronegócio em citros no Amazonas, a proposta geral é priorizar a sustentabilidade ambiental através de um manejo integrado.

“Através de novos métodos que permitam o uso de coberturas vegetais e suas associações em citros, vamos contribuir com um bom manejo e conservação do solo preservando e melhorando sua fertilidade ao longo do tempo reduzindo os danos ambientais”, conta.

Com foco no plantio de laranja, os testes experimentais são aplicados em propriedades privadas  no Rio Preto da Eva, na Am 010 , km 113, fazenda Progresso e em Manaus  na propriedade Brejo do Matão no km 14 da BR174, além de outra em Iranduba, na propriedade da Embrapa. Os pomares implantados são, em sua maioria, pertencentes a agricultores familiares com áreas que variam entre 1 a 4 hectares.

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A produção da laranja envolve um total de área plantada de 4.142,31 hectares

Pró- Estado

O estudo está sendo realizado por meio do Programa de Apoio à Consolidação das Instituições Estaduais de Ensino e/ou Pesquisa (Pró-Estado) que visa fortalecer e ampliar a formação de recursos humanos em nível de pós-graduação stricto sensu, além de apoiar, com recursos financeiros, a melhoria da infraestrutura de pesquisa de instituições vinculadas ao Governo do Estado do Amazonas.

A expectativa é que até o final do projeto é que identifique-se quais das coberturas vegetais estudadas são mais eficientes para mitigar as emissões dos gases de efeito de estufa (GEEs)  pelo aumento do sequestro do Carbono acima e abaixo do solo, bem como para o aumento de produtividade da cultura e rentabilidade do citricultor.

A pesquisa é uma continuação do projeto de Pesquisa e Transferência de Tecnologias para o Desenvolvimento da Citricultura no Estado do Amazonas que iniciou em 2013 em parceria  com a Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), Ufam e Fapeam.

Produção

De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), dentro dos sistemas produtivos desenvolvidos no estado do Amazonas, a citricultura representa uma das principais potencialidades da fruticultura, com um total de 4.075 produtores familiares em todo Estado.

A produção da laranja envolve um total de área plantada de 4.142,31 hectares e uma estimativa de produção de 385 milhões de frutos. A fruta  é exportada para o Estado de Roraima, totalizando em 2017 cerca de 4 milhões de frutos, envolvendo 8 produtores rurais devidamente credenciados pelo Ministério da Agricultura e assistidos pelo IDAM, órgão oficial do Amazonas.

Por Jessie Silva

Fotos: divulgação

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Estudo realizado no Amazonas pode auxiliar no diagnóstico precoce do câncer do colo uterino

O câncer de colo uterino é o mais incidente entre mulheres no Amazonas. Para alertar a população amazonense sobre esta doença, o governador do Amazonas, Wilson lima, sancionou em 11 de janeiro deste ano a Lei nº4.768/2019, que instituiu o “Movimento Estadual Março Lilás”, de prevenção ao câncer de colo uterino.

Este tipo de câncer pode ser evitado, no entanto, caso a doença já afete a paciente, o diagnóstico precoce aumenta a chance de cura. Por esse motivo, uma pesquisa científica apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) pode auxiliar nas possíveis condutas de rastreamento para o melhor prognóstico das Neoplasias Intraepiteliais Cervicais (NICs), ou seja, na avaliação das lesões precursoras do câncer de colo de útero.

Dra. Priscila Ferreira Aquino e mestranda

O estudo é feito com mulheres diagnosticadas com lesões de alto grau no colo uterino.

 

Em andamento, o estudo é desenvolvido no Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), em parceria com a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon), Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Instituto Carlos Chagas (ICC-Fiocruz-Paraná), por meio do Programa de Pesquisa para o SUS: Gestão Compartilhada em Saúde (PPSUS), Chamada Pública Nº 001/2017.

De acordo com a coordenadora do projeto, Priscila Ferreira de Aquino, o estudo é feito com 91 mulheres atendidas na FCecon, com idades entre 18 e 85 anos, diagnosticadas com lesões de alto grau no colo uterino.

Dra. Priscila Ferreira Aquino

Para Priscila Aquino o estudo pode auxiliar nas possíveis condutas de rastreamento das lesões precursoras do câncer de colo de útero.

 

Segundo Priscila, o câncer de colo de útero pode surgir a partir dos 25 e 30 anos de idade e seu desenvolvimento é precedido por NICs, ou seja, por lesões pré-malignas, que de acordo com o grau de anormalidade nas células epiteliais, variam em três tipos: I, II e III. Sendo o vírus do papiloma humano (HPV), um dos principais agentes etiológicos responsável pela evolução da doença.

“A infecção persistente provocada por um ou mais dos subtipos oncogênicos de HPV, pode ser uma das causas para o desenvolvimento das NICs e, até mesmo, a progressão da doença para o câncer”, disse.

Para o estudo foram selecionadas mulheres com diagnóstico histopatológico compatíveis com os tipos NICs II ou III. As pacientes foram entrevistadas para a avaliação dos dados epidemiológicos, além de fornecerem amostras de sangue periférico (plasma) e do tecido cervical (fragmento do colo uterino retirado através de um procedimento cirúrgico) para serem analisados.

“As amostras serão utilizadas tanto para a análise do conjunto de proteínas presentes nos tecidos coletados quanto para detectar a presença ou não do DNA do HPV, definir o subtipo viral, e, consequentemente o risco oncogênico na paciente. Esses elementos ainda terão os dados associados à análise epidemiológica, histopatológica e citológica, para um panorama mais amplo das mulheres tratadas em nosso Estado com tais lesões sob diferentes características”, informou.

Plasma e tecido cervical

As pacientes fornecerem amostras de sangue periférico (plasma) e do tecido cervical (fragmento do colo uterino retirado através de um procedimento cirúrgico) para serem analisados.

 

Com base nas análises, os pesquisadores devem obter informações, como, por exemplo, a presença de possíveis indicadores proteicos e moleculares, que poderão auxiliar na detecção  precoce das lesões no colo do útero e melhor prognóstico para o tratamento das NICs, evitando uma evolução para o câncer de colo uterino.

“Por se tratar de um estudo prospectivo descritivo, no qual as participantes do projeto são acompanhadas ao longo do tempo até a conclusão do diagnóstico, futuramente, espera-se que essas informações possam colaborar para o tratamento mais individualizado às pacientes com tais lesões”, disse.

Câncer de colo de útero

A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) informa que em 2016 foram diagnosticados de 671 casos de câncer de colo de útero no Estado.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), no biênio 2018/2019, estima-se para o Brasil 16.370 casos novos de câncer de colo de útero, uma taxa bruta de 15,43 a cada 100 mil mulheres. Para o Amazonas, esse número é bem maior, estima-se cerca de 840 casos novos de câncer de colo de útero, uma taxa bruta de 40,97 a cada 100 mil mulheres. Desses casos novos do Estado, cerca de 640 serão mulheres residentes em Manaus.

De acordo com o Inca apesar da sua importância epidemiológica, o câncer do colo uterino possui alto potencial de cura quando diagnosticado em estágios iniciais.

HPV

Papiloma vírus humano (HPV): é o vírus mais comum de infecção sexualmente transmissível no mundo e que desempenha um papel importante no câncer de colo de útero. Possui diversos subtipos, sendo o HPV-16 e 18 os mais oncogênicos, responsáveis por mais 70% dos cânceres cervicais.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Fapeam apoia pesquisa de fitocosméticos com atividades antimicrobiana, antioxidante e fotoprotetora

Uma pesquisa científica investiga o potencial antimicrobiano, antioxidante e fotoprotetor de duas plantas nativas da região Amazônica, o guaraná (Paullinia cupana) e o pau-rosa (Aniba rosaeodora). O estudo deve avaliar se o extrato e o óleo essencial, respectivamente, dessas espécies vegetais são detentores de efeitos benéficos para serem utilizados na produção de fitocosméticos.

Em andamento, a pesquisa é desenvolvida nos laboratórios do Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia, da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas), edital Nº 002/2018.

Segundo a coordenadora do projeto, Patrícia Melchionna Albuquerque, a primeira etapa da pesquisa teve início em outubro de 2018 com a coleta de galhos e folhas de pau-rosa para o processo de extração do óleo essencial, além da obtenção das sementes de guaraná em Maués (AM) para a produção do extrato vegetal.

UEA - Extrato de Guaraná e Óleos Essenciais de Pau Rosa - Fotos Barbara B._-11

O extrato de guaraná e suas partições estão sendo pesquisadas para verificar as demais atividades biológicas.

Patrícia informou que já  foi possível verificar atividade antimicrobiana no óleo essencial de pau-rosa, e que no momento o grupo de pesquisadores está preparando o extrato de guaraná e suas partições para verificar as demais atividades biológicas e, em seguida, iniciar as formulações fitocosméticas.

“Os fitocosméticos serão avaliados quanto às suas propriedades físico-químicas e quanto à sua estabilidade. Determinaremos as atividades biológicas de interesse nas emulsões e sabonetes líquidos que se mostrarem estáveis. Além disso, determinaremos a concentração de linalol nos óleos essenciais de pau-rosa e de cafeína nos extratos de guaraná, a fim de padronizar a matéria-prima utilizada na elaboração dos fitocosméticos”, informou.

Dra. Patrícia Albuquerque - UEA - Extrato e Óleo

Para a pesquisadora o potencial de uso sustentável da biodiversidade brasileira é extenso.

Com base no resultado do estudo, a pesquisadora afirma que será possível formular emulsões cosméticas com atividade antioxidante e fotoprotetora, assim como sabonetes líquidos, com atividade antimicrobiana, a partir desses compostos naturais.

Para a pesquisadora o potencial de uso sustentável da biodiversidade brasileira é extenso, mas ainda é pouco explorado. Por isso, a descoberta de substâncias biologicamente ativas a partir da diversidade biológica (plantas, animais e microrganismos) pode auxiliar de forma significativa no desenvolvimento de bioprodutos, como é o caso dos fitocosméticos.

“Os fitocosméticos são definidos como cosméticos que contém ativo natural, seja um extrato, óleo fixo ou óleo essencial, cuja ação define a atividade do produto”, explicou.

UEA - Extrato de Guaraná e Óleos Essenciais de Pau Rosa - Fotos Barbara B._-15

Foi possível verificar atividade antimicrobiana no óleo essencial de pau-rosa.

De acordo com a coordenadora, o estudo pretende estimular ainda o uso dessas espécies para a obtenção de bioprodutos (fitocosméticos) com alto valor de mercado, e que consequentemente beneficiem o setor produtivo do município de Maués e de todo o estado do Amazonas. A produção de fitocosméticos deve ser considerada estratégica para a economia local, uma vez que estes bioprodutos podem agregar valor aos produtos amazônicos.

Antimicrobiana 

Atividade antimicrobiana é a capacidade de uma substância (ou de um conjunto de substâncias, no caso de extratos e óleos essenciais) em inibir o crescimento de microrganismos, como bactérias, fungos, vírus ou protozoários, (ação microbiostática), ou de matar estes microrganismos (ação microbicida).

Antioxidante

Atividade antioxidante é a capacidade de uma substância (ou de um conjunto de substâncias, no caso de extratos e óleos essenciais) em retardar as reações de degradação oxidativa, ou seja, em reduzir a velocidade da oxidação por um ou mais mecanismos, como inibição de radicais livres e complexação de metais.

Fotoprotetora 

Atividade fotoprotetora é a capacidade de uma substância (ou de um conjunto de substâncias, no caso de extratos e óleos essenciais) em absorver, refletir e dispersar a radiação que incide sobre a pele. Estas substâncias são utilizadas em protetores solares, bloqueadores e cosméticos destinados à prevenção do foto envelhecimento cutâneo precoce.

Por: Helen de Melo

Fotos: Barbara Brito

Embrapa

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