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Óleo essencial como alternativa biotecnológica de controle de doenças em hortaliças cultivadas

Os experimentos estão sendo feitos com a cebolinha, tomate e pimenta-de-cheiro

Pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA), em parceria com a Embrapa (Laboratório de Produtos Naturais e de Fitoquímica) e com a UEA (Laboratório Central de Análises Químicas), estão desenvolvendo um estudo que tem como objetivo avaliar, em hortaliças cultivadas, o efeito fungitóxico (substância tóxica que inibe o crescimento de micro-organismos que parasitam plantas) de óleos essenciais no controle alternativo das doenças: mancha-alvo em tomateiro e da antracnose em pimenta-de-cheiro e cebolinha. Os óleos essenciais são substâncias oriundas do metabolismo secundário das plantas que se caracterizam por serem voláteis, de natureza complexa, apresentarem baixo peso molecular e geralmente possuírem forte odor.

A pesquisa é desenvolvida com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), através do Programa de Apoio à Pesquisa – Universal Amazonas, edital Nº 002/2018.

O coordenador do projeto, doutor em Biotecnologia Rogério Hanada, explica que a mancha-alvo é a principal doença do tomateiro e é caracterizada por lesões que se iniciam por pontuações pardas, com halo amarelado, evoluindo para grandes manchas circulares, tipo alvo de coloração castanho-clara a castanho-escura. Já os principais sintomas da antracnose ocorrem nas folhas, que passam a apresentar lesões circulares, deprimidas, com halo de coloração marrom clara. Progressivamente as lesões se unem formando uma grande área necrosada, e assim as folhas secam e morrem.

“A mancha-alvo é causada pelo fungo Corynespora cassiicola, que é um patógeno que infecta inúmeras espécies de plantas, entre elas o tomateiro e outras hortaliças cultivadas. Já a antracnose é uma doença também causada por fungo de várias espécies do gênero Colletotrichum, que afeta o estabelecimento, o crescimento e a produção das plantas. A antracnose é uma doença muito comum em pimentão, pimenta-de-cheiro, cebolinha e em várias outras hortaliças. Essas doenças se desenvolvem principalmente em clima tropical (quente e úmido), como o nosso da Amazônia”, explica o pesquisador.

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As cebolinhas que foram plantadas para o experimento estão sendo cultivadas na estufa do INPA é de lá que devem sair os próximos resultados das pesquisas com a utilização de óleos essenciais

O pesquisador explica que o estudo tem como objetivo avaliar e selecionar produtos naturais eficientes no controle de microorganismos que ocasionam doenças em hortaliças cultivadas, e a partir dessa análise indicar a aplicação dessas substâncias como uma alternativa promissora para reduzir o uso indiscriminado de defensivos agrícolas.

“O estudo tem como propósito impulsionar a utilização de óleos essenciais de plantas com a atenção voltada para uma agricultura sustentável, visando fortalecer os mercados de produtos alternativos e contribuir para a melhoria do cenário agrícola atual, além de gerar bons resultados para que futuramente, esses produtos possam constituir uma alternativa biotecnológica aos fungicidas convencionais”, destacou Hanada.

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Testes feitos no laboratório com óleos essenciais de várias espécies de plantas contra os microorganismos, serão testados em condições de campo (in vivo)

No laboratório foram testados treze óleos essenciais de várias espécies de plantas contra os microorganismos, sendo que 10 foram eficientes e serão testados em condições de campo (in vivo).

Atualmente estão sendo conduzidos os experimentos em condições in vivo onde os óleos essenciais serão aplicados diretamente nas hortaliças cultivadas para verificar se as substâncias inibem o desenvolvimento do patógeno, controla ou reduz a incidência e a severidade da doença, além de verificar se essas substâncias estimulam o crescimento e o desenvolvimento das plantas.
Os pesquisadores começaram os testes avaliando a eficiência dos óleos essenciais no controle da antracnose em cebolinha e em pimenta de cheiro. Posteriormente os testes serão estendidos para análise da mancha-alvo em tomateiro.

As cebolinhas que foram plantadas para o experimento estão sendo cultivadas na estufa do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) é de lá que devem sair os próximos resultados das pesquisas com a utilização de óleos essenciais.

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O coordenador do projeto, doutor em Biotecnologia Rogério Hanada explica que o objetivo da pesquisa é avaliar em hortaliças cultivadas, o efeito fungitóxico de óleos essenciais no controle alternativo das doenças

O pesquisador explica que a cebolinha é uma hortaliça facilmente cultivada e utilizada como um dos principais temperos para o preparo de pratos à base de peixes, principalmente caldeiradas, iguaria muito popular entre os amazonenses.

“Mas apesar de ser facilmente cultivada, existem várias doenças que podem afetar a produção da cebolinha e uma das mais severas é a antracnose. Essa doença afeta a qualidade do produto e causa perdas que podem atingir até 100% da produção dependendo das condições de manejo da cultura”, informou Hanada.

Por esse motivo o pesquisador explica que o controle da antracnose na cebolinha é considerado desafiador. Por ser uma planta de ciclo curto e explorada em pequena escala não existem fungicidas registrados no Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento.

“Por isso outros métodos de controle devem ser desenvolvidos para o manejo da doença. O uso de produtos naturais com atividade antimicrobiana ou indutora de resistência pode ser uma alternativa no controle da antracnose”, explicou o pesquisador.

O pesquisador ressalta ainda que os produtos derivados de vegetais (óleos, extratos e hidrolatos) têm vantagem de não agredir o meio ambiente e a saúde do produtor e do consumidor por serem biodegradáveis.

“Na nossa região existe uma enorme biodiversidade e estamos tentando encontrar algum óleo essencial de alguma planta que possa controlar essas doenças. Os nossos estudos com os óleos essenciais estão apenas começando. No experimento in vitro os óleos essenciais inibiram o crescimento do fungo que causa antracnose na cebolinha”, disse Hanada.

Departamento de Difusão do Conhecimento- Decon/ Fapeam

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