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Pesquisa revela impacto da Era Vargas em Itacoatiara

Intitulado “Amazonas no contexto da Era Vargas”, o projeto foi financiado pela Fapeam por meio do Programa Ciência na Escola (PCE)

 

É do conhecimento de pequena parcela da população que as águas do rio Amazonas, mais precisamente em frente ao município de Itacoatiara, foi palco da única batalha naval ocorrida na América do Sul, no século XX, antes da Guerra das Malvinas (Argentina). O fato, acontecido em 24 de agosto de 1932, estaria vinculado à Revolução Constitucionalista de 1932, iniciada em São Paulo, com o objetivo de derrubar o Governo provisório de Getúlio Vargas.

Esses e outros acontecimentos, pouco conhecidos da história do Amazonas, foram objetos de pesquisa dos então alunos Giovana Vasconcelos, Isis Araújo, Felipe Gomes, Sullivan Luís e Eduarda Macedo,  da Escola Estadual Deputado Vital de Mendonça, localizada naquele município. O projeto, intitulado “O Amazonas no contexto da Era Vargas”, foi coordenado pelo professor de História, especialista e graduando em Direito pela Universidade Estadual do Amazonas (UEA), Alessandro Lúcio Melo.

A iniciativa contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa Ciência na Escola (PCE). “O objetivo era estimular o interesse pelo conhecimento histórico do Brasil no período conhecido como ´Era Vargas´, compreendendo a conjuntura, os movimentos que afetaram a vida do cidadão amazonense e a história do povo de Itacoatiara”, explicou o professor-coordenador.

Amazonas no contexto da Era Vargas 1

Projeto, intitulado “O Amazonas no contexto da Era Vargas”, foi coordenado pelo professor de História, especialista e graduando em Direito pela Universidade Estadual do Amazonas (UEA), Alessandro Lúcio Melo

Levantamento de dados feito durante a pesquisa indica que o então presidente Getúlio Vargas tinha um olhar estratégico para com a região devido à extensão, fronteiras e a importância para a soberania nacional.  Conforme o coordenador, algumas medidas adotadas pelo Governo, na época, comprovam esse posicionamento.  Os chamados “Acordos de Washington”, firmados após a entrada dos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial, são exemplos.

Esses acordos previam, entre outras medidas, o aumento da produção de borracha para envio aos norte-americanos como insumo de material bélico – foi o período denominado 2˚ Ciclo da Borracha, que durou de 1942 a 1945.  “Em Itacoatiara, existe um prédio público, onde funciona um dos principais postos de saúde da cidade atualmente, construído em 1942 e mantido na época pela Fundação Rockefeller, com o objetivo de dar assistência médica aos produtores de borracha”, destaca o professor.

A grande Batalha Naval

Outros acontecimentos que, apesar da relevância, possuem poucos registros históricos, também evidenciam essa relação estreita do município com a Era Vargas.   Um dos principais foi a Batalha Naval do rio Amazonas, ocorrida em 1942, em frente ao município, e que também foi objeto de estudo.

O professor destaca a importância desse fato para a história do município.  Segundo a pesquisa, homens do 4º Grupo de Artilharia de Costa, de Óbidos (PA), rebelaram-se em apoio ao movimento tenentista, iniciado em São Paulo contra Getúlio Vargas, e enviaram um ultimato ao 27º Batalhão de Caçadores, em Manaus, para que aderissem, caso contrário, Manaus e as cidades ribeirinhas, situadas no trajeto até a capital, seriam atacadas.

“Os rebeldes saíram da cidade de Óbidos, com destino a Manaus, a bordo do navio Jaguaribe artilhado com 4 canhões e do navio Andirá, com homens armados de fuzis. Enquanto as forças legalistas, com 130 homens, saíram de Manaus para  enfrentar os rebeldes nos navios Baependi, Ingá, Rio Curuçá, e nos barcos auxiliares Rio Jamari, Rio Aripuanã e Isis”, diz o coordenador.

Apresentacao no auditorio da escola 1

A participação no projeto rendeu frutos importantes

Alessandro Melo frisa que um dos historiadores, cujas obras serviram de base para a coleta de informações, foi Francisco Gomes. Em seus relatos, o historiador relata que, em 24 de agosto de 1942, às 10h, a frota rebelde estacionou em frente à Itacoatiara, iniciando as negociações, porém, a tropa de terra pediu duas horas para evacuar a cidade e ao expirar o prazo, ao meio-dia, começou a famosa Batalha Naval de Itacoatiara. “A batalha durou aproximadamente 40 minutos, com os navios Jaguaribe e Andirá sendo afundados”, recorda o professor, destacando que o número de mortos até hoje é indefinido, uma vez que não se se sabe o número exato de rebelados, e que, na orla da cidade, existe um monumento em alusão ao acontecimento.

O coordenador ressalta que a história do Brasil sempre foi dinâmica e mesmo com as idas e vindas dos mais recentes governos, nada mais empolgante e controverso do que a chamada Era Vargas, principalmente, no que se refere às medidas que afetaram o Estado e em especial, Itacoatiara – cujos registros são poucos – o que motivou o projeto. “Conhecer a nossa própria história é fundamental para trilharmos o melhor caminho e conhecer a história do nosso País é essencial para transformarmos nossa sociedade”, salienta.

Pesquisa é apresentada à comunidade

Até se alcançar a riqueza de informações coletadas, os alunos-cientistas passaram por um processo de preparação. Eles participaram, na primeira etapa, de uma oficina sobre investigação científica, fontes históricas e pesquisas bibliográficas. Em seguida, iniciaram a pesquisa propriamente dita dentro e fora da escola, em bibliotecas, biografias sobre Getúlio Vargas, revistas, coleções históricas e na Internet, além de entrevistas com historiadores locais, professores, pais e membros mais antigos da comunidade.

Amazonas no contexto da Era Vargas 2

Os alunos-cientistas passaram por um processo de preparação até se alcançar a riqueza de informações coletadas

Com o material em mãos, os alunos cientistas iniciaram a produção textual sobre o assunto analisado e apresentaram os resultados, em formato de palestras e debates, em sala de aula, e depois, em seminários e feiras científicas e literárias sob a orientação da coordenadoria local da Fapeam naquele município.

Experiência para os alunos

A participação no projeto rendeu frutos importantes. Para o aluno-bolsista, Felipe Gomes, a participação no projeto contribuiu para o aprimoramento como pesquisador. “A pesquisa me estimulou a conhecer a história do Brasil, especificamente do período da Era Vargas, e me deu a oportunidade, junto com meus colegas, de compreender melhor esse momento conturbado, que afetou a vida do cidadão amazonense e a história do povo de Itacoatiara”, disse. Isis Nogueira Araújo, também aluna-bolsista, comentou sobre a relevância para o seu desempenho escolar e em preparação para a própria faculdade.  “Foi muito produtivo, principalmente, porque estava me preparando para ingressar na faculdade, um lugar onde a pesquisa científica é fundamental”.

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Fotos: Acervo do Pesquisador

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Pesquisa mostra avanço no tratamento da ‘boca seca’ com laser em pacientes que passaram por Radioterapia

O estudo está sendo desenvolvido com o apoio da Fapeam por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica (PAIC)

Imagine ter de comprar saliva em razão do nível baixo ou de nenhuma produção por parte das glândulas responsáveis por este fluído. Difícil imaginar, mas é o que acontece com muitas pessoas. A xerostomia, termo usado para designar a sensação de boca seca, é muito mais recorrente do que se pode imaginar e está relacionada a diversos fatores.

Estudo realizado no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica (PAIC) pela graduanda Bruna Cruz, do 9º período do curso de Odontologia, da Universidade Nilton Lins, visa avaliar o uso da Laserterapia em pacientes, da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon),  afetados pela Xerostomia em decorrência de Radioterapia na região de cabeça e pescoço.

De acordo com a pesquisadora, a laserterapia é um tratamento feito à base de laser de baixa potência e no caso específico do estudo, o objetivo é que a sua aplicação favoreça a proliferação de novas células de maneira a ampliar a produção das glândulas salivares. O projeto abrange pacientes pós-radioterapia, que não procuraram inicialmente o serviço de saúde para tratar o problema, porém, há casos em que a aplicação do laser é feita em paralelo com a radioterapia.

PesquisadoraBrunaCruzduranteapresentacaodapesquisa_CREDITO_PatríciaTrigueiro_ASCOM_FCECON03

Pesquisa apoiada pela Fapeam foi apresentada durante Congresso de Iniciação Científica na FCECON

Resultado da primeira etapa da pesquisa, já revela sinais de melhoria da qualidade vida dos pacientes assistidos. O primeiro que finalizou o tratamento aumentou 0,11 mililitros de saliva por exemplo. “Tinham pacientes que levantavam de seis a sete vezes à noite para beber água e hoje, levantam uma vez”, comenta Bruna Cruz. “Se para nós esse aumento da produção de saliva não é expressivo, para o paciente já está sendo muito importante”, completou.

Quando não tratada corretamente, a Xerostomia pode causar problemas graves de saúde, uma vez que a saliva possui diversas funções, entre as quais, lubrificar e umedecer o interior da boca, facilitando a própria fala; atuar na formação do bolo alimentar a ser digerido e ainda auxiliar no controle da quantidade de água no organismo. Pacientes xerostômicos têm a pele e lábios secos, podem ter problemas na  fonação e também  sofrer das chamadas infecções oportunistas, como  candidíase oral (infecção causada pelo excesso de fungo na boca) e  mucosite (inflamação nas mucosas orais). “Têm pessoas que precisam andar com bombom, chiclete, garrafinha com água o tempo todo e em casos mais graves, os médicos chegam a prescrever salivas artificiais”, comenta a graduanda de Medicina.

O estudo foi apresentado durante a primeira edição deste ano da Jornada de Iniciação Científica, organizada pela Diretoria de Ensino e Pesquisa da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon). O objetivo do evento  foi avaliar resultados parciais de 35 pesquisas. Dessas, 24 recebem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

A orientadora do projeto, Prof. Drª Liz Mizobe Ono, frisa que as apresentações são parciais e a análise por parte dos componentes da banca examinadora é extremamente necessária porque auxilia no alinhamento dos projetos. Segundo ela, alguns trabalhos são voltados à qualidade de vida do paciente, como é o caso da pesquisa de tratamento da Xenofobia com Laserterapia, e outros para a melhoria do atendimento.

Conforme a diretora-técnica de Ensino e Pesquisa da FCECON, Prof. Doutora Kátia Luz Torres, o Programa de Iniciação Científica tem a missão de provocar nos alunos esse processo de aprendizagem do método científico e a jornada tem a característica de  propiciar a avaliação de projetos de estudo científico em andamento na FCecon. “Temos egressos do PAIC, que começou há oito anos na Fundação, e hoje, estão fazendo Mestrado e Doutorado”, ressaltou a diretora.

Pesquisadora Bruna Cruz durante apresentacao da pesquisa_CREDITO_Patrícia Trigueiro_ASCOM_FCECON 01

Departamento de Difusão do Conhecimento- Decon

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Pesquisa mostra avanço no tratamento da ‘boca seca’ com laser em pacientes que passaram por Radioterapia

O estudo está sendo desenvolvido com o apoio da Fapeam por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica (PAIC)

Imagine ter de comprar saliva em razão do nível baixo ou de nenhuma produção por parte das glândulas responsáveis por este fluído. Difícil imaginar, mas é o que acontece com muitas pessoas. A xerostomia, termo usado para designar a sensação de boca seca, é muito mais recorrente do que se pode imaginar e está relacionada a diversos fatores.

Estudo realizado no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica (PAIC) pela graduanda Bruna Cruz, do 9º período do curso de Odontologia, da Universidade Nilton Lins, visa avaliar o uso da Laserterapia em pacientes, da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon),  afetados pela Xerostomia em decorrência de Radioterapia na região de cabeça e pescoço.

De acordo com a pesquisadora, a laserterapia é um tratamento feito à base de laser de baixa potência e no caso específico do estudo, o objetivo é que a sua aplicação favoreça a proliferação de novas células de maneira a ampliar a produção das glândulas salivares. O projeto abrange pacientes pós-radioterapia, que não procuraram inicialmente o serviço de saúde para tratar o problema, porém, há casos em que a aplicação do laser é feita em paralelo com a radioterapia.

PesquisadoraBrunaCruzduranteapresentacaodapesquisa_CREDITO_PatríciaTrigueiro_ASCOM_FCECON03

Pesquisa apoiada pela Fapeam foi apresentada durante Congresso de Iniciação Científica na FCECON

Resultado da primeira etapa da pesquisa, já revela sinais de melhoria da qualidade vida dos pacientes assistidos. O primeiro que finalizou o tratamento aumentou 0,11 mililitros de saliva por exemplo. “Tinham pacientes que levantavam de seis a sete vezes à noite para beber água e hoje, levantam uma vez”, comenta Bruna Cruz. “Se para nós esse aumento da produção de saliva não é expressivo, para o paciente já está sendo muito importante”, completou.

Quando não tratada corretamente, a Xerostomia pode causar problemas graves de saúde, uma vez que a saliva possui diversas funções, entre as quais, lubrificar e umedecer o interior da boca, facilitando a própria fala; atuar na formação do bolo alimentar a ser digerido e ainda auxiliar no controle da quantidade de água no organismo. Pacientes xerostômicos têm a pele e lábios secos, podem ter problemas na  fonação e também  sofrer das chamadas infecções oportunistas, como  candidíase oral (infecção causada pelo excesso de fungo na boca) e  mucosite (inflamação nas mucosas orais). “Têm pessoas que precisam andar com bombom, chiclete, garrafinha com água o tempo todo e em casos mais graves, os médicos chegam a prescrever salivas artificiais”, comenta a graduanda de Medicina.

O estudo foi apresentado durante a primeira edição deste ano da Jornada de Iniciação Científica, organizada pela Diretoria de Ensino e Pesquisa da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon). O objetivo do evento  foi avaliar resultados parciais de 35 pesquisas. Dessas, 24 recebem apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

A orientadora do projeto, Prof. Drª Liz Mizobe Ono, frisa que as apresentações são parciais e a análise por parte dos componentes da banca examinadora é extremamente necessária porque auxilia no alinhamento dos projetos. Segundo ela, alguns trabalhos são voltados à qualidade de vida do paciente, como é o caso da pesquisa de tratamento da Xenofobia com Laserterapia, e outros para a melhoria do atendimento.

Conforme a diretora-técnica de Ensino e Pesquisa da FCECON, Prof. Doutora Kátia Luz Torres, o Programa de Iniciação Científica tem a missão de provocar nos alunos esse processo de aprendizagem do método científico e a jornada tem a característica de  propiciar a avaliação de projetos de estudo científico em andamento na FCecon. “Temos egressos do PAIC, que começou há oito anos na Fundação, e hoje, estão fazendo Mestrado e Doutorado”, ressaltou a diretora.

Pesquisadora Bruna Cruz durante apresentacao da pesquisa_CREDITO_Patrícia Trigueiro_ASCOM_FCECON 01

Departamento de Difusão do Conhecimento- Decon

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Vacinação contra sarampo é essencial para que países mantenham eliminação da doença nas Américas, reitera OPAS

A Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) adverte que, ante os surtos de sarampo nas Américas, os países devem redobrar esforços para vacinar suas populações, fortalecer a vigilância a fim de detectar possíveis pacientes e implementar medidas para responder rapidamente a qualquer caso suspeito, em uma atualização epidemiológica publicada nesta sexta-feira (16).

A região foi declarada por um Comitê Internacional de Especialistas como livre da rubéola e da síndrome da rubéola congênita, em 2015, e do sarampo, em 2016. A eliminação dessas três doenças foi o ponto culminante de um esforço de 22 anos que incluiu a vacinação em massa contra o sarampo, a caxumba e a rubéola em todo o continente. No entanto, como o vírus do sarampo é altamente contagioso e permanece em circulação no resto do mundo, como o vírus da rubéola, a região corre o risco de surtos dessas doenças.

Nos primeiros meses de 2018, são nove os países que relataram casos confirmados de sarampo: Antígua e Barbuda (1 caso), Brasil (14 casos), Canadá (4 casos), Colômbia (1 caso), Estados Unidos da América (13 casos), Guatemala (1 caso), México (4 casos), Peru (2 casos) e Venezuela (886 casos no total, 159 em 2018), aponta a atualização epidemiológica.

Em 2017, quatro países relataram casos confirmados de sarampo: Argentina, Canadá, Estados Unidos e Venezuela. Além disso, os casos na região europeia quadruplicaram em 2017, o que aumenta o risco de casos de sarampo serem importados para países das Américas. A OPAS/OMS vem alertando sobre esta situação desde maio de 2017 e em sucessivas atualizações epidemiológicas.

Ante esta situação, a OPAS/OMS recomenda a seus países:

1 – Vacinar a população para manter uma cobertura homogênea de 95% com a primeira e a segunda dose da vacina contra sarampo, caxumba e rubéola em todos os municípios.

2 – Fortalecer a vigilância epidemiológica do sarampo para detectar casos suspeitos nos serviços de saúde públicos e privados.

3 – Dar uma resposta rápida ao detectar casos importados de sarampo, com o objetivo de evitar o restabelecimento da transmissão endêmica do vírus (ou seja, que existe de forma contínua e constante dentro de uma determinada região), incluindo a ativação de equipes que deem seguimento aos casos e seus contatos.

4 – Manter uma reserva de vacina sarampo-rubéola para ações de controle de casos importados em cada país da região.

Em 2017, os países das Américas se comprometeram a tomar medidas para manter a eliminação do sarampo, rubéola e síndrome da rubéola congênita, ao aprovar um plano de ação com esse objetivo. O plano enfatiza que, para manter a eliminação, os níveis de cobertura vacinal da população devem ser de 95% ou mais. Nos últimos cinco anos, a cobertura regional com a primeira dose da vacina contra o sarampo, a rubéola e a caxumba variou entre 92% e 94%.

O sarampo é uma das doenças mais contagiosas e afeta principalmente as crianças. É transmitida por gotas no ar ou contato direto com secreções do nariz, boca e garganta de indivíduos infectados. Os sintomas consistem em febre alta, erupção cutânea generalizada em todo o corpo, nariz entupido e olhos avermelhados. Pode causar complicações graves, como cegueira, encefalite, diarreia grave, infecções de ouvido e pneumonia, especialmente em crianças com problemas nutricionais e pacientes imunodeprimidos.

Fonte: OPAS

Mais de 100 propostas são pré-selecionadas para a 2ª chamada do PAREV

O montante disponibilizado pelo programa é de R$ 750 mil – valor superior ao da primeira chamada

Um total de 107 propostas foram pré-selecionadas para a 2ª chamada do Programa de Apoio à Realização de Eventos Científicos e Tecnológicos no Estado do Amazonas (PAREV).  Na manhã da última terça-feira (13), foi realizada Reunião Ordinária da Câmara de Assessoramento Científico-Pesquisa, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), com o objetivo de realizar análise inicial das propostas submetidas.

O montante disponibilizado pelo programa é de R$ 750 mil. Este valor é superior ao da primeira chamada, que foi de R$ 450 mil. As propostas concorrem nas modalidades Internacional, cujo auxílio-pesquisa pode atingir R$ 100 mil; Nacional, que dispõe de auxílio-pesquisa de até R$ 50 mil e por último, a Regional, que pode contemplar os selecionados com auxílio-pesquisa de até R$ 25 mil.

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Propostas da 2ª chamada do PAREV são analisadas pela Câmara de Assessoramento Científico – Pesquisa da Fapeam

 

A modalidade Regional foi a que obteve o maior número de inscritos – 45; seguida pela modalidade Nacional, com 37; e por fim, a Internacional com 25. Entre os requisitos definidos era de que os proponentes deveriam ter vínculo empregatício com Instituição de Pesquisa e Ensino Superior, centros de pesquisas, órgãos públicos sediados ou com unidade permanente no Amazonas. Também deveriam ter título de Doutor.

A Câmara de Assessoramento Científico – Pesquisa é responsável por deliberar sobre o montante a ser alocado a cada evento, considerando os critérios de análise e julgamento, a pontuação obtida pelos projetos enquadrados e o montante de recursos disponíveis, respeitando os limites estabelecidos para cada tipo de evento. Conforme o Edital a divulgação está prevista para acontecer ainda neste mês de março.

O PAREV visa divulgar resultados de pesquisas científicas  contribuir para a promoção do intercâmbio científico e tecnológico. Esta chamada é voltada ao apoio de eventos nos âmbitos da Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I), como por exemplo, congressos, simpósios, workshops, seminários, ciclo de palestras, conferências e oficinas de trabalho. Os mesmos devem ser realizados no período de julho a dezembro deste ano.

 

 Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)

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Fiocruz desenvolve molécula para tratamento de leucemia

Os resultados de uma pesquisa desenvolvida pelo Instituto Calos Chagas (ICC/ Fiocruz Paraná) abrem novas perspectivas para o tratamento de câncer, em especial da Leucemia Linfóide Aguda (LLA). Tratada desde 1970 com terapia que inclui a enzima asparaginase extraída de bactérias, a doença atinge com mais frequência crianças e jovens. No Brasil, cerca de 4 mil pacientes dependem deste tipo de medicamento, importado e utilizado pelos serviços de oncologia do Sistema Único de Saúde (SUS). O estudo desenvolveu uma versão inovadora da asparaginase humana, que passou a ter maior atividade bioquímica após mudanças em sua estrutura, o que confere a ela um potencial terapêutico. A descoberta feita pelos inventores Stephanie Bath de Morais, Nilson Zanchin e Tatiana Brasil, com pedido de patente já depositada, abre perspectivas para o tratamento com uma enzima mais especifica e menos tóxica, uma contribuição importante para o tratamento da leucemia infantil.

 “A enzima obtida a partir de bactérias, embora efetiva no tratamento, provoca uma reação forte do sistema imunológico, causando diversos efeitos colaterais no paciente. A vantagem de se utilizar no tratamento uma proteína de origem humana seria a diminuição dos efeitos colaterais decorrentes do reconhecimento de uma molécula estranha. As células humanas produzem a asparaginase, porém a proteína nativa não apresenta atividade suficiente para utilização como medicamento. Utilizando a expertise do nosso grupo, nosso objetivo foi o de investigar a estrutura dessa molécula. Então, foram realizadas mudanças na sua estrutura que resultaram em atividade compatível com potencial uso terapêutico”, explica a pesquisadora do Laboratório de Proteômica e Engenharia de Proteínas, Tatiana Brasil. “Em quatro anos de pesquisa, identificamos as mudanças necessárias na estrutura da asparaginase humana e produzimos uma molécula inovadora no laboratório”, comemora.

Além da diminuição dos efeitos colaterais causados pelo medicamento disponível hoje no mercado, a descoberta pode abrir a possibilidade de produção nacional de um biofármaco com utilização essencial no tratamento da leucemia. “Hoje, o Brasil importa a asparaginase bacteriana que é utilizada nos serviços de oncologia cadastrados pelo SUS. Com a produção nacional dessa molécula humana inovadora, teríamos a possibilidade de melhorar o tratamento, baratear o custo e reduzir a dependência das importações”, ressalta Tatiana.

Os resultados também reforçam a característica de inovação das pesquisas desenvolvidas nos laboratórios da Fiocruz Paraná. O grupo foi orientado, durante todo o processo de proteção patentária, pelo Núcleo de Inovação Tecnológica da Fiocruz Paraná. “Passamos por duas avaliações e nossa descoberta está com o pedido de patente depositada. Não encontramos dificuldade no processo de proteção, pois os profissionais da Fiocruz nesta área estiveram presentes desde o início do projeto”, lembra a pesquisadora. “Nosso próximo passo é otimizar o processo de produção, e produzirmos a molécula humana modificada em quantidade suficiente para que possamos realizar os testes pré-clínicos a fim confirmar o potencial farmacológico dessa enzima”, finaliza Tatiana.

Conheça a atuação do Laboratório de Proteômica e Engenharia de Proteínas da Fiocruz Paraná aqui.

Fiocruz Paraná, por Renata Fontoura
Fonte: AFN Notícias
Foto: Fiocruz Paraná

1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde vai debater fortalecimento do SUS

Tem início nesta terça-feira (27), em Brasília, a 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde. Organizada pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), o objetivo é propor diretrizes para a formulação da Política Nacional de Vigilância em Saúde e o fortalecimento de ações de Promoção e Proteção à saúde.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, participa da abertura da Conferência, ocasião em que fará um balanço das ações de vigilância em saúde. O fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a democracia, a importância do olhar para o território, as responsabilidades do poder público e o lugar da Vigilância em Saúde no SUS, estão entre os temas que serão discutidos com acadêmicos, especialistas, conselheiros de saúde, trabalhadores, usuários e gestores.

A abertura terá como tema Vigilância em Saúde: Direito, Conquistas e Defesa de um Sistema Único de Saúde (SUS) Público de Qualidade. O evento deverá reunir cerca de 2 mil pessoas de várias partes do Brasil que participaram de centenas de conferências, realizadas em 2017 em todo o país, tanto municipais quanto estaduais, distrital, macrorregionais, livres e plenária. Ao todo 170 propostas consolidadas nas etapas preparatórias serão levadas para a Conferência Nacional.

Para discutir questões nos eixos de Vigilância em Saúde: Direito, Conquista e Defesa de um SUS Público de Qualidade; O Lugar da Vigilância em Saúde no SUS e Saberes, Práticas, Processos de trabalhos e Tecnologias na Vigilância em Saúde; e Responsabilidades do Estado com a Vigilância em Saúde e Vigilância Participativa e Democrática para o Enfrentamento das Iniquidades Sociais em Saúde, a Conferência Nacional vai reunir palestrantes como: o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jarbas Barbosa; a procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de SP, Élida Graziane; o professor do Departamento de Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Norberto Rech; e o ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo.

A 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde surgiu a partir dos resultados da 15ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 2015, e em decorrência de diversos debates ocorridos no Conselho Nacional de Saúde em torno de variadas agendas. O evento será realizado, até o dia 02 de março, no Centro de Eventos da Ascade (SCES Trecho 2, Conjunto 10, Lote 18, Asa Sul, Brasília). A abertura oficial será as 18 horas.

Para saber mais:

Conheça a programação e os palestrantes da 1ª CNVS

Conheça o Caderno das Propostas Consolidadas para a 1ª CNVS

Agência Saúde, Por Ana Cláudia Amorim
Fonte: Minstério da Saúde

1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde vai debater fortalecimento do SUS

Tem início nesta terça-feira (27), em Brasília, a 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde. Organizada pelo Conselho Nacional de Saúde (CNS), o objetivo é propor diretrizes para a formulação da Política Nacional de Vigilância em Saúde e o fortalecimento de ações de Promoção e Proteção à saúde.

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, participa da abertura da Conferência, ocasião em que fará um balanço das ações de vigilância em saúde. O fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS), a democracia, a importância do olhar para o território, as responsabilidades do poder público e o lugar da Vigilância em Saúde no SUS, estão entre os temas que serão discutidos com acadêmicos, especialistas, conselheiros de saúde, trabalhadores, usuários e gestores.

A abertura terá como tema Vigilância em Saúde: Direito, Conquistas e Defesa de um Sistema Único de Saúde (SUS) Público de Qualidade. O evento deverá reunir cerca de 2 mil pessoas de várias partes do Brasil que participaram de centenas de conferências, realizadas em 2017 em todo o país, tanto municipais quanto estaduais, distrital, macrorregionais, livres e plenária. Ao todo 170 propostas consolidadas nas etapas preparatórias serão levadas para a Conferência Nacional.

Para discutir questões nos eixos de Vigilância em Saúde: Direito, Conquista e Defesa de um SUS Público de Qualidade; O Lugar da Vigilância em Saúde no SUS e Saberes, Práticas, Processos de trabalhos e Tecnologias na Vigilância em Saúde; e Responsabilidades do Estado com a Vigilância em Saúde e Vigilância Participativa e Democrática para o Enfrentamento das Iniquidades Sociais em Saúde, a Conferência Nacional vai reunir palestrantes como: o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Jarbas Barbosa; a procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de SP, Élida Graziane; o professor do Departamento de Ciências Farmacêuticas da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Norberto Rech; e o ex-ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo.

A 1ª Conferência Nacional de Vigilância em Saúde surgiu a partir dos resultados da 15ª Conferência Nacional de Saúde, realizada em 2015, e em decorrência de diversos debates ocorridos no Conselho Nacional de Saúde em torno de variadas agendas. O evento será realizado, até o dia 02 de março, no Centro de Eventos da Ascade (SCES Trecho 2, Conjunto 10, Lote 18, Asa Sul, Brasília). A abertura oficial será as 18 horas.

Para saber mais:

Conheça a programação e os palestrantes da 1ª CNVS

Conheça o Caderno das Propostas Consolidadas para a 1ª CNVS

Agência Saúde, Por Ana Cláudia Amorim
Fonte: Minstério da Saúde

Projeto busca vírus que possam causar pandemias globais

A revista Science publicou, nesta sexta-feira (23/2), um artigo que descreve um projeto que quer fazer diferente usando um velho conselho: é melhor prevenir que remediar. O artigo trata do Projeto Viroma Global (PVG), iniciativa internacional que propõe uma estratégia absolutamente diversa da que tem sido adotada ao combate dos riscos virais. A proposta do PVG é identificar e caracterizar os vírus com potencial de risco, gerando conhecimento que possibilite antever as próximas epidemias e mitigar seus danos. Os cientistas do PVG estimam que há aproximadamente 1,6 milhão de vírus desconhecidos no mundo. Entre eles, de 600 a 800 mil deles podem infectar o homem. Os cientistas do PVG querem saber quem são eles e qual caminho podem seguir. O grupo de cientistas pretende caracterizar os patógenos emergentes, identificar práticas e comportamentos que levam a propagação e ampliação da doença e propor conjunto de medidas para caso de emergências.

A proposta, embora audaciosa, está sustentada em evidências robustas coletadas pelo Predict – um projeto piloto, conduzido pela Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (USAIDS) com foco no fortalecimento de competências e estruturas laboratoriais para detectar e prever pandemias a partir de vírus que são transmitidos da relação entre animais e humanos. Para alcançar seu objetivo, o PVG pretende ampliar e fortalecer laboratórios de virologia existentes e criar uma base de dados de larga escala em ecologia e genética de vírus de alto risco propondo transformar a ciência básica em virologia em uma área de conhecimento baseada em big data.

O Predict, em oito anos, com U$ 170 milhões e mais de 30 países parceiros, conseguiu coletar aproximadamente 250 mil amostras de mais de 90 mil origens e identificou aproximadamente mil novos vírus. Capacitou mais de 4 mil profissionais e tem 50 laboratórios em plena atividade. Os números demonstram o acerto na abordagem OneHealth, que considera a intrínseca relação entre a população, animais e o meio ambiente para o mapeamento de vírus que representam perigo para a saúde.

De fato, 75% dos patógenos emergentes é transmitido por animais. De acordo com o artigo publicado na Science, o PVG estima que a maioria da diversidade viral de nossos reservatórios zoonóticos podem ser descobertos, caracterizados e avaliados em um prazo de dez anos. De acordo com o artigo, a iniciativa dependerá da adoção de tecnologias de ponta para sequenciamento além da colaboração entre virologistas, epidemiologistas e modeladores, novas estratégias para avaliar as relações entre vírus e hospedeiros, e conhecimento nas áreas de biologia evolutiva, modelagem de biodiversidade, veterinária, entre outras.

O Brasil faz parte dessa iniciativa. O coordenador do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias em Saúde (CDTS/Fiocruz), Carlos Morel, é co-autor do artigo da Science e participa da governança do projeto ao lado do diretor da Unidade de Desenvolvimento e Segurança da Saúde Global da Agência Americana para Ajuda Internacional, Dennis Carroll. O Brasil é um hotspot para pesquisas e coleta de amostras dada a alta probabilidade de extrapolação dos vírus de seus reservatórios para o ser humano.  Além disso, o país tem cientistas com importantes contribuições para a compreensão e prevenção de doenças emergentes virais, como o especialista em virologia do CDTS Thiago Moreno, que a partir do sequenciamento e análise do comportamento do vírus da zika identificou a trajetória da epidemia e testa medicamentos já aprovados para tratar a doença e evitar que a transmissão do vírus para o feto. O Brasil tem biodiversidade, liderança, ciência e experiência em alianças internacionais.

Os organizadores do PVG estão estabelecendo um desenho de gestão transparente e com participação equitativa de cada país envolvido. Questões éticas, sociais, legais pautam as atividades científicas. Na prática, isso representa um esforço para construir protocolos de acesso a biodiversidade e patrimônio genético em conformidade com Protocolo de Nagoya e as regras dos países envolvidos, acordos para o compartilhamento de amostras, dados e potenciais benefícios na hipótese de desenvolvimento e comercialização de produtos e serviços, além de políticas de proteção da propriedade intelectual e compliance que estabelecem, de antemão, os valores e princípios que os parceiros devem observar, garantindo a proteção das populações e o meio ambiente e a primazia do interesse público e o bem comum. A estratégia de vigilância orientada e baseada no risco, voltada para a detecção de vírus no seu ambiente natural pode conduzir a intervenções eficientes antes do contágio de pessoas ou animais alimentares.

O custo da empreitada foi avaliado em US$ 1,2 bilhão, para aumentar a capacidade de identificação de patógenos, fortalecer capacidades e laboratórios existentes, colher dados e gerar conhecimento. Entre os benefícios, mais conhecimento pode oferecer respostas mais eficientes e rápidas aos surtos, nortear o desenvolvimento e aprimoramento de diagnósticos, medicamentos e vacinas. Entendendo como o vírus se comporta, é possível, inclusive, evitar que se espalhe e criar consciência global e regional e informar políticas para evitar ou mitigar a disseminação dos vírus.

Para fins de comparação, um recente estudo na área da economia da saúde avaliou que o Brasil gastou R$ 2,3 bilhões com dengue, chikungunya e zika, apenas em 2016. Considerado conservador pelos próprios autores, o estudo calculou custos diretos, como atendimento e medicamentos e ausência no trabalho, e indiretos, como o combate ao mosquito vetor, mas excluiu, por exemplo, despesas com tratamento da microcefalia e anos de vida perdidos. Pode-se dizer que o Brasil pagou o preço alto pela inação.

O Boletim Epidemiológico 3/2018 do Ministério da Saúde divulgou que mais de 3 mil crianças nasceram com malformação em virtude do vírus zika entre os anos de 2015 e 2017. Por malformação compreende-se microcefalia, comprometimento do sistema nervoso central, epilepsia, deficiências auditivas e visuais, dificuldade de desenvolvimento psicomotor, além de prejuízos nos ossos e articulações. Entre mais de 15 mil notificações de suspeitas de zika, 507 crianças morreram, desconsiderando abortos e natimortos.

Esse número ganha corpo com a história de Henrique, de 2 anos. Diagnosticado com microcefalia causada pela zika, tem dificuldades de se manter de pé, sentar ou sustentar a cabeça. Pouco fala e mal enxerga. As atividades de fisioterapia, fonoaudiologia, estimulação visual e terapia ocupacional que o menino faz desde o nascimento não têm promovido melhoras expressivas e a mãe de Henrique, apesar da esperança, pouco sabe sobre seu futuro.

Cientistas vêm descobrindo e descrevendo os efeitos das epidemias virais na medida em que seus danos ocorrem. Do mesmo modo que autoridades administrativas na área da saúde tomam decisões no auge dessas emergências. A fragilidade das ações em saúde pública que reagem a propagação de vírus novos e reemergentes não é exclusividade do Brasil. Agora mesmo, assistimos os EUA definindo como lidar com o H3N2, um tipo de influenza A, no meio da crise.

Há muito ainda para ser desenvolvido em termos de tecnologias para diagnósticos e tratamentos. Medicamentos e vacinas levam de 10 a 20 para seu desenvolvimento completo. É um processo longo, complexo, custoso e de alto risco. Por outro lado, aproximadamente três novas doenças virais surgem a cada ano. De acordo com o Ministério da Saúde, em apenas dois anos o número de mortos pelo chikungunya subiu de 14 (2015) para 173 pessoas (2017).

As tecnologias disponíveis não dão conta dos efeitos causados pelas doenças virais emergentes, seja porque pensadas para um grupo limitado de pacientes ou por falta de capacidade de produção e distribuição que garanta o acesso imediato de alto volume de tratamento ou vacinas. O vírus H1N1, por exemplo, foi detectado em 2009 e infectou quase 2 bilhões de pessoas em 73 países. Nesse mesmo prazo, como resposta sanitária, apenas 17% da população global foi imunizada.

Pensar em política públicas de saúde e desenvolver medidas de reparação após a dispersão do vírus expõe a população a danos trágicos, como os de Henrique. Estudos recentes estimam que o mundo conhece apenas 1% dos vírus que podem causar doenças. Mudanças demográficas e ambientais, além do mercado global e trânsito internacional de pessoas, contribuem para o aumento e propagação de vírus novos e reemergentes, como HIV, ebola, Mers, síndrome respiratória aguda grave (SARS), dengue, chikungunya, zika etc.

Detecção precoce é elemento imprescindível para combater as doenças virais emergentes. Nossa capacidade de lidar com as próximas epidemias está limitada pelo desconhecimento sobre essas ameaças. O PVG pretende abastecer a comunidade global com informações necessárias para detectar, prevenir e agir de maneira proativa às epidemias emergentes, mitigando o risco de futuras epidemias reduzindo o impacto das doenças como a zika, que afetou Henrique e sua família. Se o objetivo for alcançado, o preço é insignificante.

CDTS/Fiocruz, por Renata Curi Hauegen
Fonte: AFN

Inimigos dos livros: cartilha mostra como evitar, detectar e combater insetos

Fonte de conhecimento e porta de entrada para um vasto universo de histórias e fantasias, os livros não são apenas procurados por quem deseja se alimentar de saberes, mas, também, são os alvos preferidos de algumas espécies de insetos que devoram suas páginas. A partir de agora, os principais espécimes que provocam danos às bibliotecas e seus acervos históricos estão reunidos em um só lugar. Criada por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a cartilha Insetos Bibliófagos – Identificação, prevenção e controle apresenta, com o uso de imagens e de uma linguagem clara, as características básicas e os hábitos de traças, baratas, cupins, dentre outros insetos, e explica as formas mais eficazes para evitar, detectar e combater essas pragas. De autoria dos biólogos Jane Costa e Márcio Felix, do Laboratório de Biodiversidade Entomológica do IOC, o guia está disponível para download gratuito (clique aqui).

Os insetos bibliófagos compõem um grupo diverso que inclui traças, baratas, cupins, besouros e piolhos-de-livro. Alguns consomem e vivem no papel, outros preferem materiais aplicados ao papel, como cola, goma e gelatina. As traças-dos-livros ou traças-de-papel estão entre os principais causadores de danos aos livros e bibliotecas no Brasil. Pragas comuns em climas úmidos, elas possuem hábitos noturnos e podem ser reconhecidas por deixar superfícies ásperas, corroídas e buracos irregulares no papel.

Os cupins, por sua vez, são altamente destrutivos em relação a madeiras estruturais, devido à facilidade com que se espalham em grande quantidade para mobiliários, prateleiras, arquivos e livros. Eles deixam rastros nas formas de buracos profundos, galerias de trajetos irregulares e rasuras. As fezes são geralmente numerosas e em aspecto de diminutos grãos claros.

Geralmente relacionadas a ambientes sujos como esgotos e sarjetas, as baratas também possuem função importante na deterioração de acervos. A cartilha destaca três espécies que apresentam diferentes perfis em relação à temperatura, umidade e tipo de alimentação. No que diz respeito aos danos, elas podem causar desgaste com formato irregular e manchas por conta das fezes escuras.

PREVENÇÃO E CONTROLE

Uma das formas mais eficientes para prevenir os danos causados por insetos bibliófagos é o estabelecimento de um programa de Controle Integrado de Pragas (CIP), que envolve, entre outras ações, a busca regular por sinais de pragas, o uso de armadilhas e o armazenamento dos livros em ambiente limpo e seco. “Essa cartilha tem um enfoque objetivo e pode ser aplicada às questões da preservação dos acervos bibliográficos. É dedicada a todos os profissionais responsáveis por acervos das mais diversas áreas do conhecimento, da saúde à economia, da história da humanidade à ecologia. O material oferece todo um auxílio no passo-a-passo para o monitoramento e controle desses insetos”, esclarece Jane Costa.

Por: Lucas Rocha (IOC/Fiocruz)*
*Edição: Vinicius Ferreira
Fonte: Portal Fiocruz