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Pesquisa analisa qualidade de vida do cuidador de paciente com câncer em Manaus

O estudo quer saber como anda a qualidade de vida do cuidador para assim propor ações preventivas para ajudar na saúde do acompanhante

Uma pesquisa desenvolvida com apoio do Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) vem analisando a qualidade de vida do cuidador familiar do paciente em internação hospitalar com diagnóstico de câncer, na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon).

O estudo é realizado pela graduanda em Enfermagem Giselle Luany Jefres e orientado pela pesquisadora Júlia Mônica Benevides. O trabalho iniciou em 2016, no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica, e já avaliou 74 pessoas, que ficaram de um mês até dois anos como cuidador de paciente na FCecon. Desse número 70 são mulheres, na faixa etária de 30 a 40 anos.

A pesquisa tem previsão para terminar em 2019. Até lá, se espera coletar dados de quase 400 cuidadores. “Estamos tentando verificar não apenas o paciente, mas também o cuidador para evitar que esse acompanhante venha desencadear alguma doença e se tornar também um paciente. Na pesquisa estamos verificando de que forma podemos agir com o cuidador para evitar isso como, por exemplo, por meio da área de psicologia do hospital através de diálogos e conversas”, conta Giselle.

Segundo Giselle, para a coleta e avaliação foram realizados dois questionários, com questões sobre a vida pessoal e financeira, além das informações sobre o ambiente onde cuidador reside e sobre o tempo que acompanha o paciente durante o tratamento.

IMG_2041A graduanda em Enfermagem Giselle Luany Jefres tem previsão para terminar a pesquisa em 2019, com dados de quase 400 cuidadores

A graduanda em Enfermagem diz que o resultado do questionário mostra que todos os 74 cuidadores avaliados apresentaram qualidade de vida regular, ou seja, não é um nível elevado e nem muito baixo. Um dos fatores que pode estar associado a isso é a condição financeira.

“O fato de receber um salário mínimo pode acabar estressando o cuidador, pois não tem renda suficiente, por exemplo, para pegar o transporte e manter sua ida ao hospital. Isso acarreta estresse, desconforto e pode prejudicar o paciente, fazendo ele se sentir um “fardo” para o cuidador”, afirmou.

Essa é a primeira vez que a estudante participa de um projeto de iniciação científica. Ela destacou a importância do apoio da Fapeam no andamento da pesquisa.

“O apoio da Fapeam nos permitiu fazer essa coleta de dados, pesquisar, ampliar o nosso conhecimento e contribuir com a sociedade por meio de ações de prevenção à saúde”, destacou.

Sobre o Paic

 O programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic) visa disseminar o conhecimento científico por meio do envolvimento das instituições, pesquisadores e estudantes de graduação em todo o processo de investigação, proporcionando principalmente aos alunos a experiência prática e o desenvolvimento de habilidades em pesquisas.

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Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)/ Fapeam

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Alunos do ILMD são aprovados em Programa de Mobilidade Acadêmica da Fiocruz

A Coordenação Geral de Pós-graduação (CGPG) da Vice-Presidência de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) divulgou lista dos candidatos aprovados para o Programa de Mobilidade Acadêmica da Instituição. Dos cinco alunos selecionados, três são do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia).

Thayana Cruz de Souza, aluna do Programa de Doutorado em Ciências – Cooperação IOC-ILMD, Eric Fabrício Marialva e Ismael Alexandre da Silva Nascimento, alunos do Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO-Interação) foram aprovados na chamada de seleção pública, oferecida para alunos de pós-graduação Stricto sensu, matriculados em programas de mestrado acadêmico, mestrado profissional ou doutorado da Fiocruz.

O objetivo do programa é selecionar alunos, que tenham interesse em desenvolver projetos de pesquisa em unidades ou escritórios da Fiocruz, distintas daquelas nas quais estão regularmente associados. A ideia é induzir a formação de profissionais da saúde, ampliando a possibilidade de capacitação técnico-cientifica dos pós-graduandos, além de amplificar as oportunidades de interdisciplinaridade.

PESQUISA E MOBILIDADE

Com o objetivo de estudar a biologia de L. migonei em condições de laboratório e sua interação com Leishmania infantum chagasi, o mestrando Eric Marialva desenvolverá no Instituto René Rachou (Fiocruz Minas), o estudo “Biologia experimental de Lutzomyia migonei (Diptera, Psychodidae, Phlebotominae): Aprimoramento de técnicas de criação em massa e modelo experimental para infecção e transmissão de Leishmania infantum chagasi.

Segundo Marialva, a Fiocruz Minas “possui expertise em modelos de transmissão experimental de diversos insetos vetores e agentes etiológicos, incluindo modelos flebótomos-leishmânias. Irei desenvolver na unidade: Infecção experimental de Lutzomyia migonei por Leishmania infantum chagasi e Le. braziliensis; transmissão de Leishmania pela picada de L. migonei e qPCR em tempo real para detecção e quantificação das leishmânias, sob a orientação e supervisão da Dra. Nagila Francinete Costa Secundino, entre outubro e dezembro de 2017”.

Sob orientação do Dr. Felipe Gomes Naveca, o mestrando Ismael Nascimento teve aprovado o projeto “Diversidade genética do vírus Chikungunya e sua relação com sintomatologia observada durante a circulação em dois estados da Amazônia Ocidental (Amazonas e Roraima). O objetivo principal do estudo é analisar a diversidade genética intra e inter-hospedeiro, processos evolutivos e manifestações da infecção, relacionados ao vírus Chikungunya circulante nos estados de Roraima e Amazonas, entre os anos de 2014 e 2017.

Segundo Nascimento, outro objetivo deste intercâmbio é o treinamento em ferramentas de bioinformática para a análise da história evolutiva e filogeográfica de agentes virais e análise de dados gerados por Sequenciamento de Nova Geração (NGS).

“As atividades serão desenvolvidas no Instituto Oswaldo Cruz (IOC), sob supervisão do Dr Gonzalo Bello, e compreenderão a inferência filogenética, entre sequências derivadas de genomas virais, reconstrução filogeográfica baseada nas sequencias de nucleotídeo e análises variadas de dados obtidos por NGS, como diversidade genética”, explicou.

A doutoranda Thayana Cruz está desenvolvendo o estudo “Identificação de proteases fibrinolíticas em bactérias e fungos da Coleção Biológica da Fiocruz Amazônia, sua expressão em E. coli, purificação e caracterização bioquímica”, sob coorientação da Dra Ormezinda Fernandes.

Parte da tese será desenvolvida no Laboratório de Genômica Funcional e Bioinformática (LAGFB) do IOC, sob orientação do Dr. Wim Degrave, e pretende identificar e selecionar proteases fibrinolíticas em bactérias e fungos estocados no acervo da Coleção Biológica da Fiocruz Amazônia, visando desenvolver biomoléculas com potencial terapêutico, expressando os mesmos sob forma recombinante em E. coli.

Ascom ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fotos: Eduardo Gomes

 

 

 

Pesquisas pretendem potencializar uso da fibra de Curauá no Amazonas

Estudos são realizados por estudantes de engenharia mecânica da UEA e contam com apoio da Fapeam

A fibra extraída das folhas do curauá (Ananas erectifolius), planta típica da região amazônica, tem sido alvo dos projetos de pesquisa desenvolvidos pelos estudantes Emanuel Queiroz, Lucas Rocha e Rameses Botelho, sob a orientação do professor Gilberto Garcia del Pino, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Os estudos são realizados no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

De acordo com os acadêmicos, estudos sobre a fibra de curauá já são realizados em outras localidades da região amazônica, como o Pará, por exemplo. No entanto, a proposta das pesquisas desenvolvidas no Paic/UEA é de potencialização do uso da fibra no Estado, principalmente no Polo Industrial de Manaus (PIM). Eles acreditam que a fibra de curauá poderá ser uma substituta da fibra de vidro.

Para o estudante do 7º período de Engenharia Mecânica, Emanuel Queiroz, o potencial da fibra de curauá ainda é pouco explorado e o estudo pretende contribuir com a mudança deste cenário. Emanuel é bolsista no projeto “Avaliação de materiais compósitos particulados a base de fibra de curauá”.

“O objetivo mesmo é verificar a visibilidade dela (fibra de curauá) em ser uma potencial substituta da fibra de vidro, principalmente aqui no Polo Industrial. Existem outras fibras que são estudadas, como a fibra de piaçaba e a de juta. A fibra de curauá tem um grande potencial que não está sendo totalmente explorado”, disse Queiroz.

projeto-curaua (1)

Estudos são desenvolvidos pelos estudantes Emanuel Queiroz, Lucas Rocha e Rameses Botelho

Conforme o universitário, o custo das fibras de curauá e de vidro é semelhante. O diferencial está na sustentabilidade.

“O processo de fabricação da fibra de curuá é mais fácil de se fazer do que a fibra de vidro. Como a fibra de vidro vem da areia e passa por vários processos industriais para o preparo do produto final, que seria a fibra, que resulta na manta. Já a fibra de curauá, que é vegetal, o processo seria mais fácil, a manufatura seria mais simples”, explicou Emanuel.

O também estudante do 7º período de Engenharia Mecânica, Lucas Rocha, explica sobre a aplicabilidade da fibra de curauá. Bolsista no projeto “Estudo da influência do tratamento da fibra do curauá nas propriedades mecânicas do compósito”, ele reforça que a pesquisa quer comprovar a melhor aplicação da fibra.

“Ela (fibra de curauá) pode ser aplicada no capô de um carro, por exemplo. Várias empresas estão utilizando a fibra de vidro pra fazer o capô do carro, porque não utilizar a fibra de curauá? Há caixas de água feitas com fibra de vidro e que podem ser feitas com fibra de curauá. A fibra também poder ser usada na indústria civil, no revestimento de casas e colunas. A fibra de curauá pode ser até melhor que a fibra de vidro em algumas aplicações. O estudo é feito para comprovar essa melhor aplicação”, contou Rocha.

Fibra de curauá é uma alternativa sustentável, segundo os universitários.

Fibra de curauá é uma alternativa sustentável, segundo os universitários.

Rameses Botelho, finalista do curso de Engenharia Mecânica, participou de outros projetos do Paic que também estão envolvidos nas pesquisas sobre a fibra de curauá. O assunto é abordado em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Imerso nos estudos, ele contou como ocorre o processo de captação da fibra e a fase de tratamentos do material.

“Recebemos a fibra direto das mãos dos produtores. A fibra vem sem tratamento, in natura. Aqui nós selecionamos, retiramos as impurezas e penteamos a fibra. No nosso projeto pretendemos fazer uma melhor propriedade mecânica do compósito, por isso, estamos fazendo processos de tratamento nessas fibras. Além de usar a fibra natural, como recebemos, estamos fazendo tratamentos químicos nessa fibra”, disse Botelho.

O tratamento químico usado pelo grupo de pesquisa é o tratamento com o hidróxido de sódio, popularmente conhecido como solda cáustica. “Estamos usando ele (hidróxido de sódio) para tentar fazer uma limpeza maior nessas fibras com intuito de melhorar adesão da fibra com nosso polímero, que é de resina epóxi”, contou Ramases.

Após esta fase, que é a elaboração das amostras, começa a etapa do ensaio de tração. O ensaio será feito com uma máquina universal.

“Pegamos a amostra e prendemos nas garras da máquina, depois programamos a máquina para esticar o material até o rompimento. A partir do rompimento é emitido um gráfico onde podemos ver os resultados. Vemos até que ponto esse material resistiu e assim vamos testando com outras fibras vegetais”, explicou o universitário.

Sustentabilidade

Lucas Rocha destacou que o grande diferencial da fibra de curauá com relação à fibra de vidro está na questão sustentável. Ele explica que as qualidades da fibra de curauá vão além da vida útil do produto.

“Quando acabar a vida útil do material que usamos, caixa da água, capô do carro ou a coluna, o que fazemos com a fibra? Por exemplo, a fibra de vidro quando descartada na natureza é prejudicial ao meio ambiente pela difícil decomposição, porque dura muitos anos. Já a fibra de curauá é vegetal e sua decomposição é mais rápida e não agride a natureza”, contou Rocha.

Expectativa

Os dois projetos desenvolvidos no âmbito do Paic devem ser concluídos no segundo semestre deste ano. Para os bolsistas, a expectativa é que os estudos possam aumentar a visibilidade da fibra de curauá e  comprovar as vantagens do material, como explica Emanuel Queiroz.

“A maior expectativa é aumentar a visibilidade dessa fibra a ponto das empresas do PIM optarem por usar ela ao invés da fibra de vidro. As vantagens não são voltadas a uma área restrita, ela tem diversas aplicações. Inclusive a fibra pode ser mais explorada na construção civil por ter propriedades térmicas de isolamento. São muitas outras aplicações, diferente da fibra de vidro”, finalizou o universitário.

Texto: Francisco Santos – Agência Fapeam

Fotos: Said Medonça – Agência Fapeam

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Pesquisas pretendem potencializar uso da fibra de Curauá no Amazonas

Estudos são realizados por estudantes de engenharia mecânica da UEA e contam com apoio da Fapeam

A fibra extraída das folhas do curauá (Ananas erectifolius), planta típica da região amazônica, tem sido alvo dos projetos de pesquisa desenvolvidos pelos estudantes Emanuel Queiroz, Lucas Rocha e Rameses Botelho, sob a orientação do professor Gilberto Garcia del Pino, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA). Os estudos são realizados no âmbito do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

De acordo com os acadêmicos, estudos sobre a fibra de curauá já são realizados em outras localidades da região amazônica, como o Pará, por exemplo. No entanto, a proposta das pesquisas desenvolvidas no Paic/UEA é de potencialização do uso da fibra no Estado, principalmente no Polo Industrial de Manaus (PIM). Eles acreditam que a fibra de curauá poderá ser uma substituta da fibra de vidro.

Para o estudante do 7º período de Engenharia Mecânica, Emanuel Queiroz, o potencial da fibra de curauá ainda é pouco explorado e o estudo pretende contribuir com a mudança deste cenário. Emanuel é bolsista no projeto “Avaliação de materiais compósitos particulados a base de fibra de curauá”.

“O objetivo mesmo é verificar a visibilidade dela (fibra de curauá) em ser uma potencial substituta da fibra de vidro, principalmente aqui no Polo Industrial. Existem outras fibras que são estudadas, como a fibra de piaçaba e a de juta. A fibra de curauá tem um grande potencial que não está sendo totalmente explorado”, disse Queiroz.

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Estudos são desenvolvidos pelos estudantes Emanuel Queiroz, Lucas Rocha e Rameses Botelho

Conforme o universitário, o custo das fibras de curauá e de vidro é semelhante. O diferencial está na sustentabilidade.

“O processo de fabricação da fibra de curuá é mais fácil de se fazer do que a fibra de vidro. Como a fibra de vidro vem da areia e passa por vários processos industriais para o preparo do produto final, que seria a fibra, que resulta na manta. Já a fibra de curauá, que é vegetal, o processo seria mais fácil, a manufatura seria mais simples”, explicou Emanuel.

O também estudante do 7º período de Engenharia Mecânica, Lucas Rocha, explica sobre a aplicabilidade da fibra de curauá. Bolsista no projeto “Estudo da influência do tratamento da fibra do curauá nas propriedades mecânicas do compósito”, ele reforça que a pesquisa quer comprovar a melhor aplicação da fibra.

“Ela (fibra de curauá) pode ser aplicada no capô de um carro, por exemplo. Várias empresas estão utilizando a fibra de vidro pra fazer o capô do carro, porque não utilizar a fibra de curauá? Há caixas de água feitas com fibra de vidro e que podem ser feitas com fibra de curauá. A fibra também poder ser usada na indústria civil, no revestimento de casas e colunas. A fibra de curauá pode ser até melhor que a fibra de vidro em algumas aplicações. O estudo é feito para comprovar essa melhor aplicação”, contou Rocha.

Fibra de curauá é uma alternativa sustentável, segundo os universitários.

Fibra de curauá é uma alternativa sustentável, segundo os universitários.

Rameses Botelho, finalista do curso de Engenharia Mecânica, participou de outros projetos do Paic que também estão envolvidos nas pesquisas sobre a fibra de curauá. O assunto é abordado em seu Trabalho de Conclusão de Curso (TCC). Imerso nos estudos, ele contou como ocorre o processo de captação da fibra e a fase de tratamentos do material.

“Recebemos a fibra direto das mãos dos produtores. A fibra vem sem tratamento, in natura. Aqui nós selecionamos, retiramos as impurezas e penteamos a fibra. No nosso projeto pretendemos fazer uma melhor propriedade mecânica do compósito, por isso, estamos fazendo processos de tratamento nessas fibras. Além de usar a fibra natural, como recebemos, estamos fazendo tratamentos químicos nessa fibra”, disse Botelho.

O tratamento químico usado pelo grupo de pesquisa é o tratamento com o hidróxido de sódio, popularmente conhecido como solda cáustica. “Estamos usando ele (hidróxido de sódio) para tentar fazer uma limpeza maior nessas fibras com intuito de melhorar adesão da fibra com nosso polímero, que é de resina epóxi”, contou Ramases.

Após esta fase, que é a elaboração das amostras, começa a etapa do ensaio de tração. O ensaio será feito com uma máquina universal.

“Pegamos a amostra e prendemos nas garras da máquina, depois programamos a máquina para esticar o material até o rompimento. A partir do rompimento é emitido um gráfico onde podemos ver os resultados. Vemos até que ponto esse material resistiu e assim vamos testando com outras fibras vegetais”, explicou o universitário.

Sustentabilidade

Lucas Rocha destacou que o grande diferencial da fibra de curauá com relação à fibra de vidro está na questão sustentável. Ele explica que as qualidades da fibra de curauá vão além da vida útil do produto.

“Quando acabar a vida útil do material que usamos, caixa da água, capô do carro ou a coluna, o que fazemos com a fibra? Por exemplo, a fibra de vidro quando descartada na natureza é prejudicial ao meio ambiente pela difícil decomposição, porque dura muitos anos. Já a fibra de curauá é vegetal e sua decomposição é mais rápida e não agride a natureza”, contou Rocha.

Expectativa

Os dois projetos desenvolvidos no âmbito do Paic devem ser concluídos no segundo semestre deste ano. Para os bolsistas, a expectativa é que os estudos possam aumentar a visibilidade da fibra de curauá e  comprovar as vantagens do material, como explica Emanuel Queiroz.

“A maior expectativa é aumentar a visibilidade dessa fibra a ponto das empresas do PIM optarem por usar ela ao invés da fibra de vidro. As vantagens não são voltadas a uma área restrita, ela tem diversas aplicações. Inclusive a fibra pode ser mais explorada na construção civil por ter propriedades térmicas de isolamento. São muitas outras aplicações, diferente da fibra de vidro”, finalizou o universitário.

Texto: Francisco Santos – Agência Fapeam

Fotos: Said Medonça – Agência Fapeam

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Em reunião no ILMD/Fiocruz Amazônia, presidente do CNPq  assegura um olhar mais atencioso para Amazônia

Em tom de descontração e esperança o presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Mario Neto Borges, esteve nesta segunda-feira, 18/9, em encontro com pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

O encontro foi articulado pelo diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz, com o objetivo de aproximar a instituição do CNPq, o resultado foi uma reunião animada e participativa onde Mario Neto falou da sua gestão no CNPq, das prioridades e estratégias para o Conselho cumprir seus compromissos, mesmo diante das adversidades.

“A ideia é trazer uma expectativa positiva mesmo num momento de crise e de dificuldade, mas o CNPq está com um olhar muito preocupado, muito dedicado ao potencial que a Amazônia tem, em particular o estado do Amazonas’, declarou Mario Neto ao informar sobre alguns projetos lançados recentemente pelo CNPq, voltados para a região.

“Nós sabemos do potencial que a Amazônia tem, todo brasileiro sabe, então, o CNPq tem essa preocupação no radar. Nós temos desenhados alguns projetos, mesmo nessa dificuldade, como o que foi lançado agora para a biodiversidade da Amazônia; estamos negociando com empresas que têm interesse em explorar a biodiversidade, no sentido de fazer parceria de pesquisa com pesquisadores da área; além de projetos para a questão da saúde, de doenças infecciosas negligenciadas e doenças tropicais”, disse o presidente do CNPq ao defender também a formação de parcerias entre as instituições, inclusive entre as regiões com maior experiência com pesquisa, para o trabalho em conjunto.

Para o diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, a vinda de Mario Neto ao Instituto sinaliza parcerias em projetos na área de saúde, desenvolvimento científico e tecnológico, pesquisa e educação.

Mario Neto assegurou que CNPq em sua gestão terá um olhar atencioso para a Amazônia, para as instituições de ensino e pesquisa da região, em especial para o ILMD/Fiocruz Amazônia.

SOBRE O PRESIDENTE DO CNPq

Mario Neto é graduado em Engenharia Elétrica, mestre em Acionamentos Elétricos, e doutor em Inteligência Artificial Aplicada à Educação. Foi presidente do Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap) e membro do conselho da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes

Lesões e mortes causadas no trânsito devido ao consumo de bebida alcoólica e à velocidade também são de responsabilidade do Estado, aponta pesquisador

O excesso de velocidade é responsável por uma em cada três mortes por acidentes de trânsito em todo o mundo, aponta relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), Managing Speed divulgado em maio deste ano.

Estes números podem ser maiores se ocorrer a associação entre embriaguez alcoólica e direção veicular. Essa combinação é responsável por 9,4% das mortes e 9,0% das incapacidades de pessoas nas Américas, estima a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), no “Relatório de situação regional sobre o álcool e saúde nas Américas”, publicado em 2015.

Em ensaio publicado pela revista Saúde e Sociedade, da SciELO, sob o título “Apontamentos sobre as modalidades de intervenção social no enfrentamento das lesões e mortes causadas por acidentes de trânsito relacionados ao consumo de bebida alcoólica”, o pesquisador Marcilio Medeiros, do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) apresenta algumas reflexões sobre as modalidades de intervenção social no enfrentamento às lesões e mortes causadas por acidentes de trânsito relacionados ao consumo de bebida alcoólica.

Álcool e Saúde

O consumo de álcool está associado a diversos problemas de saúde em todo o mundo, sendo o principal fator de risco de morte e incapacidade da população mundial na faixa etária de 15 a 49 anos de idade.

De acordo com informações do pesquisador, no Brasil, a estimativa dessa combinação: velocidade + álcool, varia de acordo com o método e as circunstâncias em que foram coletados os dados. “Por exemplo, em Porto Alegre (RS), foi constatada uma associação de 54,2%. Esse foi coletado dos prontuários do Instituto Medicina Legal que aferiu alcoolemia de vítimas fatais de sinistro de trânsito naquela cidade.  Mas há outros que estimam a associação em 22,3%. É o caso da metodologia que coletou dados de 71 serviços de urgência e emergência sentinela das unidades de saúde do Sistema Único de Saúde (SUS) do país, quando o vitimado recebeu os primeiros cuidados e apresentavam sinais de embriaguez ou confirmar consumo de álcool”, explica Marcílio Medeiros.

De quem é a responsabilidade?

Para o pesquisador, ao mesmo tempo em que o Estado adota medidas para reduzir os acidentes de trânsito, permite a fabricação de veículos e motocicletas de alto desempenho, e a propaganda sem restrições de bebida alcoólica.

A reflexão identificou que as duas iniciativas (Lei Seca e o Legislação de Trânsito no que tange a obrigatoriedade de uso de equipamento de segurança e de respeitar a velocidade permitida) do Estado na redução das lesões e mortes por acidentes de trânsito envolvendo embriaguez ao volante agem no gerenciamento do risco, transferindo aos sujeitos a responsabilidade de erradicar comportamentos de risco.

Por outro lado, os conteúdos das mensagens publicitárias de bebida alcoólica atuam tanto no processo de tomada de decisão do indivíduo quanto no aumento do consumo geral de álcool. As peças publicitárias enfatizam temas e apelos relacionados ao efeito ansiolítico do produto, como também são associadas a símbolos nacionais, sempre evidenciando características positivas, calcada em tecnologias discursivas modalizadoras da felicidade.

Situação no Amazonas

No Amazonas ainda não se tem estudos específicos que analisem o nível de alcoolemia dos prontuários de óbito do Instituto Médico Legal (IML). O teste de alcoolemia no IML Manaus somente é realizado por demanda judicial, ou seja, não é de rotina. No entanto, a estimativa de lesões e mortes de trânsito é de 22,3%, de acordo com dados dos serviços sentinela do Programa de Vigilância de Violências e Acidentes do Ministério da Saúde. Portanto, estima-se que velocidade e consumo de álcool podem ser responsáveis por ¼ dos sinistros de trânsito em Manaus.

A partir de dados coletados em outro estudo sob sua coordenação, o pesquisador observa a interiorização do problema. Quando “comparamos os números de mortes por violência de trânsito terrestre nos anos de 1998 e 2009, verificamos que no primeiro ano havia registro de óbitos fatais em 18 dos 62 municípios amazonenses. Em 2009, o número de municípios saltou para 39”.

Legislação

O pesquisador reconhece que de 1980 a 2010 ocorreram mudanças importantes na legislação, que tornou-a mais rigorosa, o que influenciou na percepção e responsabilidade das pessoas sobre as lesões e mortes de trânsito associadas a embriaguez. Mas sabemos que outros fatores agem da determinação da violência de trânsito, como por exemplo, a qualidade do transporte coletivo, a infraestrutura das cidades (construção, conservação e sinalização das estradas); o que nos remetem a pensarmos sobre qual cidade queremos para viver, ou seja, o planejamento da mobilidade urbana.

Dentre essas inconsistências, o pesquisador cita a questão da compreensão do termo ‘acidente de trânsito”, que, pelo seu significado, pode transferir suas causas a ideias de destino, vontade divina ou intencionalidade, possibilitando que seja ponderada a sua relação com a violência.

Uma outra contradição está ligada a aplicação da Lei Seca que possibilitou aos órgãos públicos fiscalizar, multar e prevenir os acidentes de trânsito relacionados ao consumo do álcool, por meio de teste de bafômetro em pontos de checagem de sobriedade (concentração de etanol no sangue de 0,2 g/L) e que reduziu em 17 das 27 capitais brasileiras o número de mortes no segundo semestre de 2008, em comparação com o ano de 2007. Porém, essa redução não foi homogênea entre as unidades da Federação, sendo mais expressiva apenas nas capitais, onde se dispõem com mais frequência do etilômetro.

A outra questão ganha abrangência internacional, e diz respeito à proibição da propaganda de bebida alcoólica e a redução dos danos atribuíveis ao seu consumo.  Nesta luta entram os movimentos sociais que atuam em uma perspectiva de reduzir os efeitos nocivos do álcool em todo o mundo, através da promoção de políticas baseadas nos conhecimentos científicos existentes, independentemente de interesses comerciais.

Para Marcilio Medeiros, “essas novas lutas sociais, em nível mundial, pregam que as estratégias de enfrentamento dos problemas relacionados ao consumo de bebidas alcoólicas devem ser planejadas globalmente, haja vista o marketing das indústrias de bebidas alcoólicas operar de forma globalmente articulada”.

Sobre o pesquisador

Marcílio Medeiros é doutorando em Saúde Pública e Direitos Humanos pela Fundação Oswaldo Cruz e Universidade de Coimbra e coordena o Curso de Especialização em Saúde Ambiental do Instituto Leônidas e Maria Deane, unidade técnica-científica da Fundação Oswaldo Cruz na Amazônia.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Eduardo Gomes

Estudo mapeia dispersão da febre amarela no Brasil

Desde 2000, o Brasil teve, pelo menos, três surtos de febre amarela silvestre em que a doença alcançou áreas das regiões Sudeste e Sul que não registravam casos há décadas. Recém-publicada na revista internacional Scientific Reports, uma pesquisa realizada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) mostra que estes episódios, relacionados a uma distribuição espacial ampliada, ocorreram após uma mudança no padrão de entrada e de espalhamento do vírus da febre amarela no território brasileiro. A partir da análise das sequências genéticas de vírus relacionados a 137 casos registrados em nove países das Américas entre 1954 e 2017, os cientistas identificaram que variantes virais pertencentes a uma linhagem moderna, introduzidas no Brasil por diferentes caminhos a partir de países vizinhos, estiveram por trás dos casos notificados nos últimos surtos. O trabalho é resultado de um esforço conjunto dos Laboratórios de Aids e Imunologia Molecular, de Biologia Molecular de Flavivírus, de Mosquitos Transmissores de Hematozoários e de Genética Molecular de Microrganismos do IOC/Fiocruz.

De acordo com os cientistas, o surgimento e disseminação da linhagem moderna do vírus da febre amarela representa uma mudança radical no padrão de dispersão da doença no continente americano e, sobretudo, no Brasil. Os dados permitiram reconstruir as rotas de migração viral de 1946 até hoje. “Até o começo da década de 1990, o Brasil desempenhava um papel central na evolução dos vírus da febre amarela nas Américas: as variantes virais das linhagens antigas surgiam principalmente na região Norte brasileira e se espalhavam para outros países. Porém, após o aparecimento da linhagem moderna, o Brasil passou de emissor a receptor de novos vírus”, ressalta Gonzalo Bello, pesquisador do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC e coordenador do estudo. A linhagem moderna surgiu provavelmente em Trinidad e Tobago, por volta de 1977. “A linhagem moderna do vírus se espalhou para diversos países, substituindo variantes virais das linhagens antigas, que circulavam no continente americano até então. Assim, todos os surtos e casos esporádicos ocorridos desde o fim da década de 1990 no Brasil, assim como na Venezuela e Argentina, foram causados por variantes dessa nova linhagem”, afirma Edson Delatorre, pós-doutorando do Laboratório de Aids e Imunologia Molecular do IOC e um dos primeiros autores do artigo.

Para reconstruir a dinâmica de disseminação dos vírus, os pesquisadores analisaram as mutações no genoma viral e construíram uma árvore filogenética – similar a uma árvore genealógica, ela agrupa no mesmo ramo os vírus que compartilham um ancestral comum. O trabalho apontou que a linhagem moderna do vírus da febre amarela chegou ao Brasil por dois caminhos. Num primeiro momento, o vírus veio em uma rota sem escalas a partir de Trinidad e Tobago, no período entre 1981 e 1989. Esta primeira variante da linhagem moderna se espalhou no Brasil e foi responsável pelo surto iniciado em 2000, mas parou de circular posteriormente. Nos dois episódios seguintes, a origem dos vírus foi a Venezuela – país que, por sua vez, havia recebido a linhagem de Trinidad e Tobago entre 1981 e 1992. Os vírus que chegaram a partir dessas introduções resultaram nos surtos iniciados em 2008 e 2016.

Os pesquisadores analisaram as mutações no genoma viral e construíram uma árvore filogenética, que apontou que a linhagem moderna do vírus da febre amarela chegou ao Brasil por dois caminhos.

Diferenças genéticas entre as linhagens

Segundo os cientistas, ainda não é possível determinar por que a linhagem moderna substituiu as linhagens antigas, que circularam por décadas nas Américas. “A substituição pode ter ocorrido simplesmente porque os vírus modernos surgiram e se disseminaram em momentos oportunos. Por outro lado, não podemos afastar a possibilidade de algum tipo de vantagem competitiva, que favoreça a disseminação”, pondera Daiana Mir, também primeira autora do artigo. Ela é estudante de doutorado no Programa de Pós-graduação em Biologia Computacional e Sistemas do IOC, sob orientação de Gonzalo.

Todos os vírus modernos apresentam três mutações no genoma, quando comparados aos vírus das linhagens antigas. No conjunto dos vírus modernos, aqueles ainda mais recentes, que ocorrem na Venezuela e no Brasil, contam com três modificações adicionais, totalizando um conjunto de seis mutações. Essa característica constitui a assinatura genética dos vírus da linhagem moderna. “Geralmente, os vírus apresentam variações genéticas pontuais, que são observadas em um ou poucos casos, mas não se fixam no processo de evolução. O fato de essas seis mutações terem se fixado no genoma, indica que elas podem ter um papel importante na biologia do vírus”, afirma Edson. Segundo ele, algumas das alterações estão associadas a mudanças na composição de proteínas que podem ser significativas para a atividade viral. No entanto, novos estudos são necessários para determinar o seu impacto. “É preciso realizar testes em laboratório para avaliar o efeito da presença destas mutações no vírus. Dependendo do trecho do genoma afetado, uma única mutação pode ser suficiente para alterar a capacidade de infecção, transmissão ou replicação de um vírus”, ressalta.

Surto atual

No conjunto de 137 genomas analisados pelo estudo, dois chamam a atenção por sua singularidade: os dois isolados provenientes de macacos coletados no Espírito Santo em 2017, relacionados ao atual surto de febre amarela silvestre, apresentam mutações inéditas – o achado foi constatado por cientistas do IOC em estudo anterior. Trata-se, portanto, de dois vírus com mutações ainda mais recentes, que se somam às seis mutações.

A compreensão sobre quando e como ocorreu a introdução dessa nova variante viral, situada no conjunto dos vírus da linhagem moderna, enfrenta um desafio: existem poucos genomas sequenciados dos vírus que circularam no país nos últimos anos. “A análise dos genomas atualmente disponíveis em bancos de dados especializados revela que esses vírus com mutações inéditas não derivam dos vírus que causaram o surto anterior no território brasileiro, entre 2008 e 2009, mas seriam resultado de uma nova introdução no país a partir da Venezuela”, afirma Daiana. Ela acrescenta que há uma lacuna nos bancos de dados em relação ao período entre 2009 e 2017. “Infelizmente, os sequenciamentos genéticos geralmente são feitos apenas nos períodos de surto. Assim, para estabelecer como os vírus alcançaram a região Sudeste, será preciso analisar outros genomas referentes ao surto atual, assim como do Norte e do Centro-Oeste, que são áreas endêmicas para a febre amarela silvestre no Brasil e onde esses vírus podem ter circulado anteriormente à ocorrência no Espírito Santo”, completa.

A entrada dos vírus pelo Norte, com disseminação posterior para o Centro-Oeste até alcançar outras regiões foi observada nos episódios anteriores ao surto iniciado em 2016. Os vírus da linhagem moderna que entraram no Brasil a partir de Trinidad e Tobago entre 1981 e 1989 seguiram este caminho até serem detectados no surto iniciado em 2000, quando casos do agravo ocorreram em trechos da Bahia e São Paulo, ao mesmo tempo em que Paraná e Rio Grande do Sul tiveram infecções em animais. A mesma rota foi percorrida pelos vírus referentes ao surto iniciado em 2008. Originada na Venezuela, a variante viral chegou à região Norte entre 1999 e 2005, espalhando-se até alcançar novas áreas no estado de São Paulo, na região Sul e, até mesmo, na Argentina. A partir dos dados disponíveis, os pesquisadores estimam que os vírus relacionados ao surto atual tenham ingressado no Brasil, a partir da Venezuela, entre 2000 e 2016. Por causa do baixo número de genomas sequenciados disponíveis, o intervalo de incerteza é quase duas vezes maior do que o estabelecido para as introduções anteriores de linhagens virais no país.

De acordo com os pesquisadores, além de esclarecer os caminhos percorridos pelos vírus envolvidos no surto atual, a decodificação de mais genomas virais em circulação deve contribuir para esclarecer a origem das mutações inéditas observadas no Brasil recentemente. Uma coisa é certa: essas mutações não estão presentes nos vírus venezuelanos sequenciados até o momento.

Importância da vigilância

Os autores do trabalho ressaltam que a vigilância molecular – baseada na análise do genoma dos vírus – pode contribuir para o enfrentamento da febre amarela silvestre no Brasil. “Para esse monitoramento, não é preciso sequenciar o genoma dos vírus em todos os casos. Uma amostra deve ser suficiente para traçar um panorama da variedade genética do vírus no país. Por outro lado, essa ação não pode ficar restrita aos momentos de surto. A vigilância constante é necessária para acompanhar as linhagens em circulação e nos permite compreender melhor a origem dos surtos. Esse trabalho também é fundamental para identificar mutações genéticas que podem ter impacto na atividade viral, facilitando a preparação para o enfrentamento de situações em que possa haver uma vantagem competitiva do vírus”, comenta Gonzalo.

IOC/Fiocruz, por Maíra Menezes
Foto: Raul Santana e Gutemberg Brito

Plataforma Zika apresenta seus primeiros resultados

A Plataforma Zika – Plataforma de vigilância de longo prazo para a Zika e suas consequências, no âmbito do SUS, projeto do Centro de Integração de Dados em Conhecimento para a Saúde (Cidacs/ Fiocruz), apresenta seus primeiros resultados com a realização das Feiras de Soluções para a Saúde – Zika, série de cinco – uma em cada região do País, a primeira será realizada em Salvador, entre os dias 8 e 10 de agosto de 2017.

O objetivo geral da plataforma é a integração de conhecimentos da coorte epidemiológica com diferentes bases de dados da saúde e de políticas de desenvolvimento social (CadÚnico/PBC), para acompanhamento de longo prazo das condições de vida de crianças nascidas entre 2001 e 2015, acometidas pelo vírus.

“A Plataforma foi proposta como uma contribuição da Fiocruz em resposta à emergência decorrente da epidemia de zika e da identificação das anomalias congênitas decorrentes da infecção na gestação, durante o primeiro semestre de 2016”, conta Wanderson Oliveira, membro da plataforma que conta com outros cerca de 50 pesquisadores, apoiadores e instituições participantes no Brasil e no exterior.

O estudo atuará em cinco eixos: Epidemiologia, Pesquisas, Redes, Segurança e Ciência aberta.  Cada eixo possui um responsável pela coordenação e gestão de projetos e subprojetos. Apesar de serem integrados, os mesmos possuem independência e agenda própria de atividades. A Feira de Soluções é um dos produtos esperados no desenvolvimento do Eixo 3.

O evento, promovido pela Fiocruz Brasília em parceria com o Centro, receberá centenas de expositores que apresentarão um importante conjunto de soluções para as arboviroses que acometem o Brasil.

Nos dois primeiros dias da Feira, a programação contempla também o Seminário Internacional da resposta brasileira ao zika vírus, organizado pelo o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) e parceiros.

Outro destaque será o Hackathon, maratona tecnológica em que os participantes serão desafiados a propor o desenvolvimento de softwares ou aplicativos que facilitem a prevenção e o combate às arboviroses como zika, dengue e chikungunya.

Ondas de infecções

Uma pesquisa sobre as duplas epidemias da infecção do vírus foi realizada por Wanderson Oliveira, resultado de sua tese de doutorado em epidemiologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Em conjunto com estudiosos vinculados ao Ministério da Saúde e da UFGRS, o pesquisador utilizou dados obtidos através dos sistemas de informação de saúde, coordenados pelo Ministério da Saúde, de janeiro de 2015 até novembro de 2016, e analisou o agrupamento espacial da infecção durante a gravidez e da microcefalia no país, para obter a estimativa da densidade.

Os achados deste estudo foram publicados no periódico científico The Lancet, em 22 de junho, no artigo Infection-related microcephaly after the 2015 and 2016 Zika virus outbreaks in Brazil: a surveillance-based analysis. A pesquisa identificou duas ondas distintas de possíveis infecções pelo vírus zika que se estenderam em todas as regiões brasileiras no período analisado. Dados apontam que a distribuição da microcefalia relacionada à infecção após os surtos do vírus variou ao longo do tempo e nas regiões brasileiras. As razões para essas aparentes diferenças ainda não estão totalmente esclarecidas.

A maioria dos casos (70,4%) de microcefalia ocorreu na região nordeste após a primeira onda de infecções, com o pico de ocorrência mensal estimado em 49,9 casos por 10 000 nascimentos vivos. Após uma grande e bem documentada segunda onda de infecção pelo vírus em todas as regiões do Brasil, de setembro de 2015 a setembro de 2016, a ocorrência de microcefalia foi muito menor do que a primeira, atingindo níveis de epidemia em todas as regiões brasileiras, exceto no Sul, com picos mensais estimados variando de 3,2 a 15 casos por 10 000 nascimentos vivos.

Fonte: IGM/Fiocruz Bahia

Mulheres transexuais e travestis são foco de nova pesquisa

Cerca de 120 mulheres transexuais e travestis farão parte do projeto PrEParadas, que pretende avaliar a aceitabilidade (desejo de usar) e a adesão à Profilaxia Pré-exposição ao HIV (PrEP), uma estratégia de prevenção que envolve a utilização diária de um medicamento antirretroviral (ARV), por pessoas não infectadas, para reduzir o risco de aquisição do HIV através de relações sexuais. A pesquisa, com duração de um ano, terá início no mês de julho e será conduzida pela equipe do Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz).

Restrita à região metropolitana do Rio de Janeiro, a pesquisa pretende descobrir a melhor forma de ajudar essas populações. O estudo terá esse foco “analisando como os hormônios interagem com o medicamento da PrEP, já que as especificidades dessas mulheres são diferentes das de outros grupos, como no caso homens que fazem sexo com homens”, informou a chefe do LapClin-Aids, Beatriz Grinsztejn.

A pesquisadora Emília Jalil detalhou que o estudo vai avaliar melhor a interação entre PrEP oral e a terapia feminizante utilizada pelas mulheres travestis e transexuais, bem como os efeitos na saúde óssea delas. A medicação adotada será o truvada (combinação de dois medicamentos em um comprimido: o tenofovir disoproxil e a emtricitabina), uma vez ao dia, além de valerato de estradiol (2mg) associado à espironolactona (100mg). “Para entender melhor os resultados, nós dividiremos as participantes em dois grupos. Parte delas receberá apenas a PrEP e outra a PrEP com o hormônio. Desta forma, poderemos compreender melhor as possíveis reações ao truvada”, explicou Emília.

Profissionais da Fiocruz apresentaram o projeto PrEParadas para um grupo de mulheres transexuais e travestis em Manguinhos (Foto: Antonio Fuchs – INI/Fiocruz)

Desenhado exclusivamente para as mulheres travestis e transexuais, o PrEParadas vai além do campo da prevenção, uma vez que as participantes devem ser soronegativas, mas ter o risco de contrair o HIV. “Há muito preconceito com essas mulheres, suas práticas sexuais e o risco aumentado proveniente do sexo anal. Temos que trabalhar para desmistificar esse grupo de risco, principalmente com as profissionais do sexo. O PrEParadas é um excelente projeto que pode colaborar para isso. A Fiocruz é um centro de assistência ao HIV desde a década de 80 e nos últimos anos temos nos dedicado à prevenção para a população trans e travestis. Essa pesquisa é mais uma forma que encontramos para seguir atuando nessa área”, lembrou Beatriz Grinsztejn.

A equipe do PrEParadas contará com educadoras comunitárias, psicólogos e aconselhadores, médicos, farmacêuticos, técnicos de laboratório, além de pessoal administrativo. Tudo para deixar as participantes mais seguras e sem nenhuma dúvida durante a realização do estudo.

SOBRE A PrEP

A Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) é uma estratégia de prevenção que consiste no uso diário de um medicamento que funciona como uma “barreira química” contra o vírus HIV. A PrEP faz parte da estratégia combinada, ou seja, quem adota a PrEP não deve abrir mão do uso de preservativos. Ela é uma recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) mas é adotada apenas para o tratamento e não prevenção à doença em diversos países. O Brasil foi pioneiro na América Latina ao adotar a PrEP como política de saúde em 29 de maio deste ano.

APRESENTAÇÃO NO INI

No último dia 18 de julho, as profissionais do LapClin-Aids apresentaram o projeto PrEParadas para um grupo de mulheres transexuais e travestis. A atividade foi coordenada pelas educadoras comunitárias Laylla Monteiro, Kakau Ferreira e Biancka Fernandes. Entre as participantes estavam a defensora dos direitos igualitários, Laura Mendes, e a supervisora de Projetos Sociais na área da Empregabilidade, da Prefeitura do Rio de Janeiro, Rafaella Antunes. Após a exposição sobre a PrEP, a cargo da pesquisadora Brenda Hoagland, e a apresentação do PrEParadas, com Emília Jalil, foi reforçada a importância de conscientizar as mulheres transexuais e travestis quanto à busca de uma vida segura e protegida com a adoção da Profilaxia Pré-Exposição.

Para saber mais sobre o projeto PrEParadas, basta entrar em contato com o Laboratório de Pesquisa Clínica em DST e Aids (LapClin-Aids) do INI, através dos telefones (21) 9090 2260-6700 / 3865-9659 (ligação gratuita).

 INI/Fiocruz, por Antonio Fuchs

 

Fungos patogênicos no ambiente amazônico serão tema do Centro de Estudos de sexta, 21/7

Estudar a diversidade de microrganismos da Amazônia com importância para a saúde, tanto como causadores de doenças quanto como produtores de compostos bioativos e determinar o perfil epidemiológico de doenças causadas por microrganismos da Amazônia, assim como fazer a genotipagem e fenotipagem desses microrganismos são objetivos do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde (DMAIS) do Instituto Leônidas e & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

Para falar sobre os avanços alcançados pelo grupo da Micologia do Laboratório (DMAIS/ILMD) em estudos para determinar a presença de fungos patógenos no ambiente Amazônico e sua caracterização, a pesquisadora Ani Beatriz Jackisch Matsuura vai ministrar nesta sexta-feira, 21/7, a palestra Fungos Patogênicos no Ambiente Amazônico.

A apresentação faz parte da programação do Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia e acontecerá no Salão Canoas, às 9h, na sede do Instituto, à rua Teresina, 476, Adrianópolis.

A pesquisadora explica que os fungos estão presentes em diversos tipos de substratos naturais devido a sua grande capacidade de adaptação. A maioria dos fungos são sapróbios, ou seja, decompõem matéria orgânica para nutrirem-se, no entanto, existem vários fungos patógenos (capazes de causar doenças).  “A Amazônia apresenta condições especiais de clima e de vegetação para o desenvolvimento dos fungos nesse ambiente; determinando onde há maior presença de fungos patógenos e conhecendo quais são, poderemos desenvolver medidas protetoras para evitar as infecções fúngicas no homem”, adianta Ani Jackisch Matsuura.

SOBRE A PALESTRANTE

Ani Beatriz Jackisch Matsuura é graduada em Biologia pela Universidade de Santa Cruz do Sul, mestre em Biologia de Fungos pela Universidade Federal de Pernambuco e doutora em Ciência de Alimentos pela Universidade Estadual de Campinas. Atualmente, é pesquisadora do ILMD/Fiocruz Amazônia.

Atua na área de Microbiologia, com ênfase em Micologia, especialmente em micologia médica, taxonomia, genotipagem e ecologia de fungos patogênicos.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: arquivo pessoal da pesquisadora