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Pesquisadores lançam obra sobre planejamento de sistemas trilhas

A obra conta com dois eixos temáticos e dez capítulos, sendo um deles relacionado às orientações de Segurança

Diversos destinos turísticos pelo mundo oferecem trilhas em diferentes ambientes, desde montanhas, inclusive nevadas, até densas florestas, como é o caso da Amazônica. Porém, quem participa dessas atividades, muitas vezes, não sabe que, por trás de tudo isso, se tem um planejamento complexo, fundamentado em teorias científicas e na análise do ambiente natural e social, para tornar aquele passeio uma experiência diferenciada.

Foi pensando em oferecer uma publicação que pudesse servir de embasamento para pesquisadores, operadores e condutores que foi produzido o livro Planejamento de Sistemas de Trilhas: uma pegada social, cultural e ambiental. A obra, cujos autores são os estudiosos da área Ronisley Martins e Francisco Girão será lançada no próximo dia 12 de maio, às 10h, no Palacete Provincial (praça Heliodoro Balbi, s/n˚, Centro).

Martins conta que sempre atuou com pesquisas científicas voltadas aos sistemas de trilhas.  A primeira delas foi, de 2002, tendo sido desenvolvida com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) no assentamento agrário Tarumã-Mirim.  “Foi quando tive o primeiro contato com o assunto, mas tive dificuldade devido ao pouco material disponível. Depois da Graduação, surgiu a vontade de escrever conteúdo científico que desse embasamento ao planejamento de trilhas e após 2009, começamos a elaborar esse livro com base em várias experiências”, ressaltou.

A obra conta com dois eixos temáticos e dez capítulos. O primeiro compreende uma abordagem teórica, com a apresentação de metodologias de estudo de maneira a permitir uma análise ampla de todos os elementos envolvidos, incluindo vegetação, solo, água e principalmente, a população.  O segundo eixo é fundamentado na apresentação de técnicas e ferramentas necessárias ao planejamento e execução de trilhas sustentáveis.

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Livro  foi escrito  pelos autores e estudiosos da área Ronisley Martins e Francisco Girão

O conteúdo do livro aponta para o ordenamento de uma trilha planejada, contendo sinalizações, classificação do grau de dificuldade e definição quanto ao público que se quer alcançar.  Segundo Ronisley Martins, uma trilha interpretativa, por exemplo, deve ser de curta distância (de 500m a 1km),  ocorrer em áreas planas e é direcionada a crianças e pessoas da melhor idade. “Se for um público mais aventureiro, é preciso estender a trilha e ampliar o grau de dificuldade de acordo com o ambiente”, disse. “Assim, o organizador de trilha tem de analisar a paisagem e planejar conforme o público que pretende alcançar”, completou.

Um dos capítulos de maior destaque é o relacionado às orientações de Segurança. O autor esclarece que há riscos eminentes ao se fazer uma caminhada ou até antes, para os próprios organizadores, portanto, é preciso minimizá-los.  Neste trecho, são detalhadas ainda informações com base na norma NBR 15505/02, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, que visa orientar sobre o uso de equipamentos, com base no grau de dificuldade das trilhas.  Se for de longo percurso, requer muito mais acessórios, entre os quais, mochila, kits de sobrevivência e de primeiros socorros, bota cano longo, calça, camisa de manga longa, vestimenta para trocas, além de alimentação rica em glicose, fibra e bastante água. Importante destacar que é de responsabilidade do condutor a orientação antecipada para que os participantes usufruam do serviço já com equipamentos e materiais necessários.

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Ronisley Martins disse que a obra conta com dois eixos temáticos e dez capítulos, sendo um deles relacionado às orientações de Segurança

Em relação às trilhas na Amazônia, ele destaca que é preciso conhecer os geoambientes da floresta.  Conforme o pesquisador, existem diversos tipos de florestas dentro da Amazônia e isso, precisa ser levado em consideração, no momento do planejamento, esses diversos ambientes, como mata de terra firme, campina, floresta de baixio e floresta de igapó, uma vez que contribui para enriquecer muito mais a caminhada, aumentando o que se chama de  “elementos de interpretação da paisagem”, essenciais no momento da abordagem.

“Este é o diferencial da floresta amazônica: diversos ambientes e elementos que são usados nas técnicas de interpretação ambiental. Para isso. o condutor precisa conhecer a floresta e ter contato com a geoambientação”, frisou Martins, o qual cita ainda o exemplo de trilhas culturais, que, além da ambientação, agrega outros elementos com o fim de agregar valores à caminhada e à paisagem no geral.

Na visão do autor, é necessário aos planejadores fazer o inventário de todos os elementos da paisagem, tanto naturais como culturais. Em relação aos condutores, é fundamental fazer o reconhecimento antecipado para poder medir o grau de dificuldade, além de ter noção de técnicas de condução de grupo. “Quando uma trilha é planejada e classificada, tem logo no início sinalização com o mapa, percursos, paradas, tempo de percurso, grau de dificuldade e dos equipamentos necessários”, alertou Martins.

Departamento de Difusão do Conhecimento- Decon

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Edição Integral e atualizada da Obra Poranduba Amazonense é lançada em Manaus

Livro traz resgaste da literatura indígena na Amazônia e foi organizado a partir da pesquisa e o contato do Barbosa Rodrigues com as populações indígenas e ribeirinhas da Amazônia

O livro “Poranduba Amazonense”, do cientista e pesquisador João Barbosa Rodrigues foi lançado na última quarta-feira (28), na Universidade do Estado do Amazonas (UEA). O Livro traz o resgaste da literatura indígena e foi organizado a partir da pesquisa e o contato do Barbosa Rodrigues com as populações indígenas e ribeirinhas da Amazônia. A nova edição, organizada pelo professor Tenório Telles, recupera a edição original com todas as narrativas e mais o Dicionário Português/Nheengatu.

A obra tem 663 páginas divididas em lendas mitológicas, contos zoológicos, contos astronômicos e botânicos, cantigas e vocabulário indígena.

“O mais importante é que Barbosa Rodrigues, quando esteve na Amazônia, se apaixonou pela região e começou a perceber o valor das culturas indígenas, passando a estudar a cultura destas populações. Ele recolheu os mitos, as narrativas, as lendas regionais, cantigas e fez também um dicionário Português/ Nheengatu. Tudo isso ouvindo os relatos das pessoas mais experientes das aldeias e tribos, registrou isso na língua que na época era a mais popular na região o Nheengatu e fez a transcrição e tradução para o português”, explicou Tenório Telles.

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Nova edição, organizada pelo professor Tenório Telles, recupera a edição original com todas as narrativas e mais o Dicionário Português/Nheengatu.

 

Segundo Telles, a nova edição da obra, que levou 10 anos, foi feita como forma de resgatar do esquecimento os mitos e narrativas que são fundamentais nos dias de hoje para compreender o processo cultural, a história e o universo simbólico. Além de ser uma fonte de pesquisa para os estudiosos, pesquisadores e escritores.

“O que tem de precioso nesse livro são as introduções que ele faz para cada bloco de narrativas. É impressionante a clareza que Barbosa tinha, era um homem à frente do seu tempo. Ele já chamava atenção para importância desses mitos, lendas e  a defesa das populações indígenas numa época que não havia ainda essa consciência do significado e valor em termo de preservação dessas culturas. Por toda a contribuição, Barbosa merece esse resgate”, enalteceu.

Ainda segundo Telles, o livro foi publicado pela Revista do Instituto Geográfico e Histórico, em 1980. Após isso, não teve uma edição integral da obra, apenas parcial. Essa é a primeira publicação integral com a linguagem atualizada.

“Eu organizei tudo nesta edição, corrigindo os erros da edição original, atualização da língua, alguns ajustes de falhas que aconteceram na primeira edição, atualizando de acordo com a nova ortografia e acrescentei nesta edição o vocabulário Português/ Nheengatu. A Poranduba Amazonense é um tesouro com as narrativas orais da Amazônia”, acrescentou.

Amazônia

Conforme Telles, Poranduba Amazonense é considerado um dos livros mais importantes produzidos na Amazônia. A obra é resultado de uma experiência na região, em especial no Amazonas, do botânico Barbosa Rodrigues, que veio para Amazônia motivado por duas razões: a primeira o interesse pela flora amazônica. A segunda foi devida a missão dada pela princesa Isabel, pelo Império, para criação do Museu Botânico em Manaus.

A experiência resultou uma série de trabalhos como: catalogação de espécimes, documentos, descrição de plantas, criação de uma revista científica, na metade do século XIX, entre outros.

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Departamento de Difusão do Conhecimento- Decon

 

 

 

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