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Proteção do conhecimento e o papel da incubadora são temas de palestras da SNCT do Inpa

Dentro da programação Portas Abertas da Semana Nacional de C&T do Inpa, o setor realizará duas palestras e um minicurso

 

Da Redação – Ascom Inpa*

Foto: Cimone Barros – Ascom Inpa

 

A Coordenação de Extensão Tecnológica e Inovação (Coeti) e a Incubadora de Empresas do Inpa marcarão presença na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) abrindo as portas para o público em geral na próxima quinta-feira (26). A Incubadora do Inpa está localizada no campus 1 do Instituto, que fica na Avenida André Araújo, 2936, Petrópolis, zona Sul de Manaus.

 

“Nós apoiamos e estaremos sempre presentes em eventos que promovam a ciência, a tecnologia e a inovação. Esta é uma das atribuições da Coeti”, disse a coordenadora Noélia Falcão.

 

Incubadora11FotoCimoneBarroS

 

A SNCT tem como tema A Matemática está em Tudo. No Inpa serão realizadas mais de 100 atividades de 23 a 29 deste mês, todas gratuitas, entre palestras, exposições, minicursos, oficinas, visitas a laboratórios e visitas guiadas. As inscrições podem ser feitas pelo site https://www.doity.com.br/snct-inpa-2017/inscricao.

 

A abertura acontece na segunda-feira (23), às 9h, no Auditório da Ciência. Na ocasião serão realizadas duas palestras: O Caráter Interdisciplinar da Matemática, pelo professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) José Alcântara, e o Uso da Matemática nas Ciências Biológicas, pela pesquisadora do Inpa Maria Teresa Fernandez Piedade.

 

Conforme Falcão, a SNCT é uma boa oportunidade para a difusão do conhecimento nas áreas de propriedade intelectual e transferência de tecnologia e inovação pelo espaço nacionalmente aberto para discussão dos temas. É também uma oportunidade para a sociedade conhecer as ações e projetos desenvolvidos pela Instituição.

 

Pela parte da manhã, a partir das 9h, Noélia Falcão ministrará a palestra A Propriedade Intelectual e a Transferência de Tecnologia em prol do desenvolvimento econômico, seguida do gerente da Incubadora de Empresas do Inpa, Deyvison Silva, que falará sobre O Papel das Incubadoras de Empresas no Ecossistema de Inovação.

 

Segundo Deyvison, o tema inovação tem se tornado cada vez mais comum nos noticiários e nas rodas de conversas, mas o processo que compõe a trajetória para chegar a inovação, ainda é desconhecido por uma parte considerável da sociedade. Na palestra, os participantes conhecerão o processo de concepção e de desenvolvimento de empreendimentos nos setores de atuação da Incubadora do Inpa.

 

Na parte da tarde, a partir das 14h, o colaborador da Coeti na área de Propriedade Intelectual, Cleiton Souza, ministrará o minicurso, Busca em Bases de Patentes Nacional e Internacional. Para a atividade, é necessário que o participante traga notebook, pois vai conhecer na prática as ferramentas apresentadas.

 

A participação integral nas palestras e no minicurso garantirá ao participante um certificado digital com carga horária de 7 horas, a ser encaminhado via e-mail após o evento.

 

Programação das Atividades da Coeti e da Incubadora

 

Palestra 1: A Propriedade Intelectual e a transferência de tecnologia em prol do desenvolvimento econômico.

Objetivo: Apresentar uma visão geral sobre a Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia, sua importância global e como afeta o desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Hora: 09h às 10h

Data: 26/10/2017

No de pessoas: 30/40 pessoas

Local: Sala de reuniões do prédio da Incubadora/INPA, 1º andar.

Inscrições: https://goo.gl/forms/W09G16QOcyCtia9f2

Palestra 2: O papel das incubadoras no Sistema de Inovação. Estudo de caso: Incubadora do INPA.

Objetivo: Apresentar o que é uma incubadora, para que existe, benefícios, modelo de gestão; bem como, apresentar a Incubadora do INPA – funcionamento, atividades e seus resultados.

Hora: 10h30 às 11h15

Data: 26/10/2017

No de pessoas: 30/40 pessoas

Local: Sala de reuniões do prédio da Incubadora/INPA, 1º andar.

Inscrições: https://goo.gl/forms/2hIMziRGqIFGZAnF2

Minicurso: Busca em bases de patente nacional e internacional.

Objetivos:

  • Apresentar a importância da utilização de patentes como fonte de informação tecnológica com fins de auxiliar o desenvolvimento científico e industrial.
    • Apresentar os principais tópicos sobre busca de patentes em duas bases de dados (INPI - Nacional e DerwentInnovation Index - Internacional).

Hora: 14h30 às 17h

Data: 26/10/2017

No de pessoas: 20 pessoas*

Local: Sala de reuniões do prédio da Incubadora/INPA, 1º andar.

Inscrições: https://goo.gl/forms/RZgUT5028OSEve6p2

As vagas são limitadas! Inscreva-se!

Mais informações: (92) 3643-3295/ 3152 ou pelos e-mails: incubadora@inpa.gov.br

*Com informações da Incubadora

Oficina da Semana de C&T do Inpa apresenta ferramenta para colheita de cachos de palmeiras

A ferramenta possui tecnologia simples e de fácil manuseio. Foi confeccionada com materiais facilmente encontrados no mercado. Veja aqui a programação completa da SNCT e como participar. https://www.doity.com.br/snct-inpa-2017/

 

Da Redação - Ascom Inpa

Fotos: Afonso Rabelo - Acervo

 

Uma ferramenta criada no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) veio para solucionar uma das dificuldades enfrentadas pelos extrativistas e produtores rurais que trabalham com frutos de palmeiras na Amazônia. A palmhaste é usada nas colheitas de cachos de palmeiras com alto valor econômico sem a necessidade das pessoas escalarem as árvores. A coleta de colheita da forma tradicional exige preparação para escalar as palmeiras, além de ser uma atividade árdua e perigosa.  Veja aqui um vídeo de colheita de açaí-solteiro em floresta de baixio.

A palmhaste será apresentada na próxima sexta-feira (27), das 9h às 12h, na Oficina Ferramentas para coleta de cachos de palmeiras arbóreas na Amazônia durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) do Inpa, que ocorre de 23 a 29 deste mês. A oficina será teórica e prática, mostrando a eficiência da ferramenta.

A SNCT do Inpa oferecerá mais de 100 atividades de popularização da ciência, entre oficinas, cursos, palestras, exposições e visitas, todas gratuitas. A abertura acontece na segunda (23), às 9h, no auditório da Ciência, na Rua Bem-Te-Vi, s/nº, Petrópolis, zona Sul de Manaus. Inscrições podem ser feitas pelo site https://www.doity.com.br/snct-inpa-2017/inscricao.

Desenvolvida pelos técnicos do Inpa, vinculados à Coordenação de Biodiversidade (Cobio), o engenheiro florestal Afonso Rabelo e os ilustradores botânicos Felipe França e Gláucio da Silva, a ferramenta foi aperfeiçoada a partir de uma tecnologia simples e de fácil manuseio.

 

 

Colheitade acaisolteiroFotoAfonsoRabelo

 

A palmhaste é constituída por seis pares de tubos de alumínio de 1,50 metro de comprimento cada, que podem ser interligados por roscas podendo atingir de 3 metros a 18m de altura. A tecnologia empregada no corte dos cachos é uma foice tipo roçadeira agregada a uma corda de polietileno com 4 mm de espessura e de uma mangueira trancada para gás de cozinha 3/8’’.  Além desses acessórios, utiliza uma lona reforçada de 3x3m tipo carreteiro para aparar a queda dos cachos.

“A haste pode ser um novo instrumento na elaboração de projetos que envolvam produtos florestais não madeireiros e de planos de desenvolvimento regional e sustentável sem a necessidade da derrabada de árvores”, diz Rabelo.     

Para retirada de cachos da forma tradicional, os extrativistas e produtores rurais escalam árvores muito altas e usam a peconha e outros instrumentos que contribuem para o aumento do desgaste físico da pessoa e até com acidentes graves.

Rabelo explica que geralmente as plantas com caules cobertos por espinhos têm os cachos de frutos coletados com o auxílio de instrumentos caseiros, como varas de madeiras ou de bambus, adaptadas com ganchos ou foices na extremidade superior. “Isto faz com que se tornem instáveis ou desequilibradas, com difícil manuseio e, muitas vezes, inoperantes”, diz. “Por essa razão, a produtividade é afetada. Uma vez demoramos três horas para coletar um cacho de tucumã de uma planta de oito metros de altura, enquanto com a palmhaste levamos apenas três minutos”, completa.

Vantagens

Dentre inúmeras vantagens, o uso correto da ferramenta de colheita poderá promover a melhoria na renda familiar com o emprego de mão de obra ociosa ou desqualificada, evitar desgastes físicos e acidentes graves, aumentar a produtividade e estimular o extrativismo sustentado, além da melhoria da qualidade de vida, saúde e bem-estar.

A palmhaste também poderá proporcionar baixos níveis de agressividade nas palmeiras e ao meio ambiente, proteger as espécies que sofrem ameaças de supressão para as coletas dos cachos das palmeiras como o açaí-solteiro (Euterpe precatoria Martius), o açaí-do-pará (Euterpe oleracea Martius), a bacaba (Oenocarpus bacaba Martius), a bacaba-de-leque (Oenocarpus distichus Martius), o buriti (Mauritia flexuosa L. f.), o patauá (Oenocarpus bataua Martius) e o tucumã-do-Amazonas (Astrocaryum aculeatum Meyer).

 

ColheitaburitiFotoAfonsoRabelo

 

 

Os testes foram realizados com sucesso junto aos coletores de palmeiras nas comunidades Morena, na Vila de Balbina (município de Presidente Figueiredo, a 107 quilômetros de Manaus); Nova Vida (em Itacoatiara, a 176 quilômetros de Manaus); Ramal do Pau Rosa (no Km 21 da BR-174), além das comunidades dos lagos do Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus) e Paru (em Manacapuru, a 68 quilômetros da capital), e na Reserva de Fruticultura Tropical do Inpa (situada no Km 35 da BR-174).

“Pelo menos 15 espécies frutíferas de palmeiras têm mercado estabelecido na Amazônia e em crescimento nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, ganhando expansão nos mercados internacionais”, conta Rabelo.

Para o técnico, é importante que o poder público e cooperativas agrícolas reconheçam o valor desse instrumento e promovam ações que possibilitem a produção em grande escala da ferramenta de colheita para que possam ser distribuídas entre as comunidades rurais da Amazônia. “Os frutospodem servir como matéria-prima para as agroindústrias, indústrias de cosméticos, farmacêuticas, dentre outras”, destaca.

Tecnologia inovadora pretende promover uso sustentável de recursos pesqueiros

Hidroacústica deve auxiliar no monitoramento e avaliação de estoques pesqueiros em lagos e rios da Amazônia

A tecnologia hidroacústica pretende promover o uso sustentável de recursos pesqueiros nos lagos e rios da Amazônia. O projeto é coordenado pelo doutorando em Ciências Pesqueiras dos Trópicos pelo Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Lorenzo Soriano Antonaccio Barroco. A proposta é pioneira e busca compreender a aplicabilidade da técnica em águas continentais para monitoramento e avaliação de estoques pesqueiros da região amazônica.

O projeto recebe apoio do Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via programa Sinapse da Inovação, que é realizado em parceria com a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi).

Segundo o coordenador do projeto, a hidroacústica não tinha aplicabilidade em águas da região e o grupo de empreendedores se propôs a fazer testes e compreender a melhor aplicação da tecnologia nos rios e lagos da Amazônia. Ele conta que o objetivo do uso da técnica é fazer o levantamento de dados de recursos pesqueiros de forma sustentável.

“O principal foco é trazer um levantamento de dados dos recursos pesqueiros, com a aplicabilidade desta nova tecnologia, conseguiremos fazer na comunidade íctica de lagos e rios, sem precisar capturar o recurso em si. Hoje as metodologias aplicadas basicamente seguem o princípio da captura de um lote do recurso de dentro de um lago para poder identificar e, assim, quantificar o recurso”, contou Lorenzo.

Pesquisador Lorenzo

Objetivo do uso da técnica é fazer o levantamento de dados de recursos pesqueiros de forma sustentável

 

O empreendedor explicou que a tecnologia funciona através de um equipamento eletrônico, na qual são emitidos sinais sonoros dentro da água e partir desse processo será feita leitura dos dados com informações acerca dos recursos pesqueiros encontros dentro da água.

“O sinal emitido pelo equipamento vai se rebater dentro de alguma concentração de densidade diferente, por exemplo, a bexiga natatória do peixe ou ate o mesmo o próprio corpo do peixe. Daí quando esse sinal topa com algum objeto ou algum corpo com densidade diferente da densidade da água, esse sinal retorna ao equipamento da sonda e a partir daí conseguimos identificar o tamanho, a dimensão desse corpo estranho”, explicou Soriano.

De acordo com o pesquisador, a grande dificuldade da aplicação da hidroacústica na água continental se dá pela grande quantidade de matéria orgânica encontrada nos rios, como troncos e folhas. No entanto, testes realizados pelo grupo empreendedor em águas pretas já atestaram a eficiência da tecnologia.

“A princípio fizemos testes em água preta, que basicamente tem menos material em suspensão e seria melhor o uso desse equipamento, e confirmamos isso em campo. Na água preta conseguimos fazer uma leitura mais clara dos dados. Como não temos uma base de dados pra fazer comparação, os dados que coletamos em campo são levados para o laboratório e lá estudados”, disse o empreendedor.

A análise no laboratório tem contribuindo para que os empreendedores adquiram prática e eficiência na leitura dos dados coletados a partir da hidroacústica. “Estamos nessa fase, de estudo e separação de quem é quem, pra que depois a gente consiga chegar ao campo e aplicar com eficiência essa metodologia”, finalizou Lorenzo.

Lorenzo Soriano integra a equipe da empresa Amazon Ecotech que presta serviços de consultorias técnicas na área ambiental, de recursos pesqueiros e de aquicultura. A empresa segue fazendo testes com a hidroacústica para adquirir know-how e usar a técnica de forma eficiente no mercado local.

recursos pesqueiros

 

Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)

Imagens – Secom e Decon

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Pesquisa analisa mudanças trazidas pela internet em comunidades rurais de Parintins, no Amazonas

O estudo quer entender como as tecnologias digitais reformulam a configuração espaço-temporal e as relações dos habitantes neste Município

Uma pesquisa desenvolvida com apoio do Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) busca compreender quais são as mudanças geradas com o uso da internet por meio de dispositivos móveis (celulares e sistemas de wi-fi) entre jovens na comunidade rural Caburi, localizada a 60 km no município de Parintins, no Amazonas.

O estudo tem a intenção de entender como o celular conectado à internet interfere na geração de novas práticas comunicacionais dos moradores da comunidade, após a implementação do projeto cidade digital, em 2006, no município que possibilitou a inserção de Parintins na era da conexão digital sem fio.

A pesquisa, que teve início em 2015, é realizada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e também conta com o apoio da Universidade de Londres (UCL), por meio do projeto Global intitulado – Why We Post (por que nós postamos?). O projeto realizado em 8 países, nos anos de 2015-2016, busca entender os usos e as consequências da tecnologia, da internet e das mídias sociais na vida das pessoas.

imagem_cintiaCom a chegada do wi-fi já é possível as conexões dinâmicas nas relações dentro e fora da comunidade

Segundo a coordenadora do estudo, a doutoranda em Comunicação pela UERJ Soriany Neves, o cenário em que as praças se constituíram como ambiente de mídia no município sofreu transformações no acesso por seus habitantes, principalmente, por populações jovens.

A pesquisadora conta que no município durante as idas ao campo e por meio de um questionário online foi constatado que atualmente o local que eles mais acessam a internet é de suas casas. Por outro lado, essa realidade no município criou a expansão dessa lógica de acesso à internet por wi-fi aos ambientes das comunidades rurais, que até então sequer passaram pelo sistema de telefonia fixa.

Dessa forma, a pesquisa pergunta: em que medida e por quais aspectos essa tecnologia wi-fi redimensiona e reconfigura os usos e sentidos de habitar esse espaço? Tanto nas interações sociais cotidianas no âmbito de suas relações familiares no círculo pessoal de amigos da família, empreendido e firmados na esfera da vida offline, quanto à percepção de si nesse espaço em relação à cidade, possibilitadas agora com as conexões que eles fazem com seus amigos de áreas urbanas.

IMG_20170210_142411180_HDRA pesquisa mostrou que mesmo com os avanços tecnológicos (internet) a voz comunitária permanece

De acordo com a microanálise da pesquisadora, foi constatado que os jovens que habitam o contexto da Amazônia percebem mudanças na sua experiência subjetiva neste ambiente, não a ponto de anestesiamento frente à realidade, mas percebem que o wi-fi traz outra dinâmica nas relações dentro e fora da comunidade.

Outro ponto que a pesquisadora destacou é que o telefone celular é uma condição para estar informado e ter entretenimento. E que a natureza desta mídia, ao se caracterizar na possibilidade de se fazer múltiplos arranjos midiáticos, expressão utilizada por Vinícius Pereira, professor doutor da UERJ, faz jus à preferência pelos jovens e ainda o caráter da multissensorialidade do dispositivo parece ser um dos componentes que faz os jovens da Ilha compartilharem das linguagens transitórias, com tamanha identificação e intimidade na contemporaneidade.

De acordo com a pesquisadora Soriany, durante o estudo, uma jovem da comunidade relatou que a Internet se torna, a cada dia, uma necessidade para as famílias da localidade e que é incorporada de igual forma como tais bens de consumo dentro da própria dinâmica cultural. Ela conta também que a maioria dos jovens no vilarejo ouve rádio, assiste TV e à noite costumam acessar wi-fi em funcionamento na vila para falar com amigos e familiares fora da comunidade, que antes as pessoas não saiam quase das suas casas, mas com a internet as pessoas começaram a sair mais.

“Podemos afirmar que a Internet já está incorporada à prática social e cultural dos moradores da vila, sobretudo dos jovens, em muitos aspectos. A maioria dos avaliados fala da internet do vilarejo de forma positiva de um modo geral. Vimos nos relatos todo um cenário em transformação, mas que não atua no sentido de acabar com as tecnologias de ordem analógica, como por exemplo a voz comunitária. A experiência social tradicional ao modo de vida em um ambiente com interfaces (através do qual o usuário consegue, usando um computador, interagir com um programa ou com um sistema operacional). Entre o urbano-rural, à primeira vista, não se apresenta por meio de conflitos de identidades com a chegada das tecnologias digitais móveis, embora as populações tradicionais deste espaço se reconheçam apenas como jovens, ao invés de jovens ribeirinhos”, acrescentou.

IMG-20160930-WA0016A pesquisa ocorre entre jovens na comunidade rural Caburi, localizada a 60 km no município de Parintins, no Amazonas

Benefícios

Os principais beneficiados com o estudo, que tem previsão para ser concluído em 2019, são os jovens rurais e urbanos da cidade, afirma a pesquisadora.

Segundo ela, eles poderão compreender melhor os efeitos dessas tecnologias no seu cotidiano, seja apontando possíveis apropriações e desvios dos dispositivos móveis na produção de subjetividades, bem como para instituições como universidades e outras organizações que queiram compreender tais dinâmicas e as mudanças que as tecnologias geram na cultura e no espaço da Amazônia.

Cidade Digital

A pesquisadora Soriany conta que no Estado do Amazonas a emergência de novas formas de acesso às tecnologias digitais, por meio da banda larga, ocorreu em 2006 no Município de Parintins/AM (350km de Manaus por via fluvial) com implantação de wi-fi em duas praças públicas.

A iniciativa desse trabalho inaugurou a criação de territórios que trazem informações para uma cidade que até então o acesso à internet se dava de forma restrita, por provedores locais, por meio de radiofrequência, ou acesso discado. A cidade é uma das primeiras do Brasil com a implantação de tecnologias sem fio pela prefeitura e iniciativa privada, por meio do projeto de Cidade Digital em 2006.

“A pesquisa partiu do contexto de inserção, neste caso às praças, que neste ínterim se configuraram como praças digitais e que assumiram como locais de sociabilidades emergentes mediadas por celulares, o que fizeram delas atrativos para o fortalecimento e interações sociais na contemporaneidade”, contou a pesquisadora.

Apoio Fapeam

“Sem dúvida a concessão de bolsa da Fapeam é muito importante, tendo em vista o fortalecimento da pesquisa no Amazonas e a formação de docentes com maior qualificação para atuação em institutos e instituições públicas. As instituições e a sociedade ganham com isso pela elevação do nível de conhecimento e qualidade científica e técnica da formação de novos pesquisadores e de outras pesquisas no Amazonas”, finalizou Soriany.

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Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)

Fotos- divulgação

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Roda de Conversa abre espaço para discutir os desafios da pós-graduação que voltará na próxima edição

Por ser um tema complexo, a proposta dos mobilizadores do evento é trazer de volta a questão da pós-graduação que deverá ser o assunto da próxima Roda de Conversa, prevista para acontecer no dia 9 de novembro

Texto e foto Luciete Pedrosa – Ascom Inpa

SiteRodadeconversaFotoAscomInpa

Abrir um espaço para conversar sobre os desafios que o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) precisa enfrentar enquanto Instituição e o quanto é importante que a pós-graduação esteja conectada com as necessidades, as demandas e a formação desses profissionais. Este foi o objetivo da sexta edição da Roda de Conversa, que teve como tema “A aproximação da pós-graduação com a sociedade”. O evento aconteceu nesta quarta-feira (18), na Biblioteca Central do Instituto.  

Por ser um tema complexo, a proposta dos mobilizadores do evento é trazer de volta a questão da pós-graduação que deverá ser o assunto da próxima Roda de Conversa, prevista para acontecer no dia 9 de novembro.  

De acordo com a coordenadora da Roda Conversa, a pesquisadora Rita Mesquita, que também é coordenadora de Extensão do Inpa, uma das questões que ficou claro nesta conversa é que a maior parte dos profissionais que são formado no Inpa, na verdade, são inseridos no mercado de trabalho em outros setores  além do acadêmico.

“Será que estamos dando uma formação completa e abrangente suficiente para que esse jovem profissional entre no mercado de trabalho de maneira competitiva. O sentimento é que temos um espaço para melhorar”, diz Mesquita.     

Atuando há mais de 40 anos na pós-graduação, o Inpa é um centro de referência mundial em estudos de biologia tropical. Atualmente possui dez programas em nível de mestrado e doutorado. Nesse período, o Instituto já formou mais de 2.500 profissionais, dos quais cerca de 70% permanecem na Amazônia.  

Durante a Roda de Conversa foram levantadas várias sugestões para melhorar a comunicação com a sociedade para divulgar as pesquisas que são feitas pelos alunos, a exemplo do que acontece com o Congresso de Iniciação Científica (Conic) onde os bolsistas apresentam os resultados finais dos trabalhos de pesquisas desenvolvidas ao longo de um ano. “Podemos tentar implementar algo nesse sentido para ajudar a melhorar a conexão entre os pós-graduandos”, disse a coordenadora de Pós-Graduação do Inpa, a pesquisadora Rosalee Coelho.

Para o pesquisador bolsista do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), o pós-doutor Arildo de Souza Dias, a Roda de Conversa é um espaço importante para se discutir e conhecer o que os pós-graduandos estão fazendo. “Este espaço deveria ser mais valorizado para que outras pessoas, alunos e professores, participem porque sem uma discussão não tem como mudar nada no Instituto”, diz.

Na opinião do mestre em Genética formado pelo Inpa, Ivan Junqueira, esta foi uma oportunidade para se discutir o principal problema que se tem na pós-graduação que é falta de diálogo entre grupos de pesquisa e entre os alunos em si e, principalmente, a capacidade de repassar o conhecimento adquirido para a comunidade. “Foi interessante para vermos quais são os mecanismos possíveis para desenvolver esta temática”, diz o mestre ao comentar ainda sobre a falta de integração para que o egresso do Inpa não se forme apenas como um especialista, mas que tenha uma formação mais plural.

A Roda de Conversa é aberto ao público e acontece uma vez por mês, na segunda quarta-feira de cada mês. O objetivo é debater assuntos de interesse da comunidade buscando a construção de uma visão mais cidadã sobre o assunto em foco. Além de Rita Mesquita, um grupo de mobilizadores também ajuda na condução do evento, e é formado pelas pesquisadoras Flávia Costa e Dionísia Nagahama, com apoio de Mateus Ferreira, Flavia Delgado e Marcos Vinicius Simões.      

 

Reunião do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos debate Arquitetura e Urbanismo na Amazônia

 

Manaus não está numa maturidade como outros municípios do Brasil em relação aos instrumentos normativos, a exemplo do IPTU progressivo”, diz a professora e arquiteta Melissa Toledo

Por Luciete Pedrosa – Ascom Inpa

SiteINpaReuniaoGeeaFotoascomInpa

Para debater sobre a “Arquitetura e Urbanismo na Amazônia”, a professora e arquiteta Melissa Toledo foi a palestrante desta quarta-feira (18) da 48ª Reunião do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (Geea) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).   

Durante a reunião, a professora a arquiteta falou sobre a requalificação urbana e a “preservação” do patrimônio cultural e edificado de Manaus. Com o processo de ocupação humana da cidade a partir do modelo de urbanização higienicista, a exemplo do Centro Histórico de Manaus, a professora questiona como está esse ambiente hoje, quais as intervenções que podem ser aplicadas e se adequarem para se ter um equilíbrio do que preservar, como requalificar e como inserir os agentes sociais contemporâneos.

Higienicista é um modelo de urbanização europeu que nasceu na primeira metade do século XIX quando os governantes começaram a dar maior atenção à saúde dos habitantes das cidades. “Manaus tem essa leitura importada e pode ser comprovada pela implantação de urbanismo realizado pelo então governador Eduardo Ribeiro”, diz a professora. “Historicamente falando, o Brasil é um país de importação de modelos higienicistas”, acrescenta.

Eduardo Ribeiro foi responsável por agilizar e terminar a construção do Teatro Amazonas e muitas outras obras de urbanização de Manaus, entre elas o Reservatório do Mocó, a Ponte Benjamim Constant e o Palácio da Justiça, além de intervenções urbanas em igarapés. Por estas ações, Manaus ficou conhecida como a “Paris dos Trópicos”.   

Segundo Toledo, ao se falar em requalificação urbana ela lembra que em 2010 criou-se um Termo de Referência com orientações metodológicas que devem ser cumpridas e que passam a ter como metodologias de requalificação de centros urbanos históricos a inclusão de agentes sociais, as funções sociais adequadas, além dos instrumentos normativos. “Quanto a essa questão, Manaus não está numa maturidade como outros municípios do Brasil em relação aos instrumentos normativos, a exemplo do IPTU progressivo”, diz.

O objetivo da implantação das alíquotas progressivas de IPTU (ou seja, uso de alíquotas crescentes no decorrer do tempo) é desestimular proprietários a manter seus imóveis fechados ou subutilizados.

A professora e arquiteta, que também coordena o curso de Arquitetura e Urbanismo da faculdade Fametro, faz parte do Instituto Amazônia, uma organização social sem fins lucrativos que desenvolve trabalhos na área do patrimônio ambiental e do patrimônio material. O Instituto atua no projeto São Vicente com um trabalho de requalificação urbano e resgate do patrimônio de edificação.

Dentro desse projeto, o Instituto também atua no segmento social com ações temporárias de requalificação, na Casa do Frei, uma casa cultural onde trabalha com 65 famílias moradoras da rua Frei José dos Inocentes, no Centro Antigo de Manaus, e que atuam com artesanato, educação e  apoio social.

Em 2015, o Instituto Amazônia ganhou o Edital nº04 da Manauscult com o projeto denominado “As portas do passado abrindo as janelas do futuro”. Foi uma apropriação cultural temporária que acontecia todos os finais de semanas durante três meses, na rua Bernando Ramo, em cooperação com o curso de Arquitetura e Urbanismo da Fametro.

Como consequência desse projeto foi criada a Feira no Paço, que acontece na Praça D. Pedro II e recebe o apoio da Prefeitura de Manaus. É uma feira que engloba cultura e a economia criativa interativa com artesãos, gastronomia, música, dança, exposição.

Sobre o Geea

O Geea foi criado em 2007 com o objetivo de estabelecer fórum permanente multidisciplinar, visando à análise de questões relevantes sobre a Amazônia e um veículo para a socialização da ciência através de linguagem acessível. O grupo, formado por pesquisadores, professores, empresários, humanistas e gestores e reúne-se a cada dois meses para debater um tema escolhido previamente e apresentado por especialista de renome. O secretário-executivo do Geea é o pesquisador Geraldo Mendes.

Inpa produz painel ecológico à base de resíduos de indústrias do PIM e de madeiras amazônicas

Durável, sustentável e de baixo custo, o produto pode ser usado em pisos, decorações, base para mesa, cadeira e como deck para piscina. O painel de madeira plástica é uma alternativa viável para o aproveitamento de materiais que seriam incinerados 

Por Luciete Pedrosa (Texto e foto) – Ascom Inpa

Um produto inédito, no Amazonas, produzido a partir do poliestireno (plástico) com resíduos de madeira (serragem) resultou num painel de madeira-plástica, que misturados proporciona resistência e uma textura com desenhos diferentes e únicos. É resultado do trabalho de mestrado em Ciências Florestais e Ambientais da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), da engenheira florestal Giselle Rebouças, com orientação da pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), a doutora em Ciências Biológicas (Botânica), Claudete Catanhede.

A pesquisadora explica que o trabalho de Rebouças teve uma proposta inicial voltada para o meio ambiente com o objetivo de aumentar o rendimento das madeiras amazônicas. “O produto é de excelente qualidade, por conta das propriedades físicas e mecânicas, sendo um painel altamente sustentável porque não irá derrubar a floresta para ser produzido”, afirma. 

O poliestireno é um dos plásticos mais utilizados no mundo sendo produzidos milhões de toneladas anualmente. Pode ser naturalmente transparente, mas geralmente é colorido com o uso de corantes e é usado como uma embalagem de proteção. Já a serragem de madeira é o resíduo proveniente das diferentes etapas do corte da madeira.

“A serragem, por ter uma dimensão muito pequena, é um material de maior problemática para sua destinação final e por não poder ser reutilizada na produção de um novo produto”, explica Rebouças.    

 

painelmadeiraplásticaFotoLucietePedrosaINPA

 

Ecologicamente correto, economicamente viável, barato e sustentável, o painel é produzido com a utilização dos resíduos descartados do Polo Industrial de Manaus (PIM) e de madeireiras e é também uma resposta viável para solução do aproveitamento desses materiais que seriam incinerados ou jogados fora.

Além disso, tem diferentes aplicabilidades e pode ser usado tanto como piso, quanto para a confecção de artesanato em geral, em decorações ou como base para mesa, cadeira e bandeja e como deck para piscina.

Para Rebouças, o painel é um produto que tem um ótimo valor agregado e utiliza a madeira que já está disponível (serragem). Segundo ela, o resíduo pode se tornar um prejuízo ambiental se continuar no ambiente. A indústria fornecedora de poliestireno para o projeto produz atualmente 18 toneladas mensais de resíduos na alta temporada, que são incinerados e que poderiam ser aproveitados para produzir os painéis. Na indústria madeireira parceira do projeto são nove toneladas diárias de resíduos produzidos, entre eles a serragem.

“Pode-se produzir aproximadamente 35 mil unidades de painéis no tamanho de 20 X 20 centímetros”, explica Rebouças, ao acrescentar que isto representa um aproveitamento de 100% do material plástico que requer uma maior preocupação, já que não é um produto biodegradável e leva anos para se decompor. “Os resíduos produzidos pelas indústrias nos segmentos poderão atender demanda de produção em escala industrial”, destaca.

Vantagens

Uma das vantagens do painel é que eles têmuma produção barata e rápida porque não precisam de muito tempo para ser produzido, além de não necessitam de água para o resfriamento após o processo de fabricação na prensagem. “O tempo para se produzir um painel é de aproximadamente 25 minutos”, garante a mestre. “Os ensaios de flexão e de compressão do painel apresentaram resultados de resistência semelhantes a algumas madeiras amazônicas”, revela.

De acordo com a mestre, a junção da madeira com o poliestireno como base do painel favoreceu uma melhor resposta aos testes e também na trabalhabilidade do painel quanto à facilidade de corte na serra, perfuração por broca, prego e parafuso. “Por isso é um produto bastante versátil”, destaca.  

 

painelmadeiraplasticaFotoLucietePedrosaINPA

 

Conforme Rebouças, comprova-se a agregação de valor das madeiras da Amazônia ao utilizar resíduos na produção de produto sustentável com qualidade para ser inserido no mercado  e com alta competitividade, o que contribui para o aumento do rendimento das madeiras amazônicas e comprova a viabilidade do manejo na região.

“Com isso estaremos contribuindo, não só para uma maior valorização da madeira e com o seu aproveitamento completo, mas também para manter a floresta em pé porque não precisaremos derrubá-la para a confecção dos painéis, pois é utilizado somente o pó de serragem”, explica.

Patente

O painel ecológico está em processo de pedido de depósito de patente conjunto entre a Ufam e o Inpa no Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (Inpi).

O empreendedor que se interessar em produzir este produto terá vários benefícios: rapidez no processo de produção (25 minutos), produto barato, competitivo e resistente à chuva e ao sol, pois não corre o risco de deformar ou quebrar.

Diferencial

Cada painel tem um desenho próprio e único, o que favorece ainda mais o seu diferencial. Pode-se ter até três desenhos diferentes porque o material-base da composição é coletado em três etapas diferentes. Além disso, o painel também pode ter o tamanho desejado, dependendo do tipo de prensa utilizada.

Segundo a pesquisadora do Inpa e orientadora do trabalho de mestrado, Claudete Catanhede, o painel é um produto inédito, porque é produzido com madeiras amazônicas, o que poderia ser um fator de dificuldade para a sua produção por causa da complexidade que essas diferentes espécies possuem como as resinas, que dificultam a aglutinação das partículas.

O painel não é feito de várias espécies ao utilizar a serragem de diferentes madeiras de alta densidade, a exemplo do angelim, maçaranduba, breu e diversos louros, cada um com sua particularidade. “Apesar de serem diferentes não influenciaram na qualidade do produto”, explica Catanhede, que também é integrante do Instituo Nacional de Ciência e Tecnologia (INCT) Madeiras da Amazônia/Inpa.

Coletas

Os materiais para a produção do painel foram coletados a partir dos resíduos descartados numa serraria em Itacoatiara (AM), que trabalha com madeiras certificadas, e em indústria do Polo Industrial de Manaus. “Com isso, o trabalho de Rebouças veio atingir uma das metas do INCT Madeiras da Amazônia, que é agregar valor para as madeiras amazônicas em toda sua essência”, diz a pesquisadora. “Se tiver um resíduo que não esteja nos tamanhos padronizados eles podem ser transformados em serragem para aumentar a produção”, acrescenta.

Sistema possibilita gerenciamento e controle do consumo de energia elétrica

Projeto Mashina está em fase de prototipação e deve ser disponibilizado ainda este ano

 

Apagar as luzes do pátio com apenas um clique ou ver na tela do celular o consumo do uso da máquina de lavar durante a semana. Essas são algumas das aplicações do Sistema Mashina. A tecnologia foi desenvolvida por empreendedores do Amazonas e conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) por meio do programa Sinapse da Inovação, realizado em parceria com a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi).

Segundo o coordenador do projeto, o engenheiro elétrico Allan Roberto Amorim, o Mashina faz parte do nicho chamado Smart Home, que são as casas inteligentes. O projeto tem o foco principal no gerenciamento de energia elétrica e no controle de dispositivos de uma residência comum ou até mesmo de escritórios.

“O nosso projeto começou basicamente há um ano no laboratório e em uma roda de ideias de colegas, que na sua maioria são cientistas da computação, engenheiros da computação e engenheiros eletricistas. A princípio, era que nós pudéssemos simplesmente controlar dispositivos em uma casa”, disse o engenheiro.

mashina okO engenheiro elétrico Allan Roberto Amorim garante que será possível controlar o consumo de energia com o dispositivo

 

Allan explicou que a proposta vai além da funcionalidade de ligar ou desligar dispositivos da residência com o auxílio do smartphone. O projeto ganhou maiores proporções e também poderá auxiliar o usuário no controle do consumo de energia elétrica do imóvel. Ele destacou qual a fase atual do projeto.

“Além de controlar dispositivos, nos propomos a fazer uma medição de consumo energético na residência, tornando possível que o dono da residência possa controlar e, até mesmo, otimizar os gastos com energia elétrica no local. O projeto está no final da fase de validação do protótipo alfa, são protótipos funcionais , que vão precisar de modificações, é claro. Estamos entrando na fase beta, que é a melhoria do primeiro protótipo, onde iremos corrigir as falhas para chegar mais próximo de um produto comercialmente viável”, contou Allan.

De acordo com o coordenador, ao contrário de dispositivos similares já disponibilizados no mercado, que apenas ligam e desligam aparelhos, o sistema Mashina consegue medir o consumo daquele produto conectado ao dispositivo à tomada inteligente. O engenheiro conta como é o funcionamento da tecnologia.

MASHINA 5Todas as tomadas do imóvel devem ser inteligentes para o usuário mensurar o consumo elétrico da residência

“Nós conseguimos, utilizando métodos de engenharia, concentrar tanto a parte que liga e desliga os equipamentos, e também a parte que mede o consumo energético daquele equipamento conectado. A medição de consumo energético é recortada e transmitida através de uma rede Wi-Fi para um dispositivo chamado concentrador e através desse dispositivo o usuário poderá acessar os dados de consumo de qualquer equipamento eletrônico conectado na tomada inteligente”, explicou Roberto.

De uma forma geral, o usuário poderá mensurar o consumo elétrico geral da residência, supondo que todas as tomadas do imóvel sejam tomadas inteligentes. O monitoramento será feito dia após dia, computado minuto a minuto, permitindo que o consumidor consiga visualizar o gasto ao longo do tempo.

“A nossa ideia também é que este consumo seja diminuído por sugestões, por estratégias de adaptação de software. Por exemplo, você tem uma rotina em que vai ao trabalho pela manhã e volta à tarde, não necessariamente seus produtos, suas lâmpadas, seus equipamentos, têm que ficar ligado o dia todo, então você pode configurar perfis de economia, de forma que o sistema se encarrega de desligar e ligar os equipamentos conforme a sua rotina”, ressaltou Amorim.

MASHINA 4O sistema se encarrega de desligar e ligar os equipamentos conforme a sua rotina do usuário

Precisão

O sistema Mashina é completo e envolve infraestrutura de redes, servidores e aplicações para celulares Android. Toda essa estrutura funcional está em fase de testes e já é possível gerenciar dispositivos em residências. Atualmente, o grupo trabalha com foco na consolidação da medição do consumo de energia elétrica. A ideia é que o usuário tenha acesso ao valor em reais do consumo da própria casa.

“Estamos trabalhando para fazer com que a medição seja mais precisa possível, porque para o usuário não interessa, por exemplo, saber se está consumindo 3,53 kW em uma máquina de lavar, ele quer saber é quanto está gastando com máquina de lavar, finalizou Allan.

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Palestra sobre reprodução de peixes para alunos de pós-graduação divulga simpósio internacional

O simpósio é uma oportunidade imperdível de interagir com pesquisadores internacionais e de diversas regiões do país”, diz o diretor do Inpa e presidente do 11º Simpósio Internacional sobre Fisiologia da Reprodução de Peixes (ISRPF), Luiz Renato de França

Por Luciete Pedrosa (texto e foto) – Ascom Inpa

Transplante de células-tronco germinativas e transgênese em peixes foi o foco da palestra ministrada pelo diretor do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), o doutor em Biologia Celular, Luiz Renato de França. A atividade aconteceu no Auditório da Ciência, na segunda-feira (16), para pesquisadores e alunos de pós-graduação em Biologia de Água Doce e Pesca Interior (Badpi/Inpa). Na ocasião, o diretor também divulgou o 11º Simpósio Internacional sobre Fisiologia da Reprodução de Peixes (ISRPF), que acontecerá em Manaus (AM), em junho de 2018. 

Esta é uma oportunidade de mostrar a ciência e os trabalhos desenvolvidos na área de reprodução de peixes para os alunos do curso de pós-graduação”, diz França, um dos integrantes do grupo de pesquisa da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que realiza estudos sobre a biologia da reprodução de vertebrados, que vai de peixes até o homem. “Atualmente, nossos trabalhos estão focados em duas vertentes principais: mamíferos e peixes”, acrescenta.   

Durante a palestra, França apresentou como um dos resultados do grupo de pesquisa o transplante/enxerto que é a introdução de células e fragmentos testiculares na região subcutâneas do dorso de camundongos imunodeficientes para a produção de espermatozóides férteis. “Esta técnica está bem estabelecida em mamíferos, mas já existem alguns trabalhos com peixes”, explica o pesquisador. 

Para ele, as técnicas apresentadas, principalmente o transplante de espermatogônias-tronco, apresentam enorme potencial, especialmente em espécies de peixes que servem como modelos experimentais usados em laboratório, a exemplo da tilápia que ao mesmo é uma das principais espécies de produção mundial em aquicultura.

No Inpa, trabalhos nesta importante linha de pesquisa já vêm sendo realizados com pirarucu, que é o peixe símbolo do Simpósio, em colaboração com o grupo de pesquisa liderado pela pesquisadora Elizabeth Gusmão. Também há em parceria com o pesquisador Jansen Zuanon a possibilidade de se preservar espécies de peixes amazônicos em perigo de extinção.  

Conforme França, além de estabelecer o modelo, um dos principais aprendizados, nesses quase 15 anos de pesquisas, é que quando se cria ou preserva células germinativas-tronco, as células germinativas de mais alto potencial para colonizar os testículos (aquelas quiescentes) sobrevivem melhor.

“Assim, a técnica de criopreservação não deixa de ser um bom critério de seleção de células-tronco”, diz. A criopreservação faz parte de um conjunto de técnicas que permite conservar células a temperaturas muito baixas (196º C negativos) e por tempo em tese ilimitado com o uso de nitrogênio líquido.

França explica que os estudos desenvolvidos na UFMG passaram por várias etapas. A primeira foi a padronização de todas as técnicas de preparação e seleção das células do doador e de preparação das gônadas dos peixes receptores; a segunda, o transplante propriamente dito de espermatogônias-tronco em tilápias; a terceria, foi a padronização das técnicas de criopreservação.

“Outra etapa importante foi o conhecimento da biologia das células-tronco com marcadores para selecionar estas células e depois o seu cultivo e modificação com lentivírus para o transplante e assim a produção de peixes transgênicos”, explica.    

ISRPF

Presidido por França, o Simpósio será realizado de 03 e 08 de junho de 2018, no Hotel Tropical, pela primeira vez na América Latina, e contará com a participação de renomados especialistas da América do Norte, Europa, Ásia e outros países da América Latina além do Brasil. A expectativa é reunir em Manaus cerca de 300 a 400 acadêmicos, especialistas e profissionais de diversos continentes.  

O objetivo do Simpósio é estimular a discussão e o aprendizado sobre as mais recentes descobertas científicas na área de fisiologia reprodutiva em peixes com enfoque nas novas fronteiras em diversidade reprodutiva num ambiente em mudança. O evento é realizado a cada quatro anos.

Para França, a expectativa dos organizadores do evento é realizar um simpósio com a expressiva presença da comunidade internacional e brasileira. “E como o evento será realizado em Manaus, seria interessante também ter a participação da comunidade científica local com pesquisadores e alunos de pós-graduação da região Norte, principalmente, de Manaus”, diz. “Portanto, o simpósio é uma oportunidade imperdível de se interagir com pesquisadores internacionais”, ressalta.

O simpósio internacional, pelo lado brasileiro, já conta com o apoio do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/Manaus), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Universidade Nilton Lins (Manaus/AM), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária – Amazônia Ocidental (Embrapa/Manaus, AM), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade Estadual Paulista (Unesp/Botucatu), Universidade de São Paulo (USP) e Centro de Aquicultura da Unesp (Caunesp/Jaboticabal).     

Pesquisadores do Inpa identificam nova família de peixe misterioso encontrado há 20 anos

O nome da espécie Tarumania walkerae é uma homenagem ao rio Tarumã-Mirim, em Manaus-AM, onde foi encontrado pela primeira vez o peixe pela pesquisadora do Inpa Ilse Walker

 

Da Redação – Ascom Inpa

Foto: Lucia Rapp – acervo da pesquisadora

 

Uma nova família de peixes (Tarumaniidae) de água doce da Amazônia foi identificada por pesquisadores do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). O animal, que há mais de 20 anos foi descoberto e intrigava os estudiosos, ficou conhecido na época como “mistery fish”, pois não se conseguia atribuir ao peixe um nome científico, já que o bicho não se encaixava em nenhuma das famílias conhecidas de peixes de água doce.

O estudo foi publicado recentemente no Zoological Journal of the Society. A pesquisa foi realizado pelos pesquisadores do Inpa, os ictiólogos Lucia Rapp Py-Daniel e Jansen Zuanon; pelo pesquisador do Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo (USP), Mario de Pinna; e pelo pesquisador da Organização Internacional de Conservação Ambiental The Nature Conservancy (EUA), Paulo Petry (ex-pesquisador do Inpa).

Na pesquisa foi estabelecido um novo nome de gênero, Tarumania, espécie, Tarumania walkarae, e uma nova família, Tarumaniidae, conforme as normas de nomenclaturas de nomes científicos zoológicos. Tarumania walkerae é o nome dado a espécie em homenagem a pesquisadora do Inpa, a doutora Ilse Walker, pela sua contribuição na investigação da estrutura populacional e trófica da fauna aquática em rios da Bacia do Rio Negro e por ter coletado, em 1997, o primeiro espécime conhecido.

 

Peixe Tarumania walkarae

 

Tarumania walkarae é um pequeno peixe, predador que se alimenta de pequenos camarões e peixes menores, de hábitos fossoriais, que habita áreas de folhiço e é encontrado enterrado em poças isoladas durante a vazante do rio Negro. Durante a seca, quando as poças já não existem, o peixe desaparece.

Características

A pesquisa revela que este peixe exibe um conjunto extraordinário de características únicas, que o separa de todos os outros peixes ósseos conhecidos. É um peixe de corpo alongado e coloração escura (marrom) uniforme. Ele alcança até 15 cm de comprimento e precisa de ar para viver, possuindo uma bexiga natatória com 11 câmaras (o normal na maioria dos peixes são duas câmaras), mais de 240 escamas muito pequenas no corpo e escamas reversas na cabeça.

O peixe apresenta ainda uma série de características ósseas muito distintas, como crânio parcialmente exposto, mobilidade vertical da cabeça e modificações nas nadadeiras e mandíbulas.  Tarumania apresenta caracteres pedomórficos (características larvais em exemplares juvenis), tipo presença de notocorda e nadadeiras lobulares em exemplares de até 5 cm.  “É um dos raros casos de peixe com escamas com hábitos fossoriais, se enterrando em vez de ficar na coluna d’agua”, conta Lúcia Rapp.

Apesar de tão distinto, análises mais detalhadas revelaram ainda que Tarumania faz parte da superfamília Erythrinoidea  e tem como grupo evolutivo mais proximo, a família Erythrinidae (jejus e traíras). 

Para os autores do artigo, o fato de um peixe relativamente grande e extremamente diferenciado como o Tarumania permanecer desconhecido até agora, após muitas décadas de estudos da ictiofauna do rio Negro, é um “testemunho do estado ainda incompleto do conhecimento da biodiversidade nas águas amazônicas”.

De acordo com o pesquisador Jansen Zuanon, descrever novas espéceis na Amazônia é muito comum, mas descrever uma família toda nova é bem raro. “Isso acontece uma vez a cada muitas décadas, às vezes a cada século”, conta.

Para Zuanon, o mais importante nesse caso, nem é tanto o fato de ser uma nova família, mas por ser tão diferente dos outros peixes aparentados com ele que mostra que o caminho da evolução desse grupo é muito mais amplo do que se imaginava.

Segundo o pesquisador, o peixe faz parte do grupo dos Characiformes, que é o grupo da maior parte dos peixes de escamas da Amazônia como o matrinxã, o tambaqui e o jaraqui, só que tem um formato completamente diferente desses peixes, tanto por fora quanto por dentro.

“Isso mostra que os Characiformes evoluíram de maneira brutal com uma diversidade de adaptações para o ambiente que ainda não conhecemos direito”, diz Zuanon, acrescentando que o que mais chama atenção nesse peixe é o formato do corpo por dentro (anatomia) e por fora (morfologia). “Eles são completamente aberrantes dentro desse grupo de Characiformes e por isso mesmo tivemos que descrever uma família nova para acomodar essa espécie”.            

História  

 

LuciaRappFotoLucietePedrosaINPA

 

 

A pesquisadora Lucia Rapp explica que o primeiro registro desse peixe foi realizado no Tarumã-mirim, em 1997, pela pesquisadora Ilse Walker. “Tratava-se de um indivíduo jovem, muito pequeno e diferente, que os pesquisadores não conseguiram identificar o animal, na época”, diz. Segundo Rapp, anos depois, o cientista Jansen Zuanon conseguiu coletar, durante um trabalho de campo, em Anavilhanas, próximo ao município de Novo Airão, mais exemplares. 

Isso chamou a atenção dos pesquisadores que resolveram voltar ao mesmo local onde foi realizada a primeira coleta de Walker, no Tarumã-mirim. Os pesquisadores Lucia Rapp, Jansen Zuanon e Mario de Pinna acharam o peixe em poças alagadas no meio da mata. Na ocasião foram coletados cerca de 40 animais.

O que mais chama atenção dos estudiosos é o fato de um animal como este nunca tenha sido encontrado. Segundo a pesquisadora, o Inpa tem uma Coleção de Peixes que abriga milhares de espécimes e esse animal nunca foi coletado em lugar nenhum. “Então, isso chamou a atenção para a possível diversidade crítica, escondida, que ainda existe na Amazônia, e num só tributário do rio Negro, no Tarumã-mirim”, explica a pesquisadora ao acrescentar que pode ser que tenha outras situações como essa na Amazônia e que ainda são desconhecidas.

“Depois de tantos anos de coleta aparece um bicho tão diferente e não tínhamos ideia que existia. Isso já deixou a gente de ‘orelha em pé’. O que será ainda que podemos encontrar por aí?”, conta empolgada a pesquisadora. “Esse bicho é tão espetacular, tão diferente. É um peixe fossorial que fica enterrado no solo quando seca e deve entrar no lençol freático de alguma maneira para procurar água. É muito interessante e vale a pena estudar um peixe com comportamento tão distinto”, revela.

Os próximos passos nas pesquisas com Tarumania envolverão estudos para entender as relações evolutivas deste peixe com os demais, conhecer melhor o seu comportamento e quem sabe ver se ele ocorre em outras drenagens. “Tarumania ainda pode proporcionar um grande número de novidades para os estudiosos em biologia dos peixes amazônicos”, conta Rapp.

Cursiosidades

O peixe apresenta vários diferenciais. Tudo que ele tem, em certas estruturas, é em grande número, a exemplo da grande quantidade de escamas. Seegundo Lucia Rapp, os peixes amazônicos chegam a ter de 110 a 120 escamas e Tarumania walkarae possuimais de 240. O bicho tem uma “coisa esquista” na cabeça, onde parte do crânio é exposto e não é coberta por pele. Apresenta característica de larva de um tamanho grande. Tem uma bexiga natatória com 11 câmaras, ao invés de duas câmaras como  na maioria dos peixes

A bexiga natatória é um órgão que fica dentro da barriga dos peixes e que serve para flutuação ou que pode ser modificada para respiração. No pirarucu, na pirambóia e outros peixes, a bexiga natatória é modificada para o pulmão. Na maioria dos peixes, serve como órgão hidroestático, o que permite ao peixe controlar sua flutuabilidade em diferentes profundidades.

“Nesse bicho, como há 11 câmaras, não sabemos direito qual a função dessa bexiga com tantas câmaras. Mas como ele tem necessidade de vir à superfície pegar ar, pode ser que isto esteja relacionado”, explica Rapp. “conhecemos muito pouco da biologia desse peixe. Só vimos que morfologicamente ele é muito diferente. É um bicho espetacular, inclusive as estrutras internas ósseas dele também são diferentes”, diz empolgada a pesquisadora.