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Projeto busca vírus que possam causar pandemias globais

A revista Science publicou, nesta sexta-feira (23/2), um artigo que descreve um projeto que quer fazer diferente usando um velho conselho: é melhor prevenir que remediar. O artigo trata do Projeto Viroma Global (PVG), iniciativa internacional que propõe uma estratégia absolutamente diversa da que tem sido adotada ao combate dos riscos virais. A proposta do PVG é identificar e caracterizar os vírus com potencial de risco, gerando conhecimento que possibilite antever as próximas epidemias e mitigar seus danos. Os cientistas do PVG estimam que há aproximadamente 1,6 milhão de vírus desconhecidos no mundo. Entre eles, de 600 a 800 mil deles podem infectar o homem. Os cientistas do PVG querem saber quem são eles e qual caminho podem seguir. O grupo de cientistas pretende caracterizar os patógenos emergentes, identificar práticas e comportamentos que levam a propagação e ampliação da doença e propor conjunto de medidas para caso de emergências.

A proposta, embora audaciosa, está sustentada em evidências robustas coletadas pelo Predict – um projeto piloto, conduzido pela Agência dos Estados Unidos para Desenvolvimento Internacional (USAIDS) com foco no fortalecimento de competências e estruturas laboratoriais para detectar e prever pandemias a partir de vírus que são transmitidos da relação entre animais e humanos. Para alcançar seu objetivo, o PVG pretende ampliar e fortalecer laboratórios de virologia existentes e criar uma base de dados de larga escala em ecologia e genética de vírus de alto risco propondo transformar a ciência básica em virologia em uma área de conhecimento baseada em big data.

O Predict, em oito anos, com U$ 170 milhões e mais de 30 países parceiros, conseguiu coletar aproximadamente 250 mil amostras de mais de 90 mil origens e identificou aproximadamente mil novos vírus. Capacitou mais de 4 mil profissionais e tem 50 laboratórios em plena atividade. Os números demonstram o acerto na abordagem OneHealth, que considera a intrínseca relação entre a população, animais e o meio ambiente para o mapeamento de vírus que representam perigo para a saúde.

De fato, 75% dos patógenos emergentes é transmitido por animais. De acordo com o artigo publicado na Science, o PVG estima que a maioria da diversidade viral de nossos reservatórios zoonóticos podem ser descobertos, caracterizados e avaliados em um prazo de dez anos. De acordo com o artigo, a iniciativa dependerá da adoção de tecnologias de ponta para sequenciamento além da colaboração entre virologistas, epidemiologistas e modeladores, novas estratégias para avaliar as relações entre vírus e hospedeiros, e conhecimento nas áreas de biologia evolutiva, modelagem de biodiversidade, veterinária, entre outras.

O Brasil faz parte dessa iniciativa. O coordenador do Centro de Desenvolvimento de Tecnologias em Saúde (CDTS/Fiocruz), Carlos Morel, é co-autor do artigo da Science e participa da governança do projeto ao lado do diretor da Unidade de Desenvolvimento e Segurança da Saúde Global da Agência Americana para Ajuda Internacional, Dennis Carroll. O Brasil é um hotspot para pesquisas e coleta de amostras dada a alta probabilidade de extrapolação dos vírus de seus reservatórios para o ser humano.  Além disso, o país tem cientistas com importantes contribuições para a compreensão e prevenção de doenças emergentes virais, como o especialista em virologia do CDTS Thiago Moreno, que a partir do sequenciamento e análise do comportamento do vírus da zika identificou a trajetória da epidemia e testa medicamentos já aprovados para tratar a doença e evitar que a transmissão do vírus para o feto. O Brasil tem biodiversidade, liderança, ciência e experiência em alianças internacionais.

Os organizadores do PVG estão estabelecendo um desenho de gestão transparente e com participação equitativa de cada país envolvido. Questões éticas, sociais, legais pautam as atividades científicas. Na prática, isso representa um esforço para construir protocolos de acesso a biodiversidade e patrimônio genético em conformidade com Protocolo de Nagoya e as regras dos países envolvidos, acordos para o compartilhamento de amostras, dados e potenciais benefícios na hipótese de desenvolvimento e comercialização de produtos e serviços, além de políticas de proteção da propriedade intelectual e compliance que estabelecem, de antemão, os valores e princípios que os parceiros devem observar, garantindo a proteção das populações e o meio ambiente e a primazia do interesse público e o bem comum. A estratégia de vigilância orientada e baseada no risco, voltada para a detecção de vírus no seu ambiente natural pode conduzir a intervenções eficientes antes do contágio de pessoas ou animais alimentares.

O custo da empreitada foi avaliado em US$ 1,2 bilhão, para aumentar a capacidade de identificação de patógenos, fortalecer capacidades e laboratórios existentes, colher dados e gerar conhecimento. Entre os benefícios, mais conhecimento pode oferecer respostas mais eficientes e rápidas aos surtos, nortear o desenvolvimento e aprimoramento de diagnósticos, medicamentos e vacinas. Entendendo como o vírus se comporta, é possível, inclusive, evitar que se espalhe e criar consciência global e regional e informar políticas para evitar ou mitigar a disseminação dos vírus.

Para fins de comparação, um recente estudo na área da economia da saúde avaliou que o Brasil gastou R$ 2,3 bilhões com dengue, chikungunya e zika, apenas em 2016. Considerado conservador pelos próprios autores, o estudo calculou custos diretos, como atendimento e medicamentos e ausência no trabalho, e indiretos, como o combate ao mosquito vetor, mas excluiu, por exemplo, despesas com tratamento da microcefalia e anos de vida perdidos. Pode-se dizer que o Brasil pagou o preço alto pela inação.

O Boletim Epidemiológico 3/2018 do Ministério da Saúde divulgou que mais de 3 mil crianças nasceram com malformação em virtude do vírus zika entre os anos de 2015 e 2017. Por malformação compreende-se microcefalia, comprometimento do sistema nervoso central, epilepsia, deficiências auditivas e visuais, dificuldade de desenvolvimento psicomotor, além de prejuízos nos ossos e articulações. Entre mais de 15 mil notificações de suspeitas de zika, 507 crianças morreram, desconsiderando abortos e natimortos.

Esse número ganha corpo com a história de Henrique, de 2 anos. Diagnosticado com microcefalia causada pela zika, tem dificuldades de se manter de pé, sentar ou sustentar a cabeça. Pouco fala e mal enxerga. As atividades de fisioterapia, fonoaudiologia, estimulação visual e terapia ocupacional que o menino faz desde o nascimento não têm promovido melhoras expressivas e a mãe de Henrique, apesar da esperança, pouco sabe sobre seu futuro.

Cientistas vêm descobrindo e descrevendo os efeitos das epidemias virais na medida em que seus danos ocorrem. Do mesmo modo que autoridades administrativas na área da saúde tomam decisões no auge dessas emergências. A fragilidade das ações em saúde pública que reagem a propagação de vírus novos e reemergentes não é exclusividade do Brasil. Agora mesmo, assistimos os EUA definindo como lidar com o H3N2, um tipo de influenza A, no meio da crise.

Há muito ainda para ser desenvolvido em termos de tecnologias para diagnósticos e tratamentos. Medicamentos e vacinas levam de 10 a 20 para seu desenvolvimento completo. É um processo longo, complexo, custoso e de alto risco. Por outro lado, aproximadamente três novas doenças virais surgem a cada ano. De acordo com o Ministério da Saúde, em apenas dois anos o número de mortos pelo chikungunya subiu de 14 (2015) para 173 pessoas (2017).

As tecnologias disponíveis não dão conta dos efeitos causados pelas doenças virais emergentes, seja porque pensadas para um grupo limitado de pacientes ou por falta de capacidade de produção e distribuição que garanta o acesso imediato de alto volume de tratamento ou vacinas. O vírus H1N1, por exemplo, foi detectado em 2009 e infectou quase 2 bilhões de pessoas em 73 países. Nesse mesmo prazo, como resposta sanitária, apenas 17% da população global foi imunizada.

Pensar em política públicas de saúde e desenvolver medidas de reparação após a dispersão do vírus expõe a população a danos trágicos, como os de Henrique. Estudos recentes estimam que o mundo conhece apenas 1% dos vírus que podem causar doenças. Mudanças demográficas e ambientais, além do mercado global e trânsito internacional de pessoas, contribuem para o aumento e propagação de vírus novos e reemergentes, como HIV, ebola, Mers, síndrome respiratória aguda grave (SARS), dengue, chikungunya, zika etc.

Detecção precoce é elemento imprescindível para combater as doenças virais emergentes. Nossa capacidade de lidar com as próximas epidemias está limitada pelo desconhecimento sobre essas ameaças. O PVG pretende abastecer a comunidade global com informações necessárias para detectar, prevenir e agir de maneira proativa às epidemias emergentes, mitigando o risco de futuras epidemias reduzindo o impacto das doenças como a zika, que afetou Henrique e sua família. Se o objetivo for alcançado, o preço é insignificante.

CDTS/Fiocruz, por Renata Curi Hauegen
Fonte: AFN

PPGBIO-INTERAÇÃO convoca para matrícula institucional

Candidatos aprovados no processo seletivo, para ingresso no Curso de Mestrado do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da lnteração Patógeno Hospedeiro – (PPGBIO-INTERAÇÃO) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) devem realizar a matrícula institucional durante os dias 27 e 28 de feveireiro.

Os convocados devem comparecer munidos dos documentos necessários, conforme descritos na Chamada Pública de Seleçâo – n 002l2017, de 8h às 12h e de 13h às 16h, na Secretaria Acadêmica (SECA), da Fiocruz Amazônia, situada à Rua Teresina, 476 – bairro Adrianópolis, Manaus – AM.

As aulas terão início no dia 6 de março de 2018, às 9h, no Salão Canoas da Instituição

SOBRE O PPGBIO-INTERAÇÃO

O Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO-Interação) tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro, no âmbito da maior biodiversidade mundial.

O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na ecoepidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.

Para mais informações, consulte a chamada pública por meio da Plataforma Siga. Para esclarecimento de dúvidas, o candidato poderá ligar (092) 3621-2302 ou encaminhar e-mail para seca.ilmd@fiocruz.br

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento

Agência Internacional de Energia Atômica prospecta parceria científica no Inpa

Aproximação com a AIEA será uma oportunidade para desenvolver novas pesquisas, com técnicas avançadas e com alta aplicabilidade em áreas de atuação do Inpa

 

Por Cimone Barros (texto e fotos) – Ascom Inpa

 

Estudos desenvolvidos no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/ MCTIC) de como os organismos se adaptam aos ambientes e às mudanças climáticas despertaram a atenção da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que prospecta na instituição futuras parcerias. Organização autônoma com relações diretas com a Organização das Nações Unidas (ONU), a Agência tem interesse na aplicação do uso da energia nuclear em áreas temáticas como biologia, agricultura e saúde.

 

Dois diretores da AIEA, o Dr. Luis Carlos Longoria e o Dr. David Osborne, visitaram o Inpa na manhã desta quarta-feira (21), além de três oficiais da Marinha, o Contra-Almirante e Secretário de Coordenação de Sistemas do Gabinete de Segurança Institucional, Noriaki Wada; o Capitão de Fragata João Antônio de Barros Neto e um representante do 9º Distrito Naval. A comitiva foi recebida pelo chefe de Gabinete do Inpa Sergio Fonseca Guimarães e coordenadores da instituição. O Diretor o Inpa, Luiz Renato de França, está afastado por problemas de saúde.

 

“Vejo essa visita como oportunidade de aproximação com a Agência de Energia Atômica que por incrível que pareça não cuida só da parte nuclear, mas também da parte de meio ambiente, climática. Existem muitas possibilidades. É por isso que o Dr. Aldo Malavasi, que é um brasileiro e um dos diretores do mais alto nível nessa agência, vislumbrou possibilidades de parcerias”, disse Noriaki.

 

 

Diretores AIEA Foto Cimone Barros INPA

 

David Osborne é diretor do Nuclear Applications Environmental Laboratories e está no Brasil a convite da Marinha do Brasil para visitar três laboratórios da rede no país. No Brasil, a AIEA recebe os projetos encaminhados pela Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) para colaboração básica (investigação), regional (exemplo Panamazônia) e de regiões mundiais (África, Ásia, Pacífico).

 

Conforme o coordenador de Pesquisas do Inpa, Paulo Maurício Alencastro, o Instituto não tem tradição no uso de energia nuclear em suas pesquisas e a aproximação com a AIEA será uma oportunidade para desenvolver novas pesquisas, com técnicas avançadas e com alta aplicabilidade em áreas da saúde, alimentos e ambiental, por exemplo, interligada ao ciclo de carbono.

 

“Uma parceria com Agência pode estimular novas áreas de conhecimentos, estudos que possam ser gerados no Inpa utilizando técnicas de energia nuclear, como o uso de traçadores com radioisótopos em processos ecológicos ou em processos fisiológicos de organismos”, contou Alencastro.

 

 

Dr. Adalberto Val Foto Cimone Barros INPA

 

Além de uma apresentação sobre a atuação do Inpa, fez parte da visita conhecer a estrutura e pesquisas desenvolvidas no Laboratório de Ecofisiologia Evolução Molecular (LEEM), onde também funciona o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Adaptações da Biota Aquática na Amazônia (INCT Adapta /MCTIC/Inpa), coordenado pelo pesquisador Adalberto Val.

 

De acordo com Val, há muitos anos o LEEM usa isótopos radioativos de elementos básicos, como sódio, potássio e cálcio, para entender como os peixes da Amazônia interagem com os ambientes em que eles vivem. “Esses elementos radioativos permitem que a gente trace o comportamento deles na água e no peixe e de que forma eles interagem. Portanto, é uma ferramenta de altíssimo nível, ainda que muito cara, para entender essa interação dos peixes com os seus ambientes”, explicou.

 

 

LEEM Sequenciador de última geração1 Foto Cimone Barros 7

 

Os elementos radioativos são chamados de traçadores biológicos e ajudam a contar a história dos organismos com seus ambientes. Conforme Val, em momentos em que se vive um período de mudanças climáticas intensas ter essas ferramentas mais sofisticadas é vital para entender melhor como os organismos se adaptam aos ambientes e às mudanças que estão ocorrendo.

 

“Eles ficaram impressionados com o nosso laboratório. De fato, nosso laboratório é o que chamamos de estado da arte, comparado com os melhores do mundo na área em que estamos estudando”, contou. “Eles propuseram que desenvolvamos algum trabalho em conjunto. Agora vou esperar o contato deles e se não houver eu mesmo vou contatá-los, pois estamos vivendo um momento em que a ciência se faz por meio de colaboração”, completou.

 

Adapta 

 

Uma das perguntas que atualmente o Adapta procura responder é: o que tem espécies diferentes de peixes, crustáceos, plantas, fungos, microorganismos e insetos em comum enfrentando o mesmo desafio ambiental? Segundo Val, se os cientistas conseguem entender qual é o princípio que unifica as respostas dos organismos a um dado desafio ambiental, isso contribuirá com o entendimento em outros grupos de organismos incluindo o homem.

 

LEEM Foto Cimone Barros ASCOM INPA 60

 

Outra frente que pesquisadores se debruçam é: o que tem um único organismo de uma espécie em comum quando ela enfrente diferentes desafios ambientais? Ela ativa o mesmo tipo de mecanismo ou ela usa mecanismos diferentes para os diferentes desafios ambientais?

 

“Pode parecer uma pergunta muito simples, mas o que a gente aprendeu ao longo desses anos, estudando o tambaqui e outros organismos, é que não se pode generalizar as respostas, considerando a diversidade biológica que temos na Amazônia. Por trás dessa diversidade há um amplo leque de respostas adaptativas aos diferentes desafios ambientais. Portanto, ao longo do tempo vamos aprendendo como os organismos respondem aos desafios ambientais naturais e aqueles impostos pelo homem. Vamos respondendo perguntas, vamos fazendo ciência e socializando a informação para a inclusão social”, explicou.

 

LEEM Microcosmos Foto Cimone Barros ASCOM INPA 238

 

 

Inimigos dos livros: cartilha mostra como evitar, detectar e combater insetos

Fonte de conhecimento e porta de entrada para um vasto universo de histórias e fantasias, os livros não são apenas procurados por quem deseja se alimentar de saberes, mas, também, são os alvos preferidos de algumas espécies de insetos que devoram suas páginas. A partir de agora, os principais espécimes que provocam danos às bibliotecas e seus acervos históricos estão reunidos em um só lugar. Criada por pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), a cartilha Insetos Bibliófagos – Identificação, prevenção e controle apresenta, com o uso de imagens e de uma linguagem clara, as características básicas e os hábitos de traças, baratas, cupins, dentre outros insetos, e explica as formas mais eficazes para evitar, detectar e combater essas pragas. De autoria dos biólogos Jane Costa e Márcio Felix, do Laboratório de Biodiversidade Entomológica do IOC, o guia está disponível para download gratuito (clique aqui).

Os insetos bibliófagos compõem um grupo diverso que inclui traças, baratas, cupins, besouros e piolhos-de-livro. Alguns consomem e vivem no papel, outros preferem materiais aplicados ao papel, como cola, goma e gelatina. As traças-dos-livros ou traças-de-papel estão entre os principais causadores de danos aos livros e bibliotecas no Brasil. Pragas comuns em climas úmidos, elas possuem hábitos noturnos e podem ser reconhecidas por deixar superfícies ásperas, corroídas e buracos irregulares no papel.

Os cupins, por sua vez, são altamente destrutivos em relação a madeiras estruturais, devido à facilidade com que se espalham em grande quantidade para mobiliários, prateleiras, arquivos e livros. Eles deixam rastros nas formas de buracos profundos, galerias de trajetos irregulares e rasuras. As fezes são geralmente numerosas e em aspecto de diminutos grãos claros.

Geralmente relacionadas a ambientes sujos como esgotos e sarjetas, as baratas também possuem função importante na deterioração de acervos. A cartilha destaca três espécies que apresentam diferentes perfis em relação à temperatura, umidade e tipo de alimentação. No que diz respeito aos danos, elas podem causar desgaste com formato irregular e manchas por conta das fezes escuras.

PREVENÇÃO E CONTROLE

Uma das formas mais eficientes para prevenir os danos causados por insetos bibliófagos é o estabelecimento de um programa de Controle Integrado de Pragas (CIP), que envolve, entre outras ações, a busca regular por sinais de pragas, o uso de armadilhas e o armazenamento dos livros em ambiente limpo e seco. “Essa cartilha tem um enfoque objetivo e pode ser aplicada às questões da preservação dos acervos bibliográficos. É dedicada a todos os profissionais responsáveis por acervos das mais diversas áreas do conhecimento, da saúde à economia, da história da humanidade à ecologia. O material oferece todo um auxílio no passo-a-passo para o monitoramento e controle desses insetos”, esclarece Jane Costa.

Por: Lucas Rocha (IOC/Fiocruz)*
*Edição: Vinicius Ferreira
Fonte: Portal Fiocruz

Acasalamento de Aedes leva à contaminação por vírus zika

Cópula perigosa: o acasalamento de mosquitos Aedes aegypti, contaminados pelo vírus zika, levou à infecção de seus parceiros ou parceiras que até então não estavam contaminados. Essa foi a conclusão de um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazonia), publicada na última edição da revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz.

O estudo, conduzido em laboratório, procurou demonstrar a transmissão venérea do vírus zika em mosquitos Aedes. Segundo os autores, não se pode afirmar ainda que isso ocorra também na natureza. Foram realizados dois experimentos.

No primeiro, mosquitos machos virgens da estirpe AaM3V foram inoculados com vírius zika e, quatro dias após a injeção, foram transferidos para uma gaiola contendo fêmeas virgens da mesma estirpe e deixados para copular por cinco dias.

Já no segundo, mosquitos fêmeas virgens dessa mesma estirpe foram infectados oralmente com uma suspensão de zika e, nove dias após contaminação, foram colocadas em gaiolas para copular com machos virgens. Após a cópula, todos os mosquitos foram avaliados.

A taxa média de infecção nas duas experiências foi de 45% e 35%, respectivamente.

Portal de Periódicos da Fiocruz
Fonte: AFN

Com apoio da Fapeam, pesquisador defende tese sobre movimentos sociais amazônicos no contexto de grandes projetos, na Unicamp

Estudo foi desenvolvido via o Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós- Graduados para o Interior do Estado do Amazonas

Na próxima sexta-feira (23) o doutorando em Educação e professor do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas em Parintins (Ufam/Parintins), Lucas Milhomens, defende a tese de doutorado “Movimentos Sociais e Redes de Mobilização na Amazônia: O Caso da Hidrelétrica de Belo Monte”, na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo.

O estudo conta com apoio do Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) via programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados para o Interior do Estado do Amazonas (Proint). O programa concede bolsa de mestrado e doutorado para profissionais graduados, residentes no interior do Estado do Amazonas há no mínimo quatro anos ou que mantenham relação de trabalho ou emprego com alguma instituição municipal, estadual ou federal sediada ou com unidade permanente no interior do Estado do Amazonas, interessados em realizar curso de pós-graduação stricto sensu, em programa credenciado pela Capes, em instituições no Estado do Amazonas, localizadas em município diferente do de residência ou em outro Estado da Federação.

A pesquisa de doutorado aponta a importância dos movimentos sociais amazônicos na luta contra grandes projetos e seus impactos socioambientais. O estudo analisou os fatores históricos e socioculturais que viabilizaram o surgimento de uma série de grupos e movimentos sociais organizados, atuante na região, em especial em cidades como Altamira (PA).

“O município é permeado por uma sobreposição de conflitos sociais que datam desde o início do Governo Civil-Militar nos anos de 1960, onde foram planejados grandes projetos de infraestrutura que geraram uma série de impactos sociais, econômicos e ambientais, atingindo uma série de grupos, sobretudo povos tradicionais e populações indígenas. Como foi o caso da construção da rodovia Transamazônica nos anos de 1970 e a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, inaugurada em 2016”, disse.

Cacique Raoni Kaiapó no Acampamento Terra Livre 2017

Cacique Raoni Kaiapó no Acampamento Terra Livre 2017 (foto: Lucas Milhomens)

 

Outro ponto abordado na tese do pesquisador diz respeito a centralidade dos movimentos sociais amazônicos, que além de visibilizar pautas pouco difundidas na opinião pública nacional (como os impactos gerados a diversas populações atingidas pela construção de usinas hidrelétricas e projetos mineradores) atuam.

Segundo o professor, sob o formato de “redes de mobilização”, um esquema onde diversos grupos e atores sociais fazem uso de um complexo repertório que vai desde a utilização contínua da Internet e seus inúmeros recursos comunicacionais (como sites de compartilhamento de vídeos, blogs, redes sociais etc.) até uma articulação global com parceiros nacionais e internacionais através de redes solidárias, visando apoiar e divulgar as bandeiras dos movimentos que lutam contra os grandes projetos na Amazônia e seus diversos impactos socioambientais.

Segundo o pesquisador, o estudo foi orientado pela professora da Unicamp, a doutora Maria da Glória Gohn, considerada uma das maiores especialistas em movimentos sociais da América Latina.

Lucas Milhomens defende a tese de doutorado na Faculdade de Educação da Unicamp

Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)

 

 

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Com apoio da Fapeam, pesquisador defende tese sobre movimentos sociais amazônicos no contexto de grandes projetos, na Unicamp

Estudo foi desenvolvido via o Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós- Graduados para o Interior do Estado do Amazonas

Na próxima sexta-feira (23) o doutorando em Educação e professor do curso de Comunicação Social – Jornalismo da Universidade Federal do Amazonas em Parintins (Ufam/Parintins), Lucas Milhomens, defende a tese de doutorado “Movimentos Sociais e Redes de Mobilização na Amazônia: O Caso da Hidrelétrica de Belo Monte”, na Faculdade de Educação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), em São Paulo.

O estudo conta com apoio do Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) via programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados para o Interior do Estado do Amazonas (Proint). O programa concede bolsa de mestrado e doutorado para profissionais graduados, residentes no interior do Estado do Amazonas há no mínimo quatro anos ou que mantenham relação de trabalho ou emprego com alguma instituição municipal, estadual ou federal sediada ou com unidade permanente no interior do Estado do Amazonas, interessados em realizar curso de pós-graduação stricto sensu, em programa credenciado pela Capes, em instituições no Estado do Amazonas, localizadas em município diferente do de residência ou em outro Estado da Federação.

A pesquisa de doutorado aponta a importância dos movimentos sociais amazônicos na luta contra grandes projetos e seus impactos socioambientais. O estudo analisou os fatores históricos e socioculturais que viabilizaram o surgimento de uma série de grupos e movimentos sociais organizados, atuante na região, em especial em cidades como Altamira (PA).

“O município é permeado por uma sobreposição de conflitos sociais que datam desde o início do Governo Civil-Militar nos anos de 1960, onde foram planejados grandes projetos de infraestrutura que geraram uma série de impactos sociais, econômicos e ambientais, atingindo uma série de grupos, sobretudo povos tradicionais e populações indígenas. Como foi o caso da construção da rodovia Transamazônica nos anos de 1970 e a Usina Hidrelétrica de Belo Monte, inaugurada em 2016”, disse.

Cacique Raoni Kaiapó no Acampamento Terra Livre 2017

Cacique Raoni Kaiapó no Acampamento Terra Livre 2017 (foto: Lucas Milhomens)

 

Outro ponto abordado na tese do pesquisador diz respeito a centralidade dos movimentos sociais amazônicos, que além de visibilizar pautas pouco difundidas na opinião pública nacional (como os impactos gerados a diversas populações atingidas pela construção de usinas hidrelétricas e projetos mineradores) atuam.

Segundo o professor, sob o formato de “redes de mobilização”, um esquema onde diversos grupos e atores sociais fazem uso de um complexo repertório que vai desde a utilização contínua da Internet e seus inúmeros recursos comunicacionais (como sites de compartilhamento de vídeos, blogs, redes sociais etc.) até uma articulação global com parceiros nacionais e internacionais através de redes solidárias, visando apoiar e divulgar as bandeiras dos movimentos que lutam contra os grandes projetos na Amazônia e seus diversos impactos socioambientais.

Segundo o pesquisador, o estudo foi orientado pela professora da Unicamp, a doutora Maria da Glória Gohn, considerada uma das maiores especialistas em movimentos sociais da América Latina.

Lucas Milhomens defende a tese de doutorado na Faculdade de Educação da Unicamp

Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)

 

 

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Inaugurada nova linha de produção da vacina de febre amarela

O ministro da Saúde, Ricardo Barros, inaugurou nesta quinta-feira (25/1) a linha final de produção da vacina contra febre amarela na unidade da Libbs Farmacêutica, em São Paulo. A medida faz parte de um acordo de transferência tecnológica entre a empresa privada e o Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos/Fiocruz) para aumentar a capacidade de produção do insumo em 48 milhões de doses por ano. A etapa final consiste na preparação do produto, envase, liofilização e embalagem das doses.

“Com a inauguração dessa linha de produção, conseguiremos dobrar a produção nacional de vacina contra febre amarela. Hoje temos em estoque vacina suficiente para imobilizar toda a população brasileira que ainda não tomou a vacina”, destacou o ministro da Saúde.

Desde o segundo semestre de 2016, Bio-Manguinhos/Fiocruz vem trabalhando para viabilizar esse acordo, transferindo à parceira todos os conhecimentos necessários para a parte final da produção. O cronograma atual do projeto prevê, em fevereiro, o envio dos primeiros dados dos testes de qualidade do produto para a Anvisa. Após isso, será necessário aguardar a continuidade dos estudos de estabilidade encaminhados pelos laboratórios e nova autorização da agência reguladora, prevista para março. A expectativa é de que até o início de junho seja iniciado o fornecimento ao Ministério da Saúde.

A Fiocruz ainda trabalha na conclusão da construção do Complexo Industrial de Biotecnologia em Saúde em Santa Cruz, Zona Oeste do Rio de Janeiro, que teria capacidade para atender às demandas atuais e futuras de produção da vacina de febre amarela, bem como de outros imunobiológicos. A linha atual de processamento final da Fiocruz para a vacina contra a febre amarela inclui também outros produtos estratégicos para o Ministério da Saúde, como a tríplice viral, que é a vacina que imuniza contra rubéola, sarampo e caxumba.

No ano passado, o Ministério da Saúde adquiriu 65 milhões de doses da vacina de febre amarela de Biomanguinhos/Fiocruz para distribuição a todos os estados do país e imunização da população. Para este ano, está prevista a compra de mais 48 milhões de doses. Além disso, o Ministério da Saúde tem estoque estratégico como medida de segurança. Desde janeiro de 2017 até o momento, foram encaminhadas 57,4 milhões de doses da vacina à todas as unidades federadas.

Victor Maciel (Agência Saúde)
Foto: Bernardo Portela (Ascom/Biomanguinhos)

Manual sobre a utilização e prestação de contas de auxilio financeiro concedidos pela Fapeam está disponível para download

Versão atualizada do manual tem por objetivo orientar o usuário quanto à utilização de recursos financeiros concedidos pela instituição

Pesquisadores, bolsistas e empreendedores que têm projetos inovadores e pesquisas científicas desenvolvidas com apoio do Governo do Amazonas, por meio  Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), já  podem acessar o novo ‘Manual de Instruções para Utilização e Prestação de Contas de Auxílios Financeiros Concedidos pela Fapeam’. A versão atualizada do manual está disponível no site da instituição para download.

O manual tem por objetivo orientar o usuário quanto à utilização dos recursos financeiros concedidos pela instituição e evidenciar a boa e regular aplicação dos recursos recebidos e dos resultados obtidos, conforme consta na norma específica de cada programa. O manual possui 28 páginas e está dividido em três partes: auxílio financeiro, bens permanentes, prestação de contas técnicas e financeiras.

Segundo a diretora administrativa financeira em exercício da Fapeam, Sicy Rusalka Goes de Melo, o novo manual da instituição traz mudanças importantes que foram feitas a partir do Marco de Ciência, Tecnologia e Inovação – Lei N°13.243/2016. Um das mudanças que a nova legislação  trouxe para  manual  é em relação aos bens patrimoniais. A partir de agora, os bens adquiridos no âmbito de projetos de estímulo a Ciência, Tecnologia e Inovação celebrados como pessoa física serão incorporados desde sua aquisição ao patrimônio das ICTs.

Sicy explicou ainda que o pesquisador precisará informar à Fapeam em até 30 o início do processo de patrimonialização deste bem junto à instituição que é vinculado. “No relatório da prestação de contas final, o pesquisador irá informar o término do processo de patrimonialização, junto com a instituição da qual está vinculado. Hoje bens de projetos só entrarão no patrimônio da Fapeam quando advindos de projetos com a participação de instituições que não são ICTs”, acrescentou.

Outro ponto que Sicy destacou é sobre o Sistema de Gestão da Informação da Fapeam (SIGFapeam) que passou por um processo de estruturação para facilitar a rotina do pesquisador. Por exemplo, todo o processo de submissão de propostas, relatórios e prestação de contas é feito por meio do sistema online.

“Inserimos todas essas condições para facilitar a vida do pesquisador. Dessa forma, ele não precisará ficar vindo até a Fapeam e poderá se concentrar mais com o seu projeto ou pesquisa científica do que com o processo”, disse.

Com as orientações especificadas no manual, o usuário evitará questionamentos que poderão inviabilizar a obtenção de futuros auxílios. Dúvidas surgidas em relação ao conteúdo do manual poderão ser esclarecidas junto à Fapeam.

Acesse aqui o Manual de Instruções para Utilização e Prestação de Contas de Auxílios Financeiros Concedidos pela Fapeam

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Texto e fotos – Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)

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Estudo traça panorama da judicialização da saúde no Brasil

Todo brasileiro tem direito à saúde, mas não é possível que o Sistema Único de Saúde (SUS) financie excessos e abusos que comprometam o orçamento público na busca por este direito. O Programa de Direito Sanitário da Fiocruz Brasília (Prodisa) estuda a judicialização em saúde desde 2002. O termo refere-se à busca do Judiciário como alternativa para se obter um medicamento ou tratamento que não é previsto na relação nacional de medicamentos, ou tem custo alto. A mais recente pesquisa do grupo foi apresentada, nesta quarta-feira (24/1), na Fiocruz Brasília, e traz um levantamento nacional da judicialização nos municípios brasileiros.

Os pesquisadores trabalharam com mais de 4 mil processos do banco de dados do Programa de Direito Sanitário da Fiocruz Brasília (referentes a 2012-2013) e coletaram também dados de mais de 8.500 processos (de 2012 a 2017) junto aos tribunais de todo o país. Ao todo, 12.620 processos foram coletados. A maioria dos dados vem da região Sudeste, com destaque para o estado de São Paulo; apenas os estados de Sergipe e Roraima não disponibilizaram dados para a pesquisa.

A maior parte dos casos é de pacientes do SUS, mas não é possível saber se a pessoa deu entrada no SUS apenas para abrir o processo judicial ou se nunca foi atendida na rede privada. Nas regiões Sul e Sudeste, a maior parte das ações é movida por escritórios e advogados privados, enquanto nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, se sobressaem os pedidos para se realizar um exame e os pedidos chegam ao Judiciário por meio de defensores públicos.

As principais argumentações são o risco de morte e a hipossuficiência, ou falta de recursos dos indivíduos. Em mais de 80% dos processos, o pedido é deferido automaticamente, e raramente trazem a comprovação da demanda e uso pelo paciente, ou mesmo o comprovante de entrega do medicamento.

Para Pedro Paulo Chrispim, do Hospital do Coração, o monitoramento desses processos judiciais é possível, mas a dificuldade de acesso inviabiliza uma coleta de dados em tempo real, então a descentralização desta captação dos dados é necessária.  A coordenadora do Programa de Direito Sanitário da Fiocruz Brasília, Maria Célia Delduque, lembrou que os desafios desta pesquisa começaram na coleta e dados, pois ao mesmo tempo em que  nem todos os magistrados permitiram o acesso aos livros de sentença, em alguns locais, a equipe de pesquisadores percorreu ambientes insalubres nos porões dos tribunais em busca dos dados brutos, onde não havia informatização.

Durante o evento, foi apresentado o caso específico de São Paulo, que tem atualmente 51 mil ações judiciais em atendimento, mais de 35 mil demandas administrativas e  investiu em um sistema de informação específico para a coleta de dados, o S-Codes. A partir do sistema, os gestores puderam criar um índice paulista de judicialização, que consiste no número de ações judiciais a cada 10 mil habitantes. A média de processos no estado é de 3,3 mas em regiões que são consideradas polos de produção de conhecimento em saúde, como Ribeirão Preto, Barretos e Marília, por exemplo, existe uma média de 11 processos para cada dez mil habitantes – e, na grande São Paulo, a média é de 0,77.

A maior judicialização nestes locais pode ter relação ao maior acesso à Justiça, segundo Paula Sue Facundo de Siqueira, da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo. Ela apresentou um perfil da judicialização em São Paulo, que segue o padrão apresentado na pesquisa nacional: 58% das ações judiciais vem da prescrição de um médico particular, 65% é referente a medicamentos, 78% deles não são padronizados no SUS, 2% são produtos importados sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e, em 22% das ações, se pede uma marca comercial específica do medicamento. É interessante notar também que 22% dos medicamentos judicializados já são fornecidos regularmente pelo SUS. Os pesquisadores observaram ainda que, nas decisões judiciais, não são consideradas as recomendações do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e não se evidenciam as necessidades epidemiológicas regionais.

“Quem procura a judicialização, geralmente é um paciente atendido pelo sistema privado de saúde, que vem buscar apoio do SUS quando este sistema não lhe atende, já que, em geral, o profissional do SUS não prescreve algo fora do arsenal do sistema e não coberto pelo SUS”, afirmou Sue.

Ao longo da pesquisa, foram observadas fraudes em vários processos, tais como a alteração no Código Internacional da Doença a que se refere o pedido durante os trâmites processuais, bem como uso de medicamentos em fase de pesquisa e pedidos de auxílio inclusive para a saúde de animais domésticos, ou procedimentos estéticos. A previsão é que, com o auxílio do sistema S-Codes desenvolvido em São Paulo, se forme um observatório da judicialização que apoie os gestores estaduais e municipais e possibilite monitorar o tema ao longo do tempo.

PESQUISA

A pesquisa Judicialização da Política Pública de Saúde nos Municípios Brasileiros: um retrato nacional foi financiada pelo Programa de Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (Proadi-SUS) e realizada pela Fiocruz Brasília, por meio do Prodisa, em parceria com o Hospital do Coração (HCor) e Ministério da Saúde. Em breve serão divulgados os resultados de outra pesquisa sobre o tema, contemplando os 27 estados brasileiros, realizada com financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, em parceria com as universidades federais do Maranhão, Pará e Rio de Janeiro, além da Unisinos.

Mariella de Oliveira-Costa (Fiocruz Brasília)