Arquivo da Categoria: livro

A formação de Agentes Indígenas de Saúde é assunto de livro a ser lançado dia 25/11 na Fiocruz Amazônia

O livro “Atenção diferenciada: a formação técnica de agentes indígenas de saúde do Alto Rio Negro”, dos pesquisadores Luiza Garnelo, Sully de Souza Sampaio e Ana Lúcia Pontes será lançado na próxima segunda-feira, 25/11, às 18h, na sede do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em Adrianópolis, Manaus.

A publicação é da Editora Fiocruz e integra a Coleção Fazer Saúde, com apoio da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde ((VPAAPS/Fiocruz), por meio de cooperação técnica com a Secretaria Especial de Saúde Indígena do Ministério da Saúde, do ILMD/Fiocruz Amazônia, e do projeto Formação Profissional do Agente Indígena de Saúde: contextos e discursos do Programa de Apoio à Pesquisa Estratégica em Saúde (PAPES VII) do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

Luiza Garnelo ressalta que o livro é produto de uma iniciativa do ILMD/Fiocruz Amazônia e contou com contribuição da Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/Fiocruz) e de outros pesquisadores. “Muita gente ajudou. Fazer uma coisa dessas não é simples. De uma demanda dos índios do Rio Negro, da Federação das Organizações Indígenas e de outras entidades, e do próprio Conselho do Hospital de Saúde do Alto Rio Negro dá-se um processo de qualificação da força de trabalho dos agentes de saúde e com uma demanda dos índios, que era muito específica, pois eles queriam um curso que elevasse a escolaridade e os titulasse como técnicos de nível médio”.

A pesquisadora comenta ainda que atender ao pedido dos índios foi um desafio enorme, e que esse processo de formação levou cinco anos, pois foram consideradas as peculiaridades e diversidades dos povos do Alto Rio Negro, que é uma região que tem 23 etnias, que falam línguas diferentes e têm costumes e relacionamentos próprios.

Durante o lançamento do livro também será lançada em Manaus a Biblioteca Virtual em Saúde (BVS): Saúde dos Povos Indígenas, que pretende facilitar o acesso e ampliar o diálogo sobre a produção técnica e científica da saúde indígena. O evento é aberto ao público.

 

PROGRAMAÇÃO

Evento: Lançamento do livro Atenção Diferenciada: a formação técnica de agentes indígenas de saúde do Alto Rio Negro e da Biblioteca Virtual em Saúde (BVS): Saúde dos Povos Indígenas

Data: 25 de novembro (segunda-feira)

Horário: 18h

Local: Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), no auditório Canoas, à Rua Teresina, 476, Adrianópolis – Manaus (AM)

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Nascimento
Foto: Marlúcia Seixas

 

Pesquisadores lançam obra sobre planejamento de sistemas trilhas

A obra conta com dois eixos temáticos e dez capítulos, sendo um deles relacionado às orientações de Segurança

Diversos destinos turísticos pelo mundo oferecem trilhas em diferentes ambientes, desde montanhas, inclusive nevadas, até densas florestas, como é o caso da Amazônica. Porém, quem participa dessas atividades, muitas vezes, não sabe que, por trás de tudo isso, se tem um planejamento complexo, fundamentado em teorias científicas e na análise do ambiente natural e social, para tornar aquele passeio uma experiência diferenciada.

Foi pensando em oferecer uma publicação que pudesse servir de embasamento para pesquisadores, operadores e condutores que foi produzido o livro Planejamento de Sistemas de Trilhas: uma pegada social, cultural e ambiental. A obra, cujos autores são os estudiosos da área Ronisley Martins e Francisco Girão será lançada no próximo dia 12 de maio, às 10h, no Palacete Provincial (praça Heliodoro Balbi, s/n˚, Centro).

Martins conta que sempre atuou com pesquisas científicas voltadas aos sistemas de trilhas.  A primeira delas foi, de 2002, tendo sido desenvolvida com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) no assentamento agrário Tarumã-Mirim.  “Foi quando tive o primeiro contato com o assunto, mas tive dificuldade devido ao pouco material disponível. Depois da Graduação, surgiu a vontade de escrever conteúdo científico que desse embasamento ao planejamento de trilhas e após 2009, começamos a elaborar esse livro com base em várias experiências”, ressaltou.

A obra conta com dois eixos temáticos e dez capítulos. O primeiro compreende uma abordagem teórica, com a apresentação de metodologias de estudo de maneira a permitir uma análise ampla de todos os elementos envolvidos, incluindo vegetação, solo, água e principalmente, a população.  O segundo eixo é fundamentado na apresentação de técnicas e ferramentas necessárias ao planejamento e execução de trilhas sustentáveis.

IMG_4635

Livro  foi escrito  pelos autores e estudiosos da área Ronisley Martins e Francisco Girão

O conteúdo do livro aponta para o ordenamento de uma trilha planejada, contendo sinalizações, classificação do grau de dificuldade e definição quanto ao público que se quer alcançar.  Segundo Ronisley Martins, uma trilha interpretativa, por exemplo, deve ser de curta distância (de 500m a 1km),  ocorrer em áreas planas e é direcionada a crianças e pessoas da melhor idade. “Se for um público mais aventureiro, é preciso estender a trilha e ampliar o grau de dificuldade de acordo com o ambiente”, disse. “Assim, o organizador de trilha tem de analisar a paisagem e planejar conforme o público que pretende alcançar”, completou.

Um dos capítulos de maior destaque é o relacionado às orientações de Segurança. O autor esclarece que há riscos eminentes ao se fazer uma caminhada ou até antes, para os próprios organizadores, portanto, é preciso minimizá-los.  Neste trecho, são detalhadas ainda informações com base na norma NBR 15505/02, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, que visa orientar sobre o uso de equipamentos, com base no grau de dificuldade das trilhas.  Se for de longo percurso, requer muito mais acessórios, entre os quais, mochila, kits de sobrevivência e de primeiros socorros, bota cano longo, calça, camisa de manga longa, vestimenta para trocas, além de alimentação rica em glicose, fibra e bastante água. Importante destacar que é de responsabilidade do condutor a orientação antecipada para que os participantes usufruam do serviço já com equipamentos e materiais necessários.

IMG_4643

Ronisley Martins disse que a obra conta com dois eixos temáticos e dez capítulos, sendo um deles relacionado às orientações de Segurança

Em relação às trilhas na Amazônia, ele destaca que é preciso conhecer os geoambientes da floresta.  Conforme o pesquisador, existem diversos tipos de florestas dentro da Amazônia e isso, precisa ser levado em consideração, no momento do planejamento, esses diversos ambientes, como mata de terra firme, campina, floresta de baixio e floresta de igapó, uma vez que contribui para enriquecer muito mais a caminhada, aumentando o que se chama de  “elementos de interpretação da paisagem”, essenciais no momento da abordagem.

“Este é o diferencial da floresta amazônica: diversos ambientes e elementos que são usados nas técnicas de interpretação ambiental. Para isso. o condutor precisa conhecer a floresta e ter contato com a geoambientação”, frisou Martins, o qual cita ainda o exemplo de trilhas culturais, que, além da ambientação, agrega outros elementos com o fim de agregar valores à caminhada e à paisagem no geral.

Na visão do autor, é necessário aos planejadores fazer o inventário de todos os elementos da paisagem, tanto naturais como culturais. Em relação aos condutores, é fundamental fazer o reconhecimento antecipado para poder medir o grau de dificuldade, além de ter noção de técnicas de condução de grupo. “Quando uma trilha é planejada e classificada, tem logo no início sinalização com o mapa, percursos, paradas, tempo de percurso, grau de dificuldade e dos equipamentos necessários”, alertou Martins.

Departamento de Difusão do Conhecimento- Decon

O post Pesquisadores lançam obra sobre planejamento de sistemas trilhas apareceu primeiro em FAPEAM.

Editora Fiocruz lança coletânea sobre o trabalho no mundo contemporâneo

As transformações do trabalho são hoje bastante discutidas no ambiente acadêmico, na mídia e no meio sindical. Elas são o tema de uma nova coletânea lançada pela Editora Fiocruz, “O Trabalho no Mundo Contemporâneo: fundamentos e desafios para a saúde”. Logo no primeiro capítulo, que tem o mesmo título do livro, o antropólogo José Sérgio Leite Lopes, pesquisador e professor da UFRJ, explica que essas transformações estão associadas a processos políticos, econômicos e sociais. Segundo o autor, elas dizem respeito a fenômenos como: a introdução de novas tecnologias eletrônicas nos locais de trabalho – inclusive robôs –; a globalização dos mercados e da produção; a terceirização e outros vínculos de trabalho precários; a crescente competição na economia mundial; e a presença cada vez maior de mulheres no trabalho remunerado. Tais fenômenos são observados não só em indústrias, mas também nos serviços e na agricultura.

Muitas vezes, as transformações representam dificuldades para os trabalhadores e são comuns as tentativas de minimizar os problemas. Por exemplo, diante de empregos perdidos por causa da introdução de novas tecnologias, há quem diga que isso seria compensado por novos empregos criados no setor de produção de máquinas. Contudo, os novos empregos são em menor quantidade e exigem melhor qualificação e maior nível de escolaridade, sendo, portanto, dirigidos a outras gerações e segmentos de trabalhadores. Ou seja: os trabalhadores substituídos por máquinas não seriam os mesmos empregados na produção delas.

Entretanto, o enfrentamento de dificuldades está longe de ser algo novo no mundo do trabalho. Nos anos 1970 e 1980, vieram à tona e se generalizaram atos de resistência dos trabalhadores e assalariados diante de condições de trabalho ruins e do autoritarismo empresarial. Como consequência, as empresas passaram por um período de crise econômica e queda na lucratividade. Para controlar a situação, elas tomaram medidas drásticas, enfraquecendo direitos anteriormente adquiridos pelos trabalhadores, como a adoção da carteira de trabalho.

A partir desse e de outros exemplos, José Sérgio Leite Lopes procura dar visibilidade aos “modos de dominação e de exploração implícitos nas diferentes formas de precarização do trabalho, e, por conseguinte, sua especificação histórica”. Ao mesmo tempo, porém, o autor chama a atenção para “a forma como o trabalho, que implica em exploração objetiva, também se legitima ao proporcionar aspectos de sociabilidade e identidade social aos diferentes grupos de trabalhadores”.

Clique aqui para outras informações sobre o livro

Ascom/Editora Fiocruz, por Alice Pereira e Fernanda Marques
Foto: Eduardo Gomes