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Estudo identifica diferentes linhagens do novo coronavírus circulando no Amazonas

Três linhagens do novo coronavírus foram introduzidas no Amazonas, é o que aponta estudo do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) que investigou amostras dos municípios de Manacapuru, Autazes, Careiro e Manaquiri (Região Metropolitana), Santa Isabel do Rio Negro (Rio Negro), Tabatinga e Santo Antônio do Içá (Alto Solimões), e Manicoré (Rio Madeira), além da capital Manaus.

A investigação foi realizada pela equipe do pesquisador e vice-diretor de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca. Segundo ele, a existência das 3 linhagens  do SARS-CoV-2: A2; B1.1; B1, sugere ao menos 3 introduções do vírus no Estado.

Em Manaus foram identificadas as três linhagens. Em Manacapuru, Manaquiri e Manicoré a pesquisa encontrou 2 linhagens circulando, e nos demais municípios uma linhagem.

As linhagens achadas no Amazonas são frequentemente encontradas em amostras da Austrália, Espanha, Reino Unido e Estados Unidos.

37 GENOMAS SEQUENCIADOS

O estudo de Epidemiologia Molecular do SARS-CoV-2 no Amazonas sequenciou 37 genomas do novo coronavírus. Felipe Naveca alerta para a importância desses dados, especialmente diante da escassez de informações sobre os vírus que causam síndromes respiratórias na população do Estado.

Em março deste ano Naveca concluiu o primeiro genoma SARS-CoV-2 do Norte do país. Agora, foram mais 36 sequenciamentos.

O sequenciamento dos genomas de amostras do SARS-CoV-2 contribuem para o desenvolvimento de vacinas e medicamentos contra o vírus. Os genomas identificados no Amazonas agora podem ser comparados a outros que circulam no Brasil e no mundo.

O estudo é apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio da Rede Genômica em Saúde do Estado do Amazonas (Regesam).

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Nascimento

Debate da Fiocruz reúne intelectuais indígenas e lança chamadas públicas

Por meio do Observatório Covid-19, a Fiocruz promoveu o debate virtual Povos indígenas na produção de conhecimento: por uma saúde não silenciada. O encontro, que pode ser assistido no canal da Fundação no YouTube, reuniu pesquisadores da Fiocruz e intelectuais indígenas. Estes apresentaram suas trajetórias acadêmicas e no mundo da pesquisa e comentaram os muitos percalços que ainda precisam superar. A atividade teve o apoio da Vice-Presidência de Ambiente, Atenção e Promoção da Saúde (VPAAPS/Fiocruz) e integra o projeto Vozes Indígenas na Produção do Conhecimento, que se originou a partir de um diálogo entre intelectuais indígenas de diversas regiões do Brasil e pesquisadores da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz). O objetivo é dar visibilidade ao conhecimento produzido por pesquisadoras e pesquisadores indígenas, envolvê-los nos eventos tecno-científicos, estimular trabalhos conjuntos e a circulação de ideias e reflexões.

O evento marcou o lançamento de duas chamadas públicas voltadas para pesquisadores indígenas de toda a América Latina que sejam autores principais dos trabalhos. Co-autores podem ser não-indígenas. As chamadas também buscam contribuições que versem sobre a vivência dos povos indígenas no contexto da Covid-19. O objetivo das chamadas é reunir contribuições que deem visibilidade às múltiplas especificidades inerentes às realidades sócio-territoriais de cada povo, com ênfase nas complexas inter-relações sócio-culturais e políticas com a saúde dos povos indígenas.

Em ambas as chamadas podem ser enviadas contribuições em português e línguas indígenas (maternas, nativas ou originárias), desde que contem com a tradução para o português. Além das chamadas, durante o evento houve ainda o lançamento de uma série de curtas sob o título Vozes indígenas do território à academia, produzido em uma parceria da VideoSaúde/Fiocruz com a Canoa Produções que apresenta as trajetórias de indígenas acadêmicos e suas carreiras na universidade e na docência.

A pesquisadora da Ensp e coordenadora do GT de Saúde Indígena da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) Ana Lúcia Pontes, que faz parte da coordenação da iniciativa, abriu o evento virtual lembrando que o projeto surgiu entre pesquisadores da Fiocruz e da Abrasco, em articulação com profissionais de outras instituições que também atuam nas áreas de antropologia e saúde indígena. O intuito é valorizar e dar visibilidade à produção do conhecimento de pesquisadores indígenas e abrir caminhos para que participem de eventos científicos na área de saúde coletiva.

Em seguida ela apresentou o primeiro dos vídeos exibidos durante o debate, no qual a pesquisadora Braulina Aurora Baniwa conta a sua trajetória no mestrado na UnB e na produção de conhecimento. Ela narrou os muitos obstáculos que os indígenas precisam superar para chegar (e permanecer) na academia. “Ainda somos vistos por muitos como inúteis. Não reconhecem o nosso potencial. Também não somos apenas uma sociedade indígena, mas várias. Somos 300 povos e 380 línguas. Apesar das dificuldades, estamos abrindo portas”.

O pesquisador Ricardo Ventura Santos, da Ensp e do Museu Nacional/UFRJ, disse em seguida que é importante amplificar as vozes dos povos indígenas. Ele louvou a iniciativa, que permitiu pensar em chamadas que terão a participação de intelectuais indígenas, algo improvável até poucos anos atrás. Segundo ele, na última década houve um importante avanço, no ensino superior, de alunos vindos de povos indígenas, o que agora começa a se refletir em dissertações de mestrado e teses de doutorado. “Diante desse avanço podemos começar a olhar para o futuro com altivez e esperança”.

A vice-presidente de Ensino, Informação e Comunicação da Fiocruz, Cristiani Vieira Machado, afirmou em sua intervenção que “o tema é necessário e relevante e reúne pesquisadores de variadas unidades da Fundação que trabalham em articulação com os povos indígenas”. Ela elogiou a qualidade dos vídeos produzidos e disse que “esses povos precisam ser sujeitos e vocalizar seus direitos, além de manifestar suas especificidades, como o direito ao território, a defesa da natureza, a luta pelas florestas e pela preservação da sua história e da sua memória. Sem dúvida eles têm muito a nos ensinar, sobretudo neste momento de crise sanitária e humanitária sem precedentes pelo qual o planeta vem passando”.

Logo após a participação da vice-presidente houve a exibição de um novo vídeo, com a mestranda em sociologia Urawive Suruí. Segundo ela, seu projeto acadêmico tem como proposta contar a experiência dos suruí para as próximas gerações, refletindo o conhecimento social desse povo. Após o vídeo, Inara do Nascimento Tavares, do Instituto Insikiran de Formação Superior Indígena, disse em sua intervenção que a universidade, para os indígenas, é mais um espaço de luta, para o qual os povos indígenas levam seus corpos, seus sonhos e suas cores.

O doutorando em direito Dinamam Tuxá, da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil, observou que reunir as lideranças intelectuais indígenas é fundamental para que alcancem o objetivo de democratizar o espaço acadêmico. “E nossas pesquisas também contribuem para a divulgação e maior disseminação dos saberes tradicionais. É necessário quebrar o paradigma de que apenas o conhecimento europeu é válido e científico. No mundo de hoje é inadmissível que se duvide da capacidade intelectual dos nossos povos. Infelizmente, mesmo na universidade, que deveria ser mais aberta e inclusiva, ainda percebemos esse preconceito”.

A psicóloga Nita Tuxá, da Articulação Brasileiras dos (as) Psicólogos (as) Indígenas, disse que a discriminação aos povos indígenas “gera sofrimento e nos faz lutar diariamente por nossos direitos”. Para ela, “a escolarização é uma arma de luta, visando transformar uma ciência colonizadora e abrir espaço para a diversidade de conhecimento. Precisamos de uma ciência acolhedora e inclusiva. E o nosso desafio é também o de traduzir para os nossos povos o conhecimento que adquirimos”. Nita listou alguns dos problemas enfrentados pelos indígenas, como a violação de direitos, a invasão de terras, o garimpo e o desmatamento ilegal. “Os indígenas passaram muito tempo silenciados. Não mais. Esse tempo ficou para trás”.

Mário Nicácio, da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab), afirmou estar havendo uma contaminação em massa de indígenas pela Covid-19. “E esse cenário desolador está destruindo grande parte de nossas enciclopédias vivas, os anciãos indígenas. É uma perda incalculável e irreparável”. Segundo Nicácio, os povos indígenas buscam não ser mais identificados como objetos, e sim autores, sujeitos soberanos que pensam, refletem, criam, pesquisam, lecionam.

A última intervenção foi de Joziléia Daniza Kaigang, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social da Universidade Federal de Santa Catarina. Ela disse que o evento representa “nós falando por nós”. A professora afirmou que tem aumentado significativamente a qualidade da pesquisa feita por indígenas, que muitas vezes está ligada à ancestralidade e à conexão com o território. “Somos diversidade e pluralidade e temos múltiplas possibilidades para caminhar na produção de conhecimento”, disse. Junto com a intervenção de Joziléia ocorreu a exibição do vídeo da advogada Simone Terena, pesquisadora na área de violência contra a mulher indígena.

CHAMADAS

Para participar das chamadas, os autores indígenas precisam submeter os trabalhos até 30 de agosto, pelo e-mail vozes.indigenas.fiocruz@gmail.com, seguindo as orientações dos editais:

Chamada 1: “Corpo, Território, Saúde e Existência/Resistência dos Povos indígenas da América Latina”

Chamada 2: “Diversidade de Vozes dos Territórios Indígenas: Saúde Silenciada”

Agência Fiocruz de Notícias, por Ricardo Valverde

Divulgado resultado preliminar do processo seletivo para o Programa de Iniciação Científica

A coordenação do Programa de Iniciação Científica (PIC) do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) divulgou nesta quinta-feira, 2/7, o resultado preliminar do processo seletivo para bolsas de iniciação científica, edição 2020-2021.

Os candidatos que tiveram projetos enquadrados foram encaminhados para análise técnica com os avaliadores ad-hoc. Candidatos e orientadores tem o prazo de 48 horas (até o dia 4 de julho) para encaminhar o recurso de forma virtual ao email do PIC ( pic.ilmd@fiocruz.br ), conforme descrito no item 9 do edital.

Foram enquadrados 32 estudantes de cursos de graduação de instituições de ensino superior reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC).

Acesse aqui o resultado preliminar.

O PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia é desenvolvido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e com Fundação para o Desenvolvimento Científico e Tecnológico em Saúde (Fiotec/Fiocruz).,

SOBRE O PIC

O Programa de Iniciação Científica da Fiocruz Amazônia tem como objetivos despertar a vocação científica e incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação; contribuir para a formação de recursos humanos para a pesquisa e inovação tecnológica nos Determinantes Socioculturais, Ambientais e Biológicos do Processo Saúde-Doença-Cuidado para a melhoria das condições sociossanitárias na Amazônia.

O PIC visa ainda estimular pesquisadores produtivos a envolverem estudantes de graduação em suas atividades científicas, tecnológicas e profissionais; e proporcionar ao bolsista, orientado por pesquisador qualificado, a aprendizagem de técnicas e métodos de pesquisa, bem como estimular o desenvolvimento do pensamento científico e da criatividade, decorrentes das condições criadas pelo confronto direto com os problemas estudados ou alvo da pesquisa.

ILMD / Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fiocruz Amazônia abre espaço para publicações sobre Covid-19 na Amazônia

Com o objetivo de armazenar registros produzidos por especialistas em diversas áreas do conhecimento, no contexto da pandemia de Covid-19 na Amazônia, o site do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) abriu um novo espaço de divulgação, os Repositórios de Percepções (Humanidades) e de Epidemiologia.

Os Repositórios abrigam um conjunto de dados, artigos, documentos, informações e documentos sobre diferentes olhares, percepções e ações de prevenção e intervenção para o enfrentamento do Covid-19 no Amazonas, desde a capital às populações indígenas e comunidades rurais da fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

Idealizados pelos pesquisadores  Fabiane Vinente e José Joaquín Carvajal  com a finalidade de disponibilizar um espaço para pesquisadores e especialistas de diferentes áreas e instituições poderem publicar os mais diversos registros desse momento em que o novo coronavírus  atinge a Amazônia, os Repositórios instituíram comissões distintas de análise e validação dos documentos para publicação.

Fabiane explica que o Repositório de Percepções “nasce numa perspectiva de horizontalidade dos saberes e das percepções, valorizando a singularidade das vivências que os relatos descrevem e servindo de apoio para pensar essa diversidade em um processo global”, portanto sua expectativa é de que ele alcance um público mais amplo e diverso.

 “Não se trata de apenas colecionar relatos, mas de pensar a experiência da pandemia como algo que por estar sendo experienciado por todo o mundo, pode ser refletido e construído como conhecimento por todo o mundo também, independente de ser um cientista ou profissional de saúde”, comenta.

Interessados em publicar textos, poesias, fotos ou áudios no Repositório de Percepções (Humanidades) podem enviar o material para o e-mail fabiane.vinente@fiocruz.br. A Comissão  de Validação é formada pelas pesquisadoras do ILMD/Fiocruz Amazônia Evelyne Mainbourg  e Amandia Braga (Laboratório de Situação de Saúde e Gestão do Cuidado de Populações Indígenas e outros grupos vulneráveis – Sagespi), Kátia Lima (Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia – LAHPSA ) e Fabiane Vinente (Laboratório Território, Ambiente, Saúde e Sustentabilidade – TASS).

Para mais informações sobre o Repositório Percepções (Humanidades), clique e acesse ao material já publicado.

EPIDEMIOLOGIA

Sobre o Repositório de Epidemiologia, José Joaquín explica que ele surgiu a partir de uma demanda da Rede Transfronteiriça Covid-19, que é uma iniciativa colaborativa entre instituições e profissionais da saúde para enfrentamento do novo coronavírus , na região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

“A Rede Transfronteiriça Covid-19 busca contribuir com ferramentas e informações técnicas, científicas e acadêmicas, úteis para agilizar o fluxo de informação aos povos indígenas e para a tomada de decisões dos diferentes atores e a sociedade civil, nos diferentes níveis de organização, para o enfrentamento da Covid-19 nos seus territórios, visando melhorar as condições de vida e saúde das populações amazônicas”, comenta o pesquisador.

A Comissão de Validação do Repositório de Epidemiologia também é constituída por  pesquisadores da Fiocruz Amazônia, do Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia – (EDTA) e tem como membros Claudia María Velásquez, Alessandra Nava e José Joaquín Carvajal. Os interessados em publicar neste repositório podem entrar em contato com seus membros ou enviar e-mail para jose.carvajal@fiocruz.br.

Clique e saiba mais sobre o Repositório de Epidemiologia.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Nascimento

Fiocruz Amazônia recebe inscrições para o PPGVIDA até 3 de julho

O Instituto Leônidas & Maria Deane  (ILMD/Fiocruz Amazônia) recebe até 3/7, as inscrições para o processo seletivo do Mestrado Acadêmico em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia  (PPGVIDA).

Para esta chamada pública estão sendo oferecidas 15 vagas nas seguintes linhas de pesquisa: Fatores sócio biológicos no processo saúde -doença na Amazônia (10 vagas);  e Processo saúde, doença e organização da atenção a populações indígenas e outros grupos em situações de vulnerabilidade (5 vagas).

Confira o edital.

SOBRE O PPGVIDA

O curso de mestrado em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos, capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

O PPGVIDA também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.

 ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Covid-19: especialistas falam do papel de instituições públicas

Era 30 de janeiro de 2020. O mundo tomava conhecimento dos primeiros estragos que o novo coronavírus causava em alguns países. Sem nenhum caso identificado, no entanto, o Brasil ainda parecia longe do turbilhão que hoje, quatro meses depois, já matou mais de 40 mil pessoas por aqui. Foi nessa data que, junto com outras instituições, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) participou de uma reunião convocada pela Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde em que, antecipando-se ao cenário que estava por vir, assumiu a responsabilidade de produzir nacionalmente os testes de Covid-19 por PCR, tecnologia que garante um resultado mais seguro. “A Fiocruz foi a única que aceitou o desafio porque nós tínhamos o teste para biologia molecular no nosso portfólio de produtos”, conta Marco Krieger, vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da instituição.

Que havia pressa, todo mundo já sabia. Mas o tamanho do problema – e, consequentemente, o volume de demanda – ainda era muito subestimado naquele momento. O resultado é que, num tempo recorde, de menos de um mês, a Fiocruz produziu o protótipo do kit diagnóstico, seguindo o que estava sendo preconizado pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas) e, em fevereiro, antes de se reconhecer o primeiro caso no Brasil, pouco menos de mil testes foram produzidos e distribuídos, principalmente para os laboratórios de referência. Março chegou e, embora a quantidade de infectados no país ainda fosse pequena, o “conhecimento científico apontou que tínhamos uma situação bem mais grave”, como explica Krieger.

Não tardou para que, em meados daquele mesmo mês, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendasse testagem massiva como meio de controlar o que, àquela altura, já era considerada uma pandemia. “Em menos de um mês, a gente saiu de uma produção de antecipação e preparo para uma realidade em que os kits se tornaram ferramenta de testagem massiva”, relata Krieger, informando que, a essa altura, a pactuação com o Ministério da Saúde foi a produção de 220 mil testes. Para encurtar a história, no final de março essa meta subiu para 1 milhão de testes e, hoje, está em 11,6 milhões, que devem ser entregues até setembro. Até o momento em que esta reportagem foi finalizada, já tinham sido entregues 4,9 milhões. Para se ter uma ideia do que isso significa, antes da pandemia, a capacidade de produção de testes moleculares da instituição era de menos de 1 milhão por ano. “Hoje todos os testes de PCR registrados produzidos no Brasil vêm da Fiocruz”, resume o vice-presidente, esclarecendo que os governos complementaram essa produção com compras no exterior.

Importar materiais e equipamentos de saúde, no entanto, não está sendo fácil. São fartas as notícias sobre a alta dos preços, o desabastecimento e a concorrência internacional, que vêm se tornando um obstáculo a mais no combate à Covid-19. E foi exatamente esse cenário que acendeu o debate sobre o grau de dependência externa do país nessa área e a importância de se fomentar a produção nacional. Como o Portal EPSJV/Fiocruz tem acompanhado com uma série de reportagens, essa frente prevê ações de curto e longo prazo: um processo de reconversão produtiva que coloque emergencialmente as empresas de outros produtos a serviço da fabricação de equipamentos e insumos para a saúde e um investimento mais estrutural tanto no fortalecimento da indústria quanto no desenvolvimento científico e tecnológico que antecede a produção. E, em ambas as pontas, as instituições públicas de ensino e pesquisa do país têm papel fundamental.

Papel das instituições públicas

O vice-presidente da Fiocruz explica que, mesmo com a ampliação dos laboratórios e intensificação dos turnos de trabalho, tudo isso só foi possível porque já havia experiência e conhecimento acumulado na instituição. “Nosso primeiro projeto de diagnóstico molecular é fruto de desenvolvimento tecnológico nacional”, orgulha-se. No contexto do projeto Hemorrede, todas as bolsas de sangue doadas diariamente são, segundo Krieger, testadas com produtos feitos na Fundação. Eles foram sendo “melhorados” e passaram a poder ser usados para detecção do vírus HIV, da hepatite B e outros, além do diagnóstico diferencial de dengue, zika e chikungunya. Quando a pandemia chegou por aqui, segundo Krieger, a instituição estava estudando uma nova linha de kits que diagnosticasse a malária. “A resposta mais abrangente do complexo da saúde para enfrentar o coronavírus está sendo a capacidade de produção de testes por parte da Fiocruz, mostrando que é possível fazer quando a gente tem capacidade tecnológica e, sobretudo, uma visão do Complexo Econômico-Industrial da Saúde no Brasil”, opina o coordenador de Ações de Prospecção da Presidência da instituição, Carlos Gadelha.

Ele defende que, no debate sobre a capacidade produtiva para atender ao Sistema Único de Saúde (SUS) e reduzir a dependência de importação, as instituições públicas têm dois papéis principais. O primeiro, diz, é “sair de um padrão de absorção de tecnologia para um de melhoria [tecnológica] e inovação”. “Temos que deixar de ser só incorporadores de tecnologia e passarmos a criar tecnologias que se adequem às necessidades sociais”, argumenta. Já o segundo é assumir um lugar no Complexo Econômico-Industrial da Saúde, como “formadoras e qualificadoras” do processo produtivo.

Matéria publicada na Folha de S. Paulo no dia 14 de junho destaca o papel de duas instituições públicas – a própria Fiocruz e o Instituto Butantan, ligado ao governo estadual de São Paulo – na produção da vacina contra a Covid-19, quando ela for descoberta e estiver aprovada para uso. Segundo o texto, a fábrica de vacinas da Fiocruz, Bio-Manguinhos, terá capacidade para ofertar 40 milhões de doses por mês. E isso sem afetar a produção de outras vacinas importantes que já são de responsabilidade da instituição, como febre amarela e tríplice viral, importante especialmente por conta do sarampo. Já o Butantan, de acordo com a reportagem, teria condições de chegar a 30 milhões de doses num intervalo de cerca de dois meses. “Fica a lição para não deixar de lado o investimento nas instituições públicas. Vacinas são estratégicas para o país e são questão de segurança nacional”, defendeu o diretor de Bio-Manguinhos, Mauricio Zuma.

Ações emergenciais

E a emergência trazida pela Covid-19 mostrou que sobram instituições públicas com capacidade para tentar inovar e contribuir com a produção interna. O que falta, de fato, é um investimento do tamanho do desafio que o país enfrenta – e que não se encerra com o controle da pandemia.  Foram várias as iniciativas de universidades, institutos federais e outras instituições de pesquisa que criaram soluções e adaptações para minimizar a falta de equipamentos, materiais e insumos para o enfrentamento da pandemia. Reconhecendo a excepcionalidade de uma pandemia como a que estamos vivendo, o esforço tem sido promover a ação emergencial e incentivar o investimento de longo prazo.

Um exemplo é o edital de ‘Enfrentamento à Covid’ lançado pelo Conselho Nacional das Instituições da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Conif), que destinou mais de R$ 6 milhões em recursos da Secretaria de Educação Profissional e Tecnológica (Setec), do Ministério da Educação (MEC), a projetos inovadores que oferecessem respostas às demandas da pandemia. Cada instituição da Rede pode concorrer com até quatro projetos no valor total máximo de R$ 500 mil. O resultado foi divulgado em 15 de maio e o prazo final para execução dos projetos é dezembro deste ano. Até o fechamento desta matéria, o dinheiro não tinha chegado aos Institutos. “A gente fez uma chamada interna de quem tinha interesse para selecionar os melhores projetos que realmente fossem viáveis e que pudessem ser utilizados não só agora, mas que também tivessem um uso pós-pandemia”, conta Chirlaine Gonçalves, pró-reitora de pesquisa e extensão do Instituto Federal de Sergipe (IFS), que teve quatro projetos aprovados no edital.

Matéria publicada no site do Ministério da Educação em 3 de abril informa que a pasta destinou R$ 24,8 milhões para que a educação profissional e tecnológica se “somasse” à ação das universidades na produção de equipamentos e insumos. Segundo a Setec, desse total, R$ 16,3 milhões já estão em execução. Também de acordo com a Secretaria, todos os Institutos Federais, Cefets  o Colégio Pedro II, que compõem a Rede Federal, receberam os recursos. A definição de valores se deu a partir de proposta apresentada pelo Conif, “considerando circunstâncias regionais e capacidade de execução de cada instituição”. O texto publicado no site também informa que foram repassados R$ 127,8 milhões para 32 universidades federais e outros R$ 60 milhões seriam ainda transferidos, “a pedido”. A reportagem entrou em contato com o ministério, via assessoria de imprensa, para esclarecer a lista de entidades contempladas, os critérios de seleção e a encomenda feita pelo governo, mas, nesse caso, não obteve resposta.

Num site que monitora a atuação das instituições federais de ensino em meio à pandemia, o MEC lista 1.649 ações realizadas, atingindo mais de 27 milhões de pessoas – segundo dados consultados no dia 15 de junho. Nem todas essas iniciativas são de inovação, desenvolvimento tecnológico ou produção de equipamentos, insumos e outros materiais. Mesmo assim, é significativo o cardápio de medidas que foram organizadas emergencialmente por universidades públicas e institutos federais, muitas vezes de forma espontânea e com recursos próprios.

Esse foi o caso do Instituto Federal de Sergipe, que, segundo a pró-reitora, mesmo antes de ter quatro projetos aprovados no edital do Conif e de receber outros R$ 240 mil da Setec/MEC para fortalecimento das ações, já tinha investido mais de R$ 400 mil do seu orçamento na produção de máscaras, álcool gel, sabonete, protetores faciais e outros materiais que estão sendo fabricados no próprio IF. Ainda no início da pandemia, o IFS lançou um edital interno para fomentar a produção de insumos que ajudassem a combater a Covid-19. O resultado, segundo Chirlaine, foi a fabricação  – e doação – de mais de 6 mil litros de álcool gel, além de sabonete, água sanitária, aventais e máscaras – estas últimas ultrapassaram a marca de 21 mil unidades.

O Instituto, naturalmente, não tem uma planta fabril, mas, utilizando as impressoras 3D e os cortadores a laser que no dia-a-dia servem de apoio às atividades de ensino e pesquisa, o IFS produziu mais de 8 mil escudos faciais que foram doados a profissionais de saúde do estado, atendendo diretamente à carência de equipamentos de proteção individual que se tornou um problema extra no combate à Covid-19. Pela análise da demanda e da capacidade prevista, a meta original eram 7 mil. Como foi ultrapassada, a produção continua, mas “bem mais leve”, como define a pró-reitora, com algo em torno de 20%. “Era um material de urgência naquele momento”, explica Chirlaine, contando que, durante 45 dias, profissionais, voluntários e bolsistas da instituição se alternaram no trabalho 24 horas por dia, sete dias por semana. Cerca de metade da produção foi entregue à Secretaria Estadual de Saúde, enquanto a outra parte era distribuída a profissionais de saúde de outras estruturas, como presídios e tribunais.

As máquinas – que não têm porte industrial – estavam instaladas no laboratório de inovação do IFS, mas foram reforçadas pelo empréstimo de impressoras de outros campi e, complementarmente, pelo serviço ‘terceirizado’ de pequenas empresas parceiras que, chamadas pelo projeto ‘Cuidar’, de autoria de uma professora do instituto, apoiaram a produção solidária. Chirlaine conta que, para a produção de álcool, sabonete e desinfetantes, foi montada uma estrutura ao ar livre para servir de laboratório de química, que contou com o trabalho principalmente de servidores, professores e outros profissionais. Já a fabricação dos escudos faciais se deu, especialmente, com a atuação de alunos bolsistas. Ainda que em quantidade muito menor, as impressoras 3D e o trabalho dos técnicos do instituto contribuíram também com o conserto de ventiladores pulmonares do estado. Segundo a pró-reitora, a instituição ofereceu apoio na produção de peças a um grupo de engenheiros elétricos que estavam tentando recuperar respiradores enguiçados.

Estrutura semelhante foi aproveitada pelo Instituto Federal Fluminense (IFF) para montar um “parque de produção 3D” voltado à fabricação de protetores faciais e laringoscópios, que são instrumentos utilizados no processo de intubação dos pacientes mais graves. A produção nesse caso foi pequena – cerca de 15 unidades até agora, feitas sob demanda. Nesse caso, o trabalho está sendo desenvolvido em parceria com a Escola de Desenho Industrial da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) que, também junto com o Hospital Universitário Pedro Ernesto, criou um modelo adaptado que, segundo Henrique da Hora,  diretor de inovação do Instituto, barateia o processo e torna a intubação mais segura.

Já em relação aos protetores faciais, só até o final de maio haviam sido construídos 5,2 mil. Mas a produção continua, com uma média de 70 unidades por dia. Especificamente para esses equipamentos, o IFF contou com a doação de material de uma termelétrica e outras empresas menores locais. Além disso, aproveitando a capilaridade que os Institutos Federais têm, em função da sua presença em todos os estados, e não apenas nas capitais, e da sua organização em rede, o IFF se responsabilizou pela montagem e distribuição estratégica de outros 5 mil protetores faciais cujas hastes foram produzidas pelo Instituto Politécnico da Uerj Nova Friburgo, que tem um polo mecânico e consegue fabricar um a cada 20 segundos – enquanto, na impressora 3D, o IFF leva cerca de 40 minutos. De acordo com o diretor de inovação, esse material já foi distribuído para entidades parceiras de outros estados, como Espírito Santo e Minas Gerais. “A gente recebe a haste que é o mais complexo, monta e entrega”, resume.

Uma cooperativa de produtores de álcool da região também doou 5 mil litros de álcool 70, que o Instituto fracionou e envasou para distribuição. Aproveitando outra doação, dessa vez de álcool 89 de uma cachaçaria, o IFF colocou seus profissionais da área de química em ação para diluir o material e transformá-lo em álcool 70. Por fim, um sindicato da região forneceu recursos para a produção de sabonete líquido, que também está sendo doado. Parte dos recursos da Setec/MEC que devem chegar em breve será aplicada, segundo Henrique, na fabricação de álcool gel.

Leia mais em: https://agencia.fiocruz.br/covid-19-especialistas-falam-do-papel-de-instituicoes-publicas

Cátia Guimarães (EPSJV/Fiocruz)

17ª Reunião Anual de Iniciação Científica divulga projetos destaques

A 17ª Reunião Anual de Iniciação Científica (RAIC) do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) divulga os destaques da iniciação científica. A premiação destaca anualmente projetos desenvolvidos por estudantes que integram o Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica (PIC) da Fiocruz Amazônia.

Nesta edição, os trabalhos foram avaliados por relatórios submetidos a uma banca de especialistas de diversas instituições do Estado e nacionais, de acordo com a temática, divididos em seis categorias: Parasitologia e Imunologia, Saúde Coletiva, Biotecnologia e Bioprospecção, Microbiologia, Entomologia, e Inovação.

DESTAQUES

O estudante do curso de Ciências Biológicas, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas (Ifam), João Vitor Santos Nobre foi o vencedor da categoria Parasitologia e Imunologia, com o projeto “Efeito da temperatura na infecção de Anopheles aquasalis por Plasmodium vivax: longevidade do vetor e desenvolvimento do parasito”, sob orientação da pesquisadora Claudia Maria Ríos Velásquez.

O trabalho “Análise do perfil de proteínas do tecido de metástase em pacientes com adenocarcinoma gástrico”, da estudante de Biomedicina Kallem Kamila Ribas Gomes, da Faculdade Metropolitana de Manaus (Fametro), orientado pela pesquisadora, Priscila Aquino, destacou-se na categoria Biotecnologia e Bioprospecção.

Na categoria Saúde Coletiva, sob orientação do pesquisador, Fernando Jose Herkrath, o trabalho de Juliana Oliveira de Andrade, estudante do curso de odontologia, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) foi o vencedor. Com o tema “Fatores contextuais e individuais associados à autopercepção da saúde bucal entre adultos e idosos residentes em áreas rurais ribeirinhas do município de Manaus, Amazonas”, o projeto investigou o papel dos fatores sociais, demográficos, clínicos e relacionados ao serviço na autopercepção da saúde bucal por adultos e idosos em populações rurais ribeirinhas.

Elen Sabrina dos Reis Martins, aluna do curso de Ciências Biológicas da Universidade Nilton Lins, venceu a categoria Entomologia. O trabalho “Durabilidade da infectividade de Plasmodium vivax para Anopheles aquasalis após a coleta do sangue no paciente malárico” também foi orientado por Claudia Ríos.

“Caracterização do perfil de proteínas de espécies de Penicillium spp” foi o tema do trabalho vencedor na categoria Microbiologia. O projeto foi desenvolvido pela estudante de Engenharia Química, Ana Beatriz Nascimento da Silva, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), sob orientação de Priscila Aquino.

Orientado pelo pesquisador, Luís André Morais Mariúba, o projeto “Avaliação da resposta imune humoral contra CSP de Plasmodium falciparum contida na superfície do esporo de Bacillus subtilis” foi o vencedor da categoria Inovação. O trabalho foi desenvolvido por Maria Gabriella Santos de Vasconcelos, estudante do curso de Biomedicina, da Fametro.

SOBRE A RAIC

A Raic é um evento que acontece anualmente em todas as unidades da Fiocruz. Durante a Raic, os bolsistas do PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia apresentam os resultados dos projetos desenvolvidos no período de vigência do Programa, por meio da exposição e discussão de seus trabalhos, para avaliação dos projetos e intercâmbio de experiências entre estudantes, pesquisadores e demais profissionais. Essa experiência reforça a importância da iniciação científica na construção do conhecimento e incentiva os jovens pesquisadores a prosseguirem nas carreiras acadêmicas.

SOBRE O PIC

O Programa de Iniciação Científica da Fiocruz Amazônia tem como objetivos despertar a vocação científica e incentivar novos talentos potenciais entre estudantes de graduação; contribuir para a formação de recursos humanos para a pesquisa e inovação tecnológica nos Determinantes Socioculturais, Ambientais e Biológicos do Processo Saúde-Doença-Cuidado para a melhoria das condições sociossanitárias na Amazônia;  estimular pesquisadores produtivos a envolverem estudantes de graduação em suas atividades científicas, tecnológicas e profissionais; e proporcionar ao bolsista, orientado por pesquisador qualificado, a aprendizagem de técnicas e métodos de pesquisa, bem como estimular o desenvolvimento do pensamento científico e da criatividade, decorrentes das condições criadas pelo confronto direto com os problemas estudados ou alvo da pesquisa.

O PIC-ILMD/Fiocruz Amazônia é desenvolvido em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Foto: Arquivo ILMD/Fiocruz Amazônia

Projeto Fiocruz contra a Covid-19 contempla iniciativas solidárias que irão beneficiar populações vulneráveis na Amazônia

O projeto Fiocruz contra a Covid-19 vai beneficiar iniciativas solidárias em todo Brasil, por meio da Chamada Pública para apoio a ações emergenciais de enfrentamento à Covid-19, voltada para populações vulneráveis. A ação alcança mais de 80 municípios de todos os estados brasileiros. Entre os projetos aprovados, 19 foram da Região Norte, sendo três do Amazonas.

Mais de 800 organizações não governamentais se inscreveram. Entre as iniciativas aprovadas, 110 incluem ações de segurança alimentar, 101 preveem atividades de comunicação, 95 trabalham os protocolos de higiene coletiva e individual (com distribuição de produtos de limpeza, por exemplo), 73 dedicam-se à assistência de grupos de risco e 28 voltam-se ao tema da saúde mental.

Acesse AQUI a lista de projetos contemplados.

A Fiocruz deve investir 4,5 milhões de reais, provenientes de doações feitas à instituição para aplicação em ações humanitárias. As propostas se encaixam em três faixas de financiamento, segundo o orçamento apresentado: até R$10 mil; até R$25 mil e até R$50 mil.

Além dos recursos financeiros, todos as organizações selecionadas terão apoio técnico da Fiocruz. Para isso foi estruturada uma equipe de 70 profissionais, que farão o acompanhamento dos projetos. Eles serão responsáveis por validar os conteúdos informativos produzidos e distribuídos no âmbito dos projetos, além de orientar as organizações para a execução segura das atividades previstas.

PROJETOS

Entre os projetos selecionados está o “Programa Emergencial para o enfrentamento da crise do Coronavírus com foco especial para populações ribeirinhas no Amazonas”, desenvolvido na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga da Conquista, localizada à margem direita do Rio Negro (distante 65 quilômetros da capital), que abrange 15 comunidades rurais e indígenas. A ação tem como objetivo auxiliar populações de comunidades remotas do interior do Amazonas, especialmente povos tradicionais, no enfrentamento do Coronavírus.

Com a aprovação, a primeira medida será o lançamento de uma campanha de comunicação intitulada “Comunidades Ribeirinhas contra o Coronavírus”, voltada para conscientização das pessoas sobre as medidas de prevenção, a importância do isolamento social e os sintomas recorrentes da doença. Além disso, o projeto também prevê a doação de cestas de produtos básicos, como alimentos não produzidos localmente e artigos de higiene. A ideia central é assegurar o acesso das famílias a produtos essenciais, oferecer condições para higienização adequada, e evitar o deslocamento de pessoas para as cidades, para compra destes artigos, reduzindo assim, o risco de contágio e de disseminação do vírus.

Proposto pelo Centro Social Roger Cunha Rodrigues, em Manaus (AM), o projeto “3C contra o Covid-19: Comunicação, Consciência e Caridade”, também foi selecionado. O projeto visa mobilizar a população através da difusão de informações nas ruas, com orientações de combate, em linguagem direta e acessível, medidas de afastamento, formas de disseminação, higiene, conduta frente aos sintomas da doença, cuidados e riscos de auto medicação.

A ação também pretende garantir alimentação básica, com a compra e distribuição de alimentos às famílias; oferecer material de higiene e orientações de combate do Covid-19, além da produção voluntária de máscaras de tecido (EPI), possibilitando a distribuição de máscaras à comunidade. Outro destaque entre os projetos do Amazonas é a iniciativa da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC).

A iniciativa busca viabilizar as medidas de distanciamento social entre comunidades agroextrativistas do Médio rio Juruá, sudoeste do Amazonas. Em virtude da escassez sazonal de recursos pesqueiros e das recomendações para que as comunidades restrinjam o acesso às áreas urbanas do município, impossibilitando a aquisição na cidade de outros gêneros alimentícios que compõem a cesta básica das famílias, a ação busca contribuir para a segurança alimentar das comunidades agroextrativistas durante o período de distanciamento social por meio do acompanhamento remoto e permanente da situação de segurança alimentar e distribuição segura de cestas básicas.

Entre os projetos selecionados com orçamento de até R$50mil, está a “Ação Emergencial a Famílias em Vulnerabilidade Social do Bairro Periférico Tarumã”, desenvolvido em Manaus, sob coordenação do Instituto DELFOS, também denominado Instituto Restaura. O projeto tem como objetivo levar produtos alimentícios, material de higiene e limpeza a 60 famílias em situação de extrema pobreza do bairro Tarumã, assim como também ofertar serviços de atendimento psicossocial e socioassistencial, com o intuito de minimizar os impactos sociais, econômicos e psicológicos que a pandemia vem causando na população.

O campeão na faixa de R$25 mil foi a Associação Indígena Krãnhmenti, localizada no muncípio de Banach, interior do Pará. Eles vão usar o recurso obtido para realizar uma campanha bilíngue (português e Mebêngôkre-Kayapó) de esclarecimento sobre o enfrentamento da pandemia. Também vão produzir máscaras e distribuí-las, junto com cestas básicas, a 50 famílias da etnia kayapó na região.

A chamada pública viabiliza o financiamento de projetos em todo território nacional, que contribuem para prevenir o contágio entre esses grupos sociais, garantindo condições mínimas de sobrevivência a famílias impactadas economicamente pelas medidas de isolamento social em vigência.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento

Resultado dos pedidos de isenção da taxa de inscrição do PPGVIDA

O Instituto Leônidas & Maria Deane  (ILMD/Fiocruz Amazônia) divulgou o resultado dos pedidos de isenção da taxa de inscrição da Chamada Pública Nº006/2020, referente ao processo seletivo do Mestrado Acadêmico em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia  (PPGVIDA).

O resultado está disponível na Plataforma SIGA da Fiocruz em http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120

A inscrição para o processo seletivo inicia hoje, 15/6, e vai até o próximo dia 3 de julho.

Para esta chamada pública estão sendo oferecidas 15 vagas nas seguintes linhas de pesquisa: Fatores sócio biológicos no processo saúde -doença na Amazônia (10 vagas);  e Processo saúde, doença e organização da atenção a populações indígenas e outros grupos em situações de vulnerabilidade (5 vagas).

Confira o edital.

SOBRE O PPGVIDA

O curso de mestrado em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos, capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

O PPGVIDA também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.

 ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Rede Solidária da Fiocruz vai enviar doações ao Amazonas para enfretamento da Covid-19

Quase R$ 6 milhões em testes para Covid-19, equipamentos de proteção individual (EPI’s) e dispositivos para testes serão doados ao Amazonas para enfrentamento ao novo coronavírus. O repasse do material será feito pelo Programa Unidos Contra a Covid-19, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

A distribuição dos produtos será acompanhada pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), explica o pesquisador e gestor da Unidade da Fiocruz no Amazonas, Sérgio Luz. Segundo ele, serão destinados 3 mil kits de teste rápidos e R$ 1.200.000,00 em Epi’s para os povos indígenas do Alto Rio Negro, Alto Solimões e Vale do Javari; R$ 1.552.000,00 em Epi’s para os hospitais de Manaus, além de R$ 1.500.000,00 em equipamentos para a Fiocruz Amazônia triplicar sua capacidade de testagem para Covid-19.

As doações foram feitas ao Programa Unidos Contra a Covid-19, pela Vivo (R$ 3.000.000,00),  pelo Fundo Emergencial da Saúde/Movimento Bem Maior (R$ 1.200.000,00), Fundação Banco do Brasil ( R$ 52.000,00)  e o restante pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos), especificamente para o Amazonas.

Os produtos estão em fase de aquisição e assim que chegarem a Manaus serão encaminhados às instituições e povos indígenas.

UNIDOS CONTRA COVID-19

O Programa Unidos Contra a Covid-19 é uma iniciativa da Fiocruz, lançado em 2/4, com o objetivo de potencializar as ações da Fundação Oswaldo Cruz frente à pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), por meio da união de esforços dos setores público e privado, tornando-se um canal onde empresas, organizações e indivíduos interessados formam uma rede de apoiadores de ações desenvolvidas pela Instituição para o enfrentamento da emergência sanitária.

Para saber mais sobre o Unidos contra a Covid-19 e como apoiar, clique.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Bernardo Portella/Fiocruz