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Presidente da SBPC concede entrevista à Fiocruz Amazônia

Em entrevista à Fiocruz Amazônia Revista, Ildeu Moreira de Castro, presidente da SBPC, falou sobre a redução e contingenciamentos de recursos que atingem a área de Ciência, Tecnologia e Inovação. O gestor falou ainda sobre o papel da ciência, sobre questões da Amazônia e as estratégias da entidade para fortalecer a Divulgação Científica no Brasil.

CONFIRA A ENTREVISTA:

Professor e pesquisador do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ildeu Moreira de Castro assumiu em julho de 2017 mais um desafio importante em sua extensa carreira: comandar a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

A entidade foi criada em 1948 e se dedica ao avanço científico, tecnológico, do desenvolvimento educacional e cultural do País, agregando 127 sociedades científicas associadas de todas as áreas do conhecimento. Em entrevista exclusiva à Fiocruz Amazônia Revista, Ildeu falou sobre a trajetória de sete décadas da SBPC e os principais desafios que a comunidade científica enfrenta.

Nesse sentido, ele manifestou preocupação com a redução e contingenciamentos de recursos que atingem a área de Ciência, Tecnologia e Inovação. “O corte atinge a sociedade em vários aspectos. Primeiro, porque hoje a ciência e tecnologia é cada vez mais um elemento fundamental para as nações”, pontuou.

O gestor falou também sobre os seminários temáticos promovidos por todo o País com assuntos voltados para o desenvolvimento social, educacional e científico. Tratou ainda do papel da ciência sobre questões da Amazônia e as estratégias da entidade para fortalecer a Divulgação Científica no País.

Fiocruz Amazônia Revista – A SBPC completou 70 anos, em 2018. Foram muitos desafios, dificuldades e também conquistas e vitórias em prol da ciência e da sociedade. Como o senhor avalia a atuação da instituição para o avanço das discussões e políticas científicas no País e, sobretudo, quais as perspectivas para o futuro considerando a crise política e institucional que enfrentamos?

Ildeu Castro – Em primeiro lugar, a SBPC tem sete décadas de atuação muito intensa na ciência, na educação e na democracia do País e essa história, de certa maneira, é paralela ao crescimento da ciência brasileira nas últimas décadas. A entidade, desde seu início, batalhou muito pela criação das instituições de pesquisa e das agências de fomento e ainda na sua criação ela estava batalhando pela continuidade das pesquisas de São Paulo.

Ela já nasceu sob esse simbolismo pela ciência brasileira. Logo no início participou da luta pela criação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), de Anísio Teixeira, grande criador da Capes que foi presidente da SBPC.

Atualmente, estamos vivendo um momento de resistência, de desmonte, portanto muito difícil do ponto de vista de uma política que não valoriza a ciência e tecnologia e tem reduzido muito os recursos para o investimento, atingindo profundamente agências fundamentais como o CNPq, a Capes, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), as agências de inovação. Por isso temos feito inúmeras manifestações junto ao governo, junto ao Congresso Nacional, fizemos abaixo assinado, Marcha pela Ciência, para colocar isso para a população. Fomos ao Congresso Nacional várias vezes.

Nesses últimos anos, passamos a ter atuação ativa no Legislativo, acompanhamos projetos de lei. A entidade tem se posicionado em várias situações junto ao Legislativo. O segundo ponto é essa questão dos recursos que foram diminuídos drasticamente, temos discutido com os presidenciáveis, alguns deles já se comprometeram com esses pontos e estamos insistindo com outros, inclusive deputados e senadores para que haja uma reversão de redução drástica para ciência e tecnologia.

Vínhamos numa ascensão de 2013, depois começou cair de uma maneira muito abrupta. De fundo temos uma bandeira da SBPC de mais de 20 anos que é 2% no mínimo do PIB para Pesquisa & Desenvolvimento. Na Europa já está chegando em 3% em média, a Coréia está nos 4%, China nos 3%, Estados Unidos e Alemanha também. E no Brasil está patinando no 1% há muitos anos então a gente está insistindo que essa é uma meta importante para os próximos governos e isso significa envolver muito mais a iniciativa privada em recurso para P&D, como acontece em outros países do mundo.

No Brasil, não, pois é o recurso público que arca fundamentalmente com boa parte dos gastos com ciência, inovação pesquisa e desenvolvimento. Esse é um desafio. O terceiro é a questão da burocracia, vivemos num país com burocracia excessiva, regras demais, os gestores, pesquisadores são considerados culpados, a priori, parece que você é culpado, então você tem que provar que não é. Enquanto que no mundo inteiro, como exemplo a Coréia e China, que estão crescendo rapidamente isso não acontece. Também outros países, como Alemanha, França, EUA, Inglaterra, que tem uma condição mais livre de ciência, de troca, de compra de equipamentos, muito menos restrições o comportamento em relação aos pesquisadores é diferente do Brasil.

A falta de ambiente para desenvolver empresas inovadoras no país é um problema e a burocracia é evidentemente um entrave muito grande, a educação básica de qualidade, formação de técnicos, pessoal qualificado é outro problema, já mencionei inclusive, então, esses são desafios. Talvez um desafio maior é a falta no país de um projeto que faça com que a comunidade científica trabalhe em um nicho, claro que a ciência é importante, que ela tem liberdade e pesquisa em várias áreas, mas compete ao estado definir linhas mobilizadoras prioritárias para alocar recursos de ciência e tecnologia.

Todos os países do mundo fazem isso, colocam prioridades, fazem planos. EUA, China fazem planos décadas a frente. Poderia te elencar meia dúzia de desafios pela frente. Um deles é melhorar a educação pública do Brasil, a educação básica e em particular a educação científica. Tem uma proposta sendo discutida no CNE (Conselho Nacional de Educação) de Base Comum Curricular que é muito deficiente do ponto de vista da ciência.

Então nós estamos lá, discutindo, criticando, brigando para que jovens tenham acesso a ciência de uma maneira interessante, temos que melhorar muito a educação que está muito ruim em relação ao ensino médio, na educação científica que não pode fazer de uma maneira apressada que joga fora a criança do colo da mãe, é o desenho que está colocado lá, então esse é um desafio muito grande: melhorar a educação básica brasileira, isso é importante para a ciência para a tecnologia e para o país como um todo.

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Fiocruz Amazônia Revista, por Cristiane Barbosa
Foto: Divulgação.

Pesquisa de novas substâncias para tratamento da malária

O número de mortes por causa da malária é impressionante: 500 mil por ano. A doença chega a 200 milhões de casos anuais em todo mundo, sendo uma das principais formas de morbidade e mortalidade nas áreas tropicais e subtropicais. Um agravante é a inexistência de uma vacina e os remédios e os tratamentos a base de remédios são a principal medida de tratamento da doença. Por outro lado, há o surgimento e a expansão da resistência do parasito aos antimaláricos (remédios que combatem a malária) utilizados, e, assim, é necessário desenvolver novos tratamentos.

O agricultor Lazaro Souza, 65 anos, é um exemplo de vítima dessa doença. Já pegou pelo menos três vezes a malária, provavelmente em seu sítio, localizado na comunidade do Puru Puru, no município de Careiro da Várzea, a 88 quilômetros de ManausAM. Os sintomas de tremor e febre com calafrios já são velhos conhecidos dele. “Começa com uma indisposição e vai avançando para calafrios e febre, me deixando de cama”, disse.

O tratamento utilizado por ele foi o convencional à base dos medicamentos já conhecidos e indicados pelos médicos para a malária. A descoberta e o desenvolvimento de novos fármacos no contexto das doenças infecciosas são desafiadores e muitas vezes estão associados às inovações científicas e tecnológicas.

Nesse contexto, no Instituto Leônidas & Maria Deane/Fiocruz Amazônia, é realizado um estudo comandado pela doutora em Genética e Biologia Molecular Stefanie Lopes, que coordena investigações de substâncias capazes de inibir o ciclo de desenvolvimento do parasito que transmite a Malária do tipo causado por Plasmodium vivax e orienta alunos de graduação na iniciação cientifica.

A pesquisa de iniciação científica denominada ‘Avaliação da atividade antimalárica de compostos inibidores de quinases identificados por triagem virtual sobre estágios assexuados de Plasmodium vivax é desenvolvida pela graduanda de Farmácia do Centro Universitário do Norte (Uninorte), Macejane Souza, que é bolsista da Fiocruz Amazônia por meio do Programa de Apoio à Iniciação Científica (Paic) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

O trabalho, por seu caráter inovador, recebeu a 3ª colocação na categoria Jovem Pesquisador – Graduação do 54º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (Medtrop), que aconteceu em Recife, no mês de setembro de 2018. Além disso, também foi premiado na Reunião Anual de Iniciação Científica da Fiocruz Amazônia como “Projeto Inovador”.

 “Acredito que ideias e projetos inovadores devem ser estimulados desde a Iniciação Científica, pois a formação de pessoas com capacidade de inovar em Ciência e Tecnologia permite vislumbrar um futuro com pesquisadores que apresentem melhor capacidade de empreender e gerar resultados capazes de impactar de maneira mais célere e visível a sociedade”, frisou Stefanie.

Segundo Macejane, no Brasil, o Plasmodium vivax é a espécie responsável por aproximadamente 85% dos casos e relatos de complicações clínicas associadas a esta espécie vêm sendo observados. “Na ausência de uma vacina efetiva, o tratamento imediato constitui a principal medida de combate à doença. Entretanto, com a recorrente evolução de resistência do parasito aos antimaláricos empregados, torna-se evidente a necessidade de desenvolver novos tratamentos”, explicou ela.

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Fiocruz Amazônia Revista, por Cristiane Barbosa
Foto: Eduardo Gomes

Transmissão sexual do vírus da Zika entre mosquitos é comprovada

A transmissão sexual do zika vírus (ZIKV) entre mosquitos foi constatada por pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) como um divisor de águas nos estudos sobre a doença. A pesquisa foi concluiu que os mosquitos machos infectados podem transmitir o vírus da zika para as fêmeas no acasalamento.

A conclusão inédita foi registrada no artigo ‘First Evidence of Zika vírus venereal transmission in Aedes aegypti mosquitoes’ (no português: Primeira Evidência da transmissão venérea do vírus Zika em mosquitos Aedes aegypti), publicado no periódico internacional Memórias do Instituto Oswaldo Cruz.  Em 2017, o trabalho recebeu o Prêmio Jovem Pesquisador 2017, na categoria Mestrado, do 53º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (Medtrop).

O artigo é assinado por Cláudia María Ríos Velásquez, Jordam William Pereira Silva, Valdinete Alves do Nascimento, Heliana Christy Matos Belchior, Jéssica Feijó Almeida, Felipe Arley Costa Pessoa e Felipe Gomes Naveca, todos pesquisadores do Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia (EDTA) do ILMD/Fiocruz Amazônia.

“O objetivo principal da pesquisa registrada no artigo foi avaliar a possível transmissão venérea de zika vírus entre mosquitos Aedes aegypti, que é considerado o principal vetor desse arbovírus”, explicou o mestre em Saúde Coletiva pelo ILMD, Jordam Silva, que compõe a equipe de autores do trabalho e foi orientado pela pesquisadora do Laboratório EDTA do ILMD/Fiocruz Amazônia, Cláudia Velásquez, bióloga e doutora em Ciências da Saúde.

Outro resultado da pesquisa foi de que as fêmeas infectadas oralmente com o vírus também podem o transmitir para os machos no acasalamento. “Portanto, a infecção por ZIKV nos mosquitos pode ocorrer não só durante alimentação sanguínea em um hospedeiro infectado”, informou Jordam Silva.

Na avaliação da pesquisadora Claudia Velásquez, que é especialista em entomologia médica com ênfase nas interações entre patógenos e hospedeiros, a descoberta é considerada um fato importantíssimo ao constatar que na natureza não só as fêmeas se infectam e transmitem o vírus Zika através da picada. “Isso é muito relevante do ponto de vista epidemiológico, pois mostra que a circulação do vírus entre os mosquitos pode ser mantida sem a necessidade do hospedeiro vertebrado”, afirmou ela.

Os pesquisadores já sabiam que o vírus da zika podia ser transmitido sexualmente entre humanos, mas essa última constatação ajuda a entender o motivo de o vírus da zika ter se espalhado tão rapidamente, ainda em 2015, quando surgiram os primeiros casos da doença no País. A transmissão por via sexual entre mosquitos aumenta muito a probabilidade de o vírus se manter na natureza, mesmo em períodos não epidêmicos, sem pessoas infectadas, assim o vírus circula silenciosamente entre os mosquitos.

“É importante entender porque a epidemia estará sempre ali latente circulando. A conseqüência epidemiológica disso é muito importante porque nos faz pensar no aumento do risco da transmissão dessas doenças para os humanos”, disse ela. Segundo Jordam Silva, os impactos para sociedade são extremamente relevantes do ponto de vista epidemiológico e representam uma preocupação para a saúde pública. “A transmissão venérea de ZIKV entre mosquitos poderia aumentar potencialmente a propagação do vírus e ser um mecanismo importante na manutenção do vírus na natureza”, argumentou ele.

O pesquisador disse também à reportagem da Fiocruz Amazônia Revista que, na ausência de uma vacina, a capacidade de bloquear a propagação do ZIKV depende unicamente de medidas de controle vetorial. “Portanto, os estudos que aumentam nossa compreensão das interações biológicas entre o vírus e o hospedeiro são de grande importância e devem ser encorajados”, justificou.

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Fiocruz Amazônia Revista, por Cristiane Barbosa
Foto: Eduardo Gomes

Inovação em saúde para a sociedade

Ano de 2030. Fazer uma pilha de exames para saber qual o diagnóstico será coisa do passado, já que uma “simples” análise personalizada de DNA* vai se tornar uma etapa padrão antes da indicação de remédios ou de tratamentos.

Assim, o processo de ir a uma consulta, receber um pedido de exame, realizar o procedimento e retornar depois de um mês, deve sumir aos poucos. Com o avanço tecnológico e da inteligência artificial, tudo será em tempo real com a ajuda de dispositivos digitais (num toque do seu celular, porque não?) e por robôs. E tem mais: médicos e profissionais da saúde irão migrar mais para a interface emocional e assumirão um papel cada vez mais interpessoal.

O cenário acima descrito parece filme de ficção científica, mas o uso da inovação e de tecnologias está cada vez mais ao alcance das pessoas. A chamada Saúde Digital ou Saúde 4.0 já é uma realidade e acompanha a mesma visão da Indústria 4.0, que é o nome usado para marcar a 4ª Revolução Industrial que está por vir.

Como exemplo, há um bisturi inteligente chamado iKnife, que pode ajudar cirurgiões a identificar o tecido canceroso, enquanto eles operam, de forma mais precisa, pois a fumaça que emerge do tecido é coletada e enviada para um espectrômetro, que faz a análise química. A partir da composição da fumaça, o aparelho pode deduzir, em questão de segundos, se o tecido era canceroso ou saudável.

Voltando para os dias atuais, na Fiocruz, a inovação já é questão estratégica para o avanço da qualidade da saúde no País. Nesse sentido, levar a pesquisa científica para as prateleiras e atingir a sociedade, beneficiando-a diretamente, é um dos propósitos a fim de devolver os benefícios para a população, no entanto, nesse percurso ainda há alguns entraves.

O pesquisador André Mariúba,coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica do Instituto Leônidas & Maria Deane (NIT – ILMD/Fiocruz Amazônia), explica que quando foi iniciado o trabalho de inovação na unidade em Manaus, em 2014, atuávamos com busca ativa junto os pesquisadores e havia uma grande aversão à ideia de proteger invenções, em tomar as precauções e aceitar o tempo necessário para análise e depósito de uma patente, por exemplo.

A prática majoritária era a publicação dos artigos. “Por vezes ouvimos que isto era “coisa de americano” ou que “esse tipo de coisa não funciona no Brasil”. Sempre acreditamos que esse tipo de pensamento se dava pela falta de exemplos de sucesso em nosso meio.

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Fiocruz Amazônia Revista, por Cristiane Barbosa 
Foto: Eduardo Gomes

Saúde 4.0 é um dos assuntos da Fiocruz Amazônia Revista

Já está disponível no site do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) a 3ª edição da Fiocruz Amazônia Revista, um veículo de popularização da ciência, por meio da divulgação científica, com publicação semestral e em formato digital.

Para acessar a Revista, clique.

Com 78 páginas, a nova edição da Fiocruz Amazônia Revista, aborda com destaque o acesso a tecnologias e inovações na saúde, a chamada Saúde Digital ou Saúde 4.0, e apresenta alguns exemplos inovadores de atuação da Fiocruz Amazônia nesse campo. Confira na página 46, a reportagem “Inovação em saúde para a sociedade:  novos cenários na saúde e qualidade de vida”.

Em entrevista especial, Ildeu de Castro Moreira, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), fala sobre a trajetória da SBPC, os principais desafios enfrentados pela comunidade científica, bem como sobre o papel da ciência em relação à Amazônia e sobre as estratégias adotadas para fortalecer a divulgação científica no País.

Assim como nas edições anteriores, em breve, será lançado o cartão com o QRCode  (código de barras bidimensional) de acesso à   Fiocruz Amazônia Revista.   Por enquanto, o download pode ser feito no site Fiocruz Amazônia.

SOBRE A REVISTA

Criada com a missão de divulgar à sociedade os frutos de esforços científicos desenvolvidos por pesquisadores da Fiocruz, a “Fiocruz Amazônia Revista” é um veículo de popularização da ciência que adota o jornalismo científico para divulgar pesquisas, cursos, ações e eventos que possam contribuir para a melhoria das condições de vida e saúde das populações amazônicas e para o desenvolvimento científico e tecnológico regional.

No site da Fiocruz Amazônia você também acessa a outras publicações da Fiocruz. Confira.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Maloka

ILMD/Fiocruz Amazônia lança revista de divulgação científica em versão digital

Com a missão de divulgar à sociedade os frutos de esforços científicos, a ‘Fiocruz Amazônia Revista’, é lançada em versão digital, neste mês de dezembro, pelo Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) que é um importante ambiente de pesquisas a serviço da saúde pública, localizado na capital amazonense.

“Este é um meio que complementa e fortalece ainda mais a política de comunicação institucional do ILMD/Fiocruz Amazônia, que já tem agregados outros produtos como o portal institucional, o mural, os eventos institucionais e científicos e as mídias sociais digitais”, destacou o diretor da instituição Sérgio Luz, na apresentação da publicação.  A ideia de elaborar um produto tanto off line (impresso) quanto online (disponível na internet) amplia a abrangência deste importante veículo para os diversos públicos.

A revista conta, nesta primeira edição, com 72 páginas, 14 matérias e 06 sessões que abordam novidades em pesquisas e ações desenvolvidas pela equipe de colaboradores do ILMD a serviço da melhoria das condições de saúde da população.

Um dos diferenciais da revista é a proposta de uma linguagem coloquial e recursos que facilitem a interação com os leitores como o uso do QR Code para acessos direto a vídeos e materiais citados nas matérias e também a indicação de significados de termos técnicos em pequenas caixas de texto explicativos que simulam hiperlinks, alinhando a linguagem off-line a online.

Matéria de capa

A matéria de capa deste primeiro número especial é sobre o método inovador, desenvolvido na Fiocruz Amazônia, voltado para um diagnóstico molecular da infecção pelos vírus Mayaro e Oropouche, de forma precisa e simultânea. Esses vírus apresentam sintomas que podem ser confundidos com outras arboviroses, como por exemplo a dengue, e por este motivo muitos desses casos acabam sendo subnotificados. Especialista nessas arboviroses, o virologista e doutor em microbiologia Felipe Naveca, coordenador responsável pela invenção, disse que a pesquisa levou vários anos até chegar à patente. O leitor pode conferir a matéria completa na revista disponível no portal do ILMD.

Conteúdo de Divulgação Científica

Os leitores também podem conferir, nesta edição especial, uma entrevista exclusiva com a presidente da Fiocruz, Nísia Trindade, que fala sobre a condição de ser pioneira como mulher a conduzir uma importante instituição como a Fiocruz. Nísia também comenta sobre a Fiocruz Amazônia, que, na sua visão, exerce um papel fundamental na pesquisa e no ensino da região.

Outro destaque da publicação é uma matéria sobre a projeção internacional do Curso Técnico de Agente Comunitário Indígena de Saúde e projeto de Estações de Disseminação de Larvicida. Vale a pena conferir os detalhes dessas duas iniciativas.

Uma matéria esclarecedora sobre tuberculose e aspergilose pulmonar foi produzida para mostrar os estudos desenvolvidos na instituição sobre as doenças. Na matéria, pesquisadores sugerem a necessidade da criação de um protocolo de acompanhamento clínico e laboratorial.

Neste primeiro número, é divulgado o trabalho do Laboratório Diversidade Microbiana da Amazônia com Importância para a Saúde (DMAIS) da Fiocruz Amazônia. A matéria mostra uma das pesquisas relevantes do laboratório desenvolvido junto à comunidade do Lago do Limão, no município de Iranduba, que identificou microorganimos causadores de doenças na água e solo.  Os resultados do projeto podem vir a auxiliar uma melhor tomada de decisão pelas autoridades de saúde para minimizar os problemas encontrados na comunidade. Já o Laboratório de Diagnóstico e Controle de Doenças Infecciosas na Amazônia (DCDIA) traz nesta edição uma pesquisa que identifica resistência bacteriana nas UTIs de diferentes hospitais de Manaus e no Igarapé do Mindu.

Gestão e ações institucionais

A parte estratégica do ILMD/Fiocruz Amazônia também teve espaço nesta edição com a matéria sobre a Gestão Eficiente para o futuro com a apresentação do Diagnóstico institucional como marco zero para o planejamento de próximos passos, levado a público durante a Jornada de Pesquisa do ILMD, em 11 de abril deste ano. Um outro fato marcante retratado na revista é a Sessão Especial realizada pela Assembleia Legislativa do Estado em homenagem aos 23 anos do ILMD/Fiocruz Amazônia e Ano Oswaldo Cruz, que foi requerida pelo deputado Luiz Castro.

Os leitores também podem conferir a trajetória de 15 anos de serviços à comunidade da Biblioteca do ILMD, bem como uma reportagem sobre o processo de definição da nova identidade visual do ILMD/Fiocruz Amazônia com o propósito de alinhar estratégia de comunicação ao desenvolvimento institucional.  As ações voltadas para a saúde dos trabalhadores da instituição como a implantação do Programa Circuito Saudável também tiveram espaço editorial garantido nesta edição.

Uma homenagem especial foi registrada nesta primeira edição para o pesquisador Antônio Levino por sua trajetória pessoal e profissional. A publicação traz ainda a notícia de que a pesquisadora Luiza Garnelo é a primeira a conquistar o III Prêmio Fiocruz Mulher de Ciências e Humanidades.

Sessões

A publicação conta com sessões que trazem informações adicionais aos leitores, como o espaço Em campo que tem a proposta de mostrar a cada edição a experiência dos pesquisadores em suas atuações. Nesta edição, a pesquisadora Michele El Kadri, do Laboratório de História Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (Lahpsa), trouxe seu relato intitulado ‘A Ciência presente no lugar ou o lugar presente na ciência?’.

Outra sessão é a Saúde em Nota que traz informações rápidas e objetivas sobre fatos que vão ocorrer ou que vão acontecer na instituição; o Calendário da Saúde divulga a cada edição os principais eventos e datas nacionais relacionadas à temática; Já o Multimídia mostra dicas de documentários, filmes e aplicativos relacionados à saúde; Sua leitura é um espaço voltado para indicações de obras disponíveis na bilbioteca; e Na essência, tem a proposta de compartilhar uma breve trajetória histórica de importantes pesquisadores que impactaram na pesquisa científica voltada a melhoria das condições de vida e saúde da sociedade.

Por Cristiane Barbosa

Imagem: Mackesy Pinheiro

Febres Mayaro e Oropouche

Quase ninguém sabe, mas na Amazônia circulam outros dois arbovírus* que causam transtornos tão incômodos quanto a zika e a dengue. Trata-se do Oropouche e do Mayaro, relacionados, até então, a surtos esporádicos. Os sintomas da infecção por Mayaro e Oropouche podem ser confundidos com outras arboviroses, por este motivo muitos desses casos acabam não diagnosticados. As febres causadas por Oropouche e  Mayaro são pouco conhecidas, mas não incomuns. Pesquisadores e estudiosos do assunto alertam que elas podem representar uma boa parte dos casos que se pensa serem dengue no Brasil e em outros países da América Latina. No Brasil, estes vírus são principalmente encontrados na Amazônia, incluindo Maranhão e Tocantins, com epidemias registradas no Amazonas e no Pará.

Por isso, recentemente, um método de diagnóstico molecular da infecção por esses vírus foi desenvolvido e depositado para registro de patente no Instituto Nacional de Propriedade Industrial (Inpi), por pesquisadores do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILM/Fiocruz Amazônia), facilitando a detecção precisa de que vírus o paciente contraiu.

O objetivo do projeto foi desenvolver e validar estratégias para a detecção dos dois arbovírus emergentes e de importância médica, em especial na Região Amazônica. Especialista nessas arboviroses, o virologista e doutor em microbiologia Felipe Naveca, coordenador responsável pela invenção, disse que a pesquisa levou vários anos até chegar à patente. “Inicialmente este projeto teve financiamento interno do ILMD/Fiocruz Amazônia que nos permitiu acumular know-how com a técnica de PCR em Tempo Real e fazer o primeiro piloto”, explicou.

Posteriormente, houve a aprovação do projeto ‘Desenvolvimento de novas estratégias para detecção molecular de arbovírus emergentes na Amazônia Ocidental’ no âmbito do edital do Programa Primeiros Projetos (PPP/Fapeam), chamada de 2010. “Com este financiamento foi possível aprimorarmos o protocolo e chegar até a versão final”, disse. Entre o primeiro financiamento e o protocolo final foram três anos. Após esse intervalo, o grupo de pesquisa validou o ensaio contra um painel de arbovírus no Laboratório Nacional de Referência para Arbovírus, no Instituto Evandro Chagas (IEC/SVS/MS) e então, foram testadas algumas centenas de amostras clínicas. Em todos esses ensaios ficou demonstrada a eficiência da invenção.

A invenção que foi intitulada ‘Conjunto de oligonucleotídeos e método para o diagnóstico molecular da infecção pelos vírus Mayaro e Oropouche’ já está em uso. O grupo de pesquisadores tem utilizado o protocolo para o estudo de casos humanos suspeitos, mas não confirmados, de dengue, zika e chikungunya, tanto em projetos coordenados por pesquisadores do ILMD quanto em projetos coordenados por pesquisadores de outras instituições parceiras. “Temos novos resultados já obtidos com a utilização do protocolo, os quais foram informados ao Sistema de Vigilância em Saúde e que estão em fase de redação dos artigos científicos. Fomos contactados por algumas empresas que demonstram interesse pela invenção, estamos conversando”, revelou Naveca.

O trabalho também será expandido por meio do projeto ‘Avaliação de fatores epidemiológicos, vetoriais e humanos, ligados à transmissão do vírus Zika e outros arbovírus emergentes ou reemergentes em dois estados da Amazônia Ocidental Brasileira’, aprovado na Chamada MCTIC/FNDCT -CNPq/MEC-CAPES/MS-Decit N. 14/2016 – Prevenção e Combate ao vírus Zika. “Vamos expandir imediatamente a utilização do protocolo para o LACEN Roraima e a UFRR”, comemorou.

Segundo ele, a experiência acumulada durante o depósito do pedido de patente permitiu reavaliar o potencial de outras invenções desenvolvidas pelo nosso grupo. Assim, ele espera em breve ter novos pedidos de patentes, sempre com o foco de inovação para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Equipe do projeto

A bióloga Valdinete Nascimento, doutoranda em Biologia Celular e Molecular do Programa de Doutorado em Ciências – Cooperação IOC/ILMD, contou que iniciou a atuar no projeto como aluna de Iniciação Científica do Instituto (PIC/ILMD), participando de todas as etapas de avaliação, padronização e validação do protocolo desenvolvido. Ela participou durante a etapa inventiva do projeto, do desenho do ensaio, passando pela avaliação de candidatos até a otimização das melhores condições para fazê-lo.

Posteriormente, outras pessoas colaboraram, incluindo o bolsista PFEP do ILMD, Victor Costa de Souza e os pesquisadores do IEC: Bruno Tardelli Diniz Nunes, Daniela Sueli Guerreiro Rodrigues e Pedro Fernando da Costa Vasconcelos. Inclusive todos são co-autores do artigo científico que vai detalhar a invenção e que já foi aceito pela revista Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. O artigo ainda não foi tornado público justamente porque era necessário fazer primeiro o depósito do pedido de patente.

“Além da equipe que trabalhou no projeto gostaria de aproveitar e agradecer a equipe do Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT/ILMD) e da Gestão Tecnológica (Gestec/ Fiocruz). Foram eles que visualizaram o potencial para uma patente na invenção e apoiaram em todas as etapas até o depósito”, pontuou Naveca.

 

Impacto positivo na sociedade

Naveca explicou que existem centenas de arbovírus conhecidos. Destes, mais de 30 foram identificados infectando seres humanos. “Esses números nos mostram que existe o risco de outros vírus se tornarem um importante problema de saúde pública. De fato, a emergência e o avanço epidêmico dos vírus Chikungunya e Zika nos últimos anos é uma prova irrefutável desse risco”, explicou.

Por este motivo, o Sistema de Vigilância em Saúde deve ser dotado de diversas tecnologias, as quais permitam identificar os casos de infecções por vírus emergentes de maneira rápida e confiável. “A invenção em questão se propõe a ser uma nova ferramenta na identificação de casos de febre Mayaro e Oropouche, utilizando uma estrutura já existente nos Laboratórios Centrais dos estados brasileiros”, destacou o pesquisador sobre o impacto positivo que este invento traz a sociedade.

A pesquisadora Valdinete Nascimento também destacou que este trabalho é crucial, visto que as infecções por arbovírus representam importante impacto para a saúde pública, sendo reconhecidos mais de 30 arbovírus que causam doença em humanos. “Os quadros clínicos, em sua maioria são bem semelhantes entre si e podem ser confundidos com outras síndromes febris agudas causadas por vírus ou outros agentes infecciosos. Desta forma, o protocolo desenvolvido permite detectar os vírus Mayaro e Oropouche, possibilitando o diagnóstico da infecção por estes vírus, orientando a tomada de decisão pelo tratamento”, explicou.

Segundo ela, a identificação de casos de infecção pelos vírus em questão, pode ainda orientar estratégias dos serviços de vigilância em saúde. “O protocolo desenvolvido neste projeto consiste em uma ferramenta para o diagnóstico dos vírus Mayaro e Oropouche, desta forma espero que possa ser utilizado em pesquisas que investiguem casos suspeitos de infecção por arbovírus, bem como possa ser utilizado pelos serviços de saúde como uma ferramenta de diagnóstico”, disse ela sobre suas expectativas sobre o novo invento.

Processo de patente

Para patentear uma invenção desta natureza há diversos desafios e fases no processo. O coordenador do Núcleo de Inovação Tecnológica do ILMD/Fiocruz Amazônia, Luís André Mariúba disse que de maneira geral, como o conhecimento sobre propriedade intelectual ainda é muito pouco difundido entre os pesquisadores, encontrar trabalhos que possuam os quesitos mínimos para proteção torna-se uma tarefa mais difícil. “Na Fiocruz, os passos para proteção são: 1. prospecção de produtos pelo Núcleo de Inovação Tecnológica (NIT) do Instituto; 2. a análise de viabilidade patentária pelo departamento de Gestão Tecnológica (Gestec); 3. avaliação pelo Comitê de Patentes (Copat) da Fiocruz; 4. Escrita e depósito da patente”, detalhou.

Mariúba ressaltou ainda que a realização deste depósito é consequência de três anos de trabalho que o NIT/ILMD vem realizando junto a Gestec, e demonstra o amadurecimento da gestão de inovação no Instituto. “Buscaremos agora empresas interessadas por esta tecnologia”, revelou ele.

O gestor informou que a invenção teve o depósito do pedido de patente no início do mês de abril deste ano. O processo desde a prospecção até o depósito levou cerca de nove meses. Este foi o primeiro invento do Instituto que passou por todo o processo dentro da Fiocruz. Os maiores desafios foram a identificação do potencial deste invento para ser protegido, assim como o tempo até o fim do processo, que contou muito com a compreensão dos pesquisadores visto as necessidades de várias análises e cuidado na elaboração do documento final.

O coordenador do NIT/ILMD informou ainda que há outros produtos na Fiocruz Amazônia em processo de patente, porém não podem ainda divulgar até o fim da análise de viabilidade patentária e o depósito dos novos pedidos de patentes.

“Estamos atualmente formalizando parceria com algumas empresas para a realização de projetos utilizando as tecnologias desenvolvidas em nosso centro, temos mais três produtos em análise de viabilidade patentária e realizamos constantemente o monitoramento de tecnologias do instituto”, frisou.

Mariúba disse também que a instituição está buscando disseminar a cultura da propriedade intelectual, inovação e empreendedorismo. “O NIT/ILMD organiza anualmente um Workshop de Inovação, o qual sua terceira versão será realizada no dia 29 de junho”.

 

Saiba mais sobre os sintomas

Os sintomas dessas doenças são muito semelhantes. Assim como a Dengue e Zika vírus, a Oropouche e a Mayaro apresentam febre, calafrios, manchas e dores musculares, nas articulações e de cabeça, o que acaba contribuindo para que os doentes sejam diagnosticados erroneamente. Ou seja, só baseado nesses sintomas não há como ter precisão sobre qual vírus acometeu o paciente.

Isso pode influenciar inclusive no aumento de casos suspeitos de Dengue, Zika e Chikungunya.

Naveca destaca que todas essas doenças são difíceis de ser acompanhadas porque não há muito conhecimento sobre esses vírus. Também não há pesquisas sobre eles, ou seja, há pouca informação sobre zika vírus, Oropouche e Mayaro. Outra questão é o fato de que nem todo mundo que é infectado apresenta os sintomas.

 

Mayaro e Oropouche

 

A vírus Mayaro é transmitido pelo mosquito Haemagogus janthinomys, que também transmite o vírus da febre amarela. O vírus Oropouche tem como principal transmissor o maruim (Culicoides paraensis), também conhecido como mosquito-pólvora ou borrachudo. Os maruins são normalmente encontrados em áreas ribeirinhas, mangues, regiões alagadas, por isso a Amazônia é o “celeiro” deste tipo de vírus.

Apesar de o transmissor não ser o Aedes aegypti, as febres causam dores no corpo, na cabeça e podem facilmente ser confundidas com dengue, zika ou chikungunya. O tratamento para ambos é o mesmo, tendo em vista que, como não há drogas específicas, os médicos tratam os sintomas. O importante é procurar uma unidade de saúde o mais rápido possível.

“O ideal é até cinco dias quando é mais fácil detectar o vírus causando a doença, utilizando a abordagem da biologia molecular. Depois disso, existem testes sorológicos para detecção de anticorpos contra dengue, chikungunya e zika, mas ainda não existe disponibilidade comercial para os vírus Oropouche e Mayaro, sendo este somente sendo realizado em poucas instituições de pesquisa, informou Naveca.