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Negócio inovador: empreendedor fala sobre sua trajetória e apoio da Fapeam

Jorge Carlos Seco - Warabu- Fotos Erico X-203

O fomento à tecnologia e o empreendedorismo inovador para fortalecer o ecossistema de inovação faz parte de uma das linhas de ação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). O empreendedor Jorge Carlos Seco Neves sabe como esta modalidade tem beneciado pessoas no Amazonas e contribuído para alavancar negócios inovadores no Estado. Ele teve dois projetos aprovados no Programa de Subvenção Econômica à Inovação Tecnológica em Micro e Empresas de Pequeno Porte – Tecnova/AM, edital N°025/2013, e no  Programa de Apoio à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Microempresas e Empresas de Pequeno Porte na Modalidade Subvenção Econômica (Pappe Integração), edital N°007/2017, ambos executados pela Fapeam em parceria com a Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep),

Nascido em Portugal, Jorge mora há 12 anos em Manaus, e iniciou no ramo de panificação portuguesa na feira da Eduardo Ribeiro, no centro. Mas, foi com produtos elaborados a partir de insumos da floresta amazônica que viu a oportunidade de inovar no mercado e expandir seu negócio.

Em entrevista para a equipe de comunicação da Fapeam, o empresário conta como foi sua trajetória, importância do fomento da Fapeam e dicas para quem pretende empreender. Boa leitura!

Como iniciou sua trajetória profissional e o interesse em empreender?

Em 2010, criei a empresa Sabores de Tradição, em Manaus. O impacto do empreendedorismo no mundo inteiro era grande, principalmente no que se refere às mudanças no mercado, que se tornou mais competitivo. Resolvi ingressar no setor alimentício, usando uma grande variedade de frutas, raízes, sementes e ervas da Amazônia, que não existem em qualquer lugar do mundo, e as incorporando em novos produtos como, por exemplo, com um chocolate amazônico, orgânico, sustentável, respeitando e valorizando as comunidades da floresta.

Quando iniciou sua relação com a Fapeam?

Minha relação com a Fapeam iniciou 2015 com um projeto submetido pelo programa Tecnova/AM  chamado “Pães Inovadores com insumos Amazônicos e funcionais”, cuja finalidade é utilizar produtos feitos a partir das fibras do caroço do açaí e do ouriço da castanha como opções para dietas alimentares de pessoas com restrição a glúten, lactose ou gordura. Em 2018 iniciei outro projeto que está em andamento chamado “Warabu Bean To Bar Chocolate da Floresta Amazônica”, do Pappe Integração. A proposta tem o objetivo de inovar na produção de barras de chocolate usando matéria-prima da região com extratos naturais de frutas como, por exemplo, camu-camu, açaí, mangarataia, guaraná, puxuri, cumaru, entre outros.

Atualmente onde funciona sua empresa e de que forma seus produtos são disponibilizados para o mercado?

A empresa está localizada no Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial (Cide). Nós atendemos clientes aqui, mas queremos expandir, por isso estamos na fase de pré-lançamento de lojas gourmet em Shoppings .

Seus produtos são comercializados  em outras cidades do Brasil? 

O projeto tem como objetivo comercializar os produtos para os Estados Unidos, União Europeia e também cidades do Brasil, ainda não está em prática devido o processo de certificação ser demorado e burocrático.  A  venda de produtos está sendo feita somente em Manaus, por enquanto.

Como você avalia a importância da Fapeam para o incentivo ao empreendedorismo de inovação em nosso estado?

Comparo a Fapeam como uma flecha em direção ao alvo, pois gera resultados expressivos para o desenvolvimento da nossa região e até de nosso País, devido o incentivo para empreendedores trabalharem com os próprios recursos do Estado, valorizando assim a Amazônia.

Para finalizar nossa conversa, qual dica você pode deixar para quem pretende iniciar o empreendedorismo inovador?

Procurar por informações sobre programas de empreendedorismo, analisar órgãos que ajudem na iniciação empresarial, estudar o governo atuante, sempre trabalhar hoje, porém, pensando no amanhã. É importante participar de palestras e congressos que falem sobre empreendedorismo e conseguir parcerias promissoras.

Por: Jessie Silva

Fotos: Érico Xavier

 

 

 

 

 

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Campanha Janeiro Branco enfatiza a importância dos cuidados com a saúde mental

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A Campanha Janeiro Branco tem como principal objetivo discutir a saúde mental. A escolha do primeiro mês do ano foi pensada porque normalmente, o início do ano, costuma ser um período de reflexão sobre o desejo tanto de cumprir metas quanto repensar as metas que não foram alcançadas no ano anterior como, por exemplo, cuidar da saúde e melhorar o estilo de vida.

Para falar sobre o assunto o Portal da Fapeam conversou com o médico psiquiatra, Rozenval Levinthal. Boa leitura!

 Fapeam: Qual o principal objetivo da Campanha Janeiro Branco?

Rozenval Levinthal: É alertar, dar visibilidade e conscientizar a sociedade sobre as questões relativas à saúde mental e, o impacto dessas questões na vida cotidiana das pessoas. Até bem pouco tempo a saúde mental era relegada a último plano como uma doença silenciosa, em que as pessoas sofriam e eram praticamente invisíveis. Com a mobilização, especialmente dos profissionais da área de saúde mental (psicólogos, psiquiatras, assistentes sociais e etc.), a situação veio à tona e, hoje a doença mental é muito mais discutida e valorizada que algum tempo atrás. Estamos saindo dessa área de invisibilidade e nos tornando mais visíveis. A prevalência das doenças mentais está aumentando muito, aliás, as doenças e os transtornos mentais serão considerados na próxima década como os males mais prevalentes do ser humano.

Fapeam: Por que as doenças mentais serão mais prevalentes?

R.L: Um das causas é principalmente porque melhoraram as condições de diagnóstico. Hoje, as pessoas procuram mais os serviços de atendimento, não têm tanta vergonha de se expor e buscarem tratamento. A outra causa são as condições de vida, trabalho e pressão social que se tornaram maiores atualmente. As pessoas estudam, trabalham, têm que sustentar a família, tem a questão dos relacionamentos e, tudo isso gera muita pressão social. As pessoas são muito mais cobradas e, muitas vezes elas não têm mecanismos compensatórios e, acabam desenvolvendo a doença ou o transtorno mental.

Fapeam: O que são esses mecanismos compensatórios?

R.L: São processos mentais que a maioria das pessoas tem para evitar o adoecimento. A resiliência, por exemplo, que é capacidade de resistir às pressões e, se manter ativo apesar das contrariedades, isso varia muito de pessoa para pessoa. Por exemplo têm pessoas com mais facilidade para superar problemas até mesmo sem ajuda, outras pessoas adoecem mais facilmente. Isso, provavelmente é devido a questões genéticas, a vulnerabilidades sociais, questões relacionadas à infância, relações sociais desde o nascimento, se houve traumas. Na verdade é uma questão muito complexa, mas o fato é que algumas pessoas têm mais susceptibilidade ao adoecimento mental que outras, especialmente se ela já tem componentes genéticos e históricos de doença mental na família.   

Fapeam: Quais são as doenças mentais?

R.L: Primeiro é preciso fazer uma diferença entre doença mental e o transtorno mental. O conceito em si de doença significa uma patologia, nesse caso, uma alteração na saúde mental. Podemos citar alguns exemplos de doenças mentais: transtorno bipolar, depressão, transtorno obsessivo compulsivo, transtorno do estresse pós-traumático e a esquizofrenia, esta última é uma doença mental que tem causas e sintomas bem conhecidos e estabelecidos. Nós conhecemos os fatores que levam a essa doença, como a história genética, sinais, sintomas e tratamento. Por isso, hoje o diagnóstico de esquizofrenia é muito mais seguro e, dependendo do grau da doença: leve, moderado ou grave ela pode ser incapacitante para o paciente. A doença mental uma vez estabelecida, na maioria das vezes é incisiva, discriminatória e incapacitante, tem o tratamento, mas não tem cura. Já o transtorno mental, geralmente, tem uma incidência menos incapacitante e, é uma alteração que pode ou não ser passageira, é normalmente pontual como, por exemplo, transtorno de ansiedade que pode está relacionado a certo episódio na vida de uma pessoa e, que causa sofrimento mental. Após o tratamento medicamentoso ou psicoterápico, geralmente, a pessoa tem cura, outras vezes o transtorno persiste por mais tempo. Mas tanto as doenças quanto os transtornos mentais levam a pessoa ao sofrimento.

Fapeam: Por que a escolha do mês de janeiro para tratar sobre saúde mental?

R.L: Normalmente como é o início do ano as pessoas se propõem a cumprir metas e, dentre essas metas está geralmente cuidar da saúde e melhorar o estilo de vida. Quando vira o ano é uma nova oportunidade de vida, das pessoas reverem as suas prioridades na tentativa de fazer com que elas priorizem a saúde mental. Então, a campanha é para conscientizar e aproveitar essa empolgação e motivação das pessoas para correr atrás do tratamento. A cor branca é significativa porque ela expressa uma folha em branco para você reescrever a sua vida, uma oportunidade de repensar, de mudar a sua trajetória, de mudar o seu estilo de vida. Simbolicamente entregando uma folha em branco para que você reescreva a sua história.

Fapeam: Para quem a campanha é direcionada?  

R.L: É direcionada não somente para os pacientes, mas especialmente para as pessoas que estão ao redor deles, como os familiares, os amigos e a população em geral para chamar atenção para o sofrimento muitas vezes silencioso dessas pessoas. O paciente tem vergonha, medo de falar aquilo que ele está sentindo e ser discriminado. Os próprios amigos às vezes minimizam o problema, com convites para sair, se divertir, ir a festas, isso acaba oprimindo a pessoa que está em sofrimento de modo que ela tende muitas vezes a acreditar que isso é passageiro e vai retardando o diagnóstico e o tratamento.   

Fapeam: Em que momento se deve começar a preocupação e a cuidar da saúde mental?

R.L: Todos nós deveríamos ser estimulados a fazer uma avaliação sobre nossas condições psicológicas, especialmente, os profissionais que lidam com a saúde mental (psiquiatras, psicólogos, assistentes sociais e etc). O trabalho dessas pessoas é muito estressante porque exige muita dedicação ao lidar com o sofrimento crônico de outras pessoas. Nós que somos trabalhadores da saúde mental precisamos parar e olhar para a nossa vida e ver o que nós estamos fazendo, tendo jornadas estressantes, plantões em cima de plantões, isso acaba adoecendo os profissionais da saúde mental. Então para essas pessoas especificamente é preciso começar a se questionar e muitas vezes consultar outro profissional.

Fapeam: Qual a importância dessa conscientização?

R.L: A maioria das pessoas ao tratar o assunto acaba minimizando, ou seja, as pessoas não priorizam o atendimento à saúde mental, às vezes só buscam tratamento quando o quadro já está estabelecido, esquecem fundamentalmente a prevenção que na maioria das vezes é relativamente simples. Quando a pessoa começa a sinalizar um problema é o momento da pessoa parar e buscar ajuda, ou pelo menos, procurar olhar para dentro de si e projetar as perspectivas, será se eu tenho condições de melhorar a minha vida, será se isso não vai causar problemas no futuro?

Fapeam: Onde se deve procurar ajuda especializada para que se defina a melhor rota terapêutica?

R.L: Unidades Básicas de Saúde (UBS) Unidade de Saúde da Família, Centros de Atenção Psicossocial (Caps), Policlínicas e Hospital Psiquiátrico Eduardo que atende casos de urgência e emergência.   

 Por: Helen de Melo

 

 

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Saúde do homem: prevenção do câncer de próstata

Dr. Cristiano Paiva - Fotos Érico Xavier-24

Dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca) aponta 580 novos casos de câncer de próstata por ano. A Sociedade Brasileira de Urologia (SBU) recomenda que os homens iniciem a avaliação do risco de câncer da próstata a partir dos 50 anos. Há dois grupos que devem iniciar o rastreio aos 45 anos: homens com histórico da doença na família e negros. Os exames de rastreio são o toque retal e o exame de sangue, o PSA. De janeiro a setembro de 2019, o serviço de Urologia da Fundação Centro de Oncologia do Amazonas (FCecon) realizou 2.587 consultas urológicas.

Para falar sobre o assunto a equipe de comunicação da Fapeam conversou com o médico urologista, Cristiano Paiva, da Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (Fcecon). Na entrevista, Paiva fala sobre o câncer de próstata e as formas de prevenção. Boa leitura!

Qual a função da Próstata?

É uma glândula do órgão reprodutor masculino que tem função específica que é a de produzir o líquido prostático que na idade reprodutiva do homem, normalmente antes dos 40 anos, protege e nutre os espermatozoides.

E depois dos 40 anos qual a função da próstata?

Depois dos 40 anos gera apenas problemas de saúde, ou ela vai crescer de uma forma benigna que seria a hiperplasia, ou vai ocasionar o câncer de próstata que pode levar o indivíduo ao óbito.

Como o câncer se desenvolve?

Desenvolve quando ocorre crescimento e reprodução anormais de células da glândula. Na verdade são vários fatores que contribuem para o desenvolvimento do câncer, são os genéticos, familiares, ambientais, raça, os negros têm mais chance de ter câncer de próstata, os indivíduos obesos não só têm mais chance como se torna mais agressivo, os indivíduos sedentários, quem consome muito açúcar, gordura e carne vermelha também tem chance de ter o câncer. A vitamina D é um fator importante que protege contra o câncer de próstata. Atualmente, há diversas formas de obter a vitamina.

O câncer de próstata é o mais comum nos homens?

O câncer começa surgir após 40 anos, mas existe um tipo específico de câncer chamado sarcoma que ele atinge indivíduos com menos de 40 anos, um câncer muito agressivo, mas geralmente o câncer de próstata é depois dos 40 com pico de incidência entres os 50 e 65 anos.

Existem sinais e sintomas do câncer de próstata?

No início o câncer de próstata ele é assintomático. Por exemplo, numa próstata normal o canal da urina passa no meio da próstata, quando o indivíduo tem câncer não fica no meio, mas sim fora da próstata. Logo, não tem sintoma, só há sinais quando o indivíduo já está com a doença em estágio avançado.

Quais os exames indicados para investigar o câncer de próstata?

Quando a pessoa for fazer uma campanha de detecção o certo é fazer o toque retal, que permite ao médico palpar a próstata e perceber se há nódulos (caroços). Isso ainda é um fantasma na cabeça dos homens. Outro exame importante é o PSA, que é um exame de sangue. O mais indicado é associar os dois exames, pois a chance de se ter algum tipo de diagnóstico supera 95%.

A partir de que idade o homem deve começar a fazer exames periódicos?

O ideal é que a partir dos 50 anos todo homem faça exames periódicos anualmente, para o diagnóstico precoce do câncer de próstata. Entretanto quem já teve familiares com esta doença deve antecipar a avaliação periódica a partir  dos 40 anos.

Por que as pessoas da raça negra têm maior probabilidade?

É o caráter genético, existem alguns cromossomos relacionados ao câncer de próstata e também existem sondas que fazem a correção para que não desenvolvam em pessoas negras. Mas, essas sondas são em pequeno número e há possibilidade de também vir defeituosas, o que torna um risco maior de desenvolver este tumor.

Quais medidas de prevenção do câncer de próstata?

Perder peso, evitar o sedentarismo, comida industrializadas (sanduíche, refrigerante, enlatados), churrasco, checar os níveis de vitamina D que protege contra o câncer de próstata, reposição de vitamina C, evitar fumar, aumentar consumo de saladas, frutas, leite soja, chá verde somar as atividades físicas corrida, musculação e caminhada.

Como você avalia a importância da Campanha Novembro Azul?

Muitas vezes o homem não vai ao urologista por falta de informação e oportunidade, um grande exemplo são as campanhas que realizamos nos hospitais de 100 homens atendidos sabe qual era a fala de todos? O motivo era que não tinha campanhas como essas durante o ano todo ou que o acesso ao urologista é tão difícil. Esses são os comentários que mais ouvimos durante as campanhas, ou seja, é falta de acesso e oportunidade e essas campanhas devem sempre ser estimuladas e encorajadas, não só apenas no mês de novembro, mas durante vários momentos ao longo do ano, por meio das secretarias de saúde.

Por: Jessie Silva

Fotos: Érico Xavier

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Presidente da SBPC concede entrevista à Fiocruz Amazônia

Em entrevista à Fiocruz Amazônia Revista, Ildeu Moreira de Castro, presidente da SBPC, falou sobre a redução e contingenciamentos de recursos que atingem a área de Ciência, Tecnologia e Inovação. O gestor falou ainda sobre o papel da ciência, sobre questões da Amazônia e as estratégias da entidade para fortalecer a Divulgação Científica no Brasil.

CONFIRA A ENTREVISTA:

Professor e pesquisador do Instituto de Física da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Ildeu Moreira de Castro assumiu em julho de 2017 mais um desafio importante em sua extensa carreira: comandar a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

A entidade foi criada em 1948 e se dedica ao avanço científico, tecnológico, do desenvolvimento educacional e cultural do País, agregando 127 sociedades científicas associadas de todas as áreas do conhecimento. Em entrevista exclusiva à Fiocruz Amazônia Revista, Ildeu falou sobre a trajetória de sete décadas da SBPC e os principais desafios que a comunidade científica enfrenta.

Nesse sentido, ele manifestou preocupação com a redução e contingenciamentos de recursos que atingem a área de Ciência, Tecnologia e Inovação. “O corte atinge a sociedade em vários aspectos. Primeiro, porque hoje a ciência e tecnologia é cada vez mais um elemento fundamental para as nações”, pontuou.

O gestor falou também sobre os seminários temáticos promovidos por todo o País com assuntos voltados para o desenvolvimento social, educacional e científico. Tratou ainda do papel da ciência sobre questões da Amazônia e as estratégias da entidade para fortalecer a Divulgação Científica no País.

Fiocruz Amazônia Revista – A SBPC completou 70 anos, em 2018. Foram muitos desafios, dificuldades e também conquistas e vitórias em prol da ciência e da sociedade. Como o senhor avalia a atuação da instituição para o avanço das discussões e políticas científicas no País e, sobretudo, quais as perspectivas para o futuro considerando a crise política e institucional que enfrentamos?

Ildeu Castro – Em primeiro lugar, a SBPC tem sete décadas de atuação muito intensa na ciência, na educação e na democracia do País e essa história, de certa maneira, é paralela ao crescimento da ciência brasileira nas últimas décadas. A entidade, desde seu início, batalhou muito pela criação das instituições de pesquisa e das agências de fomento e ainda na sua criação ela estava batalhando pela continuidade das pesquisas de São Paulo.

Ela já nasceu sob esse simbolismo pela ciência brasileira. Logo no início participou da luta pela criação do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), de Anísio Teixeira, grande criador da Capes que foi presidente da SBPC.

Atualmente, estamos vivendo um momento de resistência, de desmonte, portanto muito difícil do ponto de vista de uma política que não valoriza a ciência e tecnologia e tem reduzido muito os recursos para o investimento, atingindo profundamente agências fundamentais como o CNPq, a Capes, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), as agências de inovação. Por isso temos feito inúmeras manifestações junto ao governo, junto ao Congresso Nacional, fizemos abaixo assinado, Marcha pela Ciência, para colocar isso para a população. Fomos ao Congresso Nacional várias vezes.

Nesses últimos anos, passamos a ter atuação ativa no Legislativo, acompanhamos projetos de lei. A entidade tem se posicionado em várias situações junto ao Legislativo. O segundo ponto é essa questão dos recursos que foram diminuídos drasticamente, temos discutido com os presidenciáveis, alguns deles já se comprometeram com esses pontos e estamos insistindo com outros, inclusive deputados e senadores para que haja uma reversão de redução drástica para ciência e tecnologia.

Vínhamos numa ascensão de 2013, depois começou cair de uma maneira muito abrupta. De fundo temos uma bandeira da SBPC de mais de 20 anos que é 2% no mínimo do PIB para Pesquisa & Desenvolvimento. Na Europa já está chegando em 3% em média, a Coréia está nos 4%, China nos 3%, Estados Unidos e Alemanha também. E no Brasil está patinando no 1% há muitos anos então a gente está insistindo que essa é uma meta importante para os próximos governos e isso significa envolver muito mais a iniciativa privada em recurso para P&D, como acontece em outros países do mundo.

No Brasil, não, pois é o recurso público que arca fundamentalmente com boa parte dos gastos com ciência, inovação pesquisa e desenvolvimento. Esse é um desafio. O terceiro é a questão da burocracia, vivemos num país com burocracia excessiva, regras demais, os gestores, pesquisadores são considerados culpados, a priori, parece que você é culpado, então você tem que provar que não é. Enquanto que no mundo inteiro, como exemplo a Coréia e China, que estão crescendo rapidamente isso não acontece. Também outros países, como Alemanha, França, EUA, Inglaterra, que tem uma condição mais livre de ciência, de troca, de compra de equipamentos, muito menos restrições o comportamento em relação aos pesquisadores é diferente do Brasil.

A falta de ambiente para desenvolver empresas inovadoras no país é um problema e a burocracia é evidentemente um entrave muito grande, a educação básica de qualidade, formação de técnicos, pessoal qualificado é outro problema, já mencionei inclusive, então, esses são desafios. Talvez um desafio maior é a falta no país de um projeto que faça com que a comunidade científica trabalhe em um nicho, claro que a ciência é importante, que ela tem liberdade e pesquisa em várias áreas, mas compete ao estado definir linhas mobilizadoras prioritárias para alocar recursos de ciência e tecnologia.

Todos os países do mundo fazem isso, colocam prioridades, fazem planos. EUA, China fazem planos décadas a frente. Poderia te elencar meia dúzia de desafios pela frente. Um deles é melhorar a educação pública do Brasil, a educação básica e em particular a educação científica. Tem uma proposta sendo discutida no CNE (Conselho Nacional de Educação) de Base Comum Curricular que é muito deficiente do ponto de vista da ciência.

Então nós estamos lá, discutindo, criticando, brigando para que jovens tenham acesso a ciência de uma maneira interessante, temos que melhorar muito a educação que está muito ruim em relação ao ensino médio, na educação científica que não pode fazer de uma maneira apressada que joga fora a criança do colo da mãe, é o desenho que está colocado lá, então esse é um desafio muito grande: melhorar a educação básica brasileira, isso é importante para a ciência para a tecnologia e para o país como um todo.

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Fiocruz Amazônia Revista, por Cristiane Barbosa
Foto: Divulgação.