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Pesquisadores isolam leveduras com potencial para produção de cerveja no Amazonas

A primeira cerveja com leveduras regionais é produzida no Amazonas. A fabricação foi feita a partir da fermentação de leveduras isoladas de três espécies de frutos nativos da região amazônica: o araçá-boi, o cacau e o cupuaçu. A produção pode agregar novas características como, por exemplo, sabores e aromas à bebida.

Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), os pesquisadores isolaram linhagens de leveduras, principais responsáveis pela fermentação alcoólica, com potencial para serem utilizadas na produção artesanal e industrial de cerveja.

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O projeto “Diversidade genética de saccharomyces cerevisiae isolados de frutos amazônicos com a finalidade de uso na produção de cerveja” é resultado da dissertação de mestrado do pesquisador Luan Honorato, e desenvolvido no laboratório de Micologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e amparado pelo Programa Institucional de Apoio à Pós-Graduação Stricto Sensu (Posgrad).

Segundo o pesquisador, apesar dos frutos serem considerados o nicho de S. cerevisiae, não há relatos na literatura, até o desenvolvimento dessa pesquisa, sobre a utilização de isolados de frutas tropicais no setor cervejeiro.

Preparo cerveja

O pesquisador Luan Honorato fazendo o preparo da cerveja.

 

Sendo assim, tendo em vista a biodiversidade dos frutos amazônicos, a intenção foi produzir uma cerveja de boa qualidade, com características diferenciadas das convencionais, e ao mesmo tempo agradável ao paladar, não somente de degustadores treinados em avaliar a bebida, mas também dos demais consumidores do produto, criando dessa forma um caminho para novos estilos de cerveja, capazes de estimular o desenvolvimento da bioeconomia regional.

Produção

Atualmente, há quatro grandes escolas cervejeiras que servem como padrão para a elaboração de receitas. Essas escolas remetem a países que possuem tradição neste setor (Alemanha, Bélgica, Inglaterra e Estados Unidos da América). Assim, cada escola possui características próprias que por sua vez selecionaram leveduras aptas a serem utilizadas em seus estilos.

Nos últimos anos o mercado de cerveja tem aumentado em todo o país. Em cinco anos o número de microcervejarias mais que duplicou, estas são as que mais produzem cervejas especiais, de estilos diferentes das “Pilsens” encontradas com maior frequência no comércio.

As “Pilsens” são, em sua maioria, do estilo Standard american lager que é uma cerveja de corpo leve, clara e com perfil de aromas mais suaves. Cervejas artesanais geralmente são “Ales” que possuem sabores mais expressivos, oriundos de malte mais tostado, do lúpulo gerando amargor, e da levedura trazendo centenas de compostos aromáticos.

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A intenção foi produzir uma cerveja de boa qualidade com características diferenciadas das convencionais.

 

De acordo com Luan Honorato, apesar de o Brasil ser um dos maiores produtores de cerveja do mundo, é importante agregar valor ao produto nacional, inovando na produção e criando estilos que coloquem o país no patamar das grandes escolas. Hoje, a Catharina sour é o único estilo brasileiro de cerveja reconhecido pelas agências reguladoras e ainda continua a importar grande parte dos seus insumos.

Por isso, Luan pretende comercializar as leveduras tanto com as cervejarias quanto com produtores caseiros de cerveja.

 

cerveja foto destaque

Nos últimos anos o mercado de cerveja tem aumentado em todo o país.

 

Para a orientadora do projeto, Érica Simplício, o resultado do trabalho é importante por ser o único em Manaus a estudar a microbiologia de cerveja, com o isolamento da primeira levedura da região para fazer cerveja, e sem a presença dos microrganismos, as cervejas não ficam prontas.

Cerveja

A cerveja se consolidou uma das bebidas alcoólicas mais consumidas no mundo, e é composta principalmente por água, malte, levedura e lúpulo. 

POSGRAD

O Programa consiste em apoiar, com bolsas de mestrado, doutorado e auxílio financeiro, as instituições localizadas no estado do Amazonas que desenvolvem programas de pós-graduação Stricto Sensu credenciados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier e Caio Alencar

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Insumo retirado da casca do cupuaçu oferece alternativa sustentável para indústria Amazonas

Polímeros são materiais orgânicos, macromoléculas formadas pela união de unidades estruturais menores (chamados de monômeros). Conhecido, popularmente, como plásticos, os polímeros também podem ser representados pelas borrachas e outros tipos de polímeros que são encontrados na natureza, como, por exemplo, amido, celulose, lipídios e proteínas.

Pesquisa científica, com fomento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), desenvolvida pelo doutor em Ciência e Engenharia de Materiais, Rannier Mendonça, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), teve como objetivo identificar compostos orgânicos presentes na casca do cupuaçu (Theobroma grandiforum), fruto típico da região, para efeito de retardamento de cura do poliéster, para futuramente serem utilizados comercialmente como retardantes “verdes”.

Segundo o pesquisador, o poliéster é muito utilizado na indústria automobilística e naval para a confecção de peças e cascos de embarcações. Alguns desses produtos possuem dimensões ou geometrias que necessitam de um tempo maior de manuseio da resina (polímero no estado líquido antes do processo de endurecimento), sendo necessário adicionar um insumo químico chamado de retardante de cura, conforme explica Rannier.

Rannier Marques Mendonça - UFAM_-19 (1)

A ideia da pesquisa foi entender como a casca do cupuaçu reage quimicamente com a resina poliéster insaturada, retardando esse endurecimento. “Ao adicionar a casca de cupuaçu na resina poliéster insaturada, a mesma demorou a finalizar o processo de cura, o que nos levou a investigar o motivo. A cura do polímero trata-se dos processos reacionais entre os componentes poliméricos (chamados de monômeros), que, depois de seu total consumo e formação de novas ligações químicas, possibilita que esse polímero permaneça no estado físico sólido,” contou.

Alternativa sustentável – Conforme o pesquisador, os principais retardantes utilizados hoje são materiais tóxicos e gerados de fontes não renováveis, além de serem muito caros. Com o projeto, além de oferecer uma nova alternativa para a indústria com o insumo mais barato, sem riscos ao operador e de fontes renováveis também garante a geração de emprego e renda para as comunidades produtoras de cupuaçu, que desperdiçam a casca do fruto.

Rannier Marques Mendonça - UFAM_-11

“Normalmente, a casca é jogada em aterros sanitários, poluindo o meio ambiente, ou transformada em adubo. Ou seja, não existe valor econômico algum. Com a comprovação desse trabalho, foi possível incorporar valores tecnológicos que permitem que um produto descartado possa ser revertido como algo de valor, portanto gerando renda aos produtores”, conta o pesquisador.

O retardante de cura é um tipo de inibidor que prolonga o tempo de trabalho do polímero antes de entrar no estado de gel. Na resina poliéster, o retardante tem a propriedade de doar um átomo de hidrogênio para a reação, diminuindo a concentração de radicais livres gerados pelo catalisador. Portanto, desacelerando, inicialmente, as uniões entre os meros.

Universal Amazonas – O estudo recebeu apoio por meio do Programa Apoio à Pesquisa (Universal), que tem como objetivo conceder aporte financeiro para atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, em todas as áreas de conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento do Amazonas.

Por Jessie Silva

Fotos: Érico Xavier

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Pesquisa aponta meios para combater pragas e doenças no cultivo do cupuaçu no Amazonas

 

Pesquisadores desenvolveram um estudo que aponta estratégias de manejo de pragas e doenças nos plantios de cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum) no Amazonas. A pesquisa indica que para a sustentabilidade do cultivo dessa frutífera são necessárias algumas medidas como, por exemplo, boas práticas agrícolas e capacitação de técnicos, agricultores e produtores rurais do Estado.

Desenvolvida em unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Amazonas, Rondônia e Brasília, Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac AM e RO) e áreas de produtores, a pesquisa conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Consolidação das Instituições Estaduais de Ensino e/ou Pesquisa (Pró-Estado) edital Resolução N. 002/2008.

Aparecida das Graças Claret de Souza explica que a pesquisa teve foco na vassoura-de-bruxa e no inseto-praga.

A coordenadora do projeto, Aparecida das Graças Claret de Souza, explica que a pesquisa teve foco em dois dos principais problemas fitossanitários: a doença conhecida como vassoura-de-bruxa e o inseto-praga popularmente conhecido como broca-do-fruto, que atacam as lavouras de cupuaçuzeiros e causam prejuízos e perdas ao plantio.

“O cupuaçuzeiro é uma cultura geradora de renda aos agricultores, que geralmente comercializam o fruto inteiro, a polpa congelada ou mesmo iguarias como balas, tortas, bolos, biscoitos, sucos e cremes. Porém, os produtores perdem em competitividade, pois normalmente cultivam o cupuaçuzeiro sem as práticas tecnológicas recomendadas” explicou.

vassoura-de-bruxa

A vassoura-de-bruxa é uma doença causada pelo fungo Moniliophtora perniciosa.

A pesquisadora informa que as larvas do inseto-praga, broca-do-fruto, se desenvolvem no interior do cupuaçu, e consequentemente os frutos ficam impróprios para o consumo, para a comercialização e causam perdas na produção e na renda do produtor.

larvas

As larvas do inseto-praga, broca-do-fruto, se desenvolvem no interior do cupuaçu.

Já o outro problema agrícola muito comum é a vassoura-de-bruxa, uma doença causada pelo fungo Moniliophtora perniciosa, que tem gerado mais de 70% de perda na produção de cupuaçu em muitas áreas de plantios no Amazonas.

Para Aparecida boas práticas de manejo podem mitigar esses problemas agrícolas, bem como evitar que se alastrem em uma área de cultivo.

“Se um produtor não toma nenhuma medida para o controle da broca-do-fruto e da vassoura-de-bruxa, não somente o plantio dele ficará prejudicado, mas o plantio dos vizinhos também”, disse.

Resultados

O estudo apontou que somente 25% dos agricultores fazem a poda fitossanitária da vassoura-de-bruxa e, na grande maioria, os plantios são tomados pela doença, acarretando perdas. Verificou-se também a incidência da broca-do-fruto que foi encontrada em 65% das propriedades, causando perda em torno de 60% da produção. Portanto, é importante realizar pesquisa envolvendo todo o sistema de produção e levar conhecimento para o produtor, visando melhoria no cultivo dessa espécie frutífera.

De acordo com a pesquisadora o estudo contribuiu para o uso de métodos inovadores, para o controle de pragas e doenças, menos prejudiciais ao meio ambiente e que contribuem para o desenvolvimento do sistema de produção do cupuaçuzeiro sustentável.

O projeto capacitou 485 participantes entre técnicos da extensão rural, agricultores e produtores por meio de cursos administrados de forma prática, para que o produtor entendesse a importância das boas práticas agrícolas no manejo de pragas e doenças e consequentemente no aumento da produtividade dos cupuaçuzeiros.

Cartilha

O projeto resultou no lançamento de duas cartilhas sobre boas práticas agrícolas na cultura do cupuaçuzeiro. As publicações têm o objetivo de ajudar o produtor a combater tanto a broca-do-fruto quanto a vassoura-de-bruxa, que afetam a cultura do cupuaçu na região Norte e causam prejuízos e perdas para agricultores. As informações devem auxiliar no aumento da produtividade daqueles que cultivam o cupuaçu no Amazonas.

O projeto de desenvolvimento da cultura do cupuaçuzeiro no Amazonas abrangeu ações integradas entre a pesquisa, a extensão e os agricultores.

As cartilhas podem ser acessadas aqui.

Boas práticas agrícolas da cultura do cupuaçuzeiro: broca-do-fruto.

Boas práticas agrícolas da cultura do cupuaçuzeiro: vassoura-de-bruxa.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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