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Fiocruz Amazônia recebe “Vampirão” durante campanha de doação de sangue

Nesta quinta-feira, 12/9, o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) recebeu na Praça Sergio Arouca, a presença do Vampirão – unidade móvel da Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam). Servidores, pesquisadores, bolsitas e colaboradores participaram da atividade coordenada pelo Laboratório Território, Ambiente, Saúde e Sustentabilidade (LTASS/ Fiocruz Amazônia) em parceria com o Hemoam.

MANTER OS ESTOQUES

A campanha tem o objetivo de colaborar com a manutenção dos estoques de sangue da Fundação, que atende toda a rede de saúde pública e privada da capital e interior do Amazonas e, no período do Carnaval, costuma registrar aumento de demanda.

O sangue doado ajuda pessoas que necessitam repor o sangue perdido em cirurgias, hemorragias ou acidentes. Há, ainda, as que necessitam receber sangue regularmente, como é o caso dos pacientes, incluindo crianças e adolescentes, que sofrem de câncer no sangue (leucemia e linfoma) e os portadores de anemias graves e hemofilia.

O sangue não pode ser produzido artificialmente. Quando uma pessoa precisa de uma transfusão, por exemplo, pode contar apenas com a solidariedade das pessoas que ajudam a manter os estoques dos bancos de sangue para atender esse tipo de demanda e salvar vidas.

ORIENTAÇÕES

De acordo com as orientações da Fundação Hemoam, qualquer pessoa com boa saúde, idade entre 18 e 67 anos e peso a partir de 50 quilos pode ser doador. Mas não podem doar sangue pessoas que tiveram hepatite depois dos 11 anos de idade; usuários de drogas; pessoas com comportamento sexual de risco; quem teve malária, recebeu transfusão sanguínea ou teve doenças sexualmente transmissíveis nos últimos 12 meses; e quem teve febre nos últimos 30 dias da data da doação.

Antes de doar sangue, o voluntário precisa dormir bem na noite anterior à doação (no mínimo 6 horas). A sessão de coleta do sangue dura cerca de 10 minutos.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Fotos: Eduardo Gomes

 

Campanha Setembro Amarelo tem foco na prevenção ao suicídio

Setembro, é o mês de prevenção ao suicídio. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) cerca de 50% a 60% das pessoas que morreram por suicídio nunca se consultaram com um profissional de saúde mental ao longo da vida.

Cerca de 96,8% dos casos de suicídios registrados estavam associados a históricos de doenças mentais que podem ser tratadas. Por isso, a informação correta direcionada à população é muito importante para orientar e prevenir o suicídio.

Para falar sobre o assunto o Portal da Fapeam conversou com a médica psiquiatra Lóren Cavalcante.

Fapeam – Por que reservar um mês do ano para falar sobre prevenção do suicídio?

Lóren Cavalcante – Principalmente porque os índices de suicídio estão cada vez maiores no Brasil e no mundo, e o objetivo da Campanha Setembro Amarelo é prevenir e reduzir esses números. O dia 10 deste mês é oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha acontece durante todo o ano. Desde 2014 a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organiza nacionalmente a Campanha Setembro Amarelo.

Fapeam – Por que é tão importante falar sobre a prevenção do suicídio?

L.C – São registrados cerca de 12 mil suicídios por ano no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens. Quanto mais falarmos sobre isso, mais as pessoas irão compreender que é uma doença, que requer tratamento especializado com psicólogo e psiquiatra, dessa forma, elas serão incentivadas a procurar ajuda.

LÓREN CAVALCANTE - MÉDICA PSIQUIATRA - FOTOS DENTRO 2

A médica psiquiatra, Lóren Cavalcante, fala sobre a Campanha Setembro Amarelo.

 

Fapeam – Por que falar sobre suicídio continua sendo um tabu?

L.C – Muitas pessoas acreditam que falar sobre suicídio pode incentivar uma pessoa a se suicidar. Pelo contrário, é uma oportunidade para a pessoa que está sofrendo, angustiada, falar sobre o assunto e até pedir ajuda. Para isso, temos o Centro de Valorização à Vida (CVV), que é um serviço de apoio gratuito e funciona todos os dias, 24h/dia através do número 188.

Fapeam – Como a sociedade pode evitar o agravamento das estatísticas de suicídio?

L.C – O suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Mas o suicídio pode ser prevenido! Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo a você pode ser o primeiro e mais importante passo. Por isso, fique atento se a pessoa demonstra comportamento suicida e procure ajudá-la.

Fapeam – É possível perceber os sinais que podem desencadear o ato suicida?

L.C – Sim. Quase que invariavelmente as pessoas que tentam cometer suicídio ou que efetivamente cometem demonstram sinais. Dentre os sinais estão isolamento, preocupação com a própria morte ou falta de esperança. Alguns comentários requerem uma atenção maior como, por exemplo: “Vou desaparecer”, “Vou deixar vocês em paz”, “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar”, “É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar…”.

Fapeam – Onde procurar ajuda especializado para que se defina a melhor rota terapêutica?

L.C Aqui em Manaus temos uma rede de atenção em saúde mental que engloba o Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Policlínicas.

Fapeam – Qual relação entre suicídio e as doenças de ordem mental, principalmente a depressão?

L.C – Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias. Por isso, a necessidade de sempre procurar ajuda profissional.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Conversar sobre depressão é preciso

“Depressão: vamos conversar” é o lema da campanha lançada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) neste 7 de abril, Dia Mundial da Saúde. Segundo estimativas da OMS, no período de 2005 a 2015 houve um aumento de 18% no número de pessoas que vivem com depressão. Quase sete em cada 10 pessoas com depressão, nas Américas, não recebem o tratamento que necessitam.

O médico psiquiatra e pesquisador do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) Maximiliano Loiola Ponte, considera a temática da campanha da OMS muito importante visto que a depressão ainda é um tema negligenciado no sistema de saúde.

A depressão causa sofrimento ao indivíduo, a seus familiares, tem uma forte associação com o suicídio, e é um grave fator de afastamento do trabalho, além de piorar o prognóstico de doenças como diabetes e cardíacas.

Maximiliano Loiola Ponte. Foto: Eduardo Gomes

Maximiliano Loiola Ponte. Foto: Eduardo Gomes

“A depressão não é tão visível como algo que dá num exame, ou algo que a gente possa medir, daí a importância deste tema, mas é preciso lembrar que a depressão é uma condição que não é igual a tristeza. A tristeza todos nós temos, é normal, é importante que a tenhamos, ela é necessária para refletirmos sobre a vida, e para que os outros percebam que a gente precisa de ajuda. Como diz o poeta Vinícius de Moraes: pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza … – mas, o que difere a depressão da tristeza é o caráter continuado da depressão, a pessoa fica por pelo menos duas semanas com a tristeza, com o desânimo, com a desesperança, com dificuldades de se concentrar, de tomar decisões, de se alimentar, no sono, no desejo sexual, e tudo isso de forma constante, que não alivia nem quando coisas boas acontecem”, explica Maximiliano.

O pesquisador alerta que tem grupos em situação de vulnerabilidade como idosos e presos em que se torna ainda mais difícil se reconhecer a presença de sintomas depressivos. No entanto, não é incomum pessoas deprimidas sentirem-se mal, e buscarem tratamento no sistema público de saúde. “Mas é preciso que se verifique a rede de assistência psicossocial, precisamos entender que este é um problema de alta prevalência, que precisa ser abordado nos diferentes níveis de atenção”, recomenda.

Vamos conversar

A OMS alerta para as necessidades de investimentos em saúde mental e de acesso a um atendimento efetivo da depressão, pois negligenciar a doença causa um alto custo às nações.

Para Maximiliano Ponte a campanha indica uma reflexão sobre quem deve ser chamado para uma conversa, ou seja, esta conversa deve ser estabelecida com vários atores, entre eles gestores e profissionais de saúde – para que possam identificar a comorbidade com o quadro depressivo, ainda nos níveis primários do atendimento; precisa-se conversar também com a sociedade para que possa perceber as nuances entre tristeza e depressão; com os familiares da pessoa depressiva, para que possam entender e acompanhá-la;  e com a própria pessoa depressiva, para que ela possa entender a doença.

Segundo a OMS, mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão. As estimativas foram divulgadas em 30 de março, pouco antes do Dia Mundial da Saúde.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Com informações da Opas/OMS.