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Grupo de Pesquisas do Inpa encontra 17 novas espécies de cogumelos na Amazônia

Pesquisadores descobrem novas espécies e gêneros de cogumelos, coletados na floresta Amazônica, assim como, estudam potenciais espécies comestíveis e antimicrobianas. O estudo foi fomentado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Os cogumelos são uma alternativa economicamente viável pelo potencial de uso na indústria alimentícia e por serem fonte promissora de compostos ativos para o desenvolvimento de bioprodutos farmacêuticos.  Além disso, podem ser utilizados na produção de artesanato como é o caso da espécie Përɨsɨ, uma estrutura de fungo similar à uma fibra, usada pela comunidade indígena Yanomami da região de Maturacá, no Amazonas, que serve para confeccionar cestarias.

O projeto “Macrofungos da Amazônia: taxonomia e triagem de espécies comestíveis e/ou produtoras de compostos antimicrobianos” foi coordenado pela pesquisadora Noemia Kazue Ishikawa, e desenvolvido, principalmente, no Laboratório de Microbiologia de Alimentos e no Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), com diversos parceiros no Brasil e de outros países, e amparado pelo Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas), edital Nº 030/2013.

Dra. Noemia Ishikawa     - Fotos Érico X._-7

Coordenadora do projeto, Noemia Kazue Ishikawa.

 

Espécies

O estudo teve início com a coleta de mais de 2 mil amostras de cogumelos  em várias regiões da Amazônia. Esse trabalho de análise morfológica dos cogumelos foi realizado pelos taxonomistas de fungos do Grupo de Pesquisas Cogumelos da Amazônia do Inpa, Jadson José Souza Oliveira e Tiara Sousa Cabral, entre outros.

Pesquisadores Macrofungos

Parte da equipe do projeto, Jadson Oliveira e Tiara Cabral (taxonomistas de fungos) e ao centro a coordenadora do projeto Noemia Ishikawa.

 

Dessas 2 mil coleções, o grupo de pesquisa conseguiu identificar dois novos gêneros: Pusillumyces gen.nov. e Sclerocarpum gen.nov. e outras 15 novas espécies de macrofungos. Além de descrever espécies desconhecidas, o grupo estudou 27 espécies de cogumelos comestíveis e 23 espécies com atividade antimicrobiana.

“Entre as espécies isoladas chegamos ao composto sesquiterpeno Hipnofilina que produz atividade antiprotozoária contra Trypanosoma cruzi e Leishimania amazonenses, segundo Souza-Fagundes et al. 2010”, disse Noemia.

Dentre as espécies comestíveis identificadas é possível destacar a Lentinula raphanica que teve o primeiro cultivo em escala experimental, no mundo, realizado no Amazonas, com o intuito de gerar um produto alimentício a partir da biodiversidade da floresta Amazônica. 

Taxonomia

O trabalho dos taxonomistas, especialistas responsáveis por classificar os seres vivos, é muito laborioso e importante para preservar as espécies. Fazem pesquisas de campo em busca de espécies que ainda não foram catalogados pela Ciência.

Foi em uma dessas observações em campo que Tiara Cabral identificou uma nova espécie de cogumelo, Geastrum inpaense, coletada no Campus do Inpa em Manaus/AM. A descoberta demonstra que a floresta Amazônia apresenta grande diversidade de cogumelos ainda desconhecidos, mesmo em lugares inusitados como ao lado da cantina do Inpa.

O nome de classificação dado à nova espécie é em homenagem ao local onde foi encontrada, o campus sede do Inpa”, explicou Tiara.

Fungos mão

Espécie de cogumelo, Geastrum inpaense, coletada no Campus do Inpa.

 

Para Jadson Oliveira é importante frisar que o conhecimento sobre essa diversidade é útil não somente para a sociedade humana, mas também para se entender o papel que esses organismos desempenham no meio ambiente.

O projeto gerou dados que contribuíram na publicação de 15 artigos e dois livros.  Destacando-se o Livro Ana amopö – Cogumelos Sanöma, que recebeu o Prêmio Jabuti, na categoria Gastronomia em 2017.

Livro e prêmio

Livro Ana amopö – Cogumelos Sanöma, que recebeu o Prêmio Jabuti, na categoria Gastronomia em 2017.

 

Universal Amazonas

O programa tem o objetivo de financiar atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, ou de transferência tecnológica, em todas as áreas do conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do estado do Amazonas, em instituição de pesquisa ou de ensino superior ou centros de pesquisa, públicos ou privados, sem fins lucrativos, com sede ou unidade permanente no estado do Amazonas. A última edição do Programa foi lançada em junho de 2019.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Fapeam apoia pesquisa de fitocosméticos com atividades antimicrobiana, antioxidante e fotoprotetora

Uma pesquisa científica investiga o potencial antimicrobiano, antioxidante e fotoprotetor de duas plantas nativas da região Amazônica, o guaraná (Paullinia cupana) e o pau-rosa (Aniba rosaeodora). O estudo deve avaliar se o extrato e o óleo essencial, respectivamente, dessas espécies vegetais são detentores de efeitos benéficos para serem utilizados na produção de fitocosméticos.

Em andamento, a pesquisa é desenvolvida nos laboratórios do Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia, da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas), edital Nº 002/2018.

Segundo a coordenadora do projeto, Patrícia Melchionna Albuquerque, a primeira etapa da pesquisa teve início em outubro de 2018 com a coleta de galhos e folhas de pau-rosa para o processo de extração do óleo essencial, além da obtenção das sementes de guaraná em Maués (AM) para a produção do extrato vegetal.

UEA - Extrato de Guaraná e Óleos Essenciais de Pau Rosa - Fotos Barbara B._-11

O extrato de guaraná e suas partições estão sendo pesquisadas para verificar as demais atividades biológicas.

Patrícia informou que já  foi possível verificar atividade antimicrobiana no óleo essencial de pau-rosa, e que no momento o grupo de pesquisadores está preparando o extrato de guaraná e suas partições para verificar as demais atividades biológicas e, em seguida, iniciar as formulações fitocosméticas.

“Os fitocosméticos serão avaliados quanto às suas propriedades físico-químicas e quanto à sua estabilidade. Determinaremos as atividades biológicas de interesse nas emulsões e sabonetes líquidos que se mostrarem estáveis. Além disso, determinaremos a concentração de linalol nos óleos essenciais de pau-rosa e de cafeína nos extratos de guaraná, a fim de padronizar a matéria-prima utilizada na elaboração dos fitocosméticos”, informou.

Dra. Patrícia Albuquerque - UEA - Extrato e Óleo

Para a pesquisadora o potencial de uso sustentável da biodiversidade brasileira é extenso.

Com base no resultado do estudo, a pesquisadora afirma que será possível formular emulsões cosméticas com atividade antioxidante e fotoprotetora, assim como sabonetes líquidos, com atividade antimicrobiana, a partir desses compostos naturais.

Para a pesquisadora o potencial de uso sustentável da biodiversidade brasileira é extenso, mas ainda é pouco explorado. Por isso, a descoberta de substâncias biologicamente ativas a partir da diversidade biológica (plantas, animais e microrganismos) pode auxiliar de forma significativa no desenvolvimento de bioprodutos, como é o caso dos fitocosméticos.

“Os fitocosméticos são definidos como cosméticos que contém ativo natural, seja um extrato, óleo fixo ou óleo essencial, cuja ação define a atividade do produto”, explicou.

UEA - Extrato de Guaraná e Óleos Essenciais de Pau Rosa - Fotos Barbara B._-15

Foi possível verificar atividade antimicrobiana no óleo essencial de pau-rosa.

De acordo com a coordenadora, o estudo pretende estimular ainda o uso dessas espécies para a obtenção de bioprodutos (fitocosméticos) com alto valor de mercado, e que consequentemente beneficiem o setor produtivo do município de Maués e de todo o estado do Amazonas. A produção de fitocosméticos deve ser considerada estratégica para a economia local, uma vez que estes bioprodutos podem agregar valor aos produtos amazônicos.

Antimicrobiana 

Atividade antimicrobiana é a capacidade de uma substância (ou de um conjunto de substâncias, no caso de extratos e óleos essenciais) em inibir o crescimento de microrganismos, como bactérias, fungos, vírus ou protozoários, (ação microbiostática), ou de matar estes microrganismos (ação microbicida).

Antioxidante

Atividade antioxidante é a capacidade de uma substância (ou de um conjunto de substâncias, no caso de extratos e óleos essenciais) em retardar as reações de degradação oxidativa, ou seja, em reduzir a velocidade da oxidação por um ou mais mecanismos, como inibição de radicais livres e complexação de metais.

Fotoprotetora 

Atividade fotoprotetora é a capacidade de uma substância (ou de um conjunto de substâncias, no caso de extratos e óleos essenciais) em absorver, refletir e dispersar a radiação que incide sobre a pele. Estas substâncias são utilizadas em protetores solares, bloqueadores e cosméticos destinados à prevenção do foto envelhecimento cutâneo precoce.

Por: Helen de Melo

Fotos: Barbara Brito

Embrapa

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