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Fiocruz Amazônia abre espaço para publicações sobre Covid-19 na Amazônia

Com o objetivo de armazenar registros produzidos por especialistas em diversas áreas do conhecimento, no contexto da pandemia de Covid-19 na Amazônia, o site do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) abriu um novo espaço de divulgação, os Repositórios de Percepções (Humanidades) e de Epidemiologia.

Os Repositórios abrigam um conjunto de dados, artigos, documentos, informações e documentos sobre diferentes olhares, percepções e ações de prevenção e intervenção para o enfrentamento do Covid-19 no Amazonas, desde a capital às populações indígenas e comunidades rurais da fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

Idealizados pelos pesquisadores  Fabiane Vinente e José Joaquín Carvajal  com a finalidade de disponibilizar um espaço para pesquisadores e especialistas de diferentes áreas e instituições poderem publicar os mais diversos registros desse momento em que o novo coronavírus  atinge a Amazônia, os Repositórios instituíram comissões distintas de análise e validação dos documentos para publicação.

Fabiane explica que o Repositório de Percepções “nasce numa perspectiva de horizontalidade dos saberes e das percepções, valorizando a singularidade das vivências que os relatos descrevem e servindo de apoio para pensar essa diversidade em um processo global”, portanto sua expectativa é de que ele alcance um público mais amplo e diverso.

 “Não se trata de apenas colecionar relatos, mas de pensar a experiência da pandemia como algo que por estar sendo experienciado por todo o mundo, pode ser refletido e construído como conhecimento por todo o mundo também, independente de ser um cientista ou profissional de saúde”, comenta.

Interessados em publicar textos, poesias, fotos ou áudios no Repositório de Percepções (Humanidades) podem enviar o material para o e-mail fabiane.vinente@fiocruz.br. A Comissão  de Validação é formada pelas pesquisadoras do ILMD/Fiocruz Amazônia Evelyne Mainbourg  e Amandia Braga (Laboratório de Situação de Saúde e Gestão do Cuidado de Populações Indígenas e outros grupos vulneráveis – Sagespi), Kátia Lima (Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia – LAHPSA ) e Fabiane Vinente (Laboratório Território, Ambiente, Saúde e Sustentabilidade – TASS).

Para mais informações sobre o Repositório Percepções (Humanidades), clique e acesse ao material já publicado.

EPIDEMIOLOGIA

Sobre o Repositório de Epidemiologia, José Joaquín explica que ele surgiu a partir de uma demanda da Rede Transfronteiriça Covid-19, que é uma iniciativa colaborativa entre instituições e profissionais da saúde para enfrentamento do novo coronavírus , na região da tríplice fronteira entre Brasil, Colômbia e Peru.

“A Rede Transfronteiriça Covid-19 busca contribuir com ferramentas e informações técnicas, científicas e acadêmicas, úteis para agilizar o fluxo de informação aos povos indígenas e para a tomada de decisões dos diferentes atores e a sociedade civil, nos diferentes níveis de organização, para o enfrentamento da Covid-19 nos seus territórios, visando melhorar as condições de vida e saúde das populações amazônicas”, comenta o pesquisador.

A Comissão de Validação do Repositório de Epidemiologia também é constituída por  pesquisadores da Fiocruz Amazônia, do Laboratório Ecologia de Doenças Transmissíveis na Amazônia – (EDTA) e tem como membros Claudia María Velásquez, Alessandra Nava e José Joaquín Carvajal. Os interessados em publicar neste repositório podem entrar em contato com seus membros ou enviar e-mail para jose.carvajal@fiocruz.br.

Clique e saiba mais sobre o Repositório de Epidemiologia.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Nascimento

Fiocruz Amazônia envia testes rápidos para Covid-19 aos povos indígenas do Alto Rio Negro

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) inicia o envio de testes rápidos para Covid-19 aos povos indígenas do Amazonas. Os testes foram doados pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fundação Oswaldo Cruz (Bio-Manguinhos/Fiocruz). Inicialmente, recebem os testes os povos indígenas do Alto Rio Negro, depois os do Alto Solimões e Vale do Javari.

Além dos testes, outras doações foram feitas ao Amazonas, por meio do Programa Unidos Contra a Covid-19, da Fiocruz. O pesquisador e diretor da Fiocruz Amazônia, Sérgio Luz, explica que outros produtos, equipamentos e aparelhos estão sendo adquiridos  para enfrentamento ao novo coronavírus na área indígena, em Manaus e para aumentar  a capacidade de testagem  da Fiocruz Amazônia.

Segundo Luiza Garnelo, pesquisadora da Fiocruz Amazônia, que está à frente da distribuição das doações para a saúde indígena, à medida em que as doações chegam à Manaus, estão sendo levadas às localidades beneficiadas.

Na oportunidade, a Fiocruz Amazônia deslocou para o município de São Gabriel da Cachoeira uma equipe profissional para treinar os trabalhadores da saúde indígena em relação ao manejo dos testes nas comunidades,  com o objetivo de descentralizar e capilarizar as ações de controle da epidemia de Covid-19.

Outra ação dessa equipe será a coleta de amostras para a realização de exames PCR para a detecção do SARS-CoV-2, em profissionais de saúde. O material coletado será analisado no laboratório do ILMD/Fiocruz Amazônia, em Manaus.

RECURSOS

Ao Amazonas, foram destinados quase R$ 6 milhões para aquisições  de testes rápidos para Covid-19, equipamentos de proteção individual (EPI’s) e outros dispositivos para testes, visando o enfrentamento ao novo coronavírus.

As doações foram feitas ao Programa Unidos Contra a Covid-19, pela Vivo (R$ 3.000.000,00), pelo Fundo Emergencial da Saúde/Movimento Bem Maior (R$ 1.200.000,00), Fundação Banco do Brasil ( R$ 52.000,00)  e o restante por Bio-Manguinhos/Fiocruz.

UNIDOS CONTRA COVID-19

O Programa Unidos Contra a Covid-19 é uma iniciativa da Fiocruz que tem como objetivo potencializar as ações da Fundação Oswaldo Cruz frente à pandemia do novo coronavírus (Sars-CoV-2), por meio da união de esforços dos setores público e privado, tornando-se um canal onde empresas, organizações e indivíduos interessados formam uma rede de apoiadores de ações desenvolvidas pela Fundação para o enfrentamento da emergência sanitária.

Para saber mais sobre o Unidos contra a Covid-19 e como apoiar, clique.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Sully Sampaio e Eduardo Gomes

Projeto Fiocruz contra a Covid-19 contempla iniciativas solidárias que irão beneficiar populações vulneráveis na Amazônia

O projeto Fiocruz contra a Covid-19 vai beneficiar iniciativas solidárias em todo Brasil, por meio da Chamada Pública para apoio a ações emergenciais de enfrentamento à Covid-19, voltada para populações vulneráveis. A ação alcança mais de 80 municípios de todos os estados brasileiros. Entre os projetos aprovados, 19 foram da Região Norte, sendo três do Amazonas.

Mais de 800 organizações não governamentais se inscreveram. Entre as iniciativas aprovadas, 110 incluem ações de segurança alimentar, 101 preveem atividades de comunicação, 95 trabalham os protocolos de higiene coletiva e individual (com distribuição de produtos de limpeza, por exemplo), 73 dedicam-se à assistência de grupos de risco e 28 voltam-se ao tema da saúde mental.

Acesse AQUI a lista de projetos contemplados.

A Fiocruz deve investir 4,5 milhões de reais, provenientes de doações feitas à instituição para aplicação em ações humanitárias. As propostas se encaixam em três faixas de financiamento, segundo o orçamento apresentado: até R$10 mil; até R$25 mil e até R$50 mil.

Além dos recursos financeiros, todos as organizações selecionadas terão apoio técnico da Fiocruz. Para isso foi estruturada uma equipe de 70 profissionais, que farão o acompanhamento dos projetos. Eles serão responsáveis por validar os conteúdos informativos produzidos e distribuídos no âmbito dos projetos, além de orientar as organizações para a execução segura das atividades previstas.

PROJETOS

Entre os projetos selecionados está o “Programa Emergencial para o enfrentamento da crise do Coronavírus com foco especial para populações ribeirinhas no Amazonas”, desenvolvido na Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) Puranga da Conquista, localizada à margem direita do Rio Negro (distante 65 quilômetros da capital), que abrange 15 comunidades rurais e indígenas. A ação tem como objetivo auxiliar populações de comunidades remotas do interior do Amazonas, especialmente povos tradicionais, no enfrentamento do Coronavírus.

Com a aprovação, a primeira medida será o lançamento de uma campanha de comunicação intitulada “Comunidades Ribeirinhas contra o Coronavírus”, voltada para conscientização das pessoas sobre as medidas de prevenção, a importância do isolamento social e os sintomas recorrentes da doença. Além disso, o projeto também prevê a doação de cestas de produtos básicos, como alimentos não produzidos localmente e artigos de higiene. A ideia central é assegurar o acesso das famílias a produtos essenciais, oferecer condições para higienização adequada, e evitar o deslocamento de pessoas para as cidades, para compra destes artigos, reduzindo assim, o risco de contágio e de disseminação do vírus.

Proposto pelo Centro Social Roger Cunha Rodrigues, em Manaus (AM), o projeto “3C contra o Covid-19: Comunicação, Consciência e Caridade”, também foi selecionado. O projeto visa mobilizar a população através da difusão de informações nas ruas, com orientações de combate, em linguagem direta e acessível, medidas de afastamento, formas de disseminação, higiene, conduta frente aos sintomas da doença, cuidados e riscos de auto medicação.

A ação também pretende garantir alimentação básica, com a compra e distribuição de alimentos às famílias; oferecer material de higiene e orientações de combate do Covid-19, além da produção voluntária de máscaras de tecido (EPI), possibilitando a distribuição de máscaras à comunidade. Outro destaque entre os projetos do Amazonas é a iniciativa da Associação dos Produtores Rurais de Carauari (ASPROC).

A iniciativa busca viabilizar as medidas de distanciamento social entre comunidades agroextrativistas do Médio rio Juruá, sudoeste do Amazonas. Em virtude da escassez sazonal de recursos pesqueiros e das recomendações para que as comunidades restrinjam o acesso às áreas urbanas do município, impossibilitando a aquisição na cidade de outros gêneros alimentícios que compõem a cesta básica das famílias, a ação busca contribuir para a segurança alimentar das comunidades agroextrativistas durante o período de distanciamento social por meio do acompanhamento remoto e permanente da situação de segurança alimentar e distribuição segura de cestas básicas.

Entre os projetos selecionados com orçamento de até R$50mil, está a “Ação Emergencial a Famílias em Vulnerabilidade Social do Bairro Periférico Tarumã”, desenvolvido em Manaus, sob coordenação do Instituto DELFOS, também denominado Instituto Restaura. O projeto tem como objetivo levar produtos alimentícios, material de higiene e limpeza a 60 famílias em situação de extrema pobreza do bairro Tarumã, assim como também ofertar serviços de atendimento psicossocial e socioassistencial, com o intuito de minimizar os impactos sociais, econômicos e psicológicos que a pandemia vem causando na população.

O campeão na faixa de R$25 mil foi a Associação Indígena Krãnhmenti, localizada no muncípio de Banach, interior do Pará. Eles vão usar o recurso obtido para realizar uma campanha bilíngue (português e Mebêngôkre-Kayapó) de esclarecimento sobre o enfrentamento da pandemia. Também vão produzir máscaras e distribuí-las, junto com cestas básicas, a 50 famílias da etnia kayapó na região.

A chamada pública viabiliza o financiamento de projetos em todo território nacional, que contribuem para prevenir o contágio entre esses grupos sociais, garantindo condições mínimas de sobrevivência a famílias impactadas economicamente pelas medidas de isolamento social em vigência.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento

Fungos endofíticos isolados de plantas Amazônicas têm potencial para produção biossurfactantes

Fungos denominados endofíticos, isolados do interior dos tecidos vegetais de duas espécies de plantas nativas da região Amazônica, conhecidas popularmente como pimenta-de-macaco e vassourinha apresentaram enorme potencial para produção de biossurfactantes, compostos químicos, com diversas aplicações a serem utilizados nas indústrias de produtos de limpeza, higiene, petrolífera, alimentícia, cosmética, farmacêutica, entre outras.

Com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), os pesquisadores produziram biossurfactantes utilizando como matéria-prima óleos residuais de fritura e lubrificante.

Biossurfactante

Biossurfactante produzido pelos fungos endofíticos.

O biossurfactante produzido pelos fungos apresenta ótimo potencial para ser utilizado na biorremediação, processo natural de descontaminação utilizando microrganismos, ou seja, como um detergente biodegradável que pode ser empregado, por exemplo, na recuperação de áreas ambientais atingidas por derramamento de petróleo.

O projeto “Estudo da produção de biossurfactantes por fungos endofíticos utilizando resíduos como substrato” foi desenvolvido no Laboratório de Química Aplicada à Tecnologia da Escola Superior de Tecnologia (EST) da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), no âmbito do curso de doutorado em Biodiversidade e Biotecnologia da Rede Bionorte, sob orientação da Professora Dra. Patrícia Melchionna Albuquerque, e amparado pelo Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados para o Interior do Estado do Amazonas (RH-Interiorização–Fluxo Contínuo), Edital Nº003 /2015. 

Biossurfactantes

O coordenador da pesquisa, Dr. Messe Elmer Torres da Silva, explica que os biossurfactantes apresentam ampla variedade de aplicações e são largamente utilizados na indústria, principalmente em produtos de limpeza, como detergentes pela capacidade emulsionante, ou seja, de interagir com diferentes líquidos, como as misturas de água e óleo.

DR. MESSE ELMER - FOTOS ÉRICO X._-9

Dr. Messe Elmer Torres da Silva.

Os biossurfactantes realizam um processo de biodegradação, em que os microrganismos atuam para decompor resíduos tóxicos que foram lançados acidentalmente no solo como, por exemplo, em casos de vazamento de petróleo, rejeitos de metais pesados, entre outros. 

Importância

A produção de biossurfactantes fúngicos, isolados de plantas da região Amazônica, ainda é um tema pouco explorado, o que torna o trabalho uns dos pioneiros na área biotecnológica.

O reaproveitamento de resíduos, óleos de fritura e lubrificante, como fonte de carbono para produção de biossurfactantes deve contribuir para o desenvolvimento de bioprocessos obtendo-se a redução de custos para a aquisição desse bioproduto utilizado em larga aplicabilidade industrial.

Os surfactantes sintéticos convencionais disponíveis comercialmente, por serem sintetizados a partir de derivados de petróleo, são usualmente tóxicos ao meio ambiente e não biodegradáveis, o que tem levado à procura por surfactantes naturais como alternativa aos produtos existentes. 

RH-Interiorização

O Programa RH-Interiorização foi substituído pelo Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos para o Interior do Estado do Amazonas (Proint). O objetivo é conceder bolsa de mestrado e doutorado a profissionais graduados residentes no interior do estado do Amazonas há no mínimo 4 (quatro) anos ou que mantenham relação de trabalho ou emprego com instituição municipal, estadual ou federal sediada ou com unidade permanente no interior do Estado, interessados em realizar curso de pós-graduação stricto sensu, em programa credenciado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em instituições do Amazonas localizadas em município diferente de onde reside o candidato.

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Brownies com produtos amazônicos, livre de glúten, lácteos e conservantes é desenvolvido no Amazonas

Desenvolver um produto alimentício funcional que favorecesse os indivíduos com intolerância ao glúten e à lactose e, ao mesmo tempo atendesse às expectativas dos consumidores do ponto de vista nutricional, sensorial (aparência, aroma, consistência e sabor) e que tivesse propriedades benéficas à saúde foi a base de uma pesquisa desenvolvida pela doutora em Alimentos e Nutrição e professora da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), no município de Coari, Geina Faria. Ela criou brownies funcionais, isentos de glúten, lácteos, conservantes e, com redução de gordura, a partir de produtos oriundos da região Amazônica como o açaí, a castanha da Amazônia e o extrato de cumaru.

brownie cesta

Brownie funcional, isento de glúten, lácteos, conservantes e, com redução de gordura.

 

“A pesquisa mostrou que utilizando ingredientes amazônicos com propriedades funcionais é possível produzir, para o público celíaco e intolerante às proteínas do leite de vaca, um alimento viável, acessível, saboroso, nutritivo e, mais saudável que as opções existentes no mercado”, explica Geina.

Diante da necessidade que esses indivíduos têm de aderir a uma dieta restritiva, a pesquisadora propôs a fabricação de um alimento funcional, com características que permitissem o consumo tanto pelo público celíaco e intolerante à lactose, quanto de consumidores que buscam produtos saudáveis.

Dra. Geina Faria - Ufam Coari - Fotos Érico X._-65

Coordenadora do projeto, Geina Faria.

Pessoas com doença celíaca, caracterizada por uma intolerância permanente ao glúten, um tipo de proteína que pode ser encontrada nos cereais como trigo, centeio ou cevada e, com intolerância à lactose, principal açúcar do leite, precisam excluir esses componentes da dieta alimentar.

Preparo

Para o preparo dos brownies, a pesquisadora substituiu a farinha de trigo por um mix de farinhas sem glúten, com composição mais nutritiva, o açúcar refinado pelo demerara e, da manteiga pelo açaí e, acrescentou castanha da Amazônia e cacau 100%. Houve também a substituição da essência de baunilha pelo extrato de cumaru, produto natural, amplamente utilizado na confeitaria para aromatizar alimentos.  Por não possuir conservantes adicionados à formulação, a durabilidade do produto em média é de 72 horas. 

ingredientes

Ingredientes para o preparo do brownie.

Valor nutritivo dos brownies 

Para avaliar a formulação foi realizada análise da composição centesimal – g/100g (proteínas, gorduras e carboidratos). Os brownies possuem cerca de 56g de carboidratos, 6g de proteínas, 4,5g de gordura em 100g dos produtos. Com isso, foi possível comprovar que os brownies possuem quantidade de gordura quase quatro vezes menor quando comparados aos brownies comerciais, vendidos com o mesmo apelo (sem glúten e lácteos).

Para a comparação da composição nutricional dos produtos foram analisados os rótulos de sete marcas comerciais de brownies. Cada 40g de brownie comercial tem cerca de 160 kcal e 7g de gordura enquanto que o valor energético dos bolinhos fabricados para o estudo, também com 40g, ficou em 117 kcal e 1,9g de gordura.

Brownie

Os brownies produzidos possuem quantidade de gordura quase quatro vezes menor quando comparados aos brownies comerciais.

Os brownies desenvolvidos podem ser classificados como light e baixo em gorduras, por apresentarem uma diferença relativa mínima de 25% no valor energético e no conteúdo desse nutriente dos alimentos comparados e, ainda, uma diferença absoluta mínima no conteúdo de gordura de 3g de gorduras/100g, estipulado pela legislação vigente.

As substituições dos ingredientes resultaram produtos com baixa quantidade de gordura, devido à utilização somente do açaí como aporte lipídico, gerando um menor valor calórico. Em relação ao custo, se caracterizaram como acessíveis quando comparados aos comerciais com o mesmo apelo (sem glúten e lácteos).

Aceitação 

Os testes sensoriais para avaliar atributos como a aparência, o aroma, o sabor, a textura e a impressão global, dos brownies desenvolvidos, foram divididos em oito etapas e, cerca de 1000 pessoas, entre as cidades de Campinas (SP) e Manaus (AM), participaram do estudo.

Os produtos obtiveram cerca de 76% de aceitação em todos os atributos sensoriais avaliados em ambas cidades estudadas, e a intenção de compra foi de aproximadamente 85%. 

RH-Interiorização

O Programa RH-Interiorização foi substituído pelo Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos para o Interior do Estado do Amazonas (Proint). O objetivo é conceder bolsa de mestrado e doutorado a profissionais graduados residentes no interior do estado do Amazonas há no mínimo 4 (quatro) anos ou que mantenham relação de trabalho ou emprego com instituição municipal, estadual ou federal sediada ou com unidade permanente no interior do Estado, interessados em realizar curso de pós-graduação stricto sensu, em programa credenciado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em instituições do Amazonas localizadas em município diferente de onde reside o candidato.

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Negócio inovador: empreendedor fala sobre sua trajetória e apoio da Fapeam

Jorge Carlos Seco - Warabu- Fotos Erico X-203

O fomento à tecnologia e o empreendedorismo inovador para fortalecer o ecossistema de inovação faz parte de uma das linhas de ação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). O empreendedor Jorge Carlos Seco Neves sabe como esta modalidade tem beneciado pessoas no Amazonas e contribuído para alavancar negócios inovadores no Estado. Ele teve dois projetos aprovados no Programa de Subvenção Econômica à Inovação Tecnológica em Micro e Empresas de Pequeno Porte – Tecnova/AM, edital N°025/2013, e no  Programa de Apoio à Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação em Microempresas e Empresas de Pequeno Porte na Modalidade Subvenção Econômica (Pappe Integração), edital N°007/2017, ambos executados pela Fapeam em parceria com a Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep),

Nascido em Portugal, Jorge mora há 12 anos em Manaus, e iniciou no ramo de panificação portuguesa na feira da Eduardo Ribeiro, no centro. Mas, foi com produtos elaborados a partir de insumos da floresta amazônica que viu a oportunidade de inovar no mercado e expandir seu negócio.

Em entrevista para a equipe de comunicação da Fapeam, o empresário conta como foi sua trajetória, importância do fomento da Fapeam e dicas para quem pretende empreender. Boa leitura!

Como iniciou sua trajetória profissional e o interesse em empreender?

Em 2010, criei a empresa Sabores de Tradição, em Manaus. O impacto do empreendedorismo no mundo inteiro era grande, principalmente no que se refere às mudanças no mercado, que se tornou mais competitivo. Resolvi ingressar no setor alimentício, usando uma grande variedade de frutas, raízes, sementes e ervas da Amazônia, que não existem em qualquer lugar do mundo, e as incorporando em novos produtos como, por exemplo, com um chocolate amazônico, orgânico, sustentável, respeitando e valorizando as comunidades da floresta.

Quando iniciou sua relação com a Fapeam?

Minha relação com a Fapeam iniciou 2015 com um projeto submetido pelo programa Tecnova/AM  chamado “Pães Inovadores com insumos Amazônicos e funcionais”, cuja finalidade é utilizar produtos feitos a partir das fibras do caroço do açaí e do ouriço da castanha como opções para dietas alimentares de pessoas com restrição a glúten, lactose ou gordura. Em 2018 iniciei outro projeto que está em andamento chamado “Warabu Bean To Bar Chocolate da Floresta Amazônica”, do Pappe Integração. A proposta tem o objetivo de inovar na produção de barras de chocolate usando matéria-prima da região com extratos naturais de frutas como, por exemplo, camu-camu, açaí, mangarataia, guaraná, puxuri, cumaru, entre outros.

Atualmente onde funciona sua empresa e de que forma seus produtos são disponibilizados para o mercado?

A empresa está localizada no Centro de Incubação e Desenvolvimento Empresarial (Cide). Nós atendemos clientes aqui, mas queremos expandir, por isso estamos na fase de pré-lançamento de lojas gourmet em Shoppings .

Seus produtos são comercializados  em outras cidades do Brasil? 

O projeto tem como objetivo comercializar os produtos para os Estados Unidos, União Europeia e também cidades do Brasil, ainda não está em prática devido o processo de certificação ser demorado e burocrático.  A  venda de produtos está sendo feita somente em Manaus, por enquanto.

Como você avalia a importância da Fapeam para o incentivo ao empreendedorismo de inovação em nosso estado?

Comparo a Fapeam como uma flecha em direção ao alvo, pois gera resultados expressivos para o desenvolvimento da nossa região e até de nosso País, devido o incentivo para empreendedores trabalharem com os próprios recursos do Estado, valorizando assim a Amazônia.

Para finalizar nossa conversa, qual dica você pode deixar para quem pretende iniciar o empreendedorismo inovador?

Procurar por informações sobre programas de empreendedorismo, analisar órgãos que ajudem na iniciação empresarial, estudar o governo atuante, sempre trabalhar hoje, porém, pensando no amanhã. É importante participar de palestras e congressos que falem sobre empreendedorismo e conseguir parcerias promissoras.

Por: Jessie Silva

Fotos: Érico Xavier

 

 

 

 

 

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Queimadas na Amazônia causam forte impacto no SUS

A Fiocruz, em estudo coordenado pelo Instituto de Comunicação e Informação em Saúde (Icict), mapeou o impacto das queimadas para a saúde infantil na região amazônica. A pesquisa concluiu que, nas áreas mais afetadas pelo fogo, o número de crianças internadas com problemas respiratórios dobrou. Foram cerca de 2,5 mil internações a mais, por mês, em maio e junho de 2019, em aproximadamente 100 municípios da Amazônia Legal, em especial nos estados do Pará, Rondônia, Maranhão e Mato Grosso – o que acarretou custo excedente de R$ 1,5 milhão ao Sistema Único de Saúde (SUS). De acordo com pesquisas, viver em uma cidade próxima aos focos de incêndio aumenta em 36% o risco de se internar por problemas respiratórios.

O levantamento aponta ainda que em cinco dos nove estados da região houve aumento na morte de crianças hospitalizadas por problemas respiratórios. É o caso de Rondônia. Entre janeiro e julho de 2018, foram cerca de 287 mortes a cada 100 mil crianças com menos de 10 anos. No mesmo período, em 2019, esse número subiu para 393. Em Roraima, 1.427 crianças a cada 100 mil morreram internadas por problemas respiratórios, no primeiro semestre de 2018. No mesmo período de 2019, foram 2.398.

As informações integram um informe técnico do Observatório de Clima e Saúde, projeto coordenado pelo Icict/Fiocruz. Esse estudo contou também com cientistas da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), da Universidade de São Paulo (USP) e da Universidade do Estado de Mato Grosso (Unemat). O objetivo do trabalho é alertar gestores e profissionais do SUS, de modo a se programarem para o atendimento à saúde das populações mais vulneráveis. Além disso, o levantamento apontou para a importância de reforçar a atenção básica e a busca ativa de casos em locais de maior concentração de queimadas e maiores níveis de poluição atmosférica, já que alguns grupos populacionais podem não ter acesso a hospitais.

INTERNAÇÕES QUINTUPLICARAM EM ALGUMAS CIDADES

Os dados chamam atenção para as cidades de Santo Antônio do Tauá, Ourilândia do Norte e Bannach, no Pará; Santa Luzia d’Oeste, em Rondônia; e Comodoro, no Mato Grosso, onde o número de internações foi mais de cinco vezes maior do que o esperado. Mas o chamado “material particulado” – resíduo tóxico gerado por queima – pode também alcançar grandes cidades situadas a centenas de quilômetros dos focos de queimadas, devido ao transporte de poluentes pelos ventos.

Desde sua fundação, em 2010, o Observatório de Clima e Saúde vem acompanhando a evolução das queimadas e seus efeitos sobre a saúde das populações na Amazônia e no Cerrado. É a primeira vez que um estudo reúne, quase que em tempo real, informações tão abrangentes sobre a correlação entre as queimadas e seus efeitos para a saúde na região da Amazônia Legal.

Os pesquisadores reuniram dados do Sistema de Informações Hospitalares (SIH), do DataSUS, entre os meses de maio e junho – último período disponível -, e aplicaram sobre eles uma técnica de “varredura espacial” chamada Satscan, de modo a detectar conjuntos de municípios que possuem taxas de internação por doenças respiratórias acima do valor esperado. Foram usados também dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e dos sistemas BDQueimadas e Prodes Desmatamento, ambos produzidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Os dados obtidos, porém, são preliminares, uma vez que nem todas as internações do período estudado já estão cadastradas no sistema. Por isso, é possível que os índices sejam ainda mais graves.

As imagens obtidas por satélite e usadas no estudo mostram ainda como focos de fogo se encontram nas bordas de terras indígenas, que ainda parecem desempenhar um papel de proteção contra as queimadas e o desmatamento. Os pesquisadores chamam atenção para o fato de que as populações indígenas também devem estar sendo afetadas pela poluição do ar – no entanto, ainda não é possível avaliar a incidência de doenças nessas áreas.

CRIANÇAS MAIS SUSCETÍVEIS

O Observatório levou em consideração que as queimadas acontecem no que é chamado de Arco do Desmatamento, que compreende os estados do Acre, Amapá, Amazonas, parte do Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins, em geral de maio a outubro. Durante o período de seca na região – que coincide com a diminuição das chuvas regionais, a queda dos índices de umidade e o período de queimadas – já é registrado, normalmente, um aumento no número de casos de afecções respiratórias, por conta do aumento da emissão de poluentes e a concentração de gases tóxicos na atmosfera, comprometendo a saúde da população. A situação, porém, se agravou muito com as queimadas recentes.

Nas cidades analisadas houve um total de 5.091 internações por mês, quando o valor esperado seria de 2.589. Estes resultados sugerem um excesso de 2,5 mil internações de crianças nos municípios mais impactados pelas queimadas.

Considerando o perfil médio das internações de crianças por problemas respiratórios no SUS, estas internações teriam gerado um custo excedente de R$ 1,5 milhão e 9.750 leitos-dia de ocupação nos hospitais públicos e conveniados com o SUS.

A queima de madeira pode gerar uma grande diversidade de gases e aerossóis, vários destes prejudiciais à saúde, principalmente pelo seu pequeno diâmetro e capacidade de penetrar no aparelho respiratório inferior. “Crianças são mais sensíveis a fatores externos, como a poluição”, explica o pesquisador Christovam Barcellos, do Icict/Fiocruz. “Seu sistema imunológico ainda está em desenvolvimento e o aparelho respiratório, em formação. São mais suscetíveis a alergias”. Além disso, crianças passam mais tempo ao ar livre do que os adultos e, assim, inalam mais poluentes. Durante exercício físico, a deposição de partículas no pulmão aumenta cinco vezes, afirma Sandra Hacon, pesquisadora da Ensp/Fiocruz.

APENAS UMA PARTE DO PROBLEMA

Barcellos alerta que o estudo usou as internações em crianças como indicadores de risco. Porém, adultos – e principalmente aqueles com doenças crônicas e idosos – podem ser afetados pela poluição das queimadas. “Por usarmos somente as internações pagas pelo SUS, isto é, sem considerar os dados do sistema privado de saúde, avaliamos apenas uma parte do problema. Além disso, muitas crianças podem não ter conseguido chegar aos hospitais. Na região amazônica as distâncias são enormes. Muitas pessoas podem ter tido episódios de bronquite e asma, entre outros, sem atenção médica”, completa o pesquisador.

“As queimadas na Amazônia representam um grande risco à saúde da população”, assegura o texto do informe técnico. “Os poluentes emitidos por estas queimadas podem ser transportados a grande distância, alcançando cidades distantes dos focos de queimadas. Dentre os poluentes, encontram-se o material particulado fino (PM2.5), CO (monóxido de carbono), NO2 (dióxido de nitrogênio) e compostos orgânicos voláteis (VOCs) que podem causar o agravamento de quadros de cardiopatia, inflamação das vias aéreas, inflamação sistêmica e neuroinflamação, disfunção endotelial, coagulação, aterosclerose, alteração do sistema nervoso autônomo, e danos ao DNA, com potencial carcinogênico”.

As mortes e internações hospitalares são os aspectos mais graves e evidentes dos problemas de saúde causados pelas queimadas, mas não os únicos: “Outros eventos adversos de saúde, como atendimentos de emergência e limitações funcionais do sistema respiratório são fenômenos mais frequentes, mas de difícil detecção pelos sistemas de informação de saúde”, alerta o estudo.

Fonte: AFN Notícias / ICICT Fiocruz

Palestra do Centro de Estudos da Fiocruz Amazônia vai abordar condições de vida e serviços de saúde em assentamentos na Amazônia

Na próxima sexta-feira, 13/9, às 10h, o Centro de Estudos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promove a palestra “Dimensões do abandono como dispositivo de uma condição subalterna: a ausência do Estado e seus rebatimentos nas condições de vida e nos serviços de saúde em assentamentos na Amazônia”, a ser ministrada pela pesquisadora, Ana Cláudia Fernandes Nogueira, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

A palestra pretende apresentar a potência discursiva presente na vivência cotidiana, atravessada pelas condições naturais e políticas que assentamentos embrenhados na Amazônia impõem. Condições, que segundo a pesquisadora, na maioria dos assentamentos, têm sua gênese na exploração dos seringais, que por toda a região levava uma legião de humanos à precarização da vida.

De acordo com Ana Cláudia, a discussão sobre dimensões do abandono como dispositivo da condição de subalternidade “é costurada, como retalhos, principalmente a partir da fala das mulheres, uma vez que independente de suas origens, estas trazem em si a marca da renúncia e lançam seus olhares sobre os acontecimentos como maneira de justificar a partida ou a permanência nos assentamentos”, explicou.

A apresentação ocorrerá na Sala de aula 1, no prédio anexo, na sede da Fiocruz Amazônia, situada à rua Teresina, 476, Adrianópolis, em Manaus.

SOBRE A PALESTRANTE

Ana Cláudia é graduada em Ciências Sociais pela Universidade Federal do Amazonas, especialista em Antropologia da Saúde pela Fiocruz Amazônia, Mestre em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, na área de Política de Gestão Ambiental pela Universidade Federal do Amazonas, e Doutora em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Tem experiência na área de Sociologia, Antropologia e Ciências do Ambiente, com ênfase em Sociologia Rural, Meio Ambiente e Saúde, Agroecologia, Educação do Campo, atuando nos seguintes temas: meio ambiente, assentamentos rurais, conflitos rurais, política pública e cultura .

Atualmente é professora Adjunta da Universidade Federal do Amazonas no Instituto de Educação, Agricultura e Ambiente – IEAA, Campus do Vale do Madeira e membro do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Ambiente, Socioeconomia e Agroecologia – NUPEAS, no IEAA.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagem: Mackesy Nascimento

Anticorpos e testes para detecção de malária são desenvolvidos em pesquisa no Amazonas

A malária continua sendo uma doença que atinge a população no  Brasil e no mundo, e o diagnóstico rápido e preciso desta doença é de fundamental importância para o correto tratamento dos pacientes.

Pensando em buscar novas metodologias para solucionar este problema, o pesquisador doutor em Biotecnologia, Luis André Mariúba, do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) vem desenvolvendo juntamente com seu grupo e colaboradores, anticorpos e imunoensaios  específicos para diagnósticos de malária.

O projeto contou com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) por meio do Programa de Excelência em Pesquisa Básica e Aplicada em Saúde (PROEP).

A pesquisa coordenada pelo Dr. Mariúba desenvolveu e avaliou o desempenho de anticorpos IgG (produzidos em camundongos) e IgY (produzidos em ovos de galinha) capazes de detectar no sangue de pacientes proteínas marcadoras de infecções causadas por Plasmodium vivax e Plasmodium falciparum, os quais são os principais causadores da malária no Brasil.

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“Avaliamos estes anticorpos na metodologia tradicional de Testes para Diagnóstico Rápido (TDRs) por fluxo lateral (com apoio do Laboratório de Tecnologias de Diagnóstico Bio-Manguinhos/Fiocruz); por um método de fluxo lateral utilizando nanotubos de carbono (desenvolvido pelo Dr. Jin Woo Choi, Louisiana State University-USA), com adaptações desenvolvidas pela equipe; por eletroquímica (com apoio do Dr. Walter Brito – Ufam); e por citometria de fluxo”, disse.

Testes para Diagnóstico Rápido – (TDRs)

Maríuba destaca que os TDRs tornaram-se uma grande alternativa ao diagnóstico, principalmente, em situações onde a microscopia não é de fácil acesso, como em localidades distantes.

“ Vale ressaltar que o Brasil ainda é muito dependente atualmente de TDRs estrangeiros. Exemplos destas tecnologias de conhecimento geral pelo grande público são os testes comprados em farmácias como de gravidez e de glicemia. Ambos os casos estão dentro do conceito “Point-of-Care” (PoC), que são tecnologias que podem ser utilizadas ao lado do leito do paciente e ajudar nas decisões de profissionais da área da saúde”, relata.

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Formação de Recursos Humanos

O projeto possibilitou a realização de trabalhos de  iniciação científica (IC)  e dois de mestrados, e sua continuação atualmente é base para duas IC, um mestrado, dois doutorado e um pós-doutorado. Foram desenvolvidos ainda um protótipo de equipamento para leitura quantitativa de testes rápidos e um aplicativo para registro de casos de malária (MalariaApp), ambos em colaboração com  Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai)  e Instituto Federal do Amazonas ( Ifam).

Patente

O pesquisador informou ainda que a pesquisa gerou em outubro de 2018 um depósito de patente referente a um método de solubilização de nanotubos de carbono e diferentes aplicações testadas, como em TDRs, sensores eletroquímicos, citometria de fluxo e imunização de animais.

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Malária no Amazonas

De acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS), no primeiro trimestre de 2019 foram registrados 11.358 casos de malária no Amazonas. Até o momento, o Amazonas está com redução 42,36% casos em comparação do mesmo período de 2018, que registrou 19.704.

A malária é causada por um parasita do gênero Plasmodium, transmitida pela picada de mosquitos infectados. Febre alta, sudorese e calafrios, palidez, cansaço, falta de apetite e dores na cabeça e em outras regiões do corpo são os principais sintomas, que podem se manifestar, geralmente, em algumas semanas após a picada.

Grupo de Pesquisa

O projeto contou com apoio dos outros pesquisadores do ILMD/Fiocruz Amazônia além de pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Ifam, Senai e Bio-Manguinhos/Fiocruz.

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PROEP

O programa  visou apoiar a promoção e execução de projetos estratégicos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) por meio da concessão de auxílio pesquisa e bolsas; e fortalecer o papel estratégico da pesquisa desenvolvida no Instituto para geração de conhecimentos científicos que possam contribuir com a melhoria da saúde da população Amazônica.

Por Jessie Silva

Fotos: Érico Xavier

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Mostra de filmes marcará abertura de atividades do Jubileu de prata da Fiocruz Amazônia

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), em parceria com a Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz) promove entre os dias 12 e 14 de junho, no Casarão de Ideias, a mostra de filmes “Adrian Cowell – Um olhar sobre a Amazônia”, que abordará questões socioambientais e políticas da Amazônia Brasileira. O evento marcará a abertura das atividades, em comemoração aos 25 anos de atuação da Fiocruz na Amazônia.

A mostra exibirá os filmes “Matando por terras”, “O destino dos Uru Eu Wau Wau” e “Batida na floresta”, obras do documentarista, registradas durante suas experiências pelo Brasil, acompanhando o processo de desenvolvimento da Amazônia, o impacto dos grandes projetos, avanços da agricultura e pecuária, projetos de colonização, construção de estradas e hidrelétricas, retratando suas conseqüências no cotidiano das pessoas que vivem na região: populações indígenas, seringueiros, madeireiros, garimpeiros e outros.

Os documentários contribuem para o debate político e cultural que envolve a Amazônia e constituem a memória dos povos da floresta, promovendo férteis discussões, no sentido de compatibilizar o desenvolvimento socioambiental e o uso sustentável dos recursos naturais. Após a exibição dos filmes, serão realizados debates sobre os temas apresentados.

Para Stella Oswaldo Cruz Penido, curadora da mostra, é de grande relevância a abertura de debates sobre os aspectos históricos ambientais da Amazônia, presentes em importantes debates da atualidade. “É incrível essa possibilidade de parceria entre a COC, a Fiocruz Amazônia e o Casarão de Ideias, pois com essas ações reuniremos um público específico para este tipo de debate aqui no Amazonas. O acervo chegou ao Brasil em 2008, já se passaram mais de 10 anos, mas faz todo sentido trazer os filmes do Adrian, nesse momento, mostrando os aspectos históricos dessas questões sobre Amazônia. É muito importante atualizarmos o debate sobre essas questões ambientais, com pessoas que estão atuando, militando nessa agenda ambiental em 2019, discutindo esses filmes”, destacou.

A entrada para assistir aos filmes e participar dos debates da mostra “Adrian Cowell – Um olhar sobre a Amazônia” será gratuita. O Casarão de Ideias fica localizado na Rua Barroso, 279, no Centro de Manaus.

SOBRE ADRIAN COWELL

Adrian Cowell foi um documentarista chinês, naturalizado britânico, estudou na Austrália e na Inglaterra. Graduou-se em história pela Universidade de Cambridge em 1955. Entre 1955 e 1956, foi com a Oxford & Cambridge Far Eastern Expedition de Londres até Singapura, fazendo uma série de três programas, de 26 minutos para a BBC, intitulados “Travellers Tales“.

Entre 1957 e 1958, esteve pela primeira vez no Brasil, quando a Oxford & Cambridge Expedition veio à América do Sul, para a produção de quatro programas de 26 minutos, para a série “Adventure” da BBC. A convite dos irmãos Villas Bôas, Adrian filmou, de 1967 a 1969, a expedição para contatar a tribo de índios isolados Panará. Os filmes realizados neste período “The Tribe that Hides From Man” (A Tribo Que Se Esconde do Homem) e “Kingdom in the Jungle” (O Reinado na Floresta), foram produzidos para a ATV.

No Brasil, ele se tornou amigo de Chico Mendes. Produziu diversos filmes sobre a Amazônia, nos quais ele retrata a difícil situação dos índios e as injustiças sociais existentes no local. O Acervo Adrian Cowell é constituído de filmes 16 mm, fitas de vídeo, slides e diários de campo sobre a Amazônia. São 50 anos de trabalhos que documentam a história, por meio das imagens registradas por Adrian Cowell e equipe, acompanhando o processo de desenvolvimento da região.

Confira a sinopse dos filmes que serão exibidos:

  • Dia 12/6 – ”MATANDO POR TERRAS” (52 min / 1990)

Filmado em 1986 na fronteira leste da Amazônia, ao longo da rodovia Belém Brasília, período em que foram assassinadas mais de 100 pessoas. Grandes fazendeiros, prestes a perder benefícios adquiridos durante o governo militar, contratam pistoleiros para expulsar grupos de sem-terra acampados. Casas queimadas, assassinatos, famílias expulsas: fatos que levam à retaliação dos sem-terra com queimadas de pastos e protestos, forçando os pistoleiros a abandonar o local.

Contudo, a eficácia de tais medidas só dura até o assassinato de mais dois sem-terra e de uma criança de três anos. Nem mesmo a polícia ousa enfrentar os assassinos e a justiça libera os mandantes do crime por falta de evidências. Uma entrevista com o pistoleiro mais famoso da região, conhecido por ter assassinado mais de 300 pessoas, deixa evidente que a justiça não alcança pistoleiros e latifundiários. Primeira versão brasileira (2011).

Debatedor: Felipe Milanez (UFBA)

Debatedor: Vicente Rios (PUC-GO)

Mediadora: Stella Oswaldo Cruz Penido (COC- Fiocruz)

  • Dia 13/6 – “O DESTINO DOS URU EU WAU WAU” (52min / 1999)

Este filme faz parte da Trilogia “Os Últimos Isolados”. Três décadas depois de “Na Trilha dos Uru Eu Wau Wau”, Adrian Cowell reencontra alguns dos personagens. Descobrimos que o líder Tari, que raptou a criança branca de “Na Trilha dos Uru Eu Wau Wau”, teve sua própria irmã raptada, por brancos, quando tinha 6 anos. O filme proporciona um encontro inesperado dos irmãos e nos mostra como os Uru Eu Wau Wau puderam lidar com as transformações em seu mundo, ao longo dessas décadas.

Debatedora: Elaíze Farias (Jornalista / Portal Amazônia Real)

Debatedor: André Fernando Baniwa (Organização Indígena da Bacia do Içana OIBI)

Mediadora: Selda Vale da Costa (UFAM)

  • Dia 14/6 – “BATIDA NA FLORESTA” (59min / 2005)

A luta de Walmir de Jesus, gerente do IBAMA em Ji-Paraná, para conter o desmatamento desenfreado da Amazônia em Rondônia. O filme mostra Walmir combatendo a extração e a venda ilegal de madeira, corrupção na política e no funcionalismo público local, desemprego e invasões em áreas de Parques Nacionais e de índios isolados.

Debatedor: Phillip Fearnside (Instituto Nacional de Pesquisas na Amazônia – INPA)

Mediador: Felipe Milanez (UFBA)

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Imagens: Mackesy Pinheiro