Arquivo da Categoria: Alfredo da Matta

Por que algumas pessoas têm predisposição a desenvolver hanseníase?

Pesquisa pretende validar novas alternativas de diagnóstico ou de prognóstico para serem aplicadas em suspeitos da doença

Pesquisadores do Amazonas investigam o que torna uma pessoa predisposta a desenvolver hanseníase, enquanto outras se mostram resistentes à doença, mesmo em contato prolongado e frequente com um indivíduo infectado e sem tratamento.

Para responder a esse questionamento, o coordenador do projeto, Marcadores Moleculares, Genéticos e Sorológicos na hanseníase: suporte ao diagnóstico clínico de pacientes e vigilância dos contatos, e doutorando do Programa de Pós-Graduação em Medicina Tropical, André Luiz Leturiondo, iniciou em março de 2016, um estudo com dois enfoques importantes na vigilância epidemiológica da hanseníase. Um deles nos pacientes e o outro nos contatos domiciliares de pacientes com hanseníase.

IMG-8029

Estudo investiga o que torna uma pessoa predisposta a desenvolver hanseníase, enquanto outras se mostram resistentes à doença, mesmo em contato prolongado e frequente com um indivíduo infectado

A pesquisa está sendo desenvolvida no laboratório de Biologia Molecular da Fundação Alfredo da Matta (Fuam), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Pesquisa para o SUS: Gestão compartilhada em saúde (PPSUS),  chamada pública Nº 001/2013. A Fuam é a unidade de referência para o diagnóstico, tratamento e pesquisa da hanseníase no Amazonas e na região Norte do país.

De acordo com o coordenador a manifestação da doença não depende somente da infecção pelo bacilo Mycobacterium leprae, mas de outros fatores como o nutricional, o status socioeconômico e principalmente o fator genético do hospedeiro também influenciam.

“A maioria das pessoas que tem o bacilo em seu organismo, o próprio sistema imunológico consegue destruir o patógeno. Apenas uma parcela pequena da população, em torno de 10% dos contatos, desenvolve a doença”, disse.

André 2

Pesquisa é coordenada pelo doutorando em Medicina Tropical, André Luiz Leturiondo, no âmbito do programa PPSUS

 

Metodologia

Para embasar o estudo foram colhidas amostras biológicas de 980 indivíduos sadios (linfa do lóbulo auricular), 413 pacientes (sangue) e 415 contatos (sangue + linfa), com idades entre 10 a 77 anos.

Para validar o estudo, o pesquisador procurou identificar três tipos de biomarcadores: a) sorológico: detecção de anticorpos anti-PGL1 no soro dos voluntários (pacientes + sadios). Esses anticorpos identificam o antígeno do M. leprae, o PGL1 (Phenolic Glycolipid 1); b) detecção molecular do gene 16S (DNA do bacilo) no lóbulo auricular dos contatos que convivem com o doente; e c) polimorfismos em genes envolvidos com a resposta imune inata e adaptativa dos pacientes e indivíduos sadios.

O teste rápido sorológico foi aplicado para avaliar a sua performance, ou seja, a capacidade de identificar indivíduos com e sem a doença. Na técnica molecular, Leturiondo explica, o teste é capaz de detectar o DNA do bacilo mesmo na ausência de lesões na pele.

“Nosso estudo procurou validar novas alternativas de diagnóstico ou de prognóstico, para serem aplicadas em suspeitos da doença ou contatos, respectivamente. Geralmente a doença apresenta os sinais cardinais que facilitam o diagnóstico: lesões na pele que apresentam insensibilidade a dor, ao tato e ao calor. Porém, em 30% dos casos, os suspeitos da doença não apresentam esses sinais, dificultando o diagnóstico precoce e o tratamento imediato. Outro agravante é que na nossa região existem muitas dermatoses que são semelhantes com as lesões da hanseníase, dificultando um diagnóstico diferencial até mesmo para os profissionais experientes da Instituição”, explicou.

O coordenador informou ainda que os resultados da pesquisa poderão auxiliar o médico na tomada de decisão dos casos difíceis (suspeitos com a doença) para o teste sorológico; ou de identificar os prováveis sujeitos que poderão adoecer (contatos) para os testes moleculares e genéticos.  Neste último caso, poderão tratar talvez com quimioprofilaxia.

IMG_8063

Estudo valida novas alternativas de diagnóstico ou de prognóstico para serem aplicadas em suspeitos da doença

 

Hanseníase no Amazonas

A hanseníase é uma doença infecto-contagiosa causada pelo bacilo Mycobacterium leprae e transmitida pelas vias aéreas superiores, afetando principalmente nervos periféricos e pele, e quando não tratada pode levar a incapacidades físicas muitas vezes irreversíveis.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam), em 2018 foram detectados 411 novos casos da doença.

O Sistema Nacional de Atendimento Médico (Sinam) registrou desde 2010, 5.031 novos casos de hanseníase no estado do Amazonas.

Segundo o parâmetro do Ministério da Saúde, no estado do Amazonas, a Hanseníase apresenta comportamento descendente com redução da incidência nos últimos anos, passando de 44,3/100.000 habitantes em 2000 para 10,11/100.000 habitantes em 2018, o que representou uma redução de 77,1%, mas, com parâmetro de endemicidade ainda alto.

Atualmente, o tratamento é feito à base de antibióticos fornecidos gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e tem duração de 6 a 12 meses

Por Helen de Melo

Fotos: Said Mendonça

O post Por que algumas pessoas têm predisposição a desenvolver hanseníase? apareceu primeiro em FAPEAM.

Fapeam investe em equipamentos de radiação ultravioleta para tratamento de doenças dermatológicas no Estado

A modalidade de tratamento, conhecida como fototerapia, está sendo oferecida pela Fundação Alfredo da Matta

O Sistema Público de Saúde do Estado passou a oferecer tratamento inédito, no Amazonas, que utiliza radiação ultravioleta, a pacientes da Fundação Alfredo da Matta (FUAM). A modalidade de tratamento,conhecida como fototerapia, foi viabilizada por meio de investimento do Governo do Estado via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

A fototerapia é utilizada no tratamento de uma série de doenças dermatológicas, em especial, psoríase, vitiligo, linfoma cutâneo, dermatite atópica, entre outras.  O serviço começou a ser oferecido na FUAM, em outubro de 2017. Até o momento, 163 pacientes estão sendo acompanhados no ambulatório de fototerapia.

fotos equipamentos

O maquinário adquirido teve investimento de R$ 165 mil, sendo composto por quatro equipamentos: uma cabine com emissão de radiação ultravioleta A, uma cabine com emissão de radiação ultravioleta B e dois equipamentos portáteis para os pacientes com lesões generalizadas

O maquinário adquirido teve investimento de R$ 165 mil, sendo composto por quatro equipamentos: uma cabine com emissão de radiação ultravioleta A, uma cabine com emissão de radiação ultravioleta B e dois equipamentos portáteis para os pacientes com lesões generalizadas. A fototerapia é a primeira modalidade de tratamento, por exemplo, de psoríase aliada a medicações tópicas, sendo sucedida por medicações orais e injetáveis nos casos em que não há resposta à fase inicial.

Assista a reportagem da TV FAPEAM

A dermatologista Monica Santos, atual diretora de Ensino e Pesquisa da FUAM, explica que antes da aquisição dos equipamentos de fototerapia, os pacientes já eram submetidos a medicações orais e injetáveis, o que representava um elevado custo-benefício. Deve-se destacar que a psoríase possui base genética, com fatores imunológicos, mas não é contagiosa, sendo caracterizada por placas avermelhadas que descamam e  podem aparecer em qualquer parte do corpo, sendo mais comuns no joelho, cotovelo e no dorso das mãos. A psoríase não tem cura e os tratamentos disponíveis são aplicados no controle da doença.

foto

Dermatologista Monica Santos, atual diretora de Ensino e Pesquisa da FUAM

Segundo a diretora da Fuam, no caso dos pacientes, além dos efeitos colaterais por conta do uso dos medicamentos, eles necessitavam fazer uma série de exames laboratoriais a fim de nortear a escolha da medicação para melhor efetividade do tratamento. Em se tratando do Estado, a aplicação do método terá impacto nos recursos investidos na compra de medicamentos (orais e injetáveis) usados no tratamento dos pacientes com psoríase.  O preço dos medicamentos orais mais acessíveis varia de R$ 80 a R$ 100, porém, em determinados casos, a medicação utilizada chega a custar R$ 900.  As medicações injetáveis são bem mais caras, com os preços variando de R$ 5 a R$ 7 mil.

Mônica Santos fez questão de destacar a importância  da parceria com a Fapeam, apontada por ela como estratégica no fomento a instituições de pesquisa e ensino, com benefícios à sociedade.

Departamento de Difusão do Conhecimento – Decon

O post Fapeam investe em equipamentos de radiação ultravioleta para tratamento de doenças dermatológicas no Estado apareceu primeiro em FAPEAM.

Fapeam investe em equipamentos de radiação ultravioleta para tratamento de doenças dermatológicas no Estado

A modalidade de tratamento, conhecida como fototerapia, está sendo oferecida pela Fundação Alfredo da Matta

O Sistema Público de Saúde do Estado passou a oferecer tratamento inédito, no Amazonas, que utiliza radiação ultravioleta, a pacientes da Fundação Alfredo da Matta (FUAM). A modalidade de tratamento,conhecida como fototerapia, foi viabilizada por meio de investimento do Governo do Estado via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

A fototerapia é utilizada no tratamento de uma série de doenças dermatológicas, em especial, psoríase, vitiligo, linfoma cutâneo, dermatite atópica, entre outras.  O serviço começou a ser oferecido na FUAM, em outubro de 2017. Até o momento, 163 pacientes estão sendo acompanhados no ambulatório de fototerapia.

fotos equipamentos

O maquinário adquirido teve investimento de R$ 165 mil, sendo composto por quatro equipamentos: uma cabine com emissão de radiação ultravioleta A, uma cabine com emissão de radiação ultravioleta B e dois equipamentos portáteis para os pacientes com lesões generalizadas

O maquinário adquirido teve investimento de R$ 165 mil, sendo composto por quatro equipamentos: uma cabine com emissão de radiação ultravioleta A, uma cabine com emissão de radiação ultravioleta B e dois equipamentos portáteis para os pacientes com lesões generalizadas. A fototerapia é a primeira modalidade de tratamento, por exemplo, de psoríase aliada a medicações tópicas, sendo sucedida por medicações orais e injetáveis nos casos em que não há resposta à fase inicial.

Assista a reportagem da TV FAPEAM

A dermatologista Monica Santos, atual diretora de Ensino e Pesquisa da FUAM, explica que antes da aquisição dos equipamentos de fototerapia, os pacientes já eram submetidos a medicações orais e injetáveis, o que representava um elevado custo-benefício. Deve-se destacar que a psoríase possui base genética, com fatores imunológicos, mas não é contagiosa, sendo caracterizada por placas avermelhadas que descamam e  podem aparecer em qualquer parte do corpo, sendo mais comuns no joelho, cotovelo e no dorso das mãos. A psoríase não tem cura e os tratamentos disponíveis são aplicados no controle da doença.

foto

Dermatologista Monica Santos, atual diretora de Ensino e Pesquisa da FUAM

Segundo a diretora da Fuam, no caso dos pacientes, além dos efeitos colaterais por conta do uso dos medicamentos, eles necessitavam fazer uma série de exames laboratoriais a fim de nortear a escolha da medicação para melhor efetividade do tratamento. Em se tratando do Estado, a aplicação do método terá impacto nos recursos investidos na compra de medicamentos (orais e injetáveis) usados no tratamento dos pacientes com psoríase.  O preço dos medicamentos orais mais acessíveis varia de R$ 80 a R$ 100, porém, em determinados casos, a medicação utilizada chega a custar R$ 900.  As medicações injetáveis são bem mais caras, com os preços variando de R$ 5 a R$ 7 mil.

Mônica Santos fez questão de destacar a importância  da parceria com a Fapeam, apontada por ela como estratégica no fomento a instituições de pesquisa e ensino, com benefícios à sociedade.

Departamento de Difusão do Conhecimento – Decon

O post Fapeam investe em equipamentos de radiação ultravioleta para tratamento de doenças dermatológicas no Estado apareceu primeiro em FAPEAM.