Todos os artigos de Marlúcia Almeida

Editora Fiocruz lança coletânea sobre o trabalho no mundo contemporâneo

As transformações do trabalho são hoje bastante discutidas no ambiente acadêmico, na mídia e no meio sindical. Elas são o tema de uma nova coletânea lançada pela Editora Fiocruz, “O Trabalho no Mundo Contemporâneo: fundamentos e desafios para a saúde”. Logo no primeiro capítulo, que tem o mesmo título do livro, o antropólogo José Sérgio Leite Lopes, pesquisador e professor da UFRJ, explica que essas transformações estão associadas a processos políticos, econômicos e sociais. Segundo o autor, elas dizem respeito a fenômenos como: a introdução de novas tecnologias eletrônicas nos locais de trabalho – inclusive robôs –; a globalização dos mercados e da produção; a terceirização e outros vínculos de trabalho precários; a crescente competição na economia mundial; e a presença cada vez maior de mulheres no trabalho remunerado. Tais fenômenos são observados não só em indústrias, mas também nos serviços e na agricultura.

Muitas vezes, as transformações representam dificuldades para os trabalhadores e são comuns as tentativas de minimizar os problemas. Por exemplo, diante de empregos perdidos por causa da introdução de novas tecnologias, há quem diga que isso seria compensado por novos empregos criados no setor de produção de máquinas. Contudo, os novos empregos são em menor quantidade e exigem melhor qualificação e maior nível de escolaridade, sendo, portanto, dirigidos a outras gerações e segmentos de trabalhadores. Ou seja: os trabalhadores substituídos por máquinas não seriam os mesmos empregados na produção delas.

Entretanto, o enfrentamento de dificuldades está longe de ser algo novo no mundo do trabalho. Nos anos 1970 e 1980, vieram à tona e se generalizaram atos de resistência dos trabalhadores e assalariados diante de condições de trabalho ruins e do autoritarismo empresarial. Como consequência, as empresas passaram por um período de crise econômica e queda na lucratividade. Para controlar a situação, elas tomaram medidas drásticas, enfraquecendo direitos anteriormente adquiridos pelos trabalhadores, como a adoção da carteira de trabalho.

A partir desse e de outros exemplos, José Sérgio Leite Lopes procura dar visibilidade aos “modos de dominação e de exploração implícitos nas diferentes formas de precarização do trabalho, e, por conseguinte, sua especificação histórica”. Ao mesmo tempo, porém, o autor chama a atenção para “a forma como o trabalho, que implica em exploração objetiva, também se legitima ao proporcionar aspectos de sociabilidade e identidade social aos diferentes grupos de trabalhadores”.

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Ascom/Editora Fiocruz, por Alice Pereira e Fernanda Marques
Foto: Eduardo Gomes

O ILMD está de luto: amigos e colegas falam sobre Antônio Levino

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia ) está de luto com a morte do  médico Antônio Levino da Silva Neto, pesquisador desta Unidade desde agosto de 2002.

Amigos e colegas de trabalho ainda consternados manifestaram-se sobre Levino:

Nísia Trindade Lima, presidente da Fiocruz, lamentou a perda e ressaltou o comprometimento de Levino com o trabalho: “quando ocupei a vice de Ensino pude testemunhar o forte compromisso de Levino com a Educação, a Ciência e a Saúde”.

Luciano Toledo, ex-diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, também expressou tristeza com a notícia, e disse: “Levino sempre foi um colega e amigo muito leal. Fui seu orientador de mestrado. Uma dissertação muito bonita sobre tuberculose e aids em Manaus. Que tristeza”.

Sérgio Luz, diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, salientou a lealdade e sobriedade de Levino. “Ele era uma pessoa muito coerente em suas observações; chegamos a publicar um trabalho juntos; ele fará uma grande falta pelo conhecimento e domínio que tinha sobre saúde pública no estado do Amazonas”.

Antônio Levino da Silva Neto, pesquisador e professor desta Unidade desde agosto de 2002.

Antônio Levino da Silva Neto, pesquisador e professor desta Unidade desde agosto de 2002.

Luiza Garnelo, vice-diretora de Ensino, Comunicação e Informação do ILMD disse que manifestar-se sobre Levino neste momento é ao mesmo tempo fácil e difícil – “fácil porque Levino foi alguém sobre quem se pode escrever com carinho, com verdade e com a certeza de que, enquanto esteve entre nós, se esmerou no compromisso com o coletivo, na luta incessante pela melhoria das injustiças e das desigualdades do mundo. Comunista orgulhoso de sua escolha, jamais renegou a ideia de que os trabalhadores, os oprimidos e os explorados deveriam virar a mesa e se colocar em pé de igualdade numa sociedade livre, justa e solidária. Assim viveu e assim pensou e agiu até sua morte. Mas essa é também uma difícil missão, pois como selecionar o que dizer sobre o longo caminho que trilhamos juntos como professora e aluno, colegas de trabalho, companheiros de lutas, amigos de ontem e de sempre? Como falar sobre alguém a quem sempre se podia recorrer quando o cansaço, o desânimo, a dúvida ou a felicidade demandavam diálogo, companhia, um café ou um dedo de prosa? Impossível selecionar para falar de uma entre tantas lembranças, quando o sentimento e as palavras se enroscam e se prendem no peito e na garganta”.

Júlio César Schweickardt, pesquisador do ILMD/Fiocruz Amazônia e chefe do Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (LAHPSA), onde Levino também atuava destacou que o colega foi “um pesquisador coerente e comprometido com a superação das desigualdades sociais e em saúde na Amazônia”.

Cleinado Costa, reitor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), declarou ter perdido um amigo e um irmão, “mantemos no Levino um exemplo de coerência pela causa do nosso povo e uma vida dedicada ao avanço do Amazonas e do Brasil. Se foi o nosso irmão Levino e fica conosco um exemplo de luta”.

Levino atuava na área de Saúde Coletiva com ênfase em Saúde Pública, principalmente com os seguintes temas: políticas públicas na área de saúde, avaliação de programas e serviços de saúde, saúde em áreas de fronteira, geoprocessamento, epidemiologia e educação em saúde.

Ascom-ILMD/Amazônia Fiocruz
Fotos: ILMD/Fiocruz Amazônia

Nota de pesar pelo falecimento de Antônio Levino da Silva Neto

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) comunica, com pesar, o falecimento do médico, pesquisador e professor Antônio Levino da Silva Neto, em Manaus. O velório ocorre hoje (21/4),  até às 16h, na Funerária Canaã, à rua Major Gabriel, 1833, Centro, de onde sairá para o Cemitério São João Batista.

Além de sua atuação no ILMD/Fiocruz Amazônia, Antônio Levino foi professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), orientador permanente e subcoordenador do Programa Multi-institucional de Pós-Graduação em Saúde Sociedade e Endemias na Amazônia (PPGSSEA), da Ufam/Fiocruz, e trabalhou principalmente com temas relacionados  à saúde coletiva,  saúde pública, políticas públicas na área de saúde, avaliação de programas e serviços de saúde, saúde em áreas de fronteira, geoprocessamento, epidemiologia e educação em saúde.

Com a morte de Antônio Levino, o Amazonas perde um brilhante profissional, comprometido com a ciência e com a educação.

Por Ascom-ILMD/Fiocruz Amazônia

Fiocruz Amazônia e Susam realizam oficina de troca de saberes com parteiras, gestores e profissionais de saúde

Começa hoje, 18/4, e vai até quinta-feira, 20/4, a oficina de trocas de saberes, do projeto “Redes vivas e práticas populares de saúde: conhecimento tradicional das parteiras e a educação permanente em saúde para o fortalecimento da rede de atenção à saúde da mulher no Estado do Amazonas”. A atividade acontece no auditório da Secretaria Municipal de Educação (Semed), das 8h às 17h (dias 18 e 19), e das 8h às 12h ( dia 20).

O projeto é desenvolvido pelo Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia), através do Laboratório de História, Políticas e Saúde na Amazônia (LAHPSA), em parceria com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas  (Susam), com financiamento do Ministério da Saúde (MS).

A atividade visa valorizar as práticas tradicionais e populares das parteiras, através da pesquisa e da formação para o fortalecimento da Rede da Saúde da Mulher no Estado do Amazonas. O projeto tem como área de abrangência 20 regiões de saúde do Amazonas e sua conclusão está prevista para 2018.

TROCA DE SABERES

Durante três dias, parteiras do Amazonas, gestores e profissionais da saúde participam de rodas de conversas para explorar os aspectos de atuação, localização e forma de cuidado com gestantes e recém-nascidos.

Segundo o coordenador do projeto, Júlio Cesar Schweickardt, as técnicas utilizadas na oficina são entrevistas, grupo focal e usuário-guia. Para o mapeamento, a metodologia utilizada será a da cartografia social, que produzirá os mapas juntamente com as parteiras a partir da noção de territorialidade, ou seja, dos usos e significados dos territórios. “Conhecer e reconhecer o trabalho das parteiras tradicionais significa mudar as nossas concepções sobre as ações dessas mulheres no campo da saúde, garantindo o seu lugar como um agente de saúde nos territórios”, destacou o coordenador.

Para ele, além de ser uma prática milenar de assistência ao parto, essas personagens atuam como lideranças e referência nos seus locais e contextos comunitários. “Desse modo, estamos operando não somente com conceitos, mas também com formas de realizar a saúde nos diferentes territórios e grupos sociais da Amazônia”, concluiu.

Após a conclusão das 20 oficinas, a próxima etapa do projeto será a a promoção de ações de educação permanente e popular em saúde, nos processos de qualificação e de produção do conhecimento com as parteiras tradicionais, que se dará por meio da formação de apoiadores/facilitadores dos cursos, preparação de material pedagógico e produção de material de divulgação.

Assessoria Lahpsa/Fiocruz Amazônia, por Mirineia Nascimento

Osteogênese imperfeita: cuidados com o paciente

Conforme dados estimados pela Associação Brasileira de Osteogênese Imperfeita (Aboi), existem cerca de 12 mil pessoas convivendo com osteogênese imperfeita (OI) no Brasil. A OI é uma doença genética e hereditária que ocorre por uma deficiência na produção de colágeno, proteína que dá sustentação às células dos ossos, tendões e da pele, causando fragilidade óssea ao portador.

O colágeno é um importante componente estrutural dos ossos, por isso, a sua falta ou deficiência os tornam anormalmente quebradiços, ou seja, as pessoas que sofrem desse mal têm fraturas por traumas simples, que não seriam suficientes para provocá-las em outras pessoas: uma pequena queda ou pancada, um esbarrão em algum obstáculo e até mesmo, nos casos mais graves da doença, um movimento do corpo mais brusco. Nesse sentido, é importante que a equipe de saúde envolvida no atendimento a esse paciente seja capacitada, principalmente na assistência à criança.

Para melhor explicar as técnicas do cuidado ao paciente com OI e como deve ser essa abordagem, entrevistamos a fisioterapeuta do Centro de Referência em Genética Médica do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Nicolette Celani Cavalcanti foi convidada. Confira a entrevista.

Quais as outras manifestações da OI?

Dentre outras, as escleras azuladas, frouxidão dos ligamentos deixando as articulações mais frouxas e instáveis, a fragilidade dos vasos sanguíneos, dificultando bastante o acesso venoso para a infusão do medicamento, deficiência auditiva em alguns casos, dentinogênese imperfeita (doença genética do desenvolvimento dentário) e baixa estatura.

O que é importante saber na abordagem de crianças com OI?

Não é necessário saber classificar o tipo de OI, se é do tipo um, dois, três, quatro ou cinco. Precisamos saber se estamos lidando com a forma branda, intermediária ou grave da doença. Nossa conduta e manuseio serão diferentes nas diversas formas, variando de muito cuidado na forma mais grave e na intermediária, e mais próximo ao normal, na forma branda da doença.

Como segurar crianças com fragilidade óssea sem risco de fraturá-las?

A recomendação é que os recém-nascidos, com a forma grave da doença sejam transportados em um travesseiro, através do qual se pode levar o bebê e também fazer pequenas transferências laterais de peso, sem risco de fraturas. Após o sexto mês de vida, com o auxílio do tratamento medicamentoso e da fisioterapia, o bebê vai fortalecendo a estrutura óssea e ganhando tônus muscular. Desta forma, já será possível segurá-lo pelo tronco, não esquecendo de apoiar sempre a cabeça, pois eles costumam ter o perímetro cefálico aumentado, atrasando o controle de cabeça, que deveria estar completo aos três meses. Uma boa forma e segura de carregá-lo é em “cadeirinha”, com a criança recostada no tórax de quem o transporta. Nunca se deve segurar ou puxar a criança pelas extremidades (pés, mãos, cotovelos e joelhos), sempre pelos ombros e quadris. Não esquecer que os membros superiores ou inferiores soltos ficam sujeitos a fazer uma alavanca, prendendo-se em qualquer lugar, o que poderá causar fratura, portanto, devemos tê-los sempre à vista.

Que outros cuidados são importantes?

Conhecer e respeitar a amplitude dos movimentos das articulações antes de manusear o bebê. Ver primeiro como ele se movimenta, o que é capaz de alcançar e de que forma, para podermos solicitar dele qualquer atividade ou fazer alguma intervenção. Caso necessite de contenção para acesso, solicitar o auxílio da mãe para fazê-lo de forma global e não segmentária, evitando assim, uma alavanca e possível fratura. Ao trocar a roupa, lembrar sempre de segurar o segmento envolvido.

Alguma outra orientação?

Acrescentar que nós, profissionais de saúde, não devemos, por receio de causar fratura, evitar o atendimento/ manuseio desses pacientes. Ele deve ser cuidadoso e profissional, tendo a consciência de que na OI as fraturas podem ocorrer apesar de todo o cuidado que tenhamos, não esquecendo que estas crianças necessitam de estímulos, toque, carinho e movimento como qualquer outra.

IFF/Fiocruz, por Suely Amarante
Fonte: Portal Fiocruz
Foto: divulgação

Diagnóstico organizacional é apresentado na III Jornada de Pesquisa do ILMD

“Este trabalho é marco histórico que vai estimular e mudar o curso desta unidade”, assim Wilson Savino, diretor do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e coordenador Estratégico de Integração Regional e Nacional da Fiocruz, referiu-se à III Jornada de Pesquisa do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), ocorrida na segunda-feira, 10/4, no Salão Canoas, na sede do Instituto.

O encontro reuniu alunos, bolsistas, pesquisadores, servidores e demais colaboradores do ILMD durante todo o dia para apresentar dados da produção geral de 2013-2016 da Fiocruz Amazônia, tanto em pesquisa, como no ensino.

Wilson Savino (IOC/Fiocruz) e Rodrigo Correa de Oliveira (VPPCB/Fiocruz). Foto: Eduardo Gomes.

Wilson Savino (IOC/Fiocruz) e Rodrigo Correa de Oliveira (VPPCB/Fiocruz). Foto: Eduardo Gomes.

Para ter uma visão geral da Unidade e de seu desempenho, participaram do encontro, Wilson Savino (IOC/Fiocruz)  e Rodrigo Correa de Oliveira, vice-presidente de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB) da Fiocruz.

Segundo Sérgio Luz, diretor do ILMD/Fiocruz Amazônia, a Jornada teve por finalidade apresentar a realidade institucional nas áreas de gestão, ensino, pesquisa e inovação, com a finalidade de identificar necessidades e buscar estratégias para vencer os desafios atuais e futuros.

Rodrigo Oliveira ressaltou a importância da Jornada e de todo o trabalho realizado para identificar lacunas na Unidade e buscar estratégias para avançar em todas as áreas. Para ele, é a partir daí que se pode encontrar caminhos para superar os desafios da inovação, ensino, laboratórios e integração.

Exemplares do Resumo Executivo do Diagnóstico foram distribuídos. Foto: Eduardo Gomes.

Exemplares do Resumo Executivo do Diagnóstico foram distribuídos. Foto: Eduardo Gomes.

DIAGNÓSTICO ORGANIZACIONAL

Durante o evento foi apresentado pelas professoras Muriel Saragoussi e Maria Olívia Simão, ambas do Projeto de Gestão e Desenvolvimento Institucional (PDGI), o Diagnóstico Organizacional do ILMD que teve como base informações referentes ao período de 2013 a 2016.

As informações apresentadas pelo diagnóstico foram geradas a partir de relatórios, entrevistas, dados e percepções de técnicos e gestores de diferentes setores da instituição, compreendendo tanto as áreas de ensino, pesquisa e inovação quanto a de gestão.

Durante o evento foram distribuídos exemplares do Resumo Executivo do Diagnóstico.

INOVAÇÕES

Entre as ações inovadoras do ILMD destacadas durante o evento, o vice-diretor de Pesquisa e Inovação, Felipe Naveca apontou duas: o Curso Técnico de Agente Comunitário Indígena de Saúde: Ensino Médio Indígena, realizado pelo Instituto e pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio (EPSJV/ Fiocruz), e os novos ensaios, que começarão ainda em 2017, com a utilização das estações disseminadoras de larvicida, para o controle de surtos epidêmicos como os vírus zika, dengue ou chikungunya.

ENSINO

Na área de Ensino foi apresentada pela vice-diretora de Ensino, Informação e Comunicação do ILMD, Luiza Garnelo, dados da avaliação da produção acadêmica dos docentes da Unidade, considerando as perspectivas global e per capita docente, bem como os resultados do Indicador intermediário de educação e formação do ILMD – Percentual de Execução das metas de ensino do Plano Anual (PEPA)  referentes ao período  2013 -2016.

Todos os dados apresentados e considerações feitas geraram um registro da atuação da Fiocruz Amazônia e motivaram considerações e reflexões sobre a realidade e desafios da Unidade para os próximos anos.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Conversar sobre depressão é preciso

“Depressão: vamos conversar” é o lema da campanha lançada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) neste 7 de abril, Dia Mundial da Saúde. Segundo estimativas da OMS, no período de 2005 a 2015 houve um aumento de 18% no número de pessoas que vivem com depressão. Quase sete em cada 10 pessoas com depressão, nas Américas, não recebem o tratamento que necessitam.

O médico psiquiatra e pesquisador do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) Maximiliano Loiola Ponte, considera a temática da campanha da OMS muito importante visto que a depressão ainda é um tema negligenciado no sistema de saúde.

A depressão causa sofrimento ao indivíduo, a seus familiares, tem uma forte associação com o suicídio, e é um grave fator de afastamento do trabalho, além de piorar o prognóstico de doenças como diabetes e cardíacas.

Maximiliano Loiola Ponte. Foto: Eduardo Gomes

Maximiliano Loiola Ponte. Foto: Eduardo Gomes

“A depressão não é tão visível como algo que dá num exame, ou algo que a gente possa medir, daí a importância deste tema, mas é preciso lembrar que a depressão é uma condição que não é igual a tristeza. A tristeza todos nós temos, é normal, é importante que a tenhamos, ela é necessária para refletirmos sobre a vida, e para que os outros percebam que a gente precisa de ajuda. Como diz o poeta Vinícius de Moraes: pra fazer um samba com beleza, é preciso um bocado de tristeza … – mas, o que difere a depressão da tristeza é o caráter continuado da depressão, a pessoa fica por pelo menos duas semanas com a tristeza, com o desânimo, com a desesperança, com dificuldades de se concentrar, de tomar decisões, de se alimentar, no sono, no desejo sexual, e tudo isso de forma constante, que não alivia nem quando coisas boas acontecem”, explica Maximiliano.

O pesquisador alerta que tem grupos em situação de vulnerabilidade como idosos e presos em que se torna ainda mais difícil se reconhecer a presença de sintomas depressivos. No entanto, não é incomum pessoas deprimidas sentirem-se mal, e buscarem tratamento no sistema público de saúde. “Mas é preciso que se verifique a rede de assistência psicossocial, precisamos entender que este é um problema de alta prevalência, que precisa ser abordado nos diferentes níveis de atenção”, recomenda.

Vamos conversar

A OMS alerta para as necessidades de investimentos em saúde mental e de acesso a um atendimento efetivo da depressão, pois negligenciar a doença causa um alto custo às nações.

Para Maximiliano Ponte a campanha indica uma reflexão sobre quem deve ser chamado para uma conversa, ou seja, esta conversa deve ser estabelecida com vários atores, entre eles gestores e profissionais de saúde – para que possam identificar a comorbidade com o quadro depressivo, ainda nos níveis primários do atendimento; precisa-se conversar também com a sociedade para que possa perceber as nuances entre tristeza e depressão; com os familiares da pessoa depressiva, para que possam entender e acompanhá-la;  e com a própria pessoa depressiva, para que ela possa entender a doença.

Segundo a OMS, mais de 300 milhões de pessoas vivem com depressão. As estimativas foram divulgadas em 30 de março, pouco antes do Dia Mundial da Saúde.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Com informações da Opas/OMS.

III Jornada de Pesquisa

Será na próxima segunda-feira, 10/4, a III Jornada de Pesquisa do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia). O evento, direcionado a alunos, bolsistas, pesquisadores, servidores e demais colaboradores da instituição, acontecerá de 9h às 17h, no Salão Canoas, na sede do Instituto, à rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona centro-sul de Manaus.

A Jornada tem como finalidade reunir a produção geral de 2016 do ILMD/Fiocruz Amazônia, tanto em pesquisa, como no ensino, para apresentar o desempenho à comunidade institucional, bem como aos novos gestores da presidência da Fiocruz, possibilitando-lhes ter uma visão geral do Instituto.

Estão confirmadas as participações dos vice-presidentes da Fiocruz de Educação, Informação e Comunicação (VPEIC), de Pesquisa e Coleções Biológicas (VPPCB), e do diretor do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e coordenador Estratégico de Integração Regional e Nacional da Fiocruz.

Para acessar a programação da III Jornada de Pesquisa clique.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Imagem: Mackesy Pinheiro

Inscrições abertas para o Simpósio Avançado de Virologia Hermann Schatzmayr

Estão abertas as inscrições para o 4º Simpósio Avançado de Virologia Hermann Schatzmayr, que será realizado de 10 a 12 de maio de 2017, no campus da Fiocruz em Manguinhos, no Rio de Janeiro. O prazo para inscrição vai até 30 de abril, mas os interessados em submeter trabalhos precisam se inscrever e enviar o resumo até 23 de abril. Com foco na apresentação e discussão de resultados de pesquisas desenvolvidas na área da virologia no âmbito da pós-graduação, o evento conta com algumas novidades este ano. Uma delas é a oportunidade de participação de pós-doutorandos, além de estudantes de mestrado e doutorado, com estudos em andamento e com resultados ou concluídos nos últimos 12 meses. A atividade é promovida pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), com apoio da presidência da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), da Editora Fiocruz, dos Programas de Pós-graduação em Biologia Celular e Molecular e em Medicina Tropical do IOC, da Prefeitura de Campo Novo do Parecis, no Mato Grosso, e das Sociedades Brasileiras de Medicina Tropical, Virologia, Infectologia e Mastozoologia.

“Nosso objetivo é valorizar a produção científica da pós-graduação, reunindo estudantes que realizam trabalhos na área de virologia e oferecendo um espaço para discussão de resultados, com a participação de pesquisadores seniores”, ressalta a pesquisadora Elba Lemos, chefe do Laboratório de Hantaviroses e Rickettsioses do IOC e uma das organizadoras do Simpósio. Segundo ela, a duração do evento vem sendo ampliada anualmente em resposta à grande demanda. “Este ano, teremos dois dias e meio de programação e contaremos com a participação de professores de universidades do Mato Grosso, além de pesquisadores de diversas instituições do Rio de Janeiro na moderação das sessões e no comitê científico”, comemora. Na sexta-feira, 12/05, as atividades da parte da manhã serão integradas à programação do Centro de Estudos do IOC.

Destaque para pôsteres

Entre os estudos submetidos para o Simpósio, 24 serão selecionados para as quatro sessões de apresentação oral, nas quais os autores terão 15 minutos para expor seus resultados. O melhor trabalho de cada sessão será premiado. Pela primeira vez, os projetos aceitos para a sessão de pôsteres também poderão ser divulgados em sessões de apresentação oral resumida, com único slide e cinco minutos para exposição. “O objetivo é que os estudantes destaquem os principais pontos das suas pesquisas para que os interessados possam procurá-los e aprofundar as discussões durante as sessões de pôsteres”, explica Elba. Todos os estudos apresentados no evento serão publicados em uma edição especial do periódico Virus Reviews and Research.

No primeiro dia da atividade, após a mesa de abertura, haverá uma mesa redonda sobre temas atuais da virologia. O infectologista Rivaldo Venâncio, pesquisador da Fiocruz, vai abordar a situação atual das arboviroses no Brasil. Já o pesquisador Fábio Gouveia, da Casa de Oswaldo Cruz (COC/Fiocruz), discutirá a divulgação da ciência na mídia. Em seguida, ocorrerá a apresentação de um grupo indígena do Mato Grosso.

Como se inscrever

A inscrição deve ser realizada através do formulário online. Para submeter um trabalho, é preciso estar inscrito no Simpósio e ter um projeto de mestrado, doutorado ou pós-doutorado na área da virologia em fase de desenvolvimento e com resultados ou concluído nos últimos doze meses. O resumo em inglês deve ser enviado para o e-mail viroses@ioc.fiocruz.br. O texto deve ter, no máximo, 1.500 caracteres (na contagem sem espaços), em um único parágrafo, com espaçamento simples e fonte Times New Roman de tamanho 12. O conteúdo deve trazer breve introdução, materiais e métodos, discussão dos resultados e conclusão. Além do nome e e-mail do autor, devem constar os nomes dos orientadores, dos coautores e da instituição onde o trabalho está sendo realizado. O texto não deverá conter citações bibliográficas, nem lista de referências bibliográficas. Notas de rodapé e abreviações não definidas não devem ser utilizadas no resumo. Acesse o modelo de resumo.

Para mais informações  e programação clique.

IOC/Fiocruz, por Maíra Menezes

Secretários municipais de saúde do AM discutem Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade – PMAQ

Encerra nesta sexta-feira, 24/3, o V Congresso de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas e Acolhimento aos Gestores Municipais do Estado do Amazonas. O evento é realizado pelo Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM), e iniciou no último dia 21, no Amazônia Golf Resort, no Rio Preto da Eva (AM). O tema desta edição é “Acolhimento aos novos gestores de Saúde: em busca de alternativas sustentáveis para o SUS”.

A programação do último dia de evento acontece de 8h às 11h e gira em torno da discussão sobre o Programa de Melhoria do Acesso e da Qualidade (PMAQ). Nesta ocasião será debatido o processo de avaliação externa com foco na percepção das instituições avaliadoras, bem como serão discutidas também as mudanças no 3º. Ciclo do PMAQ, o papel e a importância da autoavaliação no processo de melhoria dos serviços de Atenção Básica com foco na Autoavaliação para Melhoria do Acesso e da Qualidade (AMAQ) Virtual e na implementação da Matriz de Intervenção.

A plenária será coordenada por Daniel de Sales Barroso, do Cosems, e terá como expositores a enfermeira Larissa Minelvino (gerente do Departamento de Atenção Básica e Ações Estratégicas –Dabe/Susam, Maria Luiza Garnelo (vice-diretora de Ensino, Comunicação e Informação do ILMD/Fiocruz Amazônia), e Esron Soares Rocha (professor da Universidade Federal do Amazonas).

SOBRE O COSEMS

O Conselho é uma entidade que representa os interesses das secretarias municipais de saúde e tem como membros-efetivos secretários de saúde.

Sua missão é fortalecer e representar o conjunto das secretarias municipais de saúde, objetivando a autonomia e intercâmbio dos municípios, bem como lutar pelos interesses coletivos e participar da formulação das políticas públicas de saúde, a fim de efetivar a consolidação do SUS e melhorar a saúde da população do estado do Amazonas.

Durante o V Congresso, o atual secretário de saúde do município de Manaquiri, Januário Neto, foi reeleito para presidir a instituição, no biênio 2017/2019.

Para mais informações sobre o Cosems-AM clique.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Foto: Cosems-AM