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Estudo avalia formação de agentes de combate a endemias

Todos os dias, agentes de combate às endemias (ACE) que atuam nos Programas de Saúde da Família visitam casas, terrenos baldios, indústrias e estabelecimentos comerciais, tendo como uma das missões identificar focos de doenças. Esses trabalhadores, juntamente com os agentes comunitários de saúde (ACS), são atores essenciais para o controle de uma série de arboviroses, entre elas a dengue e a febre amarela. Com uma tarefa tão importante, é de se esperar que os ACE sejam altamente qualificados. Entretanto, uma pesquisa de doutorado da Fiocruz Minas mostrou que, embora existam iniciativas voltadas para a capacitação desses profissionais, não há uma política de formação de longa duração, capaz de fornecer, com consistência, toda a gama de conhecimentos que a função requer. O estudo revelou, ainda, a forma como esses trabalhadores se enxergam, se identificam e como pensam ser vistos pela sociedade.

A pesquisa se dividiu em duas etapas: análise de documentos e entrevista com os ACE. Para realizar a primeira etapa, os pesquisadores se debruçaram sobre os acervos eletrônicos do Ministério da Saúde e do Ministério da Educação, visando identificar conteúdos relacionados à formação dos ACE, entre 2001 e 2016, tendo como foco o tema dengue. No total, 14 documentos foram analisados.

“De um modo geral, pôde-se observar que não há uma política de formação sendo executada de forma permanente dentro do contexto da dengue. O que existem são ações conjunturais, insuficientes uma vez que sabemos que doenças como a dengue têm uma relação estreita com os determinantes sociais e, para combatê-las, é necessário mais que medidas pontuais”, afirma a pesquisadora Janete Evangelista, responsável pelo estudo que é fruto de sua tese de doutorado.

De acordo com a pesquisadora, a análise mostrou que o conteúdo disponibilizado privilegia o controle de vetores, sobrepondo-se a uma política de educação profissional consolidada. Além disso, percebeu-se uma preponderância de linguagem técnica e biomédica,  distante da realidade dos ACE.  Os documentos indicaram ainda serem atribuídas a esses profissionais atividades que exigem mais conhecimento do que vem sendo oferecido, como por exemplo orientar a população em ações de educação em saúde.

ENTREVISTAS

A inexistência de um sistema sólido de formação profissional, constatada pela análise documental, pôde ser confirmada por meio entrevistas com os ACE. Nesta segunda etapa do trabalho, as pesquisadoras conversaram com profissionais que atuam na prevenção e controle da dengue no distrito de Eldorado, localizado no município de Contagem, região metropolitana de Belo Horizonte. Ao todo, foram entrevistados 30 ACE, no decorrer de 2016, por meio da técnica de grupo focal, que convida os participantes a falarem de temas específicos. Trajetória de formação e identidade foram os assuntos propostos.

Durante os encontros, os entrevistados relataram que se sentem inseguros para realizar suas atividades por não contarem com um programa sistematizado e regular de qualificação. Muitos afirmaram que não receberam um curso básico introdutório e, por isso, não têm clareza sobre a prescrição mínima de suas tarefas. Boa parte deles declarou ter sido orientada de forma informal pelos próprios colegas.

“Somente os trabalhadores que estão há mais tempo na função disseram ter passado por treinamento. Já os novatos relataram que o aprendizado se deu na prática cotidiana, numa espécie de ‘telefone sem fio’, em que os mais antigos repassam as informações para os mais novos”, conta Janete.

Segundo a pesquisadora, os entrevistados também afirmaram desconhecer conteúdos relacionados à dengue disponibilizados online. Relataram ainda que, no ambiente de trabalho, não têm acesso à internet.

“Por conta desses relatos, um dos desdobramentos do nosso estudo será a criação de um portfólio de fontes sobre dengue e, para isso, já fizemos um levantamento dos sites do Ministério da Saúde, da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais e Secretaria Municipal de Saúde de Contagem, que abordem a temática. Compilamos os dados encontrados e, em breve, vamos disponibilizar o portfólio para que os ACE possam consultar e buscar informações ”, revela a pesquisadora.

IDENTIDADE

O estudo apontou ainda que a falta de uma formação consistente reflete na forma como os ACE se percebem e são reconhecidos. Tal fato impacta no processo de formação de sua identidade profissional. Pela falta de padronização de suas atividades, precário processo de integração com as equipes de saúde da família, dentre outros fatores, cada profissional forma uma imagem individual a respeito do seu trabalho. Em geral, todos apresentam baixa autoestima e desmotivação.

Embora tenham declarado que consideram importante as atividades desempenhadas  por eles, os ACE disseram que não se sentem valorizados. Durante as entrevistas, eles destacaram a falta de infraestrutura, a precariedade do vínculo de trabalho e também as diferenças no tratamento entre os trabalhadores concursados e os contratados via CLT.

“Essa informação presente nos relatos já tínhamos constatado também pela análise da documentação: grande variação de contratos, regimes de trabalho diversificados e diferenças marcantes de escolaridade, gerando, com isso, uma dificuldade na construção de sua identidade profissional”, comenta Janete.

Em relação à infraestrutura, os entrevistados fizeram uma série de observações, entre elas a falta de crachá, questão que reflete diretamente na forma como eles pensam ser vistos pela sociedade. “Eles revelaram um sentimento de serem os não-identificados, os quase invisíveis ao setor saúde nesse contato com a população”, conta a pesquisadora.

Outro aspecto discutido durante os grupos focais foi a forma como os ACE são designados pela população. As mulheres disseram que são chamadas de ‘meninas da dengue’ ou ‘dengosas’; os homens são conhecidos como ‘rapazes da dengue’. “A questão da nomenclatura também foi identificada na análise documental. Os próprios órgãos oficiais usam uma variedade de nomes para designar esse tipo de profissional e isso interfere na identidade deles e na forma como desempenham o trabalho”, observa Janete.

Segundo a pesquisa, a questão predominante nos relatos foi a sensação de impotência ao lidarem com a situação da dengue e outras arboviroses. Os entrevistados declararam não se sentirem preparados para dar as respostas que a população precisa.

Para a pesquisadora, o estudo deixa claro que ações políticas mais integradas e intersetoriais podem auxiliar na legitimação das práticas e políticas de formação e trabalho dos ACE, auxiliando-os a se reconhecerem como pertencente a uma categoria profissional. “ E o mais importante: a institucionalização de uma sólida política de educação profissional direcionada ao ACE pode contribuir para um avanço significativo na prevenção e no controle da doença e vetores”, diz.

Intitulada Qualificação e educação profissional no contexto da dengue: a perspectiva dos agentes de combate às endemias, a pesquisa teve orientação de Virgínia Schall (in memorian) e Denise Nacif Pimenta. O estudo deu origem a dois artigos, um deles já publicado e disponível aqui.

Fonte: Fiocruz Minas

Especialista esclarece dúvidas sobre refluxo de bebês

Cerca de 67% dos bebês prematuros regurgitam entre o quarto e o quinto mês de vida, no entanto, não são só eles que podem sofrer de refluxo, todos os recém-nascidos são suscetíveis. Na maioria das vezes, trata-se do refluxo fisiológico, provocado pela imaturidade do sistema digestivo dos pequenos e não causa maior desconforto. Esse tipo regride espontaneamente conforme a criança cresce e pode ser contornado com soluções paliativas.

A volta do leite não é o único sinal do refluxo, há casos em que o bebê tosse, apresenta chiado no peito e tem dificuldade para respirar. “A mãe também pode desconfiar do problema quando a criança chora demais, fica irritada, inquieta, dorme mal e recusa alimentos. Essas reações são resultado do desconforto causado pela acidez. Não é raro também que o refluxo seja confundido com cólicas”, afirma Cynthia Amaral, coordenadora da área de Atenção Clínica ao Recém-Nascido do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).

Abaixo, a profissional esclarece as principais dúvidas sobre o assunto.

O que é o refluxo?
O refluxo é caracterizado pelo retorno do conteúdo do estômago para o esôfago e outras áreas como a boca. É um evento comum nos primeiros meses de vida, que na maioria das vezes não causa sintomas graves e está ligada à regurgitação, também conhecida como golfada. Essas acontecem duas ou mais vezes por dia em quase metade das crianças até os dois meses, e em 1% daquelas com cerca de um ano. A melhora, espontânea, está relacionada ao crescimento e desenvolvimento da criança.

Como identificar o refluxo?
Cabe ao pediatra diferenciar o refluxo fisiológico — ou seja, aquele sem sintomas — do caracterizado como doença do refluxo, que pode provocar complicações. Assim, ele orientará a família adequadamente e definirá um tratamento se julgar necessário. A maioria dos diagnósticos são clínicos, ou seja, feito pela história, exame físico e avaliação do ganho de peso. Os exames complementares geralmente não são necessários

O que pode indicar quadros mais acentuados?
O refluxo torna-se doença quando a frequência, a duração e a quantidade do material refluído são elevadas e associam-se a alguns sintomas. Entre eles estão recusa alimentar, sangramento digestivo, dificuldade respiratória, episódios de bradicardia (redução do ritmo cardíaco), anemia, irritabilidade excessiva, ganho de peso insatisfatório e choro constante.

Qual o tratamento para o refluxo?
A maioria dos bebês precisa apenas de algumas medidas para diminuir o desconforto. São elas: evitar balançá-los, não vestir roupas que apertem a barriga, não deixar chorarem por muito tempo, botar um calço de 10 cm para manter a cabeceira do berço elevada cerca de 30 graus, ter uma boa posição durante as mamadas para prevenir a entrada de ar pela boca e, após terminar, deixá-los no colo, na posição vertical, por mais ou menos 30 minutos.

Os casos graves devem ser acompanhados por pediatra e/ou gastroenterologista, somente eles têm capacitação para interpretar os exames e escolher a terapia correta para cada paciente.

IFF/Fiocruz, por Juliana Xavier

Oficina vai definir programação do 13º Congresso Internacional da Rede Unida

Nos próximos dias 25 e 26 de janeiro (quinta e sexta-feira) será realizada a 2ª Oficina Nacional de Programação do 13º Congresso Internacional da Rede Unida. O encontro acontecerá de 8h30 às 17h, na sede do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), à rua Teresina, 476, Adrianópolis, zona Centro-Sul de Manaus.

A oficina visa definir temáticas para os fóruns, mesas-redondas, rodas de conversa, distribuição dos trabalhos por eixo, e planejar a divulgação da 13ª. edição do Congresso Internacional da Rede Unida, cujo tema central é “Faz escuro, mas cantamos: redes em re-existência nos encontros das águas”.

Confira aqui a programação.

Para Rodrigo Tobias, presidente do 13º Congresso, “a oficina em Manaus é um momento importante do planejamento e organização do congresso. Etapa imprescindível para sistematizar a programação das távolas institucionais, fóruns internacionais e apresentação de trabalhos aprovados pela comissão científica, além de decidir sobre a programação cultural e do eixo arte e cultura. A participação de representantes da OPAS, CNS, Fiocruz, Coordenação Nacional da Rede Unida e parceiros locorregionais contribuirá para pensarmos um evento à altura da Amazônia”.

SOBRE O CONGRESSO

O 13º Congresso Internacional da Rede Unida será realizado no período de 30 de maio a 2 de junho de 2018, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Sua finalidade é propor o debate em torno da saúde, da educação, da arte e cultura, da participação cidadã, da gestão e do trabalho em saúde na perspectiva do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

O evento reunirá trabalhadores da saúde, usuários do SUS, pesquisadores, estudantes, professores, gestores e representantes de movimentos sociais. Este ano, o congresso será realizado em Manaus, pela primeira vez numa cidade do Norte do País.

São parceiros desta edição a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Conselho Nacional de Saúde (CNS), UFAM, Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Prefeitura de Manaus, Secretaria Municipal de Saúde de Manaus (Semsa), Secretaria Municipal de Educação Manaus (Semed), Sistema Único de Saúde (SUS), Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM) e ILMD/Fiocruz Amazônia.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

PPGVIDA e PPGBIO-Interação divulgam listas de alunos especiais selecionados para os cursos de mestrado

Os Programas de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) e em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação), ambos do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), divulgaram nesta quinta-feira, 18/01, os nomes dos candidatos selecionados para cursarem disciplinas como alunos especiais.

As listas estão disponíveis na Plataforma Sigass, da Fiocruz.

Para acessar a lista do PPGVIDA, clique.

Para acessar a lista do PPGBIO-Interação, clique.

SOBRE OS CURSOS

O Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro (PPGBIO-Interação) tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro, no âmbito da maior biodiversidade mundial.

O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na ecoepidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.

O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA) tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

O PPGVIDA também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas

Matéria da série Clima e Saúde, do Icict/Fiocruz, aborda queimadas

Série de reportagens produzidas pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz) aborda mudanças climáticas e seus efeitos na saúde do brasileiro, a partir de estudos do Observatório Nacional de Clima e Saúde. A nova matéria tem como tema queimadas.

Olhando para trás, 2004 ficou marcado pelos 270.295 focos de incêndio em todo o país – o ápice do número de queimadas no século XXI. Naquele ano, apenas no bioma Amazônia, que ocupa cerca de 40% do território nacional e onde estão os estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia e Roraima, e também partes do Maranhão, Tocantins e Mato Grosso, foram 145.251 focos.

Em 2017, foram 275.120 focos de incêndio em todo o território nacional, conforme dados do Programa Queimadas, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), um aumento de 1,78%. O bioma Amazônia no entanto, teve uma pequena redução, com 132.296 focos. Contudo, não há muito o que comemorar – segundo reportagem do jornal O Globo, “o fogo aumentou em áreas de floresta natural, onde não chegava antes — afirma Alberto Setzer, responsável pelo monitoramento de queimadas do Inpe”.

Em Rondônia, onde está situado o sítio sentinela do Observatório Nacional de Clima e Saúde, os focos de fogo apresentam também um número elevado.

O sítio sentinela está localizado na capital rondoniense, em Porto Velho, uma das áreas mais afetadas por conta das queimadas na região amazônica. Ele é coordenado pela pesquisadora associada do Observatório, Sandra Hacon, da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp) e o pesquisador Christovam Barcellos, do Icict, ambos da Fiocruz.

Segundo a pesquisadora Hacon, desde o Programa de Integração Nacional, na década de 1970, o desmatamento na região amazônica começou a ocorrer com maior intensidade, com o processo de colonização e o incentivo de ocupação do território pelo governo federal. “Esse intenso processo de desmatamento dará lugar, mais tarde, a indústria madereira e a pecuária na região, que destrói de forma intensa e extensa o solo da Amazônia, com o desmatamento, que leva às queimadas”, explica. Mas, como as queimadas podem prejudicar à saúde da população da região? Hacon afirma que “há a emissão de material particulado, microscópico, que em sua composição tem vários compostos e elementos. Esse material particulado, principalmente, é que vai prejudicar a saúde da população da Amazônia”.

Ela chama a atenção sobre a alta taxa de desmatamento de Rondônia – cerca de 70% de seu território já havia sido desmatado para plantações e pastagens. Com isso, “aumentaram as taxas de doenças respiratórias, principalmente nos grupos vulneráveis – crianças e idosos – e pessoas com doenças pregressas, relacionadas tanto quanto às doenças respiratórias, quanto às doenças cardiovasculares”.

Em um estudo de 2013, intitulado “Distribuição espaço-temporal das queimadas e internações por doenças  respiratórias em menores de cinco anos de idade em Rondônia, 2001 a 2010”, das pesquisadoras Poliany Rodrigues (Ensp/Fiocruz), Eliane Ignotti  (Unemat e UFMT, ambas do Mato Grosso) e Sandra Hacon, chama a atenção de que “as áreas com maior número de focos de queimadas diferiram daquelas com as taxas mais elevadas de internações por doenças respiratórias. Isso pode demonstrar a importância do transporte deste material particulado em longas distâncias na Amazônia.

Supõe-se que a exposição aos poluentes provenientes das queimadas não necessariamente coincidiu com o local de ocorrência do foco de queimada, razão pela qual os focos de calor devem ser utilizados como indicadores indiretos de exposição”.  Além disso, as pesquisadoras recomendam que haja um “monitoramento do material particulado proveniente das queimadas na microrregião de Porto Velho, apontada neste estudo como área crítica por apresentar a maior concentração de focos de queimadas da região. Também é relevante acompanhar os indicadores de saúde sobre os impactos à saúde humana provocados pelos poluentes gerados nas queimadas, com a implantação de áreas sentinelas pelos programas de vigilância à saúde na Amazônia”.

O site do Icict levantou alguns dados do Sistema de Informações Hospitalares do SUS (SIH/SUS), do Datasus, sobre doenças respiratórias na região de 2012 até novembro de 2017.

Esta é a segunda matéria da série “Clima e Saúde”, sobre as mudanças climáticas e seus efeitos na saúde do brasileiro, a partir dos estudos realizados pelo Observatório Nacional de Clima e Saúde, do Icict, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Na próxima matéria, o sítio sentinela Transfronteiriço, entre a Guiana Francesa e o Brasil, que pesquisa as ocorrências de malária na região e seus impactos na população local da fronteira entre os dois países.

Leia matéria completa da série Clima e Saúde, no site do Icict/Fiocruz.

Confira também Observatório Clima e Saúde ganha destaque na OMS e na COP23

Icict/Fiocruz, por Graça Portela

Fiocruz recebe prêmio da Opas por projeto contra a malária

Às margens do rio Negro, na fronteira entre os municípios de Barcelos e Novo Airão no estado do Amazonas, moradores de 14 comunidades ribeirinhas da extensa e isolada área do Parque Nacional do Jaú permaneceram longos anos sob o impacto da malária. Um projeto do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) foi decisivo para transformar essa realidade. No início dos anos 2000, o Índice Parasitário Anual (IPA), indicador do risco de ocorrência de malária, atingia taxas que classificavam o parque como o maior foco não indígena de malária da bacia do rio Negro. Em 2013, quatro anos após o início de ações de diagnóstico, tratamento e vigilância, já não eram mais registrados casos de transmissão local. A contribuição para a promoção da saúde da população, com a eliminação da doença, rendeu reconhecimento internacional, com o prêmio ‘Campeões contra a Malária nas Américas’, concedido pela Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS/OMS).

“O reconhecimento da OPAS ressalta o valor da pesquisa aplicada para o país, a importância da aproximação da Academia com programas de controle de doenças e boas iniciativas de Organizações Não-Governamentais. A conquista destaca o papel da Fiocruz, neste caso, em especial, o Instituto Oswaldo Cruz, como instituição que atua fortemente na promoção da saúde e na qualidade de vida da população brasileira”, salientou a coordenadora do projeto e pesquisadora do Laboratório de Doenças Parasitárias do IOC, Simone Ladeia Andrade. Doença causada por parasitos do gênero Plasmodium, a malária é transmitida, em geral, pela picada de mosquitos anofelinos infectados. A maior prevalência dos casos no Brasil está na região amazônica, com índice que supera os 99% em relação a todo o território nacional.

Assista ao vídeo sobre o projeto produzido pela Opas:

SOBRE A INICIATIVA

O ponto de partida para o projeto foi uma iniciativa que também teve sua excelência reconhecida: conquistou, em 2005, o Prêmio Capes de Tese, considerado o mais importante do país. A pesquisa, conduzida por Simone durante seu doutorado no Programa de Pós-graduação em Medicina Tropical do IOC, havia analisado a epidemiologia da malária no Parque Nacional do Jaú entre 2002 e 2003, fornecendo informações sobre endemicidade local, prevalência por microáreas, fatores associados à infecção, apresentação clínica e imunidade da população às diferentes espécies do parasito. Os resultados evidenciaram uma distribuição heterogênea da endemia na área, transmissão intradomiciliar, anemia associada à malária, certo grau de imunidade anti-infecção e anti-doença na população e uma taxa de infecções assintomáticas em torno de 15%, aspecto que, juntamente com o isolamento da área, dificultava a detecção e o tratamento das pessoas infectadas. Anos mais tarde, esses dados seriam utilizados como base para o desenvolvimento de uma análise mais profunda, dando origem ao projeto que acaba de ser premiado pela OPAS.

No recente projeto, a partir de 2009, Simone e uma equipe variada, composta por técnicos, agentes municipais de endemias, pesquisadores e alunos, voltaram a percorrer periodicamente as 14 comunidades do Parque Nacional do Jaú (5 no rio Jaú e 9 no rio Unini) em um esforço de busca ativa de pessoas infectadas por Plasmodium, sintomáticos ou não. As visitas, realizadas em média a cada três meses, duravam de 35 a 50 dias. Toda a população presente (500 indivíduos em média) era submetida à entrevista, exames clínicos, diagnóstico e tratamento de malária e anemia in loco, visando esclarecer a dinâmica da transmissão da endemia, causas, consequências e fatores de risco para infecção e adoecimento e possibilidades de controle. “Nesse contexto, a rápida identificação e tratamento imediato de casos a cada três meses contribuíram para conter a circulação do parasita na população e, consequentemente, levaram a uma redução drástica na incidência de casos ainda no mesmo ano”, aponta Simone, ressaltando a contribuição do pesquisador Marcelo Urbano Ferreira, do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP), na realização da etapa de diagnóstico molecular.

Em abordagem entomológica simultânea, os trabalhos de campo também contavam com coletas de larvas e de mosquitos vetores, no intuito de caracterizar a distribuição e comportamento das diferentes espécies locais, assim como monitorar sua resistência a inseticidas. Mosquiteiros impregnados e não impregnados com inseticidas foram distribuídos, no entanto, não houve boa adesão por parte da população, evidenciando o papel fundamental das detecções e tratamentos de infectados na redução da malária. A análise dos dados do projeto ainda está em andamento. De acordo com Simone, a expectativa é de que os dados possam contribuir para o entendimento sobre os fatores de risco para transmissão, infecção e adoecimento na população ribeirinha.

SOMATÓRIO DE FORÇAS

À iniciativa da ONG catalã Nucli d’estudis per a l’Amazònia de Catalunya (Neac) de instalar postos de microscopia e treinar comunitários no diagnóstico de malária, a equipe do IOC, apoiada pelo Lacen de Manaus, contribuiu aprimorando a capacitação desses novos profissionais locais, visando garantir o correto diagnóstico e tratamento da doença na área. A qualificação dos microscopistas comunitários foi realizada com atividades teóricas e práticas em cada visita da equipe ao parque. Uma vez formados, os microscopistas passaram a integrar o projeto, realizando busca ativa de infecção mensalmente, no intervalo das visitas da equipe de pesquisa ao longo de 2010.

O conjunto de ações de diagnóstico, tratamento e vigilância iniciado em 2009 acarretou na redução de 62% na transmissão da malária ainda no mesmo ano e de 94% em 2010, no Parque Nacional do Jaú. O último caso de Plasmodium falciparum, parasito causador da malária com maior risco de agravamento, na área, foi registrado em 2013. Desde então, foram detectados apenas casos isolados e pequenos surtos (em 2017) de malária por P. vivax, a partir de casos importados das áreas urbanas. Deste modo, o Parque Nacional do Jaú se encontra em estágio de eliminação e prevenção de reintrodução da malária, estando sob vigilância para a detecção e contenção de casos importados com a finalidade de impedir que a endemia se restabeleça.

De caráter interdisciplinar, o projeto contou com a colaboração de especialistas da Fundação de Vigilância em Saúde de Barcelos, Secretaria Municipal de Saúde de Barcelos, Laboratório Central do Amazonas, Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade. A iniciativa também contou com apoio de pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e de cientistas, alunos e técnicos do Instituto Oswaldo Cruz, em especial, dos Laboratórios de Fisiologia e Controle de Artrópodes Vetores e de Doenças Parasitárias. O projeto teve financiamento do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e do Programa de Apoio à Pesquisa Estratégica em Saúde (PAPES), da Fiocruz.

SOBRE O PRÊMIO

A iniciativa ‘Campeões contra a Malária nas Américas’ reconhece iniciativas locais ou nacionais que demonstraram sucesso na prevenção, controle, eliminação ou prevenção da reintrodução da malária em comunidades, países ou nas Américas como um todo. A edição de 2017, em especial, destacou a vigilância e o acesso ao diagnóstico e tratamento como componentes essenciais para a eliminação e prevenção do restabelecimento da malária. A cerimônia de entrega das premiações foi realizada em novembro, na sede da OPAS em Washington, capital dos Estados Unidos. Além do projeto ‘Parque Nacional do Jaú (PNJ) Amazonas/Fiocruz’, também foram agraciados os projetos ‘Eirunepé – do Caos à Vigilância’, da Secretaria Municipal de Saúde de Eirunepé, município do interior do Amazonas, e ‘Binomial plan for malária elimination in Hispaniola Island – Ouanaminthe-Djabon’, do Programa Nacional de Controle da Malária do Haiti e do Centro Nacional Para o Controle das Enfermidades Tropicais da República Dominicana.

IOC/Fiocruz, por Lucas Rocha

Crianças portadoras do HIV terão novo medicamento com tecnologia inovadora

Crianças que vivem com o vírus HIV da aids, no Brasil, serão beneficiadas com a chegada de um medicamento fabricado com tecnologia inovadora.

O remédio, conhecido como Efavirenz, já produzido na forma de comprimidos, indicados no coquetel de tratamento da aids, de adultos, foi incrementado a partir do uso da nanotecnologia ou pequenas partículas. O resultado é uma versão diferenciada menor, para melhorar a aceitação pelas crianças.

A tecnologia permite melhor aproveitamento do princípio ativo da substância pelo organismo, uma vez que as formulações líquidas existentes, além de não serem recomendada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), têm sabor desagradável, curto prazo de validade e elevado custo para transporte.

O produto está sendo desenvolvido por pesquisadores do Instituto de Tecnologia em Fármacos, Farmanguinhos, da Fiocruz, principal instituição pública produtora de antirretrovirais no país para o Ministério da Saúde (MS).

O pesquisador Helvécio Rocha, coordenador do Laboratório de Sistemas Farmacêuticos Avançados, disse que a expectativa é de que o novo comprimido, que se dissolve na boca e na água, facilite a aceitação pelos pequenos pacientes.

“A ideia do nosso produto é gerar para esses pacientes pediátricos uma formulação mais adequada à idade deles. A gente precisa dar uma apresentação boa porque é um tratamento de longo prazo. Aí, se o sabor for ruim, as crianças começam a rejeitar a medicação. Tem essa tentativa de melhorar o sabor e, ao mesmo tempo, adequar o produto nacional a recomendações do MS e da OMS”, enfatizou.

Segundo Rocha, o desafio maior foi colocar o princípio ativo em porções pequenas, para que o remédio chegasse à corrente sanguínea sem perder o efeito desejado.

Ele disse ainda que esse tipo de medicamento pediátrico para tratamento da aids, com a tecnologia das nanopartículas, é inédito no mundo.

A previsão é de que o produto passe por testes clínicos até o final do próximo ano e fique disponível no mercado em 2020.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, 21 mil crianças no Brasil são soropositivas, isto é, portadoras do vírus HIV.

Márcia Wonghon – EBC

Equipes recebem treinamento sobre gerenciamento de resíduos

Com o objetivo de orientar quanto às normas vigentes de tratamento, descarte e destinação final de resíduos químicos e biológicos produzidos nos laboratórios de pesquisa do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), as equipes da Gerência do Laboratório de Multiusuários,  do Serviço de Gestão de Infraestrutura (Seinfra) e alunos bolsistas receberam na terça-feira,   19/12, treinamento sobre “Gerenciamento de resíduos de serviços de saúde “.

O treinamento foi ministrado pela enfermeira Elizabete Rocha, da Norte Ambiental Tratamento de Resíduo Ltda., que discorreu sobre a Resolução 306/2004, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária, que dispõe sobre o regulamento técnico para gerenciamento dos resíduos do serviço de saúde, e sobre a Resolução 358/2005 – que aborda o tratamento e a disposição final dos resíduos de serviço de saúde e demais providências.

Hoje, 20/12, foi realizada a primeira coleta do material contingenciado, que totalizou 1.074 kg, feita pela empresa Norte Ambiental, que dará a destinação final adequada ao material coletado.

Segundo a gerente do Laboratório de Multiusuários, Giovana Pinheiro, “a formalização do contrato de coleta de resíduos, iniciado em 1º/12/2017, cumpre uma etapa de um trabalho de adequação das rotinas laboratoriais, dentro do Sistema de Gestão da Qualidade. Foi um trabalho realizado em parceria com a Comissão de Biossegurança”, disse.

Os alunos bolsistas que participaram do treinamento desenvolvem atividades de pesquisa sob orientação do pesquisador do ILMD/Fiocruz Amazônia, Pritesh Lalwani, em laboratório localizado no minicampus  da Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Este laboratório também receberá ponto de coleta de resíduos.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Fotos: Eduardo Gomes e Marlúcia Seixas

PPGVIDA abre inscrições para aluno especial

O Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA), do Instituto de Pesquisa Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), recebe nos dias 4 e 5 de janeiro, inscrições para aluno especial.

São 35 vagas para aluno especial, distribuídas entre as seguintes disciplinas: Espaço Saúde e Ambiente na Amazônia (10 vagas); APS e Redes de Saúde em Cenários Amazônicos (15 vagas); e Microbiologia em Saúde Pública (10 vagas).

Para o edital, clique.

Podem se inscrever alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu da Fiocruz;  alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu de outras instituições públicas e/ou privadas;  alunos de curso de pós-graduação lato sensu da Fiocruz; alunos de outros cursos de pós-graduação lato sensu de outras instituições públicas e/ou privadas; candidatos com curso de pós-graduação lato sensu concluído, que não estejam no momento da inscrição fazendo outro curso de lato sensu ou cursando stricto sensu.

Para inscrição, acesse a Plataforma Siga, da Fiocruz, em   http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=120

SOBRE O PPGVIDA

O Programa tem como objetivo capacitar profissionais para desenvolver modelos analíticos capazes de subsidiar pesquisas em saúde, apoiar o planejamento, execução e gerenciamento de serviços e ações de controle e o monitoramento de doenças e agravos de interesse coletivo e do Sistema Único de Saúde na Amazônia.

Além disso, o PPGVIDA também visa planejar, propor e utilizar métodos e técnicas para executar investigações na área de saúde, mediante o uso integrado de conceitos e recursos teórico-metodológicos advindos da saúde coletiva, biologia parasitária, epidemiologia, ciências sociais e humanas aplicadas à saúde, comunicação e informação em saúde e de outras áreas de interesse acadêmico, na construção de desenhos complexos de pesquisa sobre a realidade amazônica

A seleção dos candidatos será feita no período de 11 a 16 de janeiro e a divulgação dos nomes selecionados ocorrerá no dia 19 de janeiro.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Imagem: Mackesy Pinheiro

Mestrado em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro abre inscrições para aluno especial    

Nos dias 4 e 5 de janeiro de 2018 estarão abertas as inscrições para candidatos a aluno especial do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação), do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia).

Para se inscrever o candidato deve acessar a Plataforma Sigass, da Fiocruz, no link http://www.sigass.fiocruz.br/pub/inscricao.do?codP=127. As disciplinas oferecidas são: Interação da Relação Patógeno Hospedeiro I; Interação da Relação Patógeno Hospedeiro II; e Princípios e aplicações da Citometria de Fluxo.

Acesse o edital.

As inscrições são abertas a alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu da Fiocruz; alunos de outros cursos de pós-graduação stricto sensu de outras instituições públicas e/ou privadas; alunos de curso de pós-graduação lato sensu da Fiocruz; alunos de outros cursos de pós-graduação lato sensu de outras instituições públicas e/ou privadas; e a candidatos com curso de pós-graduação lato sensu concluído, que não estejam no momento da inscrição fazendo outro curso de lato sensu ou cursando stricto sensu.

Os nomes dos candidatos selecionados serão divulgados no dia 19 de janeiro de 2018.

SOBRE O CURSO

O Programa de Pós-Graduação em Biologia da Interação Patógeno-Hospedeiro é um curso stricto sensu, que tem como essência a dinâmica de transmissão das doenças e as interações moleculares e celulares da relação patógeno-hospedeiro, no âmbito da maior biodiversidade mundial.

O PPGBIO-Interação se enquadra na grande área em Parasitologia devido a pesquisa e ensino terem ênfase na ecoepidemiologia e biodiversidade de micro-organismos e vetores; fatores de virulência, mecanismos fisiopatológicos e imunológicos associados na interação parasito-hospedeiro.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Marlúcia Seixas
Foto: Ascom-ILMD/Fiocruz Amazônia