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Estudo aponta importância dos fatores genéticos na suscetibilidade da leishmaniose cutânea

Pesquisadores identificaram através de um estudo genético do hospedeiro (homem) quais genes estão associados à resposta imune e na cicatrização das lesões cutâneas em pacientes diagnosticados com leishmaniose causada pelo protozoário Leishmania guyanensis.

A pesquisa, pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) investigou o que torna um indivíduo suscetível a desenvolver a doença, enquanto outros se mostram resistentes, mesmo vivendo em um ambiente com incidência significativa de casos registrados de leishmaniose.

O fato de nem todas as pessoas infectadas desenvolverem a doença, sugere a existência de um conjunto de fatores genéticos nesse controle, embora fatores nutricionais e ambientais também possam contribuir com o desenvolvimento de doenças infecciosas.

O projeto “Perfis citocinas e variantes dos genes envolvidos na resposta imune e na cicatrização das lesões em pacientes com leishmaniose cutânea em uma população caso-controle de Manaus, Amazonas”, foi coordenado pelo pesquisador Rajendranath Ramasawmy.

Dr.Rajendranath Ramasawmy - FMT - Fotos Érico X._

Coordenador da pesquisa, Rajendranath Ramasawmy.

 

A pesquisa foi desenvolvida no laboratório multidisciplinar da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), centro de referência no atendimento para leishmaniose no Estado, e amparada pelo Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas), Edital Nº 030/2013.

Estudo

Na investigação foram utilizadas amostras biológicas (sangue) de 1.600 indivíduos com faixa etária entre 12 e 65 anos de idade. Sendo 800 pacientes (amostra populacional de indivíduos com diagnóstico positivo para leishmaniose) atendidos na FMT-HVD, e 800 indivíduos do grupo controle (pessoas saudáveis sem histórico de leishmaniose, procedentes das mesmas áreas endêmicas dos pacientes infectados por L. guyanensis).

Laboratório

A pesquisa foi desenvolvida no laboratório multidisciplinar da Fundação de Medicina Tropical Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD).

 

Trata-se de um estudo caso-controle de análise de associação genética em que os pesquisadores estudaram os polimorfismos genéticos (variações nas sequências de DNA) presentes em genes que codificam proteínas que desempenham papéis importantes para o sistema imunológico.

Com isso, os pesquisadores identificaram os marcadores genéticos associados à resposta imune do hospedeiro, os mecanismos moleculares envolvidos na cicatrização ou mesmo desenvolvimento das lesões na pele.

Resposta imune

Os pesquisadores conseguiram demonstrar que indivíduos com baixo nível de citocina IFN (Interferon gamma), proteína produzida pelo gene IFNG, associado a um conjunto polimorfismo, são mais susceptíveis à infecção uma vez que essa substância é muito importante para o controle parasitário.

Equipe

Grupo de pesquisa.

 

O estudo apontou que polimorfismos de IL-1B, citocina pró-inflamatória, cuja produção excessiva está ligada à severidade da doença, e baixos níveis de IL-1RA (receptor antagonista) parecem estar associados à susceptibilidade à infecção. Já polimorfismos dos genes IL-2, IL-2RB e JAK3 não conferem susceptibilidade ou proteção contra a leishmaniose cutânea.

Leishmaniose cutânea no Amazonas

De acordo com os dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan/Astec), entre os meses de janeiro e julho de 2019 foram notificados  710 novos casos de Leishmaniose Cutânea. Em 2018, foram 1.612 novos casos registrados no Estado.

Em um período de 10 anos (2007 a 2017), o Estado registrou 18.677 casos novos de Leishmaniose Cutânea, e fez o Amazonas ocupar a 5ª posição no ranque dos estados com maior número de notificações.

A comparação entre todos os estados é feita com base nos dados disponibilizados pelo Ministério da Saúde no portal DATASUS. Nesse portal, estão disponíveis dados até 2017.

Segundo a estratificação de risco de leishmaniose cutânea e mucosa utilizada pela Organização Pan-Americana de Saúde, o Amazonas está classificado como área com transmissão muita intensa (incidência de LTA no Amazonas em 2018 = 39,5 casos/ 100 mil hab.).

Leishmaniose cutânea

É uma doença infecciosa não contagiosa causada pelo protozoário Leishmania que é transmitido ao homem e aos animais silvestres pela picada do mosquito-palha infectado. O parasita é controlado pelo sistema imunológico do hospedeiro. Indivíduos que não possuem uma resposta imunológica eficaz contra Leishmania desenvolvem úlceras na pele e nas mucosas das vias aéreas superiores. Há duas formas de leishmaniose: a cutânea e a visceral.

Genes

Os genes são sequências de DNA (molécula que contém informações genéticas) com instruções para produzir proteínas que desempenham uma função específica no corpo. Os pesquisadores identificaram que vários genes estão envolvidos na ação de cicatrização tecidual e cura mais rápida das lesões. Verificou-se também que polimorfismos em alguns genes estão associados à leishmaniose cutânea no estado do Amazonas.

Importância do estudo

Ainda não foi desenvolvida uma vacina contra leishmaniose, e o tratamento padrão para a doença é medicamentoso com efeitos colaterais adversos. No Brasil, o Antimoniato de Meglumina é a droga de escolha para o tratamento de Leishmaniose Cutânea; Anfotericina B e a Pentamidina são a segunda linha de opção terapêutica.

Recentemente, a Miltefosina mostrou ser eficaz e segura para o tratamento de Leishmaniose causada por L. guyanensis e L. braziliensis, mas ainda não está disponível no país. A dose de Antimoniato Meglumina recomendada é de 10–20 mg/kg/dia injetada por 20 dias seguidos com taxa de eficácia entre 26,3% a 81,6%. Para a injeção de Anfotericina B, o paciente precisa ficar sob observação no hospital para monitoramento da função renal.

Desse modo, é importante estudar os mecanismos imunogenéticos envolvidos na cicatrização ou desenvolvimento das lesões, a fim de contribuir com a futura elaboração de tratamentos mais eficazes como, por exemplo, a combinação da imunoterapia com o tratamento preconizado pelo Ministério da Saúde.

O estudo resultou na publicação de seis artigos em revistas internacionais, confira.

Universal Amazonas

O programa tem o objetivo de financiar atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, ou de transferência tecnológica, em todas as áreas do conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do estado do Amazonas, em instituição de pesquisa ou de ensino superior ou centros de pesquisa, públicos ou privados, sem fins lucrativos, com sede ou unidade permanente no Estado. A última edição do Programa foi lançada em junho de 2019.

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Fapeam analisa projetos em Seminário de Avaliação Final do Pecti

Cinco projetos selecionados pelo Programa Estratégico de Ciência, Tecnologia & Inovação nas Fundações de Saúde do Amazonas (Pecti/AM-Saúde) foram analisados pelo Comitê Gestor e Avaliador da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam) durante Seminário de Avaliação Final do Programa. O evento foi realizado no dia 23/10, no Hotel Nobile Suites Manaus Airport, localizado no bairro Tarumã, zona Oeste de Manaus.

O Programa foi lançado pela Fapeam, edital Nº 001/2014, com o objetivo de fomentar a inserção de pesquisadores em Projetos Estratégicos de Desenvolvimento Científico, Tecnológico e de Inovação nas Fundações de Saúde com sede no Amazonas.

Os projetos foram desenvolvidos por pesquisadores da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), Fundação Oswaldo Cruz – Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Fundação Alfredo da Matta (Fuam), Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam) e Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas (FVS).

SEMINÁRIO DE AVALIAÇÃOPECTI -AM SAÚDE 2019 - FOTOS ÉRICO XAVIER-29

Os Projetos foram analisados pelo Comitê Gestor e Avaliador da Fapeam.

 

Abertura

Participaram da mesa de abertura a diretora-presidente da Fapeam, Márcia Perales, o assessor técnico da Susam, Jani Kenta Iwata, o presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Jorge Luiz Maia Carneiro e o chefe do Departamento de Ações Estratégicas da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação (Sedecti), André Luís Willerding.

Durante o seminário, Márcia Perales, reiterou que o Governo do Amazonas tem dado todo apoio para as ações desenvolvidas pela Fundação, para alavancar o cenário de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) e que neste ano reposicionou estrategicamente a CT&I, por entender a importância desta área para o desenvolvimento econômico, social e ambiental do Estado.

Marcia Perales reforçou ainda que os resultados ao fim de uma pesquisa científica precisam ser evidenciados e que a informação deve chegar até a sociedade. “Hoje temos a apresentação de cinco projetos que são vinculados às fundações de saúde do Amazonas e instituições de ensino e pesquisa. Foi uma carta-convite importante lançada em 2014, que priorizou a área da saúde”, comentou.

Márcia Perales

Diretora-presidente da Fapeam, Márcia Perales.

 

Para Jani Kenta Iwata, o fomento para projetos científicos voltados para a área da saúde é importante e traz impacto e fortalecimento para o SUS. “É um programa que fortalece as nossas unidades, principalmente as fundações de saúde do Amazonas”, disse.

O chefe do Departamento de Ações Estratégicas da Sedecti, André Luís Willerding, disse que o PECTI/AM-Saúde é um programa estratégico importante para a área da saúde no Amazonas. “A secretaria executiva de CT&I, dentro da Sedecti, tem toda uma sensibilidade e apoia constantemente pesquisas na área de saúde, porque sabemos da importância desses resultados”, comentou.

Para o presidente do Conselho Municipal de Saúde (CMS), Jorge Luiz Maia Carneiro, é muito gratificante e interessante participar desses momentos de compartilhamento das informações científicas especificamente participando como representante do Sistema Único de Saúde (SUS) e, vendo o que é produzido pela ciência em benefício desse Sistema.

Projetos

Um dos projetos avaliados durante o Seminário foi desenvolvido pela pesquisadora da Fuam, Maria da Graça Cunha, intitulado “Consolidação da pesquisa científica em infecções sexualmente transmissíveis, hanseníase e outras doenças dermatológicas de interesse sanitário na Fundação Alfredo da Matta”, com o objetivo de consolidar a pesquisa cientifica na Fuam, nos níveis de graduação e pós-graduação, para elaboração de novos projetos visando a captação de recursos para execução de estudos científicos que objetivem identificar ferramentas inovadoras para o diagnóstico, tratamento e controle epidemiológico das Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), hanseníase e outras doenças dermatológicas de interesse sanitário.

“É importante que a Fapeam continue com este olhar especial para as Fundações de Saúde porque elas representam um pilar dentro do Sistema Único de Saúde (SUS) e essa proximidade da pesquisa com a assistência tem que continuar a ser incentivada. É preciso tirar o vácuo que existe entre a pesquisa básica e a aplicação dos resultados. A Fapeam tem ajudado nesse processo de investir numa pesquisa que aproxima a ciência da sua utilização no atendimento às pessoas que são o foco principal da nossa atuação como pesquisadores”, disse Maria da Graça.

Maria da Graça

Pesquisadora da Fuam, Maria da Graça Souza Cunha.

 

A pesquisadora informou que o projeto possibilitou a publicação de artigos científicos em periódicos nacionais e internacionais, dissertações de mestrado, teses de doutorado, projetos de iniciação científica e credenciamento em 2017 do Mestrado Profissional de Ciências Aplicadas à Dermatologia (Universidade do Estado do Amazonas-UEA), Fuam e Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O pesquisador do Hemoam, Alysson Guimarães da Costa, explica que o projeto “Incorporação de Novas Tecnologias na Hematologia e Hemoterapia da Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas” permitiu a criação do laboratório de genômica e sua estruturação com equipamentos e equipe treinada, aumento nas publicações que refletiram na consolidação do mestrado em Ciências Aplicadas em Hematologia, além disso, foi possível aumentar o número de mestres e doutores dentro da Fundação.

Projetos Avaliados

Programa Estratégico de Apoio à Pesquisa e ao Ensino na Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD);

Programa Estratégico de Consolidação da Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz – Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazonas);

Consolidação da Pesquisa Científica em Infecções Sexualmente Transmissíveis, Hanseníase e Outras Doenças Dermatológicas de Interesse Sanitário na Fundação Alfredo da Matta (Fuam);

Fortalecimento das atividades de pesquisa, tecnologia e ou inovação para execução de programas estaduais de prevenção e controle de doenças na Fundação de Vigilância em Saúde (FVS);

Incorporação de Novas Tecnologias na Hematologia e Hemoterapia da Fundação Hospitalar de Hematologia e Hemoterapia do Amazonas (Hemoam).

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

 

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Pesquisadores isolam leveduras com potencial para produção de cerveja no Amazonas

A primeira cerveja com leveduras regionais é produzida no Amazonas. A fabricação foi feita a partir da fermentação de leveduras isoladas de três espécies de frutos nativos da região amazônica: o araçá-boi, o cacau e o cupuaçu. A produção pode agregar novas características como, por exemplo, sabores e aromas à bebida.

Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), os pesquisadores isolaram linhagens de leveduras, principais responsáveis pela fermentação alcoólica, com potencial para serem utilizadas na produção artesanal e industrial de cerveja.

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O projeto “Diversidade genética de saccharomyces cerevisiae isolados de frutos amazônicos com a finalidade de uso na produção de cerveja” é resultado da dissertação de mestrado do pesquisador Luan Honorato, e desenvolvido no laboratório de Micologia do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), e amparado pelo Programa Institucional de Apoio à Pós-Graduação Stricto Sensu (Posgrad).

Segundo o pesquisador, apesar dos frutos serem considerados o nicho de S. cerevisiae, não há relatos na literatura, até o desenvolvimento dessa pesquisa, sobre a utilização de isolados de frutas tropicais no setor cervejeiro.

Preparo cerveja

O pesquisador Luan Honorato fazendo o preparo da cerveja.

 

Sendo assim, tendo em vista a biodiversidade dos frutos amazônicos, a intenção foi produzir uma cerveja de boa qualidade, com características diferenciadas das convencionais, e ao mesmo tempo agradável ao paladar, não somente de degustadores treinados em avaliar a bebida, mas também dos demais consumidores do produto, criando dessa forma um caminho para novos estilos de cerveja, capazes de estimular o desenvolvimento da bioeconomia regional.

Produção

Atualmente, há quatro grandes escolas cervejeiras que servem como padrão para a elaboração de receitas. Essas escolas remetem a países que possuem tradição neste setor (Alemanha, Bélgica, Inglaterra e Estados Unidos da América). Assim, cada escola possui características próprias que por sua vez selecionaram leveduras aptas a serem utilizadas em seus estilos.

Nos últimos anos o mercado de cerveja tem aumentado em todo o país. Em cinco anos o número de microcervejarias mais que duplicou, estas são as que mais produzem cervejas especiais, de estilos diferentes das “Pilsens” encontradas com maior frequência no comércio.

As “Pilsens” são, em sua maioria, do estilo Standard american lager que é uma cerveja de corpo leve, clara e com perfil de aromas mais suaves. Cervejas artesanais geralmente são “Ales” que possuem sabores mais expressivos, oriundos de malte mais tostado, do lúpulo gerando amargor, e da levedura trazendo centenas de compostos aromáticos.

Foto destaque

A intenção foi produzir uma cerveja de boa qualidade com características diferenciadas das convencionais.

 

De acordo com Luan Honorato, apesar de o Brasil ser um dos maiores produtores de cerveja do mundo, é importante agregar valor ao produto nacional, inovando na produção e criando estilos que coloquem o país no patamar das grandes escolas. Hoje, a Catharina sour é o único estilo brasileiro de cerveja reconhecido pelas agências reguladoras e ainda continua a importar grande parte dos seus insumos.

Por isso, Luan pretende comercializar as leveduras tanto com as cervejarias quanto com produtores caseiros de cerveja.

 

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Nos últimos anos o mercado de cerveja tem aumentado em todo o país.

 

Para a orientadora do projeto, Érica Simplício, o resultado do trabalho é importante por ser o único em Manaus a estudar a microbiologia de cerveja, com o isolamento da primeira levedura da região para fazer cerveja, e sem a presença dos microrganismos, as cervejas não ficam prontas.

Cerveja

A cerveja se consolidou uma das bebidas alcoólicas mais consumidas no mundo, e é composta principalmente por água, malte, levedura e lúpulo. 

POSGRAD

O Programa consiste em apoiar, com bolsas de mestrado, doutorado e auxílio financeiro, as instituições localizadas no estado do Amazonas que desenvolvem programas de pós-graduação Stricto Sensu credenciados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier e Caio Alencar

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A osteoporose pode ser prevenida, ainda na adolescência, com atividade física

A prática de atividade física vigorosa e de alto impacto apresenta maior associação com a massa óssea. As fases da infância e adolescência são fundamentais para maior aquisição e manutenção da massa óssea, e esse depósito desempenha um fator importante na prevenção da osteoporose na fase adulta e terceira idade, é o que aponta um estudo científico apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). 

Volei

As fases da infância e adolescência são fundamentais para maior aquisição e manutenção da massa óssea.

 

O projeto “Massa óssea em adolescentes: Qual a relação com atividade física e composição corporal?” é resultado da dissertação de mestrado de Hector Colares, e foi amparado pelo Programa de Bolsas de Pós-Graduação em Instituições fora do Estado do Amazonas (PROPG-AM), Edital Nº010/2015.

A osteoporose é uma doença metabólica sistêmica caracterizada pela deterioração da microarquitetura do tecido ósseo, e tem como principal característica a fragilidade esquelética com risco de fraturas osteoporóticas na velhice. 

Atividades físicas regulares como, por exemplo, saltos, corridas e musculação são benéficas para saúde óssea porque desenvolvem entre outros fatores a massa magra que pode influenciar positivamente a massa óssea.  

Corrida dentro

A prática de atividade física vigorosa e de alto impacto apresenta maior associação com a massa óssea.

 

Durante a infância e, especialmente, durante a adolescência, ocorre um processo chamado de pico de massa óssea que é caracterizado pela maior aquisição de massa óssea nessa fase da vida, que consiste na incorporação de minerais, como cálcio e fósforo, aos ossos. Esse processo torna-os resistentes e prontos para exercer algumas de suas funções no corpo: proteção e sustentação. 

Esses depósitos de massa óssea, acumulados na adolescência, acompanham o indivíduo até a fase adulta quando naturalmente os níveis de massa óssea começam a diminuir, e podem tornar a pessoa mais vulnerável a desenvolver a osteoporose. 

“Se a massa óssea construída ao longo da adolescência for baixa ou se tiver diminuição acentuada nesse período, a fragilidade e as fraturas ósseas podem ocorrer”, esclareceu Hector Colares.  

Método 

A coleta de dados foi realizada durante o período de 2016 e 2017, com 118 adolescentes, com idades entre 10 e 14 anos, tomando como base os limites cronológicos da adolescência, definidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS) que estabelece que adolescentes são indivíduos na faixa etária entre 10 e 19 anos de idade.  

Na investigação foram avaliados 59 indivíduos do grupo controle (adolescentes com peso normal segundo o Índice de Massa Corporal – IMC) e 59 indivíduos do grupo caso (adolescentes com sobrepeso segundo o IMC). 

Para medir a composição corporal (massa óssea, massa magra e massa de gordura) dos adolescentes foi utilizado método padrão ouro, conhecido por Absorciometria por dupla emissão de raios-X, também conhecido como “DEXA”, que faz o exame de imagem (ultrassonografia) por emissão de raios x de dupla energia. 

O pesquisador explica que a DXA calcula a quantidade de ossos em gramas por corpo ou determinado segmento de um indivíduo. Com essa informação é possível verificar se o conteúdo mineral ósseo (quantidade de osso em gramas) apresenta valores normais ou se a pessoa tem o risco de desenvolver osteoporose na fase adulta ou na velhice. 

Hector Colares - Fotos Érico Xavier-8

Hector Colares explica que a prática de atividade física vigorosa e de alto impacto apresenta maior associação com a massa óssea.

 

Quando analisado qual das variáveis antropométricas (massa gorda ou massa magra) teriam maior fator de explicação para a massa óssea dos adolescentes, verificou-se que de maneira geral a massa magra foi a variável mais importante como determinante da massa óssea em adolescentes saudáveis. Com isso pode-se sugerir que atividades que estimulem a massa magra têm elevada importância no estímulo da massa óssea.  

Esse tipo de avaliação, voltada para verificar a composição de massa óssea na adolescência, por meio da prática de atividade física, e fatores antropométricos (massa gorda e massa magra) podem contribuir para fomentar estudos com foco na intervenção e prevenção da osteoporose e consequentemente diminuir os gastos exorbitantes da saúde pública com esse problema de saúde mundial. 

PROPG 

Programa de Bolsas de Pós-Graduação em Instituições fora do estado do Amazonas (PROPG) tem como objetivo conceder bolsas de mestrado e doutorado a interessados, residentes no estado do Amazonas há no mínimo 4 (quatro) anos, matriculados em curso de pós-graduação stricto sensu, em Programa de Pós-Graduação recomendado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em outros estados da Federação, em áreas estratégicas nas quais o estado do Amazonas ainda não possui programas de Pós-Graduação em nível de Mestrado ou Doutorado, em atendimento a Meta Nº5 do Plano de Trabalho – Apoio a Bolsas fora do Estado, firmado entre a Fapeam e a Capes no âmbito do Acordo para Cooperação Técnica e Científica.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier  

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Campanha Setembro Amarelo tem foco na prevenção ao suicídio

Setembro, é o mês de prevenção ao suicídio. De acordo com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) cerca de 50% a 60% das pessoas que morreram por suicídio nunca se consultaram com um profissional de saúde mental ao longo da vida.

Cerca de 96,8% dos casos de suicídios registrados estavam associados a históricos de doenças mentais que podem ser tratadas. Por isso, a informação correta direcionada à população é muito importante para orientar e prevenir o suicídio.

Para falar sobre o assunto o Portal da Fapeam conversou com a médica psiquiatra Lóren Cavalcante.

Fapeam – Por que reservar um mês do ano para falar sobre prevenção do suicídio?

Lóren Cavalcante – Principalmente porque os índices de suicídio estão cada vez maiores no Brasil e no mundo, e o objetivo da Campanha Setembro Amarelo é prevenir e reduzir esses números. O dia 10 deste mês é oficialmente o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha acontece durante todo o ano. Desde 2014 a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organiza nacionalmente a Campanha Setembro Amarelo.

Fapeam – Por que é tão importante falar sobre a prevenção do suicídio?

L.C – São registrados cerca de 12 mil suicídios por ano no Brasil e mais de 1 milhão no mundo. Trata-se de uma triste realidade, que registra cada vez mais casos, principalmente entre os jovens. Quanto mais falarmos sobre isso, mais as pessoas irão compreender que é uma doença, que requer tratamento especializado com psicólogo e psiquiatra, dessa forma, elas serão incentivadas a procurar ajuda.

LÓREN CAVALCANTE - MÉDICA PSIQUIATRA - FOTOS DENTRO 2

A médica psiquiatra, Lóren Cavalcante, fala sobre a Campanha Setembro Amarelo.

 

Fapeam – Por que falar sobre suicídio continua sendo um tabu?

L.C – Muitas pessoas acreditam que falar sobre suicídio pode incentivar uma pessoa a se suicidar. Pelo contrário, é uma oportunidade para a pessoa que está sofrendo, angustiada, falar sobre o assunto e até pedir ajuda. Para isso, temos o Centro de Valorização à Vida (CVV), que é um serviço de apoio gratuito e funciona todos os dias, 24h/dia através do número 188.

Fapeam – Como a sociedade pode evitar o agravamento das estatísticas de suicídio?

L.C – O suicídio é um fenômeno complexo, multifacetado e de múltiplas determinações, que pode afetar indivíduos de diferentes origens, classes sociais, idades, orientações sexuais e identidades de gênero. Mas o suicídio pode ser prevenido! Saber reconhecer os sinais de alerta em si mesmo ou em alguém próximo a você pode ser o primeiro e mais importante passo. Por isso, fique atento se a pessoa demonstra comportamento suicida e procure ajudá-la.

Fapeam – É possível perceber os sinais que podem desencadear o ato suicida?

L.C – Sim. Quase que invariavelmente as pessoas que tentam cometer suicídio ou que efetivamente cometem demonstram sinais. Dentre os sinais estão isolamento, preocupação com a própria morte ou falta de esperança. Alguns comentários requerem uma atenção maior como, por exemplo: “Vou desaparecer”, “Vou deixar vocês em paz”, “Eu queria poder dormir e nunca mais acordar”, “É inútil tentar fazer algo para mudar, eu só quero me matar…”.

Fapeam – Onde procurar ajuda especializado para que se defina a melhor rota terapêutica?

L.C Aqui em Manaus temos uma rede de atenção em saúde mental que engloba o Hospital Psiquiátrico Eduardo Ribeiro, o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) e as Policlínicas.

Fapeam – Qual relação entre suicídio e as doenças de ordem mental, principalmente a depressão?

L.C – Cerca de 96,8% dos casos de suicídio estavam relacionados a transtornos mentais. Em primeiro lugar está a depressão, seguida do transtorno bipolar e abuso de substâncias. Por isso, a necessidade de sempre procurar ajuda profissional.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Grupo de Pesquisas do Inpa encontra 17 novas espécies de cogumelos na Amazônia

Pesquisadores descobrem novas espécies e gêneros de cogumelos, coletados na floresta Amazônica, assim como, estudam potenciais espécies comestíveis e antimicrobianas. O estudo foi fomentado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

Os cogumelos são uma alternativa economicamente viável pelo potencial de uso na indústria alimentícia e por serem fonte promissora de compostos ativos para o desenvolvimento de bioprodutos farmacêuticos.  Além disso, podem ser utilizados na produção de artesanato como é o caso da espécie Përɨsɨ, uma estrutura de fungo similar à uma fibra, usada pela comunidade indígena Yanomami da região de Maturacá, no Amazonas, que serve para confeccionar cestarias.

O projeto “Macrofungos da Amazônia: taxonomia e triagem de espécies comestíveis e/ou produtoras de compostos antimicrobianos” foi coordenado pela pesquisadora Noemia Kazue Ishikawa, e desenvolvido, principalmente, no Laboratório de Microbiologia de Alimentos e no Herbário do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), com diversos parceiros no Brasil e de outros países, e amparado pelo Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas), edital Nº 030/2013.

Dra. Noemia Ishikawa     - Fotos Érico X._-7

Coordenadora do projeto, Noemia Kazue Ishikawa.

 

Espécies

O estudo teve início com a coleta de mais de 2 mil amostras de cogumelos  em várias regiões da Amazônia. Esse trabalho de análise morfológica dos cogumelos foi realizado pelos taxonomistas de fungos do Grupo de Pesquisas Cogumelos da Amazônia do Inpa, Jadson José Souza Oliveira e Tiara Sousa Cabral, entre outros.

Pesquisadores Macrofungos

Parte da equipe do projeto, Jadson Oliveira e Tiara Cabral (taxonomistas de fungos) e ao centro a coordenadora do projeto Noemia Ishikawa.

 

Dessas 2 mil coleções, o grupo de pesquisa conseguiu identificar dois novos gêneros: Pusillumyces gen.nov. e Sclerocarpum gen.nov. e outras 15 novas espécies de macrofungos. Além de descrever espécies desconhecidas, o grupo estudou 27 espécies de cogumelos comestíveis e 23 espécies com atividade antimicrobiana.

“Entre as espécies isoladas chegamos ao composto sesquiterpeno Hipnofilina que produz atividade antiprotozoária contra Trypanosoma cruzi e Leishimania amazonenses, segundo Souza-Fagundes et al. 2010”, disse Noemia.

Dentre as espécies comestíveis identificadas é possível destacar a Lentinula raphanica que teve o primeiro cultivo em escala experimental, no mundo, realizado no Amazonas, com o intuito de gerar um produto alimentício a partir da biodiversidade da floresta Amazônica. 

Taxonomia

O trabalho dos taxonomistas, especialistas responsáveis por classificar os seres vivos, é muito laborioso e importante para preservar as espécies. Fazem pesquisas de campo em busca de espécies que ainda não foram catalogados pela Ciência.

Foi em uma dessas observações em campo que Tiara Cabral identificou uma nova espécie de cogumelo, Geastrum inpaense, coletada no Campus do Inpa em Manaus/AM. A descoberta demonstra que a floresta Amazônia apresenta grande diversidade de cogumelos ainda desconhecidos, mesmo em lugares inusitados como ao lado da cantina do Inpa.

O nome de classificação dado à nova espécie é em homenagem ao local onde foi encontrada, o campus sede do Inpa”, explicou Tiara.

Fungos mão

Espécie de cogumelo, Geastrum inpaense, coletada no Campus do Inpa.

 

Para Jadson Oliveira é importante frisar que o conhecimento sobre essa diversidade é útil não somente para a sociedade humana, mas também para se entender o papel que esses organismos desempenham no meio ambiente.

O projeto gerou dados que contribuíram na publicação de 15 artigos e dois livros.  Destacando-se o Livro Ana amopö – Cogumelos Sanöma, que recebeu o Prêmio Jabuti, na categoria Gastronomia em 2017.

Livro e prêmio

Livro Ana amopö – Cogumelos Sanöma, que recebeu o Prêmio Jabuti, na categoria Gastronomia em 2017.

 

Universal Amazonas

O programa tem o objetivo de financiar atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, ou de transferência tecnológica, em todas as áreas do conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do estado do Amazonas, em instituição de pesquisa ou de ensino superior ou centros de pesquisa, públicos ou privados, sem fins lucrativos, com sede ou unidade permanente no estado do Amazonas. A última edição do Programa foi lançada em junho de 2019.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Programa Centelha conta com R$1,8 milhão para apoiar ideias inovadoras no Amazonas

Você tem uma ideia inovadora que possa impactar positivamente a vida das pessoas e acredita valer a pena empreender com ela? No Amazonas, o Programa Centelha realizado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), em parceria com a Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep), visa  estimular a criação de empreendimentos inovadores e disseminar a cultura empreendedora no Estado, oferecendo capacitações, recursos financeiros e suporte para transformar ideias em negócios de sucesso.

Acesse ao edital do Programa Centelha Amazonas 

Com investimento na ordem de R$ 1.820.000,00 (um milhão oitocentos e vinte mil reais), os recursos disponibilizados serão destinados à subvenção econômica (recursos não reembolsáveis) de até 28 projetos de inovação, no valor unitário de até R$ 65.000,00 (sessenta e cinco mil reais).

Podem participar pessoas físicas, vinculadas ou não a empresas com até 12 meses de existência anteriores à data de publicação do edital e faturamento bruto anual de até R$ 4.800.000, 00 (quatro milhões e oitocentos mil reais), sediadas no Amazonas. Os projetos terão prazo de execução de até 12 meses, não prorrogáveis, contados a partir da data do Termo de Outorga.

Etapas 

A submissão, avaliação e seleção das propostas serão realizadas em três fases distintas e eliminatórias, sendo elas, Fase 1: Ideias Inovadoras; Fase 2: Projeto de Empreendimento e Fase 3: Projeto de Fomento. As propostas  deverão ser submetidas por meio do Sistema Centelha (http://am.programacentelha.com.br), conforme formulário específico para cada uma das fases, respeitando os prazos estabelecidos do cronograma do edital. A data limite para as submissões de propostas na primeira fase é dia 29 de outubro de 2019.

Durante as três fases de seleção, os proponentes receberão capacitação gratuita online ou presencial, ministrada pela Fundação Certi, com o intuito de alinhar alguns conceitos importantes, para aprimorar suas ideias e projetos.

Sobre o Centelha – O Programa Centelha será realizado em 21 estados. No Amazonas, a iniciativa será executada pela Fapeam, sendo promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e pela Finep, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), e operada pela Fundação Certi.

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Departamento de Comunicação e Difusão do Conhecimento (Decon)

Arte – Suellen Sousa

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Agosto Dourado – Amamentação auxilia no desenvolvimento da fala da criança

Segundo o Ministério da Saúde (MS), o mês de agosto é conhecido como Agosto Dourado por simbolizar a luta pelo incentivo à amamentação – a cor dourada está relacionada ao padrão ouro de qualidade do leite materno.

Ainda conforme  o MS, por meio do leite materno o bebê recebe os anticorpos da mãe que o protegem contra doenças como, diarreia e infecções, principalmente as respiratórias. O risco de asma, diabetes e obesidade é menor em crianças amamentadas, mesmo depois que elas param de mamar. A amamentação é um excelente exercício para o desenvolvimento da face da criança, importante para que ela tenha dentes fortes, desenvolva a fala e tenha uma boa respiração.

Para falar sobre o assunto o Portal da Fapeam conversou com a fonoaudióloga Naiana Parente que é mestre em Educação para a Saúde.

FapeamQuais são os benefícios da amamentação para a fala, linguagem e mastigação dos bebês?

Naiana Parente – A amamentação em si ajuda a estabelecer um vínculo entre o bebê e outra pessoa: a mãe. Quando consideramos os movimentos que o bebê realiza para mamar, vemos que a sucção exercita e trabalha a musculatura orofacial (musculatura oral e facial envolvida nas funções chamadas “estomatognáticas”: sucção, mastigação, respiração, deglutição e fala). O bebê que mama no seio respira e mastiga melhor e tem melhores condições musculares de desenvolver a fala adequadamente.

Fapeam – De que forma o aleitamento materno influencia no fortalecimento da musculatura facial dos bebês?

N.P – O mamilo materno se adequa ao espaço livre dentro da boca do bebê, sem alterar suas estruturas ósseas. O movimento de ordenha realizado pelo bebê exige grande esforço muscular que favorecem o desenvolvimento da mandíbula e demais estruturas orais envolvidas nas funções desenvolvidas pela musculatura orofacial.

Fapeam – Caso o bebê não tenha força para sugar o seio materno que tipo de estimulação fonoaudiológica pode ser feita?

N.P – Nem sempre se trata de uma questão de força para sugar. Pode haver sim essa debilidade na sucção, mas também pode haver outros problemas como a dificuldade em coordenar a sucção, a deglutição e a respiração. O bebê precisa de força e também precisa de ter estas três funções funcionando coordenadamente. O fonoaudiólogo pode realizar manobras digitais extras e intraorais para trabalhar a força e a coordenação destas funções, bem como os estímulos aos reflexos que favorecem a sucção no bebê.

Boneca amamentação

A fonoaudióloga demostra o posicionamento adequado do bebê no seio materno na hora da amamentação.

 

Fapeam – Qual deve ser o posicionamento adequado do bebê no seio materno na hora da amamentação para que ele consiga sugar o leite de forma efetiva?

N.P – A posição no colo da mãe pode ser variada, mas é preciso estar atento a alguns aspectos: a) o bebê deve abocanhar a aréola, e não somente o mamilo. b) O rosto do bebê deve estar virado para a mama, com a boca o mais aberta possível. c) os lábios do bebê devem estar virados para fora, com o queixo encostando na mama. Garantindo a pega correta do seio, a posição da mãe e do bebê podem variar (tradicional, invertida, cavaleiro ou deitada), desde que em qualquer uma dessas posições o bebê esteja de frente para sua mãe (a barriga do bebê de frente para barriga da mãe). A mulher pode estar sentada ou deitada. A criança pode estar na posição mais tradicional ou em posição invertida, sentada em cavalinho ou deitada na cama com sua mãe. Também é importante esvaziar cada mama para favorecer a produção do leite adequada à demanda do bebê.

Fapeam – Quando é necessário procurar atendimento especializado de um fonoaudiólogo para sanar as dificuldades na amamentação?

N.P – Quando o bebê tem dificuldade para sugar ou a quando a mãe sente dificuldade. Em casos de relactação, o fonoaudiólogo também pode ajudar, bem como em casos de bebês com fissuras labiais ou palatais e bebês com síndromes ou alterações neurológicas.

Por: Helen de Melo

Foto: Érico Xavier

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Pesquisa aponta alternativa para rastrear possíveis casos de câncer de colo de útero

A prevenção ainda é a melhor forma de combater as doenças. Por isso, uma pesquisa científica fomentada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) analisou uma nova tecnologia de rastreio do câncer do colo de útero, por autocoleta, e teste rápido para o Papilomavírus Humano (HPV) em mulheres ribeirinhas do município de Coari (AM), localizado a 363 km de Manaus.

O método alternativo de rastreamento vai auxiliar no diagnóstico precoce das lesões precursoras do câncer de colo uterino, bem como subsidiar discussões que reduzam os números de morbidade e mortalidade das Neoplasias Intraepiteliais Cervicais (NICs).

Dra. Valquiria Martins- Fotos Érico Xavier_-3

Coordenadora do projeto, Valquíria Martins.

 

Coordenado pela pesquisadora Valquíria Martins, o projeto  “Descrição da frequência de lesões de alto grau do colo do útero pela presença da proteína E6 e da genotipagem do Papilomavírus Humano (HPV) encontrados em mulheres ribeirinhas do município de Coari/AM, utilizando técnica de autocoleta” foi desenvolvido na Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) e amparado pelo Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas), Edital Nº 030/2013. O estudo foi publicado na Plos One.

 

Infográfico HPV 1 (1)

 

A autocoleta consiste no uso de um dispositivo estéril com o qual a própria mulher faz coleta de células do canal vaginal e do colo do útero para avaliar a presença do HPV.

O estudo foi realizado com 412 mulheres, com idades entre 18 e 81 anos, selecionadas de 32 comunidades ribeirinhas, no período de agosto de 2014 a fevereiro de 2015. As amostras foram obtidas por autocoleta nas casas das mulheres utilizando dispositivo próprio (escova Rovers® Evalyn®).

Mapa Coari

Localização geográfica das comunidades incluídas no estudo. Foto: DIvulgação

 

O procedimento permite aumentar o índice de cobertura do exame ginecológico em regiões remotas e de difícil acesso, pois não demanda o deslocamento das pacientes, para a coleta de amostra cervical, e possibilita que parte da população, sem acesso aos programas de prevenção, se integre a eles.

A autocoleta com escova foi uma ferramenta aceita por 97,8% das mulheres entrevistadas e considerada de fácil manuseio por 95,4% das participantes. Quanto mais esse instrumento se tornar familiar ao público, mais mulheres estariam dispostas a utilizar esta opção de coleta no futuro.  

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Dispositivo estéril (escova) para a coleta de células do canal vaginal e do colo do útero. Foto: Divulgação

 

Amostras analisadas

Nas amostras cérvico-vaginais estudadas foram constatadas a prevalência de infecção por HPV em 77 mulheres (18,7%). Em seis mulheres (1,4%) foi observada a expressão da proteína E6, que é altamente oncogênica. Estudos relatam que a expressão dessa proteína seja responsável pelo início e a manutenção do processo que culmina no câncer cervical.

As mulheres com triagem positiva para um dos testes foram submetidas à avaliação colposcópica (procedimento médico diagnóstico para avaliar o colo do útero e os tecidos da vagina e vulva) e exame histopatológico (permite afirmar a natureza de uma lesão) quando necessário.

O resultado histopatológico das mulheres positivas no teste identificou 1 caso de neoplasia intraepitelial cervical de grau I (NIC I), 1 caso de neoplasia intraepitelial cervical de grau III (NIC III) e 1 carcinoma invasor.

De acordo com Valquíria Martins, um diagnóstico preciso de HPV é essencial, pois vai definir se o vírus presente é de alto risco ou não, podendo influenciar no prognóstico da doença.

O estudo também contribuiu na formação de recursos humanos e resultou na dissertação de mestrado da aluna Josiane Montanho Mariño,  da Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

 

Infográfico Câncer colo útero

 

Universal Amazonas

O programa tem o objetivo de financiar atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, ou de transferência tecnológica, em todas as áreas do conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do estado do Amazonas em instituição de pesquisa ou ensino superior ou centro de pesquisa, públicos ou privados, sem fins lucrativos, com sede ou unidade permanente no estado do Amazonas.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

Arte: Suellen Sousa

 

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Programa Centelha é apresentado na Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Amazonas

A divulgação do Programa Nacional de Apoio à Geração de Empreendimentos Inovadores (Programa Centelha) teve continuidade nesta sexta-feira (2/8), com a visita de representantes da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) à Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas (FCDL).

O Programa é uma iniciativa de promoção do empreendedorismo inovador que visa transformar ideias inovadoras em negócios de sucesso, oferecendo aos participantes, recursos financeiros via subvenção econômica (recursos não reembolsáveis), capacitação e suporte para alavancar o negócio e ampliação do networking.

A equipe do Programa Centelha foi recebida pelos diretores da FCDL e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDLM) que mostraram interesse em apoiar o Programa no Amazonas. O edital tem previsão para ser lançado ainda este mês pela Fapeam, em parceria com a Financiadora de Inovação e Pesquisa (Finep).

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Diretores da FCDL e da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDLM) e representantes da Fapeam.

 

O presidente da FCDL, Ezra Azury, disse que vai apoiar o Centelha dando suporte aos possíveis novos empreendedores nos nove municípios em que a CDL tem sede que são: Manaus, Coari, Iranduba, Itacoatiara, Manacapuru, Parintins, Presidente Figueiredo, Tabatinga e Tefé que queiram submeter propostas.

“Vamos disponibilizar em cada sede da CDL um computador para que os interessados possam fazer as inscrições dos projetos, além de oferecer orientação no setor comercial. Não basta somente ter uma ideia, é preciso viabilizar economicamente a ideia”, disse.

A coordenadora local do Programa Centelha, Kathya Thomé, disse que a visita foi proveitosa com a possibilidade de firmar parcerias na divulgação, captação de ideias e disseminação do Programa ao público da FCDL.

Programa Centelha

O Programa Centelha visa estimular a criação de empreendimentos inovadores e disseminar a cultura empreendedora no Brasil. O programa irá oferecer capacitações, recursos financeiros e suporte para transformar ideias em negócios de sucesso.

No Amazonas a iniciativa será executada pela Fapeam, e é promovida pelo Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) e pela Finep, em parceria com o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e o Conselho Nacional das Fundações Estaduais de Amparo à Pesquisa (Confap), e operada pela Fundação Certi.

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O Programa Centelha será realizado em 21 estados. Estão entre os objetivos do Programa, gerar novas empresas, a partir do conhecimento concebido nas instituições de ciência, tecnologia e inovação; gerar inovações de interesse direto da sociedade e de empresas; formar cultura e fortalecer ecossistema de empreendedorismo inovador.

Podem concorrer ao Programa pessoas físicas ou empresas, que atenderem às exigências do edital.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Caio Alencar

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