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Fapeam recebe diretoria da Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ)

Pesquisadores da Fundação Hospital Adriano Jorge (FHAJ) reuniram-se com a diretoria da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) para apresentar projetos de pesquisa científica voltados para a melhoria da assistência à saúde da população.

O encontro teve como objetivo aproximar as duas instituições e prospectar parcerias futuras. Representando a FHAJ, estiveram o diretor de ensino e pesquisa, Diego Monteiro de Carvalho e a pesquisadora Isolda Prado.

A reunião ocorreu na sede da Fapeam nesta terça-feira (14/05) no bairro Flores, zona Centro-Sul de Manaus.

O diretor e a pesquisadora foram recebidos pela diretora-presidente, Márcia Perales, e pela diretora administrativo-financeira, Márcia Irene Andrade. Na ocasião eles apresentaram o trabalho que já vem sendo desenvolvido na FHAJ, bem como perspectiva para parcerias institucionais que possam fortalecer e contribuir para a melhoria da qualidade de vida da população do Estado.

De acordo com o diretor de ensino e pesquisa da FHAJ, Diego Monteiro de Carvalho, além da prevenção e tratamento de doenças, a Fundação atua na área de ensino e pesquisa científica.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Barbara Brito

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Encontro debate resultados preliminares de estudo de cooperação que busca entender origem da diversidade de anfíbios na Amazônia

Pesquisadores brasileiros e franceses discutiram os resultados preliminares do projeto científico intitulado “Biogeografia comparada de anfíbios amazônicos/Comparative Biogeography of Amazonian Amphibians (Combia)”, desenvolvido com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) no âmbito da cooperação internacional do programa Guyamazon.

O programa busca entender os processos responsáveis pela origem da diversidade de anfíbios da Amazônia, com o objetivo de fomentar a conservação das espécies na megadiversa Amazônia.

O encontro ocorreu no período de 7 a 10 de maio no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), localizado no bairro Petrópolis, zona Sul de Manaus, e na Universidade Federal do Amazonas (Ufam), no bairro Coroado I, zona Leste da cidade.

Foto da turma

Pesquisadores brasileiros e franceses discutiram os resultados preliminares do projeto científico intitulado “Biogeografia comparada de anfíbios amazônicos/Comparative Biogeography of Amazonian Amphibians (Combia)”.

 

O projeto é realizado no âmbito do Programa Guyamazon da Fapeam edital Nº 002/2017 é desenvolvido no Inpa, em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e o Centre National de la Recherche Scientifique-CNRS, Laboratoire Evolution & Diversité Biologique da Université Toulouse.

A pesquisa propõe a integração de uma equipe de especialistas brasileiros e franceses em anfíbios e diversificação Neotropical para realizar análises biogeográficas comparativas na ampla escala amazônica para entender as origens e processos que geraram e mantêm a diversidade amazônica de anfíbios, com base em abordagens analíticas integrativas e comparativas.

Werneck

Coordenadora do projeto, no Brasil, Dra. Fernanda Werneck.

 

Segundo a coordenadora do projeto, Dra. Fernanda Werneck, o conhecimento básico sobre a diversidade de anfíbios, particularmente, na região Amazônica, ainda é pouco desenvolvido. Os anfíbios são organismos extremamente diversos em todo planeta, sobretudo, na Amazônia.

Fernanda esclarece que o intuito da reunião foi aproximar os grupos de pesquisa (Brasil e França) e engajá-los no planejamento das atividades e produtos do projeto, na definição dos estudos preliminares e dos estudos comparativos aprofundados e na apresentação de resultados preliminares.

“Durante o encontro foram apresentados os resultados preliminares dos estudos de delimitação de espécies que vêm sendo desenvolvidos pelos grupos de pesquisa para os grupos taxonômicos focais do projeto, para então subsidiarmos o planejamento das atividades futuras da pesquisa”, disse.

Os anfíbios são animais sensíveis às variações ambientais. De acordo com as estimativas da International Union for Conservation of Nature (IUCN), cerca de 40% das espécies encontram-se sob elevado risco de extinção.

Fernanda explica ainda que o projeto está organizado em torno de dois objetivos principais. O primeiro é delimitar as espécies e as respectivas distribuições geográficas de oito grupos focais de anfíbios cuidadosamente selecionados com ampla distribuição na Amazônia (grupos pan-Amazônicos e endêmicos da região).

O segundo objetivo é investigar padrões de diversificação dentro de cada grupo e testar as hipóteses biogeográficas alternativas de diversificação para esses grupos na Amazônia através de análises comparativas entre eles.

Antoine

Coordenador do projeto, na França, Dr. Antoine Fouquet.

 

No estudo serão usados métodos rápidos de sequenciamento de DNA de próxima geração (Next Generation Sequencing – NGS) acessíveis para estudos de biodiversidade, em conjunto com novos métodos analíticos com rigor estatístico para a identificação de linhagens com base nas informações contidas no DNA e o teste da congruência (ou não) de eventos diversificação espacial e temporal.

Além disso, serão promovidas diversas atividades de treinamento e capacitação entre os grupos de pesquisa envolvidos, como reuniões de planejamento, visitas científicas de intercâmbio entre laboratórios, co-supervisão de estudantes, divulgação científica, entre outros.

Mobilidade científica

Para fomentar a coleta de dados e fazer o intercâmbio com o grupo de pesquisa francês, o bolsista da Fapeam, Leandro Moraes, viaja ainda esse mês para a França para fazer estágio de três meses na Université Toulouse.

“Na França vou contribuir com o levantamento de dados moleculares no laboratório de genética, trabalhando com as amostras de espécies amazônicas”, disse.

Dr. Leandro Moraes -- Fotos Érico Xavier._-3

Bolsista da Fapeam, Leandro Moraes, fará estágio de três meses na Université Toulouse.

 

O coordenador francês do projeto, Dr. Antoine Fouquet, explica que após a comparação de oito diferentes grupos de anfíbios distribuídos na Amazônia será possível entender a diversificação desses organismos na região.

Guyamazon

O Programa de Cooperação Internacional Guyamazon é resultado de uma cooperação internacional entre a Fapeam, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amapá (Fapeap), a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Maranhão (Fapema), a Fundação Amazônia de Amparo a Estudos e Pesquisas (Fapespa), a Embaixada da França, o Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento (IRD), o Centro de Cooperação Internacional em Pesquisa Agronômica para o Desenvolvimento (Cirad), o Centro Nacional de Pesquisa Científica (CNRS) e a Coletividade Territorial da Guiana (CTGA).

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

 

 

 

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Estudo avalia a influência do gene EGFR no prognóstico do câncer de boca em pacientes jovens

O carcinoma de células escamosas é o tipo de neoplasia maligna mais comum da cavidade bucal. Os cânceres de boca são em sua maioria associados ao uso prolongado de tabaco e álcool, e podem acometer diversas regiões anatômicas: língua, assoalho da boca, gengivas, palato duro, lábios e a mucosa jugal (bochecha).

Pesquisa científica apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) buscou responder qual o papel do gene Receptor do Fator de Crescimento Epidérmico (EGFR) e de sua proteína na progressão e prognóstico da doença, estudando especificamente pacientes com idade menor ou igual a 40 anos, considerados jovens para desenvolver o câncer de boca.

O projeto “Investigação da amplificação do EGFR em carcinoma de células escamosas de boca em pacientes jovens” foi desenvolvido na Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho” (Unesp), de São José dos Campos (SP), em parceria com o hospital AC Camargo Cancer Center (SP), por meio do Programa RH-Mestrado – Fluxo Contínuo, edital Nº 002/2014.

De acordo com o pesquisador, Victor Costa, o carcinoma de células escamosas de boca acomete mais comumente pessoas por volta da meia-idade, entre a 5ª e 6ª década de vida, que começaram a consumir álcool e tabaco ainda jovens, e por isso são considerados grupo de risco, ou seja, com maior probabilidade para desenvolver esse tipo de câncer.

24.04.2019 - Victor Bernardes - Fotos Erico X-7

O pesquisador Victor Costa.

 

Pesquisa

Acredita-se que pessoas mais jovens que desenvolvem câncer de boca, provavelmente têm predisposição genética. Nessa linha de investigação, os pesquisadores analisaram se a proteína que o gene EGFR, produz está associada ao aparecimento da doença.

Através da imunomarcação do EGFR, os pesquisadores investigaram a amplificação e a expressão dessa proteína nesse grupo etário, ou seja, em pacientes jovens, portadores de câncer de boca. Estudos mostram que geralmente esses receptores estão ligados ao desenvolvimento e a progressão de tumores sólidos (câncer).

“Avaliamos a relação entre o gene e a proteína para poder analisar se algum deles era capaz de influenciar o prognóstico do paciente e/ou se fatores clinicopatológicos (idade, sexo e hábitos nocivos), se associavam com alterações no gene EGFR”, disse.

Gene EGFR

Victor explica que o ponto central da pesquisa era investigar as possíveis alterações no gene EGFR, como translocação (quando o gene muda do seu lugar habitual), polissomias (quando o número daquele gene específico aumenta mais que o convencional) e amplificações (quando o tamanho do gene muda). Tudo isso na tentativa de identificar o papel do gene nesse grupo de pacientes e sua relação com a proteína EGFR, que é o alvo da imunoterapia.

A proteína, por sua vez, foi mais expressa e esteve associada ao pior prognóstico da doença. Além disso, esse foi o primeiro estudo a investigar esse gene em pacientes jovens com câncer de boca.

Para embasar o estudo, foram utilizadas amostras biológicas (tecidos provenientes do câncer de boca) a partir de blocos de peça cirúrgica de 60 pacientes. Sendo 21 pacientes do grupo teste e 39 do grupo controle, todos tratados no AC Camargo Cancer Center (SP).

Resultados

A pesquisa apontou que existe uma maior amplificação do gene EGFR em pacientes jovens, apesar desta amplificação não influenciar na expressão proteica.

“Isso significa que apesar dessa alteração do gene, a modificação não muda o padrão da expressão da proteína, ou seja, a amplificação não quer dizer que a célula vai expressar mais proteína. Apesar de não influenciar na expressão da proteína, no estudo tumores com estágio clínico mais avançado foram associados a essa alteração do gene. Só que a amplificação do gene não possibilita o tratamento imunoterápico”, explicou.

O estudo foi publicado na International Journal of Oral and Maxillofacial Surgery, na subárea de oncologia de cabeça e pescoço, e pode ser acessado aqui

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

 

 

 

 

 

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Pesquisa avalia baixos níveis de antibióticos no sangue de pacientes sob tratamento da tuberculose em Manaus

Dependendo do alcance da concentração medicamentosa na corrente sanguínea de pessoas com tuberculose, ela pode evoluir para a cura ou para uma resistência, e consequentemente, falha terapêutica.

Pesquisa científica apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) buscou responder quais fatores estão relacionados aos diferentes níveis de medicamentos antituberculose encontrados no sangue de pacientes atendidos na Policlínica Cardoso Fontes, unidade de referência no diagnóstico e tratamento de pessoas acometidas por tuberculose, em Manaus.

De acordo com o coordenador do projeto, Igor Magalhães, no estudo foram abordados somente pacientes com tuberculose pulmonar considerados casos novos, ou seja, pacientes que nunca haviam tratado a doença.

Dr. Igor Magalhães - UFAM - Fotos Erico Xavier-43

Coordenador do projeto, Igor Magalhães.

 

O estudo foi desenvolvido na Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCF), no Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), unidades pertencentes à Universidade Federal do Amazonas (Ufam), em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), por meio do Programa de Pesquisa para o SUS: Gestão Compartilhada em Saúde (PPSUS), Chamada Pública Nº 001/2013.

Sobre a tuberculose

O pesquisador explica que a tuberculose é uma doença infectocontagiosa causada principalmente pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, sendo o pulmão o principal alvo da ação desse microrganismo.

O quadro clínico clássico da tuberculose pulmonar inclui tosse persistente, com ou sem secreção, cansaço excessivo, falta de ar, febre baixa, mais comum à tarde, sudorese noturna, falta de apetite e perda de peso. 

Tratamento

O pesquisador explica que no Brasil o tratamento padrão para a tuberculose é medicamentoso, padronizado pelo Ministério da Saúde, e utiliza a combinação de quatro antibióticos: a isoniazida, a rifampicina, a pirazinamida e o etambutol, em uma terapia de, no mínimo, seis meses.

Segundo Igor Magalhães, apesar da grande eficácia do esquema terapêutico, determinados pacientes não respondem adequadamente ao tratamento e ocorre o desenvolvimento de linhagens de microrganismos resistentes aos fármacos utilizados para combater a infecção pulmonar.

Laboratório

Apesar da grande eficácia do esquema terapêutico, determinados pacientes não respondem adequadamente ao tratamento.

 

Durante o estudo foi observado que, apesar de alguns pacientes, por exemplo, tomarem um comprimido do mesmo medicamento, do mesmo lote, as concentrações desses fármacos no sangue podiam variar de uma pessoa para outra, o que compromete a eficiência da terapia.

“Neste contexto, diversos pesquisadores têm buscado entender os determinantes das baixas concentrações dos fármacos antituberculose, mesmo em pacientes submetidos ao tratamento supervisionado”, explicou.

Identificar o efeito das concentrações medicamentosas na corrente sanguínea pode ajudar a individualizar a posologia para adequá-la às necessidades de cada paciente.

Controle Terapêutico

Com o intuito de contribuir para o correto entendimento das possíveis falhas terapêuticas, verificadas na região Amazônica, foram realizadas análises bioquímicas, moleculares e as concentrações dos remédios antituberculose encontradas nas amostras biológicas (sangue) de 222 pacientes, com idades entre 18 e 87 anos, diagnosticados com tuberculose pulmonar.

Para o estudo foi relacionada uma série de fatores: genéticos, sociodemográficos, clínico-laboratoriais, sexo, idade, escolaridade, ocupação, pacientes com doenças crônicas e comorbidades (diabetes e pacientes que relataram o uso de álcool e tabaco durante o tratamento).

“Estudos recentes sugerem que há diferenças entre as concentrações de medicamentos alcançadas no sangue devido a diversas razões, incluindo a constituição genética de cada paciente”, disse o coordenador.

Foto material biológico

Foram realizadas análises bioquímicas, moleculares e as concentrações dos remédios antituberculose.

 

De acordo com ele, cada indivíduo absorve, metaboliza e elimina medicamentos com taxas diferentes que variam em função de idade, estado geral de saúde, e interferência de outros medicamentos que estejam utilizando.

A diabetes ocasiona uma série de alterações no funcionamento do organismo, por exemplo, no trato gastrointestinal. Também pode influenciar na absorção dos medicamentos antituberculose. Se absorver menos, a concentração do fármaco que alcança no sangue provavelmente será menor.

Para o pesquisador, conhecer melhor o que pode estar influenciando nessas concentrações de medicamentos no sangue desses pacientes, e dependendo do resultado, será possível estabelecer estratégias junto com as unidades de saúde para fazer ou não ajustes de doses dos antibióticos. 

Resultados

O estudo apontou baixas concentrações dos fármacos antituberculose no sangue dos pacientes. De acordo com o pesquisador o resultado é mais expressivo para os medicamentos isoniazida e rifampicina, em que aproximadamente 60% dos pacientes apresentaram níveis de medicamentos considerados reduzidos.

Dentre as variáveis empregadas no estudo para explicar os resultados, houve significância estatística entre o uso de álcool (etilistas) e metabolizadores rápidos da enzima N-acetiltransferase 2 (NAT-2) e concentrações reduzidas de isoniazida.

Equipamento

O estudou mostrou a alta prevalência de indivíduos que fazem uso de álcool, mesmo sob tratamento da tuberculose.

 

O estudou mostrou a alta prevalência de indivíduos que fazem uso de álcool, mesmo sob tratamento da tuberculose. Dentre eles, boa parcela apresentou baixos níveis de isoniazida, um dos principais fármacos elencados para o tratamento da doença. O que alerta para a necessidade de orientação correta e acompanhamento terapêutico adequado para esses pacientes.

As baixas concentrações dos fármacos de primeira linha também foram relatadas em outros estudos realizados no mundo, por exemplo, na Holanda, Turquia, Indonésia e África do Sul e podem sugerir a necessidade de reavaliação da faixa terapêutica tida como referência na literatura. No entanto, estudos adicionais devem ser realizados para avaliar o impacto da farmacogenética nestes resultados, bem como investigar a influência das baixas concentrações no desfecho do tratamento.

Casos no Amazonas 

O Amazonas possui a maior taxa de incidência de tuberculose no Brasil com 72,4 casos por 100 mil habitantes. Segundo o parâmetro do Ministério da Saúde, os números registrados são considerados altos. A taxa de incidência mede o risco de adoecimento na população, o que significa que o Amazonas é considerado o estado com maior risco de adoecimento por tuberculose no país e com a terceira maior taxa de mortalidade.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam), o Estado registrou em 2017, 3.060 novos casos de tuberculose. Em 2018, foram 3.163 casos registrados no Amazonas. Em 2019, até o momento foram registrados 563 casos novos.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Novas tecnologias aplicadas para a seringueira da Amazônia podem fazer a borracha natural voltar a ter importância econômica para a região

Pesquisa científica apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) aponta que a seringueira (Hevea brasiliensis), árvore nativa da Amazônia, pode voltar a ser uma importante fonte de produção e renda para as populações do Estado.

O estudo indica que para o aumento da produtividade de borracha natural no Amazonas são necessárias algumas medidas como, por exemplo, investimento em pesquisas de melhoramento genético, transferência adequada de suporte tecnológico e capacitação dos produtores rurais.

O projeto “Novas tecnologias para a dinamização da produção da borracha natural no Amazonas”, que incluiu 24 municípios do Estado, é desenvolvido nas Unidades Demonstrativas da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Amazonas, por meio do Programa Estratégico de Transferência de Tecnologias para o Setor Rural (Pró-Rural), edital N. 001/2013, da Fapeam.

14.03.2019 - DR. EVERTON RABELO - EMBRAPA - FOTOS ÉRICO XAVIER._-98

Coordenador do projeto Everton Rabelo Cordeiro.

 

De acordo com o coordenador, Everton Rabelo Cordeiro, desde a década de 1920, os plantios de seringueiras na Amazônia são afetados por uma doença conhecida como o mal-das-folhas, causada pelo fungo Microcyclus ulei. O patógeno acomete as partes aéreas da planta e é um dos principais problemas fitossanitários no cultivo dessa espécie.

“A seringueira deixou de ser cultivada na Amazônia por conta do mal-das-folhas, e todo o esforço em produzir seringueiras na região Amazônica esbarrou nessa doença que prejudica o cultivo na região e mata a planta por inanição”, explicou.

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O mal-das-folhas é uma doença causada pelo fungo Microcyclus ulei.

 

Identificada a infecção que ataca os seringais na região e causa 100% de perdas na produção, prejuízos e inviabilizava a expansão comercial, os pesquisadores deram início aos estudos científicos com intuito de gerar árvores altamente produtivas de seringueiras tricompostas geneticamente, resistentes a esse tipo de fungo fitopatogênico.

“O nome “tricomposta” deve-se ao fato de que três partes da árvore – a base, o painel e a copa – são formadas a partir do cruzamento de espécies diferentes de plantas de seringueiras, combinadas por meio de enxertias”, disse.

Tricomposta

O nome “tricomposta” deve-se ao fato de que três partes da árvore – a base, o painel e a copa.

 

A técnica de melhoramento genético por meio da propagação da planta, com cruzamento entre espécies diferentes de seringueiras, é para selecionar os melhores clones da árvore e vencer o mal-das-folhas em plantios homogêneos.

“Com base nesse procedimento geramos espécies de seringueiras na Amazônia capazes de produzir borracha com qualidade e em quantidades tão boas como as seringueiras cultivadas em outras regiões do Brasil onde não há problemas com essa doença, e que consequentemente permite rentabilidade aos produtores da região”, informou.

Para o pesquisador, as seringueiras resistentes ao mal-das-folhas além de apoiar o setor produtivo com a geração de renda para comunidades do Amazonas, podem atenuar os impactos agroquímicos sobre o meio ambiente com a dispensa da utilização de defensivos agrícolas para combater o fungo Microcyclus ulei.

 

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O mal-das-folhas causa 100% de perdas na produção.

 

A borracha já foi o produto mais rentável da região Amazônica no século XIX, e é utilizada como matéria-prima pela indústria manufatureira na fabricação de inúmeros produtos como preservativos, pneus, luvas, mangueiras, acessórios para máquinas, elásticos, calçados, enfeites, joias, artefatos para cozinha e etc.

O novo modo de cultivo da seringueira deve permitir ao Estado dispor novamente da borracha natural como um importante produto para a economia do Amazonas, uma vez que se trata de uma planta nativa da região, e seu produto principal é uma das commodities que impulsionam a economia mundial.

Resultados

A pesquisa se encontra na fase final, ou seja, etapa que consiste em testar os clones das seringueiras em diferentes localidades para verificar se o potencial produtivo das árvores se expressa em todas as zonas de plantio com a mesma singularidade.

O projeto alcançou 237 comunidades espalhadas em 24 dos 62 municípios do Amazonas. A partir do projeto, foram capacitados 26 técnicos para atuar com as novas tecnologias, 22 unidades demonstrativas de plantio foram instaladas (Borba, Canutama, Iranduba, Itacoatiara, Lábrea, Manacapuru, Maués, Novo Aripuanã, Santa Isabel do Rio Negro, Tabatinga e Manaus) e 2.292 seringueiros identificados.

 

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A produção de mudas tricompostas, aliadas a técnicas de manejo no seringal, coleta e de armazenamento devem ampliar a produção de borracha natural.

 

Entre os municípios contemplados pelo projeto estão Apuí, Benjamim Constant, Beruri, Boca do Acre, Borba, Canutama, Carauari, Coari, Eirunepé, Fonte Boa, Humaitá, Iranduba, Itacoatiara, Jutaí, Lábrea, Manacapuru, Manaus, Manicoré, Maués, Novo Aripuanã, Pauiní, Santa Isabel do Rio Negro, São Gabriel da Cachoeira e Tabatinga.

A borracha extraída das seringueiras nativas da região continua sendo um complemento de renda considerável para os seringueiros da Amazônia, que continuam com a atividade de colheita e estocagem do látex, a seiva colhida da seringueira, e fonte de matéria-prima para a fabricação de vários produtos manufaturados.

Produção no Amazonas

De acordo com o Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (Idam), em 2011, existiam no Amazonas aproximadamente 2000 produtores trabalhando com a extração de látex de seringueira e uma produção de 1200 toneladas de Cernambi Virgem Prensado (CVP) que eram transformados em Granulado Escuro Brasileiro (GEB) por duas usinas de beneficiamento existentes nos municípios de Manicoré e Iranduba. Nos anos seguintes a situação se agravou e essa produção caiu ainda mais.

No momento existe uma tendência favorável à recuperação da atividade em decorrência do funcionamento normal da usina de Manicoré, que tem capacidade de processamento anual de 720 toneladas de GEB e das negociações em andamento entre a empresa Ruberon sediada no Distrito Industrial de Manaus, que demanda 500 toneladas mensais direcionadas à produção de polímeros e a Agência de Fomento do Estado do Amazonas S.A. (Afeam) para a compra da usina de Iranduba e seu imediato funcionamento cuja capacidade de produção anual é de 4.000 toneladas.

A cadeia produtiva da borracha é uma das prioridades do Governo do Estado a ser implementada pela Secretaria Estadual de Produção Rural (Sepror).

 

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

Ana Francisca Ferreira

Luadir Gasparotto

Felipe Santos da Rosa

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Trypanosoma cruzi circulantes no Amazonas pode auxiliar no diagnóstico da Doença de Chagas Crônica

Pesquisa científica apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) tem o intuito de desenvolver em laboratório testes imunológicos, in house, para o diagnóstico sorológico da Doença de Chagas Crônica, utilizando linhagens de Trypanosoma cruzi, agente etiológico da enfermidade, circulantes no Estado.

A intenção é produzir um kit de teste imunológico in house, que significa em casa (no laboratório), considerando que a matéria-prima, ou seja, a linhagem do parasito circulante na região foi isolado, pelos pesquisadores, e conservado para os ensaios.

A pesquisa é desenvolvida nos laboratórios de entomologia da Fundação de Medicina Tropical, Dr.Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), por meio do Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas), edital N°002/2018, e envolve alunos de mestrado e doutorado em doenças tropicais e infecciosas, do programa de Pós-graduação em Medicina Tropical da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) que funciona em parceria com a FMT-HVD.

 

13.03.2019 - SABRINA BRITA - FOTOS ÉRICO XAVIER._-14

A intenção é desenvolver em laboratório testes imunológicos, in house, para o diagnóstico sorológico da Doença de Chagas Crônica.

 

Sobre a Doença de Chagas

A coordenadora do projeto, Maria das Graças Vale Barbosa Guerra, explica que a Doença de Chagas é uma enfermidade infecto-parasitária, causada pelo protozoário T. cruzi, encontrado nas fezes de insetos conhecidos como barbeiros. A doença se manifesta em duas formas clínicas, uma fase aguda e uma fase crônica. Nas duas fases pode haver manifestação ou não de sintomas clínicos. Quando há manifestação na fase aguda os sintomas podem ser febre, miocardites, mialgia (dor muscular), e na fase crônica problemas cardíacos e digestivos são os mais frequentes.

“Se houver o surgimento de sintomas no início da doença, a pessoa pode ser diagnosticada e tratada. Porém, se não houver sintomas e passado o tempo que caracteriza a fase aguda da doença (oito semanas), a pessoa infectada pode se tornar portadora da doença crônica, sem saber, pois pode continuar assintomática, e ser diagnosticada eventualmente ou quando já estiver com comprometimentos sérios, principalmente, cardíacos”, explicou.

 

13.03.2019 - Dra. GRAÇA BARBOSA - FMT - FOTOS ÉRICO XAVIER._-5

Coordenadora do projeto Maria das Graças Vale Barbosa Guerra.

 

Por esse motivo, Maria das Graças explica que o diagnóstico precoce é altamente recomendado para que o tratamento seja realizado o quanto antes, visando a redução das graves consequências que a infecção pelo T. cruzi pode causar em longo prazo. A identificação deve basear-se em uma combinação de resultados, incluindo exames laboratoriais, o histórico clínico e epidemiológico, a detecção do parasito e/ou a realização de testes sorológicos.

Método

Para a pesquisadora, de maneira geral, há uma grande dificuldade no diagnóstico da Doença de Chagas Crônica, principalmente, porque os testes para o diagnóstico sorológicos disponíveis no mercado, não apresentam boa sensibilidade, particularmente para nossa região, em razão de diferentes fatores, entre eles, o fato de que os testes comerciais não utilizam em seus protocolos as mesmas linhagens de T. cruzi encontradas na Amazônia e particularmente no Estado.

“O nosso objetivo é obtermos antígenos de isolados de T. cruzi conservados em nosso laboratório para utilizá-los em testes imunológicos, buscando detectar maior sensibilidade no teste, com perspectivas de melhorar o diagnóstico da Doença de Chagas Crônica no Estado”, disse.

 

13.03.2019 - SUSAN - FOTOS ÉRICO XAVIER._-8

O objetivo é obter antígenos de isolados de T. cruzi conservados em laboratório para utilizá-los em testes imunológicos, buscando detectar maior sensibilidade no teste.

 

Segundo Maria das Graças, o grupo de trabalho obteve 28 diferentes extratos de antígenos utilizando os isolados de T. cruzi encontrados no Amazonas. Essas substâncias já foram avaliadas pelo método de ELISA in house, e na próxima fase esses antígenos serão submetidos a testes mais específicos para avaliar as atividades e a sensibilidade desses testes.

Doença Negligenciada

A pesquisadora destaca a importância de validar o estudo sobre o tema porque a Doença de Chagas é uma doença negligenciada que afeta entre 6-7 milhões de pessoas no mundo, sendo 1.6 milhão no Brasil.

“Hoje a Amazônia é a região responsável pelo maior número de casos da doença na sua forma aguda principalmente em surtos associados ao consumo do açaí (nos casos em que o fruto esteja contaminado pelo T. cruzi a partir das fezes de barbeiros silvestres) um importante alimento que faz parte da dieta nutricional da população”, disse.

Transmissão

Existem diferentes formas de transmissão, ou contaminação do homem pelo T. cruzi. A forma de transmissão clássica é a vetorial, transmitida pelo contato com as fezes de insetos triatomíneos infectados, conhecidos também como barbeiros. No entanto, existem outras formas de transmissão, como a vertical (congênita – da mãe para o bebê), por transfusão de sangue ou transplantes de órgãos contaminados, acidentes laboratoriais e a forma oral, que tem sido reportada frequente na Amazônia associada ao consumo de frutos como o açaí e a bacaba contaminados.

 

13.03.2019 - INSETO BARBEIRO FOTO DENTRO

A Doença de Chagas é uma enfermidade infecto-parasitária, causada pelo protozoário T. cruzi, encontrado nas fezes de insetos conhecidos como barbeiros.

 

De acordo com Maria das Graças, atualmente os barbeiros estão sendo encontrados cada vez mais com frequência dentro de casas e apartamentos, construídos próximos a áreas de floresta fragmentadas, em diferentes áreas dentro de Manaus, sejam urbanas, periurbanas ou rurais, e isso vulnerabiliza a população porque possibilita o contato desses insetos com as pessoas, na medida em que não conhecendo a dinâmica de transmissão da doença, muitas vezes matam os barbeiros esmagando-os. Nesse caso, se o barbeiro estiver infectado, podem ter contado com as fezes do parasito e se infectar.

Doença de Chagas no Amazonas

De acordo com a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) em 2017 foram notificados nove (9) casos da Doença de Chagas no estado do Amazonas contra 32 em 2018. E entre anos de 2011 e 2018 foram notificados 96 casos da Doença de Chagas no Amazonas.

 

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Especialistas discutem novos métodos de diagnósticos para Histoplamose, em Manaus

Pesquisadores, micologistas, infectologistas, enfermeiros e microbiologistas de 22 países das Américas participaram do II Encontro Regional de Histoplasmose, em Manaus, para discutir novos métodos de diagnósticos comercialmente disponíveis para Histoplasmose. O encontro ocorreu no período 22 a 24 de março, no Tropical Executive Hotel, no bairro Ponta Negra, Zona Oeste de Manaus.

Com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Realização de Eventos Científicos e Tecnológicos no Estado do Amazonas (Parev), o evento foi coorganizado pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia/Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (Inpa/MCTI), Fundação de Medicina Tropical Heitor Viera Dourado (FMT-HVD) e promovido pelo Histoplasmosis Advocacy Group (iHAG).

Foto fora

Encontro Regional de Histoplasmose discutiu novos métodos de diagnósticos para Histoplasmose

Segundo o coordenador do evento, João Braga de Souza, do Inpa, por ano, cerca de 20 a 30 pacientes desenvolvem Histoplasmose no Amazonas.

“Trata-se de uma micose sistêmica que afeta, principalmente, uma parte dos pacientes acometidos por HIV-AIDS. Porém, pessoas com o sistema imunológico comprometido também podem desenvolver a doença que é causada pelo fungo Histoplasma Capsulatum”, disse o micologista.

Doutor em Biotecnologia Industrial, Souza explica que a infecção por Histoplasmose ocorre quando a pessoa aspira do ambiente, fragmentos do fungo Histoplasma capsulatum. Essas partículas são encontradas em locais contaminados por fezes de morcegos, aves e terra de compostagem. O principal sintoma da doença é a febre.

“A pessoa aspira o fungo e o microrganismo invade o pulmão. Dependendo da resposta imunológica do acometido pode gerar uma infecção disseminada que afeta o sangue, fígado, baço e o sistema linfático, levando à mortalidade”, informou.

Dr. João Vicente de Souza-INPA-Seg. Congresso Histoplasmosi-10

Evento foi coordenado pelo doutor em Biotecnologia, João Braga de Souza, do Inpa

Segundo o pesquisador, atualmente se utiliza para detectar a doença o diagnóstico convencional (laboratorial) por meio de cultura de material obtido do paciente da medula óssea, sangue, escarro e material de lesões.

“O diagnóstico laboratorial (cultura) pode demorar em média 25 dias. O diagnóstico precoce aumenta as chances de cura dos pacientes”, disse.

Com o encontro, os especialistas pretendem contribuir para a adoção de metodologia de diagnóstico de forma mais rápida, que contemple 80% dos países das Américas até 2020.

Para a pesquisadora em Micologia da FMT-HVD, Katia Santana Cruz, o diagnóstico precoce vai impactar no tratamento da doença e propiciar maior sobrevivência dos pacientes.

“Melhorando o diagnóstico aumenta a expectativa de vida do paciente. O nosso diagnóstico atual era feito depois que o paciente apresentava muitas severidades, ou seja, estava praticamente bem debilitado. Agora, estamos estabelecendo um novo protocolo para testar na FMT- HVD”, disse.

Parev

Programa de Apoio à Realização de Eventos Científicos e Tecnológicos no Estado do Amazonas (Parev) da Fapeam tem o objetivo de apoiar a realização de eventos locais, regionais, nacionais e internacionais sediados no Estado do Amazonas, relacionados à Ciência, Tecnologia e Inovação, como congressos, simpósios, “workshops”, seminários, ciclo de palestras, conferências e oficinas de trabalho, visando divulgar resultados de pesquisas científicas e contribuir para a promoção do intercâmbio científico e tecnológico.

Por Helen Melo

Fotos- Érico Xavier

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Estudo realizado no Amazonas pode auxiliar no diagnóstico precoce do câncer do colo uterino

O câncer de colo uterino é o mais incidente entre mulheres no Amazonas. Para alertar a população amazonense sobre esta doença, o governador do Amazonas, Wilson lima, sancionou em 11 de janeiro deste ano a Lei nº4.768/2019, que instituiu o “Movimento Estadual Março Lilás”, de prevenção ao câncer de colo uterino.

Este tipo de câncer pode ser evitado, no entanto, caso a doença já afete a paciente, o diagnóstico precoce aumenta a chance de cura. Por esse motivo, uma pesquisa científica apoiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) pode auxiliar nas possíveis condutas de rastreamento para o melhor prognóstico das Neoplasias Intraepiteliais Cervicais (NICs), ou seja, na avaliação das lesões precursoras do câncer de colo de útero.

Dra. Priscila Ferreira Aquino e mestranda

O estudo é feito com mulheres diagnosticadas com lesões de alto grau no colo uterino.

 

Em andamento, o estudo é desenvolvido no Instituto Leônidas e Maria Deane (Fiocruz Amazônia), em parceria com a Fundação Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon), Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e Instituto Carlos Chagas (ICC-Fiocruz-Paraná), por meio do Programa de Pesquisa para o SUS: Gestão Compartilhada em Saúde (PPSUS), Chamada Pública Nº 001/2017.

De acordo com a coordenadora do projeto, Priscila Ferreira de Aquino, o estudo é feito com 91 mulheres atendidas na FCecon, com idades entre 18 e 85 anos, diagnosticadas com lesões de alto grau no colo uterino.

Dra. Priscila Ferreira Aquino

Para Priscila Aquino o estudo pode auxiliar nas possíveis condutas de rastreamento das lesões precursoras do câncer de colo de útero.

 

Segundo Priscila, o câncer de colo de útero pode surgir a partir dos 25 e 30 anos de idade e seu desenvolvimento é precedido por NICs, ou seja, por lesões pré-malignas, que de acordo com o grau de anormalidade nas células epiteliais, variam em três tipos: I, II e III. Sendo o vírus do papiloma humano (HPV), um dos principais agentes etiológicos responsável pela evolução da doença.

“A infecção persistente provocada por um ou mais dos subtipos oncogênicos de HPV, pode ser uma das causas para o desenvolvimento das NICs e, até mesmo, a progressão da doença para o câncer”, disse.

Para o estudo foram selecionadas mulheres com diagnóstico histopatológico compatíveis com os tipos NICs II ou III. As pacientes foram entrevistadas para a avaliação dos dados epidemiológicos, além de fornecerem amostras de sangue periférico (plasma) e do tecido cervical (fragmento do colo uterino retirado através de um procedimento cirúrgico) para serem analisados.

“As amostras serão utilizadas tanto para a análise do conjunto de proteínas presentes nos tecidos coletados quanto para detectar a presença ou não do DNA do HPV, definir o subtipo viral, e, consequentemente o risco oncogênico na paciente. Esses elementos ainda terão os dados associados à análise epidemiológica, histopatológica e citológica, para um panorama mais amplo das mulheres tratadas em nosso Estado com tais lesões sob diferentes características”, informou.

Plasma e tecido cervical

As pacientes fornecerem amostras de sangue periférico (plasma) e do tecido cervical (fragmento do colo uterino retirado através de um procedimento cirúrgico) para serem analisados.

 

Com base nas análises, os pesquisadores devem obter informações, como, por exemplo, a presença de possíveis indicadores proteicos e moleculares, que poderão auxiliar na detecção  precoce das lesões no colo do útero e melhor prognóstico para o tratamento das NICs, evitando uma evolução para o câncer de colo uterino.

“Por se tratar de um estudo prospectivo descritivo, no qual as participantes do projeto são acompanhadas ao longo do tempo até a conclusão do diagnóstico, futuramente, espera-se que essas informações possam colaborar para o tratamento mais individualizado às pacientes com tais lesões”, disse.

Câncer de colo de útero

A Fundação Centro de Controle de Oncologia do Estado do Amazonas (FCecon) informa que em 2016 foram diagnosticados de 671 casos de câncer de colo de útero no Estado.

Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), no biênio 2018/2019, estima-se para o Brasil 16.370 casos novos de câncer de colo de útero, uma taxa bruta de 15,43 a cada 100 mil mulheres. Para o Amazonas, esse número é bem maior, estima-se cerca de 840 casos novos de câncer de colo de útero, uma taxa bruta de 40,97 a cada 100 mil mulheres. Desses casos novos do Estado, cerca de 640 serão mulheres residentes em Manaus.

De acordo com o Inca apesar da sua importância epidemiológica, o câncer do colo uterino possui alto potencial de cura quando diagnosticado em estágios iniciais.

HPV

Papiloma vírus humano (HPV): é o vírus mais comum de infecção sexualmente transmissível no mundo e que desempenha um papel importante no câncer de colo de útero. Possui diversos subtipos, sendo o HPV-16 e 18 os mais oncogênicos, responsáveis por mais 70% dos cânceres cervicais.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Pesquisa aponta meios para combater pragas e doenças no cultivo do cupuaçu no Amazonas

 

Pesquisadores desenvolveram um estudo que aponta estratégias de manejo de pragas e doenças nos plantios de cupuaçuzeiro (Theobroma grandiflorum) no Amazonas. A pesquisa indica que para a sustentabilidade do cultivo dessa frutífera são necessárias algumas medidas como, por exemplo, boas práticas agrícolas e capacitação de técnicos, agricultores e produtores rurais do Estado.

Desenvolvida em unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), no Amazonas, Rondônia e Brasília, Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac AM e RO) e áreas de produtores, a pesquisa conta com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Consolidação das Instituições Estaduais de Ensino e/ou Pesquisa (Pró-Estado) edital Resolução N. 002/2008.

Aparecida das Graças Claret de Souza explica que a pesquisa teve foco na vassoura-de-bruxa e no inseto-praga.

A coordenadora do projeto, Aparecida das Graças Claret de Souza, explica que a pesquisa teve foco em dois dos principais problemas fitossanitários: a doença conhecida como vassoura-de-bruxa e o inseto-praga popularmente conhecido como broca-do-fruto, que atacam as lavouras de cupuaçuzeiros e causam prejuízos e perdas ao plantio.

“O cupuaçuzeiro é uma cultura geradora de renda aos agricultores, que geralmente comercializam o fruto inteiro, a polpa congelada ou mesmo iguarias como balas, tortas, bolos, biscoitos, sucos e cremes. Porém, os produtores perdem em competitividade, pois normalmente cultivam o cupuaçuzeiro sem as práticas tecnológicas recomendadas” explicou.

vassoura-de-bruxa

A vassoura-de-bruxa é uma doença causada pelo fungo Moniliophtora perniciosa.

A pesquisadora informa que as larvas do inseto-praga, broca-do-fruto, se desenvolvem no interior do cupuaçu, e consequentemente os frutos ficam impróprios para o consumo, para a comercialização e causam perdas na produção e na renda do produtor.

larvas

As larvas do inseto-praga, broca-do-fruto, se desenvolvem no interior do cupuaçu.

Já o outro problema agrícola muito comum é a vassoura-de-bruxa, uma doença causada pelo fungo Moniliophtora perniciosa, que tem gerado mais de 70% de perda na produção de cupuaçu em muitas áreas de plantios no Amazonas.

Para Aparecida boas práticas de manejo podem mitigar esses problemas agrícolas, bem como evitar que se alastrem em uma área de cultivo.

“Se um produtor não toma nenhuma medida para o controle da broca-do-fruto e da vassoura-de-bruxa, não somente o plantio dele ficará prejudicado, mas o plantio dos vizinhos também”, disse.

Resultados

O estudo apontou que somente 25% dos agricultores fazem a poda fitossanitária da vassoura-de-bruxa e, na grande maioria, os plantios são tomados pela doença, acarretando perdas. Verificou-se também a incidência da broca-do-fruto que foi encontrada em 65% das propriedades, causando perda em torno de 60% da produção. Portanto, é importante realizar pesquisa envolvendo todo o sistema de produção e levar conhecimento para o produtor, visando melhoria no cultivo dessa espécie frutífera.

De acordo com a pesquisadora o estudo contribuiu para o uso de métodos inovadores, para o controle de pragas e doenças, menos prejudiciais ao meio ambiente e que contribuem para o desenvolvimento do sistema de produção do cupuaçuzeiro sustentável.

O projeto capacitou 485 participantes entre técnicos da extensão rural, agricultores e produtores por meio de cursos administrados de forma prática, para que o produtor entendesse a importância das boas práticas agrícolas no manejo de pragas e doenças e consequentemente no aumento da produtividade dos cupuaçuzeiros.

Cartilha

O projeto resultou no lançamento de duas cartilhas sobre boas práticas agrícolas na cultura do cupuaçuzeiro. As publicações têm o objetivo de ajudar o produtor a combater tanto a broca-do-fruto quanto a vassoura-de-bruxa, que afetam a cultura do cupuaçu na região Norte e causam prejuízos e perdas para agricultores. As informações devem auxiliar no aumento da produtividade daqueles que cultivam o cupuaçu no Amazonas.

O projeto de desenvolvimento da cultura do cupuaçuzeiro no Amazonas abrangeu ações integradas entre a pesquisa, a extensão e os agricultores.

As cartilhas podem ser acessadas aqui.

Boas práticas agrícolas da cultura do cupuaçuzeiro: broca-do-fruto.

Boas práticas agrícolas da cultura do cupuaçuzeiro: vassoura-de-bruxa.

 

Por: Helen de Melo

Fotos: Érico Xavier

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Fapeam apoia pesquisa de fitocosméticos com atividades antimicrobiana, antioxidante e fotoprotetora

Uma pesquisa científica investiga o potencial antimicrobiano, antioxidante e fotoprotetor de duas plantas nativas da região Amazônica, o guaraná (Paullinia cupana) e o pau-rosa (Aniba rosaeodora). O estudo deve avaliar se o extrato e o óleo essencial, respectivamente, dessas espécies vegetais são detentores de efeitos benéficos para serem utilizados na produção de fitocosméticos.

Em andamento, a pesquisa é desenvolvida nos laboratórios do Grupo de Pesquisa Química Aplicada à Tecnologia, da Escola Superior de Tecnologia da Universidade do Estado do Amazonas (EST/UEA), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), por meio do Programa de Apoio à Pesquisa (Universal Amazonas), edital Nº 002/2018.

Segundo a coordenadora do projeto, Patrícia Melchionna Albuquerque, a primeira etapa da pesquisa teve início em outubro de 2018 com a coleta de galhos e folhas de pau-rosa para o processo de extração do óleo essencial, além da obtenção das sementes de guaraná em Maués (AM) para a produção do extrato vegetal.

UEA - Extrato de Guaraná e Óleos Essenciais de Pau Rosa - Fotos Barbara B._-11

O extrato de guaraná e suas partições estão sendo pesquisadas para verificar as demais atividades biológicas.

Patrícia informou que já  foi possível verificar atividade antimicrobiana no óleo essencial de pau-rosa, e que no momento o grupo de pesquisadores está preparando o extrato de guaraná e suas partições para verificar as demais atividades biológicas e, em seguida, iniciar as formulações fitocosméticas.

“Os fitocosméticos serão avaliados quanto às suas propriedades físico-químicas e quanto à sua estabilidade. Determinaremos as atividades biológicas de interesse nas emulsões e sabonetes líquidos que se mostrarem estáveis. Além disso, determinaremos a concentração de linalol nos óleos essenciais de pau-rosa e de cafeína nos extratos de guaraná, a fim de padronizar a matéria-prima utilizada na elaboração dos fitocosméticos”, informou.

Dra. Patrícia Albuquerque - UEA - Extrato e Óleo

Para a pesquisadora o potencial de uso sustentável da biodiversidade brasileira é extenso.

Com base no resultado do estudo, a pesquisadora afirma que será possível formular emulsões cosméticas com atividade antioxidante e fotoprotetora, assim como sabonetes líquidos, com atividade antimicrobiana, a partir desses compostos naturais.

Para a pesquisadora o potencial de uso sustentável da biodiversidade brasileira é extenso, mas ainda é pouco explorado. Por isso, a descoberta de substâncias biologicamente ativas a partir da diversidade biológica (plantas, animais e microrganismos) pode auxiliar de forma significativa no desenvolvimento de bioprodutos, como é o caso dos fitocosméticos.

“Os fitocosméticos são definidos como cosméticos que contém ativo natural, seja um extrato, óleo fixo ou óleo essencial, cuja ação define a atividade do produto”, explicou.

UEA - Extrato de Guaraná e Óleos Essenciais de Pau Rosa - Fotos Barbara B._-15

Foi possível verificar atividade antimicrobiana no óleo essencial de pau-rosa.

De acordo com a coordenadora, o estudo pretende estimular ainda o uso dessas espécies para a obtenção de bioprodutos (fitocosméticos) com alto valor de mercado, e que consequentemente beneficiem o setor produtivo do município de Maués e de todo o estado do Amazonas. A produção de fitocosméticos deve ser considerada estratégica para a economia local, uma vez que estes bioprodutos podem agregar valor aos produtos amazônicos.

Antimicrobiana 

Atividade antimicrobiana é a capacidade de uma substância (ou de um conjunto de substâncias, no caso de extratos e óleos essenciais) em inibir o crescimento de microrganismos, como bactérias, fungos, vírus ou protozoários, (ação microbiostática), ou de matar estes microrganismos (ação microbicida).

Antioxidante

Atividade antioxidante é a capacidade de uma substância (ou de um conjunto de substâncias, no caso de extratos e óleos essenciais) em retardar as reações de degradação oxidativa, ou seja, em reduzir a velocidade da oxidação por um ou mais mecanismos, como inibição de radicais livres e complexação de metais.

Fotoprotetora 

Atividade fotoprotetora é a capacidade de uma substância (ou de um conjunto de substâncias, no caso de extratos e óleos essenciais) em absorver, refletir e dispersar a radiação que incide sobre a pele. Estas substâncias são utilizadas em protetores solares, bloqueadores e cosméticos destinados à prevenção do foto envelhecimento cutâneo precoce.

Por: Helen de Melo

Fotos: Barbara Brito

Embrapa

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