Todos os artigos de Carlos Eduardo

Fiocruz inova no diagnóstico molecular de febre amarela

Em resposta ao crescimento de casos de febre amarela, o Ministério da Saúde distribuiu, desde 2017, mais de 68 milhões de doses da vacina aos estados brasileiros – são 52 milhões de doses a mais do que o total distribuído em 2016. Em março de 2018, o Ministério anunciou que todo o território nacional será área de recomendação para vacina até abril de 2019, com previsão de imunizar mais de 77 milhões de pessoas. Medida central para prevenção e controle da doença, a vacina é considerada segura e apresenta eficácia de 95% a 99%. Entretanto, assim como qualquer vacina ou medicamento, pode causar eventos adversos. Nesses casos pouco frequentes, ocorrem sintomas idênticos aos da infecção natural pelo vírus. Para distinguir a origem do caso é necessário identificar, em laboratório, se o paciente apresenta o vírus selvagem – aquele em circulação num determinado local, transmitido pela picada de mosquitos – ou o vírus atenuado – que é utilizado na produção da vacina. Uma inovação em diagnóstico molecular idealizada pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) e desenvolvida em parceria com a Universidade de Bonn, da Alemanha, permite diferenciar com precisão e mais agilidade se a origem do caso foi uma transmissão comum ou um evento adverso após a vacinação.

A novidade foi desenvolvida pelo Laboratório de Flavivírus do IOC/Fiocruz, que atua como referência regional para febre amarela junto ao Ministério da Saúde. A virologista Ana Bispo idealizou o projeto a partir de uma demanda concreta. “Criamos uma solução que permite dar respostas mais rápidas em termos de diagnóstico. Diante de um surto de febre amarela, a confirmação laboratorial é uma ferramenta importante na definição das estratégias de vigilância da circulação do vírus e controle da doença”, destacou a chefe do Laboratório de Flavivírus. O método diferencial, que utiliza a técnica de RT-PCR em tempo real, supera em muito a velocidade da tradicional técnica de sequenciamento genético do vírus, atualmente disponível para a diferenciação entre vírus selvagem e vírus vacinal. Enquanto o sequenciamento pode variar de três a 15 dias, o novo protocolo de RT-PCR em tempo real leva de uma a duas horas. Além disso, pode ser conduzido por um profissional que domine as técnicas básicas de diagnóstico molecular, enquanto o método de sequenciamento viral exige profissionais com capacitação específica para análise dos resultados do sequenciamento do material genético do vírus. O desenvolvimento e a validação do protocolo estão descritos em um artigo publicado no periódico científico ‘Emerging Infectious Diseases’, publicado pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC).

A metodologia de RT-PCR em tempo real é baseada na identificação do material genético do vírus em uma amostra. Para chegar a um teste preciso, os pesquisadores buscaram regiões do genoma em que o vírus selvagem e a cepa vacinal são diferentes, o que permite a diferenciação entre ambos. Foram criados dois protocolos: o protocolo chamado de ‘alvo único’ (quando há necessidade da realização de duas reações separadas para detectar a presença do vírus selvagem e da cepa vacinal) e de ‘alvo duplo’ (quando a detecção é realizada em uma mesma reação).

O protocolo mostrou ser capaz de detectar o vírus selvagem e o vírus vacinal com alta sensibilidade e especificidade diagnóstica. “Um ponto merece destaque: para garantir que não havia o risco de reação cruzada, foram realizados experimentos com mais de 40 vírus diferentes durante o desenvolvimento do método. Tivemos a grata surpresa de conseguir desenvolver um método inédito de alta sensibilidade, especificidade e rápido para diferenciar vírus febre amarela selvagem e vírus vacinal”, comemora a pesquisadora. Além disso, o procedimento permite quantificar a carga viral presente na amostra.

Atualmente, o procedimento está sendo aplicado no Laboratório de Flavivírus do IOC para caracterizar o tipo de infecção em amostras de casos suspeitos de eventos adversos após a vacinação. O protocolo tem potencial para contribuir especialmente na rotina de esclarecimento de casos suspeitos de eventos adversos à vacinação junto ao Programa Nacional de Imunizações (PNI). A pedido da Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública do Ministério da Saúde (CGLAB), está em curso a produção, em caráter de protótipo, de um kit de insumos para uso no protocolo. Essa etapa está sendo realizada por meio de colaboração do IOC com o Instituto de Biologia Molecular do Paraná (IBMP). A perspectiva é de que, no futuro, os insumos possam ser utilizados na rede de Laboratórios Centrais de Saúde Pública (Lacens), que atua no diagnóstico laboratorial de febre amarela. Para André Luiz de Abreu, da Coordenação Geral de Laboratórios de Saúde Pública do Ministério da Saúde (CGLAB/SVS/MS), a novidade poderá beneficiar a rotina de trabalho em todo o país. “Essa é uma inovação pensada por um Laboratório da rede para aperfeiçoar o conjunto das atividades de diferenciação em diagnóstico da febre amarela. Existe potencial de agilizar o processo em todo o Brasil”, avaliou.

“A exemplo da idealização inédita do desenvolvimento de um teste rápido e sensível capaz de diagnosticar simultaneamente Zika, dengue e chikungunya e hoje disponível na rede de Lacens, a nova proposta desenvolvida no Laboratório de Flavivírus representa mais uma conquista importante para o diagnóstico laboratorial. Novamente, conseguimos obter uma solução concreta para um desafio da rotina dos laboratórios que lidam com o diagnóstico dessas doença”, a virologista detalha.

O novo protocolo tem ainda mais um benefício: oferece resultados conclusivos mesmo quando a amostra tem baixa concentração do vírus. Nesses casos, pode não ser possível realizar a análise tradicional diretamente a partir do material clínico, sendo necessária a realização de uma etapa intermediária para isolamento do vírus, que é então replicado em laboratório. No entanto, a situação se torna um problema na hipótese de um paciente que tenha simultaneamente a infecção selvagem e a vacinal – um paciente, portanto, que é picado por um mosquito com o vírus pouco antes ou pouco depois do momento em que foi vacinado, quando a imunidade provocada pela vacinação ainda não foi estabelecida. Nessa circunstância, aumentam as chances de que, por conta da etapa intermediária de isolamento viral, seja detectado apenas vírus presente em maior quantidade na amostra, apesar dos dois vírus estarem presentes. Já o novo protocolo de RT-PCR em tempo real diferencial é capaz de detectar ao mesmo tempo a presença dos dois vírus – mesmo que um deles esteja em concentração mais baixa na amostra do paciente.

LABORATÓRIO DE FLAVIVÍRUS

O Laboratório de Flavivírus do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz) atua regularmente desde a década de 1990 no diagnóstico laboratorial de amostras de pacientes com suspeita da doença provenientes dos estados do Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais e Bahia. Também realiza análises de amostras de primatas desde 2014. Além disso, com o aumento do número de casos suspeitos desde 2017, o laboratório também foi designado pelo Ministério da Saúde para processar amostras do Ceará e Rio Grande do Norte. Segundo o Ministério da Saúde, entre junho de 2016 e junho de 2017, foram confirmados 777 casos e 261 óbitos por febre amarela no país. E de julho de 2017 a 03 de abril de 2018, já foram contabilizados 1.127 casos e 328 óbitos.

IOC/Fiocruz, por Lucas Rocha

Centro de Estudos vai abordar o uso de modelos teóricos na pesquisa científica

O Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) promove na próxima sexta-feira, 13/4, a partir de 9h, no Salão Canoas, auditório da Instituição, a palestra “Uso de modelos teóricos na pesquisa científica”, a ser ministrada pela pesquisadora Maria Jacirema Gonçalves, docente do Programa de Pós-graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA/ Fiocruz Amazônia).

Segundo a pesquisadora, a reflexão possibilita observar e entender melhor importantes etapas da pesquisa científica, que antecipam a prática. “Os modelos teóricos auxiliam na organização do pensamento científico, para que a partir de uma reflexão teórica possamos pensar a realidade e quais aspectos possuem relação com tal realidade. A ideia é levar o pesquisador a essa reflexão antes de estrutura sua pesquisa”, pontuou.

SOBRE A PALESTRANTE

Maria Jacirema Gonçalves é graduada em enfermagem e obstetrícia pela Escola de Enfermagem de Manaus, mestre em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e doutora em Saúde Coletiva, pelo Instituto de Medicina Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

É Pesquisadora em Saúde Pública na Fiocruz-Amazônia, e docente do Programa de Pós-Graduação em Condições de Vida e Situações de Saúde na Amazônia (PPGVIDA/Fiocruz Amazônia). Atua como professora da Universidade Federal do Amazonas nas disciplinas de saúde coletiva, terapias alternativas e complementares, vigilância em saúde e informática em saúde. Desenvolve pesquisas na área de epidemiologia de doenças infecciosas.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

Os eventos são gratuitos e ocorrem às sextas-feiras. As atividades são destinadas a estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Palestra vai abordar Lei da Biodiversidade nas atividades de P&D e o SisGen na prática

O Núcleo de Inovação Tecnológica do Instituto Leônidas & Maria Deane (NIT-ILMD/Fiocruz Amazônia) promove no dia 17/4, de 9h às12h, a palestra: “Os impactos da Lei da Biodiversidade nas atividades de P&D e o SisGen na prática: como proceder para não ser multado”, a ser ministrada pela servidora e advogada da Coordenação de Gestão Tecnológica (Gestec- VPPIS/Fiocruz), Aline Christine de Morais Santos.

O empenho e a contribuição institucional da Fiocruz para divulgar, promover o debate e a participação dos pesquisadores na Lei da Biodiversidade ganhou amplitude nacional frente à demanda de instituições de ensino superior e de setores do governo e empresarial que atuam com pesquisa científica por maiores esclarecimentos sobre os procedimentos.

As inscrições podem ser realizadas via formulário online. O evento acontecerá no Salão Canoas, auditório da Unidade, situada à rua Teresina, 476, Adrianópolis, Zona Sul de Manaus.

SOBRE O SisGen

O Sistema Nacional de Gestão do Patrimônio Genético e do Conhecimento Tradicional Associado (SisGen) é o sistema eletrônico que deverá ser utilizado por todos os pesquisadores para cadastro e autorizações de suas atividades. A não observância das práticas impostas pela Lei, resulta em altas multas para a instituição que realiza a pesquisa.

SOBRE A PALESTRANTE

Aline Morais é integrante do Sistema Gestec-NIT/Fiocruz, analista de Gestão em Saúde, atuando na área de Contratos e Transferência de Tecnologia. Possui graduação em Letras pela UFRJ e é pós-graduanda em Direito Empresarial, com área de concentração em Propriedade Intelectual, pela FGV.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes

Fiocruz vai produzir cinco novos medicamentos para o SUS

O Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz) formalizou no dia 27/3, cinco novas Parcerias de Desenvolvimento Produtivo (PDP) para fabricação de medicamentos estratégicos para o Sistema Único de Saúde (SUS). A lista inclui produtos de primeira linha contra HIV/Aids, hepatite C e para evitar rejeição de órgãos transplantados. A partir da produção pública desses medicamentos, estima-se uma economia de cerca de 60% para o Ministério da Saúde em relação aos valores praticados atualmente. A iniciativa permitirá à unidade ampliar o acesso da população a essas formulações.

Um dos medicamentos mais aguardados é o sofosbuvir, principal produto contra a hepatite C, capaz de curar o paciente sem a necessidade de transplante de fígado. O problema, até então, era o preço extremamente alto. O custo da terapia por paciente, que hoje é de 7,5 mil dólares aos cofres públicos, já chegou ao patamar de US$ 84 mil, o que restringia, e continua restringindo, o acesso de quem precisa do medicamento.

Segundo o diretor do Instituto, Jorge Souza Mendonça, graças à iniciativa de Farmanguinhos, e do grupo parceiro, o preço de cada tratamento (84 dias) não chegará a US$ 3 mil. “Economia ao Ministério da Saúde significa ampliar o acesso ao medicamento. Além disso, a fabricação desses produtos por Farmanguinhos significa a garantia do abastecimento do SUS e, consequentemente, do tratamento dos pacientes”, ressalta.

Mendonça frisa que o objetivo é iniciar a distribuição do sofosbuvir a partir do segundo semestre deste ano. “Estamos elaborando o cronograma da transferência de tecnologia. Mas nossa pretensão é otimizar esse processo, para que ele ocorra o mais breve possível”, observa.

PROFILAXIA PRÉ-EXPOSIÇÃO (PrEP)

Outro importante medicamento que será fabricado por Farmanguinhos é o antirretroviral composto Emtricitabina+Tenofovir, mais conhecido como Truvada. O medicamento é usado na Profilaxia Pré-Exposição ao HIV (PrEP). Trata-se de um esquema de prevenção que consiste no uso diário do medicamento que funciona como uma “barreira química” contra o vírus HIV. A PrEP faz parte da estratégia combinada, ou seja, quem adota a PrEP não deve abrir mão do uso de preservativos. O Brasil foi pioneiro na América Latina ao adotar a terapia como política de saúde.

OUTROS MEDICAMENTOS

As parcerias compreendem ainda dois antivirais para Hepatite C: simeprevir e daclastavir; e o imunossupressor everolimo, usado para evitar rejeição de órgãos transplantados. Segundo Jorge Mendonça, não haverá necessidade de obras para a internalização das novas tecnologias, uma vez que Farmanguinhos já possui área de antivirais e antirretrovirais, e acaba de inaugurar uma linha especificamente para imunossupressores (tacrolimo e everolimo).

Todos os acordos assinados têm duração de cinco anos. Nos quatro primeiros, a produção será totalmente realizada nos laboratórios parceiros. No último ano, Farmanguinhos/Fiocruz passa a produzir metade da demanda. Ao final da transferência, toda a produção será executada nas instalações da unidade.

Dessa forma, Farmanguinhos/Fiocruz segue sua vocação de oferecer um produto de qualidade e ampliar da população aos mais variados tipos de medicamentos.

Alexandre Matos (Farmanguinhos/Fiocruz)
(foto: Alexandre Matos)

Como preencher e incrementar seu currículo Lattes?

Apesar da grande utilização no meio acadêmico, especialmente para quem deseja dar continuidade aos seus estudos através de cursos de mestrado e doutorado, ou por aqueles que desde a graduação se interessam por pesquisa e fazem iniciação científica, muitas pessoas ainda não sabem exatamente o que é o currículo Lattes, ou quando sabem, têm dificuldade para preenchê-lo ou atualizá-lo.

O currículo é uma ferramenta criada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio da Plataforma Lattes, com o objetivo de integrar as bases de dados, organizar e padronizar os currículos do território nacional.

Com o tema “Como preencher e incrementar seu currículo Lattes”, a pesquisadora Elizabeth Teixeira, professora do Centro Universitário Luterano de Manaus (CEULM/Ulbra), apresentou nesta sexta-feira, 6/4, no Salão Canoas, auditório do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), palestra com sugestões e dicas sobre o currículo Lattes.

A palestra foi organizada pelo Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia, núcleo que oportuniza encontros, conferências, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa, ensino e promoção da saúde.

Acompanhe a entrevista com Elizabeth Teixeira:

Fiocruz Amazônia: Qual a importância do Lattes no meio acadêmico?

Elizabeth – O Lattes vai começar a espelhar a trajetória da pessoa, vai revelar o que ela tem feito, o que tem buscado, as participações, as movimentações interinstitucionais e extrainstitucionais. Quando se está num campo acadêmico é preciso se preparar para um campo profissional, e o lattes é um elemento representador, um cartão de visitas, um retrato profissional e acadêmico, sem falar nos processos seletivos. Durante a graduação a pessoa pode desejar tornar-se um bolsista de iniciação científica, de um programa ou projeto e o processo seletivo é realizado inicialmente pela análise do Lattes.

Fiocruz Amazônia: Qual a melhor maneira elaborar o resumo do Lattes?

Elizabeth – O resumo pode ser automático, cedido pela própria plataforma Lattes, extremamente quantitativo. Eu sugiro que as pessoas façam seus próprios textos, na primeira pessoa, apresentando sua trajetória em uma ordem cronológica. Na medida que você vai caminhando, você vai ter outros elementos para destacar, mas não precisa colocar nesse texto a quantidade de coisas que faz, pois o lattes já faz essa tabulação. O resumo é um texto descritivo qualitativo.

Fiocruz Amazônia: Quais as principais dificuldades encontradas no preenchimento do Lattes?

Elizabeth – Como a gente possui uma tendência de acumular, muito certificado, muito papel, e pouco tempo para atualizar, a pessoa acaba ficando parada na mesma tela e não descendo com o cursor, com isso preenche apenas as opções que são obrigatórias para o Lattes. Palavras-chaves não são obrigatória, outras informações também não, o campo das grandes áreas não é obrigatório, e acabam ficando todos em branco. A gente sugere que periodicamente, com maior regularidade, o usuário da plataforma Lattes a atualize, para não acumular papel e querer inserir vários itens de uma só vez.

Fiocruz Amazônia: Como delimitar um bom perfil profissional dentro da plataforma?

Elizabeth – O que vai definir o perfil é a palavra-chave, pois nesse campo você constrói a tendência.

Fiocruz Amazônia: Que eventos devem ser considerados como “formação complementar” e como diferenciá-los do campo  de“participação em eventos”?

Elizabeth – Formação complementar é quando o pesquisador está se formando, podendo ser a institucional formal, e a complementar é a que você pode fazer participando de oficinas, cursos, processos de atualização. Hoje, neste encontro, cada um que aqui esteve fez uma formação complementar, ou seja, são os cursos onde  se aluno ou estudante. No entanto, se durante um evento apresenta-se trabalhos, tipo resumos, pôsteres, banners, neste caso é participação em eventos. É importante salientar que na mesma oportunidade pode-se ter as duas ações.

Fiocruz Amazônia: Como você analisa a presença dos tópicos “inovação” e “popularização da ciência e tecnologia dentro da plataforma?

Elizabeth – Acredito que nos tópicos de inovação e popularização da ciência e tecnologia, nós ainda estamos muito tímidos. As pessoas tendem a imaginar que inovação é apenas quanto se patenteia algo, da mesma forma que imaginam sobre o que é a popularização. Se eu estou em um evento apresentando um trabalho, eu não estou popularizando ciência e tecnologia? É claro que eu estou. Nós precisamos quebrar essas representações que colocam tudo muito longe de nós.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Foto: Eduardo Gomes

Como preencher e incrementar seu currículo Lattes?

Apesar da grande utilização no meio acadêmico, especialmente para quem deseja dar continuidade aos seus estudos através de cursos de mestrado e doutorado, ou por aqueles que desde a graduação se interessam por pesquisa e fazem iniciação científica, muitas pessoas ainda não sabem exatamente o que é o currículo Lattes, ou quando sabem, têm dificuldade para preenchê-lo ou atualizá-lo.

O currículo é uma ferramenta criada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), por meio da Plataforma Lattes, com o objetivo de integrar as bases de dados, organizar e padronizar os currículos do território nacional.

Com o tema “Como preencher e incrementar seu currículo Lattes”, a pesquisadora Elizabeth Teixeira, professora do Centro Universitário Luterano de Manaus (CEULM/Ulbra), apresentou nesta sexta-feira, 6/4, no Salão Canoas, auditório do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), palestra com sugestões e dicas sobre o currículo Lattes.

A palestra foi organizada pelo Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia, núcleo que oportuniza encontros, conferências, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa, ensino e promoção da saúde.

Acompanhe a entrevista com Elizabeth Teixeira:

Fiocruz Amazônia: Qual a importância do Lattes no meio acadêmico?

Elizabeth – O Lattes vai começar a espelhar a trajetória da pessoa, vai revelar o que ela tem feito, o que tem buscado, as participações, as movimentações interinstitucionais e extrainstitucionais. Quando se está num campo acadêmico é preciso se preparar para um campo profissional, e o lattes é um elemento representador, um cartão de visitas, um retrato profissional e acadêmico, sem falar nos processos seletivos. Durante a graduação a pessoa pode desejar tornar-se um bolsista de iniciação científica, de um programa ou projeto e o processo seletivo é realizado inicialmente pela análise do Lattes.

Fiocruz Amazônia: Qual a melhor maneira elaborar o resumo do Lattes?

Elizabeth – O resumo pode ser automático, cedido pela própria plataforma Lattes, extremamente quantitativo. Eu sugiro que as pessoas façam seus próprios textos, na primeira pessoa, apresentando sua trajetória em uma ordem cronológica. Na medida que você vai caminhando, você vai ter outros elementos para destacar, mas não precisa colocar nesse texto a quantidade de coisas que faz, pois o lattes já faz essa tabulação. O resumo é um texto descritivo qualitativo.

Fiocruz Amazônia: Quais as principais dificuldades encontradas no preenchimento do Lattes?

Elizabeth – Como a gente possui uma tendência de acumular, muito certificado, muito papel, e pouco tempo para atualizar, a pessoa acaba ficando parada na mesma tela e não descendo com o cursor, com isso preenche apenas as opções que são obrigatórias para o Lattes. Palavras-chaves não são obrigatória, outras informações também não, o campo das grandes áreas não é obrigatório, e acabam ficando todos em branco. A gente sugere que periodicamente, com maior regularidade, o usuário da plataforma Lattes a atualize, para não acumular papel e querer inserir vários itens de uma só vez.

Fiocruz Amazônia: Como delimitar um bom perfil profissional dentro da plataforma?

Elizabeth – O que vai definir o perfil é a palavra-chave, pois nesse campo você constrói a tendência.

Fiocruz Amazônia: Que eventos devem ser considerados como “formação complementar” e como diferenciá-los do campo  de“participação em eventos”?

Elizabeth – Formação complementar é quando o pesquisador está se formando, podendo ser a institucional formal, e a complementar é a que você pode fazer participando de oficinas, cursos, processos de atualização. Hoje, neste encontro, cada um que aqui esteve fez uma formação complementar, ou seja, são os cursos onde  se aluno ou estudante. No entanto, se durante um evento apresenta-se trabalhos, tipo resumos, pôsteres, banners, neste caso é participação em eventos. É importante salientar que na mesma oportunidade pode-se ter as duas ações.

Fiocruz Amazônia: Como você analisa a presença dos tópicos “inovação” e “popularização da ciência e tecnologia dentro da plataforma?

Elizabeth – Acredito que nos tópicos de inovação e popularização da ciência e tecnologia, nós ainda estamos muito tímidos. As pessoas tendem a imaginar que inovação é apenas quanto se patenteia algo, da mesma forma que imaginam sobre o que é a popularização. Se eu estou em um evento apresentando um trabalho, eu não estou popularizando ciência e tecnologia? É claro que eu estou. Nós precisamos quebrar essas representações que colocam tudo muito longe de nós.

ILMD/Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Foto: Eduardo Gomes

Fiocruz lança editais com oferta de 201 vagas para estágio

Na quarta-feira (4/4), a Coordenação-Geral de Gestão de Pessoas (Cogepe/Fiocruz) lançou dois novos editais para seleção de estagiários da Fiocruz na modalidade de estágio remunerado não obrigatório.

A oferta é de 201 vagas, das quais 150 são para unidades do Rio de Janeiro e 51 para regionais. Dentre as vagas do Rio, 137 são para cargos de nível superior e 13 de nível intermediário. As inscrições começam no dia 9 de abril (segunda-feira) e terminam no dia 23 do mesmo mês.

Para o Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) serão disponibilizadas vagas nas seguintes áreas: administração, contabilidade, economia, ciências ou engenharia da computação, ciências biológicas e arquivologia.

Os editais e seus anexos detalham todas as etapas do processo seletivo por grupos e perfis. Os documentos estão disponíveis nos sites do Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE) e da Cogepe/Fiocruz.

As vagas podem ter carga horária de quatro ou seis horas diárias, conforme requisitos dispostos em cada perfil e os limites previstos na Lei nº 11.788/08 e Orientação Normativa nº 4, de 4 de julho de 2014.

Os selecionados receberão bolsa estágio de acordo com o nível e a carga horária: Nível superior (quatro horas) R$ 364,00, (seis horas) R$ 520,00, nível médio (quatro horas) R$ 203,00, (seis horas) R$ 290,00. Além da bolsa, os estagiários receberão o auxílio transporte no valor de R$ 132,00.

SELEÇÃO PÚBLICA

Desde junho de 2015 a Fiocruz seleciona estagiários por meio de editais públicos, totalizando desde então a oferta de 998 vagas.

SERVIÇO

Estágio não obrigatório – Fiocruz 2018.1

Inscrições de 9/4 a 23/4

Link para o edital 01/2018 – Regionais

Link para os anexos edital 01/2018 – Regionais

Quadro de vagas Regionais

Link para o edital 02/2018 – Rio de Janeiro

Link para os anexos do edital 02/2018 – Rio de Janeiro

Quadro de vagas Rio de Janeiro

Fonte: Cogepe/Fiocruz

13º Congresso Internacional da Rede Unida lança prêmio Antônio Levino

A comissão organizadora do 13º Congresso Internacional da Rede Unida lança edital do Prêmio Antônio Levino – Experiências de Políticas Públicas Inclusivas. As inscrições ocorrem de 3/4 a 2/5 de 2018, e podem ser feitas através do preenchimento da ficha de inscrição, disponível no site do congresso.

O objetivo é premiar experiências na área das políticas públicas, desenvolvidas por instituições públicas ou privadas, organizações da sociedade civil ou coletivos que possuam capacidade de inclusão de grupos populacionais vulneráveis, promovendo cidadania e atuando sobre a qualidade de vida do grupo e a defesa dos direitos humanos. A iniciativa deverá ser apresentada por associados da Rede Unida ou instituições parceiras, contendo a identificação, justificativa e apresentação, para análise da comissão julgadora.

De acordo com a comissão organizadora do congresso, essa é uma homenagem à trajetória do médico e pesquisador, Antônio Levino, e às iniciativas das quais ele participou. A comissão ressalta também a importância dessa ação política realizada pela Rede Unida, para dar visibilidade à resistência democrática e às políticas inclusivas, destacando o desenvolvimento social, as experiências de fortalecimento das diversidades de pensamento e modos de existir, e de superação das adversidades que marcam a existência de expressivos segmentos da população brasileira e mundial, colocados à margem do chamado “desenvolvimento econômico” e expostos em momentos de crises.

PROPOSTAS

Além de ações diretas inclusivas, as experiências deverão demonstrar capacidade de problematizar a cultura de violência e vulnerabilização, com iniciativas que possibilitem expandir o debate para além dos grupos diretamente atendidos e renovar a cultura vigente, fortalecendo e fazendo circular ideias de direitos humanos, democratização e cidadania.

Os premiados receberão certificado, publicação da experiência em diferentes mídias, e inscrição na próxima edição do Congresso. A premiação correrá durante a abertura do do 13º Congresso Internacional da Rede Unida.

HOMENAGEADO

Antônio Levino foi graduado em medicina e especialista em vigilância da saúde pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM), mestre e doutor em saúde pública pela Fundação Oswaldo Cruz (FIOCRUZ).

Atuou como professor da Faculdade de Medicina da UFAM, pesquisador em Saúde Pública do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/ Fiocruz Amazônia) no Laboratório de História, Políticas Públicas e Saúde na Amazônia (LAHPSA), orientador permanente e Sub-Coordenador do Programa Multiinstitucional de Pós-Graduação em Saúde Sociedade e Endemias na Amazônia (PPGSSEA) da UFAM/Fiocruz Amazônia.

Suas experiências na área de Saúde Coletiva tiveram foco principalmente nos seguintes temas: saúde pública, políticas públicas na área de saúde, avaliação de programas e serviços de saúde, saúde em áreas de fronteira, geoprocessamento, epidemiologia e educação em saúde.

Foi militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), no qual atuou nas direções nacional, estadual do Amazonas e municipal de Manaus. Atuou intensamente, desde sua inserção no movimento estudantil universitário, na defesa de direitos sociais, da educação e da saúde públicas, da ciência & tecnologia comprometidas com o desenvolvimento social e econômico e dos direitos do trabalhador. Faleceu aos 55 anos, em 20 de abril de 2017.

SOBRE O CONGRESSO

O 13º Congresso Internacional da Rede Unida acontece entre os dias 30/5 e 2/6 de 2018, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Realizado pela primeira vez na Região Norte e na Cidade de Manaus, o congresso pretende propor o debate em torno da saúde, educação, arte e cultura, da participação cidadã, da gestão e do trabalho em saúde na perspectiva do fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS).

Com o tema “Faz escuro, mas cantamos: redes em re-existência nos encontros das águas”, o 13ª Congresso Internacional da Rede Unida reunirá trabalhadores da saúde, usuários do SUS, pesquisadores, estudantes, professores, gestores e representantes de movimentos sociais.

São parceiros desta edição a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS), Conselho Nacional de Saúde (CNS), Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Ministério da Saúde (MS), Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), Secretaria de Estado da Cultura (SEC), Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), Secretaria Municipal de Educação (Semed), Conselho de Secretários Municipais de Saúde do Amazonas (Cosems-AM) e ILMD/Fiocruz Amazônia, co-organizador do Congresso.

Ascom/ILMD Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes 

Fiocruz Amazônia anuncia programação do Centro de Estudos

O Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia) anunciou hoje, 2/4, as próximas atividades do Centro de Estudos da Instituição. Na sexta-feira 6/4, a partir de 9h, no Salão Canoas, auditório da Instituição, a palestra “Como preencher e incrementar seu currículo Lattes”, será ministrada pela pesquisadora Elizabeth Teixeira, professora do Centro Universitário Luterano de Manaus (CEULM/ULBRA).

“A primeira palestra vai enfatizar justamente a construção da carreira científica, abordando o preenchimento e elaboração do Currículo Lattes. É um desafio que a gente possui, um sistema complicado de inserir os dados, principalmente para quem está iniciando na carreira”, destacou Stefanie Lopes, responsável pelo Centro de Estudos e coordenadora do Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Biologia da Interação Patógeno Hospedeiro (PPGBIO-Interação).

No dia 13/3, a pesquisadora da Fiocruz Amazônia, Maria Jacirema Gonçalves, irá ministrar a palestra “Uso de modelos teóricos na pesquisa científica”.

CENTRO DE ESTUDOS

O Centro de Estudos do ILMD/Fiocruz Amazônia é um núcleo que oportuniza encontros, palestras, seminários e debates sobre diversos temas ligados à pesquisa e ao ensino para a promoção da saúde.

“A ideia é trazer o que temos de mais novo, com pesquisadores convidados, brasileiros que atuam no Amazonas ou em outras instituições do Brasil, e também pesquisadores internacionais, quando temos a possibilidade de tê-los visitando Manaus”, explicou Stefanie.

Os eventos ocorrem às sextas-feiras e deles podem participar estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores, professores e trabalhadores da área da Saúde. A entrada é franca.

ILMD/ Fiocruz Amazônia, por Eduardo Gomes
Foto: Eduardo Gomes

Fiocruz lança pós-graduação para o Complexo Econômico e Industrial da Saúde

Atualmente, a base produtiva do setor da Saúde desempenha um importante papel para o desenvolvimento social e econômico do país. Reforçando seu compromisso com a consolidação da área, a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), lança, no próximo dia 3 de abril, a Pós-graduação para o Complexo Econômico e Industrial da Saúde (PGCEIS).

Inicialmente ancorada no Programa de Pós-graduação em Biociências e Biotecnologia do Instituto Carlos Chagas (ICC/Fiocruz Paraná), a formação multiprofissional é de natureza inovadora e baseia-se na cooperação entre a unidade produtiva da CEIS e a Fiocruz. Com ingresso de fluxo contínuo, receberá candidatos de diferentes áreas do conhecimento técnico-científico que visam solucionar problemas enfrentados pelas empresas.

“A ideia é aproximar as várias competências que a Fiocruz tem desenvolvido ao longo de sua trajetória com a necessidade de mão de obra qualificada para a indústria da saúde e articular as diversas áreas de pesquisa e ensino da Fundação com as necessidades das empresas”, explica o coordenador do Programa Pós-graduação em Biociências e Biotecnologia do Instituto Carlos Chagas, Alejandro Correa. “Para ancorar uma turma com essas características, foram necessárias algumas inovações que incluem projetos baseados em demandas da indústria, supervisão compartilhada entre um orientador acadêmico credenciado pelo PPGBB e um profissional qualificado indicada pela indústria, o ingresso em fluxo continuo e a otimização da oferta de disciplinas”, complementa Alejandro.

Além da geração de conhecimento, a Fiocruz atua com protagonismo no desenvolvimento de produtos e processos com aplicação potencial, incluindo novas vacinas, medicamentos à base de plantas, métodos de diagnóstico e monitoramento da saúde do trabalhador, aumento do número de patentes brasileiras e aprimoramento do sistema de saúde nacional. “A contribuição da Fiocruz para a formação e qualificação para o Complexo Econômico e Industrial da Saúde insere-se em uma estratégia voltada para situar a saúde como uma oportunidade para o desenvolvimento nacional. O conhecimento qualificado nesta área permitirá reduzir a dependência e garantir a perspectiva do Sistema Único de Saúde de garantir saúde a todos os brasileiros”, reforça o coordenador de Ações de Prospecções da Fiocruz, Carlos Gadelha.

Durante o lançamento, será apresentado o site da PGCEIS, que disponibilizará o edital para seleção e demais informações.

O quê? Lançamento da Pós-graduação para o Complexo Econômico e Industrial da Saúde

Quando? 3 de abril de 2018, às 9h

Onde? Auditório Maria Deane – Pavilhão 26 do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), Campus Manguinhos da Fiocruz, Avenida Brasil, 4365, Rio de Janeiro – RJ

Fonte: ICC/Fiocruz