Fragrâncias desenvolvidas a partir de óleos vegetais da Amazônia podem harmonizar o odor corpóreo característico do envelhecimento

Ao longo dos anos o corpo humano passa por diversas alterações, sejam elas, internas ou externas. Uma delas são as mudanças do odor corporal que ocorrem ao longo da vida, característico de pessoas com mais idade. Um estudo apoiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) buscou  desenvolver fragrâncias, a partir do óleo vegetal proveniente da flora Amazônica e demais matérias-primas naturais, contendo substâncias com a capacidade de prevenir e harmonizar o odor corpóreo característico do envelhecimento. 

foto Giana Fapeam (1)

Pesquisa foi realizada pela doutora Giana Thais Kaufmann

O projeto “Desenvolvimento de formas farmacêuticas tópicas contendo α-tocoferol e fragrâncias associados à Nanocarreadores lipídicos a partir de óleos vegetais da Amazônia” foi realizado pela doutora Giana Thais Kaufmann, da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), por meio Programa de Apoio à Formação de Recursos Humanos Pós-Graduados para o Interior do Estado do Amazonas (RH-Interiorização-Fluxo Contínuo), Edital N. 003/2014.

Segundo a pesquisadora, o odor acontece por conta de uma modificação na constituição do sebo produzido pelas glândulas sebáceas da pele. A partir dos 40 anos, aproximadamente, é possível observar uma elevação das concentrações dos ácidos graxos monoinsaturados da família ω7, os quais, através de processos oxidativos, geram o 2-nonenal, um aldeído insaturado responsável pelo odor característico de pessoas com mais idade.

“Como o sebo é constituído de lipídios escolhemos trabalhar com carreadores lipídicos nanoestruturados, produzidos com óleos ou manteigas amazônicos extra-virgem. Desenvolvi 14 protótipos de fragrâncias apenas com óleos essenciais, sete de cada gênero. Todas foram enviadas para École de Biologie Industrielle, em Cergy, França, para serem avaliadas frente a um painel sensorial no intuito de definir quais delas teriam a maior capacidade de harmonizar o odor do composto supracitado. Com isso, obtivemos um produto natural, biodegradável, não apenas com capacidade de prevenir, mascarar e harmonizar o odor relacionado a idade como também um ótimo carreador para ativos que oxidam facilmente”, disse .

Aplicabilidade

Giana explica que a escolha dentre os lípidicos utilizado nas formulações inicialmente foi realizado as avaliações qualitativas e quantitativas dos óleos e manteigas amazônicos, manteigas de murumuru e ucuúba e óleos de patauá e castanha-do-Brasil. O principal ensaio exigiu a síntese da substância chamada Esqualeno Hidroperóxido (EHP), a principal relacionada à oxidação do sebo humano e formação do odor em questão, bem como o isolamento e confirmação de sua estrutura.

“Todos os materiais lipídicos foram testados frente ao EHP quanto a sua capacidade de impedir a formação daquele composto responsável pelo odor corpóreo relativo ao envelhecimento para escolha de qual seria usado nas formulações. Com a escolha feita, fizemos as avaliações do comportamento do material lipídico frente às condições das etapas de preparo das formulações. Paralelamente, fui desenvolvendo e avaliando as fragrâncias. Estas foram enviadas para a análise por painel sensorial, as melhores fragrâncias em relação a mascarar e/ou harmonizar o odor relacionado ao envelhecimento também foram avaliadas quanto a atividade antioxidante frente ao EHP”.

Na sequência foram iniciados os testes e análises para decisão do método de produção e escolha dos melhores componentes das formulações em relação aos parâmetros físico-químicos e de estabilidade. Após essa definição foram desenvolvidos e validados os métodos de análise quantitativa das fragrâncias já definidas através dos resultados dados pelo painel sensorial, detalha a pesquisadora.

Patente

Para o produto já foi depositado a patente e estima gerar maior qualidade de vida, tanto pessoal como interpessoal para as pessoas que se sentem incomodadas com seu próprio odor ou  de pessoas do seu convívio.

“Por outro lado, se alguma empresa se interessar pelo produto e comprar a patente, a demanda por matérias-primas produzidas por comunidades no Amazonas irá aumentar, resultando em empregos e melhorias locais. Minha esperança é que, em um futuro próximo, empresas amazônicas comunitárias se fortaleçam e venham a comercializar produtos finalizados e não apenas matérias-primas, fortalecendo ainda mais o desenvolvimento sustentável da região”.

Por: Jessie Silva

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