Frequência das enchentes do rio Amazonas aumenta cinco vezes em 100 anos

Pesquisa demonstra que nos primeiros 70 anos do século passado, havia cheias severas a aproximadamente a cada 20 anos. Atualmente, cheias extremas ocorrem na média a cada quatro anos

 

Da Redação – Universidade de Leeds e Inpa

Fotos: Jochen Schöngart – pesquisador do Inpa

 

Um estudo recente, com mais de cem anos de registros dos níveis do rio Amazonas, indica um aumento significativo na frequência e magnitude das enchentes nos últimos 30 anos em comparação com os primeiros 70 anos da série temporal. A análise realizada por cientistas sobre as potenciais causas do aumento pode contribuir para previsões mais precisas de inundações na bacia Amazônica, a maior hidrobacia do mundo com quase 20% da água doce.

O estudo Intensificação recente dos extremos de inundação da Amazônia impulsionada pela circulação reforçada de Walker foi publicado nesta quarta-feira (19) na revista Science Advances pelos pesquisadores Jonathan Barichivich (Universidade Austral de Chile), Manuel Gloor (Escola de Geografia da Universidade de Leeds - Reino Unido), Philippe Peylin (Escola de Geografia da Universidade de Leeds - Reino Unido – França), Roel J. W. Brienen (Escola de Geografia da Universidade de Leeds - Reino Unido), Jochen Schöngart (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Jhan Carlo Espinoza (Instituto Geofísico del Perú), Kanhu C. Pattnayak (Escola de Geografia da Universidade de Leeds - Reino Unido).

 

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Registros diários dos níveis de água do rio Amazonas são realizados no Porto de Manaus desde o início do século passado. O grupo de estudo analisou 113 anos de registros dos níveis de água, que revelaram um aumento na frequência de cheias e secas severas nas últimas duas a três décadas. Os resultados demonstraram que houve, na primeira parte do século vinte, cheias severas com níveis de água que ultrapassaram 29 metros (valor de referência para acionar o estado de emergência na cidade de Manaus) aproximadamente a cada 20 anos. Atualmente, cheias extremas ocorrem na média a cada quatro anos.

As mudanças no ciclo hidrológico da bacia Amazônica têm sido graves, com consequências para o bem-estar das populações no Brasil, Peru e outros países amazônicos. Para o pesquisador e integrante do Grupo de Pesquisa do Inpa Ecologia, Monitoramento e Uso Sustentável de Áreas Úmidas (MAUA), Dr. Jochen Schöngart, a ciência deve fazer uso desse conhecimento atualizado para aperfeiçoar modelos existentes de previsão de cheias na Amazônia Central e servir de subsídio para os tomadores de decisão elaborar políticas públicas, já que terão previsões mais robustas e com certa antecedência.

“Isso permite preparar as populações em áreas urbanas e nas regiões rurais para enfrentar consequências de cheias severas que sempre impactam a qualidade de vida dessas populações”, destaca Schöngart. “As pessoas perdem moradia, sofrem várias doenças, serviços básicos como água potável ficam restritos e a pecuária e agricultura são bastante reduzidas nas várzeas resultando em enormes prejuízos econômicos e sociais para essa parte da sociedade”, completou.

 

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De acordo com o Dr. Jonathan Barichivich, da Universidade Austral do Chile e ex-bolsista de pesquisa da Universidade de Leeds (Reino Unido), o aumento de secas severas na Amazônia tem recebido bastante atenção dos pesquisadores. “Entretanto, o que realmente se destaca no registro ao longo prazo é o aumento da frequência e magnitude das inundações. Cheias extremas na bacia Amazônica têm ocorrido todos os anos, desde 2009 até 2015, com raras exceções”, disse.

Conforme o estudo, o aumento do número de enchentes está relacionado à intensificação da circulação de Walker, um sistema de circulação do ar movido pelo oceano originado pelas diferenças de temperatura e pressão atmosférica sobre os oceanos tropicais. Esse sistema influencia padrões climáticos e pluviométricos em toda a região dos trópicos e além.

Mudanças nos oceanos

De acordo com o professor coautor Manuel Gloor, da Escola de Geografia da Universidade de Leeds, esse aumento dramático nas enchentes é causado por mudanças nos oceanos vizinhos, particularmente os oceanos Pacífico e Atlântico e como eles interagem. Ainda segundo Gloor, devido ao forte aquecimento do Oceano Atlântico e ao resfriamento do Pacífico no mesmo período, observou-se mudanças na chamada circulação de Walker afetando a precipitação na Amazônia.

“O efeito é mais ou menos o oposto do que acontece durante um El Niño. Ao invés de causar seca, leva a uma maior convecção e precipitação intensa nas regiões central e norte da bacia Amazônica”, explicou Manuel Gloor.

A causa real do aquecimento do Atlântico não está completamente esclarecida. Além da variação natural, o aquecimento global é, no mínimo, parcialmente responsável, mas de maneira inesperada e indireta, de acordo com o estudo. Como resultado do aquecimento dos gases do efeito estufa, cinturões de vento de média a alta latitude no hemisfério Sul se deslocaram mais ao sul, abrindo uma janela de transporte das águas quentes do Oceano Índico ao redor do extremo sul da África, através da corrente das Agulhas, em direção o Atlântico Tropical.

 

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A pesquisa indica que essas enchentes não cessaram ainda. O ano de 2017, que não foi incluído no estudo, registrou novamente o nível de água acima dos 29 metros. Como é esperado que o Atlântico Tropical continue aquecendo mais rápido que o Pacífico Tropical nas próximas décadas, cientistas esperam mais eventos com alto nível de água. Os resultados desse estudo podem auxiliar a prever a probabilidade de enchentes extremas na Amazônia com antecedência e mitigar os impactos para as populações amazônicas rurais e urbanas.

O estudo é resultado de uma oficina internacional que Schöngart organizou com cientistas da Universidade de Leeds, no Inpa, em janeiro de 2016, para fazer uma abordagem do conhecimento atual sobre as mudanças recentes do clima e da hidrologia na bacia Amazônica.

Informação adicional:

O artigo Recent intensification of Amazon flooding extremes driven by strengthened Walker circulation publicado em Science Advances no dia 19 de setembro de 2018 (DOI: 10.1126/sciadv.aat8785)

Reunião do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos debate a fome no mundo

O encontro, realizado no auditório da diretoria do Inpa (MCTIC), abordou entraves e soluções para combater a miséria e a fome

Da Redação – Inpa

Foto – Ingrydd Ramos

 

Fome e produção de alimentos: grande desafio do Século XXI. Este foi o tema abordado na 54ª reunião do Grupo de Estudos Estratégicos Amazônicos (GEEA), realizada na última quinta-feira (13), no auditório da diretoria do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC). O palestrante foi o escritor e empresário Gaitano Antonaccio, que também é membro do Conselho Técnico Científico (CTC) do Inpa.

Segundo Antonaccio, o mundo produz alimento suficiente para 15 bilhões de pessoas, o dobro da população atual do planeta, mas ainda assim, a fome é um fator prevalente em diversas partes do mundo, resultando em mortes em massa. Além de mortes, também é muito comum os distúrbios ocasionados pela subnutrição.

Os países mais populosos do mundo vêm elaborando novos programas na agricultura, controle de natalidade, irrigações e reflorestamento e mostrando maior preocupação na quantidade e qualidade de alimentos produzidos. A criação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) foi e continua sendo importante, mas ela tem por atribuição principal a produção de alimentos e isso já está bem estabelecido e assumido pelas empresas.

 

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Agora, é preciso que se crie outro organismo internacional, de mesmo nível, para combater a fome e promover a melhor distribuição de alimentos. Não somente a criação de um organismo desse tipo é importante, mas também a diminuição da burocracia desses organismos internacionais.

Segundo Antonaccio, aproximadamente 12 milhões de crianças morrem todos os anos, antes de completarem cinco anos de idade. “Para combater esses dados elevados de pobreza e miséria, é preciso a união de todos os países para uma distribuição mais justa dos alimentos produzidos. Não é justo nem ético que enquanto uns morrem de fome outros morrem por excesso de comida. Por um lado é preciso saciar a fome e, por outro, reeducar o comportamento alimentar. O cuidado com a terra e a multidisciplinaridade na sua abordagem devem se constituir em regra geral para uso de alimentos e proteção à natureza. É provável que novas empresas surjam para atuar nesse setor e com elas também virão novos empregos e o crescimento da economia”, defendeu.

Ainda segundo ele, muitos países usam processos inapropriados para o problema da fome. Na maioria das vezes se dá por conta do alto custo e exigência da mão de obra especializada, por isso é importante que cada país desenvolva sua própria ciência e tecnologia, visando aumentar a produção e a produtividade,mas tendo o cuidado de recolocar na natureza aquilo que foi retirado dela. Isso significa que o reflorestamento é uma medida necessária.

 

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No encontro, os participantes defenderam a necessidade de formulação de novas políticas por parte das organizações internacionais criadas para combater a fome e a miséria e proporcionar uma melhor distribuição de alimentos às comunidades. Alguns aspectos referentes ao uso adequado das plantas alimentícias não convencionais (Pancs) e o implemento da agricultura familiar também foram ressaltados como importantes nesse processo de combater a fome e garantir a segurança alimentar.

Segundo o pesquisador do Inpa e secretário executivo do Geea, Dr. Geraldo Mendes, os temas de debate são apresentados por diferentes especialistas e é isso que confere ao GEEA um caráter especial de interdisciplinaridade e capacidade de subsidiar as políticas públicas para a Amazônia. “O assunto tratado é amplo, envolve agricultura, administração, política, educação e outros e por isso a visão de conjunto é de fundamental importância”, destacou Mendes, ressaltando que esse e os demais temas tratados pelo GEEA vem sendo publicados no Caderno de Debates, editados pela Editora Inpa. Dez volumes do GEEA estão à disposição na página eletrônica do Inpa.

Inpa lamenta com profundo pesar a morte do ex-diretor Warwick Estevam Kerr

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NOTA DE PESAR

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) lamenta profundamente a morte do professor Dr. Warwick Estevam Kerr, de 96 anos, na manhã deste sábado (15), em Ribeirão Preto. Agrônomo e geneticista reconhecido internacionalmente, considerado uma das maiores autoridades mundiais em genética de abelhas, Kerr foi diretor do INPA por duas ocasiões (1975-1979 / 1999-2002).

Warwick Kerr deixa um legado tão importante para a ciência e formação de recursos humanos que a mais alta homenagem conferida pelo INPA, a Menção Honrosa Warwick Estevam Kerr, leva o nome dele por suas inestimáveis contribuições à Pós-Graduação, atividade que muito estimulou em toda sua vida por acreditar na importância da educação e formação de recursos humanos de qualidade para a Amazônia.

Foi o Dr. Kerr, por exemplo, quem ajudou a trazer para o INPA vários dos seus atuais pesquisadores, incentivando e apoiando incondicionalmente a fundação de vários Programas de Pós-Graduação, como o PPG em Entomologia, Ecologia e Biologia de Água Doce durante sua primeira gestão no INPA, assim como o Programa de Pós-Graduação em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva (PPG-GCBEv) em sua segunda gestão.

Seu empenho constante em prol da educação e ciência no Brasil é plenamente demonstrado pela sua brilhante carreira científica tendo atuado em remotas regiões brasileiras, como Maranhão e Amazonas, onde orientou inúmeros estudantes em nível de graduação e pós-graduação e contribuiu efetivamente para as FAPs estaduais.

Dr. Kerr sempre declarou um imenso apreço pela região amazônica, na qual morou por ocasião de suas duas gestões à frente do INPA, demonstrando satisfação e felicidade por nela estar e compromisso em fazer ciência aplicada à melhoria da qualidade de vida dos povos nativos. Deixa-nos hoje um grande exemplo profissional e um grande amigo. Que Deus o abençoe e o receba de braços abertos.

Na oportunidade, o INPA manifesta suas condolências à família e amigos do Dr. Kerr, um homem que deixa sua marca inconfundível de generosidade intelectual e de amor pela ciência.

PPG-GCBEv do Inpa seleciona candidato à bolsista no Programa Nacional de Pós-doutorado

O valor mensal da bolsa é de R$4.100, com vigência máxima de até cinco anos

 

Da Redação – Comunicação Inpa

Banner: Lailla Pontes

 

O Programa de Pós-Graduação em Genética, Conservação e Biologia Evolutiva (PPG-GCBEv) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) está com inscrições abertas para seleção de um (01) candidato para atuar como bolsista do Programa Nacional de Pós Doutorado (PNPD), da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes). Os interessados podem inscrever-se até 1º de outubro.

 

De acordo com o Edital CGBEv 01/2018 - PNPD/Capes, a seleção visa fortalecer as linhas de pesquisa do PPG-GCBEv. O candidato deve ter um perfil acadêmico voltado aos estudos da Genética, Conservação e Biologia Evolutiva para atuar em uma ou mais linhas do Programa: Genética de Organismos Tropicais; Conservação de Espécies Neotropicais e Biologia Evolutiva.

 

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É desejável que o candidato tenha sido produtivo nos últimos quatro anos para se enquadrar no corpo docente do PPG-GCBEv. O valor mensal da bolsa é de R$4.100, com vigência máxima de até cinco anos. A seleção pública do candidato à bolsista tem como base a portaria 086/2013 da Capes .

 

Ainda de acordo com o edital, o perfil exigido do candidato é: "Um profissional que tenha experiência comprovada em estudos que investiguem mecanismos genéticos sobre a biodiversidade amazônica, ou seja, que tenha experiência em áreas relacionadas às linhas de pesquisa do Programa: genética, conservação e biologia evolutiva de organismos tropicais, preferencialmente amazônicos. Possua publicações com Fator de Impacto e Qualis-CAPES. Que comprove residência em Manaus, no ato da implementação da bolsa, e compromisso de permanecer com residência na cidade ao longo do período em que estiver como bolsista”.

 

O resultado final deverá ser divulgado no site do Inpa até 26 de outubro e as atividades já têm início no dia 1º de novembro de 2018. O edital está disponível em:

http://portal.inpa.gov.br/arquivos/portalfilepublisher/arquivosportalfilepublisher/Edital_PNPD_01_GCBEv_2018.pdf

Exposição no Inpa mostra pesquisa sobre mudanças climáticas na floresta amazônica

Durante dois meses, a exposição Amazônia e Mudanças Climáticas: um futuro em fotos, ilustrações e ciência ficará em cartaz no Paiol da Cultura. O espaço dentro do Bosque da Ciência recebe mostras artísticas que dialogam com a ciência que o Inpa produz

 

Por Cimone Barros – Comunicação Inpa

Fotos: Ingrydd Ramos - Inpa

 

Para quem conhece de perto a Amazônia sabe que a contato com a mata ou a floresta proporciona uma sensação de bem-estar, tranquilidade, alívio do estresse e das preocupações. E que tal vivenciar uma imersão na floresta amazônica, estando na área central de Manaus, por meio de experiências sensoriais?

 

Com fotos, ilustrações, painel com dados e imagens de concentração de gás carbônico captados por escâner a laser e uma diversidade de sons da floresta, uma exposição no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) mostra resultados de pesquisas do programa AmazonFace sobre os efeitos das mudanças climáticas no futuro na floresta Amazônica. O AmazonFace é um programa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC) executado pelo Inpa.

 

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Aberta na terça-feira (11), a exposição Amazônia e Mudanças Climáticas: um futuro em fotos, ilustrações e ciência segue até 11 de novembro, no Paiol da Cultura, dentro Bosque da Ciência do Inpa, localizado na rua Bem-te-vi, s/nº, Petrópolis. A curadoria é do artista suíço Marcus Maeder, da Universidade das Artes (Zurique). A portaria do bosque funciona de terça a sexta-feira, das 9h às 12h e das 14h às 16h, e sábado e domingo, das 9h às 16h.

 

“Aliar a ciência com a arte é uma tendência. E essa exposição do AmazonFace que trata sobre mudanças climáticas chega num momento muito importante”, disse a diretora do Inpa, a pesquisadora Hillandia Brandão, destacando que há mais de 20 anos o Instituto desenvolve pesquisas de interação da atmosfera com mudanças na floresta.

 

Na aberturada exposição, Maeder fez uma apresentação dos sons que ele captou na floresta de água e seiva escorrendo por dentro de galhos de árvores, troncos, raízes e do processo de decomposição foliar no solo, além dos sons no ambiente de floresta. “Aqui temos sons de um ano atrás e da semana passada captados com um microfone especial na estação experimental ZF2, onde acontecem os experimentos do AmazonFace”, explicou o artista.

 

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Para o presidente do Comitê Científico do AmazonFace, David Lapola, a ciência vive um momento crítico no Brasil e no mundo, um momento de certo descrédito, e em parte isso se deve à dificuldade que os pesquisadores encontram em comunicar seus resultados. “Precisamos nos esforçar um pouquinho mais para traduzir nossos estudos complexos ou não para a população de forma geral, para que a importância da ciência fique mais clara para a população”, reconheceu Lapola, que é pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).

 

Segundo Lapola, os efeitos das mudanças climáticas serão sentidos por toda a sociedade e isso não é problema só da ciência. “Num futuro, talvez bem próximo, vários setores socioeconômicos da região vão começar a sentir esses efeitos. Então, nada melhor do que abrir de forma paulatina esse assunto para a sociedade, sobre o que vai acontecer, para que as várias instâncias saibam tomar as decisões de como enfrentar o problema”, destacou.

 

Na exposição, o visitante encontrará cerca de 30 fotos (60 x 40cm) captadas pelas lentes do fotógrafo de natureza João Marcos Rosa, que tem fotolivros publicados, como o Harpia, e realizou trabalhos para revistas como a National Geographic. A exposição inclui ainda desenhos do ilustrador Rogério Lupo, profissional em ilustração botânica e de ecologia de paisagens.

 

Temos a percepção de que o Paiol da Cultura é um espaço privilegiado que o Inpa tem dentro do Bosque da Ciência. E temos procurado trazer exposições e mostras artísticas que permitam estabelecer o diálogo da arte com a ciência que o Inpa produz, de modo que para o visitante além de ser uma experiência bonita, cultural, artística e interessante, também agrega conhecimento”, disse a coordenadora de Extensão do Inpa, Rita Mesquita.

 

AmazonFace

 

O AmazonFace busca entender o que acontecerá com a floresta em um cenário futuro de mudanças climáticas, de 50 a 100 anos. Pelas projeções do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), a concentração de dióxido de carbono na atmosfera continuará subindo. Estima-se que em 50 anos estará em cerca de 600 ppm (partes por milhão), hoje está em cerca de 400 ppm. Este é o cenário que o AmazonFace quer simular dentro da floresta.

 

“Nosso experimento vai imitar essas condições numa parcela grande da floresta. Vamos borrifar, aspergir CO2 na copa das árvores por um período longo de dez anos, para vermos hoje o que acontecerá com a floresta amanhã”, contou o gerente executivo do AmazonFace, o pesquisador do Inpa, Carlos Alberto Quesada.

 

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As projeções apontam que o planeta vai ficar mais quente nesse período - na região de Manaus a temperatura deve subir até cinco graus Celsius –, o ambiente vai ficar mais seco como uma savana, terá 60% a menos de chuva e terá mais gás carbônico. Segundo Quesada, a questão que determinará como a floresta será no futuro é justamente à resposta ao CO2, um dos principais gases do efeito estufa e base da nutrição da floresta pelo processo da fotossíntese.

 

“Então, às vezes, tendo mais CO2, acreditamos que a floresta possa ficar mais forte, mais resiliente, e que aguente mais o aumento de temperatura, e aí teremos ainda uma floresta daqui a 100 anos”, disse Quesada. “Se hoje no AmazonFace não encontrarmos esse efeito e descobrirmos que só tem o lado ruim, aí a teremos a chance de nos preparar para o futuro com ações de mitigação, adaptação, porque saberemos que muita coisa ruim virá pela frente”, completou o pesquisador do Inpa.

Roda de Conversa debate nesta quarta-feira negócios com ativos da biodiversidade

Proposta é colocar nas discussões se os alunos da pós-graduação e os pesquisadores do Inpa recebem a formação necessária para serem empreendedores no mundo dos negócios na Amazônia

 

Da Redação – Comunicação Inpa

Foto: Cimone Barros - Inpa

 

 

Casa sustentável, farinha de cubiu, hambúrguer de peixe, gelatina à base de peixes amazônicos e cosméticos que usam óleos de pupunha e buriti. Essas são algumas das dezenas de tecnologias desenvolvidas pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) nos últimos anos. Mas será que o Inpa está preparado para fazer negócios com ativos da biodiversidade amazônica? Que negócios?

 

O assunto será debatido na Roda de Conversa do Inpa, nesta quarta-feira (12), às 16h, na sala de estudos da Biblioteca, no Campus I, com entrada pela Rua Bem-te-vi, 2936, Petrópolis, zona Sul de Manaus. A atividade é informal e aberta ao público.

 

 

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De acordo com a coordenadora da Roda de Conversa, a titular da Coordenação de Extensão do Inpa e pesquisadora Rita Mesquita, a proposta é trazer ao debate as opções que existem no Inpa para apoiar alunos e pesquisadores com a formação necessária para serem empreendedores no mundo dos negócios na Amazônia e quais opções de negócios eles têm.

 

“Quando a gente pensa nas oportunidades de trabalho para os alunos egressos de nossos cursos, apenas uma proporção pequena vai se tornar pesquisador contratado em alguma instituição, e a grande maioria vai ter que ser empreendedor e buscar opções de trabalho em outros setores”, disse Mesquita. “E um destes são os negócios associados à biodiversidade, seja na indústria, com ONGs e associações de produtores, seja com pequenos negócios próprios”, completou. 

 

Serão debatedores desta edição a doutoranda em biotecnologia e proprietária de uma microempresa de consumo consciente, Tatiana Jansen; a coordenadora de extensão tecnológica e inovação do Inpa, Noélia Falcão; o gerente da Incubadora do Inpa, Dayvison Silva; e o sócio fundador da empresa incubada no Inpa Original Trade, o empresário João Tezza.

 

Atualmente o Inpa possui 70 pedidos de depósitos de patentes, desses 15 são concedidos, e quatro empresas incubadas. Além da Original Trade – que atua com linha de cosméticos à base de insumos amazônicos e consultoria ambiental, são incubadas no Inpa, a Broto – empresa de tecnologia agrícola, a EZscience – biotecnologia, e a Nato Amazônia – cosméticos.

AmazonFace traz exposição sobre Mudanças Climáticas ao Paiol da Cultura do Inpa

A abertura da exposição, que visa divulgar a dinâmica das mudanças climáticas na Amazônia, será nesta terça-feira (11) e contará com intervenções artísticas e lançamento de obras

 

Da Redação – Comunicação Inpa

Fotos: João Marcos Rosa - AmazonFace

 

Com o objetivo de explicar os efeitos das mudanças climáticas no futuro da floresta Amazônica, a exposição Amazônia e Mudanças Climáticas: um futuro em fotos, ilustrações e ciência leva ao público informações sobre os efeitos que o gás carbônico pode ter sobre a floresta Amazônica. A abertura acontece nesta terça-feira (11), às 10h, e contará com intervenções artísticas e lançamento de obras.

 

A curadoria da exposição é feita pelo artista suíço Marcus Maeder, da Universidade das Artes de Zurique, com fotos de João Marcos Rosa e ilustrações de Rogério Lupo. A exposição segue até novembro, no Paiol da Cultura, dentro do Bosque da Ciência do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), localizado na rua Bem-te-vi, s/nº, Petrópolis, zona Sul de Manaus. A exposição é realizada pelo Programa AmazonFace, executado pelo Inpa.

 

Foto Joao Marcos Rosa AmazonFace 10 

 

 

De acordo com o presidente do comitê científico do AmazonFACE, o pesquisador da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) David Lapola, exposição visa divulgar também o conhecimento sobre o efeito das mudanças climáticas na Amazônia, por meio de estudos científicos e tecnológicos realizados pelo Programa de Pesquisa AmazonFace.

 

Na exposição estarão expostas cerca de 30 fotos do fotógrafo de natureza João Marcos Rosa, que tem fotolivros publicados e realizou trabalhos para grandes revistas, como a National Geographic. As fotografias mostram o ambiente de trabalho do programa AmazonFace em campo e laboratório. A mostra inclui também alguns desenhos do ilustrador Rogério Lupo, profissional em ilustração botânica e de ecologia de paisagens.

 

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Na exposição, haverá ainda uma estrutura de áudio e vídeo, chamada “Espírito da floresta”, criada pelo artista suíço Marcus Maeder, curador da exposição, a partir de gravações no sítio experimental da AmazonFace. “A realização dessa atividade tem intenção de envolver a sociedade científica, as instituições de pesquisa, as universidades, pesquisadores, professores e estudantes e despertar o interesse pela ciência desenvolvida aqui no Inpa e os seus métodos”, disse David Lapola.

 

Sobre o Programa AmazonFace

 

O AmazonFace é um programa científico que tem como foco a resolução de uma das principais fontes de incerteza em relação ao impacto das mudanças climáticas sobre ecossistemas tropicais: o potencial que o aumento das concentrações atmosféricas de CO2 poderia ter para mitigar os efeitos deletérios das mudanças de temperatura e precipitação nas florestas tropicais, estimulando a produtividade e aumentando a resiliência dessas florestas à seca.

 

O Experimento de Pesquisa do programa está localizado na Estação Experimental de Silvicultura Tropical ZF-2 do Inpa, a 50 km norte de Manaus, BR-174.

NOTA DE PESAR E SOLIDARIEDADE

O Programa de Coleções Científicas e Biológicas e os Programas de Pós-Graduação do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) vêm a público manifestar profundo pesar pela perda irreparável dos acervos histórico, científico e cultural nacional, e mundial, decorrente do incêndio de grandes proporções que acometeu o Museu Nacional (UFRJ) na noite de 02 de setembro de 2018.

 

Perdemos não só mais uma coleção, nem só mais um prédio, mas o primeiro repositório de história natural e antropológico/arqueológico do país.  A perda é irreparável, inestimável e sentiremos seu impacto por décadas. O descaso, a má gestão dos recursos públicos e a pouca importância dada à Ciência no Brasil se arrastam há décadas e caso não haja mudanças, ainda podem ter efeitos danosos futuros para todos.

 

Cientes da nossa responsabilidade como repositórios de patrimônios biológicos e culturais de valor inestimável para a sociedade brasileira, reiteramos que a apropriada manutenção de acervos em nossa instituição e no país ainda depende de investimentos públicos continuados e da elaboração de uma política nacional de formação e manutenção de acervos.

 

Nossa solidariedade aos colegas do Museu Nacional e a todos os cidadãos brasileiros, pois perdemos parte essencial da nossa história e seu testemunho para gerações futuras.

 

Programa de Coleções Científicas Biológicas

Programas de Pós-Graduação

Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

Inpa abre edital para doutorado em Botânica

Serão sete vagas para ingresso entre o final de 2018 e início de 2019. As inscrições podem ser feitas do dia 3 de setembro a 14 de outubro deste ano

 

Texto por Letícia Misna, banner por Lailla Pontes – Ascom Inpa

 

O Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) torna pública a abertura do processo seletivo para o curso de doutorado do Programa de Pós-Graduação em Botânica. As inscrições devem ser feitas entre os dias 3 de setembro e 14 de outubro deste ano.

 

São disponibilizadas sete vagas destinadas à concorrência pública, sendo duas vagas para início em dezembro de 2018, uma vaga para fevereiro de 2019 e quatro vagas para março de 2019.

 

Os projetos dos interessados devem estar enquadrados nas seguintes linhas de pesquisa do PPG – Botânica: Botânica Aplicada; Ecologia Vegetal; Fisiologia e Bioquímica Vegetal; Morfologia, Sistemática e Evolução. Para mais detalhes acesse o link.

 

Seleção


A seleção será composta por três etapas: avaliação do projeto de pesquisa, entrevista, análise das condições de financiamento disponíveis e curricular. Para inscrição o candidato deve enviar os documentos listados no
edital, em formato digital, para o e-mail doutorado.botanica.inpa@gmail.com. Não haverá taxa de inscrição.

 

 

O curso de doutorado do PPG – Botânica é reconhecido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes/MEC), classificado atualmente com nota 4 e homologado pelo Conselho Nacional de Educação.