Proteção do conhecimento e o papel da incubadora são temas de palestras da SNCT do Inpa

Dentro da programação Portas Abertas da Semana Nacional de C&T do Inpa, o setor realizará duas palestras e um minicurso

 

Da Redação – Ascom Inpa*

Foto: Cimone Barros – Ascom Inpa

 

A Coordenação de Extensão Tecnológica e Inovação (Coeti) e a Incubadora de Empresas do Inpa marcarão presença na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) abrindo as portas para o público em geral na próxima quinta-feira (26). A Incubadora do Inpa está localizada no campus 1 do Instituto, que fica na Avenida André Araújo, 2936, Petrópolis, zona Sul de Manaus.

 

“Nós apoiamos e estaremos sempre presentes em eventos que promovam a ciência, a tecnologia e a inovação. Esta é uma das atribuições da Coeti”, disse a coordenadora Noélia Falcão.

 

Incubadora11FotoCimoneBarroS

 

A SNCT tem como tema A Matemática está em Tudo. No Inpa serão realizadas mais de 100 atividades de 23 a 29 deste mês, todas gratuitas, entre palestras, exposições, minicursos, oficinas, visitas a laboratórios e visitas guiadas. As inscrições podem ser feitas pelo site https://www.doity.com.br/snct-inpa-2017/inscricao.

 

A abertura acontece na segunda-feira (23), às 9h, no Auditório da Ciência. Na ocasião serão realizadas duas palestras: O Caráter Interdisciplinar da Matemática, pelo professor da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) José Alcântara, e o Uso da Matemática nas Ciências Biológicas, pela pesquisadora do Inpa Maria Teresa Fernandez Piedade.

 

Conforme Falcão, a SNCT é uma boa oportunidade para a difusão do conhecimento nas áreas de propriedade intelectual e transferência de tecnologia e inovação pelo espaço nacionalmente aberto para discussão dos temas. É também uma oportunidade para a sociedade conhecer as ações e projetos desenvolvidos pela Instituição.

 

Pela parte da manhã, a partir das 9h, Noélia Falcão ministrará a palestra A Propriedade Intelectual e a Transferência de Tecnologia em prol do desenvolvimento econômico, seguida do gerente da Incubadora de Empresas do Inpa, Deyvison Silva, que falará sobre O Papel das Incubadoras de Empresas no Ecossistema de Inovação.

 

Segundo Deyvison, o tema inovação tem se tornado cada vez mais comum nos noticiários e nas rodas de conversas, mas o processo que compõe a trajetória para chegar a inovação, ainda é desconhecido por uma parte considerável da sociedade. Na palestra, os participantes conhecerão o processo de concepção e de desenvolvimento de empreendimentos nos setores de atuação da Incubadora do Inpa.

 

Na parte da tarde, a partir das 14h, o colaborador da Coeti na área de Propriedade Intelectual, Cleiton Souza, ministrará o minicurso, Busca em Bases de Patentes Nacional e Internacional. Para a atividade, é necessário que o participante traga notebook, pois vai conhecer na prática as ferramentas apresentadas.

 

A participação integral nas palestras e no minicurso garantirá ao participante um certificado digital com carga horária de 7 horas, a ser encaminhado via e-mail após o evento.

 

Programação das Atividades da Coeti e da Incubadora

 

Palestra 1: A Propriedade Intelectual e a transferência de tecnologia em prol do desenvolvimento econômico.

Objetivo: Apresentar uma visão geral sobre a Propriedade Intelectual e Transferência de Tecnologia, sua importância global e como afeta o desenvolvimento econômico, social e ambiental.

Hora: 09h às 10h

Data: 26/10/2017

No de pessoas: 30/40 pessoas

Local: Sala de reuniões do prédio da Incubadora/INPA, 1º andar.

Inscrições: https://goo.gl/forms/W09G16QOcyCtia9f2

Palestra 2: O papel das incubadoras no Sistema de Inovação. Estudo de caso: Incubadora do INPA.

Objetivo: Apresentar o que é uma incubadora, para que existe, benefícios, modelo de gestão; bem como, apresentar a Incubadora do INPA – funcionamento, atividades e seus resultados.

Hora: 10h30 às 11h15

Data: 26/10/2017

No de pessoas: 30/40 pessoas

Local: Sala de reuniões do prédio da Incubadora/INPA, 1º andar.

Inscrições: https://goo.gl/forms/2hIMziRGqIFGZAnF2

Minicurso: Busca em bases de patente nacional e internacional.

Objetivos:

  • Apresentar a importância da utilização de patentes como fonte de informação tecnológica com fins de auxiliar o desenvolvimento científico e industrial.
    • Apresentar os principais tópicos sobre busca de patentes em duas bases de dados (INPI - Nacional e DerwentInnovation Index - Internacional).

Hora: 14h30 às 17h

Data: 26/10/2017

No de pessoas: 20 pessoas*

Local: Sala de reuniões do prédio da Incubadora/INPA, 1º andar.

Inscrições: https://goo.gl/forms/RZgUT5028OSEve6p2

As vagas são limitadas! Inscreva-se!

Mais informações: (92) 3643-3295/ 3152 ou pelos e-mails: incubadora@inpa.gov.br

*Com informações da Incubadora

Oficina da Semana de C&T do Inpa apresenta ferramenta para colheita de cachos de palmeiras

A ferramenta possui tecnologia simples e de fácil manuseio. Foi confeccionada com materiais facilmente encontrados no mercado. Veja aqui a programação completa da SNCT e como participar. https://www.doity.com.br/snct-inpa-2017/

 

Da Redação - Ascom Inpa

Fotos: Afonso Rabelo - Acervo

 

Uma ferramenta criada no Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) veio para solucionar uma das dificuldades enfrentadas pelos extrativistas e produtores rurais que trabalham com frutos de palmeiras na Amazônia. A palmhaste é usada nas colheitas de cachos de palmeiras com alto valor econômico sem a necessidade das pessoas escalarem as árvores. A coleta de colheita da forma tradicional exige preparação para escalar as palmeiras, além de ser uma atividade árdua e perigosa.  Veja aqui um vídeo de colheita de açaí-solteiro em floresta de baixio.

A palmhaste será apresentada na próxima sexta-feira (27), das 9h às 12h, na Oficina Ferramentas para coleta de cachos de palmeiras arbóreas na Amazônia durante a Semana Nacional de Ciência e Tecnologia (SNCT) do Inpa, que ocorre de 23 a 29 deste mês. A oficina será teórica e prática, mostrando a eficiência da ferramenta.

A SNCT do Inpa oferecerá mais de 100 atividades de popularização da ciência, entre oficinas, cursos, palestras, exposições e visitas, todas gratuitas. A abertura acontece na segunda (23), às 9h, no auditório da Ciência, na Rua Bem-Te-Vi, s/nº, Petrópolis, zona Sul de Manaus. Inscrições podem ser feitas pelo site https://www.doity.com.br/snct-inpa-2017/inscricao.

Desenvolvida pelos técnicos do Inpa, vinculados à Coordenação de Biodiversidade (Cobio), o engenheiro florestal Afonso Rabelo e os ilustradores botânicos Felipe França e Gláucio da Silva, a ferramenta foi aperfeiçoada a partir de uma tecnologia simples e de fácil manuseio.

 

 

Colheitade acaisolteiroFotoAfonsoRabelo

 

A palmhaste é constituída por seis pares de tubos de alumínio de 1,50 metro de comprimento cada, que podem ser interligados por roscas podendo atingir de 3 metros a 18m de altura. A tecnologia empregada no corte dos cachos é uma foice tipo roçadeira agregada a uma corda de polietileno com 4 mm de espessura e de uma mangueira trancada para gás de cozinha 3/8’’.  Além desses acessórios, utiliza uma lona reforçada de 3x3m tipo carreteiro para aparar a queda dos cachos.

“A haste pode ser um novo instrumento na elaboração de projetos que envolvam produtos florestais não madeireiros e de planos de desenvolvimento regional e sustentável sem a necessidade da derrabada de árvores”, diz Rabelo.     

Para retirada de cachos da forma tradicional, os extrativistas e produtores rurais escalam árvores muito altas e usam a peconha e outros instrumentos que contribuem para o aumento do desgaste físico da pessoa e até com acidentes graves.

Rabelo explica que geralmente as plantas com caules cobertos por espinhos têm os cachos de frutos coletados com o auxílio de instrumentos caseiros, como varas de madeiras ou de bambus, adaptadas com ganchos ou foices na extremidade superior. “Isto faz com que se tornem instáveis ou desequilibradas, com difícil manuseio e, muitas vezes, inoperantes”, diz. “Por essa razão, a produtividade é afetada. Uma vez demoramos três horas para coletar um cacho de tucumã de uma planta de oito metros de altura, enquanto com a palmhaste levamos apenas três minutos”, completa.

Vantagens

Dentre inúmeras vantagens, o uso correto da ferramenta de colheita poderá promover a melhoria na renda familiar com o emprego de mão de obra ociosa ou desqualificada, evitar desgastes físicos e acidentes graves, aumentar a produtividade e estimular o extrativismo sustentado, além da melhoria da qualidade de vida, saúde e bem-estar.

A palmhaste também poderá proporcionar baixos níveis de agressividade nas palmeiras e ao meio ambiente, proteger as espécies que sofrem ameaças de supressão para as coletas dos cachos das palmeiras como o açaí-solteiro (Euterpe precatoria Martius), o açaí-do-pará (Euterpe oleracea Martius), a bacaba (Oenocarpus bacaba Martius), a bacaba-de-leque (Oenocarpus distichus Martius), o buriti (Mauritia flexuosa L. f.), o patauá (Oenocarpus bataua Martius) e o tucumã-do-Amazonas (Astrocaryum aculeatum Meyer).

 

ColheitaburitiFotoAfonsoRabelo

 

 

Os testes foram realizados com sucesso junto aos coletores de palmeiras nas comunidades Morena, na Vila de Balbina (município de Presidente Figueiredo, a 107 quilômetros de Manaus); Nova Vida (em Itacoatiara, a 176 quilômetros de Manaus); Ramal do Pau Rosa (no Km 21 da BR-174), além das comunidades dos lagos do Iranduba (a 27 quilômetros de Manaus) e Paru (em Manacapuru, a 68 quilômetros da capital), e na Reserva de Fruticultura Tropical do Inpa (situada no Km 35 da BR-174).

“Pelo menos 15 espécies frutíferas de palmeiras têm mercado estabelecido na Amazônia e em crescimento nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, ganhando expansão nos mercados internacionais”, conta Rabelo.

Para o técnico, é importante que o poder público e cooperativas agrícolas reconheçam o valor desse instrumento e promovam ações que possibilitem a produção em grande escala da ferramenta de colheita para que possam ser distribuídas entre as comunidades rurais da Amazônia. “Os frutospodem servir como matéria-prima para as agroindústrias, indústrias de cosméticos, farmacêuticas, dentre outras”, destaca.

Tecnologia inovadora pretende promover uso sustentável de recursos pesqueiros

Hidroacústica deve auxiliar no monitoramento e avaliação de estoques pesqueiros em lagos e rios da Amazônia

A tecnologia hidroacústica pretende promover o uso sustentável de recursos pesqueiros nos lagos e rios da Amazônia. O projeto é coordenado pelo doutorando em Ciências Pesqueiras dos Trópicos pelo Instituto Federal do Amazonas (Ifam), Lorenzo Soriano Antonaccio Barroco. A proposta é pioneira e busca compreender a aplicabilidade da técnica em águas continentais para monitoramento e avaliação de estoques pesqueiros da região amazônica.

O projeto recebe apoio do Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), via programa Sinapse da Inovação, que é realizado em parceria com a Fundação Centros de Referência em Tecnologias Inovadoras (Certi).

Segundo o coordenador do projeto, a hidroacústica não tinha aplicabilidade em águas da região e o grupo de empreendedores se propôs a fazer testes e compreender a melhor aplicação da tecnologia nos rios e lagos da Amazônia. Ele conta que o objetivo do uso da técnica é fazer o levantamento de dados de recursos pesqueiros de forma sustentável.

“O principal foco é trazer um levantamento de dados dos recursos pesqueiros, com a aplicabilidade desta nova tecnologia, conseguiremos fazer na comunidade íctica de lagos e rios, sem precisar capturar o recurso em si. Hoje as metodologias aplicadas basicamente seguem o princípio da captura de um lote do recurso de dentro de um lago para poder identificar e, assim, quantificar o recurso”, contou Lorenzo.

Pesquisador Lorenzo

Objetivo do uso da técnica é fazer o levantamento de dados de recursos pesqueiros de forma sustentável

 

O empreendedor explicou que a tecnologia funciona através de um equipamento eletrônico, na qual são emitidos sinais sonoros dentro da água e partir desse processo será feita leitura dos dados com informações acerca dos recursos pesqueiros encontros dentro da água.

“O sinal emitido pelo equipamento vai se rebater dentro de alguma concentração de densidade diferente, por exemplo, a bexiga natatória do peixe ou ate o mesmo o próprio corpo do peixe. Daí quando esse sinal topa com algum objeto ou algum corpo com densidade diferente da densidade da água, esse sinal retorna ao equipamento da sonda e a partir daí conseguimos identificar o tamanho, a dimensão desse corpo estranho”, explicou Soriano.

De acordo com o pesquisador, a grande dificuldade da aplicação da hidroacústica na água continental se dá pela grande quantidade de matéria orgânica encontrada nos rios, como troncos e folhas. No entanto, testes realizados pelo grupo empreendedor em águas pretas já atestaram a eficiência da tecnologia.

“A princípio fizemos testes em água preta, que basicamente tem menos material em suspensão e seria melhor o uso desse equipamento, e confirmamos isso em campo. Na água preta conseguimos fazer uma leitura mais clara dos dados. Como não temos uma base de dados pra fazer comparação, os dados que coletamos em campo são levados para o laboratório e lá estudados”, disse o empreendedor.

A análise no laboratório tem contribuindo para que os empreendedores adquiram prática e eficiência na leitura dos dados coletados a partir da hidroacústica. “Estamos nessa fase, de estudo e separação de quem é quem, pra que depois a gente consiga chegar ao campo e aplicar com eficiência essa metodologia”, finalizou Lorenzo.

Lorenzo Soriano integra a equipe da empresa Amazon Ecotech que presta serviços de consultorias técnicas na área ambiental, de recursos pesqueiros e de aquicultura. A empresa segue fazendo testes com a hidroacústica para adquirir know-how e usar a técnica de forma eficiente no mercado local.

recursos pesqueiros

 

Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)

Imagens – Secom e Decon

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Pesquisa analisa mudanças trazidas pela internet em comunidades rurais de Parintins, no Amazonas

O estudo quer entender como as tecnologias digitais reformulam a configuração espaço-temporal e as relações dos habitantes neste Município

Uma pesquisa desenvolvida com apoio do Governo do Amazonas por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) busca compreender quais são as mudanças geradas com o uso da internet por meio de dispositivos móveis (celulares e sistemas de wi-fi) entre jovens na comunidade rural Caburi, localizada a 60 km no município de Parintins, no Amazonas.

O estudo tem a intenção de entender como o celular conectado à internet interfere na geração de novas práticas comunicacionais dos moradores da comunidade, após a implementação do projeto cidade digital, em 2006, no município que possibilitou a inserção de Parintins na era da conexão digital sem fio.

A pesquisa, que teve início em 2015, é realizada na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), em parceria com a Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e também conta com o apoio da Universidade de Londres (UCL), por meio do projeto Global intitulado – Why We Post (por que nós postamos?). O projeto realizado em 8 países, nos anos de 2015-2016, busca entender os usos e as consequências da tecnologia, da internet e das mídias sociais na vida das pessoas.

imagem_cintiaCom a chegada do wi-fi já é possível as conexões dinâmicas nas relações dentro e fora da comunidade

Segundo a coordenadora do estudo, a doutoranda em Comunicação pela UERJ Soriany Neves, o cenário em que as praças se constituíram como ambiente de mídia no município sofreu transformações no acesso por seus habitantes, principalmente, por populações jovens.

A pesquisadora conta que no município durante as idas ao campo e por meio de um questionário online foi constatado que atualmente o local que eles mais acessam a internet é de suas casas. Por outro lado, essa realidade no município criou a expansão dessa lógica de acesso à internet por wi-fi aos ambientes das comunidades rurais, que até então sequer passaram pelo sistema de telefonia fixa.

Dessa forma, a pesquisa pergunta: em que medida e por quais aspectos essa tecnologia wi-fi redimensiona e reconfigura os usos e sentidos de habitar esse espaço? Tanto nas interações sociais cotidianas no âmbito de suas relações familiares no círculo pessoal de amigos da família, empreendido e firmados na esfera da vida offline, quanto à percepção de si nesse espaço em relação à cidade, possibilitadas agora com as conexões que eles fazem com seus amigos de áreas urbanas.

IMG_20170210_142411180_HDRA pesquisa mostrou que mesmo com os avanços tecnológicos (internet) a voz comunitária permanece

De acordo com a microanálise da pesquisadora, foi constatado que os jovens que habitam o contexto da Amazônia percebem mudanças na sua experiência subjetiva neste ambiente, não a ponto de anestesiamento frente à realidade, mas percebem que o wi-fi traz outra dinâmica nas relações dentro e fora da comunidade.

Outro ponto que a pesquisadora destacou é que o telefone celular é uma condição para estar informado e ter entretenimento. E que a natureza desta mídia, ao se caracterizar na possibilidade de se fazer múltiplos arranjos midiáticos, expressão utilizada por Vinícius Pereira, professor doutor da UERJ, faz jus à preferência pelos jovens e ainda o caráter da multissensorialidade do dispositivo parece ser um dos componentes que faz os jovens da Ilha compartilharem das linguagens transitórias, com tamanha identificação e intimidade na contemporaneidade.

De acordo com a pesquisadora Soriany, durante o estudo, uma jovem da comunidade relatou que a Internet se torna, a cada dia, uma necessidade para as famílias da localidade e que é incorporada de igual forma como tais bens de consumo dentro da própria dinâmica cultural. Ela conta também que a maioria dos jovens no vilarejo ouve rádio, assiste TV e à noite costumam acessar wi-fi em funcionamento na vila para falar com amigos e familiares fora da comunidade, que antes as pessoas não saiam quase das suas casas, mas com a internet as pessoas começaram a sair mais.

“Podemos afirmar que a Internet já está incorporada à prática social e cultural dos moradores da vila, sobretudo dos jovens, em muitos aspectos. A maioria dos avaliados fala da internet do vilarejo de forma positiva de um modo geral. Vimos nos relatos todo um cenário em transformação, mas que não atua no sentido de acabar com as tecnologias de ordem analógica, como por exemplo a voz comunitária. A experiência social tradicional ao modo de vida em um ambiente com interfaces (através do qual o usuário consegue, usando um computador, interagir com um programa ou com um sistema operacional). Entre o urbano-rural, à primeira vista, não se apresenta por meio de conflitos de identidades com a chegada das tecnologias digitais móveis, embora as populações tradicionais deste espaço se reconheçam apenas como jovens, ao invés de jovens ribeirinhos”, acrescentou.

IMG-20160930-WA0016A pesquisa ocorre entre jovens na comunidade rural Caburi, localizada a 60 km no município de Parintins, no Amazonas

Benefícios

Os principais beneficiados com o estudo, que tem previsão para ser concluído em 2019, são os jovens rurais e urbanos da cidade, afirma a pesquisadora.

Segundo ela, eles poderão compreender melhor os efeitos dessas tecnologias no seu cotidiano, seja apontando possíveis apropriações e desvios dos dispositivos móveis na produção de subjetividades, bem como para instituições como universidades e outras organizações que queiram compreender tais dinâmicas e as mudanças que as tecnologias geram na cultura e no espaço da Amazônia.

Cidade Digital

A pesquisadora Soriany conta que no Estado do Amazonas a emergência de novas formas de acesso às tecnologias digitais, por meio da banda larga, ocorreu em 2006 no Município de Parintins/AM (350km de Manaus por via fluvial) com implantação de wi-fi em duas praças públicas.

A iniciativa desse trabalho inaugurou a criação de territórios que trazem informações para uma cidade que até então o acesso à internet se dava de forma restrita, por provedores locais, por meio de radiofrequência, ou acesso discado. A cidade é uma das primeiras do Brasil com a implantação de tecnologias sem fio pela prefeitura e iniciativa privada, por meio do projeto de Cidade Digital em 2006.

“A pesquisa partiu do contexto de inserção, neste caso às praças, que neste ínterim se configuraram como praças digitais e que assumiram como locais de sociabilidades emergentes mediadas por celulares, o que fizeram delas atrativos para o fortalecimento e interações sociais na contemporaneidade”, contou a pesquisadora.

Apoio Fapeam

“Sem dúvida a concessão de bolsa da Fapeam é muito importante, tendo em vista o fortalecimento da pesquisa no Amazonas e a formação de docentes com maior qualificação para atuação em institutos e instituições públicas. As instituições e a sociedade ganham com isso pela elevação do nível de conhecimento e qualidade científica e técnica da formação de novos pesquisadores e de outras pesquisas no Amazonas”, finalizou Soriany.

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Departamento de Difusão do Conhecimento (Decon)

Fotos- divulgação

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Roda de Conversa abre espaço para discutir os desafios da pós-graduação que voltará na próxima edição

Por ser um tema complexo, a proposta dos mobilizadores do evento é trazer de volta a questão da pós-graduação que deverá ser o assunto da próxima Roda de Conversa, prevista para acontecer no dia 9 de novembro

Texto e foto Luciete Pedrosa – Ascom Inpa

SiteRodadeconversaFotoAscomInpa

Abrir um espaço para conversar sobre os desafios que o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC) precisa enfrentar enquanto Instituição e o quanto é importante que a pós-graduação esteja conectada com as necessidades, as demandas e a formação desses profissionais. Este foi o objetivo da sexta edição da Roda de Conversa, que teve como tema “A aproximação da pós-graduação com a sociedade”. O evento aconteceu nesta quarta-feira (18), na Biblioteca Central do Instituto.  

Por ser um tema complexo, a proposta dos mobilizadores do evento é trazer de volta a questão da pós-graduação que deverá ser o assunto da próxima Roda de Conversa, prevista para acontecer no dia 9 de novembro.  

De acordo com a coordenadora da Roda Conversa, a pesquisadora Rita Mesquita, que também é coordenadora de Extensão do Inpa, uma das questões que ficou claro nesta conversa é que a maior parte dos profissionais que são formado no Inpa, na verdade, são inseridos no mercado de trabalho em outros setores  além do acadêmico.

“Será que estamos dando uma formação completa e abrangente suficiente para que esse jovem profissional entre no mercado de trabalho de maneira competitiva. O sentimento é que temos um espaço para melhorar”, diz Mesquita.     

Atuando há mais de 40 anos na pós-graduação, o Inpa é um centro de referência mundial em estudos de biologia tropical. Atualmente possui dez programas em nível de mestrado e doutorado. Nesse período, o Instituto já formou mais de 2.500 profissionais, dos quais cerca de 70% permanecem na Amazônia.  

Durante a Roda de Conversa foram levantadas várias sugestões para melhorar a comunicação com a sociedade para divulgar as pesquisas que são feitas pelos alunos, a exemplo do que acontece com o Congresso de Iniciação Científica (Conic) onde os bolsistas apresentam os resultados finais dos trabalhos de pesquisas desenvolvidas ao longo de um ano. “Podemos tentar implementar algo nesse sentido para ajudar a melhorar a conexão entre os pós-graduandos”, disse a coordenadora de Pós-Graduação do Inpa, a pesquisadora Rosalee Coelho.

Para o pesquisador bolsista do Projeto Dinâmica Biológica de Fragmentos Florestais (PDBFF), o pós-doutor Arildo de Souza Dias, a Roda de Conversa é um espaço importante para se discutir e conhecer o que os pós-graduandos estão fazendo. “Este espaço deveria ser mais valorizado para que outras pessoas, alunos e professores, participem porque sem uma discussão não tem como mudar nada no Instituto”, diz.

Na opinião do mestre em Genética formado pelo Inpa, Ivan Junqueira, esta foi uma oportunidade para se discutir o principal problema que se tem na pós-graduação que é falta de diálogo entre grupos de pesquisa e entre os alunos em si e, principalmente, a capacidade de repassar o conhecimento adquirido para a comunidade. “Foi interessante para vermos quais são os mecanismos possíveis para desenvolver esta temática”, diz o mestre ao comentar ainda sobre a falta de integração para que o egresso do Inpa não se forme apenas como um especialista, mas que tenha uma formação mais plural.

A Roda de Conversa é aberto ao público e acontece uma vez por mês, na segunda quarta-feira de cada mês. O objetivo é debater assuntos de interesse da comunidade buscando a construção de uma visão mais cidadã sobre o assunto em foco. Além de Rita Mesquita, um grupo de mobilizadores também ajuda na condução do evento, e é formado pelas pesquisadoras Flávia Costa e Dionísia Nagahama, com apoio de Mateus Ferreira, Flavia Delgado e Marcos Vinicius Simões.