Memória gráfica de Manaus é tema de pesquisa apoiada pela Fapeam

O estudo é fruto de uma dissertação de mestrado que analisou os impressos efêmeros do Teatro Amazonas em 1940. A pesquisa se transformou em livro e foi publicada por uma editora Alemã

A Memória gráfica de Manaus foi o tema de uma dissertação de mestrado que contou com apoio do Governo do Amazonas via a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam). A pesquisa fez um levantamento histórico com o objetivo de reconstruir a memória gráfica da cidade de Manaus por meio dos impressos efêmeros do Teatro Amazonas, no período de 1940 a 1949, e assim saber se haviam espetáculos no Teatro Amazonas e como eram feitas as apresentações e divulgações dos eventos para a sociedade na época.

Os impressos efêmeros são materiais que tinham um período de vida curto, cuja função era apenas de informar algo que ocorreu no mesmo dia ou no dia seguinte.

O trabalho intitulado “Memória Gráfica de Manaus-AM: Impressos Efêmeros do Teatro Amazonas, 1940” foi desenvolvido pela mestre em Design Carla Batista. A pesquisa foi realizada na Universidade Federal do Paraná (UFPR).

CARLA BATISTA - MEMÓRIA GRÁFICA DO AMAZONAS - FOTO ÉRICO XAVIER._-5Pesquisa realizou uma levantamento histórico com o objetivo de reconstruir a memória gráfica da cidade de Manaus por meio dos impressos efêmeros do Teatro Amazonas no período de 1940 a 1949

Segundo Carla, o estudo é relacionado com a história do design gráfico que aconteceu antes da oficialização da profissão, que ocorreu entre 1950 a 1960 no Brasil. Antes desse período o que tinha por trás de cada projeto era a arte gráfica.

A pesquisadora explicou que os impressos efêmeros do Teatro Amazonas na década de 1940 são fragmentos da história local e que servem de contraponto à história dita oficial, que intitula o período estudado como anos de crise, por alguns historiadores, mesmo que a Batalha da Borracha tenha sido significativa para a economia amazonense. Além de fatores para a história econômica, outro foco pode se dar à história política em que vários impressos mostram espetáculos realizados para homenagear figuras políticas.

“Os efêmeros  dão outra perspectiva da história e mostram que tiveram espetáculos no Teatro Amazonas. Não tinha aquele glamour e nem o nível internacional. Mas sim, a nível nacional, regional e local. A divulgação dos espetáculos foi organizada nas categorias: flyer, folder e folheto”, diz Carla.

imagem_livroA pesquisa ganhou outras dimensões e se transformou em livro. A obra  dividida em três capítulos foi publicada por uma editora Alemã 

A pesquisadora disse ainda que naquela época havia muitos espetáculos, principalmente, de comédia. O flyer (impresso de pequenas dimensões distribuído para propaganda política ou comercial) era o produto mais usado na divulgação dos eventos por ser mais viável economicamente.

“Encontramos flyer que dizia que o espetáculo era no mesmo dia. Eles imprimiam, mostravam e terminavam naquele dia. Assim, foi analisado esse material que vi o que tinha por trás dele e que podia contar a história cultural e politica também. O período também foi marcado pelas homenagens, formaturas, apresentações de escolas de músicas, e todos faziam esses materiais impressos relacionados ao Teatro Amazonas”, diz Carla.

FLYER FOLDER E FOLHETOS

Flyer, folder e folheto dos anos de 1940. Fonte: A autora, 2014

As coleções criadas retratam o circuito cultural com apresentações de concerto, recital, festas artísticas, comédia, audição de piano, sessão solene, grupo teatrais entre outros. No total foram 77 impressos efêmeros do Teatro Amazonas, que se tornaram fontes com inúmeras informações sobre a história cultural, as técnicas de produção dos impressos e o consumo do artefato como meio de difusão cultural. Para a pesquisa, Carla fez um mapeamento em Manaus para saber onde teria acesso a esses materiais. Mas, foi no próprio Teatro Amazonas que encontrou um arquivo histórico com os produtos.

“Eles têm um projeto de no futuro abrir como centro de pesquisa, desde 1981 o projeto até os dias atuais. O que foi legal da pesquisa é que a contribuição começou desde quando eu disse que vinha fazer a pesquisa aqui. Hoje já tem uma equipe nesse processo organizando o presente e o passado. Fizemos uma ficha catalográfica para eles e futuros pesquisadores terem acesso a essa informação, mas eles pretendem abrir ao público também”, conta Carla.

CARLA BATISTA - MEMÓRIA GRÁFICA DO AMAZONAS - FOTO ÉRICO XAVIER._-15

 

Texto- Esterffany Martins – Agência Fapeam

Fotos – Érico Xavier

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