Rita Mesquita reforça no Conic necessidade de aliança do pesquisador com a sociedade

No decorrer da semana serão apresentados 176 resultados de pesquisas de iniciação científica, de várias áreas do conhecimento

 

Por Cimone Barros (texto e foto) – Ascom Inpa

 

Estabelecer pontes e alianças com a sociedade é uma tarefa que o cientista precisa desenvolver, e o jovem cientista deve compreender isso desde cedo. Esta é o recado da pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC), Rita Mesquita, em palestra nesta segunda-feira (31) sobre “Turismo Científico como oportunidade para a Amazônia” na abertura do VI Congresso de Iniciação Científica (CONIC) da Instituição.

 

O Congresso segue até a próxima sexta-feira (04), com a apresentação de 176 trabalhos de pesquisas desenvolvidas longo de um ano por estudantes de graduação de várias universidades do Amazonas e seus orientadores. O Inpa desenvolve o programa de iniciação científica há 26 anos. O programa conta com apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

 

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“Esse caminhar na iniciação científica faz uma diferença enorme na vida desses estudantes. Eles passaram pelos desafios da ciência, aprenderam questões financeiras e a serem criativos. Isso faz diferença, mesmo que não trabalhem com a ciência no futuro”, disse o diretor do Inpa Luiz Renato de França.

 

Rita Mesquita é coordenadora de Extensão do Inpa e vice-coordenadora do Museu na Floresta, projeto que visa a conservação da biodiversidade na Amazônia com base em um novo conceito de museu, voltado a vivências práticas de como é possível viver em harmonia com a floresta. Segundo a pesquisadora, existem várias maneiras como essa aliança pode acontecer e o turismo científico é uma delas, porque ele abre novas oportunidades para o desenvolvimento da pesquisa científica e de novas carreiras na ciência, estimulando jovens que talvez nunca ouviram falar de ciência antes.

 

“O turismo científico permite ainda que as instituições encontrem meios de manter estações, reservas e algumas atividades de pesquisas de interesse. Então, o turismo científico também acaba sendo uma oportunidade de pequena escala, não é uma atividade de massa, mas existe claramente esse nicho que nós que estamos ligados à ciência devemos ocupar”, destacou Rita Mesquita.

 

Esse turista, segundo a pesquisadora, é bem informado, formado, de bom poder aquisitivo e interessado em ampliar conhecimento. Ele também não está interessado em estruturas luxuosas, mas na qualidade da informação. “Esse turista acompanha o noticiário, sabe o que acontece no mundo, ouve falar sobre as grandes questões da sociedade moderna, e o turismo científico ajuda a colocar em melhor contexto algumas dessas questões, como mudança climática, sustentabilidade, poluição, consumo consciente”, explicou.

 

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Para a pesquisadora, as instituições ainda “não acordaram” para o interesse que a sociedade tem em relação à ciência, e por isso há uma tendência em se oferecer mais a parte de lazer e o turismo de aventura do que atividades que venham acompanhadas de conhecimento científico de boa qualidade. “Existe uma tendência disso melhorar na medida em que iniciativas, como as que temos aqui no Bosque da Ciência, no Museu na Floresta, na Torre de Observação e Pesquisa da ZF-2, começam a atrair o interesse e a disseminar esse tipo de proposta”.

 

Participaram da cerimônia de abertura além do diretor do Inpa, a coordenadora de Capacitação do Inpa, Beatriz Ronchi; a pró-reitora de pesquisa e pós-graduação da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Selma Baçal; a vice-coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Clima e Ambiente (Cliamb) representando a Universidade do Estado Amazonas, Rita Valéria Andreoli de Souza; e a diretora técnica da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), Aline Cristina Lauria.

 

“Nossa meta na Ufam é até o fim dessa gestão ter 2 mil bolsistas na Iniciação Científica, equivalente a 3% dos nossos alunos. Hoje temos pouco mais de 1 mil”, contou Baçal.

 

 

Apresentação

 

As apresentações do Conic acontecerão nos Auditório da Ciência e no Auditório da Biblioteca por áreas e subáreas do conhecimento do Inpa: Ciências Exatas, da Terra e Engenharias (Exatas e Engenharias, Clima e Ambiente, Química de Produtos Naturais); Ciências Biológicas (Botânica, Saúde, Ecologia, Genética, Zoologia I e II); Ciências Agrárias (Agronomia e Recursos Florestais); Ciências Humanas e Sociais Aplicadas (Educação Ambiental, Ciências Humanas e Sociais); Multidisciplinar.

 

O encerramento na sexta-feira acontecerá, a partir das 15h, no Auditório da Ciência com a palestra da professora da Universidade do Estado do Amazonas, Suzy Simonetti, sobre Turismo e sustentabilidade: a Amazônia como destino. Às 16h30, acontecerá a premiação dos bolsistas que serão homenageados com a Menção Honrosa 2015/2016.  

 

Veja aqui programação do VI CONIC e a lista de trabalhos de que serão apresentados. 

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